27.2.12

Cupim, ajuda, experiência, socorro!

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Update 2: Recebemos a visita de outra dedetizadora com a qual entrei em contato porque ela emprega um método de controle hormonal de cupins. Parece muito interessante, é algo feito a longo prazo, assinamos um contrato de dois anos e os técnicos colocam iscas no quintal que são monitoradas durante todo o período. Parece bem menos agressivo do que a barreira química. Agora preciso capturar um cupim vivo para ter uma ideia de qual é a sua espécie, pois há uma única para a qual o método não serve. O problema é que joguei inseticida e aguarrás em todos os lugares onde havia cupins e eles sumiram ou morreram. Quem diria? Agora quero ver um cupim vivo. Dedos cruzados!

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Update: O pessoal da dedetizadora apareceu e disse que o cupim das portas não é um cupim de madeira seca, é um cupim que vem da terra logo abaixo da porta. A parte boa é que ele parece não comer o batente, mas ataca aquele pedaço que fica pregado na parede ao redor dele e pode passar pelos conduítes e ir para onde quiser. O controle é chato. Eles fazem furos no piso com brocas grossas até atingirem a terra e jogam algum tipo de produto para matar os cupins. Considerando que moro no campo e deve haver cupim em todo o solo, cheguei à conclusão de que será uma luta contínua contra eles, todas as portas são alvos em potencial e desconfio que as portas de dentro de casa também já tenham sido atacadas. Especialmente as dos banheiros, pois sempre achei estranho ver um pouco de pó de madeira se soltar delas quando jogo água para lavar o piso, mas pensei que fosse a madeira apodrecendo ou sofrendo com a umidade. Pela lógica, acho que não adiantaria muito colocar portas novas, pois, se eles estão no solo, seria perda de tempo sair arrancando e trocando tudo. Agora é esperar o orçamento e decidir se vale a pena. Alguém tem alguma solução caseira/ecologicamente correta para fazer controle?

(Morar no "campo" tem seus privilégios, mas dá trabalho, além disso, qualquer serviço fica mais caro. Como se já não bastassem os cupins, amanhã uma pessoa vai subir na laje para retirar ninhos de marimbondos que se instalaram debaixo das telhas, o O. quer colocar tomatas de 220 e o eletricista é alérgico a picadas de insetos. Não quero nem ver. Espero que o jardineiro do vizinho deixe as telhas no lugar e não se machuque fazendo isso, os bombeiros apareceram, mas disseram que não fazem esse tipo de trabalho, a menos que seja por "nossa conta". Daqui a pouco vou lá fora trocar o sifão da pia da edícula. Quase não a uso, mas de vez em quando preciso lavar o piso e o sifão atual está se desintegrando e molhando tudo. Vi um pedreiro fazer isso duas vezes e me parece simples. Espero que seja...).

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Descobri que o batente da porta de madeira da edícula de casa está infestado por cupins e não sei qual a melhor forma de combatê-los. A porta infestada está do lado da porta que dá para o cômodo onde guardamos livros, caixas, papéis, malas, etc., e isso me deixa muito preocupada. No desespero, passei inseticida no batente das duas portas (e sobre mim). Liguei para uma dedetizadora e uma pessoa virá fazer um orçamento amanhã. Alguém já teve um problema semelhante, foi resolvido, como? Fazer a descupinização adianta? Devo fazer nas duas portas para garantir? Ou é melhor trocar as duas portas? Devo dedetizar o cômodo também? Que chateação...


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23.2.12

Procurar o quê? - Carlos Drummond de Andrade



Ganhei a coleção de presente. Gosto muito de coletâneas de poemas, agora tenho quase todos os meus favoritos em versão completa: Pessoa, Bandeira, Quintana, Emily Dickinson e Drummond. Fica faltando o Bukowski por quem me apaixonei recentemente.

Não conhecia este poema:


Procurar o quê?

O que a gente procura muito e sempre não é isto nem aquilo. É outra coisa.
Se me perguntam que coisa é essa, não respondo, porque não é da conta de ninguém o que estou procurando.
Mesmo que quisesse responder, eu não podia. Não sei o que procuro. Deve ser por isso mesmo que procuro.
Me chamam de bobo porque vivo olhando aqui e ali, nos ninhos, nos caramujos, nas panelas, nas folhas de bananeiras, nas gretas do muro, nos espaços vazios.
Até agora não encontrei nada. Ou encontrei coisas que não eram a coisa procurada sem saber, e desejada.
Meu irmão diz que não tenho mesmo jeito, porque não sinto o prazer dos outros na água do açude, na comida, na manja, e procuro inventar um prazer que ninguém sentiu ainda.
Ele tem experiência de mato e de cidade, sabe explorar os mundos, as horas. Eu tropeço no possível, e não desisto de fazer a descoberta do que tem dentro da casca do impossível.
Um dia descubro. Vai ser fácil, existente, de pegar na mão e sentir. Não sei o que é. Não imagino forma, cor, tamanho. Nesse dia vou rir de todos.
Ou não. A coisa que me espera, não poderei mostrar a ninguém. Há de ser invisível para todo mundo, menos para mim, que de tanto procurar fiquei com merecimento de achar e direito de esconder.

15.2.12

Então...



Às vezes o blog entra em crise existencial. Sabe quando você se pergunta qual o sentido de ficar publicando fotos e receitas do que come, pior ainda, gastar vários minutos olhando outros blogs que fazem o mesmo? Blogar sobre comida tem seu lado lúdico, mas, convenhamos, é algo bem fútil.

Ando num frenesi literário. Tenho coisas muito interessantes para ler (e outras não tão interessantes), enquanto ele não passa, haverá menos comida por aqui. Mas é só uma fase. (Todos temos fases como a lua). E, para minha defesa, este nunca foi um blog exclusivamente sobre comida. Apesar disso, não tenho ilusões, foram sempre as receitas que atraíram visitantes, especialmente receitas de doces, acho que os leitores de blogs de culinária são formigas! rs

Durante algum tempo, a comida será escassa, estejam avisados!


12.2.12

Moonwalk with Einstein - Joshua Foer



Outro livro da lista de best sellers 2011 da Amazon. Sim, gosto de listas. Antigamente tinha o projeto de ler todos os livros de uma dessas listas de "melhores livros do Ocidente" e tal, mas acho que desisti quando não consegui passar de algumas páginas do Ulisses de James Joyce

Sou mais realista hoje. Mas listas ainda me atraem. Fiquei interessada em Moonwalk with Einstein depois de ler sua sinopse, o autor é um jovem jornalista que vai cobrir uma competição de "atletas da memória" que ocorre anualmente nos Estados Unidos para uma revista e, um ano depois, participa da mesma competição e sai vitorioso.

Na ocasião, um dos participantes da competição lhe diz que qualquer um pode desenvolver sua capacidade de memorizar, basta treinar e ter disciplina. No início, Joshua se mostra cétido, mas resolve treinar para desenvolver sua memória. O livro conta a sua experiência, suas pesquisas sobre o assunto e seus encontros com pessoas consideradas excepcionais por sua capacidade de memorização.

Ele logo descobre que realmente é possível memorizar uma grande quantidade de informação empregando algumas técnicas que já eram conhecidadas desde a Antiguidade e mesmo na Idade Média, quando livros e textos eram raros e as pessoas precisavam reter informações de outra forma. As técnicas consistem basicamente em fazer associações, criar imagens e dispô-las em "palácios da memória", imagens mentais de lugares familiares ou imaginados. Por exemplo, quando alguém recebe uma lista de objetos para memorizar, pode imaginar sua casa ou a casa de algum conhecido e ir dispondo os objetos pelos cômodos, quanto mais chamativos ou extravagantes forem as associações, mais elas se fixarão na mente. Quando precisar acessar a lista, basta refazer o caminho mental pelos cômodos e os objetos estarão ali.

Já tinha ouvido falar nos tais "palácios da memória", até tenho um livro sobre o assunto escrito por um religioso vetusto em algum lugar aqui em casa, mas nunca me animei a lê-lo, pois ele me parecia extremamente chato. Já o livro de Joshua é bem escrito e informativo.

O autor prova que é possível memorizar os naipes de um jogo de cartas, poemas e vários números com disciplina e treino. As técnicas exigem concentração e permitem que determinadas informações sejam retidas de forma mais efetiva na memória, mas issso não significa que uma pessoa não se esquecerá mais de onde deixou as chaves do carro ou por que abriu a geladeira. O próprio autor concorda que não há muitas ocasiões para se empregar as técnicas de memorização na vida real agora que temos celulares, computadores, internet, etc., mas ele acha que elas tornam quem as conhece mais atento àquilo que ocorre ao redor, consequentemente, suas observações podem tornar-se mais ricas.

O livro foi traduzido para o português e manteve apenas o subtítulo: A arte e ciência de memorizar tudo. Ficou com pinta de livro de autoajuda, algo que ele não é.

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8.2.12

Quibe de beringela recheado com ricota defumada


Provavelmente um dos melhores quibes sem carne que já comi. Inspirado em uma receita da Verena. Fiz minhas adaptações substituindo a mussarela por uma combinação de ricota defumada e um resto de emental, ambos vencidos. O. compra queijos para comer e vai abrindo um depois do outro e os pedaços vão se acumulando na geladeira. Já eu compro queijos para cozinhar como a ricota e às vezes eles acabam esquecidos em algum canto. Uso queijos vencidos desde que eles não saiam correndo quando eu me aproximo e que o prato exija algum cozimento, retiro a parte externa que não estiver muito apresentável e confiro se o aroma está bom. Basta usar os sentidos e o bom senso antes de jogar algo fora.

Achei a combinação ricota defumada + emental deliciosa! Vale muito a pena fazer a substituição. Como gosto de queijo, não pesei tudo, fui generosa. Como tinha apenas duas beringelas, reduzi a quantidade de trigo para quibe para 200g, o resto continuou igual. Ah, como tinha pouca hortelã, adicionei um maço de cheiro verde que estava murchando na geladeira com talos e tudo.



Quibe assado de beringela recheado com ricota defumada

300 g de trigo para quibe (usei 200g)
3 beringelas médias (usei 2)
700 ml de água filtrada
1 cebola
2 dentes de alho descascados
1/2 maço de hortelã (tinha pouca hortelã, completei com um maço de cheiro verde)
1 pitada de pimenta síria (não usei pois não tinha)
sal a gosto
200 g de mussarela ralada na parte grossa do ralador (usei uma mistura de ricota defumada e emental, fui generosa)
1 tomate maduro em cubinhos
80 g de azeitonas verdes sem caroços picadas
Azeite extra virgem


Lave muito bem o trigo, coloque de molho em 500 ml de água morna e deixe descansar por 1 hora (o trigo irá hidratar e ficar mole). Após esse tempo, escorra o trigo em uma peneira e aperte bem com as mãos para tirar o excesso de água.

Pique as beringelas em cubos, coloque em um recipiente, adicione um pouco de sal, misture e deixe descansar por cerca de 15-20 minutos. Lave para retirar o excesso de sal e leve ao fogo com 200 ml de água e 1 pitada de sal. Cozinhe até que fiquem macias, escorra e aperte bem para tirar o excesso de água.

Bata a beringela, a cebola, o alho e a hortelã no liquidificador até virar uma pasta. (Achei melhor utilizar o processador de alimentos, meu liquidificador não deu conta). Junte essa pasta de beringela ao trigo e tempere com sal e pimenta síria. Misture bem. Corrija o tempero caso necessário.

Unte um refratário com azeite ou óleo e coloque a metade do quibe. Recheie com a mistura de queijo, tomates e azeitona e regue com bastante azeite. Cubra com a porção restante do quibe, faça marcas com a faca, regue com azeite e leve ao forno (200 C) por meia hora ou até dourar. (Costumo cobrir tudo com papel alumínio para que o quibe não resseque e fique mais suculento).

Ele é quebradiço logo após ser retirado do forno, mas ficou bom para cortar na refeição seguinte.


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6.2.12

Charles Bukowski - You get so alone at times that it just makes sense



Charles Bukowski faz parte daquela tradição de beberrões, boêmios de vida difícil salvos pela literatura ou de caras que se tornaram beberrões e boêmios porque escolheram viver para a literatura. Ele me lembra um pouco o alter ego de Roberto Bolaño em Detetives Selvagens, alguém sem emprego fixo, meio andarilho que passa o dia fazendo trabalhos sem futuro e gasta o resto do tempo datilografando textos em quartos sufocantes. Amo a ambos por extraírem tanto de suas observações cotidianas, de suas vidas, das experiências de sua carne.

You get so alone é uma coletânea de poemas de Bukowski, muito boa. Ainda não li seus romances, próximo item de minha interminável lista de leituras.



The stride

Norman and I, both 19, striding the streets of
night... feeling big, young young, big and
young
Norman said, "Jesus Christ, I bet nobody
walks with giant strides like we do!"
1939
after having listened to
Stravinsky
not long
after,
the war got
Norman.
I sit here now
46 years later
on the second floor of a hot
one a.m. morning
drunk
still big
not
so young.
Norman, you would
never guess
what
has happened to
me
what
has happened to
all of us. I remember your
saying "make it or
break it."
neither happened and
it won't.


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2.2.12

Go the f*k to sleep - Adam Mansbach

" The cubs and the lions are snoring,
wrapped in a big snuggly heap.
How come you can do all this other great shit
But you can't lie the fuck down and sleep?"


Esse foi um dos livros mais vendidos em 2011 no site da Amazon. "Um livro infantil para adultos". Ele é constituído de umas poucas páginas com versos escritos por Adam Mansbach acompanhados de ilustrações de Ricardo Cortés. Cada uma delas invariavelmente contém a expressão presente no título.

Tinha ouvido falar dele em um programa de crítica literária da NHK (os livros são traduzidos rápido para o japonês!). A pessoa que o apresentava dizia que, como mãe, ela compreendia o que o autor queria dizer, que havia momentos em que a paciência se esgotava e a impotência era grande. Nos comentários da Amazon, as pessoas escrevem o mesmo.

Não sou mãe, por isso não posso dar uma opinião com base em alguma experiência, mas compreendo que o ritmo da vida moderna deva exigir muito mais dos pais hoje em dia e que ter um filho não deva ser algo simples, assim mesmo, achei estranho que esse livro tenha feito tanto sucesso.



1.2.12

Frango à moda italiana com tomates, anchovas e alcaparras


Anchovas, alcaparras, tomates. Adoro molhos assim. E com frango, bem, ficou muito gostoso. A receita é para um frango inteiro, mas usei apenas filés de sobrecoxas. Fiz metade.

Do blog Nami-nami.



Frango à moda italiana com tomates, anchovas e alcaparras

1 frango inteiro cortado em 8-10 pedaços, ou pedaços de sua preferência
um pouco de azeite
4 filés de anchova picados
6 dentes de alho fatiados
2 cebolas picadas
250 ml de vinho branco seco
300 g de tomates cereja cortados ao meio (usei tomates grandes picados)
400 g de tomates pelados
2 c sopa de alecrim fresco picado
sal e pimenta a gosto
4 c sopa de alcaparras escorridas


Aqueça o azeite em uma panela grande. Doure os pedaços de frango de todos os lados (faça aos poucos para evitar que os pedaços fiquem uns sobre os outros). Coloque o frango sobre um prato e reserve.

Adicione mais azeite à panela caso ela fique muito seca e adicione as anchovas e as cebolas, refogue por alguns minutos. Junte o alho, refogue por mais um minuto sem deixar queimar. Devolva os pedaços de frango à panela e junte o vinho branco. Cozinhe por 5-10 minutos, até que o vinho seja reduzido à metade.

Adicione os tomates, tempere com sal, pimenta e alecrim. Cozinhe em fogo baixo por cerca de 25 minutos, até que o frango esteja cozido e o molho fique encorpado. 

Adicione as alcaparras e corrija o tempero caso necessário.