26.1.16

Então...

Como alguns talvez tenham notado, passei algumas postagens de meu outro blog para cá, questão de preencher lacunas e também uma forma de colocá-los a par do que andei fazendo durante o tempo em que estive afastada do Kafka. A Vah e mais uma ou outra leitora disseram que estavam com saudades deste espaço. Não acho que este blog seja digno de saudades, mas resolvi espanar um pouco da poeira que se acumulou por suas páginas. Tentarei escrever com alguma regularidade. Coisas sobre o cotidiano, se pintar uma receita de que goste, posso compartilhar com vocês, mas serão poucas, já aviso.

Este início de ano não começou tão bem quanto esperava. Várias de minhas mudas de frutíferas secaram depois das chuvas do final/começo de ano, devem ter se afogado, coitadas. Estamos com outro vazamento na piscina balzaquiana e nunca usada para resolver e, desta vez, acho que o problema é na estrutura e será um conserto mais chato (e caro). A vontade é enchê-la de terra e plantar uma laranjeira, mas acho que nem fazer isso é simples. (Moramos em uma área que, em um passado não muito distante, foi um brejo e a falta ou excesso de chuvas faz com que a terra fique encharcada ou então esturrique e dê origem a rachaduras nas estruturas de alvenaria). O carro ganhou alguns arranhões e uma obturação do O. caiu na semana passada. Compramos uma máquina de lavar para substituir a nossa de 12 anos e ela consta como entregue no site da loja, mas nós não vimos nem sua cor, o mais estranho é que a entrega teria sido feita às três da madrugada. Mas chega! Ao menos são coisas que podem ser resolvidas mesmo que envolvam perda de tempo e gastos sempre dolorosos.

Tenho lido o que me dá vontade. Desenferrujando o alemão com a Herta Müller e procurando entender um pouco mais sobre budismo folheando um livro sobre a vertente Terra Pura, ele traz vários artigos escritos por Daisetsu Teitarô Suzuki. Também terminei Eating Viêt Nam do Graham Holliday, publicado por intermédio do Anthony Bourdain. Graham Holliday criou um blog, chamado Noodlepie, no qual narrava suas aventuras gastronômicas no Vietnã. Ele nasceu na Inglaterra e foi para a Ásia, onde dava aulas de inglês, para fugir de uma vida monótona. Depois que seu blog ficou conhecido, ele se tornou uma espécie de jornalista/escritor freelancer.  O livro é mais propriamente sobre ele do que sobre a comida, interessante pelo aspecto exótico de suas experiências, mas não achei a leitura muito envolvente.

Ganhei uma menção honrosa em um concurso de tradução do japonês para o português promovido por uma associação nipo de São Paulo. Ano passado também ganhei o mesmo prêmio. Queria receber o prêmio especial algum dia (há apenas duas menções honrosas e um prêmio especial para trabalhos julgados excepcionais), ainda chego lá. Acho que somos sempre os mesmos 8-9 gatos pingados que participamos do concurso. Assim mesmo, fiquei contente. Para alguém que não fez letras ou estudou japonês na graduação, até que está bom. Queria muito que minha tradução dos contos do autor que estudei no mestrado, Osamu Dazai, fosse publicada, mas a editora para a qual minha orientadora enviou a coletânea nunca se pronunciou. Desta vez, imprimi tudo e reenviei os contos com um pedido formal para que a tradução seja avaliada. Sei que é difícil e improvável devido às condições econômicas atuais e à obscuridade de Dazai (sem falar na minha própria), mas é melhor tentar do que lamentar, não é mesmo? Um artigo que escrevi sobre Dazai e a tradução do concurso de 2015, um conto do Natsume Sôseki, também saíram em revistas de pequena circulação. Este ano, um outro artigo derivado de minha dissertação também deve fazer parte de uma revista de estudos literários e, se tudo der certo, a tradução de um conto de Dazai que acho muito bonito também deve integrar uma revista online (torçam para que isso ocorra!). Tenho vergonha de admitir que nunca publiquei nada enquanto fazia pós em filosofia e concluo que realmente não gostava dessa área o suficiente para produzir algo. Quanto tempo a gente perde nessa vida!

7 comentários:

Mariana disse...

Karen,

Eu também senti saudades dos seus posts. Fico feliz que você tenha voltado. Eu vou montar meu próprio jardim esse ano, e tenho revisitado seus posts para começar a me inteirar do assunto.

Comecei a ler autores japoneses ano passado e espero poder finalmente aproveitar suas indicações.

Obrigada por voltar,

Mariana

Karen disse...

Oi, Mariana! Obrigada pelo incentivo, é bom saber que algumas pessoas continuam por aqui! Meu jardim está longe de ser uma maravilha, perco muitas plantas, ainda estou tentando encontrar as variedades que se adaptem melhor às condições locais. Desejo-lhe boas leituras e divirta-se com o jardim! Abraços!

aline naomi disse...

Oi, Karen!

Espero que você consiga resolver as chatices com o menor estresse possível (eu já estaria surtando - e essa máquina de lavar que consta no site como entregue às 3h da manhã?! É demais pra minha cabeça...).

Parabéns pela menção honrosa (ah, cheguei a ver seu nome num site... o André Kondo também ganhou algo em alguma categoria desse concurso - meio que acompanho os trabalhos dele) e demais esforços na área de literatura japonesa/ tradução literária!! Me dá prazer saber que há pessoas produzindo e divulgando conteúdo nessas áreas que me interessam.

Letrícia disse...

Oi, Karen, adoraria vê-la tornar-se uma tradutora de língua japonesa. Você tem muita sensibilidade, faria este trabalho lindamente.

Ah, fiz no fim de semana uma receita publicada por você aqui - as berinjelas ao vapor com gengibre. Afff, que maravilha. Um dos melhores jeitos de comer berinjela que eu já experimentei.

Espero que os aborrecimentos do dia a dia se resolvam.

Beijos!

Karen disse...

Oi, Aline! A máquina acabou de chegar! A loja só dá respostas padrões e deixa os compradores mais nervosos, mas o entregar disse que, quando a transportadora oficial não tem tempo de fazer a entrega no endereço do comprador, ela simplesmente deixa tudo na loja física mais próxima e outra pessoa fica encarregada pelo frete. Parece que foi isso que aconteceu. Hoje ligo a máquina, será bom não ter que enchê-la mais com a mangueira. :)

Sim, o André ganhou o prêmio especial na categoria contos no ano passado e acho que recebeu uma menção honrosa em outra categoria este ano. Achei engraçado quando vi!

Letícia, também adoro essa forma de preparar berinjela, muito saborosa e leve, não é mesmo? Estou esperando as berinjelas aqui de casa ficarem maiores para preparar essa receita!

Yolanda disse...

Karen que saudade, o Kafka na praia tornou-se xodó. Espero que resolva todos os problemas. Parabéns pelo prêmio, certeza foi merecido.
Bjs e Feliz 2016.

Karen disse...

Obrigada pelo carinho, Yolanda! Feliz 2016!