31.3.14

O Incolor Tsukuru Tazaki e Seus Anos de Peregrinação - Haruki Murakami


Na época do colégio, Tsukuru Tazaki pertencia a um grupo de amigos muito unido em Nagoya, cidade onde cresceu. Três rapazes e duas garotas. Com exceção de Tsukuru, todos os demais possuíam o ideograma de alguma cor em seu sobrenome e algum talento que os distinguia. Kuro era a garota de língua afiada que gostava de escrever; Shiro era a pianista. Ao era o esportista e, Aka, o intelectual. Por isso, Tsukuru não conseguia deixar de sentir que ele era o "incolor" do grupo, sem nada que o distinguisse de alguma forma. Após o colégio, ele é o único que deixa a cidade e vai a Tóquio para prosseguir os estudos, mas ele retorna sempre que há algum feriado para rever os amigos. 

No segundo ano de faculdade, algo inexplicável ocorre, ele retorna para a casa dos pais em Nagoya e nenhum de seus amigos atende suas ligações. Ao final,  Kuro pede que ele pare de ligar, pois nenhum deles iria mais vê-lo. Tsukuru fica chocado e não consegue explicar o motivo desse rompimento repentino de relações. Ninguém lhe explica nada e ele retorna a Tóquio em estado de choque. Ele tenta esquecer o que ocorreu mergulhando nos estudos, termina a faculdade de engenharia e encontra um emprego em uma construtora de estações de trens da capital. Dezesseis anos se passam, mas a dor continua viva. Uma namorada acha que seu passado impede que ele se envolva com outras pessoas e atrapalha seus relacionamentos. Ela o  aconselha a procurar os antigos amigos para pedir explicações e esclarecer esse episódio de seu passado. 

Este é o enredo do último livro de Haruki Murakami, a tradução para o inglês deve sair no segundo semestre.

Pensei em comprar o original, mas o dólar subiu e desisti. Consegui uma tradução em alemão e foi a que li. Demorei para terminar. Achei arrastado, parava, voltava. (Fraturar a clavícula até que me ajudou a colocar algumas leituras em dia). Tinha esperanças de que o livro fosse melhor do que 1Q84, mas Murakami parece ter perdido o seu "jazz". Achei muitas coisas repetitivas, tive a impressão de que ele recolheu alguns pedaços de textos, algumas ideias já usadas aqui e ali, e criou um romance. Ou, como mencionei antes, talvez seja eu que não me identifique mais com os seus protagonistas trintões, solitários, pouco assertivos e que lamentam a perda de algo irrecuperável.

Apesar disso, ainda consegui me identificar com alguns pontos do romance. Também fazia parte de um grupo de amigos, três garotas e dois rapazes, no qual me sentia muito à vontade. Amava cada um deles de uma forma que só é possível na adolescência. Também nos afastamos quando entramos na faculdade. Nós nos víamos cada vez menos até perdermos totalmente contato. Mudamos, fizemos escolhas e seguimos caminhos diferentes. Sobraram lembranças e talvez alguns ressentimentos. Tsukuru, como eu, tem 36 anos quando vai ao encontro dos antigos amigos e descobre o que ocorreu com cada um deles. Às vezes, fantasio como seria o reencontro de nosso grupo... Provavelmente seria estranho. (Se algum de vocês ler este blog, espero que esteja bem e que, na medida do possível, esteja satisfeito com sua vida, pois sei que ela não saiu exatamente como imaginávamos. Saiba, também, que vocês sempre ocuparam um lugar importante em meu coração).

28.3.14

Bolo integral de banana com mel


Receita que estava entre os rascunhos. Bolinho simples de banana e farinha integral. Mel no lugar do açúcar.




Bolo integral de banana e mel

1/3 x de óleo de coco ou outro óleo vegetal
1/2 x de mel
2 ovos
1 x de bananas amassadas
1 c chá de essência de baunilha (não usei)
1/2 c rasa de chá de sal
1/2 c chá de canela em pó
1 3/4 x de farinha de trigo integral (os 3/4 foram de farinha normal, pois a integral acabou)
1 c chá de bicarbonato de sódio
1/4 x de água quente


Preaqueça o forno à 165 C e unte uma forma de bolo inglês.

Misture o óleo e o mel, adicione os ovos e bata bem. Junte a banana, a baunilha, o sal e a canela e, por fim, a farinha. Misture muito bem. Adicione o bicarbonato à água quente em um copo, junte à massa. Misture até incorporar e coloque a massa na forma. (Não sei qual é o efeito de misturar a água e o bicarbonato, se é realmente necessário, mas o bolo cresceu).

Asse por 60-65 minutos ou até que um palito inserido em seu interior saia limpo. Espere esfriar por 5 minutos antes de desenformar e mais 30 min para fatiar.




17.3.14

Frigideria tex-mex de frango, vegetais e queijo


E hoje acordei às 5h30 porque meu novo vizinho fez um galinheiro no quintal e o galo começou a cantar e não parou até o sol nascer. Tomei o café e aproveitei para limpar a piscina em seguida. Ia descer a escada da casa de máquinas quando pisei em falso e fui ao chão como uma fruta madura. Cai de uns dois metros. A primeira coisa que fiz foi checar os machucados, verificar o que doía. Algumas escoriações e um corte entre o polegar e o indicador, até pensei em ligar a bomba e esquecer a queda, mas não conseguia levantar o braço direito, sentia muita dor, esperei um pouco e subi a escada de volta. Tentei agir com normalidade. Lavei a louça devagar, escovei os dentes com a mão esquerda e finalmente pedi para o O. me levar para o hospital. O residente de ortopedia teve dúvidas mortais sobre se havia algo olhando a radiografia, pediu para eu fazer outra e chamou o médico responsável para dar uma opinião. Ele disse que havia uma fratura na clavícula. Não chegou a quebrar e eu mesma tenho minhas dúvidas sobre se o diagnóstico é tão sério. Sei que dói bastante e levantar o braço é terrível. Não preciso de gesso, mas terei que usar uma tipoia durante algum tempo para ficar com o braço imobilizado. Com um opiáceo e dois anti-inflamatórios, até que dá para levar, no entanto, ficarei um pouco afastada do blog.  (E, sim, eu culpo o galo!).


Esta receita estava nos arquivos, da época da minha febre mexicana. Muita boa. É só preparar as tortillas e, como escreve a Neide Rigo,  nhac!




Frigideira tex-mex de frango, vegetais e queijo


2 filés de peito de frango cortados em fatias/pedaços não muito grandes (cerca de 275-300 g)
1 c chá de chili em pó (ou a gosto)
1/2 c chá de cominho em pó
sal e pimenta a gosto
farinha para polvilhar
2 c sopa de manteiga
1 cebola em fatias (usei roxa)
2 cebolinhas fatiadas 
150 g milho congelado (ou enlatado) opcional (não usei)
1 dente de alho picado
1 pimentão vermelho fatiado
1 jalapeno sem sementes fatiado (não usei, pode ser chipotle também)
1 c chá de orégano
50 ml caldo de frango ou água (coloquei apenas uma ou duas colheradas para não secar)
suco de limão gosto
100 g queijo (cheddar ou outro)


Tempere o frango com o chili, sal e pimenta. Passe os pedaços pela farinha.

Aqueça 1 c sopa de manteiga em uma frigideira grande e doure os pedaços de frango por cerca de 2 minutos. Não é necessário que cozinhem completamente. Remova-os da frigideira, coloque sobre um prato e reserve.

Na mesma frigideira, aqueça a manteiga restante e refogue a cebola, o alho e a cebolinha. Junte o milho, o pimentão, o jalapeno e o oregano. Cozinhe por alguns minutos e tempere com sal e pimenta. Devolva os pedaços de frango à frigideira. Deixe cozinhar um pouco e coloque suco de limão a gosto. Adicione o caldo de frango ou água. Misture com cuidado, corrija o tempero caso necessário. Depois que o caldo tiver se reduzido um pouco, distribua o queijo sobre tudo, tampe e cozinhe até que ele derreta. (Ou, se preferir e caso sua frigideira seja apropriada para isso, coloque-a no forno sem a tampa com o grill ligado e deixe o queijo derreter e dourar).

Para servir: 4 tortillas de trigo, limão em pedaços, creme azedo, salsa, guacamole...


10.3.14

Sagu de vinho tinto com creme


E finalmente fiz o sagu com vinho e creme! Foi minha primeira experiência com sagu. Há muitas receitas na internet e fiquei com várias dúvidas sobre qual a melhor forma de preparar essas bolinhas. Em algumas, era preciso fazer um pré-cozimento do sagu e depois lavá-lo em água corrente, parece que isso evitaria que as bolinhas grudassem depois. Em outras, o sagu era cozido já com todos os ingredientes e não havia lavagem alguma. Também havia aquelas feitas na panela de pressão e outras nas quais o sagu ficava de molho em água por algumas horas. Uma levava só vinho, outra misturava suco de uva e vinho. O creme, às vezes, era feito apenas com amido e leite, outras receitas levavam só gemas e algumas pediam leite condensado e creme de leite. Na dúvida, juntei informações daqui e dali e fiz minha própria versão.

Ficou muito bom em termos de sabor, usei uma combinação de suco de uva e vinho, as bolinhas ficaram transparentes e macias, mas o sagu que comi no sul, em geral, tinha mais caldo, achei que as bolinhas absorveram todo ele como pequenas esponjas. Alguém tem dicas de como preparar essa receita? Ou pode me dizer se estou longe do ideal? O creme ficou muito bom, pretendo mantê-lo como está.

Guardei sagu e creme em potes fechados na geladeira e como na sobremesa.




Sagu de vinho tinto com creme

sagu
2 x de sagu (300g)
2 l de água
2 x de vinho tinto seco
2 x de suco de uva natural (aquele de garrafa)
1 x de açúcar (achei a quantidade perfeita, mas se preferir mais doce adicione mais 1/2 x)
5 cravos da índia
1 pau de canela
1 anis estrelado (opcional)

Coloque o sagu e a água em uma panela e leve para cozinhar. Quando levantar fervura, dê uma misturada e desligue o fogo. Misture de vez em quando para que as bolinhas não grudem, faça isso até que o sagu esfrie ou fique morno. Quando isso ocorrer, coloque em uma peneira grande e lave em água corrente para retirar o excesso de amido. Nesse ponto, as bolinhas ainda estarão branquinhas. Em seguida, coloque de volta na panela com os demais ingredientes, leve para cozinhar e, quando começar a ferver, desligue o fogo, tampe e misture de vez em quando. Aos poucos as bolinhas ficarão transparentes e absorverão o caldo.


creme
1/2 l de leite
1/2 x de açúcar
2 c sopa de amido de milho
1 gema passada pela peneira
1 c chá de essência de baunilha (não usei)

Dissolva o amido em um pouco de leite, junte os ingredientes restantes e leve ao fogo para cozinhar. Misture até que o creme comece a ferver e adquira a consistência de mingau mole.

Sirva o sagu frio com colheradas de creme.



7.3.14

Almôndegas recheadas com muçarela de búfala acompanhadas de molho de tomate e pesto


Uma das melhores receitas de almôndegas dos últimos tempos. Bem, devo confessar que raramente faço almôndegas, pois acho seco e sem graça quando é feito no forno, mas gostei destas. Outra receita da Rachel Ray.

Usei um pote daquelas bolinhas de muçarela de búfala fresca no recheio e elas soltaram bastante líquido, talvez ele tivesse evaporado mais se não colocasse as almôndegas tão próximas, mas, ao final, ele se transformou em um caldo bastante saboroso. Quando requentei para a refeição seguinte, ele se reduziu bastante. Usei apenas carne bovina e o pesto pronto que estava perto do vencimento.




Almôndegas recheadas com muçarela de búfala acompanhadas de molho de tomate e pesto


4 fatias de pão amanhecido em pedaços
leite para umedecer o pão
450g de carne bovina moída
450g de carne suína moída
3 dentes de alho picados
2 c sopa de salsinha seca (usei fresca)
3/4 x de queijo parmesão
1 ovo
sal e pimenta a gosto
cerca de 16 bolinhas de muçarela de búfala
2 c sopa de azeite extra virgem + 1/4 x para o molho
2 latas de tomate pelado
1 c chá de raspas de limão (não usei)
1 c sopa de manjericão fresco


Preaqueça o forno à 210C.

Coloque o pão em um recipiente e cubra-a com o leite, reserve.

Em uma tigela grande, combine as carnes moídas, 2 dentes de alho, 1 c sopa de salsinha, metade do parmesão, o ovo e tempere com sal e pimenta. Esprema o pão para retirar o excesso de leite e adicione à mistura de carne. Combine tudo muito bem com as mãos.

Divida a mistura de carne em 16 porções iguais, pegue cada porção e abra-a um pouco sobre a palma da mão. Coloque a bolinha de muçarela em seu centro e feche, envolvendo-a com a carne. Repita o procedimento até que a carne acabe.

Coloque as almôndegas em um refratário ou forma à medida que as modela. Espalhe 2 c sopa de óleo sobre elas e asse por 25-30 minutos ou até que dourem e fiquem firmes.

Enquanto as almôndegas assam. Coloque uma panela no fogo, adicione o tomate pelado e desfaça-os com um garfo ou colher. Tempere com um pouco de sal e pimenta e deixe cozinhar. Enquanto isso, misture 1 c sopa de manjericão, as raspas de limão, 1 c sopa de salsinha, 1 dente de alho, sal, pimenta e 1/4 x de azeite para fazer o pesto.

Depois que as almôndegas estiverem prontas. Retire o molho de tomate do fogo e junte o pesto.

Distribua o molho nos pratos, coloque as almôndegas, polvilhe queijo parmesão e sirva.  (Minha apresentação ficou um pouco diferente...)




5.3.14

Aveia para todas as manhãs



Ainda bem que o feriado acabou. Os vizinhos dos dois lados resolveram baixar por aqui e não vieram sozinhos. As madrugadas foram barulhentas, Carnaval parece excluir a boa educação e o pessoal se comporta como se estivesse em um resort. O. baixou um programa de "soothing sounds" (sons relaxantes) e escolheu uma combinação de chuva e mar para abafar o ruído, até que funcionou, mas, depois de três noites, os sons relaxantes também começaram a soar como barulho e não consegui mais dormir...

Quanto à receita, acho que já disse que gosto de aveia, não disse? Esta é da Joy. Ela usa "steel cut oats" um tipo de aveia cujo grão é quebrado, não prensado ou em flocos como encontramos por aqui. Usei o prensado, a diferença é o tempo de cozimento, bem mais rápido. Se preferir, você pode omitir o açúcar e colocar um pouco de mel na hora de servir.




Aveia para todas as manhãs

3 x de água (720 ml)
1 x de leite (240 ml)
1 x de aveia prensada
1 x de cenouras raladas no ralador grosso
1/2 x de passas (90g)
3/4 c chá de canela em pó
1/4 c chá de gengibre em pó
1/4 c chá de noz moscada moída na hora
3 c sopa de açúcar demerara
1 pitada de sal 
1/2 x de coco ralado em flocos sem adoçar
2 c chá de raspas de casca de laranja


Leve o leite e água ao fogo em uma panela. Espere ferver. Adicione a aveia, as cenouras, as passas, a canela, o gengibre, a noz moscada, o açúcar, o sal e espere levantar fervura outra vez. Deixe cozinhar em fogo baixo até que o líquido comece a engrossar e a aveia fique macia, cerca de 10 minutos. Retire do fogo e adicione o coco ralado e as raspas de laranja. Tampe e deixe descansar por 5 minutos antes de servir. Sirva morna com um pouco mais de leite, caso goste.


3.3.14

Manteiga no pote


Vi a ideia aqui e fiquei curiosa. Exige um pouco de trabalho braçal, mas tem seu lado lúdico. Como tinha uma garrafinha de creme de leite que venceu dois dias atrás, mas ainda estava com boa aparência, resolvi testar.


Pegue um pote de vidro esterilizado, coloque um pouco de creme de leite fresco, daqueles de fazer chantilly, tampe bem e comece a chacoalhar. Nota: deixe uma boa folga no vidro para que o creme possa se movimentar bastante, enchi demais na foto acima. Depois de ficar com os braços cansados, dividi a quantidade entre dois potes e a coisa andou bem mais rápido. (E se tiver medo de que um pouco do líquido  vaze pela tampa, algo que realmente pode acontecer, segure essa parte com um pano de prato).


Quando você estiver se perguntando quanto tempo mais terá que chacoalhar, de repente, a manteiga se separa do leitelho, ou buttermilk, e forma uma pelota.


Como disse, dividi o creme de leite entre dois potes. Aí está o resultado. Agora, basta escorrer e guardar o leitelho para usar em alguma receita, colocar a manteiga em uma tigela com água gelada e lavá-la, descartar a água e repetir o processo algumas vezes, até que a água fique limpa, sem o esbranquiçado do leitelho, pois ele pode azedar a manteiga. Após o banho, você pode adicionar sal e conservar na geladeira. 

Para quem quiser mais detalhes, veja as fotos da Márcia.


28.2.14

Bento Gonçalves - RS


Finalmente conseguimos ir a uma região vinícola na época em que as parreiras estavam carregadas de cachos maduros. Visitamos algumas vinícolas no Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves; a Geisse, em Pinto Bandeira, distrito que se emancipou de Bento Gonçalves, e passamos pelos Caminhos de Pedra, uma rota turística que remete à colonização italiana da região.

Cada vinícola tem horários para visitação e degustação, em geral, basta aparecer, pagar uma taxa de cerca de R$ 10,00, que não será cobrada caso algo seja comprado, e degustar os vinhos. Assim que chegamos, fomos para a Angheben, uma pequena vinícola que funciona em uma espécie de galpão. Fomos recebidos pelo proprietário, o senhor Idalencio Angheben, que deixou o que estava fazendo para nos atender. A conversa foi muito boa. Ele trabalhou na Chandon, deu aulas no curso de enologia da IFRS de Bento e conhece a história da vinicultura na região. (Como devem saber, ela é bem recente). Ouvindo-o dá para perceber que ele faz algo de que gosta e continua experimentando e procurando aprimorar seus vinhos. Interessante o Touriga Nacional. (Depois descobrimos que é muito raro ser recebido pelo proprietário, quase sempre o atendimento é feito por um vendedor que fala um pouco sobre a vinícola e apresenta alguns vinhos).

Passamos pela Don Laurindo, Lídio Carraro e Miolo. A Miolo oferece tours pela propriedade com uma pequena degustação ao final. Em geral, as vinícolas não oferecem os vinhos de suas linhas superiores para degustação, mas a Miolo tem uma estratégia que achei inteligente e, quem quiser, pode provar outros rótulos na loja, após a degustação inclusa no tour. Foi assim que descobrimos algumas rótulos interessantes como o Cuvée Giuseppe Chardonnay e o Castas Portuguesas tinto. O Lote 43, de que nunca ouvira falar, mas que é um grande orgulho da casa, não nos agradou tanto. Pena que os preços não sejam mais baixos, isso sim, faria uma grande diferença para os compradores brasileiros e talvez anunciasse uma revolução. 

A Lídio Carraro não usa barris de carvalho na produção de seus vinhos, a ideia é permitir que o consumidor "sinta" apenas a uva, sem interferência da madeira. A vinícola conseguiu a "boca" de produzir o "vinho da Copa", uma linha com um tinto, um rosé e um branco. A recepcionista disse que eram "vinhos descompromissados", leia-se "não são nenhuma maravilha, mas dá para beber e o preço não é ruim".

Fiquei surpresa com o grande número de variedades de uva cultivadas para produzir vinho no Vale, há de tudo, basta pensar para encontrar. Imagino que seja uma fase de testes e experiências antes que as vinícolas encontrem sua "vocação". Só pode ser. Muitas das vinícolas também possuem ou estão adquirindo terras para plantar suas uvas na Serra do Sudeste e na Campanha Gaúcha.

Acabamos não fazendo mais visitas no Vale, chegamos tarde na Valduga e, apesar de cruzarmos seu imponente portão de entrada, o horário de visita já terminara. O que não foi ruim, porque caiu uma chuva de granizo de dar gosto assim que voltamos para a pousada.

Passamos pela Cave Geisse em uma manhã. A vinícola especializa-se em espumantes. Como a pessoa encarregada de receber os visitantes estava acompanhando um grupo, quem nos ciceroneou foi a Fran, que trabalha na administração, ela foi muito bacana e simpática. Respondeu a todas as nossas perguntas com muita disposição. Pagando, podíamos experimentar o que quiséssemos, mas era cedo e estávamos cansados devido às noites maldormidas (*) então provamos apenas três espumantes: o nature terroir, o blanc de blanc e o rosé terroir, destes, gostei mais do blanc de blanc (acho que tenho uma queda por chardonnay).

Na volta da Geisse, demos um pulo até os Caminhos de Pedra, é uma estrada com casas e lojas que remetem à presença dos italianos na região, mas achamos que o apelo comercial era bem superior aos aspectos históricos e culturais e desistimos de percorrê-la após algumas paradas (e alguns reais a menos).

Depois de algumas escolhas desastrosas de restaurantes em Gramado e adjacências, preferimos comer coisas mais simples em Bento, terra do galeto e da polenta. No entanto, o Mamma Gema, dentro do Vale dos Vinhedos,  merece uma menção. O lugar é muito agradável e serve uma sequência/rodízio de massas e carne, mas preferimos pedir uma massa à la carte e ela estava muito boa.

Descobri que gosto de sagu de vinho tinto com creme, sobremesa tradicional na região. Logo eu, que detestava o sagu servido na merenda da escola. Tentarei reproduzir a receita em casa, aguardem!  Também achei a carne no sul mais saborosa. Por lá, o sistema de rodízio das churrascarias é chamado de "espeto corrido", faz sentido, não faz? Até a carne de uma churrascaria de posto de gasolina me pareceu mais saborosa do que aquela servida em muitos estabelecimentos da minha região, e chegamos quando eles já estavam terminando o expediente (pouco depois das 13h) e a carne já estava para lá de bem passada. Geralmente evito churrascarias, mas vale a pena parar em uma no Rio Grande do Sul.

Outra coisa de gostei foi do queijo colônia ou colonial. Muito bom, macio e meio picante. Pare em uma bodega ou mercado, algo que não tenha cara de isca de turista, e compre um para trazer.

A cidade de Bento Gonçalves propriamente dita não tem nada demais e a rodovia que a corta é bem movimentada, chega a ser complicado cruzá-la em alguns horários. Passar pelas vinícolas é o programa de quem vai para essa área. Queria ter feito mais degustações, mas acho que duas ou três por dia são suficientes. Há muitos vinhos nacionais com distribuição limitada no resto do país e vários rótulos que não compraríamos apenas para provar, então, foi uma experiência válida.

(*) Como expliquei, demoramos para nos adaptar a camas diferentes da nossa, mas além disso, essa noite em particular fora excepcionalmente ruim. O. acordou para ir ao banheiro de madrugada e me chamou porque havia um morcego lá dentro, como só haveria alguém na recepção a partir das 7h da manhã, abri a janela do banheiro e fechamos a porta. Por volta das 5h, checamos e ele não estava mais lá. Juro que fechei a janela antes de dormir, pois sou cuidadosa com essas coisas, mas acho que sobrou uma fresta e ele conseguiu entrar. Muito azar!

A Angheben
O simpático senhor Idalencio Angheben
Frente da Don Laurindo
Acho que a variedade se chama Malvasia de Candia
Lindos cachos
Queria provar, mas não tive coragem
Miolo
Miolo
Barris da Miolo
Linha de vinhos da Miolo
Degustação da Miolo (4 vinhos)
Linha de vinhos da Lidio Carraro
Linha top da Lídio
Loja da Geisse
Geisse
Interior do restaurante Mamma Gemma
Uma entrada no restaurante

A salumeria dos Caminhos de Pedra
Sagu com creme, uma de minhas novas sobremesas preferidas

26.2.14

Canela e Nova Petrópolis - RS

Canela fica a um pulo de Gramado e tem paisagens bonitas. O teleférico com cabines suíças novinhas ficou pronto recentemente e é possível dar uma olhada na cascata do Caracol. É um passeio curto e caro a R$ 36,00/pessoa. 

Ao lado do teleférico, fica o Parque do Caracol  que abriga a cascata e também cobra pela entrada. Não desci as escadas para ver a cascada mais de perto e não acho que valha a pena pagar para subir no observatório. É um lugar agradável para fazer um piquenique e dar uma volta com as crianças, mas não há muito mais a fazer.

Canela é pequena e a catedral de pedra ergue-se lá no meio. Na rua à sua frente há um pequeno restaurante muito fofo com boa comida, o Empório Canela, que também é uma livraria. Foi nossa melhor refeição nessa parte da viagem. Pena que não deu para repetir no dia seguinte, pois ele não abria. O. pediu cordeiro com risoto de damascos e eu comi um lanche de frango na tortilla que estava muito gostoso. Há sucos criativos com misturas de ervas e frutas e boas sobremesas. Bebericamos uma cachaça local, foi a única coisa que não achei tão boa. Recomendo para um almoço descontraído.

Catedral de pedra em Canela
Vista da cascata do Caracol da parte cima do teleférico
Vista da cascada da parte de baixo do teleférico
Vista da cascata do parque do Caracol
Empório Canela
Caninha local
detalhe do Empório
lanche de frango
cordeiro e risoto de damasco
Nova Petrópolis fica um pouco mais distante de Gramado (cerca de 35 quilômetros), mas resolvemos dar um pulo até lá para almoçar no Colina Verde, um restaurante que serve pratos alemães/italianos no sistema colonial, ou seja, todos os pratos da casa são colocados sobre a sua mesa por um preço fixo. É comida demais, mas não há opção à la carte ou meia porção (a não ser para as crianças). A comida é honesta e a relação custo/benefício também, mas só vale a pena se você estiver com muita fome.

Nova Petrópolis é tão pequena quanto Canela. Por ficarmos pouco tempo na área, acabamos não provando um café colonial, mas acho que foi melhor assim. Não comemos muito e mesas cheias de coisas me deixam um pouco angustiada. Mesmo que saiba que estou pagando, acho aquilo um desperdício e fico me perguntando se a comida que volta para a cozinha é reutilizada ou jogada fora... Mistério...

Hortênsias
Refeição colonial do Colina Verde
Ainda a refeição colonial

24.2.14

Gramado - RS

Como repito sempre, estou ficando velha. Fomos dar uma volta pelo Rio Grande do Sul esses dias e, uma semana antes da viagem, já andava meio estressada em ter que fazer as malas, ir ao aeroporto e pegar estradas desconhecidas. Queria terminar de ler algumas coisas e já sentia saudades da rotina. Além disso, assim que voltássemos, começaríamos uma pequena reforma em casa, o que sempre me deixa antecipadamente inquieta. Mas fomos. E foi interessante, passamos alguns poucos dias em Gramado e terminamos em Bento Gonçalves para conhecer o Vale dos Vinhedos. Primeira vez no estado e a impressão geral foi muito boa. Os gaúchos são gentis e corteses. A zona rural é polvilhada de adoráveis casinhas de madeira colorida e até pudemos usar agasalho pela manhã e à noite. 

Gramado é o que Campos do Jordão ou Monte Verde gostariam de ser. Uma cidade limpa, com casinhas pitorescas, aparentemente segura e com boa infraestrutura para receber o turista. E aí é que mora o perigo. Tive a impressão de que há duas Gramados, a dos turistas e aquela dos moradores. Uma é cheia de lojinhas com preços pouco convidativos e roupas "made in China" de cores berrantes e brilhos; lojas de chocolate onde vale mais a pena parar para beber ou comer uma sobremesa engordativa enquanto se observa o movimento da avenida do que comprar o chocolate propriamente dito (não gostei de nenhum dos que provei); e vários restaurantes pretensiosos com preços mais pretensiosos ainda (onde o fondue suíço quase sempre é feito com queijos bem locais).

E a Gramado das ruas tranquilas e preguiçosas onde uma das melhores coisas para se fazer é acordar cedo, tomar o café e caminhar pela cidade antes das lojas abrirem, observar as construções, olhar os objetos decorativos kitsch nas vitrines, respirar o ar fresco e pensar na vida.

Muitos restaurantes servem "sequências" ou, como conhecemos no sudeste, o rodízio. Há de grelhados, fondues, pizzas... Acho que a melhor opção para comer é entrar em um boteco qualquer e pedir um prato "à la minuta", um prato feito. Há boas cervejas em todos os lugares.

Gramado me pareceu um bom destino para famílias com filhos pequenos ou pessoas idosas. Mas paga-se por tudo. Claro. Há até um parque com neve onde é possível brincar de esquiar. Ele foi inaugurado no final do ano passado, mas só passamos pela sua frente.

Devo dizer que voltamos cansados de ir de um lado para o outro, foi um dos passeios em que mais usamos o carro. Dividir a estadia entre dois lugares também cansou, quase sempre dormimos mal nas primeiras noites em um lugar novo e não tivemos tempo de nos adaptar a nenhum deles.

Na volta, um fato triste. Um ciclista fora atropelado na rodovia antes de Porto Alegre e ainda estava na pista sendo fotografado pela polícia científica. O corpo estava coberto, mas havia o sapato caído e a bicicleta amassada... Uma vida que se extinguira. Depois li que ele tinha vinte e seis anos e tentara atravessar a rodovia empurrando a bicicleta apesar de haver uma passarela naquele trecho.

Av. Borges de Medeiros
Igreja em frente da rua coberta
"Fonte do amor eterno" ao lado da igreja (Imitação daquela famosa ponte francesa?)
Zebras ou Girafas?
Coelhos, havia vários em vários lugares
Bibelôs
Agora sim, girafas. Quero um cabideiro assim!
Realmente gostei destas corujas
Zebras louras, todo mundo precisa de uma!
Cortina divertida
Folhas bonitas
Janelas
Praça simpática na frente de um café de aparência igualmente simpática na rua Garibaldi
Uma das grandes pechinchas que encontrei na cidade