27.1.09

Abóbora assada com mel

Ando meio viciada nesta forma de preparar abóbora: descascar, picar, envolver tudo com um pouco de azeite e levar para assar, depois que a abóbora ficar macia, retirar do forno e misturar um pouco de mel. Geralmente uso uma colher de sopa cheia de mel e 1/4 de abóbora. Costumo usar abóbora japonesa (kabocha), pois a acho mais saborosa e adocidada. Se quiser deixar a casca, tudo bem, sempre me dá um sentimento de culpa descascar a abóbora, pois minha mãe sempre a deixava, nada de desperdício, mas eu não consigo, acho a casca meio durinha. Corto em pedaços finos para assar mais rápido.
Há formas mais incrementadas de preparar abóbora com mel, mas prefiro fazer assim porque uso menos mel e gordura. Por exemplo, você pode misturar mel com manteiga derretida e derramar sobre pedaços maiores de abóbora, incrementar com especiarias como cravo, canela, cominho, assar e salpicar algumas sementes de girassol descascadas... Deve ficar bom.

17.1.09

Yakimeshi teriyaki

Outra receita vista na NHK, eu não costumo ficar anotando tudo detalhadamente, então vou colocar como fiz, para dar uma idéia de como preparar um yakimeshi diferente e que vale como uma refeição.

Yakimeshi teriyaki

Corte alguns filés de peito de frango em pedaços pequenos, para serem comidos em uma bocada, tempere com sal e pimenta, passe em farinha de trigo e doure dos dois lados em uma frigideira ou panela antiaderente grande, adicione mirim e shoyu, envolva os filés nesse molho. Retire da panela e reserve. Não é necessário cozinhá-los muito bem, pois eles serão devolvidos à panela para um cozimento final.
Na mesma panela/frigideira, adicione um grande punhado de repolho picado grosseiramente, tomates cerejas cortados ao meio (eu usei tomates grandes, estava sem tomates cereja) e fatias de cebolinha grossa ou alho-poró. Espere os vegetais cozinharem e ficarem macios, junte as fatias de frango, cozinhe um pouco e retire do fogo. Corrija o tempero adicionando um pouco de sal se achar necessário (eu coloquei uma pitada de açúcar para ficar com um sabor mais característico de molho teriyaki, mas a receita original não pede) e adicione arroz japonês cozido ainda quente. Pronto!

Salada de kabu e gergelim

Andei vendo alguns programas culinários na NHK e testei algumas receitas. Esta é uma salada de kabu bem simples (aquele tipo de nabo redondo que lembra um grande rabanete branco), acho que pode ser feita também com nabo.

Salada de kabu

Não usei medidas exatas, basta cortar alguns kabus em fatias finas, sem descascar mesmo, após lavá-los e remover a parte dos talos. Se quiser, você também pode fatiar parte das pontas das folhas e juntar às fatias. Polvilhe tudo com um pouco de sal e espere uns 20 minutos, escorra a água e esprema tudo muito bem com as mãos. Tempere com suco de limão e polvilhe com um pouco de sementes de gergelim.

12.1.09

Mais filmes

Tenho visto vários filmes nestas férias. Durante as festas assistimos a 8 episódios de Berlin Alexanderplatz do Fassbinder, foi meu presente de Natal para o O., ainda faltam 4 episódios. O filme (ou longa longuíssimo) conta a história de Franz Biberkopf,  um homem que sai da prisão após cumprir uma pena de 4 anos por ter matado sua namorada.  Vemos Berlim no período entre guerras, a pobreza geral, a inflação galopante, o desemprego, e Franz procurando reconstruir sua vida, levando tombos, enchendo a cara (às vezes dá vontade de chamá-lo de Franz "Bierkopf"). Ele faz um tipo de filósofo de boteco atormentado e por vezes bonachão, apesar de sua situação precária, sempre há mulheres por perto dispostas a fazer tudo por ele. O filme é longo, o clima meio sombrio, e, aqui e lá, vemos sugestões de que Hitler está por perto...
Quero terminar de ver o resto, espero que  O.  se anime.

Dentre os filmes mais recentes, vi WALL.E que merecidamente ganhou o globo de ouro de melhor animação ontem. A história do robozinho solitário e carente em uma Terra coberta de lixo é muito bem feita, apesar de poucos diálogos, ela é comovente.
Também vi Milk, o Sean Penn está ótimo como Harvey Milk, o ativista e político que defende os direitos dos homossexuais em São Francisco. Só não me conformo com o fato do cara ter sido assassinado por um colega político a troco de nada.

Por fim, vi Vicky Cristina Barcelona do Woody Allen. Dos três últimos filmes dele é, de longe, o melhor. Realmente ótimo. O Javier Bardem está muito bem como o pintor espanhol que encanta duas turistas americanas (Scarlett Johansson e Rebecca Hall), ele se posta na frente das duas em um restaurante e as convida para ir a uma cidade do norte da Espanha com ele, sexo "inclusive". Ele diz exatamente o que pretende para cada uma delas e não mente em momento algum. Seduzir é mesmo uma arte, pena que muita gente a confunda com sacanagem. Outro personagem magnífico do filme é a cidade de Barcelona, você sai do filme com vontade de ir lá tomar um porre de lugares pitorescos, Gaudí, restaurantes românticos, barzinhos simpáticos...

A música inicial, de Giulia y los Tellarini, é muito gostosa de se ouvir.

8.1.09

Arroz com frango, curry e manga

A mangueira aqui de casa está dando frutos, mesmo sem conseguir alcançar os galhos, todas as manhãs há alguma manga caída ao lado do pé. Eu a recolho e coloco na fruteira. Gosto de comer a fruta "in natura", mas eu tenho meus limites e tenho procurado colocar a fruta na comida. Fiz este prato baseada em uma receita do Allrecipes, mas com variações e acréscimos. Por exemplo, cortei o peito de frango em pedaços que dourei em óleo junto com um pouco de cebola e alho, algo que não está na receita original. Também adicionei coentro na hora de servir, outro dia fiz um prato legal assim, refoguei um pouco de cebola e alho, adicionei restos de arroz integral, temperei com sal, curry e terminei adicionando pedaços de manga e coentro picado. Se repetir esta receita, acho que vou colocar a manga só no final, para ter pedaços frescos no arroz e não cozinhar tudo junto.

Arroz com frango, curry e manga

1 c chá de curry (ou a gosto)
1/2 c chá de sal
1/4 c chá de pimenta do reino
4 peitos de frango sem pele
1 x de caldo de frango
1/2 x de água
1/2 x de vinho branco
1 x de arroz (usei integral)
1 c sopa de açúcar mascavo
1 c chá de salsinha seca (não usei)
1 x de manga madura picada

Tempere o frango com 1/4 c chá de sal e pimenta. Reserve.
Em uma panela, misture o caldo de frango, a água, o vinho e o arroz. Adicione o açúcar mascavo, salsinha e o sal restante. Adicione a manga. Coloque os pedaços de frango por cima do arroz e deixe começar a ferver. Cubra, reduza a temperatura e cozinhe por cerca de 20-25 min. (Verifique o cozimento e adione mais água caso necessário, como usei arroz integral, fiz isso). Deixe o arroz descansar com a panela tampada até que todo o líquido seja absorvido.

Nota: como escrevi acima, eu modifiquei a receita, dourei o frango temperado e cortado em pedaços em um pouco de óleo, adicionei cebola e alho picados, refoguei um pouco e depois coloquei os demais ingredientes. Deixei cozinhar e, antes de servir, adicionei coentro picado. Também recomendo deixar a manga para o final.

Cidade X

relativity 
(Obra: Relatividade de Maurits Escher)

Era sempre uma experiência estranha ir para a cidade X com meu pai. Não me lembro se ele pedia que eu o acompanhasse ou se eu me oferecia para ir junto no dia anterior à partida. Sei que de repente me via dentro de um ônibus e logo estava no meio de uma grande cidade. Várias pernas indo de um lado para o outro passavam na altura de meus olhos. E tudo era cinza e o ar tinha um cheiro estranho, um misto de urina e mofo. Caminhávamos pelas ruas da cidade durante o que me pareciam longas horas, meu pai segurava uma de minhas mãos e eu corria para acompanhar seus passos, corria ainda mais para atravessar as ruas antes que os semáforos mudassem de cor. Depois subíamos e descíamos várias escadarias de prédios antigos. Elas eram escuras, os degraus sujos e meio gastos pelo tempo. Entrávamos e saíamos de salas onde meu pai conversava com alguém atrás de uma escrivaninha coberta de papéis, as janelas fechadas deixavam o ambiente abafado, sem ter o que fazer, eu olhava para o céu e observava as nuvens escuras movendo-se lentamente atrás dos vidros.

Nunca soube o que meu pai ia fazer ali, tinha apenas a impressão vaga de que era algo relacionado com as suas longas ausências a trabalho. Não gostava da cidade X, entretanto, não consigo esquecê-la, ela ficou enraizada em algum lugar de minha memória e, sem que me dê conta, de repente me vejo outra vez em uma de suas ruas, em uma de suas escadarias.


2.1.09

Lemon tree

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"Lemon Tree" é um filme dirigido por um diretor israelense que nos faz refletir sobre o beco sem saída em que a questão entre israelenses e palestinos se encontra atualmente, o melhor é que ele faz isso com sensibilidade, mostrando como a política, religião e preconceitos afetam a vida de pessoas comuns.

A história é sobre uma viúva palestina que tem uma plantação de limoeiros, tudo vai bem até que o ministro da defesa de Israel muda-se para uma casa que fica bem na frente de seus limoeiros e exatamente na fronteira com o território palestino. Logo a viúva recebe uma carta declarando que os limoeiros constituem uma ameaça para a segurança, pois terroristas podem se esconder entre eles para atacar Israel, e que, portanto, eles devem ser destruídos.

Apesar da viúva ter direito a uma indenização, ela se recusa a destruir a plantação que herdou de seu pai e decide entrar na justiça contra o ministro. Seu caso recebe uma grande cobertura da mídia e torna-se um grande problema para o ministro da defesa.

Mas o mais interessante é observar as duas protagonistas do filme, a viúva palestina e a mulher do ministro. Apesar de praticamente não trocarem nenhuma palavra, mais do que animosidade, ambas parecem sentir interesse uma pela outra, afinal, antes de estarem em lados contrários da fronteira, as duas são mulheres, mães e infelizes. A mulher do ministro é inteligente e educada, mas seu marido não a valoriza e tem um caso com sua secretária. A viúva, por sua vez, apaixona-se pelo jovem advogado que contrata e passa a ser assediada pelos "defensores da moral" de sua vila que vira e mexe batem em sua porta para perguntar o que está acontecendo e lembrá-la de que ela deve respeito ao seu falecido marido.

A decisão final da Corte sobre o caso ilustra bem o impasse que existe no relacionamento entre judeus e palestinos.