26.4.16

Dippas para nachos/doritos e outras coisinhas


Fiz um desses molhinhos para lambuzar nachos (doritos) em casa e achei o resultado bastante decente, quem diria? A receita era vegana, mas fiz algumas adaptações. O sabor lembra um pouco o tempero dos doritos na versão com queijo. Se for servir já sobre os nachos junto com outros acompanhamentos (coentro, abacate, milho, feijão, etc., como na receita original), monte o prato momentos antes de servir ou os nachos perderão a crocância. Medi a quantidade mais ou menos a olho, pois não queria fazer a receita inteira.



Queso caseiro (dippas)


1 x de castanhas-de-caju cruas (usei torradas) 
1 x de leite de soja (sem aditivos/aromatizantes, acho que também funciona com leite)
220g de cream cheese
1 tomate pequeno picado (cerca de 1/2 x)
sal a gosto
1/2 c chá de páprica picante
1/2 c chá de cominho em pó 


Bata todos os ingredientes no liquidificador ou no processador até que a mistura fique homogênea e cremosa.


***

Abaixo, algumas de minhas últimas aventuras culinárias e outras coisinhas:

Fiz meu primeiro bolo prestígio seguindo a receita da Marly, ficou ótimo! Só não tive coragem de fazer as três camadas, separei um pouco da massa para o bolo não ficar tão alto e fiz uma versão no formato de cupcake. Ainda bem, pois o corte do bolo maior saiu mais diagonal do que horizontal, imaginem se tivesse que cortar o bolo em três... Não ficou bonito como os bolos da Marly, mas garanto que todos aqueles que comeram gostaram! (Também não reparem no interior da geladeira!)


Gengibre da horta. Separei um pouco para mim e deixei o resto numa caixa na frente do portão com um plaquinha para quem quisesse. Um homem que está fazendo reformas na casa da frente tocou a campainha e perguntou se podia levar, claro!


 Torta de couve-flor, fica entre um recheio de quiche e uma frittata. Receita daqui.


E agora que tenho dill/endro crescendo a todo vapor, faço gravlax quando me dá vontade. É salgadinho e fica ótimo com um molhinho de iogurte e pepino. Eu me baseio mais ou menos nesta receita, mas é só procurar na internet para encontrar uma que se adeque ao seu paladar.

E continuo recolhendo cascalho na rua. Acho essas pedrinhas arredondadas irresistíveis!


3.4.16

April is not the cruellest month

Li If the oceans were ink no mês passado. A autora, Carla Power, é jornalista e passou um ano acompanhando as palestras e tendo aulas sobre o Corão, o livro sagrado do Islã, com uma autoridade da religião, Mohammad Akram Nadwi, um pesquisador e estudioso que nasceu na Índia e mora na Inglaterra. Apesar de sua posição conservadora, Akram deixa claro que Maomé não prega a opressão feminina. Em seus estudos ele realizou o levantamento do nome de várias mulheres que se dedicaram ao estudo do Alcorão no mundo islâmico. 

A autora claramente foca o livro na questão feminina no islamismo e, por meio das explicações de Akram, procura mostrar que o texto sagrado não é tão opressivo em relação às mulheres, ao contrário, as interpretações e leis estabelecidas posteriormente é que teriam restringido seus direitos e liberdade. (Descobri que o profeta nunca disse que uma mulher não deveria conduzir um camelo, inclusive, suas mulheres o seguiam dessa forma, algumas até mesmo expressavam sua opinião e ela era respeitada).

É um livro muito interessante. Como qualquer religião, Akram explica que o fundamento do Islã é a compaixão, a paciência e a modéstia. Mas como qualquer texto, o Corão é aberto a várias interpretações e suas palavras podem ser distorcidas para satisfazer interesses pouco elevados. Quando o secular e o sagrado, as leis e a religião, são uma coisa só, o perigo é grande. Há diversos pontos controversos que Akram tenta elucidar para a autora, ela nem sempre fica satisfeita com as explicações, mas a leitura é ótima para compreender, mesmo que pouco, a perspectiva do islamismo.

As vozes de Marrakech (li em italiano, pois foi a tradução que encontrei), do escritor e ensaísta búlgaro Elias Canetti, é uma espécie de diário com cenas e experiências vividas pelo autor durante uma viagem a Marrakech feita em 1954. Gosto de Canetti, adorei a trilogia autobiográfica (A língua absolvida, O jogo dos olhos, Luz em meu ouvido) na qual ele narra sua infância, sua relação tempestuosa com a mãe, sua juventude e formação literária durante os anos dourados de Viena e seu relacionamento com Veza, uma mulher mais velha que considerava sua musa e com quem se casa. No livro sobre Marrakech, a pobreza e a privação estão sempre muito presentes nas cenas narradas pelo autor, o pouco de lirismo que surge aqui e ali sucumbe rapidamente diante da realidade. 

Getting more of what you want de Margaret Neale e Thomaz Lys é sobre estratégias de negociação, sobre como maximizar ganhos em diversos tipos de interação aliando aspectos psicológicos e econômicos. Apesar de não me considerar uma grande negociadora, gosto desse tipo de assunto. Nossos julgamentos, preconceitos e temperamento afetam nossas decisões e é sempre bom ter consciência disso.

Healthy brain, happy life é uma mistura de livro de bem-estar/autoajuda com neurociência, área estudada pela autora Wendy Suzuki, professora da Universidade de New York. Ela procura mostrar a importância do cérebro para se ter qualidade de vida, mas acho que esse aspecto é explicado de forma superficial, pois o texto acaba priorizando mais sua vida pessoal. É uma leitura que procura ser divertida e informativa ao mesmo tempo sem ser chata, mas fica meio açucarada. (Apesar disso, até gostaria de participar de seu curso sobre como a atividade física afeta a atividade cerebral, ela faz os estudantes realizarem exercícios enquanto gritam palavras de encorajamento e abre uma discussão sobre o tema na segunda parte da aula).

Os dias têm sido quentes, ensolarados. Gosto muito do outono. Decidi tentar remediar as trincas da piscina eu mesma, comprei massa époxi e rejunte e estou aplicando pouco a pouco. Se o vazamento diminuir, podemos chutar o problema para algum momento futuro. Por enquanto, não vi resultado, mas também ainda não terminei. A massa é ruim de aplicar e faço uma ou duas trincas por vez dentro da água.

A horta continua na mesma. Continuo colhendo berinjelas, mas as mudinhas novas continuam desaparecendo misteriosamente. Plantei batata-doce em um dos canteiros porque cansei de semear verduras e perder todas as sementes. Tenho bastante gengibre e os pés de cúrcuma estão vistosos. Colhi algumas mandiocas, elas são muito macias, as mudas foram dadas por meu pai. 

O pão continua caseiro e estou tentando melhorar minha técnica com o levain. Sempre busco dicas no blog da Neide Rigo, acho que estou melhorando, mas ainda não consegui aquele tão desejado pão de casca crocante e miolo cheio de furos. 


Flor de maracujá
Berinjelas e um pepino
primeira colheita de mandioca
alguns passeiam de balão aos domingos
pão caseiro