15.7.10

Pera assada que virou torta. Ou de como nada se perde, tudo se transforma

1) Cobri metades de três peras sem sementes com uma mistura feita com aveia, mel, nozes picadas, passas e canela. Coloquei-as em um refratário com um pouco de suco de laranja no fundo (pode ser  suco de maçã ou mesmo vinho) e assei por cerca de 30-40 min. (Nota: lembrar de cortar uma fatia da parte debaixo de cada metade de pera para ter uma "base" para mantê-las na horizontal dentro do refratário).

2) A sobremesa acima não fez muito sucesso, então, no dia seguinte, preparei uma massa grosseira  quase sem medidas usando um ovo, farinha integral+normal, manteiga+óleo de canola, açúcar demerara e fermento. Espalhei a massa em uma forma e cobri com as peras assadas cortadas em pedaços + a cobertura de aveia como se fosse uma "farofa". Levei ao forno e esperei a massar assar. Até que a torta ficou boa!

11.7.10

As finalidades da vida - Keith Thomas


Gosto muito de livros de história e fazia algum tempo que não lia algo sobre o período moderno (que vai do século XVI até o XVIII) minha área de pesquisa em outra encarnação.
Keith Thomas é considerado uma grande autoridade em história da Inglaterra, mas não foi por isso que li seu livro, foi pelo assunto, afinal, ele vem bem a calhar para alguém que não sabe muito bem qual a sua vocação nesta vida. Infelizmente, já aviso que o livro não dá uma resposta. Ele se limita a repetir que "o que fazer com a minha vida?" e "a que dedicar minha existência?" são questões constantes do ser humano. 

O livro é dividido em grandes temas/capítulos, tais como: proeza militar, trabalho e vocação, riqueza e posses, honra e reputação, amizade e sociabilidade, fama e imortalidade. O autor faz uma grande compilação de textos e autores do período e reúne uma série de documentos para nos dar uma ideia do grau de importância que as pessoas atribuem a cada um desses temas no período moderno na Grã-Bretanha. 

O que é fácil notar é que valores mudam com o passar dos séculos, o que é considerado essencial no século XVI já deixa de ser visto da mesma forma no século XVIII, por exemplo, no início, morrer para salvar a reputação ou para vingar a honra era algo considerado essencial, no entanto, em meados do século XVIII, essa ideia deixa de ter força e, para muitos, duelos são vistos como algo bárbaro.

A amizade e a sociabilidade, por sua vez, deixam de ser associadas à ideia de se ter um "patrão", um "benfeitor", como ocorria quando os nobres e pessoas abastadas tinham uma série de "protegidos" em seu círculo de relacionamentos, para ser ligadas às noções de amizade e de sociabilidade tais como as conhecemos hoje: como o encontro de pessoas com interesses comuns que apreciam umas às outras pelo o que elas são e não pelas vantagens que possam proporcionar. A relação deixa de ser vertical para ser horizontal.

A forma como as pessoas consideram fama e imortalidade também muda na medida em que as pessoas passam a considerar a existência como sendo o momento presente, e não uma vida de gozos no além do qual ninguém pode dar testemunhos. São todas mudanças sutis que alteram os pesos e as medidas do que cada um considera importante em sua vida.

E como encontramos o nosso espécime britânico no final do século XVIII?  Podemos dizer que seus valores não são muito diferentes dos nossos, homens pós-modernos. Não é possível dar um valor absoluto às riquezas, reputação, fama, etc., a vida pode ser apreciada por si mesma sem que seja necessário perseguir um objetivo  único que lhe dê sentido. Amigos, família, o respeito dos outros e o orgulho de um trabalho benfeito estão facilmente ao alcance de qualquer um. É isso que é preciso ter em mente. 

7.7.10

Na escuridão...

 

Acabei terminando a coletânea de 13 contos policiais (?) em japonês mais rápido do que imaginava. Fiquei contente em poder devolver o livro para minha professora antes das férias, não gosto de ficar com as coisas dos outros por muito tempo.

O livro é publicado periodicamente por uma associação de autores de histórias policiais, divertido, não?  Ele reúne os melhores contos do ano, esse era meio antigo, de 1980, e não sei se a associação continua com essa prática. 

Não sou lá muito fã de livros desse gênero, a única coisa parecida que li foi O homem do terno marrom da Agatha Christie que um amigo me emprestou no colegial. Achei ok na época e minha opinião ainda não mudou. O bom de ter lido esses contos em japonês é que eles são mais fáceis de entender, afinal,  tratam de fatos, acontecimentos concretos, e não têm imagens poéticas ou dramas internos, assuntos mais complicados para quem ainda não domina uma língua.

Sobre os contos, gostei de O espírito, sobre um morto que não conseguiria descansar em paz  até descobrir quem o matou e qual foi o motivo de seu assassinato. Outros me impressionaram bastante por seu lado sinistro. O título da coletânea é sugestivo - "Você na escuridão" -, mas achei algumas histórias realmente pesadas. Por exemplo, o conto de um cientista que desenvolve um método de transmitir os conhecimentos adquiridos de um morto para uma pessoa viva. Um pai  pede que ele use o procedimento no filho adulto que tem problemas mentais e se comporta como uma criança. O cientista concorda e injeta o líquido cerebral de um gênio da astrofísica no rapaz e, em pouco tempo, ele também se transforma em um gênio, mas o que o pai e o cientista não sabiam era que o morto era uma maníaco que violentava e matava mulheres, característica que é transmitida ao rapaz. O conto termina com o filho violentando e matando a própria mãe e com o pai matando o filho para tentar salvar a mulher.

Outro que chamou minha atenção, e tinha lá seu lado "cômico", foi o de  um grupo de ladras composto por oito donas de casa que se faziam passar por membros da associação de pais e mestres de uma escola e assaltavam casas de pessoas ricas. Elas roubavam apenas coisas que não dessem muito na vista como alimentos e roupas. Antes de ir embora, elas matavam as "madames" e suas empregadas para não deixar testemunhas. 

Um conto que me deu um medinho foi o de um abajur mal-assombrado. Um fantasma aparecia todas as vezes em que um casal fazia sexo com ele aceso. O abajur fora dado de presente por um senhor que matara a esposa e o amante dela e o fantasma na verdade era a última imagem vista pela mulher: o rosto do marido que a estrangulava. Quase todos os contos são sobre assassinatos cometidos por amantes ou esposos e, como é possível notar, os japoneses gostam de incorparar um toque sobrenatural às narrativas.

Lendo a coletânea, uma suspeita despertada quando li contos do Ryonosuke Akutagawa e do Kenzaburo Oe foi reforçada, a de que há um lado sombrio na psique japonesa que se não se expressa no cotidiano, encontra uma válvula de escape na literatura (e em mangás, animes...). Qual sua origem, não sei dizer.



3.7.10

Dentro do ônibus VI



Andar de ônibus é meu momento de meditação, ou melhor, de inquietação. Observar as casas,  os postes e as pessoas através da janela, a presença dos outros passageiros, toda essa familiaridade desperta meu desejo de outros ares: praias caribenhas, mercados de peixe em Zanzibar, ruelas napolitanas. Mas aí me lembro do que escreveu sabiamente Mario Quintana:  

"E quando, morto de mesmice, te vier a nostalgia de climas e costumes exóticos, de jornais impressos em misteriosos caracteres, de curiosas beberagens, de roupas de estranho corte e colorido, lembra-te que para alguém nós somos os antípodas: um remoto, inacreditável povo do outro lado do mundo, quase do outro lado da vida - uma gente de se ficar olhando, olhando, pasmado... Nós, os antípodas, somos assim." (Do inédito, in: Sapato florido).

E suspiro, porque parece mais simples deslocar meu corpo do que mudar a forma como veem meus olhos.



30.6.10

Bolo de coco


Receita da Noêmia Martins, deliciosa! Este tipo de bolo gelado de coco ou com abacaxi é meu favorito. Eles são simples, úmidos e irresistíveis. Acho que todo mundo já comeu ao menos um pedaço deste bolo nas festinhas da escola, embrulhadinho no papel alumínio e sempre disputadíssimo.




Bolo de coco

4 ovos
2 copos (250ml) de açúcar (o meu copo era de 200ml, reduzi a quantidade para 1 copo e 1/4)
2 copos (250ml) farinha de trigo 
1 c sopa rasa de fermento em pó
1 copo de leite fervente

Bata as claras em neve, junte as gemas uma a uma. Adicione o açúcar e bata até formar bolhas. Adicione a farinha de trigo, o fermento e o leite, intercalando este com a farinha.
Coloque em uma assaderia grande, untada e enfarinhada. Asse em forno pré-aquecido à 180C por 40 min, ou até que fazendo o teste do palito, este saia limpo.

Calda:
1 lata de leite condensado
1 lata de leite
1 vidro (200ml) de leite de coco

Misture todos os ingredientes muito bem. Assim que o bolo sair do forno, corte-o em quadrados e regue com toda a calda. Polvilhe com 150g de coco ralado (usei um pcte de 100g).
Deixe na geladeira de um dia para o outro. O bolo deve ser servido bem frio.


22.6.10

Dentro do ônibus V



Não há nada mais melancólico do que um dia nublado dentro de um ônibus. Minto, finais de tarde e noites dentro de ônibus também são melancólicos, especialmente se estiver um pouco frio e os vidros estiverem embaçados. A cidade lá fora parece mais hostil, as pessoas parecem mais absorvidas em si mesmas em dias assim. Não que a sensação seja desagradável, faz parte da natureza das coisas. Acho que às vezes eu sofro de um ônibus blues.


18.6.10

Sardinhas fritas com cebolas caramelizadas e passas


 

Vizinhos barulhentos, sacos plásticos difíceis de abrir, sacos de lixo que furam, gás que acaba em  momentos cruciais e frituras são algumas das coisas mais destestáveis do mundo. Por essa razão, raramente frito sardinhas em casa, ela fica empesteada com o odor de peixe frito. Se um dia eu tiver a chance de construir minha cozinha ideal, eu preferiria que ela ficasse em um cômodo separado da casa, ou em uma parte da casa com um pé direito mais alto e um tipo de claraboia lá no alto para ventilação. Vi casas assim algumas vezes na televisão e achei as ideias geniais. Em um futuro imediato,  penso em comprar um  pequeno braseiro para grelhar minhas sardinhas e outros peixes do lado de fora, como os portugueses costumam fazer. Isso talvez perturbe os cães dos vizinhos, mas já quebraria meu galho.

Enfim, como parece ser impossível comer sardinhas fritas fora de casa, de vez em quando eu acabo me resignando e frito uma porção. Desta vez elas foram acompanhadas por uma espécie de "molho" de cebolas caramelizadas ligeiramente agridoces e apimentadas. A idéia foi inspirada em uma receita do David Lebovitz (autor de um de meus blogs preferidos), na receita original, as sardinhas são servidas frias, mas como preferi consumi-las quentes, reduzi a quantidade de vinagre e não adicionei o vinho branco. Outra alteração que fiz foi em relação ao tempero, eu temperei as sardinhas com sal, pimenta e suco de limão e depois passei pela farinha.

Ficaram ótimas! Passo a receita original com minhas alterações entre parênteses.

Sardinhas fritas com cebolas caramelizadas e passas

óleo para fritar
1/4 x (35g) de farinha
3/4 c chá de sal + um pouco para temperar a farinha
pimenta do reino
450g de sardinhas limpas e sem espinhas
450g de cebolas brancas ou roxas, descascadas, cortadas ao meio e fatiadas
2 c sopa de azeite
1 c sopa de açúcar
uma pitada generosa de pimenta calabresa
1/3 x de pinolis (não usei)
1/2 x (125ml) de vinagre de vinho branco
1/3 x (80ml) de vinho branco (não usei)
2 folhas de louro
1/4 x (35g) de passas claras

Aqueça o óleo em uma frigideira antiaderente, o suficiente para ter cerca de 1cm de profundidade.

Enquanto o óleo esquenta, coloque a farinha em um prato e tempere-a com sal e pimenta. (Eu temperei as sardinhas com sal, pimenta e suco de limão ao invés de usar a farinha temperada). Empane as sardinhas do dois lados, retire o excesso de farinha com batidinhas leves e frite uma quantidade pequena de cada vez. Comece pelo lado sem pele, deixe dourar um pouco, vire e frite o lado com pele. Retire e coloque sobre papel toalha para absorver o excesso de gordura. Repita o processo com as sardinhas restantes.

Depois de fritar todas as sardinhas, retire o excesso de óleo da frigideira, reduza a temperatura do fogo e adicione cebolas, azeite, sal, açúcar e pimenta calabresa. Cozinhe, mexendo de vez em quando, até que as cebolas murchem e fiquem bem macias. Cerca de 20-30 min. (Cuidado! Eu quase queimei as minhas).
Enquanto a cebola cozinha, toste os pinolis no forno à 160C por cerca de 6 min, mexendo com frequência para que não torrem.

Depois que as cebolas estiverem cozidas, adicione vinagre, vinho, folhas de louro, passas e pinolis. Retire do fogo e deixe esfriar.

Faça camadas de sardinhas e cebolas em uma travessa, terminando com uma camada de cebolas. Derrame a marinada que sobrou sobre o peixe, cubra com filme plástico e deixe na geladeira.

O David sugere que as sardinhas sejam acompanhas por um pão rústico besuntadas com uma boa manteiga. Como se fossem "bruschettas" ou "tapas". Elas podem ser conservadas na geladeira por até dois dias, mas são melhores servidas à temperatura ambiente.


15.6.10

Mukoda Kuniko - Jogo da memória

Este foi o livro que minha professora de japonês me emprestou. Ela chegou à conclusão de que a melhor forma de melhorar meu vocabulário na língua era lendo. Essa sempre foi minha crença e aprendi muito do meu inglês e francês lendo romances. Eu entendo a idéia geral dos textos em japonês, mas confesso que ainda estou longe de ter um grande domínio da língua e de captar todas as sutilezas de um texto literário. Tampouco consegui me livrar do dicionário, pois cada frase contém vários kanjis (ideogramas) desconhecidos. Como os kanjis usados para representar algumas palavras mudaram de alguns anos para cá devido a reformas ortográficas, a tarefa é ainda mais exaustiva. Entretanto, gostei de ler os contos da Mukoda Kuniko (ou Kuniko Mukoda, como se diria à maneira ocidental).

Também é o meu primeiro contato com uma autora japonesa. Conhecia apenas a Banana Yoshimoto (seu verdadeiro nome é Mahoko Yoshimoto, os japoneses parecem ter uma fixação pelas frutas tropicais, outro dia vi uma garota chamada "Papaya" na TV), mas nunca li nada dela. No futuro, pretendo ler Kitchen, seu primeiro livro.

Voltando a Kuniko Mukoda, o livro é composto de contos curtos, cujo assunto principal é o relacionamento familiar. Admiro muito a forma como os escritores japoneses conseguem ser quase pintores quando descrevem uma cena, e a Kuniko Mukoda não é diferente. O material básico de seus textos são assuntos bem triviais. Ela transforma o cotidiano em uma descoberta constante.

Tudo começa com um incidente qualquer que faz com que o protagonista se lembre de um evento do passado. Um marido compara a mulher com as lontras que ele viu quando era mais jovem, um marido observa a filha acenar de uma janela e se lembra da mãe que tivera um caso com um empregado de seu pai, uma mulher grávida observa um homem adormecido dentro de um trem e se dá conta de que foi ele quem construi a casa de seu cão há vários anos.

Coisas simples e também grostecas. Como a mãe que se orgulha de ter aprendido a afiar e a usar perfeitamente uma faca e acaba cortando um pedaço do dedo do filho enquanto fatiava um presunto e passa a não suportar mais a palavra "dedo". Em "Manhattan", um homem é abandonado pela esposa e se interessa pela hostess de um bar que dá o título do conto, uma mulher que ele compara a Olívia Palito. O texto começa assim:

"Depois que a mulher o deixou, Mutsuo aprendeu várias coisas. O pão endurece em três dias, o pão de forma embolora em uma semana e o pão francês se transforma num pedaço de pau dentro de um mês. Mesmo que o leite fique na geladeira, após uma semana ele se torna perigoso. Do interior da geladeira, surgiu um pacote de plástico com um líquido verde. Ele não se lembrava de ter comprado um sorvete verde. Depois de forçar a memória, lembrou-se de que aquilo era o pepino que Sugiko, sua esposa, havia guardado três meses atrás."

Mukoda lança a ponta de uma corda que o leitor vai puxando aos poucos para ver o que há no final. Há uma coletânea de contos traduzidos para o inglês à venda na Amazon, os mesmos que eu li. O título em japonês poderia ser traduzido como "Jogo da memória" ou "Baralho de memórias", não sei bem como um japonês traduziria, pois "Toranpu" pode se referir tanto às cartas propriamente ditas quanto ao ato de jogar cartas.

Minha professora me disse que Kuniko Mukoda vivia sozinha e costumava deixar a casa sempre arrumada porque não queria que ninguém visse tudo bagunçado caso algo ruim acontecesse em suas viagens. E ela morreu num acidente de avião em 1981, aos 51 anos.

(Já estou lendo um segundo livro em japonês, uma coletânea de contos policiais/mistério, minha professora anda entusiasmada, mas esse eu vou demorar para ler.  No momento,  o livro que eu estou morrendo de vontade de devorar é 1Q84, a última obra do Haruki Murakami que saiu no Japão em três (TRÊS!) volumes, o último foi publicado em abril. Não sei quando sai a tradução para o inglês, mas não tenho coragem de pagar 50 dólares só de frete na Amazon japonesa, haja paciência! Murakami no original, isso sim seria o máximo!).


13.6.10

Dentro do ônibus IV

Quantas horas em ônibus! Fico estupefata quando penso no  tempo que levava em idas e  vindas do colégio e, depois, da faculdade. Levantava de madrugada, acordava minha mãe para ela abrir e fechar o portão quando tudo ainda estava escuro, às vezes a única coisa que via eram os círuculos brancos ao redor das  lâmpadas iluminando a neblina na rua.

A rua vazia, o ponto vazio que se povoava aos poucos. Eu tinha um pouco de medo,  mas não tinha opção,  vida proletária é assim. Ônibus cheio, o vapor se condensava nas janelas fechadas. "Um passo para trás!", gritava o cobrador. Felizmente, a volta era mais tranquila.

De vez em quando ainda tomava o ônibus até a cidade vizinha mais uma vez para encontrar os amigos, ir ao cinema, ao teatro, ou para jogar conversa fora em especulações sobre a vida, sobre nossos futuros brilhantes.

Ao contrário da manhã, o ônibus quase sempre estava vazio. Ele atravessava a noite pontilhada pelas luzes de algumas casas. Descia na cidade também despovoada e caminhava pelas ruas com passos apertados. Não sei como tinha coragem. À noite, a cidade era a carcaça vazia de algum animal.

Tantas horas, tantas...

 

10.6.10

Bacalhau com natas

Estou tentando aumentar meu repertório de receitas com bacalhau. Esta receita é uma adaptação  daquela que vi no blog da Nô (ainda vou experimentar várias receitas de lá!).

Bacalhau é um prato que ainda estou aprendendo a preparar direito. Demorei horrores até aprender a dessalgá-lo. Ainda estou aprendendo, mas atualmente acho que tudo é uma questão de paciência, não adianta comprar um pedaço grosso e querer servi-lo no dia seguinte. Da última vez eu cortei o lombo que o O. comprou em postas e deixei de molho na geladeira por cerca de seis dias, trocando a água regularmente. (Se as postas forem finas, o tempo de molho pode ser reduzido). Depois coloquei tudo em uma panela com água fervente, desliguei o fogo e deixei tampado até atingir uma temperatura que me permitisse manusear as postas para retirar as espinhas e a pele. Ficou perfeito.

Nesta receita, não fritei a babata, eu a temperei com sal e pimenta, coloquei um pouco de azeite, misturei bem e assei até que ficasse macia.

Gostei muito do prato.



Bacalhau com natas


600g de batatas descascadas e cortadas em pequenos cubos e temperadas a gosto (usei só sal e pimenta)
2 lombos de bacalhau dessalgados, cozidos, sem pele e sem espinhas, em lascas
2 cebolas fatiadas
4 dentes de alhos cortados em lâminas
4 c sopa de azeite
salsinha
sal e pimenta a gosto

Frite as batatas em óleo até que fiquem clarinhas e firmes. (Eu assei, leia o comentário acima). Coloque para escorrer em papel absorvente. Forre o fundo de um refratário com as batatas já sequinhas. Sobre elas, coloque as lascas do bacalhau cozido. Reserve.

Em uma frigideira, coloque o azeite, o alho e a cebola e refogue até que a cebola fique transparente. Tempere com sal, pimenta e salsinha picada. Arrume as cebolas e o alho sobre as lascas de bacalhau e regue com o azeite da frigideira. Reserve.


Prepare o molho de natas

2 c sopa de manteiga
2 c sopa de farinha de trigo
500ml de leite (mais ou menos)
sal
pimenta
noz-moscada
200ml de creme de leite
2 c sopa de queijo ralado

Numa panela, derreta a manteiga. Junte a farinha e misture até começar a cozinhar. Adicione leite aos poucos, mexendo sempre até obter um creme homogêneo. Tempere com sal, pimenta e noz-moscada. Junte o creme de leite e o queijo ralado. Cozinhe até obter um molho consistente. Corrija o sal, se necessário. Coloque o molho sobre a camada de cebola e alho. Reserve.

Polvilhe o molho com uma farofa feita com 1 c sopa de farinha de rosca, 3 c sopa de queijo ralado e 1/2 c chá de páprica. Leve ao forno para gratinar.