23.7.07

Elizabeth Costello - Coetzee

Li "Disgrace" (traduzido como "Desonra" no Brasil) antes do escritor sul-africano John Maxwell Coetzee ganhar o Nobel de literatura em 2003 e o achei ótimo, depois li O mestre de São Petesburgo, cujo personagem principal é Dostoievski e, ontem, terminei Elizabeth Costello. Respectivamente, um romance sobre a questão racial na África do Sul, um livro que traz um Dostoievski atormentado em busca de respostas sobre a morte de seu enteado e as cenas da vida de uma escritora já consagrada no final de sua carreira, Elizabeth Costello.

Gosto de Coetzee, ele mereceu o Nobel e um dia espero encontrá-lo em uma Flip da vida apenas para conferir se ele é parecido com seus personagens: um pouco cínico, um pouco cansado, alguém que responderia "Whatever" para qualquer questão que lhe fizessem como se tivessem lhe perguntado algo como "Would you like to have tea or coffee?".

Acho que em Elizabeth Costello ele deixa bem clara a forma como encara a vida de um escritor. A protagonista viaja de um lado para o outro para dar palestras sobre a literatura ou para falar sobre assuntos como a crueldade com os animais, mas apesar de aceitar os convites, ela não deixa de se exasperar em ter que conversar com pessoas com as quais não se importa quando preferiria estar descansando.

No último capítulo, uma alegoria sobre a morte parecida com alguns episódios das histórias de Kafka, Elizabeth está em uma cidade estranha e quer atravessar um portão para sair de lá, mas para isso, precisa apresentar-se diante de um júri e dizer no que acredita. Ela já está na segunda audiência e se desespera, pois sabe que sua busca por alguma paixão, por algo em que professar sua fé, parece estar condenada ao fracasso.

"When she was young, in a world now lost and gone, one came across people who still believed in art, or at least in the artist, who tried to follow in the footsteps of the great masters. No matter that God had failed, and Socialism: there was still Dostoevsky to guide one, or Rilke, or Van Gogh with the bandaged ear that stood for passion. Has she carried that childish faith into her late years, and beyond: faith in the artist and his truth?

Her first inclination would be to say no. Her books certainly evince no faith in art. Now that it is over and done with, that lifetime labour of writing, she is capable of casting a glance back over it that is cool enough, she believes, even cold enough, not to be deceived. Her books teach nothing, preach nothing; they merely spell out, as clearly as they can, how people lived in a certain time and place. More modestly put, they spell out how one person lived, one among billions: the person whom she, to herself calls she, and whom others call Elizabeth Costello. If, in the end, she believes in her books themselves more than she believes in that person, it is belief only in that sense that a carpenter believes in a sturdy table or a cooper in a stout barrel. Her books are, she believes, better put together than she is."

16.7.07

Creme de mamão com iogurte

Para quem não pode se dar ao luxo de bater colheradas de sorvete de creme com mamão, aqui vai uma sugestão:
Bata mamão formosa (dizem que leva menos pesticidas do que o mamão papaya) com um pouco de iogurte natural desnatado no liquidificador e tome na hora do lanchinho. Eu não adoço, mas se você preferir, pode adicionar mel na hora em que bater.

15.7.07

Como acabar de uma vez por todas com a cultura - Woody Allen

Descobri Woody Allen como escritor recentemente, quando li um dos artigos que ele escreveu para a revista New Yorker no qual mistura teorias filosóficas e dietas. Eu o achei extremamente divertido, um exemplo da típica ironia woodyalleniana e fiquei feliz ao encontrar uma coletânea com outros artigos em um livro bem velhinho, publicado pela primeira vez em 1974.

O. compra livros "curiosos", então tive que ler tudo em espanhol.

Em "Como acabar de uma vez por todas com a cultura" Allen satiriza tudo e todos, desde a psiquiatria, biografia, revoluções, filosofia até o cinema e a máfia. Achei alguns artigos melhores do que outros, acho que há algumas tiradas que fazem mais sentido se você é americano ou judeu, mas no geral, é uma leitura bem interessante e que flui rápido. Eis um trecho do artigo "Como acabar com as revoluções na América Latina", os revolucionários estão na selva e um deles escreve um diário da campanha:

"10 de julho: Hoje foi, em linhas gerais, um bom dia levando em consideração que os homens de Arroyo nos emboscaram e quase nos liquidaram. Em parte, a culpa foi minha, porque revelei nossa posição ao invocar a Santíssima Trindade aos berros quando uma tarântula subiu por minha perna. Durante alguns segundos, não consegui me livrar da tenaz da maldita aranha enquanto ela abria caminho nas secretas profundezas de minha roupa fazendo com que eu corresse como um louco até o rio e me jogasse nele, o que me pareceu que durou três quartos de hora. Pouco depois, os soldados de Arroyo abriram fogo sobre nós. Lutamos com valentia, embora a surpresa tenha criado uma leve desorganização e durante os primeiros dez minutos nossos homens tenham atirado uns nos outros. Mesmo Vargas se salvou por um fio da catástrofe quando uma granada aterrissou a seus pés. Ele ordenou que me jogasse sobre ela. Consciente de que somente ele era indispensável para nossa causa, eu o fiz. O destino quis que a granada não explodisse, e saí inteiro do incidente com apenas um ligeiro tremor e a incapacidade de adormecer a menos que alguém segure uma de minhas mãos."


7.7.07

Risoto de roquefort e erva-doce

Uma idéia de risoto sem medidas exatas: refogar cebola, alho e erva-doce picados em uma panela com um pouco de azeite, adicionar o arroz arbóreo, misturar. Colocar um pouquinho de vinho branco, deixar evaporar, adicionar o caldo de frango (o quanto baste, não tenho paciência para ficar do lado da panela adicionando o caldo aos poucos e mexendo, o resultado até que não deixa nada a desejar), cozinhar até que o arroz esteja quase pronto e tenha absorvido boa parte do caldo, adicionar pedaços de roquefort, misturar até o queijo derreter, (corrigir o tempero caso o caldo usado não seja salgado), retirar do fogo, deixar descansar cinco minutos e servir.


6.7.07

Cake de pesto e atum

Cake salgado da revista Cuisine et vins de France, uma boa pedida para comer com uma cervejinha, bem simples e rápido de preparar.

Cake de atum com pesto

 
300g de atum aos pedaços enlatado em óleo, escorrido
3 c sopa de pesto
100g de gruyère ralado
3 ovos
100ml de leite
100g de farinha
2 c chá de fermento em pó
1 c sopa de conhaque

Preaqueça o forno à 180C. Peneire a farinha com o fermento, abra um buraco no meio da farinha, coloque os ovos, adicione o gruyère, o atum e o pesto, misture bem e incorpore o leite pouco a pouco, até obter uma massa homogênea. Coloque o conhaque e misture bem.
Derrame a massa em uma forma para bolo inglês untada e enfarinhada. Asse por cerca de 40min. Teste enfiando a lâmina de uma faca no meio da massa, se ela sair limpa, está assado.
Desenforme o cake e deixe esfriar. Se quiser guardar para mais tarde, envolva em filme plástico e deixe no refrigerador. Sirva frio, cortado em pedaços para um aperitivo ou com uma salada.




3.7.07

Bolo mármore

Fiz este bolo mármore na semana passada para presentear o pessoal da portaria que sempre nos dá uma mãozinha quando precisamos carregar coisas pesadas de um lado para o outro aqui em casa. Assei o bolo em uma forma retangular e separei um pouco da massa em formas de muffins para ter uma idéia de como era o bolo, pois era a primeira vez que fazia a receita. Ele ficou muito bom, acho que a parte escura é até mais macia do que parte branca, talvez devido à quantidade de gordura do chocolate. Entreguei o bolo quando passei pela portaria na manhã seguinte, mas como O. tinha comido meus últimos exemplares de controle, não deu para saber se a massa havia ressecado. Bem, ninguém reclamou! rs
A receita é deste site em francês.

Bolo mármore

4 ovos
200g de açúcar
250g de farinha
1 potinho de iogurte (o meu tinha 185g)
2 c chá de fermento em pó
120ml de óleo
150 à 200g de chocolate meio amargo

Preaqueça o forno à 180C. Bata os ovos com o açúcar. Adicione o iogurte, a farinha e o fermento, misture bem.
Adicione o óleo misturando com cuidado até que a massa fique bem lisa.
Em outro recipiente, coloque o chocolate meio amargo picado em pedaços e derreta no microondas ou em banho-maria. Retire do microondas e misture o chocolate derretido para que fique homogêneo, depois derrame metade da massa sobre ele e misture vigorosamente para obter uma massa de cor uniforme. Ela é mais espessa e menos fluída do que a massa branca.
Coloque a massa branca em uma forma untada e enfarinhada e depois distribua a massa com chocolate sobre ela. "Risque" a superfície do bolo com uma faca em todas as direções para que o bolo fique "marmorizado" e as duas massas se misturem. Asse à 180C por cerca de 45 min. Faça o teste do palito.

Nota. O iogurte não é indispensável, mas ele dá mais maciez ao bolo. Ele pode ser substituído por creme de leite ou queijo branco.



28.6.07

Gargantua e Pantagruel

Estou lendo um volume das obras completas de Rabelais que O. comprou por um bom preço em um sebo virtual fora do país. Sempre tive curiosidade em saber quem eram Gargantua e Pantagruel e agora já sei! São dois gigantes memoráveis e suas histórias são pontilhadas por grandes comilanças, bebedeiras homéricas e episódios escatológicos. Por exemplo, Gargantua, filho de Grandgousier e pai de Pantagruel, nasce logo após sua mãe ter um problema intestinal por ter comido muitas tripas, sem falar que Gargantua afoga uma tropa de inimigos após aliviar sua bexiga...

As histórias são divertidas e deveriam ser ainda mais interessantes na época em que foram escritas, pois contêm uma sátira impiedosa das instituições públicas e eclesiásticas da época (séc. XVI). Estou lendo em francês, mas como Rabelais inventa muitas palavras e brinca com umas tantas outras, acho que não tiro todo o proveito que poderia da leitura. Traduzir os cinco livros que constituem toda a história de Gargantua e Pantagruel não deve ser uma tarefa fácil, imagino que seja o equivalente a traduzir Grande Sertão: Veredas, do Guimarães Rosa para outra língua (o que já foi feito).

(Descobri que há uma tradução para o português aqui, mas não sei quem é seu tradutor. )

Achei divertidíssima a relação de livros que Rabelais diz existir na biblioteca de uma abadia, ele tira um tremendo sarro da produção literária e interesses intelectuais dos "doutos" de sua época, os meus títulos preferidos são:
"Como tirar profiterolles das indulgências"
"A quimera zumbindo no vazio é capaz de devorar as segundas intenções?"
"Contra aqueles que dizem que a mula do Papa só come nas suas horas"
"Os devaneios dos casos de consciência"
"O interesse do traseiro na cirurgia"
.
.
.
etc.


26.6.07

Bolo de fubá da Cida

Acho que este é o primeiro bolo de fubá que faço! A receita é deste livro e foi a Akemi (que também comprou o mesmo livro) que chamou minha atenção para ela. O lado bom de várias pessoas terem o mesmo livro é esse, elas não deixam que receitas ótimas passem em branco! (Para ser sincera, algumas receitas do livro me decepcionaram, como ele é uma compilação de receitas anotadas por hóspedes da Fazenda Pinhal, não sei até onde elas foram testadas e editadas, mas acho que esse é o lado interessante dele, a individualidade de cada uma das receitas).
Bem, voltando ao bolo, ele é muito gostoso e cresce que é uma beleza! Eu segui a receita ao pé da letra.


Bolo de fubá da Cida

 
2 xícaras de fubá
1 xícara de farinha de trigo
1 colher (sopa) de fermento em pó
1 1/2 xícara de leite
2 xícaras de açúcar
6 colheres (sopa) de óleo
1 colher (chá) de essência de baunilha
3 ovos grandes
1 pitada de sal
1 pitada de noz moscada ralada
2 cravos da índia
canela em pó
sementes de erva doce a gosto

Misture o leite, o óleo, o açúcar, a canela, os cravos, a erva-doce e a noz moscada e leve tudo ao fogo para ferver. Despeje sobre o fubá, misture muito bem e deixe uns 20 a 30 minutos. Junte as gemas, a baunilha, o sal e as claras batidas em neve. Misture bem, mas não bata. Dissolva o fermento em meia xícara de café de leite e junte à massa (você irá presenciar um fenômeno muito interessante! O fermento vai formar uma espuma que vai crescer, crescer e crescer!) Volte a misturar muito bem.
Despeje em fôrma untada e enfarinhada e leve para assar em forno preaquecido a 180C.
Asse por 30 a 40 minutos até ficar corado. Faça o teste do palito.
Deixe amornar um pouco antes de desenformar.

19.6.07

Bolo de maracujá, papoula e amêndoas

Foi a Maria Helena do blog Caleidoscópio que me passou esta receita, na época eu a tinha confundido com a Maria Helena do Conversas de Comadre e nossa troca de e-mails foi um pouco estranha, felizmente, eu logo fui convencida de meu erro. rs
Bolo gostoso, estava para assá-lo há séculos, mas foi ver tantos bolos feitos com maracujá que me animou! (Veja aqui e aqui). Eu só fiquei em dúvida sobre as amêndoas, acabei não perguntado se elas iam picadas ou moídas, acabei moendo e usando a farinha. (Depois você me esclarece isso, Maria Helena?)

Bolo de maracujá, papoula e amêndoas

Ingredientes: Massa
6 colheres de sopa de sementes de papoula
1/4 xíc. de leite
180g de manteiga em temperatura ambiente
1 xic. de açúcar
3 ovos inteiros
2 xic. de farinha de trigo
1/2 xic de amêndoa
1/2 xic de suco ed maracujá (1/4 de suco concentrado, 1/4 de água)
1 colher de sopa de fermento em pó

Calda
1/2 xic. de açúcar
2/3 xic. de suco de maracujá (usei a fruta, para dar o efeito bonito das sementinhas)
1/3 xic. de água

Preparo:
Preaquecer o forno em temperatura média. Deixar as sementes de papoula de molho no leite por 20 minutos. Na batedeira, bater manteiga e açúcar até obter um creme fofo, adicionaros ovos um a um. Acrescentar farinha, amêndoas, suco de maracujá e leite com papoula. Acrescentar fermento, misturando à mão. Assar por cerca de 35 minutos, em forma de buraco central com 22,5 cm de diâmetro. Desenformar após cinco minutinhos e cobrir com a calda, feita com a mistura dos ingredientes, sem precisar ir ao fogo.


17.6.07

Delícias de frutos secos

Receita do Cravo da Índia, adoro frutas secas, elas duram pouco em casa porque são meus petiscos favoritos. Esta receita é muito prática, rápida e realmente deliciosa, só não recomendo que você coma muitos docinhos de uma só vez, pois há pessoas sensíveis nas quais alguns poucos damascos ou ameixas tem um efeito laxativo.
Fiz metade da receita, completei a quantidade de ameixas com passas, pois tinha comido quase todas...

Delícias de frutos secos

250 gramas de ameixas secas sem caroço
250 gramas de tâmaras secas sem caroço

250 gramas de damascos secos

raspa da casca de um limão

mel a gosto (mais ou menos duas colheres de sopa)

nozes (ou amêndoas, ou avelãs...) trituradas


Misturam-se as frutas picadas muito finamente e amassam-se com o mel e a casca de limão. (Eu bati tudo no processador, se fizer isso, só tome muito cuidado para que não haja nenhum caroço). Formam-se bolas que se rolam pelas nozes.