30.4.11

Filé mignon de porco picante com peras


Porco. É, porco mais uma vez. Comemos mais carne suina do que bovina por aqui. Fiz o prato baseada nesta receita do Emeril Lagasse no Food Network com algumas modificações, especialmente em relação ao acompanhamento. Na versão original o filé mignon de porco é acompanhado de purê de maçãs, mas como tinha três peras eternas na geladeira, acabei por cortá-las ao meio e jogá-las no refratário para assar com a carne. Ficaram boas, mas se você quiser, pode seguir a receita mais elaborada do Emeril ou preparar um applesauce mais simples.

Fiz metade da receita da marinada usando um filé mignon de porco grande e adicionei um pouco mais de pimenta calabresa para que ficasse a meu gosto.

(Espero que não se importem com minhas fotos de assados, os refratários são sempre aqueles nos quais as carnes foram levadas ao forno e nunca estão assim muito apresentáveis, mas não tenho muita paciência para colocar tudo em outro recipiente e fotografar. Sem falar na pressão do O. perguntando onde está a comida.)



Filé mignon de porco picante com peras

2-3 filés mignos de porco limpos
3 dentes de alho picados
1/2 c chá de pimenta calabresa
3 c sopa de óleo
2 c sopa de molho de soja
2 c sopa de gengibre picado
1 c sopa de vinagre
1 c sopa de açúcar mascavo
2 c chá de mostarda tipo dijon
4 pêras médias, macias, porém firmes, cortadas ao meio e sem sementes
sal e pimenta a gosto

Misture o alho, a pimenta calabresa, o óleo, o molho de soja, o gengibre, o vinagre, o açúcar mascavo e a mostarda. Envolva a carne nesse molho, cubra com filme plástico e deixe marinar na geladeira por 2-12 horas. 

Preaqueça o forno à 200C. Retire a carne da marinada, tempere com sal e pimenta e doure-a em uma frigideira antiaderente de todos os lados. Transfira para um refratário junto com as peras e asse por 12-15 minutos (eu deixei por cerca de 30 minutos). Deixe descansar por 5 minutos antes de servir.

27.4.11

Espaguete ao limão com camarões


Massa simples e com toques de limão. Gostosa, mas tenho que confessar que massas em geral não são a minha praia, especialmente massas assim mais "brancas". Meu negócio são os molhos, a proporção ideal seria de 2/3 de molho para 1/3 de massa. E quanto mais "pedaçudo" e suculento o molho, melhor.

Achei interessante o preparo desta receita e por isso resolvi experimentar. A alteração que fiz foi adicionar um pouco de camarões na hora de refogar a cebola. (Até comprei o limão siciliano, algo raro por aqui).



Espaguete com limão e camarões
(4 pessoas)

sal
450 g de espaguete
4 c sopa de azeite extra virgem, mais um pouco para servir
3 c sopa de cebola picada
1/4 x de creme de leite
2 c chá de raspas de limão siciliano 
1/4 x de suco de limão siciliano
1/2 x de parmesão ralado e mais um pouco para servir
1 x de camarões limpos
pimenta do reino
2 c sopa de manjericão picado (não usei)

 
Cozinhe o espaguete em 1 litro de água com 1 c sopa de sal. Escorra quando estiver al dente (ainda com alguma resistência) reservando 1 3/4 x da água do cozimento.

Aqueça 1 c sopa de azeite em uma panela e refogue a cebola, adicione o camarão (caso use), cozinhe cerca de 2 minutos. Adicione 1 1/2 x da água do cozimento da massa e o creme de leite. Espere começar a ferver e cozinhe por mais 2 minutos. Retire do fogo e adicione o espaguete. Mexa e misture as 3 colheres de sopa de azeite restantes, as raspas de limão, o suco de limão, o parmesão e a pimenta do reino a gosto.

Tampe a panela e deixe descansar por 2 minutos, mexendo uma vez para que o molho fique mais espesso e seja absorvido pela massa. Caso necessário, adicione o 1/4 x de água do cozimento que sobrou para ajustar a consistência. Adicione o manjericão e ajuste o sal caso necessário. Sirva regando com mais azeite e polvilhando mais parmesão.


25.4.11

Das posses

A limpeza anual da edícula sempre me faz refletir sobre a falta de sentido de acumular coisas. De vez em quando consigo convencer o O. a se desfazer de algo, a doar algumas revistas para a biblioteca ou para a escola local, mas é difícil, como é difícil! Ele diz que ainda vai ler todas as revistas e jornais amarelados que estão por lá, ou argumenta que poderá precisar de um artigo no futuro. Sei...

Na NHK há um programa de discussões sobre livros que assisto de vez em quando, há  sempre dois apresentadores e três convidados de áreas diversas. Cada um dos convidados apresenta três livros e um deles deve ser lido por todos os demais para ser comentado. (Acho muito interessante, mas isso nunca funcionaria por aqui, afinal, a pessoa teria que ter lido pelo menos os seus três livros mais os dois dos outros convidados). Certa vez um dos convidados era um homem que escrevia sobre suas explorações em lugares isolados:  florestas, desertos, polos. Ele comentou que costumava levar uns vinte livros para se distrair durante as viagens e que os queimava quando terminava de lê-los. A explicação foi que o peso que ele tinha que carregar ia diminuindo e os livros também serviam como combustível. O ideal seria dar os livros para alguém, mas quem leria livros em japonês no Alasca? Achei a solução perfeita, ele nem produzia lixo.

Nunca sonhei em ter uma biblioteca, acho interessante entrar em uma casa e ver os títulos na estante, mas livros são para ser lidos, não possuídos. Tento ler tudo o que compro e não me importo em me desfazer do que sei que não lerei mais. Gosto de conservar alguns títulos de que gostei, obras de um determinado autor e livros de referência (dicionários, enciclopédias, etc.),  mas não tudo. 
 
Enfim, preciso convencer o O. de que a vida pode ser mais leve.




23.4.11

Norwegian wood


 Acabei de assistir Norwegian Wood, um filme baseado no romance homônimo do Haruki Murakami. Ele foi filmado com atores japoneses pelo diretor vietnamita Anh Hung Tran de O cheiro do papaia verde.

Sou fã do Murakami e acho O cheiro do papaia verde lindo de doer, mas não gostei da versão filmada do livro. A história ficou lenta e os personagens não convencem.

O foco é voltado para o relacionamento de Toru e Naoko. Naoko é a ex-namorada do melhor amigo  de Toru que se suicidou aos dezessete anos. Os dois se reencontram em Tóquio alguns anos depois desse acontecimento e se aproximam, mas Naoko ainda está muito fragilizada e o relacionamento desencadeia uma crise que a leva a internar-se em uma clínica de repouso entre as montanhas de Quioto.

Toru visita Naoko de tempos em tempos, no entanto, seu estado não apresenta melhoras. Durante  essas idas e vindas, ele conhece Midori, uma garota com uma vida igualmente complicada. Toru fica dividido entre as duas, mas não pode abandonar Naoko. Esse triângulo precário se dissolve com a morte da última.

Há o figurino e a atmosfera dos anos 60. A fotografia é bonita. Mas falta algo.  Os diálogos dos personagens são monocromáticos e, apesar do pano de fundo ser o Japão, a história poderia se passar em qualquer outra parte da Ásia. O livro é mil vezes melhor, muitas histórias paralelas interessantes são deixadas de lado, uma pena.

(Se alguém quiser assistir a uma versão filmada de uma história do Murakami, recomendo Tony Takitani, um conto da coletânea Blind willow, sleeping woman. É a história de um homem solitário que encontra a mulher de sua vida, perde-a e precisa aprender a lidar com isso.)

 

22.4.11

Bacalhau cozido


Este é um prato que já faço há algum tempo. A receita é bem simples e rápida de preparar. O mais trabalhoso é dessalgar o bacalhau e descascar/fatiar os legumes. Não uso medidas exatas, mas a receita não tem grandes segredos. Ela consiste em fazer camadas com fatias de tomates, cebolas, uma mistura de salsinha e alho picados, bacalhau dessalgado em pedaços, pimentão vermelho, azetionas pretas e batatas, polvilhar um pouco de sal por cima, regar com azeite, tampar a panela e cozinhar em fogo baixo até que as batatas, que ficaram por cima, cozinhem. 

A ordem das camadas é essa que descrevi e seu número pode variar de acordo com a quantidade de ingredientes e com o tamanho da panela. O sal é uma questão delicada, pois o bacalhau deve estar ainda com algum sal mas não insosso ou muito salgado. O próprio líquido dos vegetais servirá de caldo para o prato. Ele pode ser servido com ovos cozidos e regado com mais azeite na hora em que for colocado no prato.

Não sigo uma receita para dessalgar bacalhau, quando as postas são finas eu  as deixo de molho por um ou dois dias, escorro e coloco em uma panela com água fervente, desligo, tampo e deixo tudo esfriar um pouco antes de retirar a pele e as espinhas. O processo é o mesmo quando as postas são mais grossas, só que as deixo de molho na geladeira por até uma semana e troco a água quando me lembro (nem sempre todos os dias). É isso.


21.4.11

Das limpezas


Passei o primeiro dia do feriado limpando a edícula onde vão parar todas as coisas que não cabem dentro de casa: livros, revistas, caixas, muitas caixas, O. guarda tudo, absolutamente tudo. E eu tenho que limpar. Tento sempre empurrar com a barriga, esquecer que essa é uma tarefa inevitável ao menos uma vez por ano, mas não deu mais, o dia chegou. Hoje ajeitei as caixas e limpei as mesas com as revistas e jornais literários. Temos mais de dez anos de National Geographic e os números mais recentes ainda estão dentro de casa. Adoro a revista, acho legal o fato de colaborar com a instituição, mas ando meio cansada de ter que arrumar espaço para elas. Pedi para o  O. não renovar mais a assinatura. 

Não cruzei com nenhuma barata, entretanto, elas deixaram alguns "presentinhos" aqui e ali, então imagino que tenham passado por lá em algum momento. Agora só faltam as estantes com os livros. Espero que nenhuma traça tenha comido um autor de que eu goste.


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20.4.11

Lombo de porco em cama de vegetais


Receita ótima para o dia a dia como todas as receitas da Elvira.



Lombo de porco em cama de vegetais

1 alho-poró grande (parte branca), cortado em meias-luas finas
1 cebola grande cortada em meias-luas
2 cenouras cortadas em rodelas
1 haste de aipo fatiado (não usei)
1 pedaço de lombo de porco com 1,2 kg
2 dentes de alho fatiados finamente
1 ramo de cheiros*
150 ml de vinho branco seco
75 ml de azeite (usei metade)
sal grosso marinho (usei o sal refinado)
pimenta preta moída na hora 


* 1 folha de louro + 1 haste de tomilho + 1 haste de alecrim + 2-3 hastes de salsa, tudo atado com fio de cozinha
 

Colocar as meias-luas de alho-poró, a cebola, as rodelas de cenoura e os pedaços de aipo no fundo de uma assadeira com tampa ou de uma panela de barro. (Eu assei em forma fechada com papel alumínio). Reservar.

Secar impecavelmente o pedaço de lombo com papel absorvente. Fazer uns cortes finos e fundos na carne com uma faca bem afiada. Inserir as fatias de alho nos cortes.

Esfregar integralmente a carne com sal grosso e pimenta moída no momento. Colocar o lombo sobre a cama de vegetais e juntar o ramo de cheiros.

Regar a carne com o vinho branco e o azeite. Cobrir com a tampa (ou papel alumínio) e levar ao forno - a 150ºC - sem pré-aquecer, por 2h00-2h15, ou até a carne se apresentar muito macia.

Virar o pedaço de lombo de vez em quando durante o cozimento. Se isso for necessário, juntar mais um pouco de vinho branco ou de água para a carne não secar.

Retirar a assadeira do forno e descartar o ramo de cheiros. Colocar os vegetais e o molho da assadeira numa travessa previamente aquecida. Fatiar o lombo e colocar as fatias de carne sobre os vegetais.

19.4.11

Universo pararelo vii

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Por que ser garçonete em um bistrô na França ou mesmo faxineira em uma base do Polo Sul  parece tão diferente de se ter empregos similares por aqui? Soa muito mais romântico retirar os pratos de uma mesa parisiense e a sujeira do Polo Sul nem parece assim tão suja.

Será que existe uma garçonete francesa disposta a trocar de lugar comigo lá no boteco da esquina?  (Também seria bom descobrir se é preciso derreter um pouco de gelo antes de lavar a louça no Polo Sul). 


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17.4.11

Salmão defumado com blinis


Blinis são pequenas panquecas geralmente servidas com caviar ou salmão defumado e sour cream. Depois de nossa última decepcionante experiência "blinífera", eu tinha que preparar blinis de verdade em casa. Usei a receita da Saveur. Devia usar farinha de trigo sarraceno, mas eu o substituí por farinha de centeio. Achei o resultado muito bom, os blinis ficaram como eu tinha imaginado que eles seriam. (Um dia ainda provarei the real deal).

Não há sour cream à venda por aqui, então misturei um pouco de suco de limão com creme de leite, o suficiente para deixar a consistência mais espessa sem que o creme ficasse excessivamente azedo. Coloquei um pouco dele sobre cada blini e arrematei tudo com um pedaço de salmão defumado (ele costuma ser vendido congelado, em pequenas bandejas). Ótimo tira-gosto.

Fiz metade da receita, cerca de 20 blinis.


Blinis

1 1⁄4 c chá de fermento biológico instantâneo seco
1 x de leite morno 
1⁄2 x de farinha de trigo sarraceno (usei centeio, creio que farinha integral também sirva)
1⁄2 c chá de açúcar
1⁄4 c chá de sal
2⁄3 x de farinha
2 c sopa de sour cream (um pouco de creme de leite com algumas gotas de suco de limão resolve o problema)
1⁄4 x de creme de leite
2 ovos ligeiramente batidos
1 c sopa de manteiga derretida
óleo

Misture o fermento com o leite, adicione a farinha de trigo sarraceno, o açúcar e o sal. Cubra com um filme plástico ou pano de prato limpo e deixe descansar até que apareçam bolhas na superfície da massa, cerca de 1 hora.

Adicione a farinha, o sour cream, o creme de leite, os ovos e a manteiga. Misture bem, cubra novamente e deixe crescer por cerca de 2 horas.

Aqueça 1 c sopa de óleo em uma frigideria antiaderente grande em temperatura média. Prepare os blinis derramando uma colher de sopa da massa. Faça poucos de cada vez e adicione mais óleo quando necessário. Espere que apareçam bolhas na superfície do blini e as bordar comecem a dourar, cerca de 1 minuto. Vire e deixe cozinhar cerca de 30 segundos. Transfira os blinis prontos para um prato e cubra com um pano limpo enquanto termina de empregar a massa. Sirva morno. 

16.4.11

Das experiências oftalmológicas

Resolvi trocar de óculos este ano. Fiz tudo certinho, voltei ao oftalmologista para ver se meus graus de miopia e astigmatismo não mudaram, (eles estão estabilizados já há alguns anos), entrei em todas a óticas que encontrei pelo caminho até achar uma armação de que realmente gostasse e escolhi uma lente stylis para disfarçar a espessura da minha cegueira.

O problema começou quando recebi meus óculos novos. Eu enxergava com eles, mas sentia que perdia o foco com frequência e ler era um sufoco. Se eu não me concentrasse, as letras na tela do micro ou nos livros ficavam meio embaçadas. De manhã ainda segurava a barra apesar de sentir que forçava a região ao redor dos olhos, lá pelo meio da tarde a vontade era de jogar os óculos no chão e pisar em cima. De vez em quando até tinha naúsea e dor de cabeça. Pensei que poderia ser um problema de adaptação, mas uso óculos já há quase vinte anos e nunca passei por algo parecido. (Com exceção de quando tentei usar lentes de contato). Voltei no oftalmo. Os exames foram refeitos e estava tudo correto. Ele disse que eu poderia voltar à ótica e pedir que alguém conferisse se o centro ótico dos óculos novos batiam com o dos antigos. E até falou que eu poderia tentar usá-los por mais uma semana (para completar três semanas), mas um dia depois da consulta eu notei que estava com duas linhas paralelas sobre uma das pálpebras que pareciam "varizes". Aí não deu, voltei na ótica, a moça fez as verificações com os óculos antigos, mas não havia nada errado. Assim mesmo, os óculos novos foram para o laboratório para serem analisados. 

Sinceramente não sei o que pensar ou o que o pessoal do laboratório poderá fazer, será o tipo de armação, serão as lentes ou serei eu? Alguém já passou por isso, o que aconteceu?

14.4.11

Dentro do táxi

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Já estava escuro quando me dirigi para a estação de metrô de guarda-chuva em punho. Ia entrar quando vi um táxi se aproximando, fiz sinal mas ele passou direto. Por sorte, um outro táxi vinha logo atrás e parou para mim. Era dirigido por um homem negro de meia idade muito simpático. O percurso era longo e talvez tivesse sido mais rápido e muito mais barato se tivesse seguido o plano original de ir de metrô, mas assim não teria conhecido o Sr. P. 

Ele foi me contando um pouco da sua vida e da sua jornada dupla de servidor público durante meio período e taxista até onze da noite. Fomos falando sobre isto e aquilo, sobre a cidade, sobre os eventos. Ele tinha acabado de deixar alguns passageiros em uma feira erótica quando me avistou procurando um táxi, comentou sem malícia, apenas pela graça da coisa. A cidade foi passando pelo vidro embaçado enquanto conversávamos. Nós nos despedimos na frente da casa da minha sogra, desejamos que nossos projetos se concretizassem e, quem sabe, que nos cruzássemos por aí no futuro. 

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13.4.11

Na liberdade

No domingo tive que almoçar na Liberdade, bairro oriental de SP, e escolhi o Ebis depois de ler um post no blog da Aline. É um restaurante que serve "fast food japonês", os pratos principais são: udon, gyudon, tonkatsu e karê. Há combinados com dois deles e alguns tipos de temaki. Acho que nada custa mais de R$ 20,00. Pedi um karê com tonkatsu (carne de porco à milanesa) e um misoshiru que não estava incluído no combinado e paguei R$21,00. O karê é correto, pouco picante, lembra os que comi durante a infância e adolescência com batatas, cenouras e pouca carne. O tonkatsu também estava correto, carne macia.  (Ando sentindo uma vontade enorme de comer proteínas nos útlimos dias, carne mesmo, bem úmida e até sangrenta. De vez em quando tenho essas necessidades). Não gostei muito do misoshiru. (O melhor misoshiru que já provei na vida foi o do restaurante Yamagá que fica na Tomás Gonzaga, também na Liberdade).

Enfim, o lugar serve uma comida honesta com preços idem. Era domingo e o salão estava cheio, havia muitos orientais. Os garçons se perdiam um pouco, os pratos de uma mesma mesa não chegavam juntos, mas eles se esforçavam.

Karê com tonkatsu

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11.4.11

Refeições à moda paulistana

Dei uma passada relâmpago por SP no final de semana e não deu para fazer muita coisa. Choveu, fez frio. A cidade continua cheia. 

No sábado, fizemos um lanchino no Santo Grão do Itaim, bebi um suco, o O. pediu uma cerveja, para comer, uma porção de blinis com salmão defumado e grissini de parmesão. Quando a travessa com os blinis chegou, caímos na risada, os ditos cujos eram minúsculos, finger tip food, pois cabiam na ponta dos dedos. Bonitinhos, mas espantosamente pequenos. (Parecem maiores na foto). Os blinis estavam mais para biscoitinhos duros do que para as panquequinhas macias que tinha imaginado, e deviam ser degustados com ohashi! Os grissinis eram duas tiras de massa folhada mais para molengas do que crocantes. 

A casa serve café, lanches e refeições, ficamos só nos petiscos e não posso dizer nada sobre a comida. Imagino que o forte devam ser as bebidas à base de café.



Saímos do Santo grão e fomos para o Ritz que fica quase do lado. É um restaurante que serve hambúrgueres e pratos um pouco mais elaborados no estilo do General Prime burguer que fica no mesmo bairro. Um lugar descontraído e com grande público jovem. Comemos uma porção de pastéis de queijo (massa sequinha e crocante, muito boa) e bebericamos um mojito (bom, mas gosto mais do que o O. prepara). Pedi um hambúrguer simples acompanhado de bolinhos de arroz. Tinha lido algumas pessoas recomendando os tais bolinhos e resolvi provar. Achei bons, mas nada que qualquer pessoa não possa fazer em casa. O hambúrguer estava  gostoso, achei a carne mais saborosa do que a do General Prime Burguer.

So so evening.

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8.4.11

Cenouras com chermoula


Chermoula é o nome dado a um tipo de marinada usada em países como o Marrocos para temperar alimentos, geralmente peixe, mas que também pode ser usada para vegetais. Ela leva ervas, limão, alho e diversos temperos. As cenouras ficaram muito gostosas preparadas com ela. Sei que a aparência não é lá tão apetitosa, mas juro, ficaram boas.

Esta é a última receita de uma leva que tinha salvo há algum tempo. Ando sem muito ânimo para cozinhar coisas novas. De cozinhar em geral para dizer a verdade. É uma daquelas fases. Acho que vocês terão que se contentar com fotos e abobrinhas não comestíveis nos próximos dias.




Cenouras com chermoula

600g de cenouras
1/4 de maço de coentro
1/4 de maço de salsinha
3 dentes de alho descascados
1 llimão
5 c sopa de azeite
1 c café de cominho
1/2 c café de páprica

Descascar e cortar as cenouras em rodelas ou em bastões e cozinhá-las em água fervente com um dente alho por cerca de 15 minutos (elas deve estar "al dente"). Escorrer.

Bata as ervas com os outros dois dentes de alho no processador (ou como considerar mais fácil). Coloque essa mistura em uma panela e adicione a páprica, o cominho, o azeite e o suco do limão. Cozinhe a chermoula por cerca de 5 minutos, mexendo sempre. Junte as cenouras, o dente de alho cozido picado e  uma pitada de sal. Cozinhe mais 10-15 minutos em fogo baixo. Misture de vez em quando para que os temperos envolvam as cenouras. Sirva morno ou frio.

4.4.11

Pão com sementes de gergelim escuro


Nada melhor do que um pão caseiro com manteiga e geleia para me animar de manhã. Esta receita é da Ameixa. Ficou muito gostoso e as sementes de gergelim, além do efeito bonito, dão um sabor especial à massa. Outro pão que fiz à mão, estou orgulhosa! :)

(Ele pode também ser amassado na máquina, basta seguir as instruções do fabricante.)

Fiz metade da receita, a única coisa que não dividi foi o ovo, usei-o inteiro e reduzi a quantidade de leite para 1 xícara.




Pão com sementes de gergelim escuro

3 x de farinha
3 x de farinha integral
1/4 x de açúcar
1/4 x de manteiga
2 + 1/4 colher (chá) de fermento biológico instantâneo seco
1 colher (chá) de sal
1 ovo batido
2 1/2 x de leite
1/4 x de sementes de gergelim escuro


Para finalizar:
1 clara
sementes de gergelim q.b.

Aqueça o leite sem ferver e adicione o açúcar e a manteiga. Permita que a manteiga derreta. Deixe esfriar e misture o ovo batido, mexendo com uma colher de pau. Junte a farinha normal,  o sal e o fermento. Mexa até ficar suave e deixe descansar por 10 minutos. Junte as sementes de gergelim. Comece a adicionar a farinha integral e, quando tomar corpo, passe a massa para uma superfície enfarinhada, amasse por 10 minutos e continue a adicionar o resto da farinha aos poucos. A massa começará a ficar suave e elástica. Unte uma tigela com azeite, coloque a massa lá dentro envolvendo-a com o azeite, cubra com filme plástico e deixe crescer por 1 hora ou até dobrar de volume.

Remova a massa e divida ao meio. Dê a forma que quiser. Bata a clara só até que fique espumosa. Passe a clara pelo pão e role-o em mais sementes de gergelim. Coloque a massa numa forma de pão, cubra e deixe crescer até dobrar novamente de volume, cerca de 1 hora.

Corte a superfície dos pães com uma faca afiada. Leve ao forno pré-aquecido a 200ºC por cerca de 30-35 minutos. Retire e deixe esfriar numa grelha.



2.4.11

Dentro do ônibus xii

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A diversidade de pessoas que tomam o ônibus é enorme e, por isso mesmo, um dia você poderá se deparar com um bêbado. É mais fácil cruzar com esse espécime no final da noite, quando ele se recolhe depois de tomar umas e outras. Não é difícil distingui-lo dos seres sóbrios e, quando um bêbado entra no ônibus trançando as pernas, você torce para que ele se sente bem longe, mas geralmente isso não ocorre (ao menos comigo).

Conheço dois tipos de bêbados, aqueles que iniciam um monólogo em voz alta e aqueles que começam a ficar sonolentos e vão se encostando. Estes são afastados com alguns safanões, já os primeiros exigem muito estoicismo, especialmente se eles se dão conta de que você é japonesa (ou chinesa, ou coreana, para eles dá tudo no mesmo) e começam a discorrer sobre as virtudes e defeitos da etnia.

Enfim, o dois tipos fazem com que conte os minutos até seu ponto. A diversidade é boa, mas às vezes pode ser bastante incômoda.

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