30.9.06

Meme Efeito Borboleta - Butterfly effect meme

Este meme foi criado por Dan do blog Saltshaker e a Paz, gentilmente, enviou-me um email perguntando se eu não gostaria de respondê-lo se tivesse um tempinho... Bem, acontece que ultimamente eu até tenho tido bastante tempo para preencher, terminei de escrever a tese e só estou esperando meu orientador terminar de lê-la e dizer se está tudo OK, e espero que ele diga que está tudo OK, pois não vou ter mais tempo de arrumar muita coisa! Enquanto isso, vou lendo aquilo que tenho vontade de ler: 2 volumes de história da literatura japonesa (estou no segundo), o segundo volume das Mil e uma noites (esse vai devagar e sempre) e um pouco de gramática da língua japonesa. (Tenho cozinhado pouco e sem grande inspiração... vergonha...)

O objetivo do Meme é descrever coisas/momentos/pessoas que tiveram alguma importância em nossa vida "gourmet", que provocaram algum tipo de revelação... (Não sei se vocês assistiram o filme com o mesmo nome, ele é bom apesar de não gostar muito do Ashton Kutcher).

1. Um ingrediente: coentro fresco. Durante muito tempo minha relação com o coentro não foi das melhores, eu odiava seu sabor e cheiro, em minhas lembranças, ele era aquele ingrediente que tornava a sopa da merenda escolar intragável (e olha que faltava pouco para isso!). Não sei em que momento minha opinião sobre esse tempero mudou, hoje não consigo ficar sem ele, especialmente quando preparo guacamole.

2. Um prato, uma receita: a receita de bacalhau a Gomes de Sá de minha sogra. É uma receita de família que minha sogra sempre prepara quando vamos almoçar em sua casa. Foi o melhor bacalhau que comi, pedi a receita e ela, não sem alguma relutância, disse como era preparado. Demorei para dominar todo o processo de dessalgar o bacalhau, mas cheguei à conclusão de que o tempo e os erros são os melhores mestres. Hoje, faço a receita sempre que tenho vontade.

3. Uma refeição (em uma casa, em um restaurante, qualquer outro lugar): quando era criança eu morava em um bairro afastado da cidade, as casas não tinham muros e a molecada se reunia para brincar na rua. Tínhamos um hábito que repetíamos com uma certa frequência, a garota mais velha do grupo (ela deveria ter uns 12 anos, eu tinha 8) pedia que cada criança trouxesse um ingrediente qualquer de casa (uma porção de arroz, macarrão, algum legume). No dia combinado cada um levava sua contribuição e ela acendia uma fogueira entre dois blocos de concreto, colocava uma panela em cima e fazia uma grande panelada de arroz com legumes e macarrão. Ficávamos todos sentados ao seu redor esperando a refeição ficar pronta, cada um recebia seu prato e comíamos como se não houvesse nada melhor no mundo! Até hoje acho que aquele arroz tinha um sabor muito especial.

4. Um livro de culinária ou outro trabalho escrito: Corta-me o coração saber que destruí os livros de culinária do açúcar União que minha mãe tinha guardado, mas ela não deveria tê-los mantido ao meu alcance quando eu era criança! Também me arrependo de não ter guardado um dos livrinhos de receitas que eu e meus irmãos tínhamos montado na escola como presente de dia das mães, havia muitas receitas simples e boas: bolo de banana, amendoim doce, torta salgada...
Atualmente, meu livro favorito é o Crazy Water, Pickled Lemons, porque ele foi um presente e porque ele é muito bom.

5. Uma personalidade do mundo culinário (chef, escritor, etc.): Gosto da Nigella Lawson, foi um dos primeiros programas de culinária que vi na tv. Ela é uma mulher muito bonita e parece muito forte e positiva, apesar de ter perdido um marido, uma irmã e a mãe para o câncer.

6. Uma outra pessoa em sua vida: Minha avó. Não posso dizer que ela tenha sido uma influência positiva em minha vida gourmet, mas eu achava um barato a maneira como ela resolvia o dilema do que fazer para as refeições. Ela morou sozinha durante algum tempo e, durante esse período, eu costumava ir quase todos os sábados visitá-la sozinha, eu tinha uns 10 anos, meu pai me deixava perto da oficina de eletrônica que tinha na época e eu pegava um ônibus até o apartamento de minha avó. Passava o tempo vendo-a costurar (ela costurava para lojas da cidade e sempre tinha pilhas de peças para montar), xeretando suas coisas e verificando a floração das plantinhas que ela mantinha no parapeito das janelas do apartamento. Não sei se ela me considerava uma visita indesejável, talvez sim, mas nunca demonstrou. No meio da manhã, íamos comprar frutas em um feirinha das proximidades e comíamos um pastel. Às vezes, almoçava com ela, o menu consistia em um grande "sopão" feito com misoshiru, somen (um macarrão japonês fininho), arroz e até feijão cozido que ela havia preparado no dia anterior e requentava até acabar. Naquela época, eu achava a idéia genial, pensava em como ela era prática e me imaginava fazendo o mesmo quando morasse sozinha. Após algum tempo, minha tia foi morar junto com ela e acho que ao menos seus hábitos alimentares melhoraram. Minha avó comprou seu apartamento com o dinheiro da costura e trabalha até hoje (com 84 anos). Ela é meu exemplo de força de vontade e energia.

Convido todos aqueles que desejarem responder este meme a fazê-lo!


********************************

This meme was created by Dan from Saltshaker and Paz kindly sent me an email asking if i didn't want to answer it if i had time. Well, lately i've had plenty of time to fill, i've finished writing my thesis and now i'm here just waiting for a positive answer from my tutor (I don't know if that is the correct word to use), hope he says that everything is OK after reading it because i won't have much time left to correct anything. Meanwhile, i'm reading all the books i've postponed reading: two volumes on Japanese literature history, the Thousand and one nights and a book on Japanese Grammar. (I've not been cooking much though!)

In this particular Meme we are supposed to describe things/moments/people that had some influence on our "gourmet" lives... (Have you seen the movie with the same name? I'm not an Ashton Kutcher fan but it is good!).

1. An ingredient: fresh cilantro. During part of my life i hated its smell and flavor, it reminded me of a terrible soup which used to be served at school. At some point, my opinion about this herb changed and now i can't live without it, can you imagine guacamole without cilantro?

2. A dish, a recipe: my mother in law's Portuguese codfish recipe. It is a family recipe which my mother in law always cooks when we visit her. It is, honestly speaking, the best codfish i've ever eaten. I asked her for the recipe and she gave it to me, (a little reluctantly). It took me some time and patience to master the whole process (you have to soak the codfish in water and pour boiling water over it to remove the salt, but time and mistakes are great teachers!). Today i can prepare the dish whenever i want to.

3. A meal (in a restaurant, a home, elsewhere): when i was a kid, i lived in a very isolated neighborhood, the houses didn't have fences and the kids could play on the streets. My comrades and I had a habit we used to repeat frequently, the oldest girl among us (she was 12 years old, I was 8) asked each one of us to bring an ingredient (a bit of rice, noodles or a vegetable) from our houses. In the following day, she used some dry branches and wood to light a fire between two concrete blocks, put a big saucepan over it and cooked some rice with whatever ingredient we had brought her. All the kids sat around the saucepan, waiting for the meal. When it was done, each one of us received a plate and we ate with pleasure. That was the best meal i've ever had!

4. A cookbook or other written work: it breaks my heart to remember that i have torn all my mother's cookbooks to pieces, but she shouldn't have given them to me when i was young! Nowadays, my favorite cookbook is Crazy Water, Pickled Lemons, because it was a gift and because it is really good.

5. A food "personality" (chef, writer, etc): I like Nigella Lawson, hers was the first cooking program i've seen on tv. She is a beautiful woman and seems to be very strong and positive about life, even after having lost a husband, mother and sister to cancer.

6. Another person in your life: My grandmother. I can't probably say that she was a positive influence on my gourmet life, but i found her way of managing her cooking dilemmas really good. She lived alone for some time after my grandfather died, during that period, i used to pay her a visit almost every Saturday because i thought that she was too lonely, i was 10 years old, i took a bus near the place where my father worked at that time and went to my grandmother's little apartment. There, i spent my time watching her sew and looking at the vases of plants which she had in front of the windows. I don't know if she considered me an undesired intruder, maybe, but she never complained. In the middle of the morning, we went out to buy some fruits and vegetables in a nearby farmer's market, we ate something and returned to the apartment. Sometimes we had lunch together, her menu was always the same: a big saucepan of a "soup" she had cooked the day before with miso, somen (a sort of thin japanese noodle), rice and even beans. She ate that soup at every meal until it finishes. At that time i found her idea really amazing, it was practical and i could imagine myself doing the same in the future (i hated so much to cook!). After a while my aunt came to live with my grandmother and i believe that her nutritional habits improved. She is my model of willpower and strength, she worked her whole life (she is 84 now) and bought her apartment with her sewing money.


22.9.06

Birchermüsli

Não tenho cozinhado grande coisa desde que voltei de Fortaleza, os três dias sem pisar na cozinha parecem ter durado uma eternidade e arrefeceram meu entusiasmo pelas panelas. Acho que voltei para o estágio em que estava quando me casei, quando preferia estar fazendo outras coisas a cozinhar. Mas deve passar logo, tem que passar, afinal, a comida não se faz sozinha!

Contrariando meus hábitos, comprei um livro de culinária! Eu já o estava namorando há um ano, eu o vi pela primeira vez em uma livraria de SP, fomos a um lançamento de um livro no qual O tinha um artigo e, enquanto ele papeava com seus conhecidos, eu fiquei percorrendo as prateleiras. Ele se chama Fazenda Pinhal: Caderno de receitas e histórias de família. A autora, Helena Carvalhosa, é proprietária da Fazenda que, hoje, é um hotel-fazenda em São Carlos e faz parte da Associação Roteiros de Charme. Não conheço, mas parece um bom local para relaxar. As receitas são simples, foram contribuições de hóspedes, e são interessantes porque estão impressas da forma como cada um as escreveu no caderno de visitas.


Fiz esta aqui para comer no café da manhã, é bem gostosinha, deve fazer um bem danado para a saúde e para a beleza! rs


Birchermüsli (Do Caloca Fernandes)

1 c sopa de aveia em flocos
3 c sopa de água
1 maçã ralada com casca
2 c sopa de iogurte natural (ou 2 c sopa de leite evaporado)
1 c sopa de mel
1 c sopa de suco de limão

Na véspera, deixe a aveia de molho na água em uma tigela. Na manhã seguinte, adicione os demais ingredientes e misture. Se quiser, coma salpicado com frutas secas, como passas, damascos picados, amêndoas torradas....


*************************

Sorry people, I haven't been cooking much lately. I've bought a cookbook and hope it'll inspire me. This is a simple breakfast dish, it is written that it can do wonders for your health if eaten everyday!

Birchermüsli (Caloca Fernandes recipe)
1 tbsp oats
3 tbsp water
1 small grated apple
2 tbsp natural yoghurt
1 tbsp honey
1 tbsp lemon juice

Soak oats in water in the night before. The following morning, stir in all the remaining ingredients. Serve sprinkled with raisins, apricots, berries, nuts....

20.9.06

Fortaleza 5 - Mercado Central

Interior do Mercado Central


Para alívio de todos aqueles que já devem estar cansados de ler sobre minhas andanças em Fortaleza, este é meu último post sobre a cidade (há outros no blog Nos quatro cantos do mundo). O Mercado Central fica perto do centro (como o nome diz) e é enorme, quatro andares (+ o estacionamento) ligados por escadas e rampas onde você encontra vários boxes vendendo de tudo. No primeiro andar concentram-se as lojinhas de itens da culinária local como castanhas de caju torradas, glaçadas, cruas, salgadas ou não; vidros de cachaça com cajus inteiros dentro da garrafa ou lagostas, rapadura, etc. Os preços variam, as castanhas de caju "tipo exportação" são as mais caras, mas são graúdas, nunca tinha visto castanhas tão bonitas e custando cerca de metade do preço do que pago em SP. Se você levar castanhas "machucadas", um pouco quebradinhas, irá pagar ainda menos pelos pacotes de 500g ou 1kg. As castanhas do Pará, apesar de não serem encontradas em todas as lojas, também são bem mais bonitas e baratas do que aqui no sudeste. 

Em nome da curiosidade, comprei uma garrafa de cajuína, uma bebida não alcóolica e não fermentada feita com caju, o vendedor disse que eu deveria bebê-la bem gelada. Deixei-a algumas horas no frigobar do hotel e experimentei. O aroma é forte e um pouco desagradável, mas o sabor é muito bom, suave e doce, apesar de não levar açúcar. A cajuína também não leva nenhum outro tipo de aditivo ou corante químico e se estivesse à venda por aqui eu a compraria sempre! Vi sorvetes de massa feitos com frutas da região e mesmo de tapioca em uma sorveteria lá dentro, mas não experimentei. Ainda no primeiro andar, você também encontra descansos de mesa feitos com palha (acho que é palha) de todos os tamanhos e artigos como colares de semente, brincos e bolsas.

No estacionamento, há barraquinhas que vendem enfeites de casca de coco e outros balangandãs.
Não resisti e comprei alguns colares e brincos de resina e sementes por R$5,00 e R$3,00.

Nos andares superiores, há lojas abarrotadas de roupas, toalhas e caminhos de mesa, panos de prato e os mais variados artigos de cama, mesa e banho bordados, feitos no tear ou de renda. Há lojas com artigos de couro (de jegue, segundo os vendedores me informaram) por preços bons e bolsas de palha muito bonitas.
Os preços não variam muito, mas é bom andar bastante para não fazer o que eu fiz, logo no primeiro andar, fiquei olhando uns caminhos de mesa, perguntei o preço para o vendedor e ele me disse um valor, fiquei em dúvida e ele o baixou um pouco mais, porque, dizia, ele já estava de saída e precisava fechar as contas... Acabei achando que era um bom negócio e fiz a compra, à medida que ia subindo para os andares superiores, descobri que o mesmo artigo custava menos em todas as lojas, faltou pouco para eu voltar e fulminar o espertalhão!

Não sei se os vendedores agem da mesma forma com todos, mas me sentia uma turista em um mercado árabe, todos procuravam mostrar seus produtos e me convencer a entrar em suas lojas, cansei de dizer "Não, obrigada!". Chegou uma hora em que eu já nem olhava para os lados. Como nos mercados árabes, quando perguntava por um preço e recusava a oferta, os vendedores faziam alguma proposta "irrecusável".
De qualquer forma, se for a Fortaleza, não deixe de ir ao Mercado Central, vale a pena! Vá ao Centro Cultural Dragão do Mar que também fica perto e, se ainda der tempo e não estiver cansado, passe pela ponte dos Ingleses. Da Avenida Beira Mar, é possível pegar o Circular e ver tudo andando um pouco ou fazendo visitas em etapas. Se tiver coragem, e eu não recomendo, vá de moto-táxi, é mais barato do que o táxi comum!


Cajuína



Castanha do Pará e de caju

19.9.06

Fortaleza 4 - Restaurantes

As escolhas de restaurantes em Fortaleza foram quase todas baseadas em sugestões de conhecidos e guias de viagem e acho que elas não foram de todo más. Tivemos várias boas surpresas.

No primeiro dia, após descobrirmos que a comida do hotel não era a melhor opção, decidimos nos aventurar por restaurantes próximos, pois não tínhamos tempo para ficar indo para locais mais afastados. À noite, a professora que nos ciceroneava pela cidade nos levou para jantar no restaurante La France. Você entra em um salão cheio de quadros nas paredes e se senta em uma das várias mesas de madeira. Pedimos um "peixe à belle meunière", ele veio bem temperado com limão e grelhado em uma mistura de ervas e manteiga, acompanhado de batatas cortadas bem fininhas e fritas até ficarem crocantes. Estava bom, apesar de achar que havia um pouco mais de óleo na refeição do que estou acostumada a comer. Nossa cicerone gosta muito desse restaurante e acho que é uma boa opção, ele está fora da rota dos turistas e os pratos servem duas pessoas por bom preço.


Outro restaurante que ficava próximo do hotel (apenas dois quarteirões) era o Cemoara, no Guia 4 Rodas de 2005, constava que ele era o melhor restaurante de pescados da cidade. Confiando nessa avaliação, liguei para o número do guia para saber qual o horário de funcionamento e o número foi parar em uma cantina com o mesmo nome, alguém me informou que o restaurante havia sido dividido em dois (cantina e pescados) e me passou o número do outro estabelecimento. Confirmei que o restaurante funcionava na hora do almoço e fomos lá. Ele fica no saguão do hotel Mercure e, apesar de não ser grande, é bem arrumadinho. Os garçons são super simpáticos e ficamos papeando um pouco, éramos praticamente os únicos comensais da casa. Pedimos um carpaccio de salmão como entrada (muito bom!), e continuamos com um Filé de beijupirá à Delícia (um peixe local grelhado e coberto com uma banana e bechámel, muito bom, se você entrar em outro restaurante e ler "peixe à Delícia", experimente!) e um salmão com molho de laranja. Ambos os pratos eram bem feitos, mas não sei se o restaurante merecia a estrela do Guia. A carta de vinhos é divertida, eles trazem um carrinho onde estão expostos todos os vinhos da casa com os respectivos preços, você escolhe e eles trazem uma garrafa da adega climatizada. O dono do restaurante é português e importa os vinhos diretamente de Portugal, havia muito pouca coisa da América do sul, uma pena. (Vi uma garrafa de Pera Manca por R$750,00!). Bebemos uma garrafa de Chardonnay chileno que estava mais em conta, mas bem esquecível (já nem lembro o nome), como não íamos beber tudo, perguntamos se eles poderiam guardar o que sobrasse para quando voltássemos ao restaurante e eles disseram que sim. Ah! O pessoal era tão atencioso! Acho que decidimos retornar por isso. Voltamos lá na noite seguinte para comer lagosta e terminar nossa garrafa! Li que ela era mais barata naquela região, mas eu não achei. O diferencial do restaurante, segundo o maître, era que a lagosta deles era grande, eles não compravam lagostas menores do que as especificadas por um determinado padrão. Você tinha a opção de pagar pelo peso (cada 100g) ou o valor do prato, escolhemos a primeira opção e dividimos o rabo de uma lagosta em dois pedaços, o de O virou uma "lagosta ao molho Thermidor" e o meu foi grelhado e servido com batatas coradas. Não era uma quantidade fenomenal, mas estava bom. (O não gostou muito do prato dele, achou salgado). Comemos crepes suzettes de sobremesa. Eles fazem a calda de laranja na hora, em um fogareiro no meio do restaurante, muito gostoso.


Para aliviar o nosso bolso e voltar à nossa dieta, almoçamos em um restaurante natureba por quilo chamado Gergelim (outra sugestão de nossa cicerone), ele fica meio escondido em uma avenida movimentada, você pode comer no salãozinho climatizado com mesas de granito bruto (a superfície delas é irregular, há uma certa dificuldade em manter os pratos e copos em uma posição estável) ou do lado de fora, no pequeno jardim arborizado dos fundos. Há opções de saladas e pratos quentes feitos com soja, peixe e frango. Gostei bastante do lugar, a lista de sucos é enorme e eles preparam a mistura que você quiser, O pediu um suco de aipo, cenouras e pepinos eu fiquei no de melancia. As sobremesas também são pagas por quilo, são quase todas light, há salames de chocolate, cheesecakes (não gostei), bolo de frutas e um tiramisú de tofu fantástico! Ele não tinha gosto nenhum de tofu e era melhor do que muitos tiramisús que já provei, fiquei tão impressionada!


O último restaurante da lista é o Pulcinella, onde jantamos em nosso último dia em Fortaleza, prometi a mim mesma que se voltasse algum dia (e pretendo voltar!), iria comer lá mais uma vez! Apesar do restaurante ser italiano, ele não tem nada de uma cantina, muito sofisticado, com uma decoração de bom gosto. Ar condicionado no salão e mesinhas, à noite, do lado de fora (e muitos seguranças ao redor do restaurante). Além de pratos de massa muito criativos, há opções igualmente interessantes de carne, aves (até avestruz!) e peixes. Como tínhamos comido um sanduíche à tarde, escolhemos pratos leves. Havia uma mesa com antepastos a quilo, mas ficamos em uns pasteizinhos de salmão de entrada e espaguete integral com brócolis, tomates secos e camarões. Os pasteizinhos eram redondinhos e massudos, (lembravam aquelas massas fritas feitas com pinga) bem crocantes e recheados com uma porção de salmão. Eu gostei, O esperava pasteizinhos com massa fina, de feira. O espaguete estava muito bom. Só o O leu a carta de vinhos e disse que ela precisava melhorar, só vi as garrafas nas prateleiras e aquelas que estavam expostas eram as de marcas mais populares.


Bem, não comi a famosa caranguejada! Fiquei na vontade, o maître do Cemoara nos disse que todas as quintas é dia de caranguejada na cidade e se você for até as barracas da Praia do Futuro à noite, vai ouvir o "toc, toc, toc" dos martelinhos quebrando as cascas dos bichos logo que chegar. Para não dizer que fui a Fortaleza e não passei pela praia do Futuro, eu peguei um táxi e pedi para ser levada até a barraca do "Chico do Caranguejo"! A praia fica meio afastada da cidade e, para quem estava esperando uma área tão urbanizada quanto a Avenida Beira Mar, foi uma surpresa e tanto ver uma praia cercada por terrenos quase vazios (a imaginação da gente prega peças!). As barracas são enormes e com boa infraestrutura. O taxista disse que não havia quase ninguém na praia naquele horário (16:00hs) e que o pessoal das barracas estava se preparando para receber gente para o forró da noite. Acabei pedindo para ele me levar de volta sem descer do táxi. Achei que era um programa meio furado ficar por ali sozinha. Se ainda tivesse alguém para me acompanhar, teria descido, andado pela praia e dividido alguns caranguejos. Também não tinha como avisar O sobre onde estava, o celular da Vivo não funciona em Fortaleza, vivíamos marcando nossos encontros pelo relógio. Para banhos de mar, fui informada, aquele é dos melhores locais e devo concordar


E assim, após nossas incursões gastronômicas, retornamos para casa falidos!

16.9.06

Bons modos à mesa

A Valentina do Trembom me convidou a responder este Meme.
Receber é algo que comecei a fazer após o casamento, quase sempre nossos convidados são membros da família: meus pais, irmãos, cunhada, minha sogra e filhas de O, raramente outras pessoas. Aprendi muito lendo e observando, pois minha família não é do tipo que arruma a mesa com talheres para carne ou peixe, pratos para entrada, prato principal e sobremesa, guardanapos e copos de água e vinho. Tudo sempre foi muito informal, cada um pega seu prato, talheres e se serve. Em casa, hoje, as coisas são um pouco diferentes. Não tenho uma sala de jantar, a mesa é pequena e fica em um espaço estreito entre a cozinha e a sala, meu sonho é um dia ter espaço suficiente para comprar uma mesa enorme! Seis pessoas é o máximo que a minha mesa atual comporta, todas meio espremidas.

(Ganhei o jogo americano da foto da professora que nos recebeu em Fortaleza, uma cearense magnífica que se desdobrou mil vezes para atender às nossas necessidades!)

1. Arrumo a mesa com os pratos e talheres, guardanapos, copos de água e vinho. Sempre deixo uma jarra com água à disposição de todos, é comum as pessoas servirem o vinho e se esquecerem da água.


2. Procuro deixar tudo pronto antes dos convidados chegarem, apenas dou alguns ajustes finais quando eles chegam e os recebo já de banho tomado e arrumada, pois acho chato recebê-los com o ar esbaforido de quem estava na frente do fogão.


3. Não gosto de atrasos, sempre pergunto se será possível chegar no horário. (Eu procuro sempre chegar no horário e fico louca da vida quando O fica enrolando para se arrumar)


4. Na casa dos outros, não costumo recusar pratos preparados pela anfitriã, mesmo daquilo de que não gosto, procuro comer ao menos um pouco. Sempre há a possibilidade de gostar do prato, detesto quando alguém diz que não come isso ou aquilo sem jamais ter provado.


5. Como a Valentina, acho simpático levar alguma coisinha para as pessoas que nos recebem.


6. Nada de cigarro à mesa, deixo o cinzeiro sobre o balcão do bar, perto da porta.

Fortaleza 2 - O hotel

Av. Beira Mar de frente para hotel


Idem


Ficamos hospedados em um hotel chamado Olympo, na praia do Meireles, a localização é ótima, pois fica na praia logo na frente da Av. Beira Mar, onde há um calçadão que vive cheio de gente fazendo caminhadas e correndo de um lado para o outro. A opção não foi nossa, como há um convênio entre o hotel e a universidade, não tivemos opção. O primeiro quarto em que entramos, ficava no terceiro andar voltado para um outro prédio e para o exaustor da cozinha e, além do barulho, havia o cheiro de comida sendo feita (peixe frito naquele momento). Pedimos para mudar e fomos encaminhados para um quarto no primeiro andar, ele parecia não ter sido reformado como o anterior, mas ficava voltado para o mar e não havia (tanto) barulho, não gostei do guarda-roupas, parecia que alguém havia deixado roupas molhadas na prateleira superior e o cobertor que estava por lá cheirava à coisa molhada que não havia secado direito, apesar disso, não pedimos para mudar de quarto, sabe-se lá onde iríamos parar. Acho que não recomendaria o hotel para ninguém, talvez haja quartos melhores, mas tenho minhas dúvidas. No último dia, eu saí cedo para assistir à uma conferência e quando voltei pouco antes do almoço, havia uma bandeja com meio hambúrguer e algumas fritas em uma bandeja no chão do corredor, alguém devia ter pedido o prato para o serviço de quarto e deixado do lado de fora para ser retirado depois, vocês acreditam que ele continuava por lá até às 17:00hs? Já havia uma mosca rondando, foi quando O foi avisar a recepção que logo algumas baratas iam passar e levar tudo. A internet lá era um roubo: R$ 5,00/15min, andando 5 min havia um internet café que cobrava R$6,00/hora, vi por menores preços perto da universidade, mas aí ficava fora de mão. O uso do cofre também era cobrado, ele ainda funcionava com o uso do "trancão" e não de modo automático, eu tinha que andar com a chave de um lado para o outro e se a perdesse ainda pagaria R$100,00. Pouco prático.

Recebemos "vales" da universidade para comermos no hotel, mas só o usamos no primeiro dia, assim que chegamos, sem almoço e cansados. O pediu um prato de peixe ao molho de manga com arroz e batatas no menu à la carte. Não minto se disser que o peixe não tinha gosto nenhum! Estava lamentável, decidimos não voltar mais lá, pois, se o menu à la carte era assim, imaginamos que o bufê do almoço e do jantar não deveria ser melhor. Devolvemos os "vales" e ficamos comendo aqui e ali. Acho que foi a melhor coisa que fizemos. Um outro dia, quando voltávamos do nosso almoço, encontramos outros professores comendo no restaurante do hotel e o prato de penne que dois deles pediram parecia o macarrão que serviam na merenda escolar da minha época de primário, uma massa corada com extrato de tomate, não havia molho em lugar algum. Um professor português que tinha se aposentado em Portugal e estava dando aulas como convidado em uma universidade da Paraíba olhava para aquilo e dizia, com aquele sotaque maravilhoso, "vocês não vão conseguir chegar à metade do prato! Está horroroso!" e, olhando para seu próprio prato de salmão com batatas e arroz, dizia resignado "Está horrível, no primeiro dia ainda estava bom, mas hoje, está horrível!" (Ele falava sério, não gostaria de convidá-lo para uma refeição, pois ele dizia exatamente o que pensava, sem dó nem piedade! rs) Quando fomos comer em outro restaurante, ele pediu um prato de bacalhau a Gomes de Sá e disse que devolveria o prato se não estivesse bom. Acho que nós ainda nos sentimos meio constrangidos em agir dessa forma, mas ele está certo, não está? Se pagamos, se nos garantiram que o que pedimos vai estar ótimo e se o prato nos desaponta, temos que reclamar! Felizmente o bacalhau estava bom e não precisamos ver o simpático garçom levar o bacalhau de volta. 
O café da manhã do hotel, entretanto, era muito bom. Havia uma mulher preparando tapiocas na hora e cada um podia escolher o recheio: queijo, presunto, manteiga, leite condensado... Havia bolos de batata-doce (não gostei), milho, fofo e macaxeira, e ainda pão de queijo e arroz doce. Encontrei até um sapoti entre as frutas e tratei de experimentá-lo. Ele lembra um kiwi sem os pelinhos e mais arredondado na forma, por dentro, ele é meio marrom-alaranjado com sementes achatadas, compridas e pretas. Sua consistência lembra um pouco a do caqui maduro um pouco mais granulosa. Seu sabor é suave, mas não consegui lembrar de nada com que pudesse compará-lo.
Minha opinião: acho que há hotéis mais interessantes nos arredores.

*Escrevo mais sobre Fortaleza também no blog coletivo Nos quatro cantos do mundo.

15.9.06

Estou de volta!

Praia do Meireles


Obrigada por todos os comentários e votos de uma boa apresentação na universidade. A viagem a Fortaleza foi uma oportunidade de descobrir um outro canto do Brasil, outras pessoas e mesmo de descobrir algumas coisas sobre mim mesma ( por exemplo, agora sei que posso viver sem internet!)

A viagem de ida não foi muito agradável, após embarcar no avião, ficamos 50 minutos esperando ter permissão para decolar, pois o radar de Brasília que controla o tráfego aéreo da região centro-oeste, nordeste e norte estava com problemas (uma aeromoça confessou que isso ocorria uma vez por mês). Ficamos sentados como sardinhas enlatadas por 4 horas dentro do avião da Gol (50 min de espera + 3h de vôo), O estava de muito mau humor, ele tinha reservado assentos na primeira fileira para ter mais espaço para as pernas por causa da trombose, mas o espaço era mínimo, na verdade, nunca vi tão pouco espaço em um avião. Na volta, o avião era "normal" e o espaço na primeira fileira era enorme! (Infelizmente, nós viemos na 8a, mas ainda havia mais espaço ali do que na 1a fileira do modelo de avião anterior). Apesar de termos saído na hora do almoço, recebemos apenas um lanche de presunto, queijo e manteiga e as opções de suco, refrigerante e água. O mesmo foi servido na volta (saímos às 6:35h da manhã, acordamos de madrugada). Acho que nenhuma companhia brasileira serve mais comida nos vôos.


Quando saímos de SP, ainda estava meio frio, em Fortaleza fazia bastante calor. Fiquei até achando que estava quente apenas por lá, mas quando voltamos, fomos surpreendidos pelo calor e mormaço aqui.
Apresentei minha conferência, comi bem e andei um pouco. Fortaleza é uma cidade com mais altos do que baixos, como escreveu a Renata. Seu litoral é urbanizado e moderno, cheio de hotéis e prédios, mas basta nos afastarmos um pouco da orla marítima, para a paisagem mudar bastante. Os prédios dão lugar a casas e pequenas lojas. O que me impressionou foi notar como a preocupação com a segurança é grande, sempre nos recomendavam que pegássemos taxis quando íamos comer fora à noite e as notícias dos jornais locais falavam de sequestros e sequestros relâmpagos. A professora que nos recebeu disse que sua casa havia sido assaltada e por isso ela havia se mudado para um apartamento. Há pedintes e algumas pessoas dormindo nas ruas, também há prostituição, basta andar um pouco para avistar algumas garotas bem jovens esperando clientes. Pode parecer ingenuidade, mas esperava que os problemas do sudeste não tivessem chegado de tal forma até aquela região.


Apesar desses pontos negativos, há muita coisa boa, sempre fomos muito bem recebidos em todos os lugares, os habitantes da cidade são acolhedores e simpáticos e com certeza voltaria um dia para Fortaleza.
Acho que como apanhado geral, isso basta. Ainda tenho muito mais para contar.


 

5.9.06

5 coisas para comer antes de morrer - 5 Choses à manger avant de mourir

A Elvira, da aconchegante Tasca, me convidou a responder este Meme que muitos de vocês já devem ter visto em vários blogs de culinária, ele é uma iniciativa da Melissa do The Traveler's Lunchbox.
Eu fiquei em dúvida sobre se devia colocar as coisas que já comi e que desejo compartilhar com vocês ou se deveria escrever sobre aquilo que ainda tenho vontade de comer antes de morrer, mas lendo as outras respostas achei que a primeira opção era a mais adequada:


5 coisas para comer antes de morrer

1. Feijoada, faz tempo que não como, mas acho que a morte seria uma desculpa para mergulhar em um tacho de feijão com linguiças, carne-seca, lombinho...

2. Uma bela moqueca de peixe em algum restaurante nordestino acompanhado de um vatapá e pirão!

3. Pudim de leite, não há nada mais simples e delicioso.

4. Um pedaço de brownie com uma bola de sorvete de creme

5. Um pão de queijo acompanhado de um belo capuccino!


O Meme é aberto a todos aqueles que desejem respondê-lo! Estou aguardando com curiosidade!



*************************
Elvira, de la accueillante Tasca, m'a invitée à répondre ce Meme que vous peut-être avez déjà remarqué sur quelques blogs de cuisine, il est une initiative de Melissa. L'idée est simple, faire une liste de 5 choses que vous aimerez manger avant de mourir. Je ne savais pas si je devais mettre les choses que j'avais déjà mangées et que je voudrais faire connaître aux autres ou si je devais mettre les choses que j'ai encore envie de manger avant de mourir. J'ai lu quelques réponses et je crois que la première option est la plus adéquate (pardonnez mon Français, ok?)

5 choses à manger avant de mourir

1. Feijoada, il y a longtemps que je ne la mange pas, la mort serait une bonne excuse pour le faire!
2. Une belle moqueca de poisson dans quelque restaurant au nord-est du Brésil accompagnée du vatapá et du pirão!
3. Pudim de leite, il n'y a rien plus simple et délicieux.
4. Brownie avec de la glace à la vanille
5. Un pain de fromage et un bon capuccino!


Balzac e a costureirinha chinesa

Vi um filme muito bonito nesse final de semana, chama-se "Balzac e a costureirinha chinesa", ele é baseado em um romance autobiográfico do autor-diretor Dai Sijie. A história se passa na China comunista dos anos 70. Dois rapazes, Luo e Ma, são mandados para um vilarejo em uma região montanhosa linda e miserável para serem educados de acordo com os princípios maoístas, pois seus pais são considerados reacionários e inimigos do comunismo. Seus dias são dedicados a carregar estrume de porco para fertilizar as plantações e a trabalhar em uma mina.

É ali que eles conhecem a costureirinha que decidem instruir por meio de livros de Balzac e Flaubert roubados de um outro jovem que também está no vilarejo para ser reeducado. Ao final, são essas leituras de livros proibidos que vão decidir muito do destino dos personagens.


Logo no início do filme, quando o chefe do vilarejo verifica a bagagem dos dois em busca de materiais proibidos pelo regime, ele encontra um livro de culinária. Ele pede para que Luo leia um pedaço para ter uma idéia do conteúdo e a receita é mais ou menos a seguinte:


100g de carne de frango, gengibre, 10 nozes... Alguém pergunta se no lugar das nozes poderia usar amendoins... O chefe bufa, pega o livro e joga no fogo, dizendo: "Ninguém será corrompido por seu frango burguês!" O violino de Ma só não vai para o fogo porque Luo é mais esperto e diz que Ma irá tocar uma música chamada "Mozart está pensando em Mao". Hahaha! Sei que situações desse tipo não devem ter sido nada engraçadas, mas o filme é assim... Simples, belo, comovente...

As mil e uma noites

"Ora, naquela noite, a mãe de Hassan tinha preparado uma refeição excelente. Primeiro, ela lhes serviu galettes grelhadas na manteiga, recheadas de carne moída e de piñolis; depois, um capão bem gordo, cercado por quatro grandes frangos; depois, um ganso recheado de passas e pistaches, e, finalmente, um guisado de pombos. E tudo aquilo era, de fato, agradável ao paladar e aos olhos. Logo, sentando-se diante dos pratos, os dois comeram com grande apetite e Abul-Hassan escolhia os pedaços mais delicados para servir ao seu hóspede. Quando eles tinham terminado de comer, o escravo lhes trouxe o jarro e a bacia, e eles lavaram as mãos enquanto a mãe de Hassan retirava os pratos de comida para servir os pratos de frutas repletos de uvas, tâmaras, marzipam e todos os tipos de coisas deliciosas. E eles comeram até ficarem satisfeitos para, em seguida, começarem a beber."


História do rapaz adormecido que foi despertado - As mil e uma noites, 623a. noite.


Voltei a ler
As mil e uma noites, estou na noite número 629. Tinha deixado o livro de lado por quase 2 anos, estou no segundo volume de quase 1000 páginas. No começo havia a novidade, aquele mundo mágico que trazia Bagdá para perto de você, mas depois de quinhentas noites, as histórias começam a ficar repetitivas e não dá mais para lê-las de um trago só. Aos poucos é melhor. Ainda não cheguei em "Ali Babá e os 40 ladrões" ou em "Aladdin e a lâmpada mágica".

O que é interessante é descobrir como as histórias chegam até nós em versões deturpadas, elas estão longe de ser contos infantis ou doces. Elas tratam abertamente de sexo e de todos os outros prazeres humanos.
As mil e uma noites celebram a vida e não deixam nada de fora.

4.9.06

Pão integral

Achei esta receita aqui. Os ingredientes dos pães que faço não variam muito, sempre uso farinha de trigo integral e grãos, mas a quantidade dos ingredientes faz bastante diferença no produto final. Adorei a textura destes pães, eles são macios e crescem bastante. Nota 10 com louvor. Amassei por 10 minutos na máquina de pão, mas não é preciso, foi preguiça mesmo, a massa é super manuseável. Modelei os pães, deixei crescer um pouco e assei. CORREÇÃO: Fiz 1/3 da receita e adicionei sementes de linhaça e girassol, mas nem é necessário, pois o pão já super nutritivo.


Pão integral

3x de água morna
1x de óleo
3 ovos
1 c sopa de sal
1 x de açúcar mascavo
1 x de farelo de trigo
1 x de gérmen de trigo
2 x de farinha de trigo integral (fino)
2 x de aveia em flocos ou farinha de aveia
2 c de chá de fermento biológico instantâneo seco
Aproximadamente 1 kg de farinha de trigo

Misture o óleo, os ovos, o sal e o açúcar mascavo. Mexa e coloque o farelo de trigo, o gérmen de trigo e a água morna. Misture e acrescente o fermento, o trigo integral e a aveia. Misture novamente e coloque trigo até ficar uma massa dura. Sove bem, por cerca de 10 min. Leve para crescer por aproximadamente 1 ou 2 horas. Divida a massa em três partes. Enrole o pão e coloque em assadeiras de bolo inglês untada com óleo e deixe crescer por mais 1 ou 2 horas, até que cresça bastante. Leve para assar em forno médio por cerca de 40 min.
Nota: Se usar a máquina para amassar coloque os ingredientes na ordem sugerida pelo fabricante.


************************************

I've found this recipe here (in Portuguese). Even if the main ingredients i use when I make bread don't change much, (I always use whole wheat flour and grains) their quantities are never the same and it makes a big difference when it comes to texture. I loved the texture of these breads, they were soft and delicious. I kneaded the dough for 10 minutes in the bread machine, (but you can knead it as you are used to), shaped and let them rise before baking. CORRECTION: I made 1/3 of the recipe and added linseeds and sunflower seeds, but it is optional, the bread is great the way it is.


Whole wheat bread

3 cups warm water
1 cup oil
3 eggs
1 tbsp salt
1 cup dark brown sugar
1 cup wheat bran
1 cup wheat germ
2 cups whole wheat flour
2 cups oats or oat flour
2 tsp active dry east
About 1 kg flour

Combine oil, eggs, salt and sugar. Add wheat bran, wheat germ and warm water. Stir well. Add east, whole wheat flour and oats. Combine everything well and add the flour little by little until you are able to work with the dough. Knead for some minutes (the longer the better). Allow it to rise for about 1 to 2 hous. Divide the dough into three balls. Shape each of them and put in greased loaf pans. Leave them to rise for 1 to 2 hours. Bake at 190C for about 40 min.
N.B.: If you use the bread machine add the ingredients in the order recommended by the manufacturer.


2.9.06

Bolo de cenoura com nozes e passas

Esta receita está em uma daquelas coleções que contém receitas "ultra-secretas" de grandes redes de restaurantes dos Estados Unidos. Este bolo é de um café chamado Mimi. Fiz algumas alterações, mas gostei muitíssimo dele. (Assei em forminhas de muffins, porque assim posso congelar)

Bolo de cenoura com nozes e passas

1 1/2 de farinha (substituí metade da farinha normal pela farinha integral)
1 c chá de canela
1 c chá de fermento em pó
1 c chá de bicarbonato de soda
1 c chá de sal
1 x de óleo de canola (coloquei 3/4 x)
1 x + 2 c sopa de açúcar (coloquei apenas 3/4 x de açúcar mascavo)
3 ovos
1/4 x de melado
1/2 c chá de essência de baunilha
1 x de cenoura ralada no ralador grosso
1 x de passas
3/4 x de nozes picadas

Preaqueça o forno à 200C.
Misture a farinha, o fermento, o bicarbonato e o sal e uma tigela.
Em outro recipiente, coloque os ovos, a baunilha, o óleo, o açúcar e o melado, misture tudo muito bem com um mixer ou com uma batedeira (não usei). Adicione a cenoura e mexa. Adicione as passas e as nozes. Coloque os ingredientes secos e misture bem. Coloque a massa em duas formas de bolo inglês (20cm) untadas. Asse por cerca de 60 min ou até que inserindo um palito, ele saía limpo.

************************

This is one of those recipes which is supposed to be a version of a famous recipe from some famous restaurant or eating place in the EUA. This cake is supposed to be from Mimi's Café, i don't know the place, but i liked it.

Carrot cake with nuts and raisins

1 1/2 cups all-purpose flour (I substituted half the flour with whole wheat flour)
1 teaspoon cinnamon
1 teaspoon baking powder
1 teaspoon baking soda
1 teaspoon salt
1 cup vegetable oil (I used only 3/4 c)
1 cup plus 2 tablespoons granulated sugar (I used 3/4 c dark brown sugar)
3 eggs
1/4 cup molasses
1/2 teaspoon vanilla extract
1 cup shredded carrot
1 cup raisins
3/4 cup chopped walnuts

Preheat oven to 350 degrees.
Combine flour, cinnamon, baking powder, baking soda, and salt in a large mixingo bowl. In another bowl, combine oil, sugar, eggs, molasses, and vanilla with an electric mixer. Add shredded carrot and mix. Add raisins and walnuts and mix well by hand.
Pour flour mixture into the other ingredients and stir until combined.
Pour batter into two ungreased 8-inch loaf pans (i used muffin tins because it would be easier to freeze). Bake for 60 min, or until done.