29.11.11

Creme de abacate com tâmaras e mel


Vi uma sobremesa feita com abacate no blog da Luna e me lembrei de uma receita que costumava fazer há algum tempo. Na versão original, não havia mel, ela era adoçada apenas com tâmaras, muitas. Mas depois que queimei um liquidificador, não a preparei mais. As tâmaras vendidas por aqui não são muito suculentas, são mais secas e duras, o que exige um liquidificador mais poderoso, e o meu não era. Tentei no processador, mas também não deu muito certo. Mas quem mandou botar um monte de tâmaras inteiras no copo e esperar que o aparelho triturasse tudo, não mesmo? (Talvez picá-las e deixá-las de molho em água quente por algum tempo resolva esse problema, mas gosto mais da minha versão atual).

Adaptei a receita ao meu gosto e desisti de usar um montão de tâmaras, uso apenas umas 5 ou 6 tâmaras sem caroços já picadinhas que coloco no liquidificador (ou processador de alimentos) com a polpa de 1/2 abacate médio (ou um avocado, aqueles pequenos), cerca de 1 c sopa de suco de limão e mel a gosto. Bato apenas até que o abacate fique cremoso sem me preocupar mais em triturar tão bem as tâmaras. Fica bom, os pedacinhos de tâmara quebram a homogeneidade do creme. 





28.11.11

Tortilla de patatas (ou omelete de batatas)


Sem segredos aqui. É exatamente isso, uma omelete feita com batatas e cebolas, prato típico da Espanha. As batatas deveriam ser cortadas em fatias não muito grossas e fritas em uma quantidade considerável de óleo junto com as cebolas, escorridas e misturadas aos ovos batidos, mas como sempre procuro evitar fazer frituras para não ter que limpar a cozinha inteira, lavar os óculos e os cabelos, resolvi fazer a tortilla à minha maneira.

Descasquei duas batatas médias, fatiei, temperei com sal e pimenta, coloquei em uma assadeira, juntei um pouco de azeite e misturei com as mãos para que o azeite envolvesse todas as fatias. Levei ao forno e esperei que as batatas ficassem macias, retirei e reservei.

Refoguei uma cebola pequena com um pouco de óleo em uma frigideira e juntei as batatas assadas, corrigi o tempero e depois juntei a três ovos batidos (adicione mais sal, caso ache necessário), coloquei a mistura em uma frigideira antiaderente com um pouco de óleo e deixei fritar. Quando a parte inferior ficou dourada (verifique com uma espátula), "deslizei" a tortilla com cuidado para um prato, coloquei outro prato sobre a tortilla e virei para que a parte crua ficasse na parte debaixo do outro prato, "deslizei" a tortilla de volta para a frigideira e fritei o outro lado.

É bem simples. Minha tortilla não ficou gordinha como deveria, para isso, precisaria ter usado uma frigideira menor ou dobrado a receita (geralmente 5-6 ovos é a quantidade tradicional). Se quiser, adicione bacon, presunto ou outros ingredientes de sua preferência.

Corte a tortilla em pedaços e sirva. (Achei ainda melhor depois de fria).



27.11.11

Nhoque de ricota


Ricota é um queijo insosso e sem graça (ao menos aquele que encontro nos supermercados), mas é fonte de proteína e faz volume. E se você tiver só uma ricota, um ovo, um pouco de farinha e uma lata de tomates pelados na despensa, pode fazer um nhoque e materializar uma refeição. Não é meu nhoque preferido, mas quebra o galho.

Amassei cerca de 300g de ricota, juntei um ovo, umas 3 colhereres de sopa de farinha (o suficiente para enrolar) e sal. Moldei bolinhas, coloquei em uma panela com água fervente sobre o fogo, esperei que as bolinhas subissem, retirei com uma escumadeira, coloquei em um refratário, cobri com molho (feito com uma lata de tomates pelados desfeitos com um garfo, refogados rapidamente em azeite junto com um dente de alho picado, para temperar, sal e uma pitada de açúcar), polvilhei parmesão e levei ao forno para gratinar. 

Se quiser, adicione folhas de manjericão ou outros temperos ao molho ou ao próprio nhoque.

(Foto tirada antes de levar ao forno).



26.11.11

Salada de beringela com tahine


Esses dias há sempre beringelas à venda no site de orgânicos e acabo comprando. Por isso, ultimamente tenho publicado várias receitas feitas com elas.

Esta é minha versão de baba ganoush. Coloco umas duas beringelas médias lavadas sobre uma assadeira, levo para assar e vou virando de vez em quando até que elas fiquem cozidas e macias. Retiro a pele e amasso um pouco a polpa, adiciono uma colher de sopa de tahine, azeite, um dente de alho picado, suco de limão e sal. Estava sem salsinha, mas ela pode ser usada para finalizar. Simples, ótima com pão pita.

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25.11.11

Mingau de arroz integral com passas


Arroz-doce sempre foi algo de que nunca gostei muito, era uma das poucas coisas que deixava passar na merenda escolar, e olha que eu raramente deixava algo passar, comia até mesmo aquelas sopas nas quais encontrava algum caruncho uma vez ou outra. Desde muito nova, sempre considerei carunchos fatos da vida. Eles eram afastados com a colher e ignorados.

Quanto ao arroz-doce, acho que o associo aos pratos salgados e nunca consegui aceitar a ideia de consumi-lo como uma sobremesa. Mas descobri que se os grãos não estiverem inteiros, minha aversão praticamente desaparece. Gosto de bolos com farinha de arroz e agora descobri que posso preparar minha própria versão de arroz-doce, ou mingau de arroz. E ela é bem simples. Adoro creminhos e mingaus são comfort food para mim. 

Adocei com duas colheres de sopa de açúcar demerara, ficou pouco doce e completei com um fio de mel na hora de comer. Se quiser, adoce menos ou nem adoce e use só mel.



Mingau de arroz integral com passas

1 x de arroz integral cozido (só em água, sem temperos)
2 x de leite
canela em pó a gosto
1-2 c sopa de açúcar demerara (ou adoce na hora de comer apenas com mel)
raspas de casca de limão a gosto (usei só a pontinha de uma colher)
1 punhado de passas 
mel a gosto

Bata o arroz com o leite, a canela e o açúcar no liquidificador até que não haja mais grãos visíveis. Coloque a mistura em uma panela, adicione as raspas de casca de limão e as passas. Cozinhe em fogo baixo mexendo sempre até que comece a ferver. Deixe cozinhar mais 2-3 minutos. Desligue e sirva com mel. A mistura fica com uma consistência mais firme à medida que esfria.


24.11.11

Salada tunisiana de tomates, pimentão e atum



Esta salada é muito gostosa e serve como uma refeição leve junto com alguns pedaços de pão pita. Mais do que uma receita, é uma ideia. Você pode adicionar as quantidade de cada ingrediente de acordo com suas preferências e também variar o tempero. Não usei o suco de limão, apenas azeite e sal. Também adicionei alguns dentes de alho assados picados.

Como não gosto de retirar as cascas dos legumes sobre a chama do fogão, coloquei os pimentões sobre uma assadeira e fui virando até que todos os lados estivessem macios. As peles dos tomates também não precisam necessariamente ser retiradas sobre a chama do fogão.






Salada de tomates, pimentão e atum

2 pimentões vermelhos ou verdes (usei só vermelhos)
2 tomates médios
3 ovos cozidos descascados e fatiados
200g de atum conservado em água escorrido
2 c sopa de alcaparras escorridas
3 c sopa de azeite
3 c sopa de suco de limão (não usei)


Coloque o pimentões sobre a chama do fogão ou no broiler e deixe a pele chamuscar de todos os lados. Coloque em um saco de papel, feche e deixe descansar por 10 minutos. Descasque os pimentões e retire as sementes, corte em fatias.

Preaqueça o broiler. Coloque os tomates em uma assadeira. Deixe os tomates sob o broiler até que as peles comecem a rachar e ficar com pontos escuros. Vire de vez em quando, asse por cerca de 4 minutos.  Deixe esfriar, corte em pedaços.

Coloque pimentões, tomates e ovos sobre um prato. Distribua o atum e as alcaparras. Misture o suco de limão e o azeite, tempere com sal e pimenta. Derrame o molho sobre a salada e sirva.



23.11.11

Respiração artificial - Ricardo Piglia



Este foi um livro que chegou a mim por meio deste blog, ou melhor, foi uma leitora deste blog com quem passei a trocar e-mails que me enviou uma cópia da obra. Ela mora na Bolívia, gosta muito de ler e está me introduzindo aos autores em língua espanhola e à literatura russa. Nunca tinha lido nada de Ricardo Piglia, confesso que sou muito ignorante em relação aos escritores dos países vizinhos. Uma vergonha, mas, para minha defesa, (ou não), também conheço pouquíssimos escritores brasileiros contemporâneos.

Este é o primeiro romance de Piglia, ele se passa nos anos setenta e se divide em duas partes, a primeira é constituída por cartas trocadas entre um homem na casa dos trinta anos chamado Emilio Renzi (o segundo nome e o segundo sobrenome do próprio autor) e seu tio, Marcelo Maggi, professor de história em uma pequena cidade na fronteira da Argentina com o Uruguai. Nas cartas, o tio procura esclarecer alguns episódios de sua vida e conta que está escrevendo um livro sobre o patriarca da família da ex-esposa. As cartas ao sobrinho remetem às cartas desse personagem que tomou parte da vida política da Argentina e a um passado ainda mais longínquo nos idos do século XIX.

Na segunda parte do livro, Emilio vai ao encontro desse tio que nunca viu antes. Ao chegar na cidade, onde deve passar apenas uma noite, ele é recebido por um amigo de Marcelo. Enquanto esperam o retorno deste último, que partiu em uma viagem misteriosa, ambos conversam sobre os mais variados assuntos: história, arte, literatura, filosofia, vida.

É um romance "intelectual", os personagens estão sempre expondo ideias, os diálogos são quase curtos ensaios. Kant, James Joyce, Franz Kafka, entre outros escritores e filósofos são mencionados nas conversas. O livro é interessante e revela um autor muito culto e de reflexões profundas. Espero ler mais obras de Ricardo Piglia, foi uma feliz descoberta. Cheguei a muitos autores e livros por meio de pessoas que conheci pelo caminho, essas amizades virtuais, de papel ou de carne, sempre me enriqueceram, sou grata por isso.


Eis um trecho de uma das cartas:

"... no fundo, nada de extraordinário pode nos acontecer, nada que valha a pena contar. Quero dizer, na realidade, é certo que nada ocorre. Todos os acontecimentos que uma pessoa pode contar sobre si mesma não passam de obsessões. Porque, no máximo, o que alguém pode chegar a ter na vida senão duas ou três experiências? Duas ou três experiências, não mais (às vezes, inclusive, nem isso). Não há mais experiência (ela existia no século XIX?), só há ilusões. Todos inventamos histórias diversas (que no fundo são sempre a mesma), para imaginar que algo ocorreu em nossas vidas. Uma história ou uma série de histórias inventadas que no final é a única que realmente vivemos. Histórias que contamos a nós mesmos para imaginar que temos experiências ou que algo ocorreu em nossas vidas, algo que tenha sentido."

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22.11.11

Salmão assado com laranja e mostarda


Fiz uma receita de lombo há algum tempo temperado com mostarda tipo dijon, alho, alecrim, sal, pimenta e um pouco de suco de laranja na hora de assar e a Georgia do Saia Justa comentou que ela costumava preparar salmão da mesma forma, resolvi experimentar e não é que fica muito bom?

O salmão assa bem mais rápido do que o lombo, não cheguei a cobrir o refratário com papel alumínio e assei até que a quantidade de caldo diminuísse. Você também pode usar o mesmo princípio do molho do lombo, levar a assadeira ao fogo depois de retirar o salmão assado, adicionar vinho branco à assadeira, deixar reduzir e engrossar com um pouco de manteiga e farinha, dá um molho muito gostoso.

Costumo assar postas menores, ideais para duas pessoas, mas uma posta grande pode ser usada.


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20.11.11

Feijão com legumes e tabasco


Feijão é comida com "sustância" e sempre me faz lembrar de um episódio de um filme de cowboy visto há muitos anos. Na cena, alguém colocava uma panela sobre uma fogueira e aquecia uma latinha de feijão cozido que era comido às colheradas.

Apesar de o feijão não fazer muitto bem ao meu organismo, adoro comê-lo acompanhado de um tiquinho de arroz, sobre uma casquinha de taco ou enrolado em um wrap ou tortilla com um pouco de guacamole. Esta versão é perfeita para isso. Vi no blog da Luna e fiz algumas adaptações.

Basta refogar um pouco de alho, cebola, azeitonas verdes picadas (estava sem, mas use, fica muito bom!), cenouras fatiadas e tomates picados em uma panela com um pouco de óleo, adicionar feijão cozido (gosto de fazer com feijão branco, mas desta vez usei um feijão bolinha) e refogar mais um pouco. Prefiro não usar muito líquido, mas isso vai do gosto de cada um. Tempere com sal, molho inglês, um pouco de vinagre e tabasco a gosto. (Eu uso muito tabasco, adoro esse negócio). Cozinhe o suficiente para os sabores apurarem e sirva.



17.11.11

Bolo rápido de maçã



Outro bolo simples. A massa fica pronta rapidinho e não leva gordura, o que a torna um pouco "diferente", mais elástica e seca do que aquelas que levam manteiga ou óleo, mas o resultado é interessante (e, depois de algum tempo, viciante).

Daqui.





Bolo rápido de maçã

3 ovos
200g (1x) de açúcar
120g (1x) de farinha
1 c chá de fermento em pó
2 maçãs descascadas em fatias

Bata os ovos por um minuto até que a mistura fique esbranquiçada e leve. Adicione o açúcar e bata mais um minuto. Junte a farinha e o fermento. Bata mais um minuto. Coloque metade da massa em uma forma untada e enfarinhada não muito grande (cerca de 22 cm de diâmetro), distribua as fatias de maçã e cubra com o restante da massa. Asse à 180°C por cerca de 40 min.

Se quiser, finalize polvilhando com açúcar de confeiteiro ou açúcar com canela. A massa também pode ser perfumada com baunilha.

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15.11.11

Moussaka


Eu chamo de lasanha de beringela e usei uma receita com esse nome já publicada aqui como base. Fiz algumas alterações inspirada na receita do restaurante Acrópoles de SP (nunca provei) que leva batatas e algumas especiarias no tempero.

Substituí o molho branco por uma mistura bem prática, pois basta bater tudo no liquidificador sem precisar ficar na frente do fogão. Ela é bastante líquida, mas fica firme enquanto assa e se combina com os demais ingredientes.




Moussaka

3 beringelas grandes
2-3 batatas grandes em fatias finas
3 colheres (sopa) de azeite 


Cobertura de carne moída

500 g de carne moída
1 cebola picada
2 dentes de alho amassados
1 lata de tomates pelados

1 pitada de açúcar
1/2 c chá de canela em pó
1/4 c chá de cravo em pó (ou 2-3 cravos da índia)
sal e pimenta a gosto

Cobertura de queijo

2 ovos inteiros
250 g de queijo mussarela (ou meia cura) cortado em pedaços
1 colher (sopa) rasa de farinha de trigo ou amido de milho
1 3/4 xícaras (chá) de leite
sal, se necessário 

parmesão ralado a gosto

Corte a beringela com casca em fatias (cerca de 1 cm) no sentido do comprimento e deixe de molho em água com sal. Escorra e coloque em uma assadeira grande junto com as fatias de batata. Adicione o azeite e misture com as mãos para que ele envolva os legumes. Leve ao forno até que eles fiquem macios, mas ainda continuem firmes. (Eles terminarão de cozinhar no final). Reserve.

Refogue a carne moída até perder a cor. Adicione a cebola, o alho, os tomates pelados, tempere com o cravo, a canela, o sal e a pimenta. Deixe cozinhar por cerca de 15 minutos.

Bata os ovos, a mussarela, o amido ( ou a farinha de trigo) e o leite no liquidificador. Tempere com sal.

Faça camadas com a beringela, a batata, a carne moída e a mistura do liquidificador, repetindo as camadas até que os ingredientes acabem. (Costumo finalizar com a mistura de queijo). Salpique parmesão ralado e leve ao forno médio por cerca de 30 minutos.


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14.11.11

Nocturno de Chile - Roberto Bolaño

Roberto Bolaño não é um autor "fácil", você precisa querer ser conquistado por sua escrita (ao menos comigo é assim). Detetives Selvagens foi o primeiro livro dele que li e, depois de passar pelas cinquenta primeiras páginas, fui conquistada. No fim, foi um dos melhores romances deste ano.

Nocturno de Chile é outro tipo de besta, é uma história curta, quase conto, narrado por Irrutia Lacroix, um padre em seu leito de morte. De forma quase delirante, surreal, ele relembra alguns momentos de sua vida que se cruzam com a história do Chile: seu encontro com um crítico literário que admira e também com Neruda; seus próprios passos no mundo literário chileno, como crítico e poeta; sua ida à Europa; o golpe militar que derruba Allende e as aulas de marxismo que dá para Pinochet e a junta militar; as noites passadas em uma casa com outros membros da elite artística em cujo sotão são torturados opositores do regime.

Não há julgamentos, mas as imagens da América Latina que Bolaño nos apresenta são lúcidas e eloquentes.

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13.11.11

Leques de beringela


Receita inspirada em uma recomendação da Georgia. Uma forma gostosa e diferente de preparar beringela. Dá um ótimo acompanhamento e está aberta a várias combinações de ingredientes.



Leques de beringela


Fatie beringelas pequenas no sentido do comprimento em várias camadas começando pelo lado mais gordinho sem terminar de separar as fatias. Coloque fatias de tomate e queijo (usei um queijo de búfala mais firme) entre cada fatia de beringela, fixando tudo com palitos de dentes ou espetos e coloque em um refratário. Espalhe cebola e tomate fatiados a gosto ao redor das beringelas, junte algumas azeitonas verdes picadas (ou alcaparras), regue com azeite, tempere com sal, pimenta e orégano (ou outras ervas) e junte cerca de 100ml de água (ou 100ml de água + um cubo de caldo de carne ou legumes). Cubra com papel alumínio e asse por cerca de 1 hora.


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12.11.11

Comida de avião

Depois da miséria da Gol que nos serviu um sanduíche e algumas torradas quando fomos a Buenos Aires, fiquei surpresa quando a Tam nos serviu comida quente em um voo de pouco mais de uma hora e meia.


Almoço da ida: prato com carne ou frango acompanhado de salada, pão e um tipo de pudim com gosto de queijo. Havia vinho tinto da Finca Flichmann, que é bem razoável.


Café da manhã saindo de Assunção: omelete ou sanduíche com salada de frutas, pão e manteiga. Também havia chá-fé quente. A tripulação da ida e da volta era paraguaia, muito atenciosa por sinal. Mas apesar da comida, acho que muita coisa ainda precisa melhorar na companhia e, atualmente, prefiro a concorrência.


Descobrimos o lugar mais silencioso e vazio do Aeroporto de Guarulhos, é um corredor de conexão no segundo andar que liga o Terminal 1 ao 2 onde ficam as salas Vips. Havia um casal jovem com crianças pequenas dormindo a um canto e senti um pouco de inveja...


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10.11.11

Batata-doce assada com curry


Simples. Basta enfiar uma batata-doce esquecida em algum lugar e já com brotos em um pedaço de terra. Esquecê-la novamente e, quando voltar a encontrá-la, testemunhará a multiplicação das batatas-doces. 

Brincadeiras à parte, foi assim que obtive as batatas desta receita. Mas você não precisa fazer isso, basta comprá-las, descascá-las, fatiá-las, temperá-las com curry em pó e sal a gosto, envolvê-las com um pouco de azeite e assá-las até que comecem a dourar. ;)

(Se quiser, adicione outros temperos como cominho, páprica ou pimenta de caiena. Acho que coloquei pouco curry ou ele estava velho, pois o sabor ficou bem fraco).


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9.11.11

Carne louca desfiada



Outra receita de um piquenique.

Tenho uma receita de carne louca de que gosto muito, nela, os ingredientes não são cozidos e a carne é fatiada, parece mais uma salada. Mas ter uma receita preferida não impede que eu teste (e aprove) outras. Esta também é bem boa.



Carne louca desfiada

Para cozinhar a carne
4-5 c sopa de azeite
1 cebola picada 
Alguns dentes de alho picados
1,5 kg de lagarto, ou patinho, ou coxão duro
2 cenouras cortadas em rodelas
1 copo de vinagre
1/2 litro de caldo de carne, ou água quente e 1 cubinho de caldo (ou apenas água, não costumo usar caldos industrializados) 
louro, algumas folhas
Cheiro-verde, sal e pimenta-do-reino a gosto


Para o molho
azeite q.b.
cebola fatiada (opcional)
pimentões verdes e vermelhos fatiados
1 copo de vinho branco
azeitonas picadas (podem ser verdes ou pretas)
salsinha picada a gosto

Coloque o azeite, a cebola e o alho na panela de pressão. Refogue a carne, coloque a cenoura. Junte o vinagre e o caldo, o louro, o cheiro verde, sal e pimenta. Tampe e deixar cozinhar no fogo baixo durante uma hora. Abra, verifique se a carne está molinha - se não estiver, coloque um pouco mais de água quente ou caldo (caso necessário) e deixe cozinhar. Verifique o sal e temperos. Quando a carne estiver bem macia, quase desmanchando, tire da panela e desfie. Deixe o caldo da carne na panela mesmo. Em uma frigideira, coloque o tanto de azeite suficiente pra refogar a cebola, os pimentões e deixe dourar. Coloque o vinho branco, as azeitonas e a salsinha. Coloque a carne desfiada de volta na panela de pressão (onde o caldo foi deixado), mexa um pouco, coloque o refogado da frigideira por cima, mexa bem. Deixe cozinhar um pouco para tomar gosto. Verifique o tempero e veja se é preciso acrescentar mais alguma coisa. Depois coloque em um recipiente e deixe macerar algum tempo antes de servir (fica melhor quando se faz no dia anterior).


8.11.11

Metropolitan - Ciudad del Este


Já estavamos meio cansados de jantar no hotel quando decidimos nos aventurar um pouco mais. Havia um restaurante de comida chinesa chamado Metropolitan subindo a rua e decidimos comer ali no último dia. Antes, fui dar olhada no ambiente, cardápio, preços e moedas aceitas. Ele ficava aberto das 16h30 às 23h30. Passei por lá no final da tarde e só vi o salão vazio e um atendente assistindo à televisão. Perguntei sobre o cardápio e ele me indicou um balcão meio escondido, atrás dele, havia duas chinesas jovens conversando, elas estavam deitadas sobre sofás. Uma delas se levantou rapidamente com cara de susto e me cumprimentou em chinês (definitivamente preciso começar a estudar essa língua!).

Ela me mostrou um cardápio com fotos e outro com os preços. Eles giravam em torno de U$ 8-15 a porção pequena, a comum para nós, a grande daria para uma grande família. Podia pagar em reais (U$ 1 = R$ 1,80). Voltei para o hotel, expus o resultado da minha pesquisa para o O. e voltamos para o jantar. Ainda estava claro, mas queríamos comer cedo e ir embora igualmente cedo. Fomos os únicos fregueses das 18h30 até pouco depois das 19h30.

Decidimos pedir pratos bem conservadores, era a primeira vez no lugar e teríamos que pegar o avião no dia seguinte, então achamos melhor evitar frutos do mar, rãs e testículos (não me lembro de que animal). Havia pratos feitos com ingredientes bem diferentes e imagino que o restaurante receba muitos chineses.

Enquanto esperávamos por nossos pedidos, o atendente ocupava seu tempo matando algumas moscas que voavam pelo salão com uma daquelas raquetes elétricas. Também ouvimos uma discussão em chinês entre as duas garotas, não sei o que aconteceu, mas uma delas foi embora bufando enquanto a outra a chamava com voz de súplica.

Olhava para aquele velho galpão transformado em restaurante decorado com cores berrantes, ouvia os estalos da raquete quando ela acertava algum alvo e torcia para que a comida fosse boa. E era.

Pedimos costelas de porco agridoce, um tipo de frango com legumes e arroz frito. Vi só cozinheiras locais, mas estava tudo muito bem feito. Apenas o arroz já daria uma ótima refeição. Comemos bastante, mas deixamos quase metade nos pratos. Pagamos cerca de R$ 60,00 por tudo. Nós nos despedimos da comida quase com lágrimas nos olhos e arrependidos por não termos vindo antes. Havia tanta coisa para provar!

Foi a melhor refeição de nossa viagem. 


costelas de porco agridoce


frango com legumes


arroz frito

7.11.11

Cataratas del Iguazú - O lado argentino

Fomos ao Parque das Cataratas del Iguazú no nosso último dia de estadia em Ciudad del Este. A Delia ligou e avisou que o motorista do traslado estava voltando do aeroporto e iria atrasar 15 minutos, no fim, o atraso foi de quase 30 minutos, mas foi a única vez em que isso aconteceu. A Veronica foi quem nos encontrou no lobby do hotel, desta vez, havia mais uma pessoa para nos acompanhar, o Flávio, um oriental, que ia na direção. A Veronica nos levou até a imigração antes de atravessarmos a Ponte da Amizade e fizemos nossa saída do Paraguai, caso contrário, teríamos problemas para entrar na Argentina. Como entramos com nossos passaportes, ganhamos vários carimbos, pois tivemos que repetir o processo na volta. A Veronica havia trabalhado na parte da Secretaria de Turismo que funciona no prédio da imigração logo na entrada de Ciudad e todos a conheciam. Já ela e o Flávio ainda tinham que dar entrada e saída do Brasil para entrar na Argentina.

Os dois parques, o argentino e o brasileiro, ficam próximos, basta pegar uma bifurcação na rodovia e entrar na cidade de Puerto Iguazú, onde há um Duty Free muito frequentado pelos turistas. Também li que vale a pena ir jantar nos restaurantes de lá, mas isso era complicado para nós que estávamos hospedados no Paraguai. (Depois de ver a localização de alguns hotéis que recebem os turistas atraídos pelas cataratas, não é difícil entender a razão de todos irem comer na Argentina, não há nada na rodovia que conduz ao parque do lado brasileiro e Foz acaba ficando mais afastada do que Puerto Iguazú para algumas pessoas). A imigração é meio chata, você deve passar por lá na entrada e mostrar seus documentos senão receberá uma advertência na volta. O Flávio teve que descer e abrir o porta-malas na entrada e na saída, ouvi alguns brasileiros dizerem que isso não foi necessário quando eles entraram na Argentina. Talvez isso tenha ocorrido pelo fato do carro ter chapa do Paraguai, senti um certo preconceito.

Na hora em que chegamos no parque também houve uma confusão, as entradas deviam ser compradas ainda dentro do carro, em um tipo de portaria,  a ideia era comprar as entradas para nós dois, mas a atendente disse que a credencial da Veronica não era aceita e que ela teria que pagar pelo estacionamento e por sua entrada mesmo que não entrasse no parque propriamente dito. Nenhum dos dois tinha pesos, a única moeda aceita para pagamento das entradas, e acabamos pagando os 7 pesos para que eles deixassem o carro no estacionamento. Depois a Veronica teve que ir conversar com alguém na recepção para resolver o problema, não sei o que ocorreu, ela nos esperava na saída no horário combinado e disse apenas que teria que passar por uma grande burocracia para regularizar seu caso. Pensei que eles iriam para algum outro lugar enquanto estávamos no parque, mas os dois ficaram lá todo o tempo, fiquei chateada pelo que aconteceu.

No caminho, a Veronica foi bebendo seu tererê, um tipo de chá muito consumido pelos paraguaios, e me deixou provar um pouco. Ele era muito bom, fazia tempo que tinha provado tererê pela primeira vez (no Mato Grosso do Sul, onde a bebida também é comum). O gosto de sua mistura lembrava vagamente o da menta. Ela me disse que muita gente fazia seu próprio mix com ervas medicinais. Parece que todo paraguaio tem um conjunto com um tipo de garrafa térmica gorducha, guampa e bomba que carrega para todos os lados, muito divertido.

Mas voltando às Cataratas, o parque argentino reflete mais a ideia que tenho de um parque, ao contrário do lado brasileiro, onde é possível ver as cataratas sem muito esforço, desse lado é necessário caminhar um pouco nem que seja para ir até a estação da qual parte um trenzinho que leva até a Garganta do Diabo. Ele parte a cada 30 minutos e o percurso dura mais ou menos 20 minutos para chegar até a estação da Garganta onde há uma passarela que dá acesso à queda. E não há outra maneira de chegar até lá. Além da estação da Garganta, há uma outra mais próxima onde é possível chegar andando e de onde partem dois circuitos de caminhada: o inferior e o superior. O primeiro é mais puxado, pois há alguns degraus e uma subida na volta. Ele passa ao lado de algumas quedas e por cascatas no meio da mata. O segundo é mais curto e passa sobre algumas quedas. Ambos são bem estruturados, você anda sobre passarelas metálicas sem pisar no chão, o trânsito é que pode ficar meio congestionado, especialmente se houver uma excursão escolar pelo caminho, afinal, todos querem tirar fotos. Do lado brasileiro, há uma visão panôramica das quedas do lado argentino, já deste lado, você caminha bem perto delas.



Exemplo de passarela por onde se caminha no parque argentino


Fizemos o circuito inferior e superior, o primeiro é muito bonito, já não achei o segundo tão interessante, você vai e volta pelo mesmo caminho, mas ele é mais fácil e vi até uma senhora com um andador passeando por lá. Na verdade, vi pessoas de todas as idades nos dois parques, mesmo casais novos com crianças de colo e carrinhos de bebê.


Trecho do circuito inferior


Reunião de quatis e nossas sombras enquanto tirávamos fotos


Vista de algumas quedas do circuito inferior


Cascatas quase no final do circuito inferior


Foto de um pedaço do circuito inferior tirada do circuito superior

Decidimos almoçar e descansar um pouco quando terminamos os dois circuitos. Não pegamos o trenzinho em nenhum momento e voltamos a pé para a entrada do parque onde ficava o restaurante. Como no caso do restaurante do lado brasileiro, a qualidade da comida deixava muito a desejar. O bufê é mais barato, mas fraco, melhora um pouco se você pagar mais e adicionar uma parilla que chega à sua mesa com um bife e uma linguíça sobre uma chapa quente. Há um Havanna na frente das lojas de souvenirs onde é possível tomar um café ou frapê. Pagamos em reais, mas as lojas aceitavam várias moedas, apenas a entrada devia ser paga em pesos (e só em pesos).

Com a pausa para o almoço, ficamos com um tempo muito apertado para ir até a Garganta do Diabo, ao contrário do lado brasileiro, onde há um ônibus atrás do outro, o trenzinho argentino é meio lento e tem horários definidos.  Acabamos desistindo desse circuito, pois tínhamos um horário combinado para pegar o traslado de volta e não queríamos deixar ninguém esperando. Uma pena. Se tivéssemos ido até a Garganta primeiro e abreviado o almoço, teríamos visto tudo. Agora teremos que voltar para fazer isso e também o Aventura Náutica, o equivalente do Macuco Sáfari do lado argentino. :p

Gostei. Vale a pena visitar os parques e ver as Cataratas de qualquer um dos lados uma vez na vida, e quem diz isso é alguém que nunca pensou em visitar as Cataratas antes.

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6.11.11

Parque das Cataratas do Iguaçu - O lado brasileiro



Pagamos R$ 120,00 (R$ 60,00/pessoa, entrada do parque não incluída) pelo traslado de ida e volta às Cataratas do Iguaçu saindo de Ciudad del Este. Saiu mais caro do que desejava, mas mais barato do que tinha cotado com taxistas. Como expliquei, fizemos aquilo que ninguém (ou pouca gente) faz. Nós nos hospedamos em Ciudad del Este e fomos passear do lado brasileiro e argentino. A escolha de retardados, mas foi legal, realmente nos sentimos em outro país e os paraguaios, com exceção de alguns comerciantes e taxistas, são muito simpáticos.

A Lleva deve ter uma lista de agentes que trabalham para ela e que fazem o transporte em carro próprio segundo a disponibilidade. Quem nos levou desta vez foi a Digna (nome bonito!), ela chegou em um carro grande (SUV? Não sei como são chamados aqui) pontualmente às 8h00, nós a esperávamos no lobby do hotel. Passamos pela agência para pagar pelo passeio e atravessamos a Ponte da Amizade. Ela estava vazia e a Digna disse que não era necessário passarmos pela imigração para dar nossa saída do Paraguai. Foi tudo tranquilo, ela comprou nossas entradas na área de vendas para agentes de turismo e não precisamos pegar a fila. Combinamos o horário de volta e entramos.

Logo após a entrada, você deve subir em um ônibus que circula pelo interior do parque, há uma gravação que indica as paradas e você pode descer onde quiser. A maioria das pessoas desce na frente do Hotel das Cataratas e pega a trilha que conduz até a Garganta do Diabo, o ponto culminante, uma depressão por onde cai um grande volume de água. Antes de chegar até lá, você vê as quedas do lado argentino do outro lado do rio enquanto caminha e encontra um ou outro quati fuçando o chão em busca de comida. É muito bonito. Quem não quiser caminhar, pode descer na última parada, perto do restaurante, pegar o elevador panorâmico e já dar de cara com a Garganta do Diabo. Se quiser andar sobre as águas e olhar a depressão de perto, melhor ir descalço ou de chinelos, usar uma capa de chuva (vendidas in loco), roupas que sequem rápido ou levar uma muda de roupa. Acabei não caminhando por essa passarela, estava ventando e me deu uma preguiça imensa de tirar os tênis e procurar a capa de chuva dentro da bolsa.

Nós descemos na parada do Macuco Sáfari antes de pegarmos o ônibus novamente para fazer a trilha das cataratas. O Macuco é um passeio vendido à parte no parque (salgados R$ 140,00, pessoas com mais de 60 anos pagam meia) que consiste em um trecho sentado em um vagão puxado por um carro elétrico, uma breve caminhada pela mata e, ao final, um passeio de barco/lancha subindo o rio até uma das quedas, onde somos "batizados" com as águas das cataratas. Deixei bolsa e câmera dentro de armários alugados na saída das lanchas por R$ 5,00. Colocamos capas de chuva, os coletes salva-vidas e nos sentamos na parte detrás da lancha, pois ouvimos algumas pessoas comentarem que era onde nos molharíamos menos. Acho que era verdade, o condutor dá umas "cortadas" no rio e a água entra pela frente molhando bastante, assim mesmo, terminamos com as camisetas e bermudas um pouco molhadas. Algumas pessoas iam com maiôs e acho que é a melhor forma de aproveitar o passeio, se estiver quente, melhor ainda!



Algumas explicações sobre fauna e flora no vagãozinho do Macuco Sáfari. Não tirei fotos do rio e das lanchas, bateu a famosa preguiça, ainda tínhamos que colocar capas, tirar tênis, vestir coletes, guardar coisas no armário... A equipe do Macuco tira fotos para quem quiser comprar depois, mas nem fomos lá ver como elas ficaram. Detestamos aparecer em fotos.



A lancha do Macuco faz uma horinha aí embaixo e depois nos dá um banho em uma cachoeira que fica à esquerda subindo o rio do lado brasileiro (não vísível na foto), as quedas ao fundo estão todas do lado argentino.



Muita água, não é mesmo?



Passarela de acesso à Garganta do Diabo, ventava e era impossível não sair molhado



Vista de uma queda ao lado do elevador e o pessoal tirando foto



Vista após subir com o elevador

Depois do Macuco, pegamos o ônibus e caminhamos pela trilha até a Garganta do Diabo, subimos pelo elevador e almoçamos no restaurante que funciona dentro do parque com bufê a preço fixo, paga-se R$ 43,00 e come-se à vontade. O restaurante fica em um lugar muito agradável, mas a comida não justifica o preço. Pratos sem graça, largados sobre os réchauds, sobremesas sem gosto com apresentação lamentável depois de terem sido atacadas por várias pessoas. Uma pena, pois há muitos turistas estrangeiros e o restaurante deveria se esforçar para passar uma impressão melhor da culinária local. Outra opção é comer em uma das lanchonetes próximas do restaurante (ou levar algo).

Bem perto da recepção do Parque das Cataratas, fica o Parque das Aves, basta andar um pouco. Não fomos até lá porque queríamos voltar para o hotel e tentar dormir depois de nossa noite em branco devido aos vizinhos de quarto barulhentos. A Digna foi nos buscar no horário combinado e voltamos para o Paraguai sem pegar trânsito algum.

Recomendo a visita às Cataratas, elas realmente merecem ser consideradas uma das sete maravilhas da natureza, aliás, o resultado da votação sai esta semana, no dia 11.11.11!

A natureza é linda.


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3.11.11

Ciudad del Este - Itaipu

A Lleva viajes y turismo que fica em uma porta ao lado de uma das entradas do Shopping del Este cobrou R$ 50,00 (R$ 25,00 por pessoa) para nos levar a Itaipu. As negociações de preço foram feitas por e-mail e meu contato na agência, a Delia, tinha dito que as visitas do lado paraguaio, ao contrário daquelas do lado brasileiro, eram gratuitas. Inclusive a visita especial que é mais completa e permite que as pessoas entrem dentro da usina. Tinha escrito várias vezes para os e-mails da usina no site paraguaio pedindo informações sobre as possibilidades de visita, mas nunca obtive resposta e fiquei contente quando ouvi essa informação da Delia. Pedi para que ela fizesse a reserva com um dia de antecência, mas quando cheguei na agência para acertar o passeio no dia seguinte, ela me disse que não havia pessoas em número suficiente e só seria possível fazer a visita panôramica que ocorria de hora em hora. Acabamos aceitando, pois tínhamos nossa programação e estava em cima da hora para fazer a reserva do lado brasileiro, arranjar traslado, etc.

O Rodrigo, um agente da Lleva. foi nos buscar no hotel no horário combinado e nos levou até a usina. Foi interessante fazer isso, pois ele foi nos mostrando a cidade, os parques, os restaurantes e contando coisas "pitorescas" do Paraguai. O. perguntou por que havia tantos Toyotas circulando por Ciudad, o próprio carro em que estávamos era dessa marca, e ele explicou que os carros vinham de Iquique, no Chile. Eles eram comprados de segunda mão no Japão e sofriam uma "transformação" (direção e pedais eram mudados de lugar) para serem revendidos no Paraguai (e também na Bolívia) por preços bem abaixo daqueles praticados no Brasil. Um Toyota de modelo mais antigo como o dele saía por volta de U$ 3000.

 Mas voltando a Itaipu. Chegamos para a visita das 15h00, o Rodrigo mostrou nossos passaportes e entramos na sala de projeção para assistir a um filminho de  20 minutos sobre Itaipu que parece ser obrigatório em todas as modalidades de visita de ambos os lados. A sala de projeção estava vazia e permaneceu assim até metade do filme, quando entraram excursões de escola e várias outras pessoas. Não sei como é a sala do lado brasileiro, mas a do lado paraguaio pedia um trato. 

Depois do filme, subimos em um ônibus (bastante confortável) e fomos levados a um mirante de onde tínhamos uma visão da barragem e dos vertedouros. (Infelizmente eles estavam fechados). Após uma breve pausa para tirar fotos, voltamos para o ônibus que passou ao lado e por cima da barragem enquanto uma guia ia explicando o que estávamos vendo. É um passeio instrutivo. Tudo durou pouco mais de uma hora, o Rodrigo estava nos esperando e nos levou até a agência onde acertei o horário para ir as cataratas do lado brasileiro no dia seguinte. Depois, fomos levados de volta ao hotel.



À espera do início da sessão de cinema


vista da barragem



O Rodrigo disse que sempre há greves de funcionários do lado paraguaio de Itaipu e que uma vez até impediram a entrada dos engenheiros que tiveram que atravessar a Ponte da Amizade para entrar pelo lado brasileiro. Antes de fazer o passeio pelo Paraguai, é bom ligar (e-mails parecem ser inúteis) e obter as informações sobre o funcionamento e horários das visitas, também há um museu e um zoo próximos da entrada da usina. O site brasileiro mostra quais as modalidades de visita e preços de nosso lado.


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2.11.11

Ciudad del Este: aeroporto, táxi e câmbio

O aeroporto Guaraní é minúsculo e fica no meio do nada, parece uma rodoviária do interior. Há uma pequena lanchonete com cara de boteco onde comemos um sanduíche de pão de forma por R$ 3,00 quando nosso voo de volta para Guarulhos foi cancelado e aguardávamos o voo para Assunção de onde pegaríamos um voo de madrugada para Guarulhos. Enquanto chovia, a luz no interior do aeroporto ia e voltava, um verdadeiro pisca-pisca.


Com luz


Sem luz

Há um Banco de Fomento onde imagino que seja possível fazer câmbio, pois é a única agência bancária no aeroporto, fora isso, vi um caixa 24h do BBVA (foto acima, no fundo). Pagamos R$ 60,00 para ir até nosso hotel em Ciudad del Este. Há uma tabela de preços, mas nem a tínhamos notado, tirei a foto na volta. Se quiser ter uma ideia dos preços, clique sobre ela. (Valores de outubro de 2011).



tabela de preços do táxi no aeroporto


Quando estávamos no Paraguai, R$ 1,00 valia cerca de 2200 guaranis. Todos os taxistas aceitavam reais e dólares. Em geral, eles faziam o câmbio ignorando os três últimos zeros (pois o guarani tem muitos zeros) e dividindo o que sobrava por dois (120000 Gs/2 = R$ 60), ou seja, eles dão uma "arredondada" para cima no valor em reais. O táxi do aeroporto tem um valor fixo, mas na cidade os preços e "câmbios" podem variar. Taxímetro é algo desconhecido. O ideal é perguntar qual o valor da corrida em guaranis e depois em reais tendo os valores de câmbio em mente antes de entrar no táxi. O primeiro taxista que encontramos ao sair do hotel para ir à agência de viagens pediu 25000 Gs ou R$ 20,00 para percorrer alguns quarteirões. Pagamos, não tínhamos ideia do valor do guarani e depois o pessoal da agência de viagens disse que pagamos demasiado. Não tínhamos mais como trocar reais àquela hora e teríamos que pagar a corrida de volta novamente em nossa moeda. O. estava fulo da vida, quando saimos do shopping e um dos taxistas ofereceu seus serviços pedindo os mesmos R$ 20,00,  ele disse que iríamos a pé e que não pagaria mais do que R$ 10,00, e não é que o taxista arrumou um outro colega que nos levou pelos tais R$ 10,00? Negociar é tudo em Ciudad del Este. 

No dia seguinte, perguntamos a outro taxista quanto ele cobraria para nos levar ao centro, ele pediu 20000 Gs ou R$ 10,00. O Sr. Pablino acabou sendo nosso taxista oficial, ele sempre foi pontual e foi quem nos levou ao aeroporto debaixo de chuva. No começo, pediu R$ 70,00 para nos levar até lá, explicamos que tínhamos pago R$ 60,00 e ele concordou em baixar o valor, mas explicou, não sei se é algo verdadeiro, que os taxistas do aeroporto não precisavam pagar pedágio e ele sim. De qualquer forma, depois do trajeto debaixo de chuva e com visibilidade baixa, o O. acabou dando R$ 70,00.

Depois de nossas experiências, resolvemos trocar alguns reais por guaranis e passamos a pagar táxis e compras menores, água, etc., com eles, assim perdíamos menos nas "conversões". Costumávamos verificar as cotações no site dos Cambios Chaco que possuem vários endereços em Ciudad del Este (há várias outras agências diferentes). Não usamos o cartão de crédito, nem os habilitamos para uso no exterior, há taxas e achamos um absurdo pagá-las para fazer compras quando o Brasil está ali do outro lado. Compramos dólares para pagar o hotel em uma das agências de câmbio e, como íamos para o parque das Cataratas do lado brasileiro, retiramos os reais de que poderíamos precisar em caixas automáticos lá dentro. Pagamos restaurantes com reais sempre perguntando antes quais as moedas aceitas, a taxa de conversão e em que moeda viria o troco.

Poucas lojas têm preços explícitos. Não vi preços nas vitrines nem mesmo no shopping onde jantamos em Assunção. Trocamos alguns reais por dólares em uma das agência dos Cambios Chaco no aeroporto da cidade, mas o câmbio não foi tão favorável como em Ciudad del Este. Felizmente, compramos pouco e não somos aquele tipo de turista que gasta até o último centavo em balinhas no Duty Free antes de ir embora, pois senão teríamos passado por apuros para pagar o hotel e comer em Assunção depois que o voo em Ciudad del Este foi cancelado devido à chuva.



Outras observações:


Algumas lojas devolvem o troco em um mix de moedas, o que dificulta o cálculo.

As notas de guarani, especialmente as de de 10000 Gs, que circulam em Ciudad são meio nojentonas. Sempre queríamos nos livrar delas o mais rápido possível. rs

Os táxis paraguaios em geral não parecem passar por manutenções frequentes e estão bem caidinhos, de praxe, não tem ar condicionado ou qualquer outro luxo.

Comprar dólares nas agências de câmbio de Ciudad parece ser bem mais vantajoso do que comprar a moeda no Brasil (ao menos para nós foi). Compare as cotações.

Há uma diferença de fuso horário de uma hora entre Ciudad e Foz, atravessando a ponte, você ganha uma hora ao entrar no Paraguai e perde uma hora ao entrar no Brasil. Li que há um período em que a hora é a mesma nos dois lados, mas isso ocorre durante um curto intervalo, quando o Paraguai já está no horário de verão e o Brasil ainda não entrou no seu.

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1.11.11

Ciudad del Este - Hotel Casino Acaray


Se o O. não tivesse visto comentários sobre este hotel em algum lugar, provavelmente não teríamos ido a Ciudad del Este. Ele possui um cassino e está localizado em uma área muito tranquila às margens do rio Paraná, a alguns quarteirões do microcento. Chegamos com o táxi do aeroporto. O hotel oferece traslado, mas ele é muito caro e em dólares.




área da piscina

Há piscina e sala com equipamento para exercício. Os quartos são grandes e confortáveis, mas o isolamento acústico deixa a desejar, não se ouve o que ocorre do lado de fora, mas é possível ouvir as conversas no quarto ao lado. Até o Ibis no qual nos hospedamos em Assunção era mais silencioso apesar dos quartos serem minúsculos e haver um grande número deles em cada andar. 

Na primeira noite, havia três garotas no quarto vizinho que chegaram tarde e conversavam em voz alta, também ouvíamos uma TV com som alto. Reclamamos e conseguimos dormir. Já na segunda noite, o quarto vizinho foi ocupado por duas mulheres (acho) que conversavam em espanhol em voz altíssima, ligaram a TV, ouviram "I'll always love you" e receberam ligações de telefone. Já passava de uma da manhã. Reclamei novamente, mas não adiantou nada. Para piorar, elas tinham algum amigo em outro quarto que entrava e saía a todo momento do quarto delas, desci de pijamas e chinelo para reclamar pessoalmente na recepção e era justamente a hora em que chegava um delivery de sanduíches para aquelas pessoas. Subimos eu, o entregador, um segurança e um rapaz da recepção, voltei para meu quarto e fiquei esperando, mas não adiantou nada. Elas iam fazer check out logo mais e não estavam nem aí. O O. ainda deu umas batidas na parede, mas vocês acham que as criaturas deram bola? Que nada! Ainda deixaram a televisão ou rádio ligado até o sol nascer. Um horror. No dia seguinte, uma das recepcionistas disse que deixaria os dois quartos adjacentes vazios para que conseguíssemos dormir uma noite inteira sem sermos acordados. Foi assim que finalmente tivemos sossego, felizmente, a última noite também foi tranquila.


Vista da Ponte da Amizade do hotel




Vista do rio Paraná e da cidade de Foz do Iguaçu do outro lado, nunca tive uma sensação tão forte do tipo "tão perto, tão longe", Ciudad del Este é outro mundo apesar da fronteira com o Brasil estar logo ali.



corredor

Achei o café da manhã muito bom. Jantamos três vezes no restaurante do hotel, pois não queríamos sair à noite para comer. A comida era razoável e os preços, idem. Eles estavam em guaranis, mas era possível pagar em reais.



Entrei no cassino porque sempre tive curiosidade em saber como é jogar em um desses caça-níqueis e descobri que nunca ficarei viciada em jogos. Não há nada mais sem graça do que apertar botões e esperar pelas figurinhas iguais. Sem falar que o salão cheira a um misto de cigarro e um daqueles aromatizadores de ambiente. Sufocante.



Divertida era a lista de canais disponíveis na TV, havia vários canais árabes, chineses e coreanos. Dá para ter uma ideia de quem se hospeda no hotel. Havia um wifi meio instável nos quartos, mas quebrava o galho. Nossos celulares funcionavam em Ciudad del Este e conseguíamos receber ligações. Se não fosse o barulho, a estadia teria sido muito melhor.


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