22.6.11

Dos estados de espírito

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Há dias em que chegamos em casa e a velha sensação de segurança e familiaridade é bem-vinda após uma série de atribulações. A toalha de mesa ainda com algumas migalhas do pão comido às pressas pela manhã, a louça por lavar, tudo isso é reconfortante. Resta tomar um banho para apagar os vestígios do mundo lá fora, beliscar alguma coisa e assistir televisão.

Também há aqueles dias em que chegamos em casa e as migalhas de pão sobre a mesa e a louça por lavar são uma afronta. Todas as pequenas coisas familiares nos irritam mais do que reconfortam, nada está certo, parece haver apenas defeitos em nosso mundo.

Há dias assim.

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11 comentários:

kalina morena disse...

muito muito massa essa sintede dos estados do espirito, o mesmo espirito, frente aa mesma migalha de pao.
oh vida!
inspirada a senhora hoje, hein!

Macagnan disse...

Pois é, ora sentir amor, ora repulsa por algo que te é familiar, apesar de estranho, é até meio normal, nem sempre as coisas das quais gostamos nos agradam, e isso é até bom, nos faz experimentar novos 'sabores', e são, ao meu ver, esses pequenos desvios no caminho que fazem a rotina não ser tão rotina, mesmo quando o que nos impulsiona a mudar o olhar seja um sentimento ruim, uma irritação, um tédio; normal, faz parte do dia a dia; mas o que me desconserta, e isso não consigo levar na boa é quando chego em casa, olho as coisas não importando como estão e não me vejo nelas, na casa/lar não há reminiscências de mim, me sinto um estranho no meu mundo, o sofá já não é confortável, a tv não tem nada, a geladeira cheia de coisas que não me apetecem, esse não é meu lugar, um quarto de hotel em viagem de trabalho, um vazio toma conta, sento num canto, olhar fixo na parede branca, um pensamento que se repete, 'tudo é só isso?', já sei que vai ser difícil dormir nessa noite, tomo um chá de cidreira.

Karen disse...

Kalina, questão de estado de espírito. rs

Rogério, tenho sentido isso quando viajo, a cama que não é minha, a televisão sem meus programas gravados, o barulho dos outros quartos. Aí também não durmo mesmo.

Dahiane disse...

O melhor lugar do mundo é a nossa casa. Mesmo que mtas vezes sentimos vontade de fugir de tudo ou simplesmente mudar de ares. Muitas vezes qdo estamos longes queremos estar em casa e qdo estamos em casa às vezes queremos estar longe. É um tanto confuso até de explicar. Faz parte e realmente "há dias assim".

Sandra Reis disse...

É mesmo, está tudo aí para provar que o que vale mesmo é nossa atitude interna perante os fatos e coisas do mundo.
Adorei o post!

beijos

Andrea Pires Magnanelli disse...

há dias assim. principalmente em vésperas de feriado. Que não queremos irritação. E sim, tranquilidade.

Karen disse...

Dahiane, isso ocorre comigo com frequência, faz parte da vida...:)

Sandra, faço minhas as suas palavras!

Andrea, nem me fale, problemas sem resolução em vésperas de feriado são o fim, especialmente quando eles não dependem de uma ação sua.

Anônimo disse...

concordo com os colegas acima, de que não tem lugar melhor que o nosso "canto". E como dizia Akira Kurosawa, a rotina também tem seu encanto.
madoka

Karen disse...

Madoka, antigamente achava um barato a ideia de não ter um teto fixo, mas agora, penso de modo diferente. De vez em quando a rotina me cansa, outras, sinto falta... Vai entender... rs

Anônimo disse...

eu te entendo perfeitamente, me lembrei do Caio Fernando Abreu, escritor que amo de paixão escreveu numa crônica (eu acho): Pedras Rolantes, ele disse certa vez: de que " pedra que muito rola não cria musto". e vai adiante, essa crônica é linda como tudo que ele escreveu. Se der procure, vale a pena.
bjs
madoka

Karen disse...

Madoka, nunca li nada do Caio Fernando, mas de tanto ouvir você falar sobre ele, deu vontade... :)