8.4.07

Senhora das Especiarias - Gonçalves (MG)


 
Se você for a Gonçalves, não deixe de passar pela Senhora das Especiarias, ela fica em uma casa rosada de esquina no meio da cidade. Você sobe as escadas e chega em uma sala com uma mesa cheia de vidrinhos abertos, cada um com uma colher, cobertos por um tipo de véu branco. Logo em frente, há uma porta aberta também protegida pelo mesmo tipo de véu branco, do outro lado, você verá várias mulheres com toucas na cabeça conversando e trabalhando na confecção de geléias, chutneys e antepastos. Os mesmos que estão na mesa e que você pode provar à vontade, claro que fica chato fazer isso sem levar nada...

Fomos recebidos pela Fernanda, uma mulher pequena, mas de fala e gestos rápidos que nos recomendou restaurantes e lugares para visitar enquanto eu experimentava um pouco de tudo.


Os restos de pão francês da bandeja estavam duros, mas era segunda-feira de manhã, então dei um desconto... Gostei muito da geléia de abacaxi com pimenta e do creme de maçãs com castanhas, mas todas as geléias são feitas com combinações bastante criativas e inusitadas: laranja com gengibre, alfazema, abacaxi com hortelã, ervas finas, café, cachaça, chocolate, etc., também há antepastos salgados. Os produtos da Senhora são vendidos em vários empórios "gourmets" de São Paulo e parecem ter muito boa recepção. Saíamos com alguns vidrinhos e com a boca doce (ao menos eu, O. não é de provar muitas coisas, exceto bebidas).


No site da empresa, é possível ver quais os produtos oferecidos.


6.4.07

Ainda na pousada - Gonçalves (MG)

Nossa "toca" na pousada Bicho do Mato



Nada mal acordar, abrir as cortinas e olhar para essa paisagem, hein?


Preguiças, detalhe do azulejo do banheiro

Pousada Bicho do Mato - Gonçalves (MG)

Restaurante da Pousada


Escolhi a Pousada Bicho do Mato em Gonçalves após consultar esta reportagem na seção de viagens da Uol. Fiz uma avaliação da relação custo benefício e achei que ela se saiu melhor. Ela fica afastada da cidade propriamente dita, uns 7km, no bairro do Sertão do Cantagalo (adoro os nomes dos lugares, são tão poéticos! "São Sebastião das Três Orelhas" é outro bairro com um nome sugestivo!) bem no alto de um morro a mais de 1500m de altitude. São apenas sete chalés, cada um tem um nome de um bicho da fauna brasileira, ficamos na "Toca da Preguiça", algo apropriado para nós... Éramos os únicos hóspedes, pois era começo de semana e as pessoas "normais" trabalham... Mesmo assim, fomos muito bem recebidos e alimentados, como não havia muitas opções de almoço na cidade (a maioria do restaurantes funciona só nos finais de semana), acabamos fazendo todas as refeições por ali mesmo. A comida era bem gostosa, feita na hora e com muito capricho. Apesar de sempre haver uma opção de jantar (risoto, massa, caldo, variando a cada dia) inclusa na diária, muitas vezes, escolhíamos pratos à la carte.


(Clique sobre as fotos para ampliá-las)
Truta na trouxa e salada de vegetais com iscas de truta, os pedacinhos de truta da salada pareciam torresmo, estavam muito crocantes. A couve da "trouxa" e o almeirão roxo da salada eram da horta orgânica da pousada.

Comi um risoto de shiitake com pedaços de truta delicioso, outros pratos de que gostei fo
ram da "truta na trouxa" e da "truta pererê", a primeira consistia de pedaços de truta temperados com gengibre e curry (talvez), embrulhados em folhas de couve e servidos sobre purê de mandioquinha, o segundo, era basicamente um filé de truta com crosta crocante de amêndoas sobre purê de maçãs. As ervas e condimentos são muito bem usados na cozinha da pousada. E o café da manhã! Que delícia! Éramos os únicos hóspedes, mas o pessoal se dava ao trabalho de acender o fogão à lenha sobre o qual ficavam o bule de leite (espesso e saboroso), a água quente para o chá e o pão de queijo mais gostoso que já comi na vida, crosta crocante e interior cremoso, nenhum pão de queijo será mais o mesmo depois disso! (Ganhei a receita e se der certo vou publicar!)



Fogão a lenha do restaurante da pousada, sobre ele, bule de água, leite e o pão de queijo

Quando entrávamos no restaurante, a mesa já estava arrumada com pratos e talheres, havia sempre um suco, frios, manteiga, geléia, bolo, pães, iogurte... Tanta coisa! Voltei alguns quilos mais gorda!


Bolos, biscoitos, pães, sucos, iogurte, manteiga, geléia, rocambole com doce de leite, frutas...

Não há telefone nos quartos e os canais de tv se limitam aos abertos, O. chiou com isso, pois está viciado em tv à cabo, mas assim íamos dormir mais cedo, o que não era má idéia, uma vez que os quartos não têm black-out e quando o sol nasce, lá pelas seis da manhã, o quarto fica bem claro.
Como na pousada em que ficamos em Monte Verde, ali também havia algum animal morando no forro de madeira do teto que teimava em correr de um lado para o outro e fazer ruídos estranhos. (A Isabel, a dona da pousada, que mora lá mesmo, disse que eram andorinhas.) Fora isso, o silêncio era absoluto. Acordávamos, afastávamos as cortinas e contemplávamos uma paisagem linda com um céu azul. As noites também foram muito bonitas durante nossa estadia, a lua cheia iluminava a paisagem. Recomendo muito o lugar. Por R$10,00, você pode usar a internet no quarto, usávamos o Skype para fazer ligações telefônicas, uma vez que o celular não pegava. Passem pelo site da pousada!

Interior do restaurante da pousada


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Fomos visitar a Pousada "O Montanhês" que ficava por perto e também gostamos dos apartamentos, eles têm uma bela vista e são confortáveis, já os chalés não são lá essas coisas, são bem apertadinhos. Há uma boa piscina coberta e aquecida no inverno. Só fiquei em dúvida sobre o restaurante, o cardápio que me mostraram não me animou muito, mas dá para sair de carro e ir comer no "Bicho do Mato"... Outra coisa meio complicada no Montanhês é subir até a pousada, o caminho é bem íngreme e um pouco de chuva e alguma "birita" podem dificultar as coisas...

Também passamos pelo Solar d'Araucária, apesar de ser considerado o "top" na lista da revista 4 Rodas, achei a pousada cara para o que oferece, a impressão é a de que os chalés já tiveram dias melhores. Há uma cachoeira na propriedade e os chalés mais caros ficam voltados para ela, mas a vista geral não é tão bonita quando a do Bicho do Mato e a do Montanhês.

4.4.07

Gonçalves (MG)

 
Passei alguns dias em Gonçalves (MG). A última estadia em Monte Verde (MG) nos fez querer voltar para o sul de Minas, desta vez, insisti em conhecer essa cidade que fica a alguns quilômetros ao norte de Monte Verde. Fomos pela Fernão Dias e entramos em Cambuí e, de lá, nos dirigimos até Córrego do Bom Jesus, todo o percurso ao som dos Stones, de Amy Winehouse  e Mary Gauthier. A estrada de terra entre Córrego do Bom Jesus e Gonçalves tem várias "costelinhas e costelões", aqueles sulcos abertos pelas águas das chuvas, mas ainda é "passável". (Sônia, vi onde fica a Pousada da Dona Marica! Um dia passo para dizer oi para a Cleide!). Para quem vem de SP, a vida é mais fácil, o rodovia entre Campos do Jordão e a cidade é asfaltada.
A cidade propriamente dita é minúscula, não é estranho ver cavalos amarrados na calçada, os restaurantes e pousadas ficam afastados, mas acho que esse é o charme do lugar, tinha gostado de Monte Verde, mas se você quer mesmo fugir de qualquer agito, vá a Gonçalves. Na temporada e finais de semana, Monte Verde já fica cheia e não há onde estacionar na rua principal. 
Gonçalves é calma, linda. Só aumentou aquele meu desejo de fugir de tudo, arrumar um emprego de meio período para fazer algo em uma lojinha ou pousada e gastar o resto do tempo lendo e escrevendo meu grande romance, mas idílios não seriam idílios se se concretizassem...
Você cruza com cachoeiras e riachos nas estradas que serpenteiam em meio às colinas cobertas por pastos verdes e araucárias, as pessoas são sempre mineiramente simpáticas e come-se muito bem. Há uma grande preocupação em oferecer produtos de qualidade e várias propriedades trabalham com agricultura orgânica.

Como estamos na época de pinhões, via os ditos cujos espalhados pelas estradas de terra, até apanhei alguns. Também estamos na época em que as borboletas deixam suas crisálidas e saem voando por aí, então havia várias pairando pelas matas.

Não há muito o que fazer à noite além de jantar e se recolher ao conforto do quarto, mas quem precisa de mais do que isso? Os celulares não pegam e pouquíssimos lugares aceitam cartão, mas isso são detalhes... Fugimos do calor, até vestimos agasalhos, pois as manhãs e as noites eram fresquinhas, e descansamos. Tomávamos nosso delicioso café da manhã e davámos uma pequena volta de carro pelas redondezas, voltávamos para a pousada, almoçávamos e eu me estatelava na cama para minha "siesta", algo que não costumo fazer em dias normais. 
Não deu para ir a todos os lugares que tinha vontade de conhecer, pois estávamos no começo da semana e a maioria dos restaurantes só abre a partir das quintas-feiras. Gostamos de fugir de "gente" e sempre saímos quando todos ainda estão trabalhando, há vantagens e desvantagens em fazer isso, mas se podemos, por que não?
Nos próximos posts, escreverei sobre alguns lugares pelos quais passamos.

31.3.07

The curtain - Kundera

Milan Kundera é o autor de vários romances em Tcheco e em francês, entre eles, "A insustentável leveza do ser", que foi filmado. The Curtain é um livro de ensaios sobre a literatura do ponto de vista do autor. Neles, Kundera fala da relação de suas experiências como um emigrado tcheco em outro país, no caso, a França, e a sua obra, bem como da relação da obra de vários de seus autores favoritos (Rabelais, Cervantes, Fielding, Flaubert, Tolstoy, Hermann Broch, Franz Kafka, entre outros) com a sociedade em que vivem. A forma como cada um deles conta uma história, como ela se torna bem sucedida e completa em si mesma, sobre o que cada uma delas nos traz, também são tópicos abordados.

Apesar dele não negar suas origens e trazer a Tchecoslováquia em seu sangue e em sua memória, ele parece detestar quando as pessoas o definem como "o exilado tcheco", de fato, é uma generalização e, como qualquer generalização, ela é empobrecedora. Questões pessoais do autor à parte, os ensaios são bem variados, alguns são brilhantes, outros, nem tanto.

Adoro ler o que os escritores têm a dizer sobre a literatura e sobre os autores de que gostam, acho que é algo muito mais enriquecedor do que ler obras de teoria literária que, como Kundera diz, costumam propagar banalidades.

25.3.07

The elephant vanishes - Haruki Murakami

Esta é uma coletânea de contos do Murakami. São dezessete contos dele reunidos em um livro. O primeiro é praticamente o primeiro capítulo de Wind-up bird. Em seu último livro de contos "Blind Willow, Sleeping woman", o autor mesmo escreve que muitas vezes um conto acaba se transformando em um livro, outro conto, "Barn Burning" tem algo de "Minha querida Sputnik"... A impressão que você tem ao ler os contos, é a de que eles poderiam servir de prólogo para um novo romance. São bons, mas acho que os personagens do Murakami se revelam melhor em histórias mais longas, é como se eles precisassem de espaço para se exporem e nos conquistarem de vez. Claro que há muitas pessoas que discordam da minha opinião, como é possível ler nas críticas feitas à sua última coletânea na Amazon.

Já tinha lido "Lederhosen", a história da mulher que descobre que não gosta do marido e pede divórcio quando viaja até a Alemanha e decide comprar uma daquelas calças/shorts de couro típicos do país, em uma New Yorker antiga. Alguns de seus contos foram publicados pela revista em diferentes momentos.

Os contos de que mais gostei foram "The little green monster" e "A slow boat to China", este último conto é um primor! O narrador fala sobre os chineses que cruzaram seu caminho em diferentes momentos de sua vida com nostalgia: um professor que entrega provas em um exame quando ele era criança, uma garota com quem trabalha nas férias no primeiro ano da universidade e um garoto que reencontra já mais velho vendendo enciclopédias. Muito tocante, talvez porque as pessoas que conhecemos algum dia, mesmo aquelas para as quais não demos muita importância, servem de pontos de referências para a história de nossas vidas.


22.3.07

Cakes de tomate seco

Vi essa receita no blog L'amour dans l'assiette e tinha que testar! Uma delícia! Façam! Fiz para comer com uma saladinha, mas é perfeito para um aperitivo. Como não tinha forma para madeleines ou canelés, usei formas de muffins, a receita rendeu 6. Usei um resto de queijo de cabra (chevrotin) no lugar do gruyère, ficou perfeito! O queijo de cabra tem um sabor mais pronunciado do que o queijo feito com leite de vaca.


Cakes de tomate seco



110 g de farinha de tirgo
1 colher de chá de fermento em pó
2 ovos pequenos
50 g de queijo ralado (gruyère)
50 ml de azeite (usei óleo de canola, diminui um pouco a quantidade porque o tomate seco era bem oleoso)
50 ml de leite
100 g de tomate seco escorrido e picadinho
2 colheres de sopa de manjericāo picado
pimenta do reino

Misturar e peneirar a farinha com o fermento. Em outro recipiente misture com um fouet (batedor) os ovos com o azeite e o leite. Tempere com a pimenta do reino e sal. Junte esta mistura à primeira mistura de farinha e fermento. Mexa delicadamente e junte o queijo ralado, os tomates picadinhos e o manjericāo. Misture e coloque na forma escolhida untade e polvilhada de farinha. Coloque no forno pré-aquecido à 180°C. Asse até que comece a dourar.

18.3.07

Polenta com gorgonzola e espinafre

Essa polenta fica muito boa. Bem gostosa sozinha ou com um pedaço de frango assado. Receita do Epicurious.

Polenta com gorgonzola e espinafre
 
4 x de caldo de frango (use o pó ou o cubinho em quantidade menor se contiver sal, porque o gorgonzola também é salgado)
2 dentes de alho picados
2 c chá de alecrim fresco picado
1 1/2 x de polentina (ou fubá, ou o produto que estiver acostumado a usar para fazer polenta)
1 x bem cheia de espinafre fresco picado
1/2 x de creme de leite (eu não coloquei e acho que não fez falta, mas deve ficar mais cremoso com ele)
1 x de gorgonzola (ou roquefort) esmigalhado
3 c sopa de salsinha picada
 
Ferva dos três primeiros ingredientes em uma panela grande. Adicione a polentina aos poucos, reduza a temperatura e cozinhe em fogo baixo, mexendo, até que a mistura engrosse, cerca de 10 min. Adicione o espinafre e mexa até que ele murche, adicione o creme e cozinhe até que ele seja absorvido pela polenta. Adicione o queijo e a salsinha, mexa até que o queijo derreta. Prove, tempere com sal e pimenta caso necessário.


14.3.07

A wild sheep chase (Caçando Carneiros) - Haruki Murakami

Mais um Murakami se vai.

Há sempre um sentimento de melancolia quando um bom livro chega ao seu fim, especialmente porque eu li sua continuação, Dance, Dance, Dance, antes de A wild sheep chase, ou Caçando Carneiros, como foi traduzido no Brasil.

O mesmo personagem de Dance, quatro anos mais novo, narra sua busca por um carneiro muito especial que escolhe algumas pessoas para serem seus hospedeiros e realizarem seus planos. Sua busca o leva até Hokkaido, no norte do Japão, é lá que ele se hospeda no Dolphin Hotel e conhece o Sheep Professor. É em Hokkaido, também, que ele encontra o Sheep Man...

Apesar da história inusitada, Murakami fala da solidão, da perda e do sentimento de falta de sentido da vida com muita delicadeza. Depois deste livro, restam duas coletâneas de contos para eu ler. Espero que haja mais alguma coisa sendo traduzida para alguma língua inteligível, assim não me sentirei orfã de Murakamis....

7.3.07

Bocadinhos achocolatados de Abrantes

(clique sobre a foto para ampliar)

Recebi um presente d'além mar! Um presente muito comovente da doce Elvira da Tasca junto com um cartão postal e uma dedicatória linda. O livro é a reunião de receitas preparadas pelas autoras de vários blogs em francês (vários deles estão aí na minha lista de links). Quando eu soube de seu lançamento, disse a mim mesma que um dia ainda o teria em mãos! E isso aconteceu! Obrigada por ter tornado isso possível, Elvira! Gostei muito, muito mesmo! Quero que saiba que fiquei muito feliz e tocada por se lembrar de mim, perdida aqui em terras tropicais!

E para estrear meu livro, escolhi uma receita da própria Elvira! Docinhos muito simples e simpáticos feitos com pão amanhecido e chocolate em pó, uma forma muito interessante de evitar o desperdício e dar alguma doçura para a vida.

Quando eu era criança, leite condensado era um luxo, brigadeiro, só em festa! Imagino como estes docinhos teriam me feito feliz então! Gostei bastante deles, são rápidos e bonitos! O. ficou um pouco desapontado, esperava trufas ou algum tipo de brigadeiro, não sei por que ele ainda se ilude, a essa altura, ele já devia ter compreendido que leite condensado e barras de chocolate dificilmente entram em casa. rs


Bocadinhos achocolatados de Abrantes


Para 20 docinhos (fiz metade e rendeu bastante nas forminhas pequenas de brigadeiro)

250g de miolo de pão (meu pão estava duro, tive que dar uma batida no processador)
200g de açúcar
100g de cacau em pó (não é o achocolatado)
100g de coco ralado
cerca de 2 c chá de conhaque

Coloque o miolo de pão cortado em pedaços pequenos em um recipiente grande. Adicione o cacau, o açúcar, conhaque e 200ml de água. Misture tudo com as mãos até que fique homogêneo. Molde pequenas bolas, passe pelo coco ralado e coloque em forminhas de papel.