20.10.14

São Miguel dos Milagres e Macéio - Alagoas

Porto da Rua
Cismei em conhecer São Miguel dos Milagres e, quando fizemos planos de ir a Alagoas, dividimos a estadia entre esse povoado no litoral norte do estado e Macéio, a capital. A semana anterior àquela de nossa chegada foi de muita chuva na região e a estrada para Milagres, a cerca de duas horas de carro do aeroporto, estava muito ruim, cheia de buracos e trechos em obras nos quais o asfalto sumia. Ela percorre vilarejos bem modestos e canaviais. S. Miguel mesmo é uma sucessão de povoados na beira da rodovia que passa na frente das casas diante das quais os moradores se sentam para ver a vida passar. De um lado, os casebres sem infraestrutura, do outro, as pousadas "exclusivas" e com preços salgados, a maioria, de europeus. As praias são bonitas, vazias, com águas verdes, mas havia muito sargaço em todos os lugares, talvez devido às chuvas. Meus banhos de mar são rápidos e não gosto de tostar ao sol, mas gosto de caminhar e, como havia disponibilidade, andei de bicicleta. 

Vislumbramos alguns peixes-bois quando fomos conhecer o projeto de proteção em Tatuamunha, almoçamos em algumas pousadas - para conhecer e por falta de opção - lemos, assistimos a alguns dvds e voltamos para Macéio onde ficamos em um hotel ótimo, o Radisson, na Pajuçara. Recebemos muitos mimos, ganhamos dois pratos com frutas nas duas primeiras noites e voltei com várias maçãs, bananas e ameixas na mochila, além de sonhos de valsa. Não entrei na água, mas caminhei bastante. Pegamos quarto com vista para o mar e podia ver o movimento do mercado de peixe logo abaixo durante o dia e os usuários de drogas que se reuniam no mesmo lugar à noite.

Para finalizar, nós nos dirigimos à praia do Gunga, no litoral sul. Outro contraste. Norte e sul não poderiam ser mais diferentes, a estrada para o sul é ótima, sinalizada e duplicada.

As praias do sul também são um choque para quem vem das praias vazias do norte com suas barracas, camelôs, vendedores diversos, música e muvuca. É, há várias Alagoas.

Voltei preocupada com minhas mudas frutíferas, está fazendo um calor terrível e não choveu enquanto estivemos fora, achei que elas tinham morrido, mas mesmo as mudas de cerejeira e de maçã, ambas germinadas de sementes, estavam firmes. Hoje, plantei mais algumas sementes de cerejeira e maçãs que germinaram na geladeira e também algumas sementes de cajá, tamarindo e pinha que separei do prato de frutas da pousada em S. Miguel.

O. me viu fazendo caretas enquanto comia o cajá e o tamarindo para pegar as sementes e não entendeu a razão de eu querer plantar algo que obviamente não achava gostoso. É pelo prazer de ver uma semente germinar e crescer, oras.

pimenta-rosa
não falta coco nessa terra
Praia do Toque
Uma das pontes sobre o rio Tatuamunha
atravessando o mangue
segunda ponte
vista da ponte
Os peixes-bois usam rastreador quando são novos na reserva.
Joana subindo para respirar
Parece um torpedo com cauda.
Claudio, o guia, uma figura.
Peixes-bois se cruzando debaixo d'água do lado de fora do cercado onde os animais mais novos ficam.
É preciso atravessar duas pontas sobre o rio, a primeira é tranquila. A da foto, mais longa, balança e me deixou apreensiva.
As jangadas levando os turistas
pesca artesanal na praia do Toque
Fomos surpreendidos por esse bichinho feito com toalhas quando chegamos ao Radisson
vista de Macéio
Jangadas que levam às piscinas naturais
vista do quarto
carpas na frente do Radisson
Praia do Gunga
Balsas que trazem turistas (mas dá para chegar de carro)

1.9.14

Montevideo - Uruguai



Nossos cinco dias em Montevideo: chuva, vento, vento, chuva, frio, chuva, vento, vento, frio, frio, vento...

Chegamos com um fenômeno meteorológico conhecido pelos locais como "tempestade Santa Rosa". Santa Rosa é uma santa limenha e sua data comemorativa é dia 30 de agosto. A tal da tempestade tem esse nome porque ocorre alguns dias antes ou depois dessa data, após um veranico que indica a mudança de estação. Estatisticamente, ela não ocorre sempre, mas acho que tivemos azar. Os três primeiros dias foram muito frios, chuvosos e ventosos. A temperatura não ultrapassou os 9 C e o vento dava uma sensação térmica bem menor.

Ficamos perto do Sofitel Carrasco, ventava horrores quando tirei a primeira foto e apenas eu e alguns corredores corajosos estávamos sobre a rambla.


Tinha marcado alguns tours por algumas vinícolas um mês antes de viajar e acabamos saindo com frio e tudo. Foi bacana.

Passamos primeiro pela H. Stagnari. Ela fica em um lugar bonito. Achei os vinhos comerciais, sem nada muito distintivo.

Depois fomos à Pizzorno e, aí sim, achei os vinhos realmente interessantes. Especialmente o tannat reserva e o Primo. O enólogo que nos acompanhou, Marcelo, era bastante informativo e simpático, ele abriu um espumante e até nos serviu um vinho de sobremesa. Foi uma conversa boa acompanhada de bons vinhos. 


No segundo dia, fomos à vinícola Chiappela, uma propriedade familiar. O tour incluía uma aulinha de poda de videiras, mas passamos, estava frio demais. Entramos no grande galpão e nos sentamos em uma área de degustação improvisada em um canto. Quem nos acompanhou foi o Gabriel, um dos enólogos e colega de turma do curso de enologia de uma das proprietárias. São vinhos feitos por uma geração jovem e têm bastante personalidade. Eles talvez ainda precisem de um pouco mais de equilíbrio, mas têm um futuro promissor. O Unum, um assemblage, é muito bom e diferentão. Rimos muito com o Gabriel e foi uma visita divertida.

Queria ter visitado mais vinícolas, achei a experiência melhor e menos comercial do que aquela em Bento Gonçalves. Os vinhos também me surpreenderam e os preços são muito mais palatáveis do que os nacionais.

Achei curioso o fato de muitas vinícolas misturarem tintos com brancos, geralmente, para tornar o vinho mais aromático. 

Depois de sairmos da Chiappela, pedimos para nosso guia nos deixar no Mercado del Puerto. Comemos no El Palenque e depois tomamos um táxi. E saibam que os táxis pretos mais velhos podem proporcionar uma experiência inesquecível. O nosso era um fiat Uno velhinho, sem amortecedor e com um pedaço de madeira que servia de tampa de bagageiro. O motorista era um senhor simpático que dirigia como um doido pela rambla. Senti-me como uma pipoca em uma pipoqueira. Felizmente, chegamos inteiros e ficamos aliviados em descer. Ah, sem falar que o táxi tinha aquela divisória de vidro separando motorista dos passageiros com um buraco por onde o pagamento é feito. Não sei se os veículos mais novos, na cor branca, ainda têm isso.


E, quando começava a achar que não veria sol antes de voltar para o Brasil, ele apareceu. No entanto, ainda estava frio.


No último dia, fomos até Punta del Este. Demos uma volta pelo porto, vimos alguns lobos marinhos gordos e folgados ao lado da barraca de peixe, almoçamos e voltamos. Os prédios de Punta parecem todos novinhos e há muita coisa ainda sendo construída. Vi apenas alguns casais idosos caminhando e casais jovens tirando selfies aqui e ali. Estava tudo bem tranquilo por não ser temporada. A cidade é bem agradável e dá para entender porque o pessoal de Montevideo gosta de ir para lá nos fins de semana e nas férias. É a atmosfera do lugar.


Esse aí estava dormindo e parecia sonhar, mexia-se o tempo todo. Com que sonharão os lobos marinhos?


Fiquei um pouco decepcionada com a experiência gastronômica em Montevideo. Pedimos parrilla em quase todos os lugares, inclusive no Mercado del Puerto e, com exceção de um restaurante, achei a carne apenas ok. Talvez por sermos brasileiros, ela quase sempre veio mais bem passada do que gostaria. 

Os restaurantes adotam a política de reduzir o sal da comida, eu achei a ideia boa, mas O. ficou meio infeliz com isso.

Comida é relativamente cara no Uruguai. E espresso bom é raro. No mais, enchemos a cara de sobremesas com doce de leite e de sorvete Freddo (havia uma loja na frente do hotel). Nas noites mais frias e chuvosas, preferimos comer fiambres, queijos, empanadas, morangos e beber vinho no quarto.

Não provei o tal do medio y medio, a mistura de vinho branco com espumante, preferi mimosas e clericots (a sangria de vinho branco local).

Acho que teríamos aproveitado mais se não tivéssemos chegado às vésperas de um feriado nacional (Independência) e com um tempo chato. O engraçado é que começou a chover e esfriou por aqui logo que voltamos...  rs