29.8.07

A primeira Lady Chatterley - D.H. Lawrence

Meu primeiro encontro com D.H. Lawrence. O romance O amante de Lady Chatterley é famoso pelas suas cenas de sexo e pela linguagem considerada obscena, mas é preciso notar que há três versões muito diferentes da história e a última, revisada e levada à publicação pelo autor, é aquela responsável por essa fama do romance. Eu não conhecia esses detalhes e peguei a versão que encontrei em inglês, pois prefiro ler na língua original quando possível.

A Primeira Lady Chatterley conta a história de Connie, casada com Clifford Chatterley, um aristocrata que perdeu o movimento das pernas durante a guerra, e seu romance com um dos empregados da propriedade, Oliver Parkin. Ela procura este último com a intenção de satisfazer as necessidades sexuais que Clifford não é mais capaz de atender, mas apesar de tudo começar com um desejo físico, aos poucos Connie começa a ver um outro lado de Oliver que, de certa forma, desarma-a. O relacionamento envolve muitas dificuldades, ele faz parte da classe trabalhadora, ela é uma lady, e isso gera conflitos entre os dois amantes. Mesmo a linguagem de Oliver é algo que o separa do mundo de Connie.

Li que Lawrence pretendia dar o título de Ternura para o livro, creio que seria um bom título, ao menos para esta versão do romance. A descrição do relacionamento entre Connie e Oliver e de seus conflitos é muito terna e vívida. Acho que não lerei a última versão, gostei demais desta aqui.

23.8.07

Pão de tomate seco

A receita é do Olivier Anquier, eu a vi no Caderno da Folha de domingo e fiz hoje. Como não tinha todo o tomate seco necessário e a receita rendia muito, fiz apenas 1/3 da receita. Vou ser honesta, eu não sou muito fã de pães mais salgadinhos, prefiro aqueles que têm um fundo adocicado, mas ficaram bons, deve ser ótimo para acompanhar patês, se você usar aqueles tomates secos com orégano, sentirá um aroma delicioso na cozinha enquanto eles assam.

A receita é para fazer sem usar a máquina de pão, mas eu sempre uso porque a preguiça fala mais alto! Coloquei os ingredientes lá dentro e deixei amassando, esperei crescer, retirei, moldei os pães, deixei crescer mais um pouco e assei. Eu precisei colocar um pouco mais de água enquanto amassava, portanto acho que é melhor ir colocando a farinha aos poucos e não colocar a medida inteira (1kg) logo de cara.



 
Pão de tomate seco
1 kg de farinha de trigo
250 g de farinha de trigo integral
200 g de gérmen de trigo
900 ml de água gelada
35 g de fermento fresco (ou o equivalente em fermento em pó, basta ler a embalagem para descobrir, se não me engano, cada pacotinho de fermento seco equivale a cerca de 3 tabletes de fermento fresco)
30 g de sal
250 g de tomate seco picado
 
Rende 4 pães de 400 g

Misture a farinha e o sal e faça um buraco no meio para colocar a água. Dissolva o fermento nessa água, sem deixar entrar em contato com o sal. Misture todos os ingredientes com as mãos até a massa desgrudar. Amasse sob uma plataforma polvilhada com farinha. Faça uma bola e cubra-a com pano úmido por 10 minutos.
Corte bolinhas com polegar e indicador, esticando-as. Modele os pães e deixe-os sob pano úmido por 10 minutos. Preaqueça o forno a 250º C e asse em forno quente (220º C) por 30 minutos.

21.8.07

Dêem uma olhada!

Traduzi um pequeno trecho muito bonito de uma obra menos conhecida de Proust, dêem uma olhada aqui!

Um trecho de "Proust contra Saint-Beuve"

"Cada dia dou menos valor à inteligência. Cada dia eu me rendo mais conta de que é apenas em seu exterior que o escritor pode reencontrar algo de nossas impressões, quer dizer, atingir algo de si mesmo e a única matéria da arte. Aquilo que a inteligência nos fornece sob o nome de passado, não é o passado. Na realidade, como acontece com a alma dos mortos em certas lendas populares, cada hora de nossa vida, assim que morre, encarna-se e esconde-se em algum objeto material. Ela permanece aprisionada ali dentro, aprisionada para sempre, a menos que reencontremos tal objeto. Por meio dele, nós a reconhecemos, nós a chamamos e ela é libertada. O objeto no qual ela se esconde - ou a sensação, pois todo objeto em relação a nós é sensação - , pode jamais ser encontrado por nós. E assim, há horas de nossa vida que nunca mais ressuscitarão. Pois esse objeto é tão pequeno, tão perdido no mundo, que há poucas chances de que se encontre em nosso caminho!"

(Esse trecho explica bem o episódio da madeleine de Proust, não?)

19.8.07

Falso siri


A professora de Fortaleza que nos recebeu no ano passado veio para um congresso e acabamos nos encontrando para um almoço nas imediações. Apesar de curta, a conversa foi boa e rendeu uma receitinha, ela nos perguntou se conhecíamos o "Falso siri", dissemos que não e ela nos explicou que era uma forma de preparar um prato que parecia ter siri sem ter siri, usando sardinha em lata, leite de coco e repolho. Estava meio cética, mas fiquei muito curiosa, como ela só deu as indicações gerais da receita, tive que procurar algo parecido e encontrei esta receita. Achei que ficou bem interessante, não é idêntica a um suflê ou à fritada de siri, mas chega perto e até pode enganar algumas pessoas! Fiz pouco mais da metade da receita e rendeu bem.

Falso siri

 
1 fio de azeite de dendê
2 latas de sardinha escorrido (usei latas grandes, de 250g)
3 cenouras médias raladas

1 repolho pequeno fatiado fino

1 cebola grande ralada

suco de um limão (eu prefiro sem)
2 tabletes de caldo de galinha, carne ou peixe (na verdade é a gosto, o suficiente para salgar)

5 c sopa de azeite extra-virgem

1/2 maço de cheiro verde picado

2 pimentões picados

1 vidro de leite de coco (200ml)
4 ovos batidos (bata as claras e depois adicione as gemas)

2 c sopa de farinha
Se quiser, adicione coentro picado

Refogue a cebola até dourar, adicione a cenoura, o repolho, o cheiro verde, o pimentão, o suco de limão, o leite de coco, o tablete de caldo de galinha e deixe cozinhar por 10 min, mexendo sempre.


Adicione a sardinha desmanchada, as 2 c sopa de farinha (não é preciso diluir) e uma parte do ovo batido. Misture tudo por um minuto.


Unte um pirex, despeje o falso siri e cubra com o restante do ovo batido, leve ao forno até dourar.


9.8.07

Sobrecoxa teriyaki

Mais uma do livro de culinária japonesa que adoro, mas andava meio encostado devido à minha grande preguiça de ler em japonês. Estudar línguas é algo engraçado, você passa um tempão estudando e achando que não está melhorando nada e, de repente, olha para uma palavra e descobre que sabe qual é o seu significado. É o que parece ter acontecido com meu japonês, estudo sozinha e às vezes desanimo, mas acho que não tem sido em vão! Ainda preciso consultar o dicionário várias vezes, mas agora não é tão desesperador.

Esta é uma de minhas receitas preferidas, deliciosa e simples. Esses dias ando com vontade de voltar a algumas receitas básicas, preparar coisas simples, enfim, de mudar algo, como não dá para fazer grandes mudanças na vida, a gente começa pelas mais fáceis. rs


Sobrecoxa teriyaki

 
2-3 sobrecoxas de frango desossadas e abertas (com a pele o efeito final é mais bonito, eu só tinha sem)

Fure a carne com um garfo e tempere com:
3 c sopa de shoyu
1 c sopa de saquê
1 c chá de caldo de gengibre (rale um pedacinho de gengibre e esprema para obter o caldo)

Deixe marinar por certa de 20-30min virando de vez em quando.
Aqueça cerca de 3 c sopa de óleo em uma frigideira. Retire a sobrecoxa da marinada e coloque para fritar na frigideira com a parte da pele voltada para baixo. Frite em fogo baixo mexendo a frigideira. Depois que a pele ficar bem corada, vire, tampe a frigideira e deixe fritar em fogo baixo por 10 min. Quando você espetar a parte mais grossa da carne com um ohashi e ele entrar com facilidade, pode retirar a carne para um prato. Limpe a frigideira, descartando o excesso de óleo. Coloque-a de volta no fogo e adicione uma mistura feita com o resto da marinada do frango,
2 c sopa de mirin (tipo de saquê adocicado vendido em loja de produtos japoneses), 1 c sopa de shoyu e 1,5 c sopa de açúcar. Deixe ferver um pouco e depois coloque os pedaços de sobrecoxa fritos com a pele voltada para baixo novamente na frigideira. Deixe caramelizar e depois vire e faça o mesmo do outro lado. Movimente a frigideira para que a carne caramelize bem.