9.3.13

Banana da terra cozida


 O. diz que voltei do ES com "hábitos", o que ele quis dizer foi que agora dei para servir banana da terra cozida como acompanhamento nas refeições. Mas adotar ideias gostosas e saudáveis é algo bom, não é mesmo? Especialmente quando é tão simples: bananas da terra maduras em pedaços cozidas no vapor por alguns minutos. Se não puder preparar no vapor, corte as extremidades e coloque em uma panela com água, deixe cozinhar até que a casca comece a rachar e sirva cortada em pedaços. Fica muito boa com cozidos de carne, picadinho e pratos com peixe.


Última visitante fotografada

3.3.13

Um pouco de ares capixabas

Fazia algum tempo que pensávamos em ir para algum lugar onde pudéssemos comer peixe fresco e frutos do mar até enjoar. Foi assim que acabamos no litoral capixaba. Mais precisamente em Guarapari, a cerca de 1h de Vitória. Ficamos em um pousada bem simples na Praia do Morro. Praia de área urbana com um calçadão, pequenos quiosques e boa infraestrutura para os banhistas. Um local agradável para famílias, mas achei um pouco cheio, vários ambulantes, meio "farofa". Ia cedo, dava uma volta, alugava uma cadeira por R$5,00 olhava o mar por alguns minutos, me molhava e ia embora depois de beber uma água de coco, aliás, muito boa e a bom preço (R$2,00).

Praia do morro - ES

No canto da praia há um parque e uma trilha curta que conduz até um mirante de onde é possível ter uma visão panorâmica da Praia do Morro, a trilha termina em uma praia mais isolada do outro lado. A entrada custa R$2,00.

Vista da praia do Morro


O marlim, ponto de referência da praia do Morro

A pousada servia um bom café da manhã e os donos eram simpáticos, os quartos ofereciam o básico. Alguns micos habitavam o jardim e gostavam de passear pelas árvores e telhados. Eles parecem ser comuns por lá, também vi alguns na entrada da trilha da praia.

Os micos da pousada, eles também podem ser vistos na trilha do Morro da Pescaria

Passamos de carro por Vitória e Vila Velha para chegar a Guarapari, a rodovia até lá é duplicada e muito bem conservada. A velocidade máxima é de 80-60 km/h, mas ande a 90km/h e será atropelado pelos outros veículos. 

Vitória é uma cidade bonita e moderna. Vila Velha não me pareceu tão atraente quanto a sua vizinha, mas tem uma orla arrumada. Usar o GPS para ir e voltar de Guarapari foi fácil, mas navegar por Guarapari era bem chato, várias ruas têm um nome no mapa e outro para entrega de correspondência e era necessário procurar quais os nomes registrados no aparelho para chegar ao destino correto. O trânsito na área urbana também é meio caótico, a rodovia vira parte da cidade e você faz algum contorcionismo para reencontrá-la. O GPS se perdia quando seguíamos pela rodovia do sol (ela margeia a costa e conduz a Meaípe e Anchieta) e as praias onde fomos almoçar tinham ruas que não eram localizadas por nosso aparelho. Íamos parando e perguntando.

Guarapari tem um quê de litoral paulista, uma cidade que cresceu se espalhando ao longo da rodovia. Perto de nossa pousada na Praia do Morro havia uma certa variedade de restaurantes e bares, mas a maioria dos lugares tinha uma preferência por música ao vivo que acabava nos fazendo desistir de entrar. E não era só no fim de semana, mas todas as noites até às 23-24h. Também cruzávamos com pessoas suspeitas e alguns "drogaditos" nas calçadas.

Fomos duas vezes jantar em uma pizzaria chamada Paris que ficava a dois quarteirões da pousada. A melhor pizza que comi na vida. Engraçado, não é mesmo? Fui para comer frutos do mar e encontrei uma pizza que deixará saudades. Massa crocante e macia ao mesmo tempo.

A culinária capixaba é conhecida por suas moquecas, que se diferenciam das baianas por serem feitas da forma mais simples possível, sem leite de coco, azeite de dendê e pimenta. Ela invarialmente chega acompanhada de arroz, pirão e moqueca de banana à mesa. Aliás, banana da terra cozida ou frita é um acompanhameto frequente.

Nossa primeira investida gastronômica foi em Ubu, uma praia de Anchieta. Fomos até a Moqueca do Garcia e o O. pediu lagosta grelhada, algo que ele estava morrendo de vontade de comer. Pedimos uma entrada de camarão frito que veio em uma cumbuca enorme. Percebemos nosso erro quando vimos o tamanho do prato de lagosta com os acompanhamentos serem colocados à nossa frente. Comemos o que conseguimos mandar para dentro depois de tanto camarão, mas a lagosta estava muito seca e sem graça. Tínhamos a ilusão de que ela iria para a grelha fresca, mas quando perguntei para a atendente, ela confirmou que ela tinha sido descongelada e grelhada. A moça se desculpou e admitiu que a lagosta às vezes ficava mesmo seca por ter sido congelada. Também descobrimos que dificilmente comeríamos o peixe recém-pescado com o qual tínhamos sonhado antes da viagem, pois todo mundo comprava o peixe já congelado. Não sabíamos que nossas expectativas seriam desfeitas por um  freezer. Mas assim foi.

Frente da Moqueca do Garcia em Ubu, Anchieta - ES

A Moqueca do Garcia fica de frente para o mar. O vilarejo é sossegado e gostoso, minha segunda opção de lugar para ficar dentre aqueles que visitamos. 

Ainda em Ubu

Não havia ninguém na praia na segunda-feira pela hora do almoço.

Camarão frito da Moqueca do Garcia, não chegamos ao fundo

O prato de lagosta
Já sem a ilusão do peixe fresquinho, nós nos dirigimos a Meaípe, a praia da moda de Guarapari, primeiro, entramos no Gaeta e comemos uma moqueca de badejo com camarão. O prato com os acompanhamentos (moqueca de banana, arroz e pirão) alimentaria quatro pessoas como nós. Deixar tanta comida nas panelas me deprimia e tentei comer o máximo possível, mas ainda sobrou muito. Gosto de pedir pratos fartos quando estou perto de casa e posso sair com uma "quentinha", mas ali era difícil. Não sei o que fazem com os restos, mas gostaria de imaginar que eles têm um fim mais nobre do que o lixo.

Moqueca de badejo e camarão com acompanhamento do Gaeta

 Dividimos uma torta de coco na sobremesa.

Bolo de coco do Gaeta

No Cantinho do Curuca, resolvemos ser mais modestos, pedi uma casquinha e uma porção de bolinhos de bacalhau, enquanto o O. foi de peixe grelhado com legumes. A casquinha estava boa, os bolinhos tinham mais gosto de bolinho de peixe do que de bacalhau, mas estavam bons.

Casquinha de siri e bolinhos de bacalhau do Cantinho do Curuca
O prato de peixe grelhado que o O. tinha imaginado ser individual era grande e acabei comendo uma posta. Prato correto, sem nada demais.

Badejo grelhado com legumes do Curuca

A sobremesa era a torta de coco como no Gaeta, tínhamos direito a uma porção de cortesia. Gostei mais da torta do Curuca, a base era praticamente um pudim de coco enquanto a do Gaeta ficava entre um bolo em um pudim. Ambas as casas oferecem um pratinho com camarão frito de entrada, a do Curuca estava mais sequinha. Já sobre a moqueca deste último, não posso dizer nada. 

Meaípe é dividida pela rodovia do sol, a parte mais próxima da praia tem a largura de uns dois quarteirões e é onde fica a maior parte dos restaurantes. Há alguns hotéis e  pousadas também, mas não achei o lugar assim tão charmoso. Entramos no hotel Gaeta e no Hotel da Lea que ficava ao lado para ver os quartos com vista para o mar. O Gaeta está caidão, paredes com umidade e móveis que já viram dias melhores. O hotel da Lea é bem conservado e tem quartos espaçosos. Só é preciso ir quando não há shows no Multiplace + que fica ao lado, o barulho e o movimento da casa de shows devem ser incômodos.

Antes da visita à fábrica da Garoto, almoçamos no Caranguejo do Assis, pedi uma casquinha de siri e um único caranguejo para provar. Acho que não repetirei a experiência. Tinha assitido a um video do youtube que ensinava a comer o bicho, mas dá muito trabalho, fiz muita sujeira e não consegui quebrar os pedaços com muita precisão. Enfim, muito esforço para pouca recompensa, não é algo que se aprenda do dia para a noite.

Meu esforço para comer caranguejo no Caranguejo do Assis
A casquinha estava muito salgada, consegui comer metade. O. dividiu o peixe assado que ele pediu comigo. Estaba bom, mas também salgado, o cozinheiro devia estar com a cabeça em outro lugar naquele dia. A banana e as batatas salvaram o prato.

Peixe assado, banana cozida, arroz e batatas do Caranguejo do Assis

A visita à fábrica da Garoto foi bem interessante, melhor do que tinha imaginado, não tanto pelo chocolate, mas pelo lado educativo e por ter a oportunidade de conhecer um pedaço da etapa de produção dos bombons. A visita é muito bem organizada, todos vestimos aventais e toucas e lavamos as mãos antes de entrar. Seguimos um guia e ouvimos suas explicações por fones de ouvido sem fio. Há uma parada na frente de um balcão de acrílico onde ficam uns 8 tipos de bombons e temos uns 10 minutos para comer quantos conseguirmos/quisermos. Comi dois, mas tinha gente que só parou quando voltamos a andar. No fim, ainda recebemos uma barrinha de batom de "brinde". 

A fábrica faz chocolate em massa, uma verdadeira linha de produção que funciona 24h. Fiquei surpresa quando ouvi que os ovos de Páscoa começaram a ser feitos em junho ou julho do ano passado e que a produção acabou em janeiro.

Por fim, decidimos ir até Iriri, outra praia em Anchieta, e comemos no restaurante do hotel Recanto da Pedra, como o nome deixa adivinhar, ele fica sobre algumas rochas. Um local gostoso de onde dá para observar a praia. Pedimos moqueca de camarão, ela veio com os acompanhamentos tradicionais. A quantidade não era pantagruélica como nos restaurantes mencionados acima, achamos ideal, os preços também eram bem mais suaves. Comida honesta.

Se tivesse que escolher um lugar para me hospedar em outra visita à região, ficaria em Iriri. A praia está um pouco mais afastada da rodovia e a prefeitura investiu em uma avenida onde há lojinhas e cafés arrumados. A vila proprimamente dita é pequena, mas charmosa. Não deve haver muito o que fazer fora de temporada, mas achei bom por isso mesmo. Infelizmente, acabei não entrando para ver as instalações do hotel do restaurante, sua localização é muito boa.

Moqueca de camarão do Recanto da Pedra

No geral, senti falta de uma rede hoteleira mais apurada fora de Vitória e Vila Velha, achei que as opções eram todas bem simples e os estabelecimentos maiores muitas vezes careciam de manutenção. 

A comida capixaba é saudável e bem roots,  em relação às moquecas, confesso que a versão baiana ainda tem meu coração. Já a banana cozida como acompanhamento será adotada em casa. Como o estado têm produtores de camarão, é fácil encontrar o crustáceo em vários pratos, camarão frito é uma entrada muito popular. Um prato gostoso e barato servido em vários lugares é o peroá, o nosso conhecido "porquinho", ele é frito inteiro e chega crocante à mesa. Há mais chances de que ele seja realmente fresco do que os outros peixes e frutos do mar.

Fiquei imaginando por que os restaurantes não estabelecem algum tipo de acordo com os pescadores e compram o peixe fresco para fazer no dia. Não ligo em ter uma opção de pratos mais restrita, sem badejo e robalo, mas peixe com gosto de mar é algo que gostaria de comer quando passo férias no litoral.

Outra coisa que me deixava sem graça eram os sucos, poucos lugares serviam sucos de frutas frescas, só o suco de limão era garantido. E a oferta de vinho era sempre bem limitada, geralmente os rótulos de supermercado, no Curuca, vi alguns chilenos mais conhecidos e um Catena Malbec.

Devo reconhecer que o povo capixaba é muito simpático, ficava até sem graça em reclamar ou comentar algo nos restaurantes. 

Foi uma boa visita de reconhecimento. Se voltasse, planejaria a viagem de forma diferente. Iria para uma praia pequena e mais distante da área urbana como Iriri e comeria em lugares mais simples, sem necessidade de grandes deslocamentos. Curuca e Gaeta, sempre mencionados nos guias turísticos, são boas experiências, mas os mesmos pratos são servidos em qualquer restaurante ou botecão e, até onde pude comprovar, com a mesma qualidade e simpatia.



17.2.13

Granola com azeite e mel


Inspirada em inúmeros exemplos da blogosfera culinária, resolvi me aventurar no fabuloso mundo da granola caseira. Eu me baseei na receita da Marge, mas todas aquelas que você encontrar na internet devem funcionar, o importante é respeitar as proporções. O bacana de se fazer granola em casa é que simplesmente podemos "criar" uma receita que se adapte a nosso gosto, colocar um pouco mais de nozes, menos passas e controlar a quantidade de açúcar. Também é bom saber qual a procedência e a qualidade de cada ingrediente.

O preparo é muito simples, basta misturar tudo (com exceção das frutas, que entram no final), espalhar na forma e ficar mexendo de vez em quanto para tudo dourar por igual e não queimar (essa é a parte mais chatinha, especialmente com o calor dos últimos dias). Usei só mel para adoçar. Não gosto de granola muito doce e, como geralmente ela é consumida pura (boto um punhado na mão e levo à boca na hora em que dá vontade), achei ideal.

O resultado final ficou muito bom, uma granola bem honesta e crocante. Ela tem uma tendência a grudar, mas basta dar uma mexida com uma colher ou desfazer os pedaços com as mãos na hora de guardar ou consumir.

Você pode substituir as frutas secas, o tipo de óleo e usar melado ou maple syrup no lugar do mel. 
 


Granola com azeite e mel


3 x de aveia integral prensada
1 x de castanha de caju (sem sal), nozes, pecãs ou castanha-do-Pará picada (ou uma combinação)
3/4 x de amêndoas picadas ou em lascas
1/2 x de sementes de girassol ou abóbora (não usei)
1/2 x de coco ralado em flocos (adoçado ou não, de acordo com sua preferência)
1/4 x de sementes de gergelim
3/4 x de passas (ou as frutas secas que desejar)
3/4 x de mel (ou melado, ou maple como na receita original)
1/2 x de azeite
1/4 x de açúcar mascavo ou demerara fino (não usei)
1 c. chá rasa de sal
1/2 c chá de canela em pó
cravo em pó a gosto ou outra especiaria de que goste


Pré-aqueça o forno à 150 C. 

Misture todos os ingredientes com exceção das passas e espalhe sobre uma assadeira grande. Leve ao forno por cerca de 35-45 minutos, dependendo do forno, mexendo a cada dez minutos para que a granola não queime e grude nos cantos, ela deve ficar dourada por igual e tostada.

Retire do forno e adicione as passas. Misture e deixe esfriar completamente. 

Coloquei minha granola na geladeira em potes fechados e irei consumí-la aos poucos, ainda não tenho uma boa ideia de por quanto tempo ela se conserva, mas imagino seja bastante.


Ingredientes na tigela
Depois de tudo misturado, pronta para ir ao forno

8.2.13

3 Irmãs - Anton Chekhov

As peças de Chekhov deviam ser consideradas bem "cabeça" na época em que foram representadas pela primeira vez, os temas continuam atuais:

Andrey: Oh, para onde foi a minha vida? - a época em que era jovem, alegre e inteligente, quando tinha belos sonhos e grandes ideias e o presente e o futuro eram cheios de esperança? Por que nos tornamos tão sem graça, comuns e desinteressantes pouco antes de começarmos a viver? Por que ficamos preguiçosos, indiferentes, inúteis, infelizes?... Esta cidade existe há duzentos anos, cem mil pessoas vivem nela, mas não há uma única pessoa diferente das outras! Nunca houve um estudioso, artista ou santo neste lugar, nem um único homem excepcional o suficiente para fazer com que tivéssemos um grande desejo de imitá-lo. As pessoas aqui não fazem nada além de comer, beber e dormir... Então elas morrem e outras tomam seu lugar, e elas comem, bebem e dormem também - e só para introduzir um pouco de variedade em suas vidas e evitar que se tornem completamente estúpidas devido ao tédio, elas se entregam à sua repugnante fofoca, à vodka, aos jogos e às ações judiciais. As esposas traem os maridos e os maridos mentem para suas esposas, fazem de conta que não veem e ouvem nada... E toda essa opressiva vulgaridade e mesquinharia esmaga as crianças e apaga qualquer chama que possam ter, assim, elas também se tornam miseráveis, criaturas semimortas, como todas as outras, como seus pais...


20.1.13

Chuchu assado


Outra receita que vi no blog da Lylia, muito simples e saborosa. Aqui só eu como chuchu, para que o O. coma, tenho que disfarçar, misturar com outros legumes ou deixar irreconhecível. Esta receita é só para mim, já fiz duas vezes! 

Minha forma preferida de comer chuchu é à milanesa, mas dá trabalho, é fritura, enfim, nunca mais comi depois que casei. Mas esse chuchu assado não deixa nada a desejar, fica muito bom! 

Descasquei na primeira vez e achei que ficou melhor, a casca é fina, mas deixa uma leve "resistência" na hora de mastigar, nada que atrapalhe, claro. É só uma observação.


Chuchu assado

1 chuchu grande com casca cortado em pedaços grosseiros (sem a parte branca do miolo)
2 colheres de sopa de azeite
2 colheres de sopa de farinha de rosca de boa qualidade (não industrializado) ou pão ralado
1 pitada de sal
1 colher de café de alecrim seco ou fresco 


Em uma assadeira untada com um fio de azeite (espalhe), coloque os pedaços de chuchu e regue com as duas colheres de azeite, remexendo com uma colher ou com as mãos para todos os pedaços ficarem envolvidos pelo azeite. Salpique a farinha de rosca por cima do chuchu e chacoalhe a assadeira, para envolver minimamente os pedaços. Salpique o sal e o alecrim e leve a forno médio. Após cerca de 15 minutos, vire os pedaços de chuchu (não precisa ser um a um, dê uma revirada com uma espátula), aumente a temperatura do forno para média-alta e deixe mais uns 10 minutos, até ficar bem assado.





14.1.13

Bombocado


A chuva resolveu baixar agora. Fez frio, esquentou, choveu, abafou, continua nublado. Verão realmente atípico, choveu pouco no ano passado, ainda não tivemos nenhum momento aflitivo com as águas do rio, espero que continue assim. 

Fiz bombocados no final de semana, peguei a receita que me pareceu ser a mais simples na internet. Coloquei a mistura em formas de muffins antiaderentes, ela grudou no fundo horrores apesar de ter passado um pouco de óleo, desconfio que o fato de desenformar quente não ajudou, lembrar de untar com óleo E farinha da próxima vez. 

Ficaram bons, nada excepcional, mas gostosinhos. Ligo cada vez menos para doces.



Bombocado

1 pacote (100g) de coco ralado (usei flocado sem açúcar)
1 lata de leite condensado
4 ovos 
1 c sopa rasa de fermento

Bata o leite condensado e os ovos no liquificador, junte o coco ralado e o fermento e misture com uma colher. Coloque a mistura em forminha individuais untadas e enfarinhadas ou em uma forma maior e asse até dourar. 



 

4.1.13

Salada de grãos com molho de iogurte


Foi inspirada em uma receita que vi de relance em uma revista de consultório médico. Ela era mais elaborada, mas não me lembrava de todos os detalhes.

Cozinhei grãos de trigo (previamente deixados de molho na noite anterior) e lentilhas em panelas separadas, pois o tempo de cozimento é diferente. Juntei os dois em uma tigela, adicionei cebolas picadas (gosto de passá-las pela água e escorrer antes de usá-la em saladas), salsinha, manjericão e hortelã picados e temperei com um pouquinho de sal. Misturei tudo e servi com um molho à parte feito com iogurte, suco de limão, azeite, alho picado e sal. Dica: deixe o iogurte escorrer um pouco sobre uma peneira forrada com um pano de prato para que não solte tanto líquido quando for colocado sobre a salada.

Você pode adicionar outros ingredientes como cevada, legumes ou frango grelhados, alface, etc.

Um avião passava na hora em que abri a porta pela manhã. Sempre paro para observar os rastros que eles deixam no céu.


27.12.12

Far From the Tree: Parents, Children and the Search for Identity - Andrew Solomon


Este provavelmente é o último livro que leio em 2012 (ou não). Mil páginas de leitura muito instrutiva. Ele se divide em temas como nanismo, surdez, síndrome de down, autismo, esquizofrenia, prodígios, estupro, crime, transexualismo, enfim, condições e situações com as quais vários pais se deparam quando têm filhos. O autor entrevistou centenas de famílias e cada capítulo traz os relatos de suas experiências pessoais. É comovente ler sobre as dificuldades e transformações que ocorrem nas vidas de pais que têm filhos deficientes, que se comportam de formas consideradas diferentes ou inadequadas, quando as circunstâncias nas quais foram concebidos são terríveis ou quando eles parecem ir contra todos os valores que receberam na infância. 

Há famílias que se desintegram diante dos esforços e do estresse de criar um filho com dificuldades de desenvolvimento físico ou mental, ou "diferentes" de alguma forma; outras, no entanto, unem-se ainda mais. Algumas são explícitas em sua aceitação; outras, sentem vergonha. Algumas são incondicionais em seu amor; outras, reforçam ainda mais o sentimento de inadequação dos filhos.

O autor escreve sobre situações em que um elemento imprevisto é adicionado na relação entre pais e filhos e como a identidade de uns e outros é afetada no processo de busca pelo equilíbrio. Como reagir ao ser apontado como a mãe ou o pai que supostamente decidiu ter um filho incapaz de ter uma vida digna? Como conviver com as acusações e a culpa? Quais as reações e escolhas adequadas diante de filhos "diferentes"? É preciso aceitá-los ou tentar mudá-los? Como uma mãe pode amar um filho concebido após um estupro? Ou que comete crimes? Essas são algumas questões levantadas no livro. O autor deixa que os pais que entrevistou descrevam suas escolhas, digam o que pensam, permite que os filhos deem suas próprias opiniões e também fornece o ponto de vista médico e as estatísticas em cada caso.

Existem exemplos inspiradores e histórias tristes, mas é fácil perceber que, na maioria das vezes, o inferno realmente são os outros. Pais de filhos transexuais, encontram muita hostilidade. Pais com altas chances de conceber filhos com alterações genéticas - nanismo, surdez, problemas mentais ou motores - são condenados quando decidem ter um bebê. 

O livro também trata das crianças prodígio que, apesar da conotação positiva, também representam um desafio para os pais. Já no caso dos pais de crianças autistas e esquizofrênicas, as dificuldades são enormes, pois eles são excluídos do universo de seus próprios filhos e isso cria um grande sentimento de frustração e impotência.

Andrew Solomon, o autor, é homossexual e também escreve sobre seu processo de autodescoberta e aceitação. No último capítulo, ele descreve como se tornou pai e afirma que aquilo que ouviu durante suas pesquisas o ajudou a tomar essa decisão.

Recomendo a leitura para qualquer pessoa. Ele reforça as ideias de que tolerância é algo muito importante e de que ignorância e incompreensão provocam feridas difíceis de curar. O que escrevi aqui é curto e fragmentado, mas espero que tenha passado uma ideia de seu conteúdo.

(Far From the Tree ficou entre os dez melhores livros de não ficção na lista do New York Times deste ano, provavelmente demore um pouco para que seja traduzido para o português).


18.12.12

2666, Roberto Bolaño


Acabei lendo 2666 do Roberto Bolaño antes do final deste ano. E gostei muito. Bom terminar o ano com um livro ótimo, mas desconfio que este será apenas o primeiro de alguns outros, pois já tenho outras leituras engatilhadas, desta vez, livros de não ficção que me parecem muito interessantes. 

2666 é uma obra póstuma, Bolaño a escreveu antes de morrer, enquanto lutava contra um câncer, o editor escreve que o texto não seria muito diferente se Bolaño tivesse tido mais tempo para trabalhá-lo. O desejo do autor era que ele fosse publicado em cinco livros, mas acabou saindo em apenas um volume por decisão do editor e da esposa de Bolaño. Há quem concorde e quem discorde dessa decisão. Eu concordo. Apesar de as partes focarem personagens diferentes, elas se complementam, o elemento de união é uma cidade mexicana chamada Santa Teresa, onde ocorre uma série de assassinatos de mulheres, uma versão da real Ciudad Juárez. Todos os personagens acabam indo para lá em algum momento. 

Gostei muito da parte sobre os críticos, da parte sobre os assassinatos e do final, sobre Archimboldi. Os críticos são quatro pesquisadores europeus que se dedicam ao estudo de um escritor misterioso chamado Benno von Archimboldi. A parte sobre os assassinatos se concentra em Santa Teresa e descreve vários crimes cometidos nos anos 90. Gostaria que Bolaño tivesse desenvolvido mais essa parte, alguns dos personagens são muito interessantes, o jovem policial Lalo Cura e o romance entre o investigador Juan de Díos e a psiquiatra Elvira Campos dariam outros livros. 

Também há a parte sobre Amalfitano, um professor espanhol de filosofia que vive em Santa Teresa, e a parte sobre Fate, um jornalista negro que vai para a cidade cobrir uma luta de boxe. 

2666 e Os Detetives Selvagens são livros monumentais. Neles, Bolaño escreve sobre pessoas como se escrevesse sobre bolhas de sabão, coisas belas e efêmeras. E há uma sucessão delas, elas surgem e se tocam brevemente antes de desaparecem no ar.

2666 pode não ser um livro perfeito, mas é um grande livro e o próprio Bolaño, por meio de Amalfitano, reflete sobre as grandes obras literárias e sua imperfeição quando seu personagem encontra um jovem farmacêutico que prefere as obras menores dos grandes escritores:

"Ele escolheu A metamofose ao invés de O Processo, Bartleby ao invés de Moby Dick, Um Coração Simples ao invés de Bouvard e Pécuchet e Um Conto de Natal ao invés de Um Conto de Duas Cidades ou As Aventuras do Senhor Pickwick. Um triste paradoxo, pensou Amalfitano. Agora até mesmo os farmacêuticos amantes de literatura têm medo de pegar as obras grandes, imperfeitas e torrenciais, livros que abrem caminhos para o desconhecido. Eles escolhem os exercícios perfeitos dos grandes mestres. Ou o que dá no mesmo: eles querem ver os grandes mestres se pouparem, mas não têm interesse no combate real, quando os grandes mestres lutam contra algo, algo que apavora a todos, algo que nos intimida e estimula, em meio a sangue, feridas mortais e fedor."

Li em inglês, pois era a versão que tinha à disposição.



11.12.12

Biscottis com frutas secas


Gosto de preparar receitas de biscottis nesta época do ano. Elas geralmente rendem bem e são fáceis de fazer. Desta vez, experimentei a receita da BBC Food, achei que os biscottis ficaram mais duros do que os das versões que já publiquei aqui no blog antes, mas biscottis são biscoitos bem durinhos mesmo, feitos para durar muito. Talvez diminuir o segundo tempo de forno melhore esse quesito, mas ficaram bons. Usei os cranberries secos que encontrei no super no lugar das cerejas secas e apenas amêndoas, sem pistaches.



Biscottis com frutas secas

350g de farinha, mais um pouco para polvilhar
2 c chá de fermento em pó
2 c chá de mixed spices (usei um mistura de canela, cravo e noz moscada)
250g de açúcar (usei o orgânico)
3 ovos batidos
raspas da casca de 1 laranja
85g passas
85g cerejas secas (substituí por cranberries)
50g amêndoas inteiras
50g pistaches sem a casca


Preaqueça o forno à 180C. Forre duas formas com papel manteiga ou alumínio. 

Coloque a farinha, o fermento, o mixed spices e o açúcar em um recipiente grande. Adicione os ovos e as raspas de laranja, mexa até que a mistura comece a formar grumos, continue mexendo com as mãos até formar uma massa coesa, ela parece seca no começo, mas continue a trabalhá-la até que não haja mais farinha visível. Adicione as frutas secas e misture um pouco mais para distribui-las.

Coloque a massa sobre uma superfície ligeiramente enfarinhada e divida em 4 partes. Forme "troncos" com cerca 30 cm cada. Coloque dois deles sobre cada forma deixando um espaço entre eles. Asse por cerca de 25-30 min, até que a massa cresça e esteja firme ao toque, ainda sem tomar cor. Retire do forno e deixe esfriar por alguns minutos até atingir uma temperatura que permita o manuseio. Abaixe a temperatura do forno para 140C.

Com uma faca, corte cada um dos "troncos" em fatias com cerca de 1 cm de espessura na diagonal. Distribua os biscottis com o corte voltado para baixo sobre as formas. Asse por mais 15 minutos, vire e asse mais 15 minutos para secarem e dourarem. Deixe esfriar e conserve em um recipiente fechado por até um mês.