27.3.12

Cenas de um domingo

Amanhecer dentro de um ônibus, tempo bom. 

SP. Descobri que a Catedral da Sé pode ser vista do final da praça da Liberdade.

Itiriki. Suco de pobá. Uma nota falsa de R$20,00 no troco descoberta quando a puxei da carteira para pagar por um vidro de pimenta na Marukai. Voltei, mostrei a nota e a moça do caixa me deu outra.

Um rato morto ao lado da calçada. Ratazanaça.

Uma das garotas negras mais bonitas que já vi: cabelos esvoaçantes, pele de ébano, como diziam os poetas, e um Herman Hesse nas mãos.

Almoço corrido e divertido com pessoas queridas que finalmente se tornaram tridimensionais. 

Anoitecer na cidade. Um oriental todo paramentado com chapéu de cozinheiro e avental sentado e fumando um cigarro na frente de um carrinho de comida, ninguém por perto para pedir um prato de yakisoba, que parecia ser a sua especialidade. Passo ao seu lado e sigo em frente na rua deserta.

Um homem dormindo na frente de uma loja fechada. Coberto por plástico e com tudo o que recolheu nas ruas bem junto a si. Isso sempre parte meu coração, sei que é inútil sentir pena, raiva, vergonha e não fazer nada, mas me falta coragem para mais.

Enfim, um dia cheio de coisas ordinárias e extraordinárias.


23.3.12

Esperamos dizer: Bye, bye, cupins!

Os últimos dias têm sido muito corridos. Um monte de galhos para resolver, uma coisa após a outra, sabe quando você vai dormir e fica contente em poder riscar um item de uma lista que só cresce? Pois é. E não vejo meses mais tranquilos lá para frente. A casa é uma das fontes de nossas atribulações, construída há algum tempo, necessitanto de reformas, todos os dias descobrimos telhas para trocar, uma torneira que não abre ou fecha direito, pintura sofrendo com umidade, metais enferrujando. Mas, enfim, temos uma casa, o que já é algo.

O item "cupim" começou a receber mais atenção. O pessoal da dedetizadora instalou o sistema de controle hoje. Acho a ideia tão boa que não resisti a falar sobre ele. O procedimento consiste em instalar "iscas" ao redor da casa para atrair os bichinhos. Primeiro, coloca-se madeira dentro elas, depois, se houver sinal de cupins, a madeira é substituída por um tipo de tecido/papel que contém um hormônio que impede seu crescimento.


Assinamos um contrato de dois anos, nesse período, as iscas serão monitoradas de 15 em 15 dias, até que se observe alguma atividade cupinífera, e de 30 em 30 dias depois disso. Segundo a dedetizadora, o controle pode demorar mais do que os dois anos, pois tudo depende dos cupins. (Esperamos que eles sejam rápidos). Apesar disso, preferimos esse método à barreira química. Também podemos renovar o serviço após os dois anos mesmo que os cupins tenham sido controlados, pois sempre há a possibilidade de uma nova colônia se formar, mas veremos isso no futuro. No momento, estamos curiosos, esperançosos e tentando não ser céticos.

Foram instaladas duas iscas em batentes de portas (essas caixas grudadas de forma pouco estética na parede) e umas 10 no chão, ao redor da casa (os círculos de plástico verde). Até encontraram alguns cupins em um dos buracos, nas raízes de uma planta ornamental cortada há anos.


Quase desistimos quando recebemos o orçamento, mas alguns espaços ocos sob o piso e o medo dos cupins falou mais alto. Espero que isso funcione e que a casa não caia até lá. Se continuar por aqui, darei um parecer dentro de um ano e ao final do contrato.

21.3.12

Carne com cenouras


Cozido de carne bem simples. Prefiro fazer esse tipo de prato em uma panela comum (preferencialmente de fundo grosso) ao invés de usar a panela de pressão apesar de demorar um pouco mais. Refoguei cubos de coxão mole (pode ser outro corte) polvilhados com farinha de trigo (pouca coisa, para dar mais consistência o caldo final), alho e cebola em um pouco de óleo. Depois que a carne mudou de cor, adicionei o conteúdo de uma lata da cerveja mais vagabunda que encontrei no mercado. Deu para cobrir a carne de sobra. Coloquei uma folha de louro e um pouco de açúcar mascavo, cerca de uma ponta de colher de sopa. Deixei cozinhar em fogo baixo até que a carne começasse a ficar macia. Juntei cenouras cortadas em rodelas, temperei com sal e deixei tudo terminar de cozinhar e o caldo se reduzir. Não precisei adicionar água, mas caso seja necesário, faça-o.

19.3.12

Bacalhau com requeijão e creme de mandioca


Vi uma receita parecida em algum blog (se alguém souber de onde é, avise) e improvisei um prato com bacalhau. Não há medidas exatas, fiz um purê batendo mandioca cozida e ainda quentinha, leite e manteiga no processador. Consistência bem mole, para ficar cremoso mesmo depois de ir ao forno. Coloquei em um refratário e cobri com um refogado feito com bacalhau desfiado (demolhado, colocado em água quente, escorrido e desfiado), cebola, alho, salsinha, palmito picado, sal e pimenta a gosto. Depois de retirar do fogo, adicionei uma quantidade generosa de requeijão cremoso (pode ser catupiry ou outro queijo cremoso) e espalhei essa mistura sobre o purê no refratário. (Não fiz isso, mas, se quiser, finalize cobrindo com fatias de algum queijo firme que derreta). Levei para gratinar e servi com arroz e salada.

17.3.12

Mais essa...

Como reclamar é de praxe, aqui vai mais uma. 

A telefônica passou os últimos dias mexendo na fiação das ruas e, ontem, notamos que estávamos sem telefone. Estava ligando para pedir um reparo e reclamar do celular hoje pela manhã quando vi o fio pendurado na casa com a ponta cortada perto do poste. Não tenho a menor ideia do que eles fizeram ou tentaram fazer. Sei que não se corta o fio alheio (com as contas em dia, bem entendido) e muito menos deixa-se que ele fique caído no quintal.

Update: O. encontrou um pessoal da telefônica trabalhando nos arredores ontem e eles religaram o fio, mas, segundo eles, outra pessoa deveria religar a linha. Hoje, dois técnicos vieram e fizeram isso. Disseram que bastava apertar algo na caixa para que o telefone voltasse a funcionar. Agora, se era tão simples, por que não fizeram isso ontem? Mistério...


 

14.3.12

Universo paralelo ix

Fui a São Paulo no domingo. Peguei o metrô e desci para almoçar na Liberdade. Ia no Lamen Kazu, mas ele estava fechado para reformas ou algo do gênero. Havia fila na frente do Porque Sim. Andei um pouco até o Aska, deixei meu nome para comer no balcão mesmo, mas desisti quando vi o número de pessoas na minha frente. Atravessei a rua e comi novamente no Ebis. Estava com muita pressa. Felizmente o restaurante estava bem tranquilo. Acho que ele é mais frequentado por japoneses. 

Abri o menu que estava pendurado na parede para escolher algo quando o garçom trouxe folhetos com outras opções de pratos, enfiei o dedo no primeiro deles, era um katsudon, e pedi sem pensar muito. Ele estava gostoso, agridoce, o ovo sobre a milanesa de porco estava mais cozido do que em uma versão mais fiel, mas fiquei contente com isso, não gosto de ovos "melosos". Deixei apenas um pouco de arroz no fundo da tigela e o missoshiru que sempre acho que podia ser melhor. Sai após 15 minutos. Engoli a comida. O senhor do caixa disse o valor em japonês e perguntei qual a estação mais próxima também em japonês. Fiquei contente em ser capaz de fazer isso. Tinha horário. Saí correndo, meio que atropelando as pessoas que iam devagar na calçada. Liberdade cheia no domingo, asfixiante, especialmente perto da entrada do metrô. 

Descobri que ainda há coisas em São Paulo de que gosto. Por exemplo, gosto do mêtro no começo da noite de domingo. Ou no começo da manhã do mesmo dia. As luzes sonolentas, as pessoas na plataforma das estações mais vazias. Também gosto de observar a cidade do alto de um prédio, as ruas despovoadas e escuras. Tão despovoadas e escuras que me fizeram correr os 200 metros rasos em um trecho até a casa da minha sogra, onde fui recebida com uma taça de manhattan. Achei forte, mas estava bom. Só não consegui dormir direito. Primeiro, era uma cama estranha; segundo, a cidade é muito barulhenta. Acordei várias vezes.

No dia seguinte, café, metrô, ônibus e retorno ao lar. Foi uma boa quebra de rotina, mas São Paulo me deixa sempre com várias impressões contraditórias.


12.3.12

Dentro do ônibus xvii

Tomar o ônibus com alguma regularidade e em horários determinados faz com que nos habituemos a ver alguns rostos e a pensar no que poderia ter acontecido quando notamos a falta de um deles. Sempre tomo o ônibus dentro da universidade às sextas para ir às aulas de japonês. Há um rapaz que sobe no meio do caminho para ir ao trabalho carregando um guarda-chuva comprido e preto. Acho curioso, pois homens não gostam muito de carregar coisas. Quando a manhã é mais fresca, ele chega enfiado em um cachecol até as orelhas. Em meu ócio, já o diagnostiquei com alguns hábitos obsessivos e uma certa hipocondria.

E há essa garota que espera o ônibus no mesmo ponto que eu. O ponto está sempre cheio, mas ela se destaca. Não que seja particularmente bonita, mas ela é graciosa, com uma postura de bailarina, e suas roupas têm sempre um caimento perfeito. Sexta-feira é o dia em que os alunos voltam para a casa dos pais e ela carrega uma pequena mala. Imagino que seja caloura, safra 2012.

Na última semana, presenciei o encontro do rapaz do guarda-chuva e da garota da mala. Ela se sentou na parte da frente, antes da catraca, e ele subiu com um copo de plástico cheio de café, um pacote com algum salgado, o guarda-chuva e uma mochila. Não prestei atenção ao início da conversa, ele tinha se sentado em outro banco, mas os dois já estavam lado a lado no meio do caminho. 

Ele é grande e meio desajeitado; ela é mignon e delicada. Uma combinação divertida. De alguma forma, achei aquele encontro comovente. Ser jovem e se interessar por alguém, entendem? Isso é algo especial, a gente só se dá conta dessas coisas muito tarde, quando encontros fortuitos não parecem mais mágicos.

Fiquei me sentindo uma daquelas tias casamenteiras, ou alcoviteiras. Vai ver que os dois já se esqueceram um do outro enquanto escrevo sobre eles. Mas o rapaz ficou conversando até chegar ao seu ponto e desceu pela porta da frente.


9.3.12

Bisnaguinhas integrais


Finalmente uma receita neste blog. Da saudosa Laurinha reinterpretada pela Akemi. Os pãezinhos ficaram muito bons. Usei menos fermento (quase a metade da quantidade pedida) e acabei colocando tudo na máquina para que ela misturasse e fizesse a sova, pois estava meio atarefada no dia. Deixo a receita com as ótimas instruções para o preparo à mão passadas pela Akemi. 

Como sempre, minha falta de jeito para moldar pães é bem visível. rs



Bisnaguinhas integrais

280g de farinha de trigo (2 xícaras)
170g de farinha de trigo integral (1 xícara+2 colheres de sopa)
25g de açúcar refinado (2 colheres de sopa)
25g de açúcar mascavo peneirado (2 colheres de sopa)
10g de fermento seco para pão (1 colher de sopa)
1 ovo extra
240ml de leite morno (1 xícara)
1 colher (chá) de sal
60g de manteiga amolecida (4 colheres de sopa)


Misture as duas farinhas e divida em duas partes. Numa coloque o sal e a manteiga. Na outra, coloque o fermento, os açúcares, o ovo batido e o leite morno. Misture tudo com colher de pau até formar uma massa viscosa que levante bolhas. Conforme a farinha, pode ser necessário mais ou menos leite. Não pode ser nem muito dura nem líquida. Adicione a vasilha com o restante dos ingredientes e misture com cuidado no início. Quando toda a farinha for incorporada, despeje na mesa e sove até formar uma massa lisa e homogênea. A massa é bem boa de trabalhar, não gruda nas mãos mas mesmo assim sove pelo menos uns 10 minutos. Forme uma bola, coloque de volta na vasilha e cubra com filme plástico. Deixe descansar até dobrar de volume (uns 40 minutos).

Dê alguns socos na superfície da massa para tirar o gás acumulado e tire da vasilha. Divida em porções pequenas e modele em bolinhas. Cubra com um pano de prato molhado e bem torcido e deixe descansar 10 minutinhos. Modele em bolinhas novamente e vá dispondo em assadeira untada e enfarinhada. Cubra com filme plástico bem frouxo (cobri apenas com um pano de prato limpo) e deixe fermentar mais 30 minutos ou até dobrarem de tamanho. Leve para assar em forno preaquecido a 200˚C por cerca de 30 a 35 minutos ou até dourarem levemente.