29.9.07

Livros

A simpática Migas convidou-me a participar de uma pequena brincadeira que consiste em pegar um livro, o primeiro, sem poder escolher, abrir na página 161, procurar a quinta frase completa, transcrevê-la no blog e convidar 5 pessoas a fazer o mesmo.

Eu confesso que trapaceei um pouco, o livro mais próximo era
O Processo do Franz Kafka (olha a coincidência!) em alemão que deixei ao lado do micro para ler quando tivesse mais domínio da língua, acontece que quando procurei a tal frase na página 161, descobri que precisaria procurar algumas palavras no dicionário para fazer uma tradução e preferi pegar um outro livro na prateleira, perdão...

O livro é
The setting sun do Osamu Dazai:

  "E no entanto, sinto que se eu morrer mantendo o segredo absoluto e deixar o mundo com ele encerrado em meu peito, quando meu corpo for cremado, o interior de meu peito permanecerá com um odor de umidade e não será queimado."

Deixe-me ver Maria Helena, Azalea, Marizé, Silvia Arruda e Laila, que me dizem? Querem participar?



26.9.07

Fui e já voltei

Este post é só para manter a coerência do blog, como disse que iria para São Carlos, achei que deveria informar que já fui e voltei da cidade. Foi uma viagem malfadada, lamento dizer. Deveríamos ficar por lá durante toda a semana, mas fomos na segunda e voltamos ontem mesmo. A apresentação de O. era na segunda à tarde e ele assistiria às outras apresentações de colegas nos outros dias, enquanto isso, eu ficaria livre, leve e solta para fazer o que tivesse vontade, mas isso só aconteceu no primeiro dia. Enquanto O. labutava, eu passeava. Dei uma volta por alguns quarteirões e voltei para o hotel porque algumas gotas de chuva começaram a cair (infelizmente, chover que era bom, não choveu).

A noite foi nossa desgraça, O. quis fugir da minha dieta e comeu coisas mais gordurosas do que estava acostumado, sentiu-se mal e não conseguiu dormir, eu não consegui dormir porque assim que retirei o edredom da cama e coloquei a cabeça sobre o travesseiro, senti o maior bodum do mundo em um ponto do colchão (exatamente onde minha cabeça ficava), fiquei quieta, porque senão O., que já não estava bem, teria um ataque e corria o risco de ter que fazer as malas naquele instante. Sabia que não daria para trocar de quartos e eu não tinha ânimo para chamar alguém para trocar o forro que cobria os colchões e os lençóis, já estava de pijama e cansada, cobri tudo com um cobertor, mas claro que não consegui dormir lembrando daquele odor nauseabundo e fiquei deitada no sofá. O. estava tão absorvido em seu próprio sofrimento que não se importou com minhas excentricidades. Em suma, estávamos acabados de manhã e só queríamos voltar para nossa casa e nossa cama.


Não deu para conhecer a cidade como queria, comemos nos lugares que achamos abertos, era segunda-feira e muitos estabelecimentos estavam fechados. Na volta que dei, descobri que a cidade possui muitas lojinhas de artesanato e a impressão geral é a de que São Carlos é bem simpática. Há casarões antigos espalhados no centro e uma bonita catedral com um domo amarelo enorme que pode ser visto de longe. Uma exploração mais detalhada ficará para uma próxima oportunidade.

23.9.07

Curry de frango com manjericão e leite de coco

Acho que ninguém tem dúvidas de que eu adoro curry, não é mesmo? É um de meus pratos preferidos, basta pensar em um bom curry com um pouco de arroz para que eu fique salivando...
A receita é da Elise do Simply Recipes, uma delícia!!!



 

Curry de frango com manjericão e leite de coco
 
1/2 c chá de sal
1/2 c chá de coentro moído
1/2 c chá de cominho em pó
1/2 c chá de cravo da índia em pó
1/2 c chá de canela em pó
1/2 c chá de cardamomo moído
1/2 c chá de pimenta do reino moída
1/4 c chá de chili em pó
1/4 c chá de cúrcuma
1/2 kg de coxas e sobrecoxas de frango dessossadas
1 cebola grande picada (cerca de 1 x)
5 dentes de alho picados
2 pimentas jalapeño, sem sementes, picadas (não usei)
2 c sopa de azeite
400ml de leite de coco
2 c chá de amido de milho
1 c chá de molho inglês
3 c sopa de folhas de manjericão picadas
1 c sopa de gengibre fresco picado

Misture o sal, coentro moído, cominho, cravo moído, canela, cardamomo, pimenta do reino, chili e cúrcuma em um recipiente e reserve.

Limpe o frango, corte em pedaços pequenos, coloque em uma tigela e polvilhe a mistura de especiariais sobre eles. Misture para envolvê-los nos temperos e deixe descansar por 30 min à temperatura ambiente ou por 1-2 h na geladeira.


Aqueça 1 c sopa de azeite em uma frigideira grande. Adicione a cebola picada e o jalapeños e refogue por 3 min. Adicione o alho e refogue por mais 1 min. Retire as cebolas, pimenta e alho da frigideira e coloque em algum recipiente. Reserve. Use a mesma frigideira para a próxima etapa.


Adicione 1 c sopa de azeite na frigideira em temperatura média. Adicione metade dos pedaços de frango e doure os pedaços espalhando-os bem para que não fiquem amontoados. Depois que eles estiverem cozidos, sem partes róseas, retire-os da frigideira e junte-os à mistura de cebolas reservada. Faça o mesmo com a outra metade da carne de frango.


Adicione o leite de coco, menos algumas colheradas, à frigideira. Em um recipiente pequeno, misture as colheradas de leite de coco reservada com o amido de milho para que este se dissolva. Coloque essa mistura na frigideira com o leite de coco e cozinhe em fogo médio mexendo até que fique espesso e comece a ferver. Adicione o molho inglês. Adicione a mistura de frango com cebolas, o manjericão e o gengibre picados e cozinhe por mais 2 min.


Sirva com arroz cozido.


20.9.07

Peixe com chermoula

Receita da Valentina. Precisava variar um pouco as minhas receitas com peixe. Ela irá agradar todos os amantes das especiarias, a cozinha é invadida por seus aromas! Ficou muito bom!

Peixe com chermoula

Chermoula (marinada)
1 xícara de chá bem cheia de salsinha picada grosseiramente

1 xícara de chá bem cheia de coentro picado grosseiramente

3 dentes de alho picados
½ cebola picada
2 pimentas dedo de moça sem sementes
2 colheres de chá de páprica doce

2 colheres de chá de cominho em pó
2 colheres de chá de coentro em pó
2 colheres de sopa de suco de limão
½ xícara de chá de azeite de óleo

 
Você pode colocar todos os ingredientes num pilão mais um pouco de sal marinho e esmagar bem, até formar uma pasta. Ou colocar tudo num processador (foi o que fiz). Lambuze os pedaços de peixe nesta marinada e leve à geladeira por pelo menos 30 minutos. 

Prepare os ingredientes para o molho do peixe – se usar uma quantidade inferior de peixe ajuste a quantidade dos temperos:

750g de peixe cortado em pedaços (carne branca e firme)
Azeite de oliva para o molho
1 cebola grande cortada em rodelas
2 colheres de chá de coentro em pó
1 colher de sopa de cominho em pó
2 colheres de chá de gengibre em pó
Uns fiapos de açafrão (usei cúrcuma em pó)
Um pedaço pequeno de canela em pó
1 folha de louro
1 ½ xícaras de caldo de peixe


Esquente o azeite de oliva e doure a cebola. Acrescente o coentro, cominho e gengibre e mexa por um minuto, até que o perfume das especiarias comece a exalar. Acrescente o açafrão, a canela, a folha de louro, e tampe deixando cozinhar por 10 minutos em fogo baixo. Ponha o peixe na panela e cubra, deixando cozinhar por mais uns 10 minutos novamente, até que o peixe fique pronto. Ajuste o sal. Salpique com folhinhas de coentro antes de servir.


18.9.07

Bolo de polvilho

Estava com um pacote de polvilho doce para vencer e resolvi procurar uma receita para usá-lo. Lembrava que o Marcelo Katsuki tinha publicado uma receita interessante e que a Eliana a tinha repetido, mas dei uma olhada e vi que ela levava apenas uma xícara de polvilho e eu precisava de uma que levasse mais. Encontrei esta aqui e resolvi experimentar.

O bolo ficou ótimo! Ele murcha um pouco depois de assado e tem uma forma esquisita, mas é delicioso! Cascudo, no bom sentido, crocante e macio por dentro! Ele é irresistível logo depois de assar, não conseguia parar de beliscá-lo!

Bolo de polvilho

 
3 ovos
1 pitada de sal
1 pitada de açúcar refinado
3/4 xícara de óleo
1/4 xícara de água
1/2 xícara de queijo parmesão ralado
2 xícaras de polvilho doce
 
Bata todos os ingredientes no liqüidificador até misturar.
Coloque essa mistura em forma de buraco no meio, de 24 cm de diâmetro, bem untada.
Leve para assar em forno quente, preaquecido por 30 minutos, ou até dourar levemente.
Ele murcha após sair do forno.
Desenforme ainda quente.
Sirva com patê de presunto ou requeijão.
Sozinho também é uma delícia, mas pode ser um acompanhamento para carne assada, ensopados, ou no café da manhã, com geléia e doces em calda.


12.9.07

Meme: Sete momentos

A Akemi convidou-me a responder este meme sobre sete momentos marcantes de minha vida. Ei-los:

1. A primeira vez em que enfrentei o escuro. Tinha uns quatro anos e meus pais moravam em uma casa no sítio da família de minha mãe, a casa do meu avô ficava um pouco afastada e eu morria de medo de percorrer o caminho que ia de uma à outra no escuro. Uma noite, tomei coragem e fui e voltei de um lado para o outro várias vezes, até chamei meu avô para conferir meu feito. (Isso não impediu que eu precisasse dormir com alguma luz acesa por vários anos mais).

2. Ver o mar pela primeira vez. Tinha uns oito, nove anos, a família inteira saiu de casa de madrugada na brasília azul do meu pai. Fomos de farofeiros mesmo, com direito à bife à milanesa no pão francês e refrigerante de latinha. Até hoje me lembro do cheiro de carne dentro do carro. Chegamos em Caraguá de manhãzinha, quando estava clareando, paramos na primeira praia que encontramos e eu fiquei morrendo de medo daquele rugido que as ondas faziam quando se aproximavam da areia. Seguimos até São Sebastião e paramos em outra praia, a água era mais calma e eu e meus irmãos não resistimos e acabamos dentro da água com a roupa do corpo. Minha mãe nos lavou com água mineral e voltamos ainda com as roupas úmidas.

3. As noitadas jogando RPG, indo ao teatro, fazendo pequenas viagens, compartilhando sonhos, gastando horas de papo para o ar com alguns amigos do colégio.

4. Minha visita ao Pantanal. Foi o prêmio de um concurso promovido pelo Estadão e pela Fundação Boticário. Acompanhei o trabalho de uma bióloga que cuidava de araras azuis em pleno Pantanal. Íamos de um lado para o outro dentro de um toyota bandeirante e foi uma das coisas mais lindas que já fiz na vida! Passávamos pelas planícies semi-alagadas cheias de aves, víamos os jacarés na beira da água, remávamos, andávamos dentro d'água. Lindo, lindo! Sem falar nas araras azuis. Também foi a primeira vez que viajei de avião, fui até Congonhas de ônibus da minha cidade com uma mochila nas costas. Perdi minha primeira semana de aula na faculdade, mas valeu cada instante.

5. Minha viagem ao Japão. Passei um mês no país com uma bolsa de estudos. Conheci um pouco de Hiroshima, Osaka, Kyoto e Tóquio. Meu pai, que trabalhava em Okayama, levou-me para conhecer sua família em Chiba, foi uma experiência estranha, ver aquela avó enrugadinha e curvada, bem como meus tios e primos, pois nunca tínhamos tido qualquer contato. Ele também me levou para conhecer Nara pouco antes de minha viagem de volta, passamos parte do dia na cidade e nos despedimos em uma estação em Osaka. Foi triste, porque eu tinha acabado de me casar e quando ele voltasse, eu não estaria mais em casa.

6. Conhecer O.

7. Nosso casamento em um cartório só com as testemunhas em um dia de inverno com chuva.

Passo a bola para a Katia Mine, o Vitor Hugo, a Maria Helena e a Lara Leal (respondam se quiserem, of course!).

8.9.07

Bolo de chocolate com recheio de coco

 
Lembra o bolo bomba publicado pela Valentina, mas a receita é um pouco diferente. Eu a vi no 100% Açúcar, e a Fátima a encontrou em um blog francês. O bolo cresce bastante e é verdadeiramente delicioso. Recomendo! Fiz metade como a Fátima, mas coloco a receita inteira.







Bolo de chocolate com recheio de coco

 
350g de farinha
250g de manteiga à temperatura ambiente
250g de açúcar
12 c sopa de leite
6 ovos
1 c chá de essência de baunilha
2 c sobremesa (rasas) de fermento em pó (ou 1 c sopa rasa)
2 c sopa de cacau em pó (adicionei mais para que a massa ficasse mais escura)

Bata a manteiga com o açúcar, adicione as gemas uma a uma até obter um creme homogêneo. Adicione a essência de baunilha, a farinha, o fermento, o leite, o cacau. Misture muito bem. Bata as claras em neve e incorpore delicadamente à massa.



Para o recheio:
 

200g de coco ralado
200g de açúcar
1 c chá de essência de baunilha
2 claras
1 c sopa de amido de milho
5 c sopa de creme de leite (usei um resto de leite de coco)

Bata as claras em neve firme e adicione o resto dos ingredientes. Misture bem.
A mistura é bem granulosa, mas ela cresce enquanto assa e fica úmida!


Montagem:

 
Coloque metade da massa do bolo em uma forma untada e enfarinhada, espalhe o recheio de coco sobre ela e cubra com a massa restante. Asse à 190C até que ao se inserir a lâmina de uma faca em seu interior esta saía limpa.

É possível cobrir o bolo com um glacê de chocolate depois que ele esfriar.

6.9.07

Ignorância - Milan Kundera


Outro dia escrevi que li vários livros do Kundera e que não me lembrava dos enredos das histórias, era verdade, mas após ler Ignorância, acho que posso explicar um pouco melhor a razão de meus "brancos". As histórias do autor giram em torno de relacionamentos, identidade e sentimentos, são eles que ocupam o papel principal e , desta forma, torna-se difícil definir um "enredo" para seus romances. Agora, uma coisa tenho que admitir, Kundera escreve belamente. Neste livro, ele narra o retorno de Irena e de Josef à República Tcheca após vinte anos de exílio em outros países da Europa e mostra como as pessoas que os conheceram olham para os dois como se fossem uma espécie de desertores e procuram fazer de conta que os últimos vinte anos de suas vidas não existiram. Kundera também fala sobre como muito nos relacionamentos humanos é baseado em equívocos:

"Imagine os sentimentos de duas pessoas que se encontram novamente após muitos anos. No passado, elas ficaram algum tempo juntas e portanto acham que estão unidas pela mesma experiência, pelas mesmas recordações. Pelas mesmas recordações? É aí que os mal-entendidos começam: elas não possuem as mesmas recordações; cada uma retém duas ou três pequenas cenas do passado, mas cada uma possui as suas próprias recordações, elas não são parecidas, elas não se cruzam; elas não são comparáveis nem mesmo em termos de quantidade: uma pessoa lembra-se da outra mais do que esta se lembra dela; primeiro, porque a capacidade da memória varia entre os indivíduos (uma explicação que cada uma delas acharia ao menos aceitável), mas também (e isso é mais doloroso de se admitir) porque elas não possuem a mesma importância para cada uma delas. Quando Irena viu Josef no aeroporto, ela lembrava-se de cada detalhe de sua aventura do passado; Josef não se lembrava de nada. Desde o primeiro instante, seu encontro estava baseado em uma injusta e revoltante desigualdade."


4.9.07

Tomates secos

Finalmente fiz tomates secos em casa! Tomei coragem depois de ver a receita no blog da Cris e fiquei contente com o resultado, apesar do longo tempo no forno, os tomates saem ainda úmidos e suculentos, do jeito que gosto, pois acho os tomates secos industrializados muito duros. No final, nem os deixei de molho em azeite, eles foram consumidos rapidinho em sanduíches e saladas!

A Cris lançou um desafio, quem fizer os tomates secos secando-os ao sol e provar com fotos ganha um prêmio, eu não tenho toda a paciência necessária e a poeira que paira no ar nos últimos dias não me anima a fazer essa experiência, mas se alguém se interessar...

Tomates secos

30 tomates maduros (de preferência aqueles compridos tipo italiano, são menos ácidos)
2 colheres (sopa) de açúcar
4 colheres (sopa) de sal (eu usei bem menos, apenas o salpiquei sobre os tomates)
ervas finas (ou outras ervas como tomilho, orégano, etc)
8 dentes de alho em fatias finas

azeite a gosto


Esta receita é para ser feita com paciência, porque é demorada...

1) Corte a cabecinha de todos os tomates e parta ao meio no sentido do comprimento, tirando só as sementes. Lave e deixe virados para baixo em peneira ou escorredor de macarrão por pelo menos meia hora.

2) Arrume em assadeiras com os tomates virados para cima. Ponha por cima deles o açúcar (para tirar a acidez), o sal e as ervas finas; ponha uma fatia de alho dentro de cada um e regue com azeite.


3) Leve ao forno baixo durante pelo menos duas horas. Vire os tomates para baixo e deixe mais uma hora. Para guardar, arrume em camadas em vidros esterilizados , cubra com azeite e feche bem.


Estes tomates ficam com sabor mais suave e a textura menos ressecada que os industrializados.