1.9.16

Tchau agosto

Agosto foi um mês chato. Várias coisas quebraram, queimaram, deixaram de funcionar, o ralo do chuveiro entupiu, o chuveiro queimou, O. teve que fazer dois canais nos dentes e, para completar, descobrimos que a água do poço artesiano aqui do condomínio tem um alto teor de flúor, muito maior do que o recomendado para consumo. Estávamos cansados dos garrafões e usávamos um desses filtros que ficam ligados na tomada, mas eles não retêm flúor. Enfim, estivemos nos contaminando com essa substância por alguns anos. Parece que o flúor faz mal para os ossos, dentes e pode causar Alzheimer. Voltamos para os garrafões e, até que os filtros de osmose reversa fiquem mais palatáveis para o bolso e mais simples de instalar, continuaremos carregando 20l de um lado para o outro. De qualquer forma, acho que atualmente é muito difícil fugir de substâncias que possam ser nocivas para nosso organismo, entramos em contato com elas a todo momento. Evito o que é possível e procuro não me estressar.

A horta vai indo. Temos mandioca, batata-doce, alguns tomates de vez em quando, algumas flores de brócolis. Comemos todos os pés de alface e plantei mais alguns, as berinjelas parecem infinitas, as cenouras devem acabar logo. Plantei rúcula e rabanete.  

Gosto de setembro, há brotos novos, flores, espero que seja um mês mais tranquilo.


 
 
 
 

2.8.16

Horta, etc. - agosto


Andei ocupada com várias pequenas atividades em casa. Realmente não entendo quem diz que não gosta de ficar em casa por não ter nada para fazer. Há sempre muito a ser feito. Trocamos o portão e, como ele seria mais alto do que anterior, um pedreiro completou o que faltava nas colunas e eu fiz o acabamento, removi a trepadeira que as cobria, lavei, lixei, passei textura e pintei.

Arrumei uma pessoa para podar a sibipiruna que estava ficando enorme e ela retirou todos os galhos que vinham para o lado da casa ou estavam sobre os fios de telefone e eletricidade. Minha ideia era ser mais radical, queria que os galhos novos brotassem mais baixo, mas fui detida pelo O. Sei que não é muito feminino ser mais utilitarista do que romântica em relação à horta e ao jardim, mas prefiro ser prática. (Guardei alguns galhos para usar como lenha no próximo ano).

O cara que cortou os galhos era ótimo, sabia exatamente onde cada galho iria cair, mas bastou a pontinha de um para desprender um pouco os parafusos que seguram a fiação telefônica da parede. A culpa não é dele, pois a fiação já tinha caído uma vez em uma poda anterior feita por uma pessoa bem menos hábil e estava em situação precária.  Estou procurando alguém para resolver isso. Como suspendemos o telefone por 3 meses devido a roubos sucessivos de cabo telefônico na estrada, isso não é tão urgente.

Temos limpeza de calhas, caixa d`água e troca de telhas quebradas (sempre tem alguma) esta semana. Depois disso, esperamos estar preparados para a estação das chuvas no verão.


A florada de maracujá doce rendeu quatro maracujás. Espero provar sua polpa antes dos percevejos.
percevejos sobre o maracujá
As verduras nos canos não parecem ter se adaptado bem
A sibipiruna após a poda
lenha
flores de coentro, aguardo as sementes para usar como tempero
flores de brócolis começando a surgir
Tentando imaginar quando poderei colher a penca de banana nanica
nova no pedaço
flores de café
secando um punhado de grãos, espero obter algumas xícaras de café
A colheita de cúrcuma foi muito boa este ano, só não sei o que fazer com o excedente, acho que pouca gente a usa para cozinhar

Conto do escritor japonês Osamu Dazai traduzido por mim na revista eletrônica (n.t.) de junho.


5.7.16

Horta - Julho

Horta hoje. Cúrcuma, mandioca, berinjela, coentro, melissa, batata-doce, endro florindo, cenouras, alface, espinafre, cebolinha, salsinha. Não sou muito organizada e espalho as sementes onde encontro espaço.
Alface americana, não gostei muito dessa variedade, achei as folhas meio duras.
Os tomates nasceram do composto, não fiz mudas este ano.
jabuticabas
Fiz uma experiência, plantei alface e rúcula nos canos.


3.7.16

Leituras de junho


Duas últimas leituras de que gostei: A Life Beyond Boundaries: A Memoir, de Benedict Anderson, e Japanese Portraits: Pictures of Different People, de Donald Richie. 

Benedict Anderson foi professor do departamento de Estudos Asiáticos na Universidade de Cornell. No livro, ele narra basicamente a sua formação. Ele nasceu na China, passou parte da infância nos EUA e retornou para a Grã-Bretanha, pátria de seus pais, onde passou a adolescência e parte da juventude antes de retornar aos EUA para dar aulas no departamento de sociologia de Cornell. Depois disso, suas pesquisas levaram-no à Indonésia, Tailândia e Filipinas. Ele tem uma formação e erudição invejáveis, sempre curioso, ele critica a formação de "especialistas" e a compartimentalização das humanidades. Concordo com sua opinião, vi muitos estudantes e professores de filosofia que não liam romances, ou sociólogos que se restringiam a ler determinados autores, acho isso triste, apequenador.

Em Japanese Portraits, Donald Richie, estudioso da cultura japonesa, faz descrições curtas de suas interações com figuras anônimas e famosas como Yukio Mishima, Yasunari Kawabata e Yasujirô Ozu. São realmente pequenos retratos. Gostei tanto que pensei em traduzir, mas descobri que isso já foi feito

Tenho lido mais em japonês, contos, mas já separei alguns textos mais longos para continuar meu eterno aprendizado da língua. Também separei um romance em francês, uma cópia de La Vie de Marianne da época do meu doutorado que acabei deixando de lado, e A Bend in the River, de V. S. Naipaul. Há uma fila enorme de leitura!

No mais, acho que estamos com algum vazamento, outro. Na rede de água da casa desta vez. O relógio não para de girar se não fecho o registro. Preciso encontrar alguém para fazer a detecção e resolver isso em um futuro próximo. Na horta, é época de: cenouras, salsinha, coentro, gengibre, berinjela (ainda), mandioca e alface. O maracujá doce floriu. Faz anos que não como maracujá doce, espero que continue tão bom quanto era na minha infância.


28.6.16

Tarkovsky

Tinha um amigo de colégio muito querido que gostava de Solaris, um filme do diretor russo Andrei Tarkovsky, um tipo de ficção científica existencialista, por assim dizer. Passeávamos de braços dados pelo pátio e eu ouvia suas teorias e questionamentos sobre o filme. Foi assim que conheci o diretor. Assisti a uma antiga entrevista dele no youtube esses dias, a gravação é bem ruim, mas gostei:





Traduzi um trecho, não sei se é fiel, pois já foi traduzido uma vez do russo:


Entrevistadora: Você é feliz por ter nascido?
Tarkovsky: Feliz não é a palavra certa. Este mundo não é um lugar onde possamos ser felizes. Ele não foi criado para a felicidade humana; embora muitos acreditem que essa seja a razão de nossa existência. Acho que estamos aqui para lutar, para que Bem e Mal possam travar combate dentro de nós e o bem possa prevalecer; enriquecendo-nos, assim, espiritualmente. É difícil dizer se somos felizes ou não - não depende de nós. Há momentos em que nos arrependemos de ter nascido, mas a vida também nos dá coisas surpreendentes, isso é suficiente para que valha a pena viver. A questão da felicidade não existe para mim. Felicidade, como tal, não existe.


22.6.16

In Memoriam: Fan Ho (1931-2016)

Fan Ho é um fotógrafo que admiro muito. Luzes e sombras se revelam com maestria em suas fotos de Hong Kong, belas e nostálgicas.

 
 
 
 



19.6.16

Domingo


Comprei lã para minha mãe tricotar uma blusa para mim. Nunca mais vi blusas 100% lã, parece que não existem e, quando existem, são caríssimas. Minha mãe é ótima com as agulhas e resolvi explorá-la aproveitar, houve uma época em que todos nós vestíamos blusas tricotadas por ela e sei que duram. Até consigo fazer um cachecol, mas é tudo, perco pontos (e me perco muito). Será para o próximo ano, sem pressa.


 A horta continua fornecendo berinjelas. As cenouras estão começando a engrossar, os tomateiros que surgiram do composto dos minhocários estão com tomates verdes e o coentro finalmente resolveu dar as caras. Já tinha desanimado, semeei e semeei, não vi nada surgir durante meses, agora estão viçosos. Plantar tem disso, você semeia, espera, esquece, revira a terra, planta outra coisa e, de repente, a semente que julgava perdida germina. O cacho de banana continua bonito.


As trombetas do lado de fora estão em flor, as orquídeas também.
 
Por fim, um pouco de música:


Não sei por que, essa canção me comove: