30.4.08

Bolo de milho

Quando há algum ingrediente que preciso usar com urgência, costumo sair pela internet procurando algo que se adéqüe à despensa e às minhas necessidades. Foi o caso deste bolo, tinha uma lata de milho verde e um vidro de leite de coco quase inteiro aberto na geladeira, fuçando, fuçando, pegando idéias aqui e ali, encontrei um bolo de milho com leite de coco. Ele não ficou fofo, mas úmido e denso. Também não rendeu um bolo enorme, o que é bom porque somos só duas pessoas. Ficou gostoso, meio "apamonhado".




Bolo de milho

 
1 lata de milho escorrido
100g de manteiga derretida

1 x de fubá
 

3 ovos
1 vidro de leite de coco

1 c sobremesa de fermento
1 x de açúcar


Bata bem o milho, a manteiga, os ovos e o leite de coco no liquidificador. Em seguida adicione o fubá, o açúcar e o fermento (se achar que está pesado para bater, coloque em uma tigela e termine misturando com uma colher). Coloque em uma forma untada e enfarinhada e leve para assar até dourar.

28.4.08

The great Gatsby - F. Scott Fitzgerald

“Comecei a gostar de New York, da vibrante, atrevida sensação de sua noite e da satisfação que o tremeluzir de homens e mulheres proporciona aos olhos inquietos. Gostava de subir a 5ª Avenida e escolher mulheres românticas na multidão e imaginar que em alguns minutos eu entraria em suas vidas, e que ninguém nunca saberia ou desaprovaria. Às vezes, em minha mente, eu as seguia até seus apartamentos nas esquinas de ruas escondidas e elas se voltavam e sorriam antes de desaparecerem em uma escuridão tépida através de uma porta. Algumas vezes, no mágico entardecer metropolitano, eu sentia uma angustiante solidão, também a sentia nos outros – pobres jovens funcionários que demoravam-se na frente de janelas esperando até que fosse hora de um jantar solitário em um restaurante – jovens funcionários ao pôr do sol, desperdiçando os mais pungentes momentos da noite e da vida.”

Depois de Tender is the night, The great Gatsby.
 
F. Scott Fitzgerald é um grande escritor, gosto da forma como ele descreve as cenas, elas são de grande beleza plástica, romântica, melancólica. A sensação que tenho enquanto leio seus livros é semelhante àquela que experimento quando uma festa acaba.

Gatsby é o rapaz pobre que constrói uma fortuna usando meios escusos. Ele tem uma bela casa onde dá festas concorridas quase todas as noites e parece ter uma vida invejável, entretanto, a única coisa que deseja é reconquistar uma paixão de juventude. Bela e triste história.


26.4.08

Mousse de chocolate amargo

Inspirada nesta receita da Ana Elisa que levava chocolate branco e que ainda vou preparar, mas estava sem o dito cujo, com uma baita vontade de mousse, duas barras de chocolate amargo (60%) e claras congeladas, então, não resisti. Gostei muito da forma de preparo da mousse porque ela não leva gemas, não que tenha assim tanto medo da salmonella, mas quando sinto aquele sabor característico de gema em algum doce, não consigo comê-lo mesmo!

Fiz minhas alterações e coloco a receita do jeito que eu a preparei, mas vale a pena verificar a receita original.

Mousse de chocolate amargo

Aqueça 150ml de creme de leite fresco, quando levantar fervura, despeje-o sobre 200g de um bom chocolate amargo picado em uma tigela. Mexa até que esteja tudo derretido. (Eu acrescentei um pouco de licor Grand Marnier, mas ele sumiu e não fez diferença alguma).


À parte, bata 5 claras com 2 colh. (sopa) de açúcar (com essa quantidade, o amarguinho do chocolate prevale, adicione mais açúcar caso prefira mais doce) até formar picos firmes e misture cuidadosamente ao creme de chocolate. Distribua em 6 taças e leve à geladeira por uma noite (ou algumas horas). Decore com raspas de chocolate e sirva.



24.4.08

Vagens com carne de porco

Este é um prato que comia sempre quando era criança, até demais para meu gosto, pois sempre que havia vagens era assim que minha mãe as preparava. Na época em que morava com meus pais, eu achava sem graça comer sempre as mesmas coisas, mas depois de me casar, sinto muita saudade do sabor da comida da minha mãe. Era tudo muito simples, geralmente um "okazu" (uma mistura) à base de algum vegetal com um tiquinho de carne para dar um gosto, arroz branco e feijão.
A saudade bateu e como tinha algumas vagens na geladeira, tentei fazer algo parecido com o que minha mãe fazia. Refoguei um dente de alho picado em um pouco de óleo, adicinei pedaços de carne de porco (ou carne moída, ou qualquer outra carne que deseje e não fique dura quando cozida), deixei dourar, adicionei as vagens lavadas e quebradas com as mãos, temperei com shoyu e um pouco de saquê (esse foi um toque meu), coloquei um pouco de água para não queimar, tampei a panela e esperei as vagens ficarem macias. Pronto! Ficou muito parecido com o prato de que me lembrava!

21.4.08

Risoto cremoso de frango e curry

Esta receita de risoto que vi no blog da Eliana é deliciosa e já a repeti várias vezes. É um dos poucos pratos que o O. come sem exclamar: "Frango outra vez!". Coloco a receita como a Eliana a preparou, mas eu não uso a panela de pressão e adiciono alguns ingredientes como cebola e um pouco de vinho branco.

Refogo a cebola picada no azeite, adiciono os pedaços de frango (o ideal seria dourar os pedaços de frango separados e adicioná-los depois da cebola, arroz e vinho branco, mas eu sou péssima para seguir ordens...), refogo um pouco, coloco o arroz, refogo novamente, adiciono um pouco de vinho branco, espero que ele seja absorvido e vou colocando o caldo de legumes (na verdade eu adiciono só água quente e tempero com sal e o curry) aos poucos até que o arroz fique cozido e termino com o creme de leite.


Risoto cremoso de frango e curry

 
1 peito de frango médio
3 colher (sopa) de azeite
1 colher (sopa) de manteiga
2 colheres (chá) de curry
1 xícara (chá) de arroz arbóreo
1/2 litro de caldo de legumes
3 colheres (sopa) de salsinha picadinha (não utilizei)
4 colheres (sopa) de creme de leite
sal a gosto

Lave o peito de frango, elimine a pele, os ossos, as cartilagens e as aparas e pique a carne em cubos pequenos. Reserve. Numa panela de pressão (4,5 litros) , aqueça o azeite e, aos poucos, junte os pedaços de frango e frete (mexa o mínimo possível) até dourar de maneira uniforme. À medida que ourar, retire os pedaços de frango. Volte o frango para a mesma panela de pressão, junte a menteiga, polvilhe o curry e misture. Adicione o arroz e refogue, mexendo de vez em quando, por 4 minutos. Acrescente o caldo de legumes e o sal. Tampe a panela e cozinhe por 5 minutos, ou até começar a soltar vapor. Reduza o fogo e deixe por mais 2 minutos, ou até o arroz ficar "al dente". Retire do fogo, elimine a pressão e abra a panela. Adicione a salsinha, o creme de leite e acerte o sal. Mexa delicadamente, tampe novamente a panela e abra-a depois de 2 minutos. Sirva em seguida com queijo parmesão ralado.

 

19.4.08

Les Somnambules - Hermann Broch

Outro livro de Hermann Broch. Ele é aquele tipo de autor que escreve com a intenção de capturar o espírito de uma época e também de usar os romances para expor uma tese. Hoje em dia acho que ninguém mais faz isso e também há poucos leitores para obras assim, mas Broch escreve de forma interessante, mistura teorias sobre arte, literatura e filosofia em seus textos. É preciso ter um certo fôlego para ler Os sonâmbulos, mas depois que a leitura engrena, é difícil deixá-la de lado. O livro é constituído de três grandes partes separadas em períodos distintos entre os anos de 1888-1918, a primeira, 1888 - Pasenow ou o romantismo, conta a história de um militar dividido entre seus deveres familiares, a observação dos valores da sociedade e a fidelidade ao exército; a segunda, 1903 – Esch ou a anarquia, conta a história de um contador com tendências comunistas e, a última, 1918 – Huguenau ou o realismo, é sobre um soldado que deserta durante a guerra e se instala em uma pequena cidade usando seus conhecimentos financeiros e “esquemas” capitalistas para levantar alguns fundos para manter-se. Na última parte, os dois protagonistas das primeiras histórias se encontram e seus destinos são profundamente ligados.

O romance é bem triste. Cada um dos personagens representa um momento histórico, filosófico e moral do período. Pasenow é aquele que procura observar as crenças morais da sociedade e das instituições; Esch já não é capaz de fazer isso como desejaria e por isso vive em conflito e, por fim, Huguenau é aquele que não se importa com a moralidade ou ideais, ele é o homem totalmente racional e sem fidelidades, o capitalista preocupado com seu próprio bem-estar e, por isso mesmo, o mais perigoso de todos, como mostra o desenlace da história.




Broch narra a corrupção dos valores, a decadência progressiva de uma época. Livros que tratam de longos períodos de tempo ou que narram a história de gerações de uma família parecem ser sempre pessimistas, há sempre uma degradação. Algo muito humano, não é mesmo? Visto que nós temos o hábito de olhar para o passado com nostalgia e, não raro, dizemos que aqueles sim, eram bons tempos!

14.4.08

Pão de aveia e mel II

O primeiro pão que fiz na máquina foi uma receita de pão de aveia e mel que vinha no livrinho de receita da própria máquina e que postei aqui. Ele era bom, mas gostei mais deste aqui, pois leva mais mel, o outro era menos adocicado.
Vi a receita no blog da Reinefeuille. Os meus não ficaram tão bonitos quanto os dela, mas ficaram gostosos. Como ela, substituí metade da farinha por farinha integral e adicionei ainda sementes de girassol que adoro.
Usei a máquina para amassar e depois modelei (cof! cof! cof!) os pães untando as mãos com óleo, deixei crescer e assei. Tive que adicionar algumas colheradas a mais de farinha enquanto amassava para formar uma bola.

Pão de aveia e mel II

300g de farinha (usei 150g de farinha branca + 150 g de farinha integral)
100 g de flocos de aveia + 2 c sopa para polvilhar se quiser
125 ml de água morna
125 ml de leite morno
30 g de manteiga amolecida
3 c sopa de mel
1,5 c chá de fermento biológico seco instantâneo
1.5 c chá de sal
(adicionei 1/2 x de sementes de girassol)

Coloque todos os ingredientes na máquina de pão na ordem indicada pelo fabricante. Cuide para que o sal e o fermento não entrem em contato. Amasse até obter uma massa macia e elástica, caso necessário, adicione mais algumas colheradas de farinha. (Esta etapa também pode ser feita a mão). Deixe crescer em local protegido de correntes de ar por 1h30.
Amasse para retirar o ar. Corte a massa em 8 pedaços com cerca de 100g cada um (ou faça pães grandes colocando a massa em formas de bolo inglês). Molde os pães e coloque-os sobre uma forma coberta com papel alumínio. Deixe crescer por mais 30 min. Preaqueça o forno à 230C. Coloque 2 c sopa de flocos de aveia em um prato e role os pães para envolvê-los com a aveia (eu não fiz isso). Asse por 15 min e deixe esfriar. (Deixei mais tempo à temperatura mais baixa, porque esperava que o gás acabasse... o que não aconteceu...).



10.4.08

The three cornered world - Natsume Soseki

Outro livro de Natsume Soseki. Muito bonito. A história é bem singela e narra as impressões de um artista que viaja até uma estação termal onde se hospeda em um pequeno hotel e os seus encontros com a filha do proprietário do lugar, O-nani, uma mulher com personalidade forte e um passado marcado por uma relação amorosa triste.

Apesar da Guerra da Manchúria ser mencionada e estar bem presente no final da história, é um dos livros mais “otimistas” de Soseki que li.

O personagem principal deve ser o ideal de artista do autor, ele é descompromissado, um andarilho em busca de inspiração que vive segundo o adágio do “Carpe Diem”, muito diferente do próprio Soseki que tinha uma vida mais complicada e atormentada por questões financeiras e conjugais.

O nome do livro em japonês (“Kusa Makura”) daria algo como “Travesseiros de relva” (como foi mantido em francês), mas o tradutor para o inglês preferiu usar uma expressão encontrada no texto, não tenho nada contra a sua decisão, mas que a expressão original era mais bonita, ah, isso era!
Eis alguns dos primeiros parágrafos, a profissão de fé do protagonista:

“Enquanto subia a trilha da montanha, comecei a refletir.
Aborde tudo racionalmente e você se tornará duro. Deixe-se levar pelo fluxo das emoções e será arrastado com a corrente. Dê rédeas aos seus desejos e você se sentirá desconfortavelmente confinado. Este nosso mundo não é um lugar muito agradável para se viver.
Quando o desconforto aumenta, você ficará inclinado a se mudar para um lugar onde a vida seja mais fácil. É somente quando percebe que ela não será mais agradável independente da altura que atinja que um poema pode nascer ou uma pintura pode ser criada.
A criação deste mundo não é o trabalho de um deus ou de um demônio, mas das pessoas comuns ao nosso redor, aqueles que vivem do outro lado da rua, ou ao nosso lado, movendo-se enquanto ocupam-se com seus afazeres cotidianos. Você pode achar que este mundo criado por pessoas comuns é um lugar horrível para se viver, mas para onde mais poderíamos ir? Mesmo que houvesse outro lugar, só poderia ser um lugar fora da esfera humana, e quem pode dizer se não seria um mundo ainda pior do que este?
Não há como escapar deste mundo. Portanto, se você acha a vida difícil, não há o que fazer além de procurar manter-se o mais calmo possível durante os períodos desagradáveis, mesmo que o consiga por períodos bem curtos, e assim tornar a breve duração da existência suportável. É aqui que a vocação do artista começa a existir, é aqui que o pintor recebe a incumbência divina. Agradeça aos céus por todos aqueles que, pelos meios tortuosos de sua arte, trazem tranqüilidade para o mundo e enriquecem os corações dos homens.
Despoje o mundo de todos aqueles cuidados e preocupações que o tornam um lugar desagradável para se viver e, ao invés dele, imagine um mundo de graciosidade. Agora você possui música, uma pintura, ou poema, ou escultura. Iria além e diria que não é necessário transformar essa visão em realidade. Apenas invoque essa imagem na frente de seus olhos e a poesia irá brilhar e canções irão fluir. Antes de passar seus pensamentos para o papel, você deve sentir o cristal retinir como um pequeno sino e elevar-se em seu interior, toda a gama de cores irá, por si só, gravar-se no olho de sua mente com todo o seu brilho, embora a tela permaneça intocada em seu cavalete. É suficiente que você seja capaz de adotar essa forma de considerar a vida e ver este mundo decadente, sujo e vulgar, purificado e belo na câmera de sua alma. Mesmo o poeta cujos pensamentos nunca foram expressos em um único verso, ou o pintor que não possui tintas e nunca pintou sequer um pedaço de tela, pode obter a salvação e libertar-se dos desejos e paixões terrenos. Eles podem entrar em um mundo de imaculada pureza quando quiserem e, desfazendo-se do jugo da avareza e do egoísmo, são capazes de construir um universo inigualável. Por isso, eles são mais felizes do que os ricos e famosos, do que qualquer senhor ou príncipe que já viveu, mais felizes do que todos aqueles para os quais este mundo vulgar prodigaliza suas afeições.”

8.4.08

Tomates recheados com risoto

Receita bastante simpática inspirada nesta idéia da Ana. Retirei as sementes de alguns tomates, temperei com uma pitada de sal e recheei com sobras de risoto e restos de queijos que estavam na geladeira. Reguei com azeite e levei para assar até dourar. Como já tinha usado bastante queijo junto com o risoto não polvilhei parmesão por cima, mas você pode fazê-lo! ;)
 

5.4.08

Torta della nonna

Receita do blog italiano Fior de Zucca, "torta della nonna" ("torta da vovó"), minha professora uma vez comentou que essa torta é bem comum na Itália e fiquei com vontade de experimentá-la. Ela é muito gostosa, a massa fica mais durinha e firme, como a de uma torta mesmo, mas cresce bem enquanto assa, o meu problema foi o recheio, fiz uma "caca" completa! Como vocês sabem, eu costumo anotar só os ingredientes principais e passar os olhos pela receita antes de prepará-la, pois bem, fiz isso e na hora do recheio, coloquei a farinha, o açúcar e a baunilha em um recipiente e juntei as gemas, como já era previsto, não obtive uma mistura homogênea e cremosa como a receita diz que deveria ser, a farinha se juntou com a gema e consegui foi uma farofa empelotada. Não me dei por vencida e achei que juntando um pouco do leite tudo se salvaria. Isso não aconteceu, mas eu continuei assim mesmo, o que deveria ser o creme não engrossou quase nada e ainda por cima havia pelotas por todos os lados. No fim, bati tudo no liquidificador, dissolvi duas colheres de maisena em um pouco de leite, juntei ao creme e levei ao fogo novamente para engrossar. Consegui salvá-lo, mas que trabalho!

A massa da torta é um pouco mole para estender, mas é deliciosa. Li versões da receita que levavam recheio de ricota, ovos, raspas de limão, canela e açúcar. Imagino que deva ficar muito bom também. No futuro espero ter mais sucesso.


Torta della nonna

Massa:

300g de farinha
125g de manteiga
120g de açúcar (usei demerara, como sempre) 

2 gemas*
1 chá de fermento em pó
raspas de 1 limão (no original é limão siciliano, o amarelo, mas usei o verde) 2 c sopa de piñolis
açúcar de confeiteiro para decorar (não usei, mas teria ficado mais bonito)

Creme:

500ml de leite
2 gemas (a autora pede "2 ovos", mas na receita só usa as gemas) 150 g de açúcar
2 c sopa de farinha
1 c chá de essência de baunilha (ou um pouco de vanillina, a essência em pó) raspas de um limão

(*)
Congele as claras para usar depois. Para descongelar, deixe na geladeira.

Prepare a base da massa misturando todos os ingredientes como se preparasse a massa de uma torta e coloque na geladeira por cerca de meia hora.
Enquanto isso, prepare o creme. Coloque o leite e uma panela com as raspas de limão e deixe ferver. À parte, bata as gemas com o açúcar juntando pouco a pouco a farinha e a essência de baunilha. Em seguida, adicione o leite fervente pouco a pouco à mistura de ovos passando por uma peneira, mexendo sempre. Leve tudo de volta ao fogo e deixe cozinhar até que o creme engrosse, mexa sempre. Retire do fogo e deixe esfriar completamente.
Abra 2/3 da massa e forre uma assadeira redonda (a minha tinha 22 cm de diâmetro e estendi a massa com as mãos mesmo). Recheie com o creme distribuindo-o uniformemente. Abra o restante da massa e cubra a torta. (Para facilitar eu coloquei a massa entre duas folhas de filme plástico e abri com um rolo até que a massa tivesse o tamanho necessário). Espalhe os piñolis e asse à 180C por cerca de 30 min. Deixe esfriar e polvilhe o açúcar de confeiteiro antes de servir. Pode ser conservado na geladeira por cerca de 3 dias.

3.4.08

The guiltless - Hermann Broch

Outra vez foi o Milan Kundera quem me conduziu até um autor, agora, Hermann Broch, filho de judeus austríacos que foi educado para administrar a indústria têxtil da família, mas que no final deixou tudo para estudar filosofia e matemática e viver como escritor, e um grande escritor, diga-se de passagem. Comecei pelo seu livro mais fino (não que esse fosse o critério para a escolha) para ter uma idéia de seu estilo. Também tenho a versão em alemão que peguei no ano passado quando a escola doou alguns livros. A idéia era ler o original e comparar com a versão em inglês, mas a história estava tão interessante e o método era tão lento que acabei desistindo e lendo em alemão mesmo.

Como o autor explica, o livro foi baseado em alguns contos que ele havia escrito e aos quais foram juntados outros para criar uma única história. Ela narra o encontro e o relacionamento de algumas pessoas na Europa antes da segunda Guerra. Segundo Hermann Broch, sua intenção era mostrar como a indiferença de personagens como Andréas, seu protagonista, foi um dos fatores que agravou a situação da Alemanha. Os “inocentes” do título são aqueles que se negaram a assumir a culpa pela deterioração dos valores na Europa e limitaram-se a viver de forma indolente na esfera de seu universo particular. Entretanto, todos os personagens - a velha baronesa, sua filha, Zerline, a empregada e o próprio Andréas - pagam preços altos por sua indiferença, todos vivem, ironicamente, carregando o fardo de suas ações.


Este é um trecho da confissão de culpa feita por Andréas quase no final do livro:

“Indiferente ao sofrimento alheio, indiferente ao nosso destino, indiferente ao Eu no homem, à sua alma. Conseqüentemente, torna-se uma questão de indiferença quem é arrastado para o local de execução primeiro. Você hoje, eu amanhã.”
Terrível, não?




1.4.08

Pissaladière com sardinhas

Esta é minha versão de pissaladière, vulgo pizza de cebola francesa. Eu uso a massa de pizza integral do Joe que é suficiente para uma pizza grande ou uma assadeira retangular grande como a minha. A pissaladière leva anchovas no lugar da sardinha, mas já vi algumas receitas assim e é como sempre faço, apesar de achar que o salgado das anchovas contrastaria muito mais com o adocicado da cebola.

Pissaladière com sardinhas

Massa:
 

1 x de farinha de trigo integral
1 x de farinha
1/2 pacote (5 g) de fermento biológico seco instântaneo
1 c chá de sal
1/2 chá de açúcar
3/4 x de água morna
1 c sopa de azeite

Cobertura:
 

3 cebolas grandes (ou mais)
azeite
pitada de açúcar
1 lata de sardinhas grande (despedace as sardinhas, eu costumo retirar as espinhas)
algumas azeitonas pretas
ervas finas secas

Massa:
Combine as farinhas, fermento, sal e açúcar no processador de alimentos, pulse para misturar. Combine água morna com o óleo em um copo. Com o processador ligado, adicione o líquido gradualmente até que a mistura se transforme em uma bola. A massa deverá ser bem macia. Se parecer seca, adicione 1-2 c sopa de água morna, se muito grudenta, adicione, 1-2 c sopa de farinha. Processe até que a massa forme uma bola, então processe por mais 1 minuto para sovar. (Eu fiz na mão mesmo, juntei os ingredientes secos em uma bacia, adicionei os líquidos e sovei, o Joe recomenda que se faça isso por uns 10 min).
Unte um recipiente grande com um pouco de óleo. Coloque a massa em seu interior e dê uma virada na massa para envolver toda a sua superfície com o óleo. Cubra com filme plástico, ou um pano de prato úmido, e deixe crescer por cerca de 1 hora, ou até que dobre de volume. Dê um soco para retirar o ar e espere cerca de 10 min antes de abrir.

Cobertura:
Refogue a cebola em uma panela com um pouco de azeite, adicione a pitada de açúcar e cozinhe até que a cebola fique dourada e bem macia, adicione água caso necessário e mexa com freqüência para não queimar.

Montagem:
Cubra a massa aberta como uma pizza fina com a mistura de cebolas e, sobre ela, distribua os pedaços de sardinha e as azeitonas. Polvilhe com um pouco das ervas finas, sal a gosto e regue com um bom azeite. Leve para assar em forno preaquecido até que massa fique crocante.