25.4.11

Das posses

A limpeza anual da edícula sempre me faz refletir sobre a falta de sentido de acumular coisas. De vez em quando consigo convencer o O. a se desfazer de algo, a doar algumas revistas para a biblioteca ou para a escola local, mas é difícil, como é difícil! Ele diz que ainda vai ler todas as revistas e jornais amarelados que estão por lá, ou argumenta que poderá precisar de um artigo no futuro. Sei...

Na NHK há um programa de discussões sobre livros que assisto de vez em quando, há  sempre dois apresentadores e três convidados de áreas diversas. Cada um dos convidados apresenta três livros e um deles deve ser lido por todos os demais para ser comentado. (Acho muito interessante, mas isso nunca funcionaria por aqui, afinal, a pessoa teria que ter lido pelo menos os seus três livros mais os dois dos outros convidados). Certa vez um dos convidados era um homem que escrevia sobre suas explorações em lugares isolados:  florestas, desertos, polos. Ele comentou que costumava levar uns vinte livros para se distrair durante as viagens e que os queimava quando terminava de lê-los. A explicação foi que o peso que ele tinha que carregar ia diminuindo e os livros também serviam como combustível. O ideal seria dar os livros para alguém, mas quem leria livros em japonês no Alasca? Achei a solução perfeita, ele nem produzia lixo.

Nunca sonhei em ter uma biblioteca, acho interessante entrar em uma casa e ver os títulos na estante, mas livros são para ser lidos, não possuídos. Tento ler tudo o que compro e não me importo em me desfazer do que sei que não lerei mais. Gosto de conservar alguns títulos de que gostei, obras de um determinado autor e livros de referência (dicionários, enciclopédias, etc.),  mas não tudo. 
 
Enfim, preciso convencer o O. de que a vida pode ser mais leve.




9 comentários:

Anônimo disse...

Bah, grande coincidência, tirei este feriado para fazer a tão protelada limpeza das estantes do escritório, e motivado por um programa que passa no Discovery Home&Health, ACUMULADORES, muito instrutivo por sinal, resolvi eliminar tudo aquilo que não tinha uma utilidade real e imediata, ou que pelo passar dos anos se tornou obsoleto, servindo apenas como objeto de referência a um passado distante, então, bem convicto, lá fui eu por cabo a tão grandiosa tarefa, devo confessar, é difícil, mas consegui, foram muitos e muitos livros para doação, revistas, apostilas, etc, e no embalo fui mais fundo do que esperava e acabei por me livrar de coisas que insistiam em ficar em caixas empoeiradas, disquetes, cds velhos, tickets de viagens, cartões, souvenirs e toda ordem de tralhas acumuladas em anos, ufa, finalmente consegui abrir mão, contudo apareceu aquela sensação dual de perda e liberdade, parece que abri mão de minhas memórias, de coisas que me ligavam há um certo tempo e espaço, e ao mesmo tempo trouxe uma leveza em saber que a importância não está nas coisas, e afinal, hoje tem o google.
Rogério Macagnan

Karen disse...

Rogério, acho que os homens guardam mais coisas do que as mulheres, meu marido tem livros e objetos que nunca mais vai usar, mas insiste em guardar.

Enquanto isso, eu sempre senti a necessidade de sentar e selecionar aquilo que desejava que continuasse comigo e de me desfazer do resto.

Letrícia disse...

Estou precisando tanto fazer isso... quando passo muito tempo sem fazer essa limpeza de coisas acumuladas, sinto que eu toda fico mais pesada. E, enquanto cumpro esse ritual de analisar os objetos que ainda quero na minha casa e aquilo que quero deixar para trás, faço o mesmo em relação a ideias, conceitos e pessoas da minha vida.

Ultimamente tenho tido dificuldade de arrumar até mesmo uma gavetinha. Enfim.

Beijos!

Karen disse...

Letrícia, eu também vejo essa limpeza como algo terapêutico. Queria me livrar de muita coisa de uma só vez, mas tem sido aos pouquinhos...

Marly disse...

Aiaiai, tocou no meu ponto fraco. Eu tenho zilhões de livros e já fui cobrada até por minha filha (que está se formando em arquitetura, e não se conforma com o entulhamento provocado pelas estantes no meu quarto) no sentido de me desfazer deles, e não consigo! Nunca me achei uma acumuladora, nem tampouco alguém ligada a posses materiais, mas, agora, na meia idade, não tenho conseguido me desfazer facilmente dos meus livros. Isto talvez tenha algo a ver com o fato de eu ter perdido muitos livros, que emprestei e não me foram devolvidos. Também me apeguei grandemente aos meus 'cacarecos' de cozinha. Quanto ao resto não tô nem aí e não gosto de 'coisaida' em minha casa, rsrs.

Sandra Reis disse...

Olá

Acabei de descobrir seu blog, adorei as fotos, os textos, as receitas...passei a ser sua seguidora.
Queria te convidar a conhecer o meu também, quando tiver um tempinho
http://massalanovamente.blogspot.com/
beijos e parabéns pelo seu lindo espaço!

Anônimo disse...

Bah, de novo as coincidências, hehe, abri um blog que costumo ler e lá está, uma descriçãozinha de como menos é mais, e começa com um texto do Dalai Lama:
"It seems that if you have little in life, you have little to worry about. If you have much, it seems you have much to lose" - 10 Questions for the Dalai Lama
http://www.zerowastehome.blogspot.com/

Karen disse...

Marly, meu marido não empresta nem dá os livros dele. Reclamo mais porque sou eu quem limpa. rs

Sandra, obrigada pela visita! Vou lá dar uma olhada sim!

Rogério(?), ah, esses sinais... rs

aline naomi disse...

Preciso fazer essa limpeza, mas no meu quarto da casa dos meus pais. Preciso ver os livros que não serão mais úteis, que sei que não vou reler e deixá-los ir. Sempre penso que o ideal seria que tudo que preciso caiba em uma mochila de mochileiro (60 litros?) e pronto. Sem acúmulos desnecessários.