25.8.15

Plantas, livros e filmes


Meus bulbos e mudas chegaram. Já plantei tudo na terra molhada pela chuva que caiu durante a noite e parte do dia. 

Tenho lido bastante neste intervalo da pós, enquanto espero que minha orientadora termine de ler a dissertação e dê seu veredito. Leio muito em inglês, cerca de 70-80% dos textos estão nessa língua, deveria ler mais em português, sei que isso faz falta. Terminei Notes Towards the Definition of Culture de TS Eliot e Notes on the Death of Culture: Essays on Spectacle and Society do Vargas Llosa (infelizmente só encontrei em inglês apesar de gostar de ler em espanhol). Eliot: a cultura é monopólio de uma elite, é diluída e enfraquecida quando chega às massas; religião e identidade nacional são importantes para a formação da cultura. Llosa: vários artigos nos quais critica a "morte" da cultura com a valorização do consumo e da gratificação imediata da atualidade, algo refletido pela televisão e pela internet, ele defende a literatura e os clássicos. 

Estou terminando Culture and Death of God (sim, muita "cultura" e "morte" nos títulos) do Terry Eagleton, ele discorre sobre a ideia da morte de deus passando por vários pensadores até chegar em nosso momento pós-moderno no qual tudo é relativo e a espiritualidade foi substituída por seitas, ideias místicas e outras parafernálias new age às quais podemos aderir e das quais igualmente podemos nos afastar sem problemas.

No meio dos diários da Sylvia Plath, ela já se casou com Ted Hughes e tenta voltar a publicar. Homens e escrita eram suas obsessões de juventude, agora, apenas a escrita. Ela publicou vários contos e poemas antes de ir para Cambridge, mas tem vários textos recusados depois e isso faz mal para sua autoestima. Ted não me parece uma má pessoa. Ele incentiva a esposa e tem boa reputação como poeta, com livros e poemas publicados em várias revistas.

Quero ler um pouco sobre como fazer conservas, um pouco mais sobre cultura com o Isaiah Berlin, um de meus críticos preferidos pela clareza e simplicidade, e começar um romance do VS Naipaul, que nunca li. Um pouco de literatura para variar. Diários da Vigínia Woof depois dos da Sylvia Plath e um curto tratado sobre estética japonesa para não fugir muito da minha área de pesquisa. Dá muito prazer ler textos bem escritos, com ideias claras, muito mais do que assistir aulas longas e morosas.

Também voltei a assistir filmes. Geralmente vejo mais documentários. Trem Noturno para Lisboa, baseado em um romance, é bem bonito. Um professor de filosofia salva uma garota misteriosa de uma tentativa de suicídio e isso o leva para Lisboa. Há um pouco de "deus ex machina" devido às coincidências que se sucedem a partir de então, mas gostei. O sueco Um Pombo Pousou num Galho Refletindo sobre a  Existência é feito de uma série de curtas sobre acontecimentos banais e às vezes bizarros na vida de várias pessoas. Minto se disser que gostei, mas é difícil tirar algumas cenas da memória, no fundo, acho que, apesar da sensação de absurdo, a vida deva ser aquilo mesmo. A fotografia é primorosa.


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