31.3.07

Bolo de chocolate e laranja

Vi esta receita da Nigella Lawson postada no Cumin and Coriander há um bom tempo e fiquei com vontade de testá-la, estava curiosa com esse bolo que leva laranja cozida e não pede manteiga ou farinha. Ele é bem gostoso e a textura é muito macia e úmida. Fiz metade da receita e rendeu uma forma de bolo inglês, a massa cresceu bastante no forno, mas depois que retirei lá de dentro ela murchou, mas deve ser normal.

Bolo de chocolate e laranja

 
2 laranjas pequenas (ou uma grande) de casca não muito grossa, aprox. 375g
6 ovos
1 colhar de chá bem cheia de fermento
1/2 c chá de bicarbonato de sódio
200g de amêndoas moídas
250g açúcar
50g cacau em pó (não o achocolatad0)
casca de laranja para decorar se quiser

Cozinhe as laranjas inteiras em uma panela com água por cerca de 2 horas ou até que fiquem macias. Escorra e, depois de frias, corte as laranjas ao meio e retire as sementes. Bata tudo no processador de alimentos. (Caso não tenha processador de alimentos, faça conforme as instruções mais abaixo).
Pré-aqueça o forno à 180C. Unte e forre o fundo de uma forma redonda com 20 cm de diâmetro com papel manteiga (isso é importante, eu não forrei e o bolo grudou no fundo).
Adicione os ovos, fermento, bicarbonato de sódio, amêndoas, açúcar e cacau e bata junto com as laranjas no processador até obter uma massa homogênea.

Se você não tiver processador, pique as laranjas muito bem e bata os ovos um a um com açúcar, alternando colheradas de amêndoas moídas, cacau e as laranjas, fermento e bicarbonato, como se fosse um bolo comum.

Coloque a massa na forma e asse por uma hora, ou até que inserindo um palito de dentes, este saía limpo. Faça um teste depois de 45 min, pode ser necessário cobrir o bolo com uma folha de papel alumínio para evitar que ele queime, isso depende do seu forno.
Deixe o bolo esfriar na própria forma. Desenforme, decore com tirinhas de casca de laranja.

The curtain - Kundera

Milan Kundera é o autor de vários romances em Tcheco e em francês, entre eles, "A insustentável leveza do ser", que foi filmado. The Curtain é um livro de ensaios sobre a literatura do ponto de vista do autor. Neles, Kundera fala da relação de suas experiências como um emigrado tcheco em outro país, no caso, a França, e a sua obra, bem como da relação da obra de vários de seus autores favoritos (Rabelais, Cervantes, Fielding, Flaubert, Tolstoy, Hermann Broch, Franz Kafka, entre outros) com a sociedade em que vivem. A forma como cada um deles conta uma história, como ela se torna bem sucedida e completa em si mesma, sobre o que cada uma delas nos traz, também são tópicos abordados.

Apesar dele não negar suas origens e trazer a Tchecoslováquia em seu sangue e em sua memória, ele parece detestar quando as pessoas o definem como "o exilado tcheco", de fato, é uma generalização e, como qualquer generalização, ela é empobrecedora. Questões pessoais do autor à parte, os ensaios são bem variados, alguns são brilhantes, outros, nem tanto.

Adoro ler o que os escritores têm a dizer sobre a literatura e sobre os autores de que gostam, acho que é algo muito mais enriquecedor do que ler obras de teoria literária que, como Kundera diz, costumam propagar banalidades.

29.3.07

Salada de abobrinhas

Vi essa receita no Fórum do Cybercook, se não me engano (corrijam-me se estiver), a receita foi postada pelo Darci Colombo. Ela é gostosa e dá um ótimo acompanhamento.

Salada de Abobrinha

Para esta receita usa-se a abobrinha italiana ou paulista, cortadas em fatias finas com o aparelho próprio. (Cortei em fatias finas na faca mesmo)

Ingredientes

2 abobrinhas fatiadas
2 cebolas fatiadas
2 colheres de passas de uva hidratadas
6 colheres de azeite
3 colheres de vinagre comum
2 dentes de alho
3 colheres de vinagre balsâmico
4 folhas de sálvia ou outro condimento (usei coentro)
1/2 xícara de azeitonas pretas ou verdes
sal e pimenta do reino a gosto

Corte as abobrinhas em fatias finas e cozinhe ligeiramente juntamente com a cebola fatiada, em um pouco de água, sal e vinagre.
Escorra e leve a abobrinha e a cebola ao forno quente por 8 a 10 min.
Retire e adicione as passas já hidratadas em vinho ou água e as azeitonas.
Numa tigela, misture o vinagre balsâmico, o alho picadinho e a sálvia. (ou salsinha, coentro, etc)
Junte o azeite e bata para emulsionar.
Tempere a salada com o molho e deixe um tempinho para
tomar gosto. Para quem gosta, pode acrescentar parmesão ralado grosso.


27.3.07

Considerações sobre a Páscoa

Com a Páscoa chegando, descobri que sinto falta de um calendário de verdade. Quando era criança, sempre ganhávamos calendários enormes com fotos de paisagens muito bonitas da minha avó do Japão ou de algum parente. Ele ficava pendurado em uma das paredes da cozinha e costumava contemplá-lo sempre que me sentava à mesa. Adorava arrancar ou virar as folhas, especialmente se gostava da foto seguinte. Depois que me casei, não tive mais calendários pendurados na parede, na verdade, não há nem onde pendurá-los na cozinha, uma pena! Um calendário dá uma impressão concreta da passagem do tempo (e também aumenta nossa expectativa quando vemos datas marcadas em vermelho!). Agora, olho para o calendário do computador, mas nunca sei ao certo quando há um feriado.

Voltando ao meu assunto inicial, descobri que a o feriado está logo aí! Para que a Páscoa não passe em branco, vou comprar uma barrinha de um bom chocolate importado. Nada de ovos. Tive uma professora de francês, uma senhora na casa dos cinquenta anos, que um dia nos disse que tinha tomado a decisão de só consumir chocolates e sorvetes se eles fossem muito bons, nada de lacta, dizzioli, pan (lembram desses últimos?) ou kibon. Nós rimos, mas acho que ela tinha razão e resolvi fazer o mesmo, as boas coisas da vida geralmente vêm em pequenas doses, mas precisam valer a pena!

Frango assado

Isto é mais um "truque" do que uma receita. Um dia jantamos em uma das unidades da Pizzaria Speranza em SP e pedimos frango grelhado. Ele veio em pedaços muito macios e O. perguntou para o garçom como o prato era preparado, a explicação foi a seguinte: o frango é temperado, grelhado apenas para pegar uma corzinha e depois levado ao forno só para terminar o cozimento. Fica muito bom! Experimentem, eu geralmente retiro toda a pele e tempero com suco e raspas de limão, bastante alho, sal, pimenta, e azeite. Claro que vocês podem escolher os temperos que quiserem... Quanto mais tempo os pedaços ficarem na marinada, melhor.


25.3.07

Torta de abacaxi

Esta receita é da Gerda, do Dinner for one, realmente deliciosa. Eu não tinha o "curd cheese" pedido (acho que o queijo cottage é o que chega mais perto), então usei coalhada no lugar, ainda assim, ficou muito bom! O melhor é que é bem simples de fazer e não exige o uso do forno, só algumas horas na geladeira...

Torta de abacaxi

 
250g de bolachas tipo maria ou maisena (usei um cookie integral com nozes)
125g de manteiga derretida
250g de queijo cottage (usei um potinho de coalhada)
250g de creme de leite
1 lata de abacaxi em calda escorrida e picada, cerca de 300g
3 c sopa de açúcar de confeiteiro (ou a gosto)
10g de gelatina sem sabor (usei 1 pacotinho e meio)

Bata os biscoitos no processador de alimentos, misture com a manteiga derretida e forre o fundo de uma forma de aro removível com essa farofa/massa. Pressione bem com as costas de uma colher. Deixe na geladeira até que a cobertura fique pronta.
Combine o creme de leite, o queijo e o açúcar (bati tudo no liquidificador, achei que ficaria mais homogêneo).
Adicione o abacaxi ao creme.
Coloque a gelatina de molho em água (siga as instruções da embalagem) e dissolva aquecendo em fogo baixo (não deixe ferver ou a gelatina não irá gelificar). Adicione a gelatina ao creme de abacaxi e misture bem. Coloque tudo sobre a massa preparada, cubra com filme plástico e deixe na geladeira por 2 h.


 

The elephant vanishes - Haruki Murakami

Esta é uma coletânea de contos do Murakami. São dezessete contos dele reunidos em um livro. O primeiro é praticamente o primeiro capítulo de Wind-up bird. Em seu último livro de contos "Blind Willow, Sleeping woman", o autor mesmo escreve que muitas vezes um conto acaba se transformando em um livro, outro conto, "Barn Burning" tem algo de "Minha querida Sputnik"... A impressão que você tem ao ler os contos, é a de que eles poderiam servir de prólogo para um novo romance. São bons, mas acho que os personagens do Murakami se revelam melhor em histórias mais longas, é como se eles precisassem de espaço para se exporem e nos conquistarem de vez. Claro que há muitas pessoas que discordam da minha opinião, como é possível ler nas críticas feitas à sua última coletânea na Amazon.

Já tinha lido "Lederhosen", a história da mulher que descobre que não gosta do marido e pede divórcio quando viaja até a Alemanha e decide comprar uma daquelas calças/shorts de couro típicos do país, em uma New Yorker antiga. Alguns de seus contos foram publicados pela revista em diferentes momentos.

Os contos de que mais gostei foram "The little green monster" e "A slow boat to China", este último conto é um primor! O narrador fala sobre os chineses que cruzaram seu caminho em diferentes momentos de sua vida com nostalgia: um professor que entrega provas em um exame quando ele era criança, uma garota com quem trabalha nas férias no primeiro ano da universidade e um garoto que reencontra já mais velho vendendo enciclopédias. Muito tocante, talvez porque as pessoas que conhecemos algum dia, mesmo aquelas para as quais não demos muita importância, servem de pontos de referências para a história de nossas vidas.


22.3.07

Cakes de tomate seco

Vi essa receita no blog L'amour dans l'assiette e tinha que testar! Uma delícia! Façam! Fiz para comer com uma saladinha, mas é perfeito para um aperitivo. Como não tinha forma para madeleines ou canelés, usei formas de muffins, a receita rendeu 6. Usei um resto de queijo de cabra (chevrotin) no lugar do gruyère, ficou perfeito! O queijo de cabra tem um sabor mais pronunciado do que o queijo feito com leite de vaca.


Cakes de tomate seco



110 g de farinha de tirgo
1 colher de chá de fermento em pó
2 ovos pequenos
50 g de queijo ralado (gruyère)
50 ml de azeite (usei óleo de canola, diminui um pouco a quantidade porque o tomate seco era bem oleoso)
50 ml de leite
100 g de tomate seco escorrido e picadinho
2 colheres de sopa de manjericāo picado
pimenta do reino

Misturar e peneirar a farinha com o fermento. Em outro recipiente misture com um fouet (batedor) os ovos com o azeite e o leite. Tempere com a pimenta do reino e sal. Junte esta mistura à primeira mistura de farinha e fermento. Mexa delicadamente e junte o queijo ralado, os tomates picadinhos e o manjericāo. Misture e coloque na forma escolhida untade e polvilhada de farinha. Coloque no forno pré-aquecido à 180°C. Asse até que comece a dourar.

21.3.07

Enrolado de carne com amêndoas

Foi inspirada em uma receita do Tim Mälzer, mas acabou ficando diferente, não tinha sherry (que é um vinho fortificado branco), usei vinho tinto e a carne não ajudou muito. No livro a carne é bem fininha, usei coxão mole, mas os filés estavam meio grossos e tinham vários furos por onde o recheio escapou, sem falar na minha falta de habilidade para enrolar tudo, os enrolados ficaram parecendo bonecos vodus, cheios de espetos de todos os lados. Entretanto, não ficaram maus. Gostei da idéia do recheio.

Refoguei uma abobrinha com um dente de alho e adicionei um pouco de couscous cozido e assim fiz um acompanhamento.


Enrolado de carne com amêndoas 

 
2 cebolas picadinhas
3 dentes de alho picados
1 pimentão vermelho (cerca de 200g) picadinho
50 g de azeitonas verdes sem caroço picados
30 g de amêndoas picadas
6 filés de carne próprios para fazer os enrolados (se quiser que a carne fique fininha, coloque entre duas folhas de filme plástico e bata com o martelo de carne)
sal
pimenta do reino
farinha
2 c sopa de óleo
2 latas de tomates pelados (cerca de 425g)
200ml de sherry seco tipo "fino" (talvez conhaque seja uma opção melhor do que vinho tinto)

Misture metade da cebola e do alho com o pimentão, as azeitonas e as amêndoas picadas. Tempere a carne com um pouco de sal e pimenta recheie com essa mistura, enrole e feche usando palitos de dentes. Comece dobrando os lados para que o recheio não vaze e enrole. Empane com um pouco de farinha e frite em uma panela com o óleo para dourar. Retire e reserve. Na mesma panela, coloque o resto da cebola e do alho, refogue um pouco, devolva os enrolados à panela e adicione o tomate e o sherry. Cozinhe em fogo baixo, com a panela tampada, por cerca de 80min virando a carne de vez em quando. Após esse tempo, retire os enrolados, tempere o molho com sal e pimenta e, se preferir um molho mais fino, passe-o pela peneira.


19.3.07

Gelatina cítrica com cardamomo

Achei que acabaria não participando desta edição do Rei da quinzena do Colher de Tacho, minha primeira receita com cardamomo não ficou satisfatória, mas tentei outra vez e gostei desta gelatina. A receita é do Nigel Slater e está no seu Kitchen Diaries. Só substitui o grapefruit por umas mexericas azedas que estão caindo do pé aqui em casa. Muito leve e refrescante. Você pode usar ágar-ágar no lugar da gelatina, só leve ao fogo junto com suco, pois, ao contrário da gelatina normal, ele precisa de calor para gelificar.

Gelatina cítrica com cardamomo

 
suco de doze laranjas (ou pouco menos de 1 l)
suco de um grapefruit + 3 ou 4 pedaços da casca (a parte colorida, sem a parte branca)
suco de um limão + 3 ou 4 pedaços da casca (a parte colorida, sem a parte branca)
6 vagens de cardamomo
8 folhas de gelatina sem sabor (ou o equivalente em pó)

Coloque o suco do grapefruit e o suco de limão em uma panela junto com as cascas e a mesma quantidade de água. Amasse as vagens de cardamomo com uma faca, remova as sementes e adicione ao suco. Leve ao fogo quase até ferver. Desligue o fogo, tampe e deixe esfriar um pouco, cerca de 15 min.


Enquanto isso, coloque as folhas de gelatina em um pouco de água para amolecer por 5 min. (ou siga as instruções da embalagem). Passe o suco de grapefuit e limão por uma peneira e reserve as sementes de cardamomo. Retire a gelatina da água e adicione ao suco. Misture até dissolver. Adicione o suco de laranja reservado. Adoce a gosto (usei stévia) e devolva as sementes de cardamomo. Coloque em taças individuais ou em uma forma grande previamente passada em água para facilitar na hora de desenformar.

18.3.07

Polenta com gorgonzola e espinafre

Essa polenta fica muito boa. Bem gostosa sozinha ou com um pedaço de frango assado. Receita do Epicurious.

Polenta com gorgonzola e espinafre
 
4 x de caldo de frango (use o pó ou o cubinho em quantidade menor se contiver sal, porque o gorgonzola também é salgado)
2 dentes de alho picados
2 c chá de alecrim fresco picado
1 1/2 x de polentina (ou fubá, ou o produto que estiver acostumado a usar para fazer polenta)
1 x bem cheia de espinafre fresco picado
1/2 x de creme de leite (eu não coloquei e acho que não fez falta, mas deve ficar mais cremoso com ele)
1 x de gorgonzola (ou roquefort) esmigalhado
3 c sopa de salsinha picada
 
Ferva dos três primeiros ingredientes em uma panela grande. Adicione a polentina aos poucos, reduza a temperatura e cozinhe em fogo baixo, mexendo, até que a mistura engrosse, cerca de 10 min. Adicione o espinafre e mexa até que ele murche, adicione o creme e cozinhe até que ele seja absorvido pela polenta. Adicione o queijo e a salsinha, mexa até que o queijo derreta. Prove, tempere com sal e pimenta caso necessário.


15.3.07

Ajo blanco con Uvas

Quando eu postei a minha receita de gazpacho, o Manuel me recomendou que procurasse uma receita de "ajo blanco con uvas" e foi o que fiz, usei a receita deste site. O ajo blanco é uma sopa fria bastante agradável que mistura o salgado com o adocicado da uva. Só fiquei com algumas dúvidas sobre qual a consistência que a sopa deve ter, apesar dela pedir um litro de água, creio que posso adicionar menos para que a sopa não fiquei muito líquida, não é mesmo? Também queria saber se as uvas são picadas ou vão inteiras, como não tinha moscatel, usei uvas do tipo Thompson que são bem doces e não possuem sementes. Se alguém souber me informar...

Ajo blanco con uvas

100g de amêndoas sem pele
3 dentes de alho descascados
200g de miolo de pão amanhecido (tipo italiano)
1 ramo de uvas moscatel (ou Thompson)
100g de azeite extra virgem
1 l de água
3 c sopa de vinagre branco

Coloque o pão de molho na água por 1 hora na geladeira para que ele fique macio.
Coloque o alho, amêndoas sem pele, um pouco de sal e o pão em um processador e bata bem. Adicione o azeite lentamente enquanto bate, por fim, coloque o vinagre.
A água restante é colocada lentamente para que tudo fique bem emulsionado, não é preciso adicionar toda a água, apenas use o suficiente para atingir a consistência desejada. (Eu acabei colocando tudo no liquificador nesta fase, achei que ele daria uma textura mais fina à sopa). Coloque em uma sopeira e leve à mesa, as uvas são colocadas por cima da sopa.


14.3.07

Mini-pimentão

Da época em que eu jogava os restos de lixo orgânico no quintal para fazer compostagem, parei porque o marido dizia que aquele era o paraíso dos mosquitinhos...

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A wild sheep chase (Caçando Carneiros) - Haruki Murakami

Mais um Murakami se vai.

Há sempre um sentimento de melancolia quando um bom livro chega ao seu fim, especialmente porque eu li sua continuação, Dance, Dance, Dance, antes de A wild sheep chase, ou Caçando Carneiros, como foi traduzido no Brasil.

O mesmo personagem de Dance, quatro anos mais novo, narra sua busca por um carneiro muito especial que escolhe algumas pessoas para serem seus hospedeiros e realizarem seus planos. Sua busca o leva até Hokkaido, no norte do Japão, é lá que ele se hospeda no Dolphin Hotel e conhece o Sheep Professor. É em Hokkaido, também, que ele encontra o Sheep Man...

Apesar da história inusitada, Murakami fala da solidão, da perda e do sentimento de falta de sentido da vida com muita delicadeza. Depois deste livro, restam duas coletâneas de contos para eu ler. Espero que haja mais alguma coisa sendo traduzida para alguma língua inteligível, assim não me sentirei orfã de Murakamis....

12.3.07

Cannelloni de batata

Esta receita é de um livro chamado Born to cook 2 (em alemão) do Tim Mälzer, a versão germânica do Jamie Oliver (de quem, aliás, ele é amigo), ele apresenta um programa de culinária e tem um restaurante em Hamburgo. Seus pratos seguem a linha "cool" do seu colega inglês, dando primazia à criatividade, rapidez, ingredientes frescos e saudáveis. O livro é muito bonito, com fotos de todos os pratos. Val, uma pena que você tenha se enganado sobre a língua do livro, mas foi bom para mim! Vielen Dank!

Os canellonis são muito bons! O molho vai virar "hit" aqui em casa, pois não há nada mais fácil e com ótimo sabor do que ele, basta bater tudo no liquificador e empregar, já a idéia do purê de batata em pó não me agradou, prefiro cozinhar minhas batatas e fazer meu purê.

Cannelloni de batata

 
1 pacote de mistura para purê de batata (suficiente para fazer purê com os 500ml de leite. Por favor, faça seu próprio purê cozinhando e amassando as batatas, levando ao fogo com um pouco de manteiga, sal, noz moscada e leite!)
500ml de leite (se fizer seu purê, use leite apenas para dar o ponto)
1 maço de manjericão
12 folhas de cannelloni (usei aqueles frescos, de qualquer forma compre uma massa de boa qualidade que não precise ser cozida antes)
manteiga para untar a forma
2 latas de tomates pelados (cerca de 400g)
75g de tomates secos
sal
pimenta
açúcar
175g de ricota desfeita com as mãos
2 gemas
noz moscada
40g de parmesão

Preparar o purê conforme as instruções da embalagem usando o leite (nada contra, mas acho o fim da picada fazer purê de pacote). Adicionar as folhas de manjericão picadas, deixar esfriar um pouco. Se usar aquelas massas de cannelloni que já vêm enroladas, você pode encher um saco de confeitar com o purê para recheá-las. Ou então, colocar um pouco do purê sobre a massa de cannelloni, enrolar e ir dispondo em um pirex untado com manteiga. Repita o processo até o purê acabar.


No liquidificador, bata o tomate pelado com o tomate seco, sal, pimenta e uma pitada de açúcar para reduzir a acidez. Prove e corrija o tempero caso necessário. Coloque esse molho sobre os cannellonis.


Misturar a ricota com as gemas, um pouco de noz moscada ralada, sal, pimenta e parmesão ralado. Distribuir porções desta mistura sobre os cannellonis e o molho de tomate. Levar para assar em forno pré-aquecido à 200C por 30 min. (Cubra a forma com papel alumínio durante os primeiros 20 min, depois retire-o e deixe gratinar.)

Nota: a gama de recheios que você pode usar é enorme. Use o purê do dia anterior, coloque presunto, queijo, outros temperos, etc...

11.3.07

Frango com zucchini

Prato com aspecto talvez estranho, é que o arroz é tipo japonês, mas integral e com alguns cereais, por isso ficou mais escuro. A receita do frango foi uma adaptação de algumas que vi na internet. Basta temperar os pedaços de filé de peito de frango, deixar repousar um pouco, empanar com farinha e grelhar em uma frigideira com pouco óleo, apenas o suficiente para corar um pouco, pois o cozimento final é no forno.
À parte, você prepara um refogado com azeite, alho, cebola, tomates sem pele e sem sementes, zucchini ou abobrinha, tudo picado, tempera, deixa apurar e espera os legumes ficarem macios.
Em uma forma, você dispõe os filés grelhados, cobre com o refogado de zucchini, espalha algumas fatias de mussarela por cima e leva para gratinar. Pronto!


10.3.07

Nhoque de ricota com espinafre

Esta receita é do Mauro Rebelo, eu ainda prefiro os nhoques de batata, mas esta é uma versão interessante e bonita do prato. Dêem uma olhada no site dele, o Bem Comer, há receitas muito boas!

Nhoque de ricota e espinafre

500g de ricota bem amassada
200g de folhas de espinafre
2 colheres (sopa) de azeite
4 colheres (sopa) de queijo parmesão ralado
1 ovo
sal a gosto
noz moscada ralada a gosto
6 colheres de farinha de trigo (ou até dar o ponto de enrolar)
Lave muito bem as folhas de espinafre. Dê uma fervura para amolecer. Aperte na peneira para tirar toda a água das folhas. Pique e misture com a ricota amassada, azeite, queijo ralado, noz moscada, ovo, farinha de trigo e sal. Misture com auxílio de uma colher. Faça bolinhas enrolado com as mãos e reserve.
Coloque uma panela no fogo com água. Quando estiver fervendo jogue as bolinhas para cozinhar. Cozinhe 5 de cada vez. Assim que elas subirem na água, retire com a escumadeira e coloque em um refratário.
Sirva com molho de tomate de sua preferência ou molho branco com queijo catupiry.
Polvilhe bastante queijo parmesão ralado e leve ao forno para gratinar.
Rendimento: 2 a 3 pessoas.


7.3.07

Bocadinhos achocolatados de Abrantes

(clique sobre a foto para ampliar)

Recebi um presente d'além mar! Um presente muito comovente da doce Elvira da Tasca junto com um cartão postal e uma dedicatória linda. O livro é a reunião de receitas preparadas pelas autoras de vários blogs em francês (vários deles estão aí na minha lista de links). Quando eu soube de seu lançamento, disse a mim mesma que um dia ainda o teria em mãos! E isso aconteceu! Obrigada por ter tornado isso possível, Elvira! Gostei muito, muito mesmo! Quero que saiba que fiquei muito feliz e tocada por se lembrar de mim, perdida aqui em terras tropicais!

E para estrear meu livro, escolhi uma receita da própria Elvira! Docinhos muito simples e simpáticos feitos com pão amanhecido e chocolate em pó, uma forma muito interessante de evitar o desperdício e dar alguma doçura para a vida.

Quando eu era criança, leite condensado era um luxo, brigadeiro, só em festa! Imagino como estes docinhos teriam me feito feliz então! Gostei bastante deles, são rápidos e bonitos! O. ficou um pouco desapontado, esperava trufas ou algum tipo de brigadeiro, não sei por que ele ainda se ilude, a essa altura, ele já devia ter compreendido que leite condensado e barras de chocolate dificilmente entram em casa. rs


Bocadinhos achocolatados de Abrantes


Para 20 docinhos (fiz metade e rendeu bastante nas forminhas pequenas de brigadeiro)

250g de miolo de pão (meu pão estava duro, tive que dar uma batida no processador)
200g de açúcar
100g de cacau em pó (não é o achocolatado)
100g de coco ralado
cerca de 2 c chá de conhaque

Coloque o miolo de pão cortado em pedaços pequenos em um recipiente grande. Adicione o cacau, o açúcar, conhaque e 200ml de água. Misture tudo com as mãos até que fique homogêneo. Molde pequenas bolas, passe pelo coco ralado e coloque em forminhas de papel.


6.3.07

Os anos de aprendizado e as viagens de Wilhelm Meister - Goethe

Eu concordo que Goethe é um dos grandes marcos da literatura mundial e que todos deveriam ler ao menos uma de suas obras, ele é um autor profundo, com grande erudição e a par das idéias mais importantes do século XVIII, mas, talvez por isso mesmo, ele se torne um tanto quanto cansativo para nós, leitores mais preguiçosos e acostumados com leituras mais leves. Não é por falta de persistência, li As Afinidades Eletivas e Os Sofrimentos do Jovem Werther em diferentes períodos de minha vida, fui até o final do Wilhelm Meister, com suas centenas de páginas, mas não acho Goethe um autor muito atraente para os tempos atuais. Quando tinha 14 anos, talvez pudesse ter aproveitado mais, apesar de não compreender todas as discussões sobre arte, moral, educação, etc., tecidas ao longo da história, mas teria gostado do enredo: um jovem que pretende seguir seu próprio caminho e perseguir seus sonhos. Este é Wilhelm, ele deixa sua família e sua vida burguesa para procurar realizar seus sonhos, entra para um grupo de teatro e se torna ator, mas logo percebe que seus sonhos não são tão cor-de-rosa e que aquilo ao qual dava tanto valor, não é assim tão sublime. Ele se desilude, sofre, encontra pessoas que lhe apontam novas possibilidades e ideais de vida. Estes são os anos de aprendizado de Wilhelm. O segundo livro, Os anos de viagem, é bem desigual, mostra Wilhelm procurando educar o filho que lhe deixou uma mulher pela qual ele se apaixonou na juventude e também procurando educar-se e tornar-se um membro útil da sociedade. Ao contrário do primeiro livro, que é uma narrativa contínua, agora, estamos frente a várias cartas e histórias narradas ou apresentadas a Wilhelm nos lugares pelos quais ele passa. Acho o primeiro livro melhor.

Recomendo para todos aqueles que têm interesse no século XVIII. Ele não é leve, não é fácil, mas sempre há algo a aprender, além do mais, quem sou eu para dizer que Goethe é chato?


Gazpacho (my way)

O clima definitivamente anda doido! No começo de janeiro choveu horrores e, agora, estou esperando pelas "águas de março", mas elas estão atrasadas!

Bem, com este calor infernal, tenho feito muito gazpacho. Faço uma receita bem simples, um dia assisti um documentário japonês feito em uma cidade da Espanha e ele mostrava uma família preparando gazpacho usando só tomates sem pele e sem sementes, cebola, pão, água, vinagre, sal e azeite, tudo em quantidades colossais (o gazpacho era colocado em baldes!). Decidi que seria assim também o meu gazpacho. Pego alguns tomates, retiro a pele e as sementes e bato no liquidificador com alguns pedaços de pão amanhecido (ele dá consistência à sopa), um pouquinho de água para não ficar grosso demais, um pedaço mínimo de cebola (cuidado!), alho e temperos: vinagre, azeite, sal e pimenta. Coloco em tigelas e, quando está muito quente, coloco também alguns cubos de gelo. O gazpacho é uma salada em forma líquida, há diversas receitas e você pode adicionar pepino, salsão, pimentão, etc., a imaginação é sua!

3.3.07

Cookies de aveia, canela e maçã

Esta receita é para o blog Colher de Tacho, o cheirinho de canela que os cookies exalam enquanto assam é muito bom. Como a Akemi diria, eles proporcionam bons momentos de "mastigância", são melhores logo que saem do forno. Deveria ter usado aquela aveia em flocos finos e não inteiros para que ficassem iguais aos do blog One whole clove (e facilitassem minha vida na hora de colocá-los na assadeira...)

Nota. A Ana escreveu que ela teve alguns problemas com os cookies, eles ficaram "quebradiços", e é verdade, acho que os flocos de aveia são muito grandes e, como há pouca farinha, há pouca liga para manter tudo junto, acredito que a aveia em flocos finos, ou mais "farinhenta" (passada pelo processador), deva resolver o problema, preciso fazer o teste, mas você pode comê-los como "müsli" se eles se desfizerem..

Cookies de aveia, canela e maçã

 
1 3/4 x de aveia em flocos finos
1/2 x de farinha
1 c chá de canela em pó
1/4 c chá de bicarbonato de sódio
1/4 c chá de sal
1/2 x de açúcar mascavo
1/2 x de manteiga
1 maçã descascada, sem sementes, metade ralada, metade picada em pequenos pedaços
1 ovo
1/2 c chá de essência de baunilha
1/2 x de passas

Preaqueça o forno à 180C. Forre uma assadeira com papel alumínio ou manteiga.
Combine a aveia, farinha, canela, bicarbonato de sódio e sal.
Na batedeira, bata o açúcar e a manteiga até que fique fofo. Adicione a metade da maçã que foi ralada, o ovo e a essência de baunilha. Adicione os ingredientes secos, mexa e adicione a metade da maçã picada e as passas.
Derrube colherada da massa sobre a forma, achate sua superfície com uma colher. Asse por 15 min, ou até que fiquem levemente dourados. Deixe esfriar.