28.11.10

Tofu com carne moída


Receita adaptada de um programa de culinária da NHK. É uma receita clássica de carne com tofu no estilo chinês, mas a minha versão acabou não sendo nada fiel à original, pois há dois temperos que nunca consegui encontrar por aqui, o "tobanjan" e o "tenmenjan". Se não me engano, o primeiro é o que devia dar o apimentado e a cor avermelhada típica do prato, ele é feito à base de favas fermentadas e pimenta, o tenmenjan é mais adocicado e feito à base de trigo. Eles são preparados usando o mesmo processo do missô. Só sei o que li rapidamente por aí, pois não tenho a menor ideia do sabor de cada um. Para compensar a ausência do "tobanjan", adicionei um pouco de pimenta calabresa.

Uma vez até entrei em algumas lojas da Liberdade em busca do "tobanjan", talvez não tenha procurado direito na época ou não tenha cruzado com a pessoa certa para me indicar onde poderia encontrar o dito-cujo, mas voltei de mãos vazias. Se alguém souber onde posso encontrar pelo menos o "tobanjan",  por favor me diga, pois um dia pretendo comprá-lo.



Tofu com carne moída

1 tofu firme (acabei comprando o mais macio por engano, ele se desfez um pouco, mas nada comprometedor)
100 g de carne de porco moída (usei carne bovina)
1 c sopa de óleo

A
1/3 de uma cebolinha grossa fatiada
1 dente de alho picado
1 pedaço de gengibre picado (mais ou menos do tamanho de dente e alho)
1/2-1 c sopa de tobanjan
1 colher de sopa de tenmenjan

B
3/4 x de caldo de galinha (ou água)
1 1/2 c sopa de shoyu
2 c sopa de saquê
1/2 c chá de açúcar

C
1 c sopa de amido de milho
2 c sopa de água

Escorra a água do tofu, embrulhe com papel toalha e deixe assim por cerca de 20 minutos para diminuir ainda mais a quantidade líquido. Corte em cubos de 1,5 cm.

Em uma wok (ou uma panela funda), aqueça o óleo e refogue a carne moída. Quando a cor da carne mudar, adicione os temperos do item A. Misture e adicione os ingredientes do item B.

Quando levantar fervura, adicione o tofu, cozinhe por 1 min movimentando a panela para misturar tudo, se usar uma colher ou espátula, há mais chances do tofu se desfazer. Adicione o amido dissolvido na água devagar, em fio. Movimente um pouco a panela para misturar o amido ao molho e para que ele engrosse. Desligue e sirva com arroz.

25.11.10

Pudim leve de limão e iogurte


Também daqui.

É uma sobremesa leve e azedinha por causa do limão. Fiz com o verde mesmo, apesar da receita original  pedir o limão siciliano. E usei o iogurte no lugar do buttermilk (ele também pode ser substituído por uma mistura feita com 1 x de leite + 1 c sopa de vinagre ou suco de limão).



Pudim leve de limão e iogurte

3 ovos, claras e gemas separadas
3/4 x açúcar
1/3 x de farinha
1 pitada de sal
1-1/4x buttermilk (substituições possíveis: iogurte ou uma mistura feita com 1 x de leite + 1 c sopa de vinagre ou suco de limão)
2 c sopa manteiga derretida
1 c sopa de raspas de casca de limão
1/3 x de suco de limão

Bata as gemas com o açúcar até que a mistura fique esbranquiçada, adicione a farinha e o sal.

Junte o buttermilk, a manteiga, as raspas e suco de limão. 

Bata as claras em neve e junte 1/3 delas à mistura. Mexa com cuidado e adicione as claras restantes.

Espalhe a massa em um refratário com capacidade para 2 litros, coloque esse refratário sobre uma assadeira maior com água quente o suficiente para chegar até a metade da altura do refratário. 

Asse à 180C até que a superfície do pudim doure, cerca de 35 min. Retire o refratário da água, deixe esfriar  por cerca de 30 min.

24.11.10

Mononoke hime



Mononoke Hime (1997) é um anime do Hayo Miyazaki, o mesmo de A viagem de Chihiro  e O Castelo encantado. (Ponyo é o mais recente, mas ainda não vi). O enredo é "ecológico", ao estilo de Avatar, e trata da animosidade entre os espíritos da floresta e os seres humanos que querem destruí-la. Um rapaz  busca a cura para uma maldição que ameaça sua vida e acaba se envolvendo no conflito. Ele tenta intermediar uma conciliação entre os dois lados e, no processo, conhece uma garota misteriosa criada por lobos, a Princesa Mononoke. ("Mononoke" quer dizer algo como "assombração", "fantasma"). Ela luta ao lado dos guardiães da floresta e procura destruir um forte onde se produzem armas.

O desenho é bem arrastadão, convenci o O.  a assisti-lo comigo, mas ele acabou dando umas cochiladas. Não vi todos os animes do Miyazaki, mas dos que vi, até hoje nenhum bateu Tonari no Totoro (Meu vizinho Totoro). O enredo é super simples, mas os personagens são inesquecíveis. Tinha acabado de assistir ao desenho quando fui ao Japão. Um dia, encontrei meu pai para almoçar em Osaka e, logo na entrada do lugar que escolhemos para comer, havia uma mesa cheia de bichos de pelúcia do desenho, achei muito divertido. 

Comprei um Totoro no aeroporto na volta e ganhei um menor da Akemi. Nunca fui muito apegada a bichos de pelúcia, tive apenas um ursinho na vida, dado para alguém já há muito tempo, mas tenho um grande carinho pelos meus Totoros.


(Meus totoros)

23.11.10

Polenta assada com tomates


Descobri a polenta só depois de entrar na escola, onde ela era servida na hora da "merenda", não gostava muito não e até hoje não é um prato que me entusiasme muito. Entretanto, fiquei com vontade de experimentar esta receita do blog Nami-nami.  Achei o efeito dos tomates sobre a polenta mais firme muito bonito. A própria Pille escreve que o prato sozinho é meio sem graça e tenho que admitir que ela tem razão, mas é um bom acompanhamento para uma carne ou um frango com molho. 

Acho que diminuindo a espessura da camada de polenta e cobrindo com fatias de queijo e mais tomates, como se fosse uma "pizza", deve ficar uma delícia. Vou experimentar assim da próxima vez. A receita original não pede, mas polvilhei queijo ralado.



Polenta assada com tomates

1 litro de água
1c chá de sal
250 g de fubá ou milharina
2 c sopa de manteiga ou azeite + um pouco para untar
alguns tomates fatiados (não muito moles)
2 c sopa de alecrim ou orégano (ou tomilho) picado
Azeite para finalizar

Ferva a água em uma panela, tempere com sal. Adicione o fubá ou a milharina de uma só vez e misture vigorosamente. (Eu misturo tudo antes de levar ao fogo, acho mais difícil de empelotar). Adicione a manteiga ou azeite e deixe cozinhar em fogo baixo, mexendo regularmente, até que a polenta esteja cozida. (Leia as instruções da embalagem para ter uma ideia mais clara de quando a polenta está no ponto). 

Unte uma forma (cerca de 24x34cm) com manteiga ou azeite e espalha a polenta. Distribua as fatias de tomate sobre a polenta, pressionando-as um pouco. Polvilhe as ervas e derrame um fio de azeite sobre tudo para finalizar.

Asse à 220C, cerca de 20-25 min, até que a superfície da polenta doure e os tomates fiquem ligeiramente tostados nas bordas.

22.11.10

Dentro do ônibus VII

Eles sempre sobem no ônibus quando eu me levanto para descer. O filho entra primeiro e a mãe vem em seguida, já procurando um banco vazio para o garoto que tem problemas motores.  Estão indo ou voltando da escola, vejo pelo uniforme e pela mochila que a mãe carrega.

Às vezes, nós nos desencontramos e aí fico pensando se tudo está bem, se o menino foi para a escola e se o dia transcorreu sem incidentes. É um alívio revê-los. A mãe está sempre preocupada em não perder o filho de vista apesar do espaço limitado, o filho parece ignorar o que há ao redor, como todos os adolescentes.

Gostaria de sorrir para a mãe um dia desses, mas não sei se ela entenderia que meu sorriso é um aplauso silencioso.

21.11.10

Bolo quatro quartos



Receita de bolo clássica, a ideia é usar a mesma medida para quatro ingredientes principais: ovos, farinha, açúcar e manteiga. A receita que usei pede que se acrescente farinha com fermento, mas usei a farinha normal e adicionei a colher de chá de fermento em pó pedida. Já preparei uma receita semelhante do Cuisine sans souci na qual não se usa fermento, o bolo não cresce tanto, mas não achei que fazia tanta falta, já que ele é bem denso mesmo.

Usando esta receita como base é possível variar muito, ela é usada como base para um bolo de café e nozes que leva um glacê à base de manteiga no Kitchen Diaries do Nigel Slater. Ele só acrescentou 2 c. chá de grânulos de café instantâneo dissolvidos em 1 c sopa de água quente e pedaços de nozes à massa.

Outras versões interessantes seriam: adicionar cacau em pó ou raspas de limão ou laranja para dar um perfume diferente ao invés da baunilha. Ou dividir a massa para fazer um bolo mármore juntando machá ou cacau em pó a uma das partes.

É um bolo muito bom, acho meio pesado por causa da quantidade de manteiga, mas de vez em quando não faz mal, não é mesmo? Ótimo para acompanhar uma xícara de chá.


Bolo quatro quartos

3 ovos
175g de manteiga à temperatura ambiente
175g de farinha de trigo com fermento (usei a normal)
175g de açúcar
1 c chá de fermento em pó
1 c chá de essência de baunilha (ou raspas da casca de 1 limão)

Bata a manteiga com o açúcar até obter um creme esbranquiçado, bata os ovos juntos e adicione essa "omelete" pouco a pouco enquanto bate. Adicione a farinha misturada com o fermento e a essência de baunilha. Misture tudo com uma espátula com cuidado e coloque em uma forma untada e, preferencialmente, como fundo forrado com um pedaço de papel manteiga para que não grude. 

Asse em forno preaquecido à 180C por 45-50 min ou até que fique dourado. (Faça o teste do palito).

19.11.10

Shangai - Riichi Yokomitsu



Faz algum tempo que terminei o livro já comentado aqui. A história se passa em Shangai nos anos vinte/trinta e a cidade pode ser considerada a protagonista da história. Esta concentra-se em alguns expatriados japoneses que caminham pelas suas ruas ao lado dos riquixás, mendigos, crianças sujas, carcaças de animais expostas em bancadas pelos açougueiros e do Yangtzé, onde barcos descarregam mercadorias.

Há muitos estrangeiros na cidade, russos que fugiram da Revolução Comunista e  vivem como mendigos ou prostitutas, soldados indianos à serviço da Inglaterra, europeus que trabalham para as grandes companhias de seus respectivos países e os próprios japoneses como Sanki e Kouya, os personagens principais. Ambos estão sempre buscando algo indefinido em uma cidade cheia de contradições. Sanki espera a morte do marido da irmã de Koya, sua paixão de juventude e, quando isso finalmente ocorre, ele já não sabe mais  o que deve fazer. Para complicar, ele apaixona-se por uma chinesa, membro do movimento comunista, o que torna o romance impossível. Sanki também é amado por Osugi, uma jovem japonesa que trabalha para um banho turco e termina como prostituta após ser despedida.

Kouya, amigo de Sanki, é funcionário de uma madeireira, mas o que deseja mesmo é juntar dinheiro suficiente para especular na bolsa de valores e casar-se com uma japonesa que trabalha como dançarina/scort girl em um salão da cidade, só que ela sempre rejeita seus avanços.

A sensação é de que estão todos na expectativa de algo que mude suas vidas. E quando algo realmente grande ocorre - o partido comunista inicia uma série de rebeliões e greves de protesto contra a exploração das potências estrangeiras - tudo continua da mesma forma. A falta de comida, a miséria, as agressões, as mortes na rua e as greves aparecem mais como panos de fundo de suas tragédias pessoais.

O entulho flutuando nas águas do rio, um menino lambendo restos amassados de amendoim sobre a rua, as prostitutas procurando possíveis fregueses, estas são imagens que sempre retornam  à minha mente quando penso no romance.

Shangai é o único livro de Riichi Yokomitsu traduzido para o inglês que vi na Amazon, gostaria de ler a tradução algum dia para ver se entendi o grosso da história direito, pois achei o texto difícil, há muitas referências históricas e discussões políticas que não consegui acompanhar muito bem, mas é um livro bastante interessante pela descrição da cidade e de uma época.

16.11.10

Filé mignon ao molho de vinho e champignon


Da Dani da Casa de Farinha. Feita e repetida várias vezes. Não costumo usar temperos industrializados na cozinha, mas abro uma exceção para esta receita. A sopa de cebola dá um sabor muito bom ao molho e  o deixa mais encorpado. Vale a pena. Desta vez acabei não fritando a carne até que ela ficasse bem dourada, então o resultado ficou um pouco "pálido".



Filé mignon ao molho de vinho e champignon


1 peça de filé mignon de cerca de 1 kg
1 pacote sopa/creme de cebola
3 colheres de mostarda
1 copo de 200 ml de vinho branco seco
1 copo de 200 ml de água
4 colheres de sopa de molho Inglês
1 vidro pequeno de champignon laminado (usei os champignos inteiros desta vez)
Óleo para fritar


Amarre o filé inteiro e limpo e envolva todo ele na sopa de cebola. (Reserve o que sobrar da sopa de cebola para corrigir o tempero no final).

Frite o filé em óleo bem quente até ficar bem dourado e escuro. Escorra bem, deixe esfriar e leve para a geladeira.

Escorra a gordura toda passando por um filtro e aproveite o resíduo queimadinho da sopa de cebola devolvendo para a panela.

Misture aquela sobra da sopa de cebola reservada com a água, o vinho, o molho inglês, a mostarda e o champignon laminado e leve ao fogo até ferver e encorpar.

Retire o filé da geladeira, corte em fatias finas e junte ao molho.

Deixe ferver até engrossar o molho e reduzir de volume.

Sirva quente com salada, arroz branco e batata palha.

Obs: tenha um pacote extra de sopa de cebola, pode vir a calhar caso não sobre muito após besuntar a carne e deseje corrigir o tempero.

14.11.10

Batatas assadas recheadas


Vi entre um programa e outro na TV5. Trata-se de uma ideia, não propriamente de uma receita: lave e enxugue bem algumas batatas de tamanho médio, não muito grandes, pincele toda a superfície com óleo e asse por cerca de 1 hora sobre uma forma. (Teste com um palito).

Retire do forno, (não desligue), corte as batatas ao meio e retire o miolo cuidadosamente com uma colher. Trabalho nada simples, pois as batatas estão quentes, é recomendável não "escavar" demais, para não estragar as cascas. (Da próxima vez, acho que vou esperar as batatas esfriarem um pouco e preparar tudo com mais calma).

Coloque as "cascas" das batatas de volta no forno e, enquanto isso, prepare o recheio amassando a polpa da batata. Tempere com sal, pimenta e adicione o que tiver vontade: cream cheese ou requeijão, leite, salsinha, presunto ou bacon frito, cebolinha, queijo ralado, etc., enfim, o que tiver vontade, o ideal é  que fique com uma consistência de purê. Retire as cascas do forno, distribua o purê sobre elas e polvilhe com queijo ralado. Deixe gratinar um pouco e sirva. 

(Nota: se não quiser assar as batatas, elas podem ser cozidas inteiras em água, leva menos tempo. Ou ainda, como lembrou a Quéroul, também é possível cortar as batatas ao meio e levar ao microondas por alguns minutos).

11.11.10

Kedgeree de salmão


Receita absolutamente deliciosa e com "sustância", um arroz com gostinho de curry acompanhado de salmão e ovos cozidos. Li que o kedgeree tem origem indiana e foi muito popular na Inglaterra como prato servido no café da manhã no século XIX. Devia dar para começar o dia com bastante energia...




Kedgeree de salmão

227g de filé de salmão sem pele e sem espinhas
1 c chá (5ml) de  óleo
sal e pimenta a gosto

1 c sopa (15ml) de óleo
1 cebola pequena picada
2 c chá de gengibre descascado e picado
2 c chá de curry em pó
1/4 c chá de açafrão da terra (cúrcuma)
3 vagens de cardamomo amassadas (opcional)
1 folha de louro
2 x de arroz basmati
1-1/2 x (375ml) de caldo de frango (usei água)
1 x de ervilhas congeladas
2 c sopa de coentro picado (ou salsinha)
5 ovos cozidos cortados em quatro

Coloque o salmão em uma assadeira untada com óleo, pincele a sua superfície com o óleo restante, polvilhe  sal e pimenta e asse à 200C até que a carne cozinhe, cerca de 20 min. Desfaça o salmão em pedaços de cerca de 5cm e reserve.

Enquanto isso, aqueça o óleo em uma panela e refogue a cebola até que fique macia e doure, cerca de 8 min. Adicione o gengibre, o curry, o açafrão da terra, o cardamomo, a folha de louro e tempere com sal e pimenta a gosto. Cozinhe por cerca de 30 segundos. Adicione o arroz, misture e cozinhe por cerca de 1 min. Adicione o caldo de frango (ou água), espere ferver, reduza a temperatura, cubra e cozinhe em fogo baixo até que arroz fique macio e o líquido tenha sido absorvido, cerca de 20 min. Retire do fogo. Adicione as ervilhas e o coentro, misture e deixe descansar, com a panela tampada, por cerca de 2 min. Descarte a folha de louro.

Adicione o salmão e misture delicadamente. Transfira para um prato e distribua os ovos cozidos por cima.


10.11.10

Julie & Julia


Vi Julie e Julia há algum tempo. Acho que todos aqueles que frequentam os blogs de culinária conhecem o filme e seus personagens, não é mesmo? Julia é Julia Child, uma das autoras de "Dominando a arte da cozinha francesa", um livro de culinária que ficou muito famoso nos EUA nos anos 60. Ela era casada com um membro do corpo diplomático americano e viveu alguns anos na França, onde estudou na renomada escola de culinária "Le cordon Bleu", seu livro foi responsável por introduzir a culinária francesa no país ianque.

Julie é Julie Powell, secretária que ficou famosa após escrever um blog no qual se propunha a preparar todas as receitas do livro de Julia Child (mencionado acima) no prazo de um ano. O blog virou livro em 2005 e, finalmente, um filme que mescla cenas com a história de Julia Child e as experiências de Julie Powell com seu "projeto" culinário. Apesar de separadas pelo tempo, há alguns pontos em comum entre as duas mulheres. Para começar, ambas são casadas com homens muito compreensivos que observam pacientemente os momentos de crises existenciais de suas esposas. Julia encontra sua vocação na cozinha e dedica vários anos ao livro que consegue publicar após grandes esforços. Julia tem um emprego de que não gosta, sente-se mal por não ser bem sucedida como as amigas, mas a sua sorte muda quando o blog começa a fazer sucesso.

Acho que os autores de blog devem ter se identificado com a Julie, com a sua ansiedade em saber se há alguém "lá fora" lendo o que ela escreve. Isso é bastante verdadeiro, ao menos para mim. Por mais que digamos que escrevemos para nós mesmos, ter um blog é lançar uma garrafa com uma mensagem ao mar, um ato envolto em uma expectativa: a de que alguém a encontre algum dia.

Sem dúvida, a Julia Child é a pessoa mais interessante do filme, ela se casou aos 40 anos, acabou não tendo filhos, adorava comer e tinha uma personalidade divertida e excêntrica. O sucesso chegou bem tarde e ela viveu mais de noventa anos.

O filme tem lá a sua graça. Eu nunca preparei uma receita da Julia Child e só soube algo sobre ela quando notei que havia um certo alvoroço entre os blogs de culinária quando o filme foi lançado. 

Lá pelas tantas, O. virou-se e disse algo como: "Esse filme só confirma que não adianta nada os maridos dizerem para as esposas que elas são lindas, inteligentes, talentosas e que não precisam provar nada para ninguém, porque elas sempre nos ignoram, não é mesmo?".

Que poderia dizer?

8.11.10

Baguette


Como é possível ver, a baguette mesmo está só no nome, apesar das instruções para moldar os pães constarem da receita, eu amassei tudo na máquina e espalhei a massa na forma da melhor  maneira que minhas limitadas habilidades permitiam. Estava com preguiça de trabalhá-la e a pia e a mesa estavam ocupadas. O resultado foi um pão informe, mas o sabor e a textura ficaram muito bons.




Baguette

1 x de água
2 1/2 x de farinha
1 c sopa de açúcar
1 c chá de sal
1 1/2 c chá de fermento biológico 
1 gema
1 c sopa de água

Coloque os ingredientes na máquina na ordem indicada pelo fabricante. Selecione o ciclo que costuma usar  para sovar a massa.

Depois de completado o ciclo, abra a massa em um retângulo de cerca de 40x30cm. Corte ao meio, formando dois retângulos de 20x30cm e enrole cada um deles começando pelo lado mais largo retirando as bolhas de ar enquanto faz isso. Faça movimentos de vai-e-vem para afunilar as pontas. Coloque as baguettes sobre uma forma untada com óleo com cerca de 8 cm entre elas. Faça cortes diagonais sobre a massa ou um longo corte no sentido do comprimento. Cubra e deixe crescer por cerca de 30-40 min, até dobrar de volume.

Pincele as baguettes com a mistura de gema e água e asse em forno preaquecido à 190C.

7.11.10

Algo que não estava na lista


 Isto não estava na minha lista das "100 coisas para fazer antes de morrer", mas talvez esteja na de alguns marmanjos. Como fui parar lá? O. se inscreveu em um concurso,  desses em que  você se inscreve por se inscrever, esqueceu, e surpresa, ganhou! O prêmio era ir ver o GP de fórmula 1 com tratamento "vip", traslado de porta a porta e arquibancada coberta com bufê na parte debaixo. Foi um programa que eu não escolheria de livre e espontânea vontade, mas foi uma "experiência".

É preciso usar um protetor auricular devido ao barulho dos motores e, como ficamos na frente da reta dos boxes, perto da largada, víamos  apenas algo passando na pista e desaparecendo, a velocidade é muito alta, pela televisão você não tem tanta noção disso. Na verdade, víamos mais por meio das telas instaladas na arquibancada. A corrida foi bem sem graça, não houve nada emocionante, mas pelo menos o tempo colaborou.

Agora é esperar pela mega-sena! :)


nem dava para ver os carros com tanta gente na pista

5.11.10

Mandioca "frita" no forno


(Retornamos à programação normal após um intervalo portenho.)

Adoro mandioca frita, odeio encher uma frigideira com óleo para prepará-la. Solução? Cozinho a mandioca descascada e cortada em pedaços até que fique bem macia, escorro bem, coloco sobre uma assadeira, tempero com um pouco de sal e adiciono um fio de óleo de canola, o suficiente para envolver todos os pedaços, misturo com as mãos, espalho os pedaços para que não fiquem uns sobre os outros e levo para assar. Deixo dourar de um lado e viro para dourar um pouco do outro. (A mandioca feita assim costuma grudar na assadeira, mas depois que a parte debaixo doura, fica mais fácil passar uma espátula para soltar os pedaços e virá-los).

Não fica idêntica à frita, fritura é sempre imbativalmente gostosa, mas mata a vontade sem sujeira e cheiro de óleo. Sempre tenho mandioca cozida na geladeira e preparo assim.


Chá, café, sorvetes, etc. - Buenos Aires

Alfajor e doce de leite são duas guloseimas pelas quais a Argentina é conhecida, mas também são duas guloseimas que não me atraem muito. Não sou muito fã de coisas muito doces. Há lojas da Havanna em todos os lugares e você também encontra alfajores de várias marcas diferentes vendidas individualmente em qualquer mercearia. Infelizmente, não fiz provas destes. Experimentei um alfajor de maicena que vimos na vitrine de uma doceria (há várias vitrines tentadoras pelas ruas), ele era feito com duas bolachas enormes, tipo sequilhos, e um recheio de doce de leite. Como já deveria ter previsto, ele era muito seco. Para presentear, os Havanna são os melhores, pois vêm em caixinhas e custam a metade do que custam aqui. As marcas vendidas nos supermercados estão mais em conta, mas as embalagens são mais simples.

Uma das razões para ter feito a reserva para o chá no Alvear, foi para provar o chá da Tealosophy, uma loja sobre a qual tinha lido antes de viajar. Como escrevi, o chá foi uma das melhores coisas daquela tarde. A loja da Tealosophy fica em uma galeria bem ao lado do Alvear e demos uma passada por lá depois de sairmos do afternoon tea. É uma loja minúscula com apenas uma vendedora, esperamos os dois fregueses que chegaram antes de nós serem atendidos para podermos entrar, porque praticamente não havia espaço para mais gente lá dentro. Aquela foi a primeira vez em que escolhi os chás pelo seu aroma, a vendedora pergunta qual o estilo do chá que procuramos - floral, defumado, verde, preto, com frutas, etc. - e abre as tampas dos grandes latões distribuídos nas prateleiras para que sintamos o aroma dos chás. Aquilo foi uma revelação para mim. Minha vontade era pedir para ela abrir todas as latas para sentir as variações e nuances de aromas. Fiquei fascinada. Os chás, depois de preparados, mantêm aquele perfume todo de uma forma sutil. A Inés Berton, proprietária das lojas e criadoras dos blends, é uma artista. (E cobra pelos chás como tal. Compramos apenas alguns tipos para trazer, pois os preços são meio altos).

Li que uma loja Tealosophy seria aberta em SP, mas não sei quando isso irá acontecer. Depois dessa experiência, fiquei com vontade de conhecer a Loja do chá, a coisa mais próxima da Tealosophy por estas bandas.



Ainda no departamento de bebidas, como apreciadores de um bom café, fizemos pesquisas sobre onde poderíamos encontrar grãos diferenciados em Buenos Aires e chegamos no Establecimiento General de café. Há várias lojas na cidade e elas funcionam como cafés, obviamente, e também têm um espaço para venda de grãos/café moído pelo peso. Compramos um pouco de grãos de um café da Costa Rica para provar. Gostei da loja, deveríamos ter parado lá outras vezes para provar a bebida ou para fazer uma refeição. Vi que eles servem pratos que parecem muito apetitosos. Quase pulei em cima do que me pareceu ser uma torta salgada que o garçom levava para uma mesa.



Por fim, faltou falar dos helados portenhos. Há várias sorveterias espalhadas pela cidade, mas acabei provando apenas o sorvete do Un'altra volta no últmo dia de viagem. As lojas do Volta e do Freddo, outra rede, são grandes e, ao menos a primeira, também funciona como café. Vi algumas pessoas comendo tostadas quando entramos. Pedi um "vaso chico", que interpretei ser um "copo pequeno", mas depois fiquei me perguntando se um "copo para crianças" não seria uma tradução mais exata, porque eles eram pequeninos. Paguei $ 14, uns R$ 7, não era barato. Quando o atendente se postou diante de nós com aquela casquinha de waffle diminuta e perguntou quais os sabores que desejávamos, podiam ser dois, não acreditei que seria possível colocar muito sorvete sobre ela, mas foi. O problema era ter que comer o mais rápido possível para que o sorvete não fosse todo para nossas mãos e para o chão. Deveria ter perguntado se não havia copos de plástico. Era impossível tirar uma foto daquele jeito. Pedi banana e doce de leite e o O. foi de chocolate branco. Veredito, muito bom, fica entre o Parmalat e o Hagen Daz. Seriam necessários vários dias para experimentar todos os sabores e as outras sorveterias.


4.11.10

Puerto Madero - Buenos Aires


Puerto Madero é um pedaço moderno e "novo em folha" de Buenos Aires. O taxista que me levou até lá era muito simpático. Não sei se ele "sacou" que eu era brasileira, como sou oriental, talvez ele tenha ficado em dúvida, pois falava bem devagar enquanto eu resgatava meu espanhol das profundezas de um curso básico feito na adolescência. Ele foi me dizendo que Puerto Madero era um lugar seguro e um ótimo ponto para contemplar o pôr-do-sol, explicou que havia hotéis famosos ali e que os ônibus não entravam na área.  Ele me mostrou a Casa Rosada, que fica bem perto de Puerto Madero e apontou onde deveria atravessar a rua para chegar até a Ponte da Mulher (acima, na foto). Foi bacana mesmo. Pena não ter perguntado seu nome.



Não atravessei a ponte para ver o que havia do outro lado nem caminhei  muito ao longo do rio para ver onde ele iria dar. Havia muitos turistas. As antigas docas viraram escritórios, lojas e cafés onde você pode parar para fazer um lanche ou simplesmente descansar contemplanto o rio e os prédios reluzentes. Li que a fragata da foto está aberta à visitação, mas não entrei, havia um grupo escolar barulhento na frente dela.

Passei por lá para "sentir" o clima de Puerto Madero. Depois de fazer isso, atravessei algumas avenidas e fui ver a famosa Casa Rosada. Passei ao seu lado, mas não tive coragem de parar e tirar uma foto, todos andavam com passos apertados na calçada e seguravam as bolsas junto ao corpo e fiquei receosa de fazer aquilo. Entrei na catedral  na frente da Plaza de Mayo. Ela era enorme e com várias estátuas de santos, mas achei o lugar lúgubre e com cheiro de inseticida. Também havia uma placa com os dizeres "Cuide de seus pertences" na entrada. Nada tranquilizante. Sei lá, não me sentia muito à vontade naquela parte da cidade.

A pizza da esquina - Buenos Aires


Não consigo lembrar qual era o nome do lugar que servia pizzas e empanadas em uma esquina perto do hotel, no cruzamento da Junin com a Peña, mas ele ficava aberto praticamente o dia inteiro e sempre havia gente tomando cerveja e comendo algo nas mesas do lado de fora e lá dentro. Resolvemos jantar ali na terceira noite, tinha feito reserva em um restaurante, mas liguei para cancelar, estávamos com preguiça.

Era um misto de pizzaria e barzinho bem agradável. O. pediu uma pizza de mussarela e eu fui de empanadas, pedi duas, uma de carne picante e outra de "verdura", elas eram feitas com massa de pizza e assadas. Cada uma custava $ 4,50. A de carne picante era muito boa, tinha uma ponta de curry, e a de verdura devia ser feita com escarola. Como ainda sobrou um espaço no estômago, pedi mais duas, uma de carne normal e outra de queijo com presunto. Comi a de carne, mas a outra vinha com muito queijo e a massa acabou ficando mole por causa disso, acabei não comendo tudo. O. gostou da pizza, eu não provei. Pedi uma daquelas garrafas pequenas de vinho só para provar porque ela era mais barata do que o suco de laranja do O., esqueci  qual o nome do produtor, mas o vinho era sofrível. 

Foi uma boa refeição em uma rua tranquila da Recoleta. Vou sentir saudades das empanadas...

2.11.10

Jardim japonês - Buenos Aires


Depois de passar pelo Rosedal, fui procurar pelo Jardim Japonês. No mapa, ele parecia muito próximo, segui pela Av. Figueroa Alcorta, fui andando, andando, após algum tempo, achei que algo estava errado, parei em uma banca de jornais para perguntar e tive que voltar duas quadras, ele ficava um pouco escondido em uma rua paralela à avenida. Paguei $ 8 no portão e entrei.


Há um lago com carpas no meio do jardim. O lugar é bonito, bastante tranquilo. Não consegui tirar uma foto da ponte vermelha vazia porque os turistas adoram tirar fotos sobre ela. A um canto do jardim, há uma grande construção onde funciona uma casa de chá e onde sempre há exposições, mostras de filmes ou algum outro tipo de evento. Dá para ver a programação aqui.


Antes de sair, passei pela "lojinha de souvenirs" que ficava perto da entrada e tirei um omikuji. É um tipo de "leitura de sorte" comum nas lojas que vendem objetos de proteção nos templos japoneses. Você chacoalha um recipiente com várias varetas numeradas, retira uma delas por meio de um buraquinho e recebe um papel com as previsões correspondente ao número da vareta.

Fiquei com uma pulga atrás da orelha em relação ao sistema do omikuji do Jardim Japonês. Retirei minha vareta e os números estavam em japonês, como consigo lê-los, disse qual era o meu para a vendedora. Ela já estava com uma caixa com as previsões sobre a mesa e disse que eu poderia retirar qualquer papel que quisesse de um fileira inteira. Até onde me lembre, elas não estavam numeradas e a caixa era muito pequena para conter todas as 100 previsões que dizem ser possíveis no omikuji tradicional. Paguei $ 5 pela brincadeira.


Bem, tirar a sorte é tirar a sorte e, mesmo que a parte das varetas tenha sido mera formalidade, até que minha "sorte" foi bem "honesta". Tirei "uma pequena sorte". Não me lembro de ter tirado uma "grande sorte" algum dia, mas também nunca tirei uma "má sorte".



"Deverá esforçar-se mais". Ah, isso é tão verdadeiro!


As pessoas podem levar o papel com as previsões para casa se elas forem boas, ou podem deixar as más nos templos. Eu sempre deixei as minhas amarradas com as demais. Estava fazendo isso quando uma mulher se aproximou e perguntou: "Puedo coger uno?". Eu me voltei e perguntei se ela brasileira, pois era fácil reconhecer o sotaque. Ela fez uma cara de "Nossa, mais uma brasileira!" e eu expliquei que os papéis que estavam ali não podiam ser retirados e de como o omikuji funcionava. Não sei se ela se interessou, mas vi quando entrou na loja. Português era a língua mais comum ali dentro.
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Rosedal - Buenos Aires


Aqui começam os programas sem a participação do O., depois de algumas caminhadas a contragosto e várias taças de vinho, ele preferia um programa mais "relaxado", assim, eu fui visitar alguns lugares sozinha. Ele diz que eu pareço um "diabo da Tasmânia que escapou de uma jaula" quando viajo, mas eu diria que sou mais metódica do que isso. Gosto de marcar os pontos por onde pretendo passar em um mapa e marcho na direção deles, inexoravelmente. O. já prefere ver as coisas na medida em que  precisamos sair para comer  ou quando temos uma programação mais específica, sem o desespero de querer ver tudo de uma vez só. Temos afinidades em muitas áreas, mas estilo de viagem não é uma delas.

O Rosedal fica na região dos parques de Palermo, uma das áreas mais bonitas da cidade com avenidas largas e bem cuidadas.



Dei muita sorte, pois o Rosedal estava florido. Se morasse na região, terminaria minhas caminhadas sempre ali. Ou me sentaria em um banco e ficaria lendo perto das roseiras pela manhã  e finais de tarde. Havia um cartaz anunciando concertos feitos lá dentro, deve ser algo estupendo.



Este trecho com os caramanchões de rosas trepadeiras é uma graça.


O Rosedal propriamente dito ocupa um trecho de um parque com chafarizes e lago. Se estiver em Buenos Aires quando ele estiver florido, não deixe de ir.


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1.11.10

Paraje Arevalo - Buenos Aires


Acho que este foi o último restaurante em que fizemos uma refeição antes que eu desistisse da minha lista. E também o mais controverso. Ele fica em Palermo Hollywood, consideravelmente afastado de onde estava hospedada. Saimos lá pelas dez e fomos ver o Shopping Abasto, quer dizer, fomos procurar algo que O. queria (e que não foi encontrado). Há um traslado gratuito, basta ligar para o número que consta no site do shopping e dizer o nome do hotel em que você está para que uma van vá buscá-lo. Como havia um papel com os dizeres "La proprina es apreciada" em um canto do veículo, demos uma gorjeta para o motorista.

O shopping estava vazio, não andamos muito lá dentro, mas li que ele era um antigo mercado que virou shopping após ser comprado pelo George Soros. Saímos de táxi e nos dirigimos para o restaurante, tinha feito reserva para o meio-dia, mas, como já escrevi, na primeira meia hora após a abertura, os restaurantes estão às moscas, o que torna as reservas supérfluas.

Falei qual era o endereço e o taxista foi seguindo por uma rua que cruzava com aquela onde o restaurante se localizava. Bastava seguir reto que íamos dar no restaurante, mas descobrimos que havia uma mudança de mão pelo caminho. Quando isso ocorreu, perguntei para o taxista se o restaurante ficava muito distante e ele fez um gesto aberto a muitas interpretações e que eu julguei ser "fica lá do outro lado do quarteirão", preferi descer ali e continuar andando, mas o que o homem não disse era que o "outro lado" era o outro lado de uma via férrea, de uma avenida e mais cinco quarteirões.

Deveria ter tido a presença de espírito de abrir o mapa e ver exatamente onde estávamos. Como não fiz isso, caminhamos e caminhamos debaixo do sol. Para completar, depois li que as autoridades não recomendavam que as pessoas atravessassem aquele trecho da via férrea e da avenida nem de dia nem de noite porque havia muitos roubos no local. o.O

Mais uma vez, éramos os primeiros fregueses. O Paraje Arevalo fica em uma esquina e tem o ambiente de um bistrô francês. Móveis com ar antigo, duas bicicletas "retrô" encostadas nas paredes e grandes janelas. Um ambiente bastante acolhedor e simpático. Eles servem menus com vários "passos", o de três, escolhido por nós, custava $ 70, uns R$ 30, e incluía entrada, principal e sobremesa. Há um outro menu com seis passos (se não me engano) que custava $ 100, mas achamos que não aguentariamos. Bebemos água.



Como couvert, havia pães fininhos e tostados e manteiga com azeite e sal, os pães fininhos depois foram substituídos por algo que parecia uma massa de pizza. Ambos estavam bons, bem quentinhos.

A entrada poderia ser uma salada com mussarela de búfala temperada com pesto, o que escolhemos, ou algo feito com ovos. Como prato principal, havia bucatini com molho à bolonhesa e bife de quadril (não sei a que corte corresponde aqui) e purê de abóbora, este foi o escolhido por mim, O. ficou com a massa.


De sobremesa, havia morangos com  granita de hortelã e um tipo de bolo mousse de chocolate. O. ficou com o primeiro e eu com o segundo.


É aqui que começa a controvérsia. A quantidade de comida é boa, não passamos fome. A salada estava gostosa, a carne estava com boa cocção (poderia até ser menos passada para mim). O. disse que a massa estava cozida no ponto certo. Mas sabe aquela história do "elefante que pariu um rato"? (Ou será que foi a montanha?). Sei que os pratos ficaram abaixo de nossas expectativas. Eles eram apenas corretos, sem mais.

O. não gostou da sobremesa, eram morangos fatiados com um tipo de "raspadinha", se não me engano, à base de hortelã com umas florezinhas. Meu bolo estava bom, mas poderia ser mais macio, com uma textura mais próxima à de uma mousse e também um pouco mais doce.

Tinha lido as críticas no Guia Óleo e elas eram muito variadas, vão desde os que adoram o lugar, a grande maioria, àqueles que o detestaram. Eu fico em um meio termo, mas acho que não voltaria a comer ali. Uma pessoa escreveu, indignada, que pediu o menu de seis passos e recebeu um pedaço de abóbora com uma fatia de queijo como entrada. Eu entendo o que o chef deseja oferecer, mas isso não funciona com todos.

Escolhi o lugar para ver qual era a do restaurante e também para conhecer aquele pedaço de Buenos Aires. O que achei? Vi pouco, atravessamos um pedaço de Palermo Soho de táxi e andamos por um pedaço de Palermo Hollywood. A parte de Parlemo mais afastada dos parques. A principal diferença com o resto da cidade é que não há prédios, ou muito poucos. É como se caminhássemos por um bairro tranquilo e arborizado onde há apenas casas. Aqui e ali havia alguns bares e restaurantes. Não sei se me hospedaria naquela área, talvez seja mais interessante para ir comer ou beber algo no final da tarde.

(Nota sobre o restaurante: pagamento só em dinheiro, há vários lugares que não aceitam cartão de crédito, informe-se antes).