28.12.07

Diary of a bad year - Coetzee

Coetzee veio para a Flip e leu trechos deste livro para o público. Não sei se o público gostou, pelo o que li, a recepção não foi lá muito calorosa.

O livro não é um romance, mas consiste de vários ensaios sobre as opiniões do autor sobre política, arte e de suas experiências como escritor. Cada página é divida em três pedaços, acima ficam os ensaios e abaixo está o "diário" propriamente dito. Um trecho é escrito pelo autor dos ensaios, o Sr. C, e o outro por Anya, uma garota que mora no mesmo prédio do autor e que ele contrata para datilografar os seus textos. O espaço destinado a Anya e ao Sr. C serve para que ambos expressem suas críticas aos ensaios da parte superior e dão um ar mais pessoal à obra.


A primeira parte do livro, aquela que trata mais de política e do mundo, é um pouco tediosa (como a própria Anya diz ao autor), mas a segunda parte, composta de pequenos ensaios sobre o dia a dia e as experiências do autor, é quase confessional. Gostei bastante do livro, dá para confirmar que há muito de Coetzee em Elizabeth Costello, um tipo de alter ego do escritor, mas aqui ele fala em primeira pessoa. Talvez a única coisa um pouco desagradável seja ter que ler o ensaio inteiro e depois voltar para ler os dois pedaços abaixo dele, mas eles são curtos e rápidos. Eis um trecho:

"Leio o trabalho de outros escritores, leio as passagens de densa descrição que eles compõem com grande esmero e trabalho com o propósito de evocar espetáculos imaginários diante do olho interno e meu coração vai a pique. Eu nunca fui muito bom em evocar o real, e tenho ainda menos estômago para a tarefa agora. A verdade é: eu nunca derivei muito prazer no mundo visível, não sinto com grande convicção a necessidade de recriá-lo com palavras."


Sobre a vida de escritor

19.12.07

Life and times o Michael K.

Se o Daniel perguntasse qual o melhor livro que li nestes últimos dias, diria que foi Life and Times of Michael K. do J.M. Coetzee. Tenho fases de leitura e às vezes leio vários livros de um mesmo autor um atrás do outro. Atualmente é o Coetzee, um autor sul-africano que mora na Austrália. O livro em questão foi publicado em 1983, vinte anos antes dele ganhar o Nobel, mas é muito bom! Comecei com Disgrace, provavelmente seu livro mais aclamado, e continuei com suas obras mais recentes (Elizabeth Costello, Master of Petersburg, Slow Man), agora faço o caminho inverso (antes de seguir com esse projeto, entretanto, lerei Diary of a bad year).

Life and Times of Michael K. conta a história de Michael, filho de uma empregada doméstica que nasceu com lábios leporinos e algum retardo mental. Ele cresce em uma instituição para portadores de deficiência, entra para o serviço público e vira jardineiro na cidade do Cabo. Ele está com trinta anos, sua mãe está doente e a África do Sul está em guerra. É nesse cenário que Michael parte carregando sua mãe em uma carriola improvisada em direção ao interior do país. A viagem é árdua, sua mãe morre no caminho, mas Michael prossegue em uma viagem marcada por suas estadas escondido na estepe ou nas montanhas, alimentando-se de insetos, pequenos animais e raízes, e passagens por campos de trabalhadores e hospitais. Michael é um personagem tocante, como alguém descreve bem, ele é um ser original, que vive alheio à guerra, sem preocupações maiores do que observar as coisas ao seu redor de forma impassível.


Eis como o próprio Michael descreve sua vida:

"Em todos os lugares para onde vou, há pessoas esperando executar suas formas de caridade em mim. Todos esses anos e eu ainda trago o ar de um órfão. Elas tratam-me como as crianças de Jakkalsdrif que estão dispostas a alimentar porque ainda são muito jovens para ser culpadas de qualquer coisa. Em troca, elas esperam apenas um gaguejo de agradecimento das crianças. De mim, elas esperam mais, porque estive mais tempo no mundo. Elas desejam que eu abra meu coração e conte a história de uma vida vivida em jaulas. Elas querem ouvir sobre todas as jaulas nas quais vivi como se eu fosse um papagaio, ou um rato, ou um macaco. E se eu tivesse aprendido a contar histórias em Huis Norenius ao invés de descascar batatas e a fazer somas, se tivessem feito com que praticasse a história da minha vida todos os dias, vigiando-me com uma vara até que eu conseguisse fazer isso sem cometer erros, eu poderia satisfazê-las. Eu teria contado a história de uma vida em prisões nas quais eu permanecia dia após dia, ano após ano, com a testa contra a grade e os olhos perdidos na distância, sonhando com experiências que nunca teria, onde os guardas xingavam-me e chutavam meu traseiro e mandavam-me esfregar o chão. Quando minha história terminasse, as pessoas balançariam a cabeça, teriam pena, sentiriam raiva e ofereceriam comida e bebida; as mulheres me levariam para suas camas e me acalentariam no escuro. Entretanto, a verdade é que fui um jardineiro, primeiro para a Câmara, depois para mim mesmo, e jardineiros passam seu tempo com o nariz no chão."

10.12.07

Dedicatória

A Mary com certeza ficaria surpresa em saber que o livro que ela deu para seu pai veio parar aqui no Brasil...

9.12.07

Bolo de frutas da Patricia

Outro belo bolo de frutas, receita do Simply Recipes. Como recomendado, molhei o bolo com um pouco de uísque, enrolei com filme plástico e deixei na geladeira para comê-lo mais perto do Natal, claro que dois dias depois alguém teve que provar uma fatia para acalmar as lombrigas...

O bolo está muito bom, mas o sabor do uísque ainda está bem forte, acho que na próxima semana ele deve estar mais "arredondado".

Bolo de frutas da Patricia

1 c chá de bicarbonato de sódio
1 x de creme azedo (*)
1 x de tâmaras picadas
2 x de passas sem sementes
1/2 x de cerejas glaçadas (usei o resto das frutas cristalizadas que tinha em casa)
1 x de nozes
2 x de farinha (divididas em 1/4x e 1 3/4 x)
1/2 x de manteiga à temperatura ambiente
1 x de açúcar
1 ovo à temperatura ambiente
raspas da casca de 1 laranja
1/2 c chá de sal

(*) Misture 250 ml de creme de leite fresco com 1 colher de sopa de sumo de limão numa tigela de vidro e misture até engrossar. Se não for usar na hora, guarde na geladeira.

Preaqueça o forno à 160g. Em um recipiente pequeno, misture o bicarbonato de sódio e o creme azedo, reserve.
Combine as tâmaras, passas, cerejas e nozes e 1/4 x de farinha e misture bem para que as frutas fiquem cobertas pela farinha. Reserve.
Bata o açúcar e a manteiga. Adicione o ovo, as raspas de laranja e a mistura de creme azedo com bicarbonato de sódio. Adicione a farinha e o sal e mexa bem. Coloque as frutas e misture bem.
Despeje a massa em uma forma de bolo inglês e asse por cerca de uma hora e meia ou duas horas, ou até que um palito inserido no centro do bolo saía limpo. Coloque uma assadeira com água no forno (na grelha debaixo), reponha a água caso necessário enquanto o bolo assa. (Eu me esqueci de fazer isso!).
Enrole o bolo em folhas de alumínio e filme plástico para armazenar. Se quiser, você pode molhá-lo com um pouco de uísque (ou algum licor, acho que algo com amêndoas deve ser uma ótima opção!), especialmente se quiser armazená-lo por algum tempo.

Rende um bolo.

Nota: Forre a forma com papel manteiga/vegetal untado, corte-o de modo que ele cubra os lados da forma e ainda sobre um pouco nas bordas. Assim, quando for desenformar o bolo, bastará puxá-lo pelas pontas do papel.

1.12.07

Bolo de frutas com chocolate

Fazia muito tempo que desejava preparar a receita de bolo da Sheila (na verdade, desde que o provei no encontro blogger, estava morrendo de vontade de assá-lo em casa). Assim como a Giovana, eu resolvi fazer bolos menores para presentear, a massa rendeu seis muffins grandes. Comi um ou dois e eles saíram como eu me lembrava, deliciosos!

Bolo de frutas com chocolate

4 ovos
1/2 xícara de óleo
2 col. sopa de manteiga em temperatura ambiente
2 xícaras de açúcar (1 de mascavo)
2 xíc de farinha de trigo
1 col sobremesa de fermento em pó
1 col café de cravo em pó
1 col café de canela em pó
Pistilos de 3 sementes de cardamomo
3 maçãs sem casca cortadas em cubinhos
Uva passa, frutas cristalizadas, cereja picada e gotas de chocolate a gosto

Bata no liquidificador os ovos, o óleo e a manteiga. Aos poucos, junte os ingredientes secos - menos as frutas - e bata novamente (se a massa pesar muito, misture à mão).
Despeje a massa em uma vasilha e junte as frutas misturando delicadamente com uma colher.
Depois acrescente o chocolate picado.
Asse em fôrma de bolo ingles untada e polvilhada com uma mistura de açúcar e canela. Importante assar vagarosamente, em fogo baixo, pois a massa é pesada e pode tostar por fora e ficar crua por dentro.

29.11.07

Lombo de porco recheado com frutas secas

Tivemos um compromisso em SP na quarta, mas como não podíamos entrar na cidade naquele dia da semana, por causa da placa do carro e do rodízio, passamos a noite de terça para quarta em um hotel. Já disse que começo a odiar hotéis, não é mesmo? Não consigo dormir e sempre tenho que fazer algumas equações mentais para pensar no que comer em território estranho. Outro fenômeno bizarro que nos acomete quando estamos nos quartos de hotéis é ficarmos passando de um canal para o outro sem pararmos em nenhum e acabarmos vendo pedaços de programas que normalmente não veríamos em casa, foi em um desses momentos de puro tédio que O. parou em um canal da rede aberta no qual estavam preparando uma receita de lombo recheado, havia um cozinheiro e uma mulher loira (acho) com cabelos compridos (então não era a Ana Maria Braga). Antes que O. mudasse de canal, decorei o seguinte e coloquei em prática:

"Abra um lombo em forma de manta (dá um certo trabalho, é como fazer um rocambole ao contrário, procure não fazer buracos), tempere com suco de limão, sal, pimenta, alho e gengibre picadinho. Deixe nesse molho por 12 horas."

Vi que o recheio levava tâmaras e castanhas do pará batidas no processador, mas aí já não pude ver mais detalhes porque a paciência do O. acabou. Terminei a receita do meu jeito, recheei com damascos e tâmaras sem caroço inteiros, enrolei, amarrei com um barbante, coloquei em uma forma na qual adicionei meia xícara de água (isso eu vi no programa), cobri muito bem com uma folha de papel alumínio e levei para assar em fogo médio/baixo por 2 horas, retirei o papel e deixei dourar regando com o caldo por mais uns 30 min. Ficou muito bom! (Mas se alguém tiver visto o programa, poderia me passar a receita do recheio?). O que achei que fez mesmo a diferença foi adicionar o gengibre no tempero.

27.11.07

Congelando livros

Não é que eu não esteja cozinhando, cozinhar é uma necessidade, mas não tenho feito nada demais e também não ando com aquela gana de ficar entre panelas ou de procurar receitas novas para testar. É uma fase ("temos fases como a Lua", já escreveu a Cecília) e também tenho procurado ficar menos tempo na blogosfera e adjacências.
Comecei a limpeza de final de ano e também dei um trato na minha pessoa, resolvi cortar os cabelos, algo que não fazia há pelo menos meio ano. Odeio cortar os cabelos e imagino que os cães levados para a tosa devam se sentir como eu me sinto enquanto alguém com uma tesoura fica mexendo na minha cabeça, um pouco infeliz, mas resignada. Acho que ficou bom, mas decidi usar uma franja e ela exigirá manutenção constante, algo chato, mas posso cortar eu mesma ou deixar crescer.


Tenho lido, isso sim. E estou animada para ler em alemão, não que tenha me tornado assim fluente, mas estou melhorando. Peguei os livros da foto na escola , eles foram doados e na hora do intervalo no sábado passado, havia um monte à disposição dos alunos, era escolher, pegar e levar. Não havia muitas obras de autores alemães, mas consegui encontrar alguma coisa. Chegando em casa, coloquei os volumes dentro de um saco tipo
ziplock e deixei no freezer de um dia para o outro, esse é um bom procedimento para matar traças e carunchos e uma boa prática caso você goste de comprar livros em sebos e tema uma infestação na sua biblioteca. Não me lembro onde aprendi isso, sei que li em algum lugar, mas a idéia é ótima.



20.11.07

Cookies de aveia e mel

Receita da Food Network. Queria algo nutritivo e gostoso para beliscar de vez em quando. Achei a receita muito boa e bastante versátil. Usei um pouco menos de manteiga e os meus cookies saíram mais "gordinhos" e não esparramados como os da foto do site.

Cookies de aveia e mel

3 c sopa de manteiga à temperatura ambiente (usei pouco mais de metade disso)
1/2 x de açúcar mascavo
1/4 x de mel
1 ovo
1 c sopa de água
1/2 x de farinha (usei integral)
1/2 c chá (rasa) de sal
1/4 c chá de bicarbonato de sódio
1 1/2 x de aveia em flocos mais finos
Qualquer quantidade de: tâmaras picadas, passas, figos secos, gotas de chocolate, nozes, etc. (Você escolhe o que quiser! Eu usei nozes, castanha de caju e damascos)

Preaqueça o forno à 180C. Unte uma forma grande ou forre-a com papel manteiga ou papel alumínio.
Bata a manteiga, o açúcar mascavo, o mel, o ovo e a água. Peneire os ingredientes secos e adicione a aveia. Misture os ingredientes secos com a mistura de manteiga e açúcar e mexa bem. Coloque os ingredientes adicionais que tiver escolhido, modele os cookies ou derrube colheradas da mistura na forma e asse por 12-15 minutes. Deixe esfriar.

12.11.07

Pavê de maracujá com chocolate da Sheila


A sobremesa do almoço foi pavê de maracujá com chocolate da Sheila. Este não precisa de comentários, DELICIOSO! Todo mundo adorou! Obrigada, Sheila!

(Eu só não usei o chantimix, fiz o chantilly com creme de leite fresco.)






Pavê de maracujá com chocolate da Sheila


Ingredientes:

1 1/2 pacote de biscoito de leite (ou q.b. para as camadas)
170 grs de chocolate ao leite picado em quadradinhos (com chocolate branco também deve ficar ótimo)

 
Creme de maracujá
 
1 lata de leite condensado
1 caixa de creme de leite (ou 1 lata sem soro)
1/2 xícara de suco de maracujá concentrado
 
 
 
Chantilly

2 caixas de chantimix (deixe na geladeira por umas 2h antes de usar), ou creme de leite fresco
4 col (sopa) açúcar


Geléia de maracujá

1/2 xícara de suco de maracujá concentrado
1 xícara de açúcar
1/2 xícara de água
2 col. (sopa) de amido de milho
Polpa de 1/2 maracujá com as sementes



1. Faça o creme de maracujá misturando todos os ingredientes em uma vasilha até ficar homogêneo. Reserve na geladeira.

2. Enquanto isso, faça a geléia da seguinte forma: dissolva o amido de milho na água e junte com o açúcar e o suco de maracujá numa panela, mexendo bem até dar ponto (fogo baixo). Acrescente a polpa do maracujá, misture bem, apague o fogo e deixe esfriar.

3. Para o chantilly, bata as duas caixas de chantimix (geladas) com as 4 colheres de açúcar até dobrar de volume (velocidade alta por uns 5 minutos, depois velocidade baixa até dar ponto). Reserve na geladeira.


Montagem:

Em uma vasilha de vidro larga e alta, coloque um pouco do chantilly na base para grudar os biscoitos. Depois siga esta ordem para as camadas: biscoitos - creme de maracujá - chocolate - chantilly - biscoitos.... até terminar.

A última camada deve ser a de geléia, para finalizar o pavê.

Deixe na geladeira até o momento de servir.



10.11.07

Sequilho

Receita colocada no Fórum do Cybercook pela Geni Gimenez, meus primeiros sequilhos e posso afirmar que foram os melhores que comi! São extremamente crocantes e leves, fiz há quatro dias e ainda estão ótimos! Fiquei muito contente com o resultado e ainda mais feliz pela receita usar polvilho doce ao invés de amido de milho como a maioria das que encontrei em minhas buscas anteriores.

Sequilho da Geni

1/2 x de manteiga à temperatura ambiente (cerca de 100g)
1 ovo

8 c sopa de açúcar

1 pitada de sal

1 c chá de fermento em pó

cerca de 2 1/2 x de polvilho doce (adicione mais caso necessário)


Preaqueça o forno à 180C. Bata na batedeira a manteiga (reserve 1 c sopa para untar a forma, eu acabei forrando com uma folha de papel alumínio), o ovo, o açúcar, o sal e o fermento por 3 minutos. Aos poucos, junte o polvilho e amasse com as mãos. Sove por 10 minutos, ou até que a massa fique macia, firme e lisa. Modele bolinhas e, com a ajuda de um garfo, pressione a massa formando sulcos. Coloque as bolinhas em uma assadeira grande, untada com a manteiga reservada. Leve ao forno por 15 min ou até que os sequilhos dourem. Retire do forno e, assim que amornar, desenforme com cuidado. Sirva com café adoçado com rapadura.

Dicas da Geni: a massa do sequilho deve ser muito bem sovada. Quanto mais for sovada, melhor será o resultado. O sequilho ficará leve e delicado. Este não fica "emborrachado".


31.10.07

Torta de bacalhau "Daboana"



Receita que a Madalena Saifi colocou no Forum do Cybercook. Uma forma diferente de preparar bacalhau, ficou gostoso.



Torta de bacalhau "Daboana"

Purê:
2 kg de batatas cozidas e espremidas
2 c. sopa de manteiga derretida ou amolecida
1 lata de creme de leite
sal e noz moscada a gosto


Faça um purê batendo tudo no processador (eu apenas misturei bem os ingredientes) até obter uma massa lisa e homogênea.

Recheio:
1/2 kg de bacalhau (demolhado e desfiado)
Refogar alho e 2 cebolas em 5 ou 6 c sopa de azeite. Junte 1/2 kg de tomates picados sem peles e sem sementes. Adicione 1 lata de ervilhas, 1/2 x de azeitonas picadas (usei verdes), 3 c. sopa de catchup (não usei), cheiro verde, coentro, manjericão e alecrim a gosto (coloquei só um pouco das duas últimas ervas, pois elas são mais fortes).
Junte o bacalhau e deixe ferver. Acrescente pimenta do reino e orégano a gosto. Retire do fogo e junte 1 vidro de palmito picado.

Montagem:
Unte um pirex com manteiga e coloque metade do purê de batatas, o refogado de bacalhau e o restante do purê. Cubra com papel alumínio e leve para assar, quando estiver quase pronto (bem aquecido), retire o papel alumínio e coloque fatias de ovos cozidos, azeitonas e rodelas de palmito para decorar. Cubra com mussarela em fatias ou ralada (polvilhei queijo parmesão ralado) e leve ao forno novamente para derreter e dourar.

Se quiser, é possível substituir o bacalhau pelo camarão, mas a Madalena recomenda que se refogue o camarão em um pouco de azeite antes de acrescentar ao refogado, pois ele solta muito líquido. Se colocar o camarão diretamente no refogado, será necessário adicionar um pouco de farinha ou maisena para engrossá-lo.

8.10.07

Bolo inglês de maçãs

Vi a receita no blog da Auntie Jo, ela é de um livro de Nigel Slater, o Kitchen Diaries, que eu também tenho, achei tão apetitoso que resolvi experimentar e não me arrependi, realmente gostoso e muito simples!


Bolo inglês de maçãs

130g de manteiga
130g de açúcar
3 maçãs descascadas e cortadas em cubinhos
suco de meio limão
1/2 c chá de canela em pó
2 c sopa de açúcar demerara ou mascavo
2 ovos
130g de farinha (acabei adicionando 30g de farinha de centeio, por isso a massa ficou mais escura)
1 c chá de fermento
3 c sopa de farinha de rosca (não usei, se puder, rale um pão amanhecido e empregue, pois a farinha de rosca comercial é meio ruinzinha)
açúcar demerara ou mascavo

Preaqueça o forno à 180C. Forre o fundo de uma forma quadrada de cerca de 24 cm com papel manteiga. O Nigel recomenda que a folha de papel forre a forma toda, inclusive os lados, para que baste levantá-la para retirar o bolo inteiro. (Não fiz isso, mas fica a dica).

Misture as maçãs picadas com o suco de limão, a canela e as 2 c de sopa de açúcar demerara ou mascavo. Reserve.

Bata o açúcar com a manteiga até que a mistura fique fofa. Adicione os ovos um a um. Adicione a farinha peneirada com o fermento e misture. Coloque essa massa na forma preparada, espalhe as maçãs sobre ela, polvilhe a farinha de rosca e, caso deseje, um pouco mais de açúcar demerara ou mascavo.
Asse por cerca de 55 min. Deixe esfriar por 10 min antes de desenformar.
Sirva morno (com uma bola de sorvete, quem sabe?)

29.9.07

Livros

A simpática Migas convidou-me a participar de uma pequena brincadeira que consiste em pegar um livro, o primeiro, sem poder escolher, abrir na página 161, procurar a quinta frase completa, transcrevê-la no blog e convidar 5 pessoas a fazer o mesmo.

Eu confesso que trapaceei um pouco, o livro mais próximo era
O Processo do Franz Kafka (olha a coincidência!) em alemão que deixei ao lado do micro para ler quando tivesse mais domínio da língua, acontece que quando procurei a tal frase na página 161, descobri que precisaria procurar algumas palavras no dicionário para fazer uma tradução e preferi pegar um outro livro na prateleira, perdão...

O livro é
The setting sun do Osamu Dazai:

  "E no entanto, sinto que se eu morrer mantendo o segredo absoluto e deixar o mundo com ele encerrado em meu peito, quando meu corpo for cremado, o interior de meu peito permanecerá com um odor de umidade e não será queimado."

Deixe-me ver Maria Helena, Azalea, Marizé, Silvia Arruda e Laila, que me dizem? Querem participar?



23.9.07

Curry de frango com manjericão e leite de coco

Acho que ninguém tem dúvidas de que eu adoro curry, não é mesmo? É um de meus pratos preferidos, basta pensar em um bom curry com um pouco de arroz para que eu fique salivando...
A receita é da Elise do Simply Recipes, uma delícia!!!



 

Curry de frango com manjericão e leite de coco
 
1/2 c chá de sal
1/2 c chá de coentro moído
1/2 c chá de cominho em pó
1/2 c chá de cravo da índia em pó
1/2 c chá de canela em pó
1/2 c chá de cardamomo moído
1/2 c chá de pimenta do reino moída
1/4 c chá de chili em pó
1/4 c chá de cúrcuma
1/2 kg de coxas e sobrecoxas de frango dessossadas
1 cebola grande picada (cerca de 1 x)
5 dentes de alho picados
2 pimentas jalapeño, sem sementes, picadas (não usei)
2 c sopa de azeite
400ml de leite de coco
2 c chá de amido de milho
1 c chá de molho inglês
3 c sopa de folhas de manjericão picadas
1 c sopa de gengibre fresco picado

Misture o sal, coentro moído, cominho, cravo moído, canela, cardamomo, pimenta do reino, chili e cúrcuma em um recipiente e reserve.

Limpe o frango, corte em pedaços pequenos, coloque em uma tigela e polvilhe a mistura de especiariais sobre eles. Misture para envolvê-los nos temperos e deixe descansar por 30 min à temperatura ambiente ou por 1-2 h na geladeira.


Aqueça 1 c sopa de azeite em uma frigideira grande. Adicione a cebola picada e o jalapeños e refogue por 3 min. Adicione o alho e refogue por mais 1 min. Retire as cebolas, pimenta e alho da frigideira e coloque em algum recipiente. Reserve. Use a mesma frigideira para a próxima etapa.


Adicione 1 c sopa de azeite na frigideira em temperatura média. Adicione metade dos pedaços de frango e doure os pedaços espalhando-os bem para que não fiquem amontoados. Depois que eles estiverem cozidos, sem partes róseas, retire-os da frigideira e junte-os à mistura de cebolas reservada. Faça o mesmo com a outra metade da carne de frango.


Adicione o leite de coco, menos algumas colheradas, à frigideira. Em um recipiente pequeno, misture as colheradas de leite de coco reservada com o amido de milho para que este se dissolva. Coloque essa mistura na frigideira com o leite de coco e cozinhe em fogo médio mexendo até que fique espesso e comece a ferver. Adicione o molho inglês. Adicione a mistura de frango com cebolas, o manjericão e o gengibre picados e cozinhe por mais 2 min.


Sirva com arroz cozido.


20.9.07

Peixe com chermoula

Receita da Valentina. Precisava variar um pouco as minhas receitas com peixe. Ela irá agradar todos os amantes das especiarias, a cozinha é invadida por seus aromas! Ficou muito bom!

Peixe com chermoula

Chermoula (marinada)
1 xícara de chá bem cheia de salsinha picada grosseiramente

1 xícara de chá bem cheia de coentro picado grosseiramente

3 dentes de alho picados
½ cebola picada
2 pimentas dedo de moça sem sementes
2 colheres de chá de páprica doce

2 colheres de chá de cominho em pó
2 colheres de chá de coentro em pó
2 colheres de sopa de suco de limão
½ xícara de chá de azeite de óleo

 
Você pode colocar todos os ingredientes num pilão mais um pouco de sal marinho e esmagar bem, até formar uma pasta. Ou colocar tudo num processador (foi o que fiz). Lambuze os pedaços de peixe nesta marinada e leve à geladeira por pelo menos 30 minutos. 

Prepare os ingredientes para o molho do peixe – se usar uma quantidade inferior de peixe ajuste a quantidade dos temperos:

750g de peixe cortado em pedaços (carne branca e firme)
Azeite de oliva para o molho
1 cebola grande cortada em rodelas
2 colheres de chá de coentro em pó
1 colher de sopa de cominho em pó
2 colheres de chá de gengibre em pó
Uns fiapos de açafrão (usei cúrcuma em pó)
Um pedaço pequeno de canela em pó
1 folha de louro
1 ½ xícaras de caldo de peixe


Esquente o azeite de oliva e doure a cebola. Acrescente o coentro, cominho e gengibre e mexa por um minuto, até que o perfume das especiarias comece a exalar. Acrescente o açafrão, a canela, a folha de louro, e tampe deixando cozinhar por 10 minutos em fogo baixo. Ponha o peixe na panela e cubra, deixando cozinhar por mais uns 10 minutos novamente, até que o peixe fique pronto. Ajuste o sal. Salpique com folhinhas de coentro antes de servir.


18.9.07

Bolo de polvilho

Estava com um pacote de polvilho doce para vencer e resolvi procurar uma receita para usá-lo. Lembrava que o Marcelo Katsuki tinha publicado uma receita interessante e que a Eliana a tinha repetido, mas dei uma olhada e vi que ela levava apenas uma xícara de polvilho e eu precisava de uma que levasse mais. Encontrei esta aqui e resolvi experimentar.

O bolo ficou ótimo! Ele murcha um pouco depois de assado e tem uma forma esquisita, mas é delicioso! Cascudo, no bom sentido, crocante e macio por dentro! Ele é irresistível logo depois de assar, não conseguia parar de beliscá-lo!

Bolo de polvilho

 
3 ovos
1 pitada de sal
1 pitada de açúcar refinado
3/4 xícara de óleo
1/4 xícara de água
1/2 xícara de queijo parmesão ralado
2 xícaras de polvilho doce
 
Bata todos os ingredientes no liqüidificador até misturar.
Coloque essa mistura em forma de buraco no meio, de 24 cm de diâmetro, bem untada.
Leve para assar em forno quente, preaquecido por 30 minutos, ou até dourar levemente.
Ele murcha após sair do forno.
Desenforme ainda quente.
Sirva com patê de presunto ou requeijão.
Sozinho também é uma delícia, mas pode ser um acompanhamento para carne assada, ensopados, ou no café da manhã, com geléia e doces em calda.


8.9.07

Bolo de chocolate com recheio de coco

 
Lembra o bolo bomba publicado pela Valentina, mas a receita é um pouco diferente. Eu a vi no 100% Açúcar, e a Fátima a encontrou em um blog francês. O bolo cresce bastante e é verdadeiramente delicioso. Recomendo! Fiz metade como a Fátima, mas coloco a receita inteira.







Bolo de chocolate com recheio de coco

 
350g de farinha
250g de manteiga à temperatura ambiente
250g de açúcar
12 c sopa de leite
6 ovos
1 c chá de essência de baunilha
2 c sobremesa (rasas) de fermento em pó (ou 1 c sopa rasa)
2 c sopa de cacau em pó (adicionei mais para que a massa ficasse mais escura)

Bata a manteiga com o açúcar, adicione as gemas uma a uma até obter um creme homogêneo. Adicione a essência de baunilha, a farinha, o fermento, o leite, o cacau. Misture muito bem. Bata as claras em neve e incorpore delicadamente à massa.



Para o recheio:
 

200g de coco ralado
200g de açúcar
1 c chá de essência de baunilha
2 claras
1 c sopa de amido de milho
5 c sopa de creme de leite (usei um resto de leite de coco)

Bata as claras em neve firme e adicione o resto dos ingredientes. Misture bem.
A mistura é bem granulosa, mas ela cresce enquanto assa e fica úmida!


Montagem:

 
Coloque metade da massa do bolo em uma forma untada e enfarinhada, espalhe o recheio de coco sobre ela e cubra com a massa restante. Asse à 190C até que ao se inserir a lâmina de uma faca em seu interior esta saía limpa.

É possível cobrir o bolo com um glacê de chocolate depois que ele esfriar.

6.9.07

Ignorância - Milan Kundera


Outro dia escrevi que li vários livros do Kundera e que não me lembrava dos enredos das histórias, era verdade, mas após ler Ignorância, acho que posso explicar um pouco melhor a razão de meus "brancos". As histórias do autor giram em torno de relacionamentos, identidade e sentimentos, são eles que ocupam o papel principal e , desta forma, torna-se difícil definir um "enredo" para seus romances. Agora, uma coisa tenho que admitir, Kundera escreve belamente. Neste livro, ele narra o retorno de Irena e de Josef à República Tcheca após vinte anos de exílio em outros países da Europa e mostra como as pessoas que os conheceram olham para os dois como se fossem uma espécie de desertores e procuram fazer de conta que os últimos vinte anos de suas vidas não existiram. Kundera também fala sobre como muito nos relacionamentos humanos é baseado em equívocos:

"Imagine os sentimentos de duas pessoas que se encontram novamente após muitos anos. No passado, elas ficaram algum tempo juntas e portanto acham que estão unidas pela mesma experiência, pelas mesmas recordações. Pelas mesmas recordações? É aí que os mal-entendidos começam: elas não possuem as mesmas recordações; cada uma retém duas ou três pequenas cenas do passado, mas cada uma possui as suas próprias recordações, elas não são parecidas, elas não se cruzam; elas não são comparáveis nem mesmo em termos de quantidade: uma pessoa lembra-se da outra mais do que esta se lembra dela; primeiro, porque a capacidade da memória varia entre os indivíduos (uma explicação que cada uma delas acharia ao menos aceitável), mas também (e isso é mais doloroso de se admitir) porque elas não possuem a mesma importância para cada uma delas. Quando Irena viu Josef no aeroporto, ela lembrava-se de cada detalhe de sua aventura do passado; Josef não se lembrava de nada. Desde o primeiro instante, seu encontro estava baseado em uma injusta e revoltante desigualdade."


4.9.07

Tomates secos

Finalmente fiz tomates secos em casa! Tomei coragem depois de ver a receita no blog da Cris e fiquei contente com o resultado, apesar do longo tempo no forno, os tomates saem ainda úmidos e suculentos, do jeito que gosto, pois acho os tomates secos industrializados muito duros. No final, nem os deixei de molho em azeite, eles foram consumidos rapidinho em sanduíches e saladas!

A Cris lançou um desafio, quem fizer os tomates secos secando-os ao sol e provar com fotos ganha um prêmio, eu não tenho toda a paciência necessária e a poeira que paira no ar nos últimos dias não me anima a fazer essa experiência, mas se alguém se interessar...

Tomates secos

30 tomates maduros (de preferência aqueles compridos tipo italiano, são menos ácidos)
2 colheres (sopa) de açúcar
4 colheres (sopa) de sal (eu usei bem menos, apenas o salpiquei sobre os tomates)
ervas finas (ou outras ervas como tomilho, orégano, etc)
8 dentes de alho em fatias finas

azeite a gosto


Esta receita é para ser feita com paciência, porque é demorada...

1) Corte a cabecinha de todos os tomates e parta ao meio no sentido do comprimento, tirando só as sementes. Lave e deixe virados para baixo em peneira ou escorredor de macarrão por pelo menos meia hora.

2) Arrume em assadeiras com os tomates virados para cima. Ponha por cima deles o açúcar (para tirar a acidez), o sal e as ervas finas; ponha uma fatia de alho dentro de cada um e regue com azeite.


3) Leve ao forno baixo durante pelo menos duas horas. Vire os tomates para baixo e deixe mais uma hora. Para guardar, arrume em camadas em vidros esterilizados , cubra com azeite e feche bem.


Estes tomates ficam com sabor mais suave e a textura menos ressecada que os industrializados.

29.8.07

A primeira Lady Chatterley - D.H. Lawrence

Meu primeiro encontro com D.H. Lawrence. O romance O amante de Lady Chatterley é famoso pelas suas cenas de sexo e pela linguagem considerada obscena, mas é preciso notar que há três versões muito diferentes da história e a última, revisada e levada à publicação pelo autor, é aquela responsável por essa fama do romance. Eu não conhecia esses detalhes e peguei a versão que encontrei em inglês, pois prefiro ler na língua original quando possível.

A Primeira Lady Chatterley conta a história de Connie, casada com Clifford Chatterley, um aristocrata que perdeu o movimento das pernas durante a guerra, e seu romance com um dos empregados da propriedade, Oliver Parkin. Ela procura este último com a intenção de satisfazer as necessidades sexuais que Clifford não é mais capaz de atender, mas apesar de tudo começar com um desejo físico, aos poucos Connie começa a ver um outro lado de Oliver que, de certa forma, desarma-a. O relacionamento envolve muitas dificuldades, ele faz parte da classe trabalhadora, ela é uma lady, e isso gera conflitos entre os dois amantes. Mesmo a linguagem de Oliver é algo que o separa do mundo de Connie.

Li que Lawrence pretendia dar o título de Ternura para o livro, creio que seria um bom título, ao menos para esta versão do romance. A descrição do relacionamento entre Connie e Oliver e de seus conflitos é muito terna e vívida. Acho que não lerei a última versão, gostei demais desta aqui.

23.8.07

Pão de tomate seco

A receita é do Olivier Anquier, eu a vi no Caderno da Folha de domingo e fiz hoje. Como não tinha todo o tomate seco necessário e a receita rendia muito, fiz apenas 1/3 da receita. Vou ser honesta, eu não sou muito fã de pães mais salgadinhos, prefiro aqueles que têm um fundo adocicado, mas ficaram bons, deve ser ótimo para acompanhar patês, se você usar aqueles tomates secos com orégano, sentirá um aroma delicioso na cozinha enquanto eles assam.

A receita é para fazer sem usar a máquina de pão, mas eu sempre uso porque a preguiça fala mais alto! Coloquei os ingredientes lá dentro e deixei amassando, esperei crescer, retirei, moldei os pães, deixei crescer mais um pouco e assei. Eu precisei colocar um pouco mais de água enquanto amassava, portanto acho que é melhor ir colocando a farinha aos poucos e não colocar a medida inteira (1kg) logo de cara.



 
Pão de tomate seco
1 kg de farinha de trigo
250 g de farinha de trigo integral
200 g de gérmen de trigo
900 ml de água gelada
35 g de fermento fresco (ou o equivalente em fermento em pó, basta ler a embalagem para descobrir, se não me engano, cada pacotinho de fermento seco equivale a cerca de 3 tabletes de fermento fresco)
30 g de sal
250 g de tomate seco picado
 
Rende 4 pães de 400 g

Misture a farinha e o sal e faça um buraco no meio para colocar a água. Dissolva o fermento nessa água, sem deixar entrar em contato com o sal. Misture todos os ingredientes com as mãos até a massa desgrudar. Amasse sob uma plataforma polvilhada com farinha. Faça uma bola e cubra-a com pano úmido por 10 minutos.
Corte bolinhas com polegar e indicador, esticando-as. Modele os pães e deixe-os sob pano úmido por 10 minutos. Preaqueça o forno a 250º C e asse em forno quente (220º C) por 30 minutos.

21.8.07

Um trecho de "Proust contra Saint-Beuve"

"Cada dia dou menos valor à inteligência. Cada dia eu me rendo mais conta de que é apenas em seu exterior que o escritor pode reencontrar algo de nossas impressões, quer dizer, atingir algo de si mesmo e a única matéria da arte. Aquilo que a inteligência nos fornece sob o nome de passado, não é o passado. Na realidade, como acontece com a alma dos mortos em certas lendas populares, cada hora de nossa vida, assim que morre, encarna-se e esconde-se em algum objeto material. Ela permanece aprisionada ali dentro, aprisionada para sempre, a menos que reencontremos tal objeto. Por meio dele, nós a reconhecemos, nós a chamamos e ela é libertada. O objeto no qual ela se esconde - ou a sensação, pois todo objeto em relação a nós é sensação - , pode jamais ser encontrado por nós. E assim, há horas de nossa vida que nunca mais ressuscitarão. Pois esse objeto é tão pequeno, tão perdido no mundo, que há poucas chances de que se encontre em nosso caminho!"

(Esse trecho explica bem o episódio da madeleine de Proust, não?)

19.8.07

Falso siri


A professora de Fortaleza que nos recebeu no ano passado veio para um congresso e acabamos nos encontrando para um almoço nas imediações. Apesar de curta, a conversa foi boa e rendeu uma receitinha, ela nos perguntou se conhecíamos o "Falso siri", dissemos que não e ela nos explicou que era uma forma de preparar um prato que parecia ter siri sem ter siri, usando sardinha em lata, leite de coco e repolho. Estava meio cética, mas fiquei muito curiosa, como ela só deu as indicações gerais da receita, tive que procurar algo parecido e encontrei esta receita. Achei que ficou bem interessante, não é idêntica a um suflê ou à fritada de siri, mas chega perto e até pode enganar algumas pessoas! Fiz pouco mais da metade da receita e rendeu bem.

Falso siri

 
1 fio de azeite de dendê
2 latas de sardinha escorrido (usei latas grandes, de 250g)
3 cenouras médias raladas

1 repolho pequeno fatiado fino

1 cebola grande ralada

suco de um limão (eu prefiro sem)
2 tabletes de caldo de galinha, carne ou peixe (na verdade é a gosto, o suficiente para salgar)

5 c sopa de azeite extra-virgem

1/2 maço de cheiro verde picado

2 pimentões picados

1 vidro de leite de coco (200ml)
4 ovos batidos (bata as claras e depois adicione as gemas)

2 c sopa de farinha
Se quiser, adicione coentro picado

Refogue a cebola até dourar, adicione a cenoura, o repolho, o cheiro verde, o pimentão, o suco de limão, o leite de coco, o tablete de caldo de galinha e deixe cozinhar por 10 min, mexendo sempre.


Adicione a sardinha desmanchada, as 2 c sopa de farinha (não é preciso diluir) e uma parte do ovo batido. Misture tudo por um minuto.


Unte um pirex, despeje o falso siri e cubra com o restante do ovo batido, leve ao forno até dourar.


9.8.07

Sobrecoxa teriyaki

Mais uma do livro de culinária japonesa que adoro, mas andava meio encostado devido à minha grande preguiça de ler em japonês. Estudar línguas é algo engraçado, você passa um tempão estudando e achando que não está melhorando nada e, de repente, olha para uma palavra e descobre que sabe qual é o seu significado. É o que parece ter acontecido com meu japonês, estudo sozinha e às vezes desanimo, mas acho que não tem sido em vão! Ainda preciso consultar o dicionário várias vezes, mas agora não é tão desesperador.

Esta é uma de minhas receitas preferidas, deliciosa e simples. Esses dias ando com vontade de voltar a algumas receitas básicas, preparar coisas simples, enfim, de mudar algo, como não dá para fazer grandes mudanças na vida, a gente começa pelas mais fáceis. rs


Sobrecoxa teriyaki

 
2-3 sobrecoxas de frango desossadas e abertas (com a pele o efeito final é mais bonito, eu só tinha sem)

Fure a carne com um garfo e tempere com:
3 c sopa de shoyu
1 c sopa de saquê
1 c chá de caldo de gengibre (rale um pedacinho de gengibre e esprema para obter o caldo)

Deixe marinar por certa de 20-30min virando de vez em quando.
Aqueça cerca de 3 c sopa de óleo em uma frigideira. Retire a sobrecoxa da marinada e coloque para fritar na frigideira com a parte da pele voltada para baixo. Frite em fogo baixo mexendo a frigideira. Depois que a pele ficar bem corada, vire, tampe a frigideira e deixe fritar em fogo baixo por 10 min. Quando você espetar a parte mais grossa da carne com um ohashi e ele entrar com facilidade, pode retirar a carne para um prato. Limpe a frigideira, descartando o excesso de óleo. Coloque-a de volta no fogo e adicione uma mistura feita com o resto da marinada do frango,
2 c sopa de mirin (tipo de saquê adocicado vendido em loja de produtos japoneses), 1 c sopa de shoyu e 1,5 c sopa de açúcar. Deixe ferver um pouco e depois coloque os pedaços de sobrecoxa fritos com a pele voltada para baixo novamente na frigideira. Deixe caramelizar e depois vire e faça o mesmo do outro lado. Movimente a frigideira para que a carne caramelize bem.

28.7.07

Pão com fibras Refúgio das Pedras

Encontrei esta receita de pão integral no site de uma pousada em Ilha Bela, a Refúgio das Pedras, adoro hotéis e pousadas que servem um pãozinho caseiro para os hóspedes e se ele for integral, ganha alguns pontos extras. Estava fazendo uma pesquisa sobre lugares para onde poderíamos ir descansar sem precisar pegar um avião (por razões óbvias) e me deparei com a pousada, eu a achei muito charmosa, mas O. já a vetou, ele tem alergia a picadas de borrachudos e prefere ficar longe de Ilha Bela, uma pena!

O pão é delicioso, um dos melhores pães integrais que fiz! Como sempre, amassei na máquina de pão, modelei e deixei crescer. Substituí 1 x de farinha por farinha de trigo integral e ainda assim a massa cresceu bastante.




Pão com Fibra

 
02 tabletes de fermento biológico (15 g cada), ou cerca de 7 g de fermento biológico seco
01 xícara de chá de água morna

1/4 xícara de chá de açúcar mascavo
03 xícaras de chá de farinha de trigo (substituí 1 x por farinha de trigo integral e a farinha usada foi aquela Premium para pães e massas da Fleischmann)

01 xícara de chá de farelo de trigo
01 colher de sopa de margarina

01 colher de chá de sal
01 ovo


Modo de fazer:

Dissolva o fermento na água morna, junte o açúcar, margarina, sal, ovo e uma xícara de farinha, bata na batedeira em velocidade baixa e aumente p/ três minutos em velocidade alta.
Junte o resto da farinha de trigo e o farelo até obter uma massa homogênea. Unte uma forma de bolo inglês e coloque a massa deixando descansar de 30 a 40 minutos ou até que dobre de volume. (Eu dividi a massa em pães menores para congelar). Asse em forno moderado por 30-50 minutos, até dourar.

Depois de pronto pincele com manteiga para dar brilho (opcional).

26.7.07

After the quake - Haruki Murakami

Demorei um pouco para ler este livro do Murakami, temia que ele fosse meio baixo astral porque foi escrito depois do terremoto de Kobe em 1995, mas estava enganada. O terremoto é apenas mencionado vagamente em cada um dos seis contos que compõem a coletânea, alguém vê a notícia e descobrimos que o personagem morou ou conhece alguém que mora na região e o assunto meio que morre ali. Gostei bastante deles. Murakami trata da solidão e da dificuldade envolvida nos relacionamentos pessoais sempre de modo muito delicado.

Ufo em Kushiro, é sobre um rapaz que é deixado pela esposa e vai até Hokkaido levar um pacote para a irmã de um amigo e para se esquecer de sua situação.

Paisagem com Ferroplano, mostra o relacionamento de um pintor de meia idade que gosta de fazer fogueiras com a madeira que encontra na praia e uma garota que fugiu de casa quando era mais jovem.

Todos os filhos de Deus podem dançar, é sobre um rapaz que busca respostas sobre quem é seu pai.

Tailândia, um de meus preferidos, é sobre uma médica que vai até a Tailândia para uma conferência e estende sua estadia em um resort em um local isolado.

Super-sapo salva Tóquio, também é um barato, muito divertido e bonito. Um dia um cara que trabalha em um banco encontra um sapo gigante em seu apartamento que diz que ele precisa ajudá-lo a derrotar "Verme", um ser que vive no subsolo e ameaça destruir a cidade de Tóquio...

Torta de mel, conta a história de três amigos e de seu triângulo amoroso. Também muito terno.

Agora estou sem Murakamis para ler e tenho que esperar...

23.7.07

Oh, dear Emily!

Adoro a Emily Dickinson, gosto tanto de seus poemas:

I'm nobody! Who are you?
Are you - Nobody - Too?
Then there's a pair of us!
Don't tell! they'd advertise - you know!

How dreary - to be - Somebody!
How public - like a Frog -
To tell one's name - the livelong June -
to an admiring Bog!

Este também:

I've seen a Dying Eye
Run round and round a Room -
In search of Something - as it seemed -
Then Cloudier become -
And then - obscure with Fog -
And then - be soldered down
Without disclosing what it be
'Twere blessed to have seen -

Elizabeth Costello - Coetzee

Li "Disgrace" (traduzido como "Desonra" no Brasil) antes do escritor sul-africano John Maxwell Coetzee ganhar o Nobel de literatura em 2003 e o achei ótimo, depois li O mestre de São Petesburgo, cujo personagem principal é Dostoievski e, ontem, terminei Elizabeth Costello. Respectivamente, um romance sobre a questão racial na África do Sul, um livro que traz um Dostoievski atormentado em busca de respostas sobre a morte de seu enteado e as cenas da vida de uma escritora já consagrada no final de sua carreira, Elizabeth Costello.

Gosto de Coetzee, ele mereceu o Nobel e um dia espero encontrá-lo em uma Flip da vida apenas para conferir se ele é parecido com seus personagens: um pouco cínico, um pouco cansado, alguém que responderia "Whatever" para qualquer questão que lhe fizessem como se tivessem lhe perguntado algo como "Would you like to have tea or coffee?".

Acho que em Elizabeth Costello ele deixa bem clara a forma como encara a vida de um escritor. A protagonista viaja de um lado para o outro para dar palestras sobre a literatura ou para falar sobre assuntos como a crueldade com os animais, mas apesar de aceitar os convites, ela não deixa de se exasperar em ter que conversar com pessoas com as quais não se importa quando preferiria estar descansando.

No último capítulo, uma alegoria sobre a morte parecida com alguns episódios das histórias de Kafka, Elizabeth está em uma cidade estranha e quer atravessar um portão para sair de lá, mas para isso, precisa apresentar-se diante de um júri e dizer no que acredita. Ela já está na segunda audiência e se desespera, pois sabe que sua busca por alguma paixão, por algo em que professar sua fé, parece estar condenada ao fracasso.

"When she was young, in a world now lost and gone, one came across people who still believed in art, or at least in the artist, who tried to follow in the footsteps of the great masters. No matter that God had failed, and Socialism: there was still Dostoevsky to guide one, or Rilke, or Van Gogh with the bandaged ear that stood for passion. Has she carried that childish faith into her late years, and beyond: faith in the artist and his truth?

Her first inclination would be to say no. Her books certainly evince no faith in art. Now that it is over and done with, that lifetime labour of writing, she is capable of casting a glance back over it that is cool enough, she believes, even cold enough, not to be deceived. Her books teach nothing, preach nothing; they merely spell out, as clearly as they can, how people lived in a certain time and place. More modestly put, they spell out how one person lived, one among billions: the person whom she, to herself calls she, and whom others call Elizabeth Costello. If, in the end, she believes in her books themselves more than she believes in that person, it is belief only in that sense that a carpenter believes in a sturdy table or a cooper in a stout barrel. Her books are, she believes, better put together than she is."

16.7.07

Creme de mamão com iogurte

Para quem não pode se dar ao luxo de bater colheradas de sorvete de creme com mamão, aqui vai uma sugestão:
Bata mamão formosa (dizem que leva menos pesticidas do que o mamão papaya) com um pouco de iogurte natural desnatado no liquidificador e tome na hora do lanchinho. Eu não adoço, mas se você preferir, pode adicionar mel na hora em que bater.

15.7.07

Como acabar de uma vez por todas com a cultura - Woody Allen

Descobri Woody Allen como escritor recentemente, quando li um dos artigos que ele escreveu para a revista New Yorker no qual mistura teorias filosóficas e dietas. Eu o achei extremamente divertido, um exemplo da típica ironia woodyalleniana e fiquei feliz ao encontrar uma coletânea com outros artigos em um livro bem velhinho, publicado pela primeira vez em 1974.

O. compra livros "curiosos", então tive que ler tudo em espanhol.

Em "Como acabar de uma vez por todas com a cultura" Allen satiriza tudo e todos, desde a psiquiatria, biografia, revoluções, filosofia até o cinema e a máfia. Achei alguns artigos melhores do que outros, acho que há algumas tiradas que fazem mais sentido se você é americano ou judeu, mas no geral, é uma leitura bem interessante e que flui rápido. Eis um trecho do artigo "Como acabar com as revoluções na América Latina", os revolucionários estão na selva e um deles escreve um diário da campanha:

"10 de julho: Hoje foi, em linhas gerais, um bom dia levando em consideração que os homens de Arroyo nos emboscaram e quase nos liquidaram. Em parte, a culpa foi minha, porque revelei nossa posição ao invocar a Santíssima Trindade aos berros quando uma tarântula subiu por minha perna. Durante alguns segundos, não consegui me livrar da tenaz da maldita aranha enquanto ela abria caminho nas secretas profundezas de minha roupa fazendo com que eu corresse como um louco até o rio e me jogasse nele, o que me pareceu que durou três quartos de hora. Pouco depois, os soldados de Arroyo abriram fogo sobre nós. Lutamos com valentia, embora a surpresa tenha criado uma leve desorganização e durante os primeiros dez minutos nossos homens tenham atirado uns nos outros. Mesmo Vargas se salvou por um fio da catástrofe quando uma granada aterrissou a seus pés. Ele ordenou que me jogasse sobre ela. Consciente de que somente ele era indispensável para nossa causa, eu o fiz. O destino quis que a granada não explodisse, e saí inteiro do incidente com apenas um ligeiro tremor e a incapacidade de adormecer a menos que alguém segure uma de minhas mãos."


7.7.07

Risoto de roquefort e erva-doce

Uma idéia de risoto sem medidas exatas: refogar cebola, alho e erva-doce picados em uma panela com um pouco de azeite, adicionar o arroz arbóreo, misturar. Colocar um pouquinho de vinho branco, deixar evaporar, adicionar o caldo de frango (o quanto baste, não tenho paciência para ficar do lado da panela adicionando o caldo aos poucos e mexendo, o resultado até que não deixa nada a desejar), cozinhar até que o arroz esteja quase pronto e tenha absorvido boa parte do caldo, adicionar pedaços de roquefort, misturar até o queijo derreter, (corrigir o tempero caso o caldo usado não seja salgado), retirar do fogo, deixar descansar cinco minutos e servir.


6.7.07

Cake de pesto e atum

Cake salgado da revista Cuisine et vins de France, uma boa pedida para comer com uma cervejinha, bem simples e rápido de preparar.

Cake de atum com pesto

 
300g de atum aos pedaços enlatado em óleo, escorrido
3 c sopa de pesto
100g de gruyère ralado
3 ovos
100ml de leite
100g de farinha
2 c chá de fermento em pó
1 c sopa de conhaque

Preaqueça o forno à 180C. Peneire a farinha com o fermento, abra um buraco no meio da farinha, coloque os ovos, adicione o gruyère, o atum e o pesto, misture bem e incorpore o leite pouco a pouco, até obter uma massa homogênea. Coloque o conhaque e misture bem.
Derrame a massa em uma forma para bolo inglês untada e enfarinhada. Asse por cerca de 40min. Teste enfiando a lâmina de uma faca no meio da massa, se ela sair limpa, está assado.
Desenforme o cake e deixe esfriar. Se quiser guardar para mais tarde, envolva em filme plástico e deixe no refrigerador. Sirva frio, cortado em pedaços para um aperitivo ou com uma salada.




3.7.07

Bolo mármore

Fiz este bolo mármore na semana passada para presentear o pessoal da portaria que sempre nos dá uma mãozinha quando precisamos carregar coisas pesadas de um lado para o outro aqui em casa. Assei o bolo em uma forma retangular e separei um pouco da massa em formas de muffins para ter uma idéia de como era o bolo, pois era a primeira vez que fazia a receita. Ele ficou muito bom, acho que a parte escura é até mais macia do que parte branca, talvez devido à quantidade de gordura do chocolate. Entreguei o bolo quando passei pela portaria na manhã seguinte, mas como O. tinha comido meus últimos exemplares de controle, não deu para saber se a massa havia ressecado. Bem, ninguém reclamou! rs
A receita é deste site em francês.

Bolo mármore

4 ovos
200g de açúcar
250g de farinha
1 potinho de iogurte (o meu tinha 185g)
2 c chá de fermento em pó
120ml de óleo
150 à 200g de chocolate meio amargo

Preaqueça o forno à 180C. Bata os ovos com o açúcar. Adicione o iogurte, a farinha e o fermento, misture bem.
Adicione o óleo misturando com cuidado até que a massa fique bem lisa.
Em outro recipiente, coloque o chocolate meio amargo picado em pedaços e derreta no microondas ou em banho-maria. Retire do microondas e misture o chocolate derretido para que fique homogêneo, depois derrame metade da massa sobre ele e misture vigorosamente para obter uma massa de cor uniforme. Ela é mais espessa e menos fluída do que a massa branca.
Coloque a massa branca em uma forma untada e enfarinhada e depois distribua a massa com chocolate sobre ela. "Risque" a superfície do bolo com uma faca em todas as direções para que o bolo fique "marmorizado" e as duas massas se misturem. Asse à 180C por cerca de 45 min. Faça o teste do palito.

Nota. O iogurte não é indispensável, mas ele dá mais maciez ao bolo. Ele pode ser substituído por creme de leite ou queijo branco.



28.6.07

Gargantua e Pantagruel

Estou lendo um volume das obras completas de Rabelais que O. comprou por um bom preço em um sebo virtual fora do país. Sempre tive curiosidade em saber quem eram Gargantua e Pantagruel e agora já sei! São dois gigantes memoráveis e suas histórias são pontilhadas por grandes comilanças, bebedeiras homéricas e episódios escatológicos. Por exemplo, Gargantua, filho de Grandgousier e pai de Pantagruel, nasce logo após sua mãe ter um problema intestinal por ter comido muitas tripas, sem falar que Gargantua afoga uma tropa de inimigos após aliviar sua bexiga...

As histórias são divertidas e deveriam ser ainda mais interessantes na época em que foram escritas, pois contêm uma sátira impiedosa das instituições públicas e eclesiásticas da época (séc. XVI). Estou lendo em francês, mas como Rabelais inventa muitas palavras e brinca com umas tantas outras, acho que não tiro todo o proveito que poderia da leitura. Traduzir os cinco livros que constituem toda a história de Gargantua e Pantagruel não deve ser uma tarefa fácil, imagino que seja o equivalente a traduzir Grande Sertão: Veredas, do Guimarães Rosa para outra língua (o que já foi feito).

(Descobri que há uma tradução para o português aqui, mas não sei quem é seu tradutor. )

Achei divertidíssima a relação de livros que Rabelais diz existir na biblioteca de uma abadia, ele tira um tremendo sarro da produção literária e interesses intelectuais dos "doutos" de sua época, os meus títulos preferidos são:
"Como tirar profiterolles das indulgências"
"A quimera zumbindo no vazio é capaz de devorar as segundas intenções?"
"Contra aqueles que dizem que a mula do Papa só come nas suas horas"
"Os devaneios dos casos de consciência"
"O interesse do traseiro na cirurgia"
.
.
.
etc.