6.1.19

Os últimos murakamis

(Mais uma retomada deste blog há tanto tempo abandonado! Ainda há alguém aí?)

Acabei de ler um dos últimos romances (não posso dizer que seja o último porque as traduções nem sempre seguem o ritmo das publicações no Japão) de Haruki Murakami, Killing commendatore, é, li em inglês mesmo. Ele será publicado pela Alfaguara aqui no Brasil com o título O assassinato do comendador em, acredito, dois volumes como no Japão. O enredo até tem alguns elementos de suspense misturado com eventos misteriosos e inexplicáveis - além de comida, jazz e música clássica -, típicos das obra de Murakami, mas confesso que ele poderia ser bem mais enxuto, havia partes repetitivas e tediosas que acabava pulando para ir logo àquilo que interessava. O enredo é meio requentado, uma combinação de restos da geladeira murakamiana: uma adolescente enigmática, um protagonista abandonado pela mulher, um ser fantástico e onisciente, universos paralelos aos quais os personagens chegam descendo por algum buraco/poço, uma pitada de história mundial. Kafka à beira mar foi o último livro do autor de que gostei, aprecio os seus primeiros trabalhos, mas depois de Kafka, as coisas mais interessantes que li foram os ensaios sobre a escrita nos quais ele explica sua visão do processo criativo e seu ofício como autor e as conversas sobre música com o maestro Seiji Ozawa. Também há um conto em Men without women de que que gosto, "Samsa in love".

Atualmente prefiro narrativas mais "ágeis", Querida konbini, de Sayaka Murata, por exemplo, é curta e "redondinha". Também li Ouça a canção do vento / Pinball, 1973, livro que lançou o Murakami no universo literário, e gostei, achei a narrativa muito mais gostosa do que ela é hoje. (Li a tradução para o francês). 

3.7.16

Leituras de junho


Duas últimas leituras de que gostei: A Life Beyond Boundaries: A Memoir, de Benedict Anderson, e Japanese Portraits: Pictures of Different People, de Donald Richie. 

Benedict Anderson foi professor do departamento de Estudos Asiáticos na Universidade de Cornell. No livro, ele narra basicamente a sua formação. Ele nasceu na China, passou parte da infância nos EUA e retornou para a Grã-Bretanha, pátria de seus pais, onde passou a adolescência e parte da juventude antes de retornar aos EUA para dar aulas no departamento de sociologia de Cornell. Depois disso, suas pesquisas levaram-no à Indonésia, Tailândia e Filipinas. Ele tem uma formação e erudição invejáveis, sempre curioso, ele critica a formação de "especialistas" e a compartimentalização das humanidades. Concordo com sua opinião, vi muitos estudantes e professores de filosofia que não liam romances, ou sociólogos que se restringiam a ler determinados autores, acho isso triste, apequenador.

Em Japanese Portraits, Donald Richie, estudioso da cultura japonesa, faz descrições curtas de suas interações com figuras anônimas e famosas como Yukio Mishima, Yasunari Kawabata e Yasujirô Ozu. São realmente pequenos retratos. Gostei tanto que pensei em traduzir, mas descobri que isso já foi feito

Tenho lido mais em japonês, contos, mas já separei alguns textos mais longos para continuar meu eterno aprendizado da língua. Também separei um romance em francês, uma cópia de La Vie de Marianne da época do meu doutorado que acabei deixando de lado, e A Bend in the River, de V. S. Naipaul. Há uma fila enorme de leitura!

No mais, acho que estamos com algum vazamento, outro. Na rede de água da casa desta vez. O relógio não para de girar se não fecho o registro. Preciso encontrar alguém para fazer a detecção e resolver isso em um futuro próximo. Na horta, é época de: cenouras, salsinha, coentro, gengibre, berinjela (ainda), mandioca e alface. O maracujá doce floriu. Faz anos que não como maracujá doce, espero que continue tão bom quanto era na minha infância.


28.6.16

Tarkovsky

Tinha um amigo de colégio muito querido que gostava de Solaris, um filme do diretor russo Andrei Tarkovsky, um tipo de ficção científica existencialista, por assim dizer. Passeávamos de braços dados pelo pátio e eu ouvia suas teorias e questionamentos sobre o filme. Foi assim que conheci o diretor. Assisti a uma antiga entrevista dele no youtube esses dias. Traduzi um trecho, não sei se é fiel, pois já foi traduzido uma vez do russo:


Entrevistadora: Você é feliz por ter nascido?
Tarkovsky: Feliz não é a palavra certa. Este mundo não é um lugar onde possamos ser felizes. Ele não foi criado para a felicidade humana; embora muitos acreditem que essa seja a razão de nossa existência. Acho que estamos aqui para lutar, para que Bem e Mal possam travar combate dentro de nós e o bem possa prevalecer; enriquecendo-nos, assim, espiritualmente. É difícil dizer se somos felizes ou não - não depende de nós. Há momentos em que nos arrependemos de ter nascido, mas a vida também nos dá coisas surpreendentes, isso é suficiente para que valha a pena viver. A questão da felicidade não existe para mim. Felicidade, como tal, não existe.


22.6.16

In Memoriam: Fan Ho (1931-2016)

Fan Ho é um fotógrafo que admiro muito. Luzes e sombras se revelam com maestria em suas fotos de Hong Kong, belas e nostálgicas.

 
 
 
 



12.6.16

Leituras de abril/maio

Li vários livros sobre assuntos bem diversos. Mas acho que, nos últimos tempos, meu interesse tem se concentrado nos livros sobre lugares e história. Nenhuma ficção.

Oaxaca Journal do Oliver Sacks é um diário de sua visita a essa região do México junto com um grupo de amantes de pterodófitas (ou seja, samambaias) do qual ele faz parte. Eles fazem excursões para observar a flora e a cultura local. Leitura leve, com suas impressões sobre a região, sobre botânica e pessoas. (Me parece adorável fazer parte de um grupo nerd desse tipo!).

John Keahey passou seis meses explorando as pequenas cidades da Toscana imerso na história e arte da região. O resultado de sua estadia é o livro Hidden Tuscany. Ele procura mostrar os aspectos menos turísticos e conhecidos da Toscana, seus conflitos, sua gente. (Adoraria ser paga para passar alguns meses em outro país para ser absorvida e absorver sua história e costumes, e vocês?). De certa forma, ele faz um livro de viagem à moda antiga, onde há mais antropologia e pesquisa, e menos "dicas" como nos guias turísticos atuais. Ele escreve sobre o mármore empregado por Leonardo da Vinci, as esculturas, o forte de Pietrasanta, cidade onde monta sua "base", e também sobre a carnificina trazida ao lugar pela guerra.

Gostei muito de In the Belly of the Elephant de Susan Corbett. No livro, ela narra seus cinco anos de trabalho para a organização Save the Children em Burkina Faso no final dos anos 70 e início dos 80. Apesar de seu trabalho, o livro trata mais de suas expectativas, do cotidiano e de suas frustrações pessoais, geralmente relacionadas ao trabalho e à sua vida amorosa. Quase um livro de formação com a África servindo de pano de fundo. 

Em Tokyo: from Edo to Showa 1867-1989, Edward Seidensticker conta como Tóquio se tornou Tóquio desde o final do período feudal até 1989. A cidade passou por várias mudanças após várias inundações, incêndios, terremoto e bombardeios durante a Segunda Guerra. Interessante, mas achei meio cansativo e um pouco repetitivo apesar da (e talvez devido à) grande quantidade de informação recolhida pelo autor. 

Consegui ler o volume sobre o zen das obras selecionadas de D. T. Suzuki. Devido ao seu intercâmbio com o Ocidente, sua visão sobre o zen é influenciada por pensadores e conceitos ocidentais e, por isso mesmo, alguns estudiosos criticam seus textos, mas acredito que essa seja sua forma de tornar as concepções orientais mais compreensíveis para quem não nasceu do outro lado do mundo. Gosto do fato das religiões orientais enfatizarem o concreto, o momento, em detrimento da abstração e de especulações de ordem intelectual. A vida se torna bem mais simples assim. Também aprecio o zen por valorizar o esforço pessoal para se atingir uma espécie de salvação/iluminação, ao contrário de outras vertentes do budismo segundo as quais a salvação dependeria de um tipo de graça divina. Mas esse tipo de cisão existe mesmo no cristianismo, não é mesmo? Algumas vertentes pregam que cada um deve se esforçar para ir ao paraíso, enquanto outras pregam que tudo depende da providência divina...

Li besteiras também, um pouco de assuntos esotéricos, nutrição e beleza, porque ninguém é de ferro, mas essas ficam para outra hora.


3.4.16

April is not the cruellest month

Li If the oceans were ink no mês passado. A autora, Carla Power, é jornalista e passou um ano acompanhando as palestras e tendo aulas sobre o Corão, o livro sagrado do Islã, com uma autoridade da religião, Mohammad Akram Nadwi, um pesquisador e estudioso que nasceu na Índia e mora na Inglaterra. Apesar de sua posição conservadora, Akram deixa claro que Maomé não prega a opressão feminina. Em seus estudos ele realizou o levantamento do nome de várias mulheres que se dedicaram ao estudo do Alcorão no mundo islâmico. 

A autora claramente foca o livro na questão feminina no islamismo e, por meio das explicações de Akram, procura mostrar que o texto sagrado não é tão opressivo em relação às mulheres, ao contrário, as interpretações e leis estabelecidas posteriormente é que teriam restringido seus direitos e liberdade. (Descobri que o profeta nunca disse que uma mulher não deveria conduzir um camelo, inclusive, suas mulheres o seguiam dessa forma, algumas até mesmo expressavam sua opinião e ela era respeitada).

É um livro muito interessante. Como qualquer religião, Akram explica que o fundamento do Islã é a compaixão, a paciência e a modéstia. Mas como qualquer texto, o Corão é aberto a várias interpretações e suas palavras podem ser distorcidas para satisfazer interesses pouco elevados. Quando o secular e o sagrado, as leis e a religião, são uma coisa só, o perigo é grande. Há diversos pontos controversos que Akram tenta elucidar para a autora, ela nem sempre fica satisfeita com as explicações, mas a leitura é ótima para compreender, mesmo que pouco, a perspectiva do islamismo.

As vozes de Marrakech (li em italiano, pois foi a tradução que encontrei), do escritor e ensaísta búlgaro Elias Canetti, é uma espécie de diário com cenas e experiências vividas pelo autor durante uma viagem a Marrakech feita em 1954. Gosto de Canetti, adorei a trilogia autobiográfica (A língua absolvida, O jogo dos olhos, Luz em meu ouvido) na qual ele narra sua infância, sua relação tempestuosa com a mãe, sua juventude e formação literária durante os anos dourados de Viena e seu relacionamento com Veza, uma mulher mais velha que considerava sua musa e com quem se casa. No livro sobre Marrakech, a pobreza e a privação estão sempre muito presentes nas cenas narradas pelo autor, o pouco de lirismo que surge aqui e ali sucumbe rapidamente diante da realidade. 

Getting more of what you want de Margaret Neale e Thomaz Lys é sobre estratégias de negociação, sobre como maximizar ganhos em diversos tipos de interação aliando aspectos psicológicos e econômicos. Apesar de não me considerar uma grande negociadora, gosto desse tipo de assunto. Nossos julgamentos, preconceitos e temperamento afetam nossas decisões e é sempre bom ter consciência disso.

Healthy brain, happy life é uma mistura de livro de bem-estar/autoajuda com neurociência, área estudada pela autora Wendy Suzuki, professora da Universidade de New York. Ela procura mostrar a importância do cérebro para se ter qualidade de vida, mas acho que esse aspecto é explicado de forma superficial, pois o texto acaba priorizando mais sua vida pessoal. É uma leitura que procura ser divertida e informativa ao mesmo tempo sem ser chata, mas fica meio açucarada. (Apesar disso, até gostaria de participar de seu curso sobre como a atividade física afeta a atividade cerebral, ela faz os estudantes realizarem exercícios enquanto gritam palavras de encorajamento e abre uma discussão sobre o tema na segunda parte da aula).

A horta continua na mesma. Continuo colhendo berinjelas, mas as mudinhas novas continuam desaparecendo misteriosamente. Plantei batata-doce em um dos canteiros porque cansei de semear verduras e perder todas as sementes. Tenho bastante gengibre e os pés de cúrcuma estão vistosos. Colhi algumas mandiocas, elas são muito macias, as mudas foram dadas por meu pai. 

O pão continua caseiro e estou tentando melhorar minha técnica com o levain. Sempre busco dicas no blog da Neide Rigo, acho que estou melhorando, mas ainda não consegui aquele tão desejado pão de casca crocante e miolo cheio de furos. 


Flor de maracujá
Berinjelas e um pepino
primeira colheita de mandioca
alguns passeiam de balão aos domingos
pão caseiro

20.3.16

Entre Parênteses, Bolaño



Terminei de ler Entre Parênteses, uma coletânea de artigos, discursos e uma entrevista concedida por Roberto Bolaño à revista Playboy. Os artigos são curtos e tratam de literatura, afetos e desafetos literários, o Chile, seu país natal; o México, onde foi jovem; e a Catalunha, onde morreu em 2003. 

Gostei muito de Os Detetives Selvagens e 2666, seus dois tijolos de centenas de páginas. Livros ambiciosos, um tanto desequilibrados por isso mesmo, mas leituras fabulosas, estonteantes. Não gostei tanto de Noturno do Chile, tenho a impressão de que Bolaño cresce mesmo quando tem a oportunidade de se estender por várias páginas como nos dois primeiros livros e nos faz mergulhar em um caleidoscópio de imagens e experiências. 

Os artigos são interessantes para conhecer um pouco mais sobre o escritor, mas achei-os um pouco repetitivos. Gostaria que ele tivesse falado mais sobre si, expressado um pouco mais de suas opiniões sobre a literatura, arte e vida. Em suma, fossem mais reflexivos.

Li em italiano. Traduzi um trecho que acho que faz muito sentido:


"Gostaria de recomprar todos os livros de Tolstói e Dostoiévski que li e que não possuo mais em minha biblioteca. E também aqueles de Daudet. E aqueles de Vitor Hugo. Algumas vezes me pergunto o que fiz deles, desses livros, como posso tê-los perdido, onde os perdi. Outras vezes me pergunto porque desejo tê-los se já os li, que é o único modo de conservá-los para sempre. A única resposta possível é que os desejo para meus filhos. Sei que é uma resposta enganosa: cada um deve sair de casa em busca dos livros que estão à sua espera."



6.3.16

Palavras de Bolaño

A literatura, como diria uma cantora andalusa, é um perigo. E, agora que retorno, finalmente, ao número onze, o número daqueles que jogam no ataque, e que mencionei o perigo, posso recordar aquela página de Dom Quixote na qual se discute os méritos da milícia e da poesia, e na qual imagino que, no fundo, se fale do grau de perigo, ou do grau de virtude, exigido pela natureza dos dois ofícios. E, se Cervantes, que foi soldado, faz a milícia, o ofício de soldado, vencer o honorável ofício de poeta, e se lemos aquelas páginas com cuidado (coisa que agora, enquanto escrevo este discurso, não faço, mesmo que da mesa onde estou sentado, veja muitíssimo bem as minhas duas edições de Dom Quixote) sentimos um forte aroma de melancolia, porque Cervantes faz sua juventude, o fantasma de sua juventude perdida, vencer a realidade do exercício da prosa e da poesia, até então tão inclemente para com ele. E isso me vem à mente porque, em grande medida, tudo o que escrevi é uma carta de amor e de adeus à minha geração, à nossa geração que nasceu nos anos cinquenta e que, em determinado momento, escolheu o exercício da milícia, em nosso caso, seria mais correto dizer da militância, e confiou o pouco que possuía, que era muito, porque era a nossa juventude, a uma causa que acreditava ser a mais generosa do mundo e que, em certo sentido, o era, sem que, em realidade, o fosse. Inútil dizer que combatemos exaustivamente, mas que tínhamos chefes corruptos, líderes covardes, aparatos de propaganda que eram piores do que leprosários, e que lutávamos em nome de partidos que, se tivessem vencido, teriam nos enviado imediatamente aos campos de trabalho forçado; lutávamos e dispúnhamos toda a nossa generosidade a serviço de um ideal morto mais de cinquenta anos antes, e alguns de nós o sabíamos, não podíamos deixar de sabê-lo se tivéssemos lido Trótski ou se fôssemos trotskistas, no entanto, lutávamos do mesmo jeito, porque éramos estúpidos e generosos, como são os jovens, que dão tudo e não pedem nada em troca, e agora não resta mais nada desses jovens, aqueles que não morreram na Bolívia morreram na Argentina ou no Peru, e aqueles que sobreviveram foram morrer no Chile ou no México, e aqueles que não foram assassinados ali, foram assassinados mais tarde na Nicarágua, Colômbia ou El Salvador. Toda a América Latina está semeada de ossos desses jovens esquecidos. E é essa a mola que impele Cervantes a escolher a milícia em detrimento da poesia. Seus companheiros também estavam mortos. Ou estavam velhos e abandonados, sós e na miséria. Escolher significava escolher a juventude, escolher os derrotados, escolher aqueles que não tinham mais nada. E é isso o que faz Cervantes: escolhe a juventude. 

Roberto Bolaño, Discurso de Caracas, traduzido (do italiano por mim)

3.3.16

Livros de fevereiro


Falei cedo sobre a chuva no post anterior, não é mesmo? Voltou a chover muito nas últimas semanas. O solo está encharcado e faz chop chop quando caminho sobre a grama. Não dá para passar muito tempo do lado de fora cuidando do jardim então leio.

Li alguns livros sobre zen budismo, entre eles: Zen and Japanese Culture de Daisetsu Teitarô Suzuki e Zen Experience de Thomas Hoover. Suzuki tem obras bastante difundidas no Ocidente tratando do budismo. É interessante ver a religião/filosofia da perspectiva de um japonês, mas achei o livro do Hoover mais instrutivo. Ele procura traçar a história do zen budismo desde a China até o Japão. Como qualquer religião/instituição, o zen é constituído de várias idiossincrasias muito humanas. Sua história é feita de variações, cisões e disputas entre mestres e discípulos que pensam de formas diferentes. Algumas escolas se beneficiam do apoio dos poderosos e há aquelas que se afastam do mundo. Alguns mestres acreditam na meditação, outros preferem métodos menos ortodoxos como gritos e tapas como meios para atingir a iluminação.

Em Good Thinking, Guy P. Harrison escreve sobre a necessidade e os benefícios de cultivarmos uma espécie de ceticismo científico em nossas vidas, isso evitaria que tomássemos decisões ou abraçássemos causas e opiniões baseados em falácias ou ignorância. No fundo, o que ele prega é bom senso, mas li alguns comentários críticos de pessoas religiosas, por exemplo, que não gostaram do que ele escreveu.

Apesar de minha casa estar longe (muito longe) de ser um exemplo de organização e minimalismo, adoro livros sobre o assunto. Li The life-changing magic of tidying up de Marie Kondo que fez um tremendo sucesso no ano passado e terminei Simple Matters de Erin Boyle esta semana. Erin tem um blog (que conheci depois do livro), Reading my tea leaves, no qual dá dicas sobre como podemos ter uma vida mais simples, clean e autêntica. O livro também é sobre isso, sobre atitudes que enriqueceriam nossas vidas como usar produtos naturais, dar valor à qualidade e não à quantidade, consumir menos, aliar a sustentabilidade à beleza. Tanto Marie quanto Erin dizem que o segredo para ter uma casa mais clean é comprar e conservar apenas as roupas e objetos que amamos e nos fazem felizes. (Oh boy! Me passem alguns sacos de lixo...).

No campo da ficção, li Atemschaukel (traduzido como "Tudo o que tenho levo comigo", título que não achei muito bom, "The Hunger Angel", título da tradução inglesa, é bem melhor), da Herta Muller. Ele é narrado por Leo, um jovem da minoria alemã da Romênia que é deportado para a União Soviética onde passa cinco anos em campos de trabalho forçado. O tema é triste e duro, mas a escrita é muito poética. Gosto disso nos textos da Herta Muller, da concisão e do efeito das imagens que ela evoca. Li em alemão e, apesar de ter muitas dificuldades com essa língua, não era alheia à beleza de sua escrita.

Comprei e li dois livros do chileno Alejandro Zambra publicados pela Cosac Naify (RIP). Confesso que fazia anos que não comprava livros em português (mesmo uma tradução). Foi estranho ler um autor que li primeiro na língua original traduzido para o português, o pior é que cada um deles foi traduzido por uma pessoa diferente. Acho difícil manter algo parecido com um "estilo" dessa forma. Gostei muito do Zambra em espanhol, apesar de ter lido apenas Bonsai e No Leer que comprei no Chile. Calhou de uma leitora do blog fazer a recomendação do autor pouco antes de uma viagem a Santiago e fui procurá-lo nas livrarias próximas do apartamento onde ficamos. Livros no Chile são caros e não tive coragem de comprar mais nada. Até reclamei disso com o vendedor de uma livraria em Providencia e ele concordou comigo. Meus Documentos é uma coletânea de contos, gostei bastante de alguns, achei outros fracos, mas, bem, contos não são meu forte. Quase todos soam meio autobiográficos. Formas de Voltar para Casa também tem um quê disso, de fato, todos os textos do Zambra têm muito dele, de acontecimentos pessoais, do Chile e de Santiago. O romance é curto, como todos os seus textos, e trata do período da ditadura de Pinochet (1973-1990) e de como os relacionamentos e as vidas das pessoas foram afetados por ela.


10.2.16

Sobre a cerimônia do chá e o zen

Trechos do livro Zen and Japanese Culture de D.T. Suzuki. Tradução minha:


"Nestes tempos modernos, como muitos de nós estão situados em relação ao mestre de chá? Não faz sentido falar em um entretenimento tranquilo. Vamos obter o pão primeiro e menos horas de trabalho." Sim, é verdade que nós temos que comer o pão obtido com o suor de nosso rosto e trabalhar algumas horas como escravos de máquinas. Nossos impulsos criativos foram miseravelmente recalcados. Entretanto, acredito que não seja por esse motivo que nós, os modernos, perdemos nosso gosto pela capacidade de relaxar, de encontrar tempo em meio a nossas preocupações para aproveitar a vida sem ser correndo atrás de estímulos apenas pela diversão. A pergunta é: Como terminamos por nos entregar a uma vida na qual os problemas são suprimidos apenas temporariamente? Por que não refletimos mais sobre a vida de modo mais profundo, mais sério, para ter uma ideia de seu significado mais íntimo? Quando essa pergunta for respondida, se necessário, negaremos todo o mecanismo da vida moderna e começaremos de novo. Espero que nosso destino não seja nossa escravidão contínua às necessidades e bem-estar materiais.

 "De fato, é um grande erro ostentar wabi enquanto, internamente, nada está de acordo com esse conceito. As pessoas constroem uma sala de chá com todos os requisitos para que ela aparente wabi; muito ouro e prata é desperdiçado no trabalho; objetos raros de arte são comprados com o dinheiro  adquirido por meio da venda de suas terras - tudo isso para exibirem às visitas. Elas acreditam que a essência de uma vida de wabi encontra-se ali. Mas longe disso. Wabi significa insuficiência de coisas, falta de meios para satisfazer todos os desejos que se possa ter, geralmente, uma vida de pobreza e tristeza. Deter-se em desespero no curso da vida devido à incapacidade de prosseguir - isso é wabi. Mas não nos afligimos com isso. Aprendemos a ser autossuficientes com a insuficiência das coisas. Não procuramos coisas além de nossos meios. Deixamos de ter consciência do fato de que estamos em situações difíceis. Se, entretanto, persistirmos com a ideia da pobreza, insuficiência, ou miséria de nossa condição, não seremos mais pessoas de wabi, mas pessoas afetadas pela miséria. Aqueles que sabem o que é wabi, estão livres da ganância, violência, raiva, indolência, desconforto e tolice. Wabi corresponde ao Pāramitā da moralidade como ela é observada pelos budistas."

Quando o wabi é explicado da forma acima, os leitores podem achar que ele é mais ou menos uma qualidade negativa, e que ele é desfrutado pelas pessoas que fracassaram na vida. Talvez isso seja verdade em certo sentido. Mas quantos de nós são tão saudáveis a ponto de não precisar de remédio ou de um fortificante de um tipo ou de outro em algum momento da vida? E todos estamos destinados a morrer. A psicologia moderna fornece muitos casos de homens de negócios ativos, fisica e mentalmente, que repentinamente entram em declínio depois que se aposentam. Por quê? Porque eles não aprenderam a conservar uma reserva de sua energia; ou seja, eles nunca pensaram em um plano de recolhimento enquanto estavam trabalhando. O guerreiro japonês, naqueles dias de batalhas e agitação do passado, quando estava mais ardorosamente envolvido nas atividades da guerra, percebia que não poderia permanecer  com os nervos à flor da pele, sempre em vigília, e que precisava de alguma forma de escapar em algum momento e lugar. O chá deve ter lhe dado exatamente isso. Ele se recolhia durante algum tempo em um canto tranquilo de seu inconsciente, simbolizado pela sala de chá de menos de um metro quadrado. E, quando ele a deixava, sentia não só a mente e o corpo revigorados, mas provavelmente sua memória era renovada com coisas de valor mais permanente do que a mera luta.


11.1.16

Últimas leituras

 

Feliz ano novo a todos! (Mesmo que não haja nada novo nele). 

Retomei a leitura dos diários da Sylvia Plath depois da defesa de mestrado e cheguei a seu fim antes do Natal. Lendo-os, tive a impressão de que ela era uma pessoa muito obsessiva e um pouco neurótica em relação à escrita e aos seus relacionamentos. As entradas de que mais gostei foram aquelas que continham simples descrições sobre o cotidiano. Mas há passagens muito bonitas em suas reflexões, do tipo que viram citações em blogs... 

Também li um pequeno livro de ensaios da Maya Angelou, nunca lera nada dela antes e achei sua escrita simples e bem fluida. Ela foi uma mulher e tanto: escritora, militante dos direitos das mulheres e dos negros, cantora, atriz, uma história de vida fantástica. 

Outro livro que decidi retomar novamente após uma primeira tentativa improdutiva no ano passado, foi o último romance de Milan Kundera, La fête de l' insignifiance (A festa da insignificância). Uma garota que estava sentada do outro lado do corredor em nosso longo voo de volta de Mendoza o lia com interesse e fiquei com vontade de confirmar se ele era assim tão bom. O texto é curto e narra pequenos fatos corriqueiros na vida de três ou quatro conhecidos, existências que se tocam e ignoram muito uma sobre as outras. Bem ao estilo de Kundera. Acho que li todos os seus romances, apesar disso, não posso dizer que ele seja um de meus autores preferidos. Bela escrita, belas reflexões, mas um perfume que logo se desvanece no ar.

Agora estou terminando In Arabian Nights: A Caravan of Moroccan Dreams de Tahir Shah. É uma mistura de livro de viagem, biografia e contos. O autor nasceu em Londres, filho de afegãos, e narra suas experiências em Casablanca, onde adquiriu uma casa e foi viver com a família. Ele descreve seu cotidiano e seu aprendizado sobre os costumes do país, cada pessoa que encontra, conta-lhe uma história e, por meio delas, ele entende um pouco mais sobre o Marrocos e sobre si mesmo. Gosto muito das histórias, ou contos, ao estilo das Mil e uma Noites que permeiam a leitura. O livro me fez lembrar de uma época em que eu lia e relia contos: Andersen, Grimm, Lobato, lendas brasileiras, lendas estrangeiras, o que quer que fosse. Eles pareciam imbuídos de inocência e, ao mesmo tempo, de algo muito mais profundo, tocavam algumas características essenciais do ser humano. Voltei a experimentar isso quando li as Mil e uma Noites mais tarde e, agora, outra vez, lendo este livro. Ele é a continuação de The Caliph's House: A Year in Casablanca.



20.6.14

Arroz doce com açúcar mascavo


Não é minha sobremesa preferida, mas achei gostosa. Melhor morno, logo após ser feito, achei que o arroz absorveu muito líquido depois de esfriar, se preferir com mais caldo, adicione mais leite.



Arroz doce com açúcar mascavo

(Para 2  pessoas)

1/2 xícara de arroz arbório (próprio para risoto)
1 c sopa de manteiga
2 x de leite integral
1/3 x de creme de leite
1/4 x de açúcar mascavo
1/2 c chá de extrato de baunilha (usei um pedaço de canela em pau, cozinhei com o arroz e retirei ao final)


Derreta a manteiga em uma panela em fogo médio/baixo. Adicione o arroz e refogue por alguns minutos até que os grãos fiquem um pouco translúcidos.

Em outra panela, misture o leite e o creme de leite e aqueça. Junte essa mistura à panela de arroz, meia xícara de cada vez, mexendo até que a maior parte do líquido tenha sido absorvida antes de adicionar mais. Deve levar cerca de 15-18 minutos para que todo o leite seja absorvido pelo arroz. Adicione o açúcar mascavo e o extrato de baunilha. Mexa por mais dois minutos para que o líquido se reduza um pouco.

Retire do fogo e deixe esfriar. Se for guardar, cubra a superfície com filme plástico para que o creme não forme uma película.

16.6.14

Frango assado com capim-limão


Outro prato vietnamita muito simples e gostoso. É a segunda vez que preparo, minha muda de capim-limão tem sofrido com isso, preciso providenciar outra logo, logo...

Vai muito bem com as berinjelas ao vapor.

Fiz metade da receita usando sobrecoxas, mas é possível usar um frango inteiro em pedaços. Como de hábito, usei só o molho de soja, pois ainda não me acostumei com o nuoc mam. Daqui, visto aqui.




Frango assado com capim-limão


8 pedaços de frango (coxas e sobrecoxas)
2 bulbos de capim-limão fresco (parte branca, cerca de 15 cm a partir da raiz)
opcional: 1 pimenta dedo de moça sem sementes picada ou 1/2 c café de pimenta calabresa
2 dentes de alho amassados e picados
1 echalota picada (ou um pedaço de cebola)
1 c sopa de nuoc mam, molho de peixe, (substituí por molho de soja)
2 c sopa de molho de soja
1 c sopa de vinagre de arroz
1 c sopa de açúcar mascavo (eu costumo usar mais para ficar mais agridoce)
4 c sopa de água
pimenta do reino a gosto
1 c sopa de coentro picado (esqueci)


Limpe o frango, retire o excesso de gordura, seque com papel toalha e reserve.

Lave os bulbos de capim-limão, remova as primeiras camadas de folhas mais duras e empregue a parte mais clara, pique muito bem. Em um recipiente, misture o nuoc mam, o molho de soja, o açúcar, o vinagre e a água. Junte o capim-limão picado, a echalota, o alho e a pimenta dedo de moça. Misture e tempere o frango com essa marinada. Deixe tomar gosto na geladeira por ao menos 2 horas.

Preaqueça o forno à 240°C. Coloque os pedaços de frango em um refratário com a pele voltada para cima. Tempere com pimenta do reino, coloque no forno e abaixe a temperatura do forno para 210°C. Asse por cerca de 40 minutos regando com o molho a cada 15 minutos (precisei de 1 hora no meu forno). Adicione mais água caso necessário (o fundo queimou um pouco no meu caso). Salpique o coentro e sirva. 


9.6.14

Berinjela cozida no vapor com molho de cebolinha e gengibre


Prato tão bom! Berinjela preparada assim é muito gostosa e tão simples! Estou louca para testar várias receitas vietnamitas deste blog. Vietnã, outro país para minha lista...




Berinjelas cozidas no vapor com molho de cebolinha e gengibre

2 ou 3 berinjelas grandes
1 pedaço de gengibre descascado (cerca de 5 cm) e picado
2 dentes de alho descascados
pimenta dedo de moça sem sementes fatiada a gosto (eu não tinha)
3 cebolinhas picadas
6 c sopa de óleo
1 boa pitada de sal para o óleo de cebolinha
2 c sopa de nuoc mam (molho de peixe) ou shoyu
2 c sopa de açúcar mascavo
1 c sopa de água 


Lave, descasque e pique as berinjelas em fatias grandes de cerca de 5 cm e depois corte-as em 4 pedaços. Deixe de molho em água salgada por 10-15 minutos. Escorra e cozinhe no vapor por 15 min.

Soque o alho com o gengibre em um pilão (se usar pimenta dedo de moça, adicione algumas fatias). Em outro recipiente, dissolva o açúcar na água com o molho de peixe/shoyu. Junte ao gengibre, alho e pimenta socados. Misture.

Faça o óleo de cebolinha: coloque a cebolinha picada em uma tigela, aqueça o óleo e derrame-o ainda quente sobre a cebolinha. Tempere com sal e reserve.

Coloque os pedaços de berinjela ainda quentes sobre um refratário. Regue com o molho de gengibre e depois com o óleo de cebolinha. Deixe na geladeira por 1-2 horas antes de servir.


26.5.14

Naporitan Pasuta


Ou "pasta napolitana". Japoneses são criativos na cozinha. E têm uma grande fixação por ketchup e maionese que usam em várias receitas. Esses ingredientes se popularizaram depois do final da segunda guerra, como esta versão de massa feita com ketchup no lugar do molho de tomate que, de "napolitana", deve ter só o nome. Acreditem se quiser, o prato tem cara de junk food, mas é bom, muito bom. Vi a receita na NHK. O original se chama "Espaguete Napolitano" e leva salsichas, mas usei a massa que tinha (talharim) e substituí a salsicha por um pouco de bacon. Prato caseiro japonês.



Naporitan Pasuta

200g de espaguete (ou outra massa comprida)
1 c sopa de óleo
1 dente de alho fatiado
200 de cebola em fatias grossas
80g de shimeji (não usei)
sal a gosto
80g de salsichas picadas (ou bacon)
40g de ervilhas frescas ou congeladas
120g de ketchup
2 c sopa de vinho tinto
pimenta do reino a gosto
20g de manteiga

Cozinhe a massa de acordo com as instruções da embalagem, escorra, junte um pouco de óleo e misture para que ela não grude. Reserve enquanto prepara o molho.

Em uma frigideira ou panela antiaderente, refogue o alho no óleo, junte as cebolas, o shimeji, tempere com um pouco de sal, coloque a salsicha, as ervilhas e o ketchup. Adicione os ingredientes um de cada vez permitindo que eles "fritem" um pouco, não é necessário misturar continuamente. Junte o vinho e, agora sim, misture um pouco mais para que tudo seja envolvido pelo ketchup. Tempere com pimenta do reino a gosto, coloque a massa cozida e envolva-a com o molho. Junte a manteiga para finalizar, mexa e pronto.

26.4.14

Oniguiri com wakame, gergelim e umeboshi


Esses dias tenho levado oniguiris (os bolinhos de arroz japonês) para o almoço antes da aula. Às vezes faço a refeição dentro do ônibus mesmo (desde que ninguém se sente do meu lado e durma, afinal, são duas horas de viagem) e eles são uma boa opção, pois não fazem sujeira e não têm cheiro forte.

Essa versão é do livro Simply Onigiri. Ele traz várias ideias de como preparar bolinhos diferentes, mas, basicamente, basta juntar algum ingrediente ao arroz, ou recheá-lo, e modelá-los. Para finalizar, é só envolver com uma folha de nori.



Preparo do arroz (método do livro)


(Não sigo todos esses passos à risca, mas achei que poderia ser útil para quem não tem muita experiência com o arroz japonês)

Coloque a quantidade de arroz (arroz japonês, glutinoso) a ser usada em um recipiente e junte água suficiente para cobrir os grãos. Misture várias vezes com uma das mãos sem apertá-los para que não se quebrem. Escorra. Sem adicionar água, faça movimentos circulares com a mão (cerca de dez vezes), adicione água e escorra. Repita esse último procedimento até que a água torne-se quase transparente. 

Após lavar o arroz, coloque em uma peneira, cubra com um pano úmido e deixe descansar por 30 minutos. Os grãos absorverão a água e ficarão maiores. 

Para cozinhar, meça o arroz, coloque-o na panela e adicione uma medida e meia do volume de arroz de água. (Por exemplo, se tiver 1 xícara de arroz lavado, você precisará de 1 xícara e meia de água). Tampe e leve ao fogo médio, espere ferver. Abaixe o fogo e cozinhe por cerca de 15 minutos. Retire do fogo e deixe descansar com a panela tampada por 10 minutos. Destampe e misture o arroz com uma espátula. Cubra levemente com um pano úmido e coloque a tampa, deixe assim até o momento de usar.




Oniguiri com wakame, gergelim e umeboshi

 (Para 8 oniguiris)

6 c sopa de wakame
480g de arroz japonês cozido
2 c sopa de gergelim tostado
sal a gosto
umeboshis sem caroço picados a gosto

Coloque o wakame em um saco tipo ziplock e use um rolo ou as mãos para esmigalhá-lo. (Tive que tostar meu wakame em uma frigideira para que ele ficasse crocante e quebradiço). Misture o wakame esmigalhado ao arroz cozido quente. Cubra o recipiente com um filme plástico e deixe descansar por 5 minutos. Adicione o gergelim tostado, o umeboshi, sal a gosto e misture com cuidado. Umedeça as palmas das mãos, pegue uma porção de arroz com a espátula, molde o oniguiri no formato desejado e envolva com um pedaço da folha de nori cortado no tamanho que achar apropriado. (Ainda não tinha usado o nori quando tirei as fotos). Repita o procedimento até que a mistura de arroz acabe.


Minhas orquídeas estão em flor outra vez


23.4.14

Pickles de legumes bem simples

 

Receita vietnamita. Ela é bem simples e rende um gostoso pickles agridoce que pode ser conservado na geladeira por até dez dias. (Comi tudo sozinha em dois!).

Daqui, visto aqui.



Pickles agridoce de legumes 


Para um vidro grande de legumes variados (cenouras, pepino, couve-flor, nabo, etc., limpos e cortados em fatias ou palitos)

Marinada:
1 x de vinagre de vinho branco ou arroz

1 x de açúcar (usei orgânico por isso o líquido ficou um pouco mais escuro)
1,5 x de água

1 c café de sal


Coloque o vinagre, a água e o açúcar e leve ao fogo, espere ferver. Retire do fogo, junte o sal, misture e espere esfriar.
Coloque os legumes preparados em um vidro grande (ou dois médios como eu, ou tupperwares), cubra com a marinada, tampe e deixe na geladeira por no mínimo uma noite antes de consumir.

Na receita original o sal é juntado aos legumes ao invés de colocado na marinada. Eles então ficam em repouso por 10 minutos antes de serem espremidos para retirar o excesso de líquido. Você também pode colocar dentes de alho inteiros descascados ou pimenta dedo de moça sem sementes fatiada ou inteira, como preferir, para dar um sabor diferente.


18.4.14

Bolo de chocolate (em forma de cupcake)


Receita postada pelo Richie, que faz sobremesas arrasadoras, esta não é exceção, fez muito sucesso blogosfera afora e achei que era uma boa época para testá-la. 

Fiz metade da receita da massa e assei em uma forma de muffin de seis buracos. Deu certinho, só devia ter untado melhor porque ela cresceu um bocado e grudou um pouco no fundo. Também fiz metade da receita de glacê, usado só na cobertura. Ficou gostoso, a massa é ótima, mas achei o glacê meio enjoativo, gosto mais de glacês à base de cream cheese. (De qualquer forma, bolo de chocolate nunca foi meu favorito).


Uma de nossas últimas aquisições. Um moedor de café manual para fazer par com nossa cafeteira retrô. Usava um moedor elétrico de lâmina que também serve para moer temperos para moer os grãos de café, mas era difícil acertar a moagem com ele. O manual exige paciência e trabalho braçal, mas cumpre o serviço. Quanto à máquina de espresso, ela é bonita, mas o café é apenas razoável, está longe de produzir a crema dos meus sonhos... rs

Passo a receita do bolo inteiro e uma trilha sonora para o final de semana, acho que já postei Cigarettes and Chocolate Milk do Rufus Wainwright antes, mas vira e mexe, gosto de ouvi-la outra vez:






Bolo de Chocolate

[rende um bolo de duas camadas com 20cm de diâmetro e 10cm de altura. Você vai precisar de 2 fôrmas redondas de 20cm de diâmetro].

Para a massa:
1 e 3/4 xícaras de farinha de trigo;
2 xícaras de açúcar;
3/4 de xícara de cacau em pó de boa qualidade;
2 colheres de chá de bicarbonato de sódio;
1 colher de chá de fermento em pó;
1 colher de chá de sal;
1 xícara de buttermilk*;
1/2 xícara de óleo vegetal;
2 ovos;
1 colher de chá de extrato de baunilha;
160ml de café espresso quente [ou um café forte, feito com café solúvel].


Para o recheio e cobertura:
240g de chocolate meio amargo picado (use um chocolate de boa qualidade com alta porcentagem de cacau)
300g de manteiga [sem sal] em temperatura ambiente;
1 gema de ovo grande [como a cobertura não é cozida e gema crua pode não ser legal, você pode trocar por 3 colheres de sopa de leite, ou creme de leite fresco];
1 e 1/2 colheres de chá de extrato de baunilha;
1 e 1/2 xícaras mais 2 colheres de sopa de açúcar de confeiteiro peneirado;
1 e 1/2 colheres de sopa de café solúvel;
3 colheres de sopa de água quente.



Preparando a massa:
Corte 2 círculos em papel manteiga, de 20cm de diâmetro cada. Unte as fôrmas com manteiga. Forre o fundo de cada uma com os círculos de papel manteiga e unte o papel manteiga. Enfarinhe as fôrmas, tirando bem o excesso. Reserve.
Preaqueça o forno a 170 graus.
Em uma tigela grande misture bem, com um fouet ou na batedeira em velocidade baixa, a farinha, o açúcar, o cacau, o bicarbonato, o fermento e o sal. Em outra tigela misture o buttermilk, o óleo, os ovos e a baunilha. Incorpore, aos poucos, a mistura de líquidos à mistura de sólidos, sem bater. Adicione o café quente e mexa até incorporar.
Divida a massa nas duas fôrmas preparadas e asse por 35 minutos, até que enfiando um palito no centro ele saia limpo.
Deixe os bolos descansarem dentro da forma por 30 minutos, então vire-os e deixe que esfriem completamente. Retire com cuidado o papel manteiga.


Prepare o recheio:
Derreta o chocolate em banho-maria ou no micro-ondas. Mexa para uniformizar e espere chegar na temperatura ambiente. Reserve.
Na batedeira, em velocidade média, bata a manteiga até que ela fique clara e cremosa. Adicione a gema, a baunilha e bata por 1 minuto, lembrando de raspar as laterais da tigela. Em velocidade baixa adicione o açúcar de confeiteiro peneirado e bata por mais 1 minuto.
Em uma tigelinha, dissolva o café solúvel na água quente.
Incorpore aos poucos o chocolate derretido e o café dissolvido no creme de manteiga.


Montando o bolo:
Sobre o prato de servir coloque um dos bolos, com o lado reto [onde estava o papel manteiga] para cima. Com uma espátula distribua um terço do creme e cubra com o outro bolo, esse com o lado arredondado para cima. Cubra as laterais e o topo com o restante do creme.
Deixe gelando por pelo menos 1 hora antes de cortar. Ah, e se você fizer na véspera, mantenha na geladeira, mas retire 1 hora antes de servir.


*Sempre que faço manteiga retiro o buttermilk e congelo - é esse que uso nessa receita. Porém existem métodos caseiros de se preparar buttermilk:

_para 1 xícara de leite adicione 4 colheres de chá de suco de limão ou vinagre branco. Deixe descansar em temperatura ambiente por 10 a 15 minutos, até ficar com a aparência de leite talhado;
_ em uma xícara de medida coloque duas colheres de sopa de iogurte ou coalhada, e complete até a medida de 1 xícara com leite.

16.4.14

Quiabo com vinagrete de cebola roxa


Quiabos limpos cozidos no vapor até ficarem macios, mas ainda firmes, e um vinagrete feito com cebola roxa, suco de limão, azeite e sal. 

9.4.14

Bolo integral de bananas, aveia e ameixas secas


Entrei na quarta semana após a fratura na clavícula e finalmente sinto que estou melhorando, a amplitude dos movimentos do braço aumenta pouco a pouco. É tão frustrante não conseguir levantá-lo ou estendê-lo para onde quero! Dormir só de um lado ou com a barriga para cima também não é nada agradável. Mas bem, estou na fase da resignação, já fiquei com raiva de mim mesma por ter caído por descuido e depois chateada, agora chega. Volto ao médico na próxima semana e veremos se ele me libera da tipoia. 

Até fiz um bolo hoje. Parece que só como bolo de banana, mas deve ser verdade mesmo. Costumo comprar bananas para alimentar os pássaros e, como elas amadurecem ao mesmo tempo, tenho que dar um jeito de acabar com aquelas que sobram.

O bolo é gostoso. Dá para variar bastante.




 Bolo integral de bananas, aveia e ameixas secas
 

6 bananas
3 ovos
1/2 xícara de chá de leite desnatado
1/2 xícara de chá de óleo
1 xícara de chá de açúcar mascavo
6 ameixas secas sem caroço
1 xícara de chá de farinha de trigo integral
1 xícara de chá de aveia
1 colher de sopa de fermento
Canela em pó a gosto



No liquidificador, bata 1 banana, os ovos, o leite, as ameixas e o óleo. Acrescente o açúcar e bata mais um pouco. Em uma vasilha, coloque a farinha de trigo, a aveia e o fermento. Junte a mistura do liquidificador e mexa bem.

Coloque metade da massa em uma forma quadrada untada e enfarinhada, as 5 bananas restantes cortadas em rodelas e salpique com canela. Cubra com o restante da massa e leve ao forno pré-aquecido.

Sugestões: O recheio pode ser uma mistura de banana e maçã.