Ontem, comecei a assistir ao programa Faut pas rêver da TV5. É um outro programa de documentários de que gosto muito, desta vez, o tema era o Laos. Aquele país longínquo do sudeste asiático. Em um dos documentários, um monge budista dizia que o turismo havia aumentado muito com a abertura do país no começo desta década e que era chocante sair na rua para pedir donativos. Agora, quando eles punham os pés para fora dos templos, havia uma dezena de turistas com máquinas fotográficas em punho para tirar fotos deles. Fiquei pensando em como isso deve ser estranho. Você é monge, está lá sossegado, fazendo as mesmas coisas que os monges fazem há centenas de anos e, de repente, você virou atração turística. Há um lado bom no turismo, os templos viraram patrimônio cultural da Unesco e estão sendo restaurados, a população local tem emprego e o turismo traz dinheiro. No entanto, fiquei pensando em como viajar está se tornando uma coisa vulgar. Uma coleção de fotos em álbuns, flickr, blogs, etc. Eu mesma não estou imune a isso. Entendo o Paul Bowles quando ele diz que viajar perdeu seu charme, virou uma coisa de massa e o contato com os "locais" transformou-se em barganha.
Será que ainda é possível "viajar" de verdade e não "fazer turismo"? Andar pelas ruas sem precisar tirar uma foto daquela senhora "pitoresca", sem consultar centenas de manuais, sem ter que comprar tudo? Procurar ser um elemento do cenário e não algo que o perturbe?
7 comentaram:
Oi, Karen
Estou de volta à São Paulo e de volta ao trabalho também; não é fácil, mas...
Sobre sermos turistas, acho que conseguiremos ser parte "daquilo" quando não julgarmos, em nenhum aspecto e forma. Observar e absorver somente.
Meu irmão vai para O Laos e Tailândia nas próximas semanas, se possível mando fotos.
Um abraço,
Adriana
Adriana, acho que é como o trecho de um poema do Fernando Pessoa de que gosto: "Viajar! perder países!/Ser outro constantemente/Por a alma não ter raízes/De viver de ver somente."
Pelo programa, deu para ver que o povo do Laos é muito acolhedor. Se der, mande fotos sim! Uma boa viagem para seu irmão!
Abraços,
Karen
Ahhh, eu adoro os países distantes! Acho que tenho um pouco de turista em todos os lugares, gosto de fotografar para compartilhar imagens (porque eu também sou "voyeur", adoro ver).
no tempo em que eu não tinha condições para fazer um cruzeiro marítimo, os mesmos eram atraentes, tinham um charme enorme! agora que qualquer um pode pagar uma viagem dessas, deixaram de ser algo interessante para se tornarem verdadeiros cortiços sobre as ondas!
Aline, para falar a verdade, eu nunca liguei muito em tirar fotos antes do blog. Engraçado isso.
Sonia, eu não sou contra a "democratização" do turismo, sou mais contra seu aspecto predatório, mas concordo com você, quando eu também não podia fazer um cruzeiro, ele me parecia muito mais charmoso...
Karen,
Francamente, acho que adentramos uma era que acabará por eliminar tudo o que é diferente, misterioso e, portanto, instigante. A tendência futura é a uniformidade e a mesmice (e, desse jeito, o mundo perderá muito da sua graça, humpf!).
Beijão e bom fim de semana
Infelizmente, acho que é isso mesmo.
Beijos e ótimo final de semana para você também!
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