12.10.10

Pepinos com gergelim


Salada simples e crocante com perfume de óleo de gergelim. Basta pegar um pepino japonês, lavar, enxugar e bater em toda a sua extensão com um rolo de abrir massa, apenas o suficiente para que seu interior fique um pouco "quebrado" sem perder a forma. (Nada de bater com muito entusiasmo!). Corte em pedaços grosseiros e tempere com óleo de gergelim, sal e um pouco de sementes de gergelim. Eu geralmente uso a proporção 1 pepino = 1/2 c chá de óleo de gergelim + 1 c chá de sementes de gergelim, o sal é a gosto.

10.10.10

Das fliegende Klassenzimmer - Erich Kästner



De vez em quando a escola de alemão em que estudava recebia doações de livros, naquela vez, alguém deve ter morrido e a família doou a biblioteca em alemão inteira. Eram várias caixas e uma velha mala. Por falta de espaço, os livros ficaram disposto no pátio e os alunos podiam levar o que quisessem, peguei três, entre eles, Das fliegende Klassenzimmer (1933) de Erich Kästner (1899-1974), um autor alemão, pacifista e contrário ao nazismo, o que lhe rendeu alguns livros queimados e algumas visitas da Gestapo. Ele é mais conhecido como autor de livros infantis, como este, mas também escreveu poemas, sátiras e roteiros de filmes.

Das fliegende Klassenzimmer, ou, "A sala de aula voadora", conta as aventuras e travessuras de cinco amigos em um internato na Alemanha, eles ensaiam uma peça que será apresentada na véspera de Natal antes das férias de inverno. O enredo da peça mostra uma "aula" um pouco diferente na qual o professor convida os alunos a embarcarem em uma avião para ensinar história e geografia "in loco". Assim eles partem para o Polo Norte, para o Egito e terminam no céu, onde encontram São Pedro. Daí o título do livro. 

Mas o livro não trata apenas dessa peça. Como todo bom livro infantil, ele procura inspirar valores como a amizade e a generosidade nos leitores. Vocês se lembram daqueles filmes antigos, onde as crianças tem rostos cheinhos e bochechas rosadas, todos são muito bons e as conclusões são sempre felizes? Pois é, o livro é assim. Há brigas de crianças, entre os alunos do internato com os de uma escola rival, um garoto que decide pular do alto de uma escada com um guarda-chuva para provar que não é covarde, etc, entretanto, arranhões e orgulhos feridos à parte, tudo sempre termina bem. Enfim, é um livro para inspirar bons sentimentos. 

É uma história simpática, simples e sem nenhum acontecimento fantástico.



Eu sei exatamente quando o "bicho" da leitura me pegou. Tinha nove anos e fui  com minha avó passar alguns dias na praia na casa de uma prima da mesma idade. Passávamos as manhãs na praia com nossa avó e, à noite, antes dormir, cada uma de nós lia um trecho de um livro infantil deitada sobre um beliche. Uma lia Os Colegas e a outra A fada que tinha ideias. O dia de ir embora foi se aproximando e eu percebi, angustiada, que não saberia o final das histórias, então terminei de lê-las sozinha. Chorei muito com Os colegas e foi quando percebi como conseguia me envolver com um texto. A partir de então, desembestei a ler e não parei mais.

Hoje acho que estou velha para livros infantis. Há poucos que funcionam para os adultos, como exemplo, posso citar o clássico "O pequeno príncipe", que sempre será muito fofo. Mas acho que eles realmente produzem mais efeito quando são lidos na infância ou, vá lá, até o começo da adolescência. Guardo boas lembranças de Os colegas da Lygia Bojunga Nunes; A fada que tinha ideias, todo o Sítio do Pica-pau amarelo, do Lobato; Contos do Andersen e o Menino do dedo verde de Maurice Druon, todos lidos e relidos várias vezes.


7.10.10

Salada de batatas à puttanesca


Também da Canadian Living, já disse que adoro as receitas dessa revista, não é mesmo? Acho que ela segue um estilo de culinária moderno e bastante sintonizado com as preocupação nutricionais contemporâneas: pouca gordura e açúcar, ingredientes saudáveis, mas sem perda de sabor. Foram raras as receitas que testei e de que não gostei. 

Esta salada de batatas é absolutamente deliciosa, uma festa de sabores, perfeita para ser servida em um churrasco, por exemplo. Como a maioria dos ingredientes contêm sal, nem é necessário acrescentá-lo aos temperos. Eu não uso anchova, costumo comprar um potinho de "sardinha anchovada" para economizar. A anchova é mais macia e saborosa, mas o efeito nesta receita é o mesmo.


Salada de batatas à puttanesca

1,4kg de batatinhas pequenas para salada cortadas ao meio ou em quartos se forem maiores
1/3 x (75ml) de azeite extra-virgem
1 x (250ml) de cebola picada
3 dentes de alho picados
1 c chá (5ml) pimenta calabresa
1/2 c chá (2ml) de orégano
4 filés de anchovas picados
1/2 x (125ml) tomates secos escorridos e picados
1/2 x (125ml) azeitonas picadas
3 c sopa (45ml) alcaparras escorridas e picadas
1/3 x (75ml) de vinagre de vinho branco
1/3 x (75ml) de salsinha picada

Coloque as batatas em uma panela com água fervente e cozinhe até que estejam macias quando espetadas com um garfo, cerca de 10 min. (Preste bastante atenção ao grau de cozimento, pois se cozinharem demais, elas vão se desmanchar). Escorra e coloque em uma tigela grande.

Enquanto isso, aqueça o óleo em uma frigideira e refogue a cebola até dourar, cerca de 8 min. Adicione o alho, a pimenta calabresa, o orégano e as anchovas. Cozinhe mexendo sempre até que o alho fique dourado. Adicione os tomates secos, as azeitonas e as alcaparras, cozinhe por 1 min. Adicione o vinagre e espere que tudo volte a se aquecer. Misture para soltar o que estiver grudado no fundo. Derrame essa mistura sobre as batatas. Adicione a salsinha, misture para envolver bem as batatas no tempero e deixe descansar por 2 horas ou cubra e deixe na geladeira por até 24 hs.

30.9.10

Somos todos habitantes da Terra - Agnes Chan



Este livro era parte do meu "dever de casa", foi emprestado por minha professora de japonês. Ela sempre diz que preciso ler para aumentar o vocabulário e me acostumar com as expressões novas. É o tipo de livro autobiográfico com um quê de autoajuda. Ele é voltado para os adolescentes e, talvez pela língua materna da autora não ser o japonês, achei o texto bem fácil de ler.

A autora se chama Agnes Chan, ela nasceu em Hong Kong em 1955, virou cantora ainda na adolescência e seguiu carreira no Japão. No livro, ela conta alguns episódios de sua vida e as lições que aprendeu com outras pessoas. Ela começa descrevendo uma vila chinesa onde foi atuar em um filme sobre Marco Polo e expressa seu choque com a pobreza do lugar, no entanto, a alegria e a hospitalidade dos habitantes fazem com que ela deixe de ver apenas esse aspecto negativo. Em seguida, ela vai  até a Etiópia para participar de uma campanha de ajuda humanitária, entrevista o Papa, estuda no Canadá... O livro segue assim, a história de uma garota que começa a ver o mundo com mais cores além da cor-de-rosa e escreve suas reflexões.

As partes de que mais gostei foram aquelas mais pessoais, quando ela conta como passou a ser ignorada por suas amigas quando iniciou a sua carreira de cantora e ficava a maior parte do tempo estudando sozinha na hora dos intervalos. (Crianças conseguem ser muito cruéis quando querem). Uma coisa que chamou a minha atenção foi o fato de ela estudar em escolas de elite em Hong Kong, onde estudavam filhos de diplomatas e estrangeiros, isso parece ter sido uma prática muito comum nos anos 70,  pais faziam grandes sacrifícios pela educação dos filhos. O irmão de Alex Law, no filme que comentei aqui, também estudava em um colégio assim, e o pai dele tinha uma pequena sapataria de bairro. Não sei se essa prática ainda é comum por lá.

Também gostei do trecho em que a Agnes descreve o nascimento do primeiro filho, suas dúvidas, inseguranças e, algo que nunca ouvi ninguém dizer antes, que quando recebeu o bebê logo após o parto, ainda sujo de sangue, teve vontade de lambê-lo até deixá-lo limpo. Algo bem animal, instintivo. Sempre tive vontade de perguntar para uma mãe se não sentiu vontade de fazer algo parecido, mas tenho medo de ser mal-intrepretada. (A minha mãe fez cesarianas, então, não é a mesma coisa). Fiquei pensando se é assim mesmo, ainda tenho minhas reservas em relação à maternidade, mas quando tenho "vislumbres" dela por meio de relatos de outras pessoas, sei que é uma experiência única.

Agnes Chan teve uma vida bastante interessante, virou cantora cedo, atuou e, quando teve vontade, foi estudar psicologia infantil no Canadá, voltou para o Japão, casou, teve três filhos, conseguiu conciliar carreira com família, cantou, atuou, escreveu livros, fez doutorado nos EUA e ainda virou embaixadora da Unicef. Não é pouco para uma mulher em uma sociedade machista como a japonesa nos anos 70/80.


Para quem tiver curiosidade, aqui está uma canção interpretada por Agnes Chan no começo da carreira (vozinha e estilo de menina bem comportada):


29.9.10

Escondidinho de carne com couve-flor


Uma daquelas receitas inventadas em um momento de inspiração e com um resultado muito bom, o mérito é todo da Verena. Eu fiz várias alteraçõezinhas: temperei a carne com um pouco de curry, não usei molho barbecue, nem tomate. Adicionei um resto de creme de leite ao purê de couve-flor, não usei o bacon e polvilhei só um pouco de parmesão. Também não coloquei a carne entre camadas de purê, espalhei -a no refratário e cobri com todo o purê.

Variações possíveis: reforgar a carne com vários outros temperos e ingredientes e fazer um purê de couve-flor usando uma base de molho branco, ou só misturando um pouco de creme de leite e um pingo de leite, ou usar requeijão ou cream cheese, etc.

Como a Verena, eu preferi apenas desmanchar a couve-flor cozida deixando o purê mais "pedaçudo", mas você pode bater tudo no processador para ficar mais homogêneo se quiser.




Escondidinho de carne moída com purê de couve-flor

(Publico como está no blog da Verena, minhas alterações estão no comentário acima)

Purê de couve-flor

Cozinhe metade de uma couve-flor grande (ou uma média) no vapor até ficar macia mas não molenga.  Retire da vaporeira (ou da água se cozinhar por imersão) e coloque numa tigela. Com as pás da batedeira faça um purê, ou use espremedor de batatas, ou pique na faca mesmo.

Coloque o purê numa panela, leve ao fogo médio/baixo, junte um pouco de manteiga (uma colher de sopa cheia) e sal. Acrescente um pouco de leite e misture para que fique homogêneo.  Caso goste, pode acrescentar pimenta do reino.  

À parte doure duas colheres (de sopa) de bacon picado com um pouco de azeite. Deixe ficar crocante. Misture no purê. Reserve.

Carne moída: 

Numa panela doure uma cebola pequena picadinha e dois dentes de alho espremidos com um pouco de azeite. Coloque 250g de carne moída (patinho, acém, paleta…) e deixe dourar bem no fogo médio.  Quando a carne estiver bem bronzeada corrija o sal e acrescente um tomate cru picadinho (sem sementes).  Deixe pegar gosto e por último coloque cheiro verde picadinho. Eu gosto de usar uma colherinha (de café) de molho barbecue para dar um gostinho, mas isso é gosto daqui de casa. 

Montagem do prato: unte um refratário com manteiga e depois farinha de rosca. Coloque uma camada de purê de couve-flor e a carne moída. Cubra com o restante do purê e por último coloque 1/4 xícara de queijo muçarela e 1/4 xícara de queijo gruyére. Ou o queijo que lhe agradar mais, lembre-se apenas que deve derreter fácil. Polvilhe orégano.
 
Leve para gratinar e sirva com salada verde e arroz.

27.9.10

Salada de trigo em grão com pimentão e cenoura


Receita da Ina Garten. É uma forma diferente de preparar uma salada de trigo em grão. Eu geralmente cozinho os grãos e misturo com o que estiver na geladeira: tomates, queijo branco, nozes, cenouras, etc., e tempero como uma salada normal, mas gostei muito desta versão. As cebolas refogadas, o pimentão vermelho, a cenoura e o vinagre balsâmico dão um toque adocicado muito agradável à salada. Sem falar que o efeito visual é muito bonito.



Salada de trigo em grão com pimentão e cenoura

1 x de trigo em grão
sal e pimenta do reino a gosto
1 cebola roxa picada (usei a cebola branca mesmo)
6 c sopa de azeite de boa qualidade
2 c sopa de vinagre balsâmico
3 cebolinhas picadas 
1/2 pimentão vermelho picado (eu apenas fatiei)
1 cenoura ralada

Deixe o trigo de molho de véspera e cozinhe até que os grãos fiquem macios (siga as instruções da embalagem). Escorra e reserve.

Refogue a cebola em 2 c sopa de azeite até que fique transparente, cerca de 5 min. Desligue o fogo e adicione as 4 c sopa de azeite restantes e o vinagre balsâmico.

Misture o trigo, a cebola refogada, a cebolinha, o pimentão, a cenoura e tempere com sal e pimenta do reino a gosto. Deixe a salada descansar por cerca de 30 min para que o trigo absorva os temperos. Sirva à temperatura ambiente.


24.9.10

Pollo borracho (revisited)


Uma de minhas receitas de frango preferidas. Frango bêbado, do blog da Val. Desta vez, usei 1/2 x de conhaque e completei o resto com água, pois a tequila, ingrediente original, está pela hora da morte e nem todo mundo tem uma garrafa dando sopa por aí. Ficou igualmente bom.



23.9.10

Partidas, encontros e desencontros


Muita gente falou muito bem do filme japonês A Partida e finalmente consegui assistir à gravação com o O.

Falar o quê? O filme é muito bom, levou o Oscar de melhor filme estrangeiro e mereceu. Ele conta a história de um homem que volta para sua cidade natal no interior do Japão e começa a trabalhar para uma empresa que realiza um tipo de preparação dos cadávares antes da cremação. É um ritual muito bonito que eu desconhecia.

Filme sensível, bom de se ver.



O curioso caso de Benjamin Button também já passou na tv várias vezes, mas só agora eu assisti. A história de alguém que "envelhece ao contrário". Também ganhador de vários prêmios. Uma novidade foi saber que a história é baseada em um conto do Scott Fitzgerald, isso eu ignorava completamente.

Bom para uma tarde preguiçosa, o final começa a se alongar um pouco. Fiquei com a sensação de ser meio no estilo de Forrest Gump ou O homem bicentenário. História longa, morte de pessoas queridas, encontros e desencontros do par romântico, lições de vida, etc. Velha fórmula do bolo infalível.


22.9.10

Clafoutis de peras e mel


Estou virando a "louca do mel", tenho utilizado muito este ingrediente nos últimos tempos. 

Clafoutis é uma sobremesa que consiste basicamente  em uma porção de alguma fruta à qual se adiciona uma massa mais líquida feita com farinha, leite e ovos. É outra daquelas sobremesas indecisas, fica entre um bolo e um pudim. O ideal é comer o clafoutis ainda quente/morno, pois se ele esfriar ou ficar na geladeira, a massa endurece e já não é mais tão interessante.

Outra receita de minha atual paixão, a Canadian Living, , achei leve, com sabor agradável. Minhas peras é que não colaboraram muito, de sete, quatro estavam estragadas, com interior duro e escurecido. Acabei completando a quantidade com uma maçã. A receita original pede "maple syrup",  mas substitui por mel e achei que ficou ótimo, ele deu um perfume e um sabor especiais à massa.



Clafoutis de peras e mel

4 peras firmes (mas não duras)
2 c sopa de suco de limão
2/3 x de farinha
1/2 x de açúcar
1 1/2 x de leite
4 ovos
3 c sopa de mel
1 c chá de essência de baunilha
2 c sopa de manteiga c/ sal (ou sem sal + uma pitada de sal) em cubinhos
1 c chá de açúcar de confeiteiro (não usei)

Descasque e retire as sementes das peras. Corte em fatias e misture com o suco de limão. Distribua em um refratário com capacidade para cerca de 2 litros e reserve.

Em uma tigela, misture o açúcar com a farinha. Bata o leite, ovos, mel e baunilha em outro recipiente e depois adicione à mistura de farinha. Mexa até que fique bem homogêneo. (Demorou um pouco para que as gruminhos de farinha se desfizessem e pensei em usar o liquidificador em certo momento, talvez faça isso na próxima vez). Derrame a mistura sobre as peras, distribua os pedaços de manteiga por cima e leve para assar à 190C, até que as peras fiquem macias e o creme cresça e doure, cerca de 45 min.

Para finalizar, polvilhe a açúcar de confeiteiro e use a função  "broiler" do forno para dar uma caramelizada na superfície do clafoutis. (Não fiz isso porque o broiler do meu forno é absolutamente inútil, acho que um maçarico de cozinha faria um serviço mais decente.

Deixe esfriar por cerca de 15 min antes de servir. É normal que o clafoutis murche depois de retirado do forno.

13.9.10

Cenouras assadas com mel


Mesmo princípio do preparo da batata-doce (abóbora também é outra opção): lavar algumas cenouras, (descascar se quiser), cortar no sentido do comprimento, colocar em um refrátario, adicionar um fio de óleo ou azeite, uma pitada de sal, pimenta do reino, mexer para distribuir os temperos e assar até que  as cenouras fiquem macias. A Ana coloca um pouco de mel um pouco antes de terminar de assar, eu já coloco depois de retirar do forno. Não sei  se faz  diferença, mas colocando o mel no final, ainda é possível retirar um pouco das cenouras para quem não gosta de sabores adocicados (o que acho um pecado!).