16.7.11

Das amizades e do papel

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Sinto falta de escrever cartas. Cartas de verdade, em papel, escritas à mão. Escrevi muitas cartas na adolescência. Naquele tempo (e já faz algum tempo), tinha um penfriend indiano e um tailandês, as cartas demoravam quase um mês para chegar, eram esperadas com ansiedade e recebidas com prazer. Depois da leitura e da releitura, para confirmar se não perdi nada, eu me punha a respondê-las, escrevia um rascunho em uma folha, relia, corrigia, procurava palavras no dicionário, passava a limpo. Era um exercício de ortografia e gramática muito bom.

E sobre o que escrevíamos? Bem, escrevíamos sobre o cotidiano, os acontecimentos do mês, sobre nossos países, filmes, lugares. Coisas insignificantes. Trocávamos pequenos presentes, fotos, cartões postais. Nunca nos encontramos pessoalmente nem conversamos ao telefone, mas era algo muito mais íntimo e gratificante do que ter vários "amigos" nas redes sociais de hoje. Agora eu me comunico com muito mais gente, mas é isso, eu me comunico.

Também não tomo mais os mesmos cuidados quando leio ou respondo mensagens no micro. Até dou uma negligenciada, recebo uma mensagem, leio, recebo outras e, quando vejo, deixei de responder a várias delas. Não que não me importe com as pessoas que as enviaram, mas isso acontece. A gramática e a ortografia  também têm sofrido com isso. Mesmo com um corretor ortográfico à disposição, nem sempre o uso e confesso que não sou muito cuidadosa quando escrevo algum comentário às pressas por aí, também não leio as notícias ou artigos da internet com o mesmo grau de atenção que daria a algo escrito em papel. 

Isso tudo é ruim? Não sei, acho que só "diferente".


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16 comentários:

Luna disse...

Também sinto falta. Tive vários correspondentes, mas eram todos aqui do Brasil mesmo. Adorava receber e mandar cartas, parece um passado tão distante... Bjs!

Karen disse...

Luna, eu também tinha meus correspondentes "locais" igualmente queridos. Escrevia cartas até para os amigos do colégio quando estava em férias. rs

Parece mesmo algo distante, as cartas eram tão longas e pensadas!

saborcomletras disse...

Cartas no papel realmente nos parecem mais românticas e com têm sabor de saudade. Eu e minha sobrinha, hoje com 13 anos, temos o hábito de escrever cartas. Antes ela fazia muitos desenhos para acompanhar as palavras, todos lindos e bem cuidados, hoje elas chegam carregas de adesivos... coisas da idade. Quando chego e o porteiro me entrega uma carta dela e geralmente não sei quando isso vai acontecer... me dá um sensação boa. Beijos, Adriana.

Marly disse...

Eu recebia (e enviava, claro) muitas cartas dos parentes, tias e tios principalmente. Até hoje eu guardo estas cartas e lá se vão umas duas/três décadas. Cartas têm algo de especial e dá para saber muito de uma pessoa lendo o que ela escreve.
A Internet está nivelando, por baixo, a arte da escrita. Ainda bem que nem todos aderiram ao modo de comunicação em voga na rede. Não tenho nada contra a informalidade na comunicação, acho até que preciso aprender um pouco disso, rsrs. O problema é as pessoas não respeitarem nenhuma das normas da língua, que, diga-se de passagem, já se desvinculou da matriz, pois não mais falamos o português, no sentido estrito, mas uma outra língua, a 'brasileira', se ficarmos falando e escrevendo cada um de um jeito, daqui a pouco teremos vários dialetos. É isso que digo para as minhas filhas, mas posso estar errada, rsrs.

Beijoca

Karen disse...

Que bonito isso de se corresponder por meio de cartas com a sua sobrinha, Adriana! Gostei. :)

Marly, eu estou longe de ser uma grande defensora do "purismo" da língua, mas às vezes fico de queixo caído quando leio os comentários nos sites de notícias, vejo cada coisa arrepiante! Fico me perguntando se a qualidade do ensino piorou ou se antes da internet esse tipo "deficiência" não era tão visível.

Beijos!

Georgia disse...

Eu quando era adolescente tb escrevia muitas cartas. Me lembro que ficava perguntando ao carteiro se ele nao tinha uma carta prá mim.

Hoje em dia com a internet isso está quase acabando, o que é uma pena.

Eu mesmo fico com preguica de pegar a caneta e escrever uma carta.

Ai meus dedinhos, rs.

Bjao

Karen disse...

Georgia, se não fossem as aulas de japonês, acho que eu também não saberia nem pegar mais em um lápis... rs

Turmalina disse...

Se o modo atual é ruim, eu não sei, mas que era bom trocar cartas, ah, isso era!

banzai disse...

faço meus filhos escreverem para avó e primas que estão no Brasil. Ah! acho que muita coisa se perdeu com as cartas que não estão sendo mais enviadas. Como dia Caio F. tem coisas que só dizemos por cartas, portanto muitas coisas não estão sendo ditas. Adoro escrever cartas e receber então é uma alegria (o seu ritual em ir ao correio, receber do carteiro...)
madoka

Georgia disse...

Taí uma lingua que eu acho a escrita linda, mas para aprender acho meio complicado, rs.

Boa semana


Bjao

Karen disse...

Turmalina, era mesmo, acho que também tinha alguma relação com a idade, as expectativas...

Madoka, acho que depois de uma certa idade, receber e enviar cartas também já não tem mais a mesma mágica. Que bom que isso não se perdeu com seus filhos!

Georgia, :))

Tatiana disse...

Bem, se eu discorresse sobre as milhões de coisas que acho ruim na Internet e em nossa nova era, faria um longo tratado rs... Obviamente, por outro lado, há milhões de coisas boas em tudo isso. Trabalho escrevendo no computador o dia todo e minha letra já não é mais a mesma; é até bonitinha, mas piorou horrores em comparação à letra que eu tinha há mais de dez anos. Ela era linda, os professores me pediam para escrever matéria na lousa, esse tipo de coisa hehehe. Todo mundo elogiava. Agora, aff!! É incrível como mudou e, certamente, é por falta de prática, porque tudo agora é no PC - até os lembretes né? E as receitas?? Antigamente tínhamos aqueles caderninhos pra anotar né? rs!
O lado bom de tudo isso é que, apesar dos erros crassos que vemos por aí, acho que as pessoas tem se interessado mais em expressar sua opinião com a escrita, seja em blogs, em sites de notícias, etc. Antes parecia mais um privilégio dos que gostavam da escrita e dos que eram estimulados a ler e a escrever. As crianças hoje, para se comunicarem online com os amiguinhos, se veem obrigadas a escrever e, muitas vezes, por puro prazer mesmo! Mas claro, o ideal seria que todos cuidassem melhor da forma como escrevem e se preocupassem em aprender.

Karen disse...

Tatiana, é verdade, houve um tipo de "democratização" da informação e da possibilidade de expressão. Obviamente, não tenho nada contra isso! rs
Minha letra também anda horrível e me canso logo quando uso o lápis, pena.
Acho que as pessoas estão é precisando de óculos mais cedo, será o micro? Tenho especulado com meus botões sobre isso, ou o micro piorou a qualidade da visão, ou as pessoas têm ido mais ao médico... rs

Tatiana disse...

Então...eu, trabalhando há seis anos em frente ao PC o dia inteiro (!!!), fico sempre esperando o dia quando precisarei de óculos (verdade!). Graças a Deus, ainda não preciso, ufa! Para falar verdade, é até meio estranho rs...Mas acho que o pior mesmo é quando forçamos a visão - lendo no escuro ou letras muito miúdas (aí os problemas aparecem mesmo). Vai ver que, no meu caso, é sorte aliada a bons genes e a um computador que ajuda :) Mas a maioria das pessoas não se preocupa se as letras estão pequenas demais, se estão lendo com iluminação adequada ou não, à distância apropriada ou não...
By the way, mais uma vez: seu blog é ótimo!

Karen disse...

Queria ter esses genes! Eu uso óculos desde os doze anos, época em que pouca gente tinha micro, mas lia muito e nem sempre em lugares muito bem iluminados.

E obrigada novamente! :)

aline naomi disse...

Ah, eu também sinto falta de escrever e receber cartas... e eu fazia os envelopes (BEM coloridos) também. Era terapêutico! :)

Ainda espero voltar a trocar cartas (ou pelo menos quero voltar a escrevê-las, mesmo que não tenha resposta).