26.12.08

Torta de pêssegos e canela

O Natal foi bem simples aqui em casa, assei alguns pães de queijo que tinha congelado para um jantar mais tardio e eles foram degustados com espumante. O prato principal foi um bacalhau com broa, estava bom, mas o bacalhau ficou meio ressecado (preciso praticar mais.) A sobremesa foi uma receita que vi na revista Taste of home, uma torta de pêssegos muito fácil de fazer, as fotos não ficaram boas, mas a torta é muito gostosa, a combinação da massa que lembra a farofa de um crumble, a fruta e o creme é perfeita. Diminui a quantidade de açúcar mascavo, pois os pêssegos já são bem doces, mas acho que dá para variar bastante e usar frutas frescas diversas.



Torta de pêssego e canela

2 x de farinha
2 c sopa de açúcar (usei demerara)
1/2 c chá de sal
1/4 c chá de fermento
1/2 x de manteiga (cerca de 100g)
1 lata de pêssegos em calda escorridos
1 x de açúcar mascavo (usei apenas 1/4 de xícara e achei que ficou perfeito)
1 c chá de canela em pó
2 gemas
1 lata de creme de leite

Faça uma espécie de "farofa" meio úmida com a farinha, as 2 c sopa de açúcar, o sal, o fermento e a manteiga. Forre o fundo e as laterais de uma forma de cerca de 22 cm de diâmetro com a massa. Coloque os pêssegos com a parte do corte voltada para cima sobre a massa e polvilhe-os com a mistura de açúcar mascavo e canela. Leve para assar em forno pré-aquecido (180C-200C) por 20 minutos. Retire do forno e cubra com o creme de leite misturado com as gemas e asse a torta até que o creme fique mais firme e a massa doure.
Nota: a massa se esfarela e é difícil de desenformar ainda quente, mas depois de esfriar isso se torna mais fácil.


24.12.08

O jardim adormecido

(Foto de Riichi Yokomitsu na contracapa da coletânea)

Primeira leitura “solo” de um livro em japonês, a maioria dos livros nessa língua que li antes já tinham sido lidos em traduções, então, eu sempre tinha uma idéia geral do enredo. O autor chama-se Riichi Yokomitsu (1898-1947), eu nunca ouvi falar dele por aqui e há bem poucas traduções de suas obras, quase nada, as informações sobre o autor também são sumárias na internet.

O título da história poderia ser traduzido como “Jardim adormecido”, ele é constituído de dois kanjis, o de dormir (寝) e o de jardim/parque (園), os dois juntos não formam uma palavra única (pelo menos não achei nos dicionários que consultei), por isso, traduzi assim.

A história se passa na época da depressão de 30 (pensando na conjuntura econômica atual, não pude deixar de achar a coincidência irônica) e é sobre vários triângulos, quase quadriláteros, amorosos envolvendo várias pessoas de uma classe comercial abastada. Nanae é casada com Niwa, mas ama Ha, um amigo da família. Nanae também é amada por Taka, um jovem estudante que, como bom Don Juan, não deixa de “tirar uma casquinha” roubando beijos de todas as personagens femininas que cruzam seu caminho, entre elas, Aiko, parente de Nanae. Aiko, por sua vez, tem uma queda por Niwa, marido de Nanae.

As paixões e flertes não vão a lugar algum devido às convenções sociais e também porque Ha, que poderia tentar fazer com que Nanae se divorciasse, está em sérios apuros financeiros e perde toda a sua fortuna com a depressão. Outro fator que complica a situção é o fato de Nanae acertar um tiro acidental em Niwa durante uma caçada a javalis promovida pelo clube de tiro de que fazem parte. A culpa faz com que ela renuncie a se aproximar de Ha.

Os personagens são infelizes e suas vidas não parecem ir para lugar algum, eles estão mesmo “anestesiados” em um “Jardim adormecido”.


17.12.08

Cenouras glaceadas com alecrim

Receita muito simpática da Elvira, adoro cenouras glaceadas, acho que é um acompanhamento perfeito para uma carne grelhada ou assada.


Cenouras glaceadas

650 g de cenouras descascadas e cortadas em palitos grossos (cortei em rodelas sem descascar)
1 colher (sopa) de manteiga
1 colher (sopa) de açúcar mascavo
colher (café) de alecrim seco picado (usei fresco)
sal & pimenta preta moída
água q.b.

Colocar as cenouras, a manteiga, o açúcar, o alecrim picado e 1,5 copos de água numa frigideira grande ou panela. Temperar com sal e pimenta.
Levar a ferver e baixar o fogo. Cozinhar por 10-12 minutos, até as cenouras se apresentarem tenras. Se isso for necessário, juntar mais um pouco de água durante o cozimento.
Cozinhar sem parar de mexer por mais 1-2 minutos, até o molho ficar caramelizado e as cenouras se apresentarem glaceadas (brilhantes).

11.12.08

Tozzetti

Esta receita é muito boa e me foi passada pela minha professora de italiano. Ela é ligeiramente diferente daquela que retirei da Claudia Cozinha.


Tozzetti

450 gr de farinha
250 gr de açúcar
150 gr de manteiga
150 gr de amêndoas trituradas
5 ovos (3 gemas e 2 inteiros)
50 gr de uva passa sem sementes
1 c sopa de semente de erva-doce (use mais se gostar)
1 c sopa de fermento em pó
1 xic de café de cognac
1 xic de café de arak (é uma bebida à base de anis, eu usei cognac mesmo)
raspas da casca de um limão

Misture todos os ingredientes, você obterá uma massa mole. Polvilhe uma superfície com farinha e divida a massa em pedaços iguas (cerca de 4 ou mais dependendo do tamanho de suas assadeiras, a receita rende muito) e enrole cada um deles formando uma espécie de "tronco" não muito largo e meio achatado. (Outro dia, assistindo ao canal italiano, vi uma mulher enrolar os "troncos" polvilhando a superfície com açúcar de confeiteiro, ainda não testei, mas me pareceu uma boa idéia). Coloque-os sobre a forma mantendo algum espaço entre cada um deles e leve para assar em fogo moderado (180-200C) até que fiquem ligeiramente corados.
Retire a assadeira do forno e espere os troncos esfriarem um pouco (cerca de 20 min). Corte o tronco em fatias e disponha-as sobre a assadeira com o corte voltado para baixo. Leve para assar novamente por 15-20 min.

6.12.08

Pão de alho caramelado

O primeiro pão que faço usando a técnica da "esponja" ou "pré-fermento" e, acreditem ou não, sem a máquina de pão! Ele é um bocado trabalhoso e apanhei bastante para prepará-lo, pois a massa é bem molenga. Eu até cometi um grande pecado e acabei adicionando mais farinha, porque ao comparar a massa que fiz com aquela das fotos do Dan Lepard, concluí que a minha ainda estava muito mole, ela praticamente se espalhava quando a colocava sobre a mesa para trabalhá-la. Felizmente, isso não parece ter prejudicado o crescimento ou o sabor da massa (que tinha achado meio salgadinha).

Para uma primeira vez, acho que não ficou ruim, mas preciso praticar mais, muito mais. O gás está no fim, o pão demorou uma eternidade para assar e não tive paciência para deixá-lo mais tempo no forno para ficar com a cor dourada que seria ideal. No mais, é um pão muuuuito gostoso. A receita em francês está aqui e a original do Dan Lepard em inglês com fotos passo-a-passo.


Pão de alho caramelado

Para o pré-fermento
200ml água morna entre 35C - 38C
1 c chá de fermento biológico instantâneo seco
200g de farinha especial para pães (usei a da Fleischmann)

Para a massa
225ml água à 20C
325g farinha especial para pães
10g de sal
75ml de azeite extra-virgem

Para o alho caramelado
3 cabeças de alho, dentes separados
2 c sopa de azeite extra-virgem
50ml água
1 c sopa de vinagre balsâmico
2 c sopa de açúcar
1 c chá de sal
1/4 c chá de pimenta do reino
1 folhas de um ramo de alecrim picadas

Pré-fermento: Para obter a água na temperatura aproximada, misture 100ml de água fervente a 200ml de água fria e use a quantidade pedida na receita. Em uma tigela, misture a farinha com o fermento e adicione a água morna. Misture bem e cubra com um filme plástico. Deixe o fermento agir por 2 horas, mexendo uma vez com uma colher após 1 hora.

Para o alho caramelado:
Coloque os dentes de alho inteiros em uma panela, cubra com água fervente e cozinhe por 3-4 min, escorra, cubra tudo com água fria e comece a retirar a casca dos dentes de alho. Depois de descascada, a quantidade de alho parece muito menor, não se assuste. Aqueça o azeite em uma frigideira e doure ligeiramente os dentes de alho sem deixá-los queimar. O alho queimado fica com sabor amargo, por isso, tome cuidado. Em um copo, misture o vinagre balsâmico e a água, adicione essa mistura ao alho na frigideira, junte o sal, o açúcar, a pimenta e o alecrim. Cozinhe em fogo baixo por cerca de 5 min, até que o líquido tenha sido reduzido a um caramelo espesso. Coloque em uma tigela e deixe esfriar. Os dentes de alho devem estar macios quando picados com uma faca.

Para a massa:
Depois de 2h, o pré-fermento deve ter dobrado de volume e ter bolhas na superfície. Coloque a água em uma tigela grande e despeje o pré-fermento. Desfaça-o com os dedos até que sobrem apenas pequenos fragmentos. Adicione a farinha e o sal e misture a massa com as mãos. Ela será elástica e grudenta. Raspe o excesso de massa de suas mãos e das laterais da tigela, cubra com um pano de prato limpo, espere 10 min para que a farinha absorva o líquido.

Derrame 2 c sopa de azeite na superfície da massa e, gentilmente, espalhe o azeite por toda a superfície da massa com as mãos. Esfregue um pouco de azeite nas mãos e deslize-a pelas laterais da massa puxando-a para cima para que o óleo envolva toda massa. Gire a tigela enquanto faz isso para que toda massa seja esticada e desgrude da tigela. A massa começará a ficar com uma aparência mais homogênea. Forme uma bola, cubra e deixe descansar 10 min.

Derrame 2 c sopa de azeite sobre a massa e repita o procedimento de puxar e esticar a massa sem ultrapassar mais de 10-12 segundos. Cubra e espere mais 10 min.

Desta vez, unte uma superfície de aproximadamente 30 cm de diâmetro com azeite. Unte as mãos, despeje a massa sobre a superfície preparada e sove a massa com cuidado por cerca de 10-15 segundos. Coloque a massa novamente na tigela. Cubra e deixe descansar por 30 min.

Unte uma superfície novamente, coloque aí a massa e abra-a até formar um retângulo de cerca de 30 cm. Dobre uma das abas, depois a outra formar um retângulo mais fino, dobre as abas longas novamente formando uma trouxinha. Coloque-a na tigela, cubra e espere 30 min.

Unte a superfície de trabalho outra vez, abra massa até forma um retângulo de 30cmx20cm. Espalhe o alho caramelado por 2/3 da superfície da massa, dobre a parte da massa sem alho até que ela cubra 1/3 do alho e enrole essa parte sobre o resto do alho. Você terá um novo retângulo, dobre uma das abas até o meio da massa e depois a parte restante. Como da primeira vez. Coloque essa trouxinha novamente na tigela, cubra e deixe descansar 30 min.

Enxuge o óleo da superfície de trabalho e polvilhe com um pouco de farinha. Abra a massa como da vez anterior e dobre da mesma forma. Coloque a massa na tigela, cubra e deixe descansar mais 30 min.

Repita o procedimento mais uma vez e deixe a massa descansar 10 min.

Cubra uma bandeja grande com um pano de prato, polvilhe-o com um pouco de farinha, corte a massa em 3 pedaços iguais e disponha-os sobre o pano de prato fazendo dobras entre cada pedaço para que eles não grudem.

Cubra e deixe descansar por 45 min.

Pré-aqueça o forno à 200C e coloque uma forma com água para manter a umidade do forno. Polvilhe a assadeira com um pouco de farinha, levante os pães pelas extremidades e coloque-os na assadeira sem o pano de prato tomando o cuidado de não manipulá-los demais para que não percam o gás.

Asse por 20-30min, ou até que os pães fiquem dourados.

(Para ter uma melhor idéia do que deve ser feito em cada etapa, lembro novamente que há fotos no site do Dan).



3.12.08

Bolinhos rápidos de aveia e frutas

A receita original era para um bolo de bananas, fiz uma vez só com elas, mas outro dia havia apenas uma banana e um resto de manga e mamão e pensei que não seria má idéia acabar com tudo fazendo esses bolinhos outra vez. Gosto de bolinhos densos assim, eles ficaram gostosos e são bem nutritivos.

Bolinhos rápidos de aveia e frutas

1 banana + 3/4x de uma mistura de manga e mamão (ou três bananas, ou uma quantidade equivalente de seu resto de salada de frutas)
1 ovo grande
3 c sopa de óleo
1/2 x de açúcar demerara
1/2 x de farinha integral (ou normal)
1/2 x de aveia em flocos
1/2 c chá de canela
1 c chá rasa de fermento

Amasse as frutas com um garfo, junte os demais ingredientes e misture bem. Asse em uma forma para seis muffins untada até que os bolinhos dourem.

1.12.08

Pão de vinho e nozes

Pão absolutamente delicioso publicado pela Sandra no blog Le Pétrin (em francês). A massa leva um pouco de vinho e nozes, o gosto de nozes predomina, pois parte da quantidade é batida com o vinho, mas definitivamente há um "retrogosto" de vinho na massa. Ótimo com um queijo e, por que não? Um cálice de vinho...

Amassei na máquina, mas a receita dá as instruções para a confecção manual. Meu pão não ficou com a casquinha igual ao do pão feito pela Sandra, talvez por ter pulado a parte de vaporizar o pão com um pouco de água antes de assar (e por não tê-lo virado enquanto assava). Preciso procurar um vaporizador no supermercado, um daqueles de jardinagem deve servir...


Pão de vinho e nozes

200g de farinha especial para pães
100g de farinha de trigo integral fina
2 c chá de fermento biológico instantâneo seco
1 c chá de sal
50g de nozes (1)
125ml de vinho tinto seco (no caso, usei Malbec)
75ml de água
2 c sopa de azeite
100g de nozes (2)

Em uma tigela grande, misturar as farinhas com o fermento seco, adicionar o sal e misturar.

Em um liqüidificador, bater as nozes (1) com o vinho, a água e o azeite até obter um líquido espesso e homogêneo. Adicionar esse líquido à tigela com as farinhas, juntar as nozes e misturar até a formação de uma bola de massa que grude ao redor da colher e se descole da parede da tigela.

Desgrudar a massa da colher e trabalhar a massa rapidamente na tigela com as mãos apenas até formar uma bola. Cobrir com um pano de prato limpo e deixar repousar por 10 min.

Untar ligeiramente uma superfície de trabalho e também as mãos com óleo. Colocar a massa sobre a superfície preparada e sovar por 15-20 min. Devolver a massa à tigela, cobrir novamente e deixar repousar mais 10 min. Repetir essa operação de sova mais uma vez, cobrir e deixar crescer por cerca de 1h15 min, ou até que massa dobre de tamanho.

Colocar a massa sobre a superfície de trabalho ligeiramente enfarinhada e retirar o gás parcialmente apoiando a palma da mão levemente sobre ela. Modelar um pão oval e colocar sobre uma forma revestida com papel alumínio. Cobrir e deixar crescer por cerca de 1h.

Preaquecer o forno à 210°C. Vaporizar a superfície do pão com água, polvilhar com um pouco de farinha peneirada para dar um ar rústico e riscar em xadrez com uma faca.

Assar por cerca de 45 min virando o pão na metade do tempo para que asse de forma homogênea (não fiz isso). O pão assado fica com uma cor caramelo e soa oco quando recebe batidas.

19.11.08

Lendas e fábulas - Selma Lagerlöf

Devagar, bem devagar, li uma tradução alemã do livro de lendas e fábulas da Selma Lagerlöf, uma escritora sueca e a primeira mulher a ganhar o Nobel de literatura em 1909. Suas histórias são povoadas por sonhos, premonições, goblins, espíritos e outros seres sobrenaturais, muita coisa inspirada nas histórias e lendas que ouviu durante sua infância.
Sempre tive uma grande paixão por lendas, contos, fábulas e mitos e era natural que gostasse deste livro, claro que as histórias não são doces e nem sempre têm finais felizes, ao contrário, muitas vezes elas se assemelham mais a pesadelos, como a história do proprietário de terras que perde uma aposta feita com o espírito que mora em sua casa ou a do troll que troca o bebê de uma mulher por seu próprio filho. Outras histórias tratam de injustiças reparadas, o cristianismo contra o paganismo, etc.


10.11.08

O novo capitalismo segundo Richard Sennett

Richard Sennett é um professor de sociologia da Universidade de Nova Iorque, meu primeiro contato com sua obra se deu quando escrevia meu mestrado, seu O Declínio do homem público foi muito útil para minha pesquisa e me deu uma idéia de como era a Europa por volta do século XVIII, período em que as cidades começavam a se modernizar e a se desenvolver com a criação de espaços públicos onde as pessoas das mais diversas classes e condições sociais podiam interagir com liberdade, sem precisar dizer quem eram ou de onde vinham. Os cafés, as praças, os teatros, etc., teriam mudado a forma como as pessoas avaliavam umas às outras, pois eram ambientes que qualquer um podia frequentar e onde cada um podia "reinventar" a si mesmo, ao contrário dos ambientes da corte, onde todos deviam obedecer regras de etiqueta e de hierarquia.

Os anos se passaram e reencontrei Sennett há pouco, li The culture of the New Capitalism e The corrosion of character, dois longos ensaios que abordam praticamente o mesmo tema: as exigências do capitalismo e como elas afetam a vida das pessoas. Para quem trabalha em grandes empresas hoje em dia, tudo o que Sennett diz talvez não seja nenhuma novidade. Ele escreve sobre como as idéias de flexibilidade, ausência de rotina e risco, por exemplo, apesar de suas conotações positivas, acabam por gerar ansiedade.
Trabalhar com horários "flexíveis", ser parte de grupos que duram apenas o período de elaboração de um projeto, ter que provar a si mesmo a cada nova etapa, segundo Sennett, a princípio, seriam noções positivas, mas quando essas situações se repetem ao longo de toda a vida ativa, o que as pessoas sentem é que não possuem apoios, não podem repousar e que a narrativa de suas suas histórias é feita de recortes e não constituem uma totalidade coerente. Não é possível estabelecer laços de amizade no emprego porque os grupos se desfazem rapidamente e, como todos praticamente "competem" entre si, não é possível confiar em ninguém. Como os empregos são flexíveis e as mudanças são constantes, também não há como estabelecer uma identificação com o trabalho, não haveria mais carreiras no sentido pleno da palavra. O que se valoriza é o potencial, o momento, não a história pessoal e as glórias passadas; a atitude positiva, o responder "sim" a tudo. No passado, a hierarquia formava uma pirâmide, mas cada um sabia onde estava e quem mandava, já o novo modelo seria parecido com um disco rígido, com um centro indefinido de onde partem ordens.

Apesar de Sennett afirmar que as condições de trabalho do passado não eram as melhores, ele parece saudosista quando diz que a ansiedade era menor e que ao menos as situações tinham contornos mais definidos do que hoje. Apesar da rotina, ainda havia a vida em comunidade e o consolo de pensar que o esforço servia para melhorar a vida dos filhos. Hoje, no entanto, mesmo quem se formou e encontrou um emprego não tem garantias e precisa se aprimorar todos os dias para não ficar para trás, o que gera um bando de pessoas frustradas e insatisfeitas consigo mesmas.

Em suma, o novo capitalismo favore quem é jovem, ambicioso e com boa formação, mas para quem chega à meia-idade, ele é extremamente cruel.

1.11.08

Bolo de batata a Jore

Passeando aleatoreamente pelos blogs de culinária eu me deparei com esta receita da Cozinha da Tia e ela me pareceu tão apetitosa e simples que acabei por prepará-la aqui em casa. As batatas ficaram deliciosas. Usei menos batatas, o suficiente para duas pessoas, e ajustei os demais ingredientes, por isso, acho que o "bolo" não ficou muito alto. (Também tive um "branco" e só lembrei do sal na última camada... rs)

Bolo de batata a Jore

8 batatas médias
30 g de manteiga
2 c sopa de azeite
1 dente de alho esmigalhado
1/2 c chá de pimenta moída na hora (pimenta verde, rosa, branca, preta...)
200g de pão integral bem picado
200g de parmesão ralado
sal
orégano

Unte uma forma de fundo removível com manteiga. Descasque as batatas e corte em rodelas finas. Misture o pão com o queijo, se possível, passe pelo liquidificador para diminuir os pedacinhos de pão (como usei pão duro, deu para ralar no ralador manual).
Numa frigideira, derreta a manteiga com o azeite em fogo baixo, acrescente o alho e a pimenta. Desligue o fogo assim que o alho dourar.
Na forma, comece com uma camada de batatas, coloque um pouco de sal sobre as batatas, pincele-as com a mistura de manteiga, salpique com a mistura de pão e queijo, regue com um pouco de azeite e um pouco de orégano. Faça novamente a camada de batatas e vá alternando, terminando com o queijo e orégano.
Deixe assar no forno (cerca de 200C) por 1 hora, ou até que as batatas fiquem macias.