4.8.10

Da novidade

Há milhões de anos atrás eu fiz uma prova oral de francês, um desses testes que dão certificados, e a pergunta que eu devia responder era: "Qual a melhor época da vida?".  Detesto responder a perguntas pessoais em ocasiões assim e já me dei mal em uma prova de final de semestre de alemão tentando responder às perguntas:  "Você pensa em ter filhos?", "O que pensa em fazer no futuro?" e a mulher ainda queria saber todos os porquês das minhas respostas. As perguntas eram capciosas para serem respondidas em português, imagine em alemão. No caso da pergunta em francês, por alguma razão, achei fácil de responder. Disse que, na minha opinião, era a juventude, porque era a época em que fazíamos os melhores amigos, porque estamos mais abertos às outras pessoas, porque tudo é sempre novo, etc.

Ainda penso assim. Juventude é um tempo de entrega total, para odiar e amar. Você ainda não precisa se dividir entre trabalho, família, responsabilidades. Pode ir lá ver os amigos, ficar de papo para ar  com eles, angustiar-se imaginando se a pessoa de que gosta corresponde aos seus sentimentos enquanto ouve músicas melosas, colocar pontos no mapa-múndi marcando os lugares nos quais vai botar os pés algum dia e tudo  parece possível, o mundo está aos seus pés.

Com o passar do tempo, você não abre a porta para qualquer um, o que tem seu lado bom e ruim, e o leque de possibilidades vai se restringindo conforme as decisões que toma, a profissão que escolhe. Não que não goste do período da vida em que estou agora. (Também não estou tão velha assim!). Ele tem suas boas descobertas, outras angústias, mas certas coisas são novas apenas uma vez e sinto saudades delas.

11 comentários:

Marly disse...

Eu também acho que o melhor período é o da juventude, por causa das muitas expectativas que alimentamos, e por aquele jeito fantasioso com que vemos o mundo. O tempo vai tratando de nos forçar a ver as coisas de forma mais aproximada ao que elas são realmente, e isso acaba com muito da graça, rsrs.

Beijão

Letrícia disse...

Tão bonito, o que você escreveu. Dá uma dor fininha no peito depois ler. Gosto especialmente desse trechinho: "certas coisas são novas apenas uma vez".

tatiane disse...

Depois de ler fiquei pensando na minha juventude, percebi que a identidade sempre foi cara pra mim, e essa época da vida sem saber direito quem eu era me trazia fortes angústias. Acho que não aproveitei bem a juventude para sonhar, fazer planos, mas todas as descobertas foram incríveis.

Quéroul disse...

não sei nem como, eu me sinto até que bem jovem hoje - é que eu sempre fui daquelas muito velhas, desde criança.
algumas coisas ficam mais óbvias: tô velha pra ser mochileira, mas mais por dor nas costas di que pela falta de espírito de aventura. :P

mas é bem verdade o que você disse: na juventude a gente se entrega mais, bem mais... :)

aline naomi disse...

Ahhhhhh, Karen, nem me fale! :)

Karen disse...

Marly, é verdade, as coisas perdem um pouco da magia conforme a gente amadurece.

Letrícia, quanto tempo! Espero que esteja bem! Estou certa de que ainda haverá várias coisas novas para experimentar. Estava meio nostálgica quando escrevi este post.

Tatiane, eu também tive meus problemas de identidade, até hoje ainda não sei bem quem sou, mas acho que "domestiquei" esse tipo de angústia.

Quéroul, pois é!

Aline, é a vida!

Quéroul disse...

nossa, gente. adorei aquele 'di que' que eu escrevi ali!
e nem foi de propósito.
tô arrasando no português. :D

Karen disse...

Quéroul, não se preocupe com isso! rs

Billy disse...

Olá Karen,

Também já me saíram perguntas assim em exames de línguas estrangeiras e o que faço é mentir descaradamente! Ninguém precisa de saber o que é que penso sobre esses assuntos e o examinador está ali para avaliar as minhas competências idiomáticas, não a maturidade da minha resposta. Está resolvido! :)

Beijinhos!

Karen disse...

Billy, eu sou péssima para mentir! Acho que me enrolaria ainda mais. rs Preciso "praticar" um pouco. ;)

Beijos!

kalina morena disse...

que texto lindo, simples, direto, claro e fluente. muito bom de ler, mesmo.
mas deve ter uma coisa que eu acho que fazer a vida inteira: arrumar outro servico pra fugir das obrigacoes principais e urgentes. eh assim: quando eu estava no mestrado nos estados unidos, muuuitas vezes eu senti um magnetismo incontrolavel pelos filmes na tv, especialmente nas semanas com prazos serios, parecia que era o filme mais importante do mundo, que aquela seria a unica oportunidade de ve-lo, e que se nao o fizesse jamais poderia faze-lo no futuro. (hehehe meu portugues ta de lascar hein)um exemplo desse fato eh o filme 'spartacus' com o irrestivel - alguem discorda? - Russel Crowe.
presentemente, nesse prezado instante e momento, precisamente 11.32hr do dia 12 de novembro de 2010, ca estou eu visitando esse blog Kafka na Praia, porque eh interessante mesmo o danado, ao inves de finalizar meus preparativos para uma reuniao de supervisao com minha orientadora, que sera aas 2 da tarde.
e assim sigo eu, lenta e enrolada, mas seguindo.
woody allen diz: "80% of success is showing up" e nessa fe eu sigo ass vezes, pela metade, mas com cara de quase tudo e insistindo na fe.
abraco grande Karen e como esse comentario ta parecendo um relatorio, vou transforma-lo em post no meu blog.