4.12.06

Minha querida Sputnik - Haruki Murakami

É difícil não gostar do escritor japonês Haruki Murakami. É tão fácil gostar de seus personagens! São pessoas comuns, procurando compreender suas vidas e lidar com a solidão. Acho as histórias meio tristes. "Minha querida Sputnik" é triste. É sobre o amor platônico que Sumirê sente por Miu, uma mulher mais velha e misteriosa e sobre a paixão do narrador por Sumirê. Algumas das marcas registradas de Murakami surgem nesta obra: os gatos, mediadores entre a realidade e um outro mundo, as mulheres que desaparecem e as histórias que ocorrem em universos paralelos, como o mundo do outro lado do espelho de "Alice no País das Maravilhas".

É dificil não gostar de Murakami, suas obras deixam transparecer seu bom gosto musical, sua paixão pela Europa, seu interesse pela culinária e pelos bons vinhos, como não gostar dele?

Eis um trecho do livro:

“Então me ocorreu que, apesar de sermos companheiras de viagem maravilhosas, no fundo, não passávamos de duas massas solitárias de metal em suas próprias órbitas separadas. À distância, parecem belas estrelas cadentes, mas, na realidade, não passam de prisões, em que cada uma de nós está trancada, sozinha, indo a lugar nenhum. Quando as órbitas desses dois satélites se cruzam, acidentalmente, podemos estar juntas. Talvez, até mesmo, abrir nossos corações uma à outra. Mas só por um breve momento. No instante seguinte, estaremos na solidão absoluta. Até nos queimarmos completamente e nos tornarmos nada.”

P.S. Obrigada Miki!

29.11.06

Hermit in Paris - Italo Calvino

Italo Calvino nasceu em Havana, Cuba, filho de um pesquisador de agronomia e de uma pesquisadora de botânica, e cresceu em San Remo, na Italia, terra natal de seus pais. Os textos autobiográficos de Calvino repetem mais ou menos isso: eles contam como foi crescer em San Remo, falam sobre seu engajamento no partido comunista, sua luta contra o fascismo e sua entrada no mundo das letras. Apenas seu primeiro texto, sob a forma de cartas, é um pouco diferente, ele conta sua estadia em Nova York, patrocionada por uma bolsa da Fundação Ford.

Li o livro em inglês, mas ele já foi traduzido para o português pela Cia das Letras. Ele é feito de uma série de pequenos textos escritos por Calvino, quase pequenas notas. Minha opinião sobre o autor é um pouco ambígua, acho seu livro, "As cidades invisíveis", maravilhoso, de uma beleza onírica, mas nunca consegui continuar lendo suas outras obras após uma ou duas páginas. Deve ser minha falha. Mas se não gosto tanto assim do autor, por que li seus textos autobiográficos? Devo andar em uma fase em que acho as vidas das pessoas mais ricas do que as ficções, talvez até mais interessantes, porque são reais. Preciso de um pouco de realidade agora. Deve ser isso...

Esta é a resposta dada por Calvino ao New York Time Books Review quando lhe perguntaram qual personagem de um romance ou obra de não ficção ele desejaria ser:

"Eu gostaria de ser Mercúcio. Entre suas virtudes, admiro, acima de tudo, a sua leveza em um mundo cheio de brutalidade, sua imaginação sonhadora - como o poeta da Rainha Mab - e, ao mesmo tempo, sua sabedoria, como a voz da razão em meio ao ódio fanático dos Capuletos e Montagues. Ele se mantém fiel aos velhos códigos de cavalheirismo ao preço de sua vida talvez apenas em nome do estilo, mas ainda é um homem moderno, cético e irônico: um Dom Quixote que sabe muito bem o que são os sonhos e o que é a realidade, e vive ambos com os olhos abertos."

26.11.06

Hit parade dos sabores brasileiros

A Lara começou, as meninas (a Akemi e a Valentina) aderiram e eu também quis dar minha contribuição. Aqui está a lista do que considero tipicamente brasileiro (e de que gosto apesar de não comer com frequência):


1. Pastel de feira
2. Garapa
3. Água de coco
4. Carne seca com quibebe
5. Pão de queijo
6. Feijoada
7. Coxinha
8. Doce de leite
9. Quebra-queixo
10. Acarajé

(As coisas não estão exatamente na ordem de preferência, ok?)


25.11.06

Cookies de aveia e coco

Estes cookies são do Bakingsheet, eles ficam muito crocantes e bem gostosos. Eles se espalham muito enquanto assam, modelei os cookies como bolinhas e depois eu as achatei, tinha deixado um bom espaço entre eles, mas quase ficaram grudados uns nos outros. No dia seguinte eles pareciam menos crocantes e mais duros, mas ainda estavam muito bons!


Cookies de aveia e coco

2 x de farinha (usei 1 x de farinha normal + 1 x de farinha integral)
1 c chá de bicarbonato de soda
1/2 c chá de fermento
1/2 c chá de sal
1/2 c chá de canela
1/2 x (100g) de manteiga amolecida
1/2 c chá de extrato de baunilha
1 c sopa de leite
1 x bem cheia de açúcar mascavo ou demerara (foi o que usei)
1/2 x de açúcar refinado
2 ovos grandes
1 x de aveia
1 x de coco ralado

Preaqueça o forno a 180C.
Peneire a farinha, o bicarbonato, o fermento, sal e a canela em uma tigela média. Bata a manteiga e os dois tipos de açúcar em uma outra tigela até que fiquem bem homogêneos. Adicione a baunilha, o leite e os ovos até que fique leve, cerca de dois minutos. Adicione a mistura de farinha, a aveia e o coco ralado. (A minha massa ficou bem firme, deu para modelar com as mãos, talvez os ovos fosse pequenos ou a farinha integral tenha mudado sua consistência). Coloque colheradas da massa em uma assadeira forrada com papel manteiga ou alúmino. Asse por 11 min ou até que dourem. Deixe esfriar por alguns minutos antes de remover da assadeira.


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These cookies are from the Bakingsheet, they are very good. They spread a lot on the bakingsheet while baking. On the following day, they seemed harder and not so crisp but were still nice.

23.11.06

Creme de banana com leite de coco (Kue Talam Kepala)

Esta é uma receita de sobremesa indonésia que O me passou. Pelo o que pude observar, os países do sudeste asiático usam muito leite de coco em suas receitas. Foi a primeira vez que provei a combinação de leite de coco com bananas, é boa! O que achei mais curioso foi o uso do harussame (aquele macarrão transparente feito com uma espécie de feijão, foto abaixo). A receita leva pouco açúcar e um pouco de sal, tornando os sabores bem interessantes, algo meio doce-salgadinho. (Fiz metade da receita usando dois ovos, o que pode ter tornado o creme mais firme).


Creme de banana e leite de coco

3 ovos
400ml leite de coco light
5 c sopa de água
3 c sopa de açúcar
30g de harussame, colocados de molho em água morna por 5 min
4 bananas nanicas maduras, descascadas e picadas
1 c chá de sal

Bata os ovos, adicione o leite de coco, a áuga e o açúcar. Mexa para misturar bem. Coloque essa mistura em uma assadeira ou repiciente com capacidade para 500ml.
Escorra o harussame e corte em pedaços pequenos.
Adicione o harussame, as bananas e o sal à mistura de ovos e mexa.
Cubra a assadeira com papel alumínio e coloque em um panela para cozinhar no vapor por 1 hora. Se você não tiver uma panela própria para fazer isso. Faça como eu, cubra com a folha de alumínio e coloque tudo em uma assadeira grande com um dedo de água quente e asse à 180C por 45-60 min. Como se fizesse um pudim. O creme está pronto quando uma faca inserida no meio saía limpa.
Sirva quente ou fria com sorvete de creme ou frozen yogurt.



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This is an indonesian dessert recipe. Banana and coconut milk is quite a pleasant combination . The most curious thing though is the use of cellophane noodles (picture above) and the slightly salty flavour of the custard.


Steamed coconut custard

3 eggs
400ml reduced fat cocounut milk
5 tbsp water
3 tbsp sugar
30g cellophane noodles, soaked in warm water for 5 min
4 ripe bananas, peeled and chopped
1 tsp salt

In a medium bowl, beat eggs. Add coconut milk, water, and sugar. Stir to combine.

Pour egg mixure into a 2-quart casserole dish.
Drain cellophane noodles and chop into small pieces.
Add noodles, bananas and salt to the egg mixture and mix well.
Cover the casserole dish with aluminum foil and place in a steamer for about 1 hour. If you do not have a steamer, fill a large rectangular cake pan with 1/2 inch of water. Place the casserole pan in the center of the cake pan and cover the entire thing with foil. Place in a preheated oven to 180C and bake for 45 min to 1 hour. The custard is done when a knife inserted in the center comes out clean.
Serve hot or cold with vanilla ice cream or frozen yogurt if you wish.


21.11.06

Pães de ricota e sementes de papoula

Receita da Zorra, do Kochtopf (em alemão). A receita original pede ricota, mas eu tinha um restinho de cottage que iria estragar se não usasse, por isso resolvi fazer a substituição. A massa ficou muito macia, mesmo substituindo parte da quantidade de farinha por farinha de trigo integral, também estreei meu pacote de farinha de trigo Fleischmann próprio para pães, fazia tempo que procurava algo parecido. Na hora de pincelar os pães, resolvi usar só leite, porque não queria abrir uma lata de leite condensado para usar uma colherzinha, mas talvez seja melhor fazer isso porque o açúcar do leite condensado ajuda a dar uma cor mais bonita aos pães e tenho a impressão de que as sementes de papoula grudam mais. A massa é muito boa para trabalhar, eu usei a máquina de pão para amassar, porque vocês já sabem que eu tenho a maior preguiça do mundo para amassar pão. Outra coisa, eles são mais salgadinhos e não adocicados.

OBS. Quando fiz os pãezinhos, achei que a quantidade de fermento era um pouco exagerada para a quantidade de farinha, a Zorra escreveu apenas "10 g de fermento biológico", geralmente ela escreve se é fresco ou seco, mas eu achei que fosse o seco, mais comum atualmente, e usei, mas continuei cismada e voltei para o blog, vendo as quantidades usadas nas outras receitas dela, acho que se trata de fermento biológico fresco. Portanto, se usar fermento biológico granulado, é melhor fazer a conversão, eu já fiz a modificação e dá metade da quantidade que tinha colocado anteriormente. Acho que vou ter que refazer a receita...

Pães de ricota e sementes de papoula

5 g fermento biológico instantâneo (aquele granulado) ou 10g de fermento fresco
1 c sopa de mel
2 c sopa de leite
250 g de farinha (150g de farinha normal+100g de farinha integral)
100 g de ricota passada pela peneira, à temperatura ambiente
cerca de 60 g de leite
1 c chá rasa de sal
1 c sopa de manteiga amolecida

Para pincelar
1 c sopa de leite condensado
um pouco de água
sementes de papoula

Misturar o mel, o fermento Hefe e as duas colheres de leite. Adicionar os demais ingredientes e sovar até que a massa fique elástica e fácil de manusear (adicione mais água aos poucos, caso seja necessário), deixar crescer por cerca de 1 1/2h, ou até que o volume dobre. Modele os pães e deixe crescer por mais 30 min. Pincele os pães com a mistura de leite condensado e áuga e polvilhe com as sementes de papoula. Asse em forno preaquecido à 200C por cerca de 20 min.


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Zorra's bread recipe (in German). The original recipe asks for ricotta cheese, but i used cottage cheese, its expiration date was near and I had to use it. I substituted part of the flour for whole wheat flour, the dough was still very soft, and brushed the buns with a mixture made with milk instead of the condensed milk, but i think that the last option is much better, it gives the bread a better color. Because i'm lazy to knead bread doughs, my bread machine did it for me.

Ricotta and poppy seeds buns

5 g instant granulated yeast (or 10g fresh yeast)
1 tbsp honey
2 tbsp milk
250 g flour (I used 150g flour+100g whole wheat flour)
100 g ricotta cheese, shredded, at room temperature
about 60 g milk
1 level tsp salt
1 tbsp butter, room temperature

For brushing
1 tbsp condensed milk
a little water
poppy seeds

Combine honey, yeast and 2 tsp milk. Add the remaining ingredients and knead until you have an elastic dough (you may need to add more water), let it rise for about 1 1/2h, or until its volume has doubled. Mold the buns (the way you want) and let them rise for about 30min. Brush bun tops with the condensed milk and water mixture and sprinkle with the poppy seeds. Bake in the preheated oven (200C) for about 20 min.

15.11.06

Amarettis

Receita de amarettis (em francês) da Estelle do Le hamburger et le croissant. Fiquei pensando no que levar para a Sonia Novaes, não podia ser bolo pois ia passar a manhã na faculdade e não teria onde deixá-lo, por isso escolhi essa receita. Meus amarettis viraram suspiros feitos com farinha de amêndoa, ficaram bem crocantes e derretiam na boca. Eles não ficaram muito perfumados porque não tinha a essência de amêndoa, uma pena, mas estavam bons. Os da Estelle ficaram mais arredondados, meu merengue ficou firme demais e depois de colocar a farinha de amêndoa, a massa ficou ainda mais pesada, fui colocando sobre o papel alumínio às colheradas e esperava que mudassem de forma enquanto assavam, eles cresceram e ficaram mais uniformes, mas não iguais aos originais. Gostoso junto com um cafezinho...

Amarettis

2 claras
150g de açúcar
175 g de amêndoas em pó (eu bati as minhas no liquidificador após retirar as cascas, mas acho que nem é preciso descascá-las, pois os biscoitos da Estelle pareciam mais escuros, tentei usar o processador de alimentos para moer as amêndoas, mas achei que o liquificador dava uma farinha mais fina, só é preciso ficar dando algumas chacoalhadas nele)
1 c café de extrato de amêndoas
um pouco de açúcar de confeiteiro para polvilhar

Preaqueça o forno à 200C. Bata as claras até que elas comecem a ficar brancas (bati até virar um suspiro firme, talvez seja melhor fazer isso, pois a Akemi me disse que não conseguiu obter um merengue mais firme depois de adicionar o açúcar), adicione o açúcar aos poucos (em três vezes, coloque o açúcar e bata, como se fizesse suspiro), a Estelle escreve que o suspiro não deve ficar muito firme, mas acho melhor esquecer essa recomendação! (O meu merengue ficou muito firme mesmo após adicionar a farinha de amêndoas). Com a ajuda de uma espátula de silicone, incorpore a farinha de amêndoas e o extrato de amêndoas.
Forre uma assadeira com papel alumínio e coloque pequenas porções da massa com a ajuda de uma colher deixando um espaço de cerca de 1 cm entre elas. (Um saco de confeitar ajudaria muito...) Polvilhe com açúcar de confeiteiro e asse por 10 min ou até que os amarettis fiquem dourados.

Obs. A Estelle escreve que os biscoitos se conservam crocantes em um recipiente hermeticamente fechado e se tornam um pouco mais macios em uma caixa de papelão, entretanto, como eu "errei" na hora de bater o merengue, acho que os meus amarettis ficaram mais firmes e perdem a "crocância" mais devagar.



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Recipe found on Estelle's blog (in French). My amarettis weren't as perfumed or beautiful as Estelle's, because I didn't have the almond extract and i beat the egg whites too stiff, but they were great! Yummy with a cup of coffee...


Amarettis

 
2 egg whites
150 g granulated sugar
175 g almond meal
1/4 tsp almod extract
confectioner's sugar

Preheat oven to 200C. Line a baking sheet with aluminium foil.
Beat the egg whites until foamy. Carefully add the sugar 50g at a time and beat until you have a not too stiff meringue. Fold in the almond meal and the almond extract.
Drop batter by teaspoonfuls 1 inch apart on the baking sheets. Sprinkle evenly with the confectioner's sugar. Bake for 10 minutes or until edges of cookies are golden brown. Cool completely on pans; carefully remove cookies from foil.

14.11.06

Almoço com a Miki!

Miki e o Haku

Fiquei dois dias em SP (de domingo até terça), O participou de um evento na Usp e ficamos hospedados em um hotel na Rebouças, o Lorena Hotel Internacional. O serviço é bom e os funcionários são atenciosos, mas ele é bem caidinho, com pinta de hotel que conheceu tempos melhores (há algumas décadas), mas como ele mantém um convênio com a universidade, não tivemos muita opção.


Comecei mal a minha estadia na cidade, chegamos na tarde de domingo morrendo de fome e fomos jantar cedo, escolhemos a Cantina do Piero, eu me arrumei, coloquei uma saia e botas de cano alto, estava me sentindo muito chique. Quando estávamos na calçada caminhando em direção a um táxi na frente do hotel, eu me estatelei no chão. Não tive tempo de pensar em nada, o mais surpreendente foi a rapidez com que me levantei! O nem teve tempo de me dar a mão, deve ter sido o vexame e o susto! Voltamos para o quarto, eu joguei fora a meia calça rasgada e coloquei um band-aid no joelho ralado (sempre ando com band-aids, por que será?). Vesti uma calça e calcei uma sapatilha e fomos novamente procurar um táxi. Felizmente, cheguei no restaurante inteira. A Cantina do Piero é decorada com bandeiras de times de futebol e de outros países e as paredes estão forradas com fotos da Itália e de pessoas conhecidas que passaram por lá, como várias cantinas típicas. A comida é bem farta e tem um preço bom. Pedimos uma salada mista enorme que serviria umas 4 pessoas (na salada: erva-doce, vários tipos de alface, chicória, rúcula, agrião, palmito e tomate temperados com um molho com bastante azeite). A salada e o couvert (pão italiano, azeitonas, sardela, berinjela e manteiga) já tinham saciado a nossa fome, mas eu ainda fui de canja (fazia frio na cidade!), que não achei tão suculenta, e O de pescada frita. Tudo regado com um Chardonnay da Finca Flichman, um vinho argentino que pode ser encontrado à venda também em supermercados. Boa e honesta comida.


No dia seguinte, fui até a Liberdade comprar algumas coisinhas logo cedo, estava à procura de algo que, em inglês, é chamado de "shrimp paste", na Marukai, um vendedor me deu um pote de molho Hoisin dizendo que aquela era a tal "pasta de camarão", fiquei desconfiada, mas achei que poderia usá-lo em outros pratos se não fosse aquilo e o comprei.


Voltando para o hotel, liguei para a Miki, do Cabeça Gorda (entre outros muitos blogs), e ela veio me buscar para conhecer seu apartamento e seus lindos, lindos, lindos, yorks! Ela tem um casal de yorkshire terriers e a fêmea, a Kiki, recentemente teve três filhotes, eles estão com menos de dois meses agora e são umas coisas fofíssimas! O macho, o Haku, é muito "saidinho" e ficou pulando no meu colo e trazendo uma bolinha para eu brincar com ele. Não sei como não o sequestrei antes de ir embora!


Parece que conheço a Miki há anos, foi tão normal ligar para ela do hotel e perguntar se ela viria me buscar sem nunca tê-la visto ou ouvido sua voz antes, mistérios das amizades feitas pela net! Conversamos bastante sobre várias coisas, ficamos vendo os cães se divertirem pela sala e almoçamos juntas. No cardápio um filé de frango com molho de mostarda de cassis, receita da Akemi que, de certa forma, também estava lá conosco, bem como a Sonia Novaes, pois levei uma lembrancinha adquirida na casa dela para a Miki. O frango estava delicioso, na verdade, estava tudo muuuito bom, uma comida caseira para ninguém botar defeito! Provei seu gâteau de batata e alho poró e a receita está aprovadíssima! Aliás, tudo está mais do que aprovado! De sobremesa, pêras cozidas com vinho, sorvete e iogurte caseiro. Tudo regado com um espumante Salton aberto para comemorar nosso encontro, não podia pedir mais nada, né? (Fiquei com dó do O que comeu muito mal na Usp e estava se sentindo meio enjoado à tarde, quando voltamos a nos encontrar no hotel).


Enquanto a Miki cozinhava eu folheava seus livros de cozinha, foi por meio de um deles, um livro de culinária chinesa, que descobri que o molho Hoisin não é o "shrimp paste", até que fiquei aliviada com o meu engano, pois a descrição da pasta de camarão não era das mais encorajadoras: "pasta feita com molho de soja e camarão fermentado, deve ser usada com moderação". Para não dizer que eu não dei nenhuma mãozinha à Miki enquanto ela cozinhava, eu posso dizer que ajudei a lavar alguma louça, só espero não ter deixado nenhuma sujeirinha nos pratos e talheres...


Foi mais um encontro gratificante e caloroso! Adorei ter conhecido a Miki, sua casa, seus trabalhos, suas bonecas, seu ateliê... Ela é uma pessoa de muito alto astral, criativa e energética! Espero que voltemos a nos encontrar muitas e muitas vezes! (Além disso, não sei se consigo ficar muito tempo longe do Haku!).

O pote de biscoitos (receita aqui) que a Miki me deu (Miki, dá para ver que os biscoitos sofreram uma pequena redução de um dia para o outro, não dá? Oops, O acabou de me avisar que pegou outro!)



Clique nas fotos para ampliar

Broche feito pela Miki, eu não resisti e comprei! Essas mulheres prendadas acabam com as minhas finanças!

12.11.06

Bolo de pêssego e gengibre

Como prometi, aqui está a receita de meu "bolo de aniversário" retirada de um blog canadense escrito em francês. Vocês já devem conhecer minha inclinação pelo exótico, portanto, não irão se surpreender se eu disser que o bolo é feito com farinha de arroz. Comprei um pacote imenso para fazer a receita de Bibingka (aliás, deliciosa!) e ainda tinha muito para usar, a receita pedia farinha de arroz escura (acho que basta tostar a farinha de arroz branca para obtê-la, mas não tenho certeza), mas usei a branca mesmo. Ficou bom! A massa cresceu muito, quando coloquei no forno era uma camada bem fina, fiquei até lamentando não ter uma forma menor (usei uma de 23cm). Se não me engano, o bolo pode ser consumido por celíacos.

Bolo de pêssego e gengibre

2 ovos
4 c sopa de azeite
4 c sopa de açúcar mascavo (ou demerara ou normal)
1/2 x de farinha de arroz escura (usei a branca mesmo)
1/2 x de maisena
2 c chá de gengibre em pó
1 c sopa de gengibre cristalizado picado (usei limão cristalizado, não encontrei o gengibre, mas recomendo que você use alguma fruta, pois ela dá uma "quê" a mais ao bolo)
2 c chá de fermento
1 1/2 x de pêssegos em fatias finas (usei muito mais!)

Preaqueça o forno à 180C.
Bata os ovos com o açúcar até que fique mais fofo. Incorpore o azeite e misture.
Em outro recipiente, misture a farinha, a maisena, o gengibre em pó, o gengibre cristalizado (ou outra fruta cristalizada) e o fermento. Junte a mistura de ovos e a metade dos pêssegos. Misture.
Coloque em uma assadeira untada e enfarinhada, cubra com o resto dos pêssegos e asse por 25 à 30 min, dependendo do tamanho da forma (a minha tinha 23cm).


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This was my "birthday cake", i saw the recipe on this blog (in French). You already know that i have a flair for the "exotic", so you won't be surprised if if i tell that this cake is made with rice flour. I had a lot of rice flour left after preparing the Bibingka recipe and wanted to use it. The recipe asks for brown rice flour but i used the white rice flour. It was good! The cake really rose high and was very tasty.

Ginger and peach cake

2 eggs
4 tbsp olive oil
4 tbsp dark brown sugar
1/2 c brown rice flour (used the white rice flour)
1/2 c cornstarch
2 tsp ground ginger
1 tbsp chopped candied ginger (i used candied lemon peel)
2 tsp baking powder
1 1/2 c peaches, cored and thinly sliced (I used so much more!)

Preheat ovent to 180C.
Beat eggs and sugar until foamy. Stir in the olive oil.
In another bowl, combine rice flour, cornstarch, ground ginger, candied ginger and baking powder. Add the egg mixture and stir well. Stir in half the peaches slices.
Pour the mixture into a greased baking dish, top with the remaining peaches slices and bake for 25- 30 min. (I used a 23cm baking dish)


10.11.06

Hoje eu conheci a Sonia Novaes!

Antes de postar a receita do bolo abaixo, eu preciso contar que hoje fiz uma visita à Sonia Novaes, do Cantos e Encantos, ela mora tão perto da Unicamp e estou por lá todas as semanas... Tinha que visitar a contadora de histórias oficial do Fórum do Cybercook ! Além de ver todas as "mineirices" que ela traz de suas andanças.

Cheguei às 14:00h e saí de lá as 16:00h e, ainda assim, porque meu marido veio me buscar! A culpa foi minha, tinha dito que voltaria para a universidade às 15:30h, mas a conversa estava tão boa... E a Sonia fez um cafezinho e um chá de frutas perfumado com frutas cítricas e canela (tomei várias xicarazinhas!)... Serviu biscoitos doces e de polvilho que atraíam as mãos por alguma força desconhecida... Um pão tão bom feito por ela mesma (trouxe um para casa e ele já está sendo consumido!), geléia de uvaia, uma mousse de tomate seco deliciosa (Sonia, quero a receita!) e uma torta de maracujá bem gostosa (comida às pressas antes de sair correndo). Fui comendo e conversando, ou melhor, ouvindo, pois sou melhor ouvinte do que falante, e o tempo foi passando... A Sonia é uma mulher maravilhosa, muito simpática, hospitaleira e calorosa. Poderia ter passado a tarde em sua casa aconchegante. Nem deu para ver direito as coisas lindas em tear que ela vende em sua lojinha/casa. Mas não deixei de fazer minhas comprinhas (como é possível ver pelas fotos acima), preciso voltar para apreciar tudo mais demoradamente. Saí com tantos agrados que fiquei até sem graça! Tinha levado apenas uma caixinha de biscoitinhos (receita a ser postada depois).


Detalhe da sacola em que a Sonia coloca seus produtos (clique nas fotos para ampliar)


Ganhei um vidro de frutas em conserva e uma geléia de pitanga


Vejam o detalhe da fruta esculpida, não é lindo? Acho que nem vou conseguir comer!

26.10.06

Frango com Sag

Receita do blog da Miki, o Cabeça Gorda, como ela explica, "sag" é espinafre na culinária indiana. Tinha congelado um maço de espinafre antes de ir para Fortaleza e resolvi colocá-lo em uso para desocupar espaço no freezer. Adoro pratos cheios de especiarias, acho que dá uma levantada na moral e não me decepcionei com este aqui, a combinação de sabores é perfeita! A Miki tinha escrito que o espinafre soltava muito líquido, para dar uma engrossada no molho, há dois truques: 1- você pode polvilhar o frango cortado com um pouco de farinha antes de cozinhá-lo, ou, 2- você dissolve um pouco de maisena em um pouco de água e acrescenta ao molho no final do cozimento. Usei a segunda opção, poderia ter engrossado mais, mas preferi assim. Também omiti os 100ml de água da receita original. Ficou delicioso com um arroz japonês integral.


Frango com Sag

2 colheres (sopa) de manteiga (usei óleo de canola)
2 cebolas cortadas fininhas
2 dentes de alho socados (usei fatiados)
1 colher (sopa) de sementes de mostarda
2 colheres (chá) de coentro em pó
2 colheres (chá) de gengibre em pó (usei um pedaço de gengibre fresco bem pequeno picadinho)
1 colher (chá) de chilli em pó
1 colher (chá) de açafrão em pó (usei açafrão da terra/cúrcuma)
1 kg de coxas de frango sem pele nem osso, cortadas em pedaços grandes (usei peito em cubos, dei uma temperada com sal antes)
125 ml de iogurte natural
500 g de espinafre novo (usei talos e tudo)
sal a gosto

Aqueça o óleo em uma panela grande e refogue ligeiramente o alho e a cebola. Os legumes não devem mudar de cor, apenas ficar transparentes. Agregue as especiarias e sal a gosto até que estejam fragrantes, mexendo sempre.
Acrescente o frango e mexa bem para que ele fique impregnado da mistura. No fogo moderado, refogue por cerca de 10 minutos, mexendo freqüentemente até que o frango tenha mudado de cor de todos os lados.
Adicione metade do iogurte, cozinhe por mais 5 minutos, mexendo quando necessário até que todo o iogurte seja absorvido.
(Eu não li a receita direito e não dividi a quantidade de iogurte, coloquei tudo na panela!).
Adicione o espinafre, mexa bem para misturar, tampe e cozinhe em fogo baixo por mais 10 minutos ou até que o espinafre tenha murchado e que o frango esteja macio quando testado com um garfo.
Revise os temperos, adicione um pouco de maisena dissolvida em água para engrossar o molho caso necessário, e sirva quente, regado com o restante do iogurte.
Eu fiz metade da receita.

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Miki's recipe, as she explains on her blog, "sag" is spinach in the Indian cuisine. I had frozen some spinach before travelling two months ago and decided to cook it now to have some room in my freezer. I love spicy dishes, somehow I feel that they make me feel more energetic. I wasn't disappointed by this dish, a perfect combination of flavours!

Chicken with Sag

 
2 tbsp butter (I used canola oil)
2 thinly sliced onions
2 cloves garlic, minced
1 tbsp mustard seeds
2 tsp ground coriander
2 tsp ground ginger (I used fresh)
1 tsp chilli
1 tsp turmeric
1 kg deboned and skinned chicken thighs cut into big chunks (I used chicken breasts)
125 ml yogurt
500 g spinach
salt to taste

Heat oil in a large saucepan and sautée garlic and onion until translucent. Add the spices and salt until they are fragrant, stirring constantly.
Add the chicken and stir well to coat the pieces with the spice mixture. Cook for 10 minutes, until they are browned on all sides.
Add half the yogurt, cook for 5 minutes, stirring when necessary, until the yogurt is absorbed.
Stir in the spinach and cover. Cook over low heat for 10 minutes or until the spinach wilts and the chicken softens.
Taste the seasoning, and if the sauce is too liquid, add 1 or 2 tbsp of a mixture made with cornstarch dissolved in some water to thicken it. Serve hot with remaining yogurt and rice.

20.10.06

Bolo de mamão, aveia e nozes

Queria um bolo para usar um pedaço de mamão que tinha sobrado na geladeira. Sabe quando você compra um mamão e ele fica amarelo, mas continua meio duro e sem gosto, como se não tivesse amadurecido direito? Pois esse foi o caso desse mamão, comemos o que deu. Achei uma receita de bolo que adaptei tanto que prefiro nem dar a versão original, ele virou uma criação minha e fiquei muito orgulhosa com o resultado. Ele ficou muito macio e úmido, com gostinho de aveia e especiarias.


Bolo de mamão, aveia e nozes

110g de farinha
100g de farelo de aveia (ou aveia em flocos finos)
1/2 c chá de sal
200g de açúcar mascavo
1 c chá de bicarbonato de sódio
250ml (1 xícara) de mamão bem amassado
1/2 x de óleo de canola
2 ovos
1/2 x de nozes picadas
1/4 c chá de canela em pó
1/4 c chá de noz moscada em pó
1/4 c chá de cravo em pó (ou allspice)

Peneirar os ingredientes secos em uma tigela, em outra, misturar os ingredientes líquidos. Adicione essa mistura aos ingredientes secos, misture tudo muito bem. Coloque as nozes, mexa e despeje em uma forma de bolo inglês untada. Asse até que um palito inserido no meio do bolo saía limpo. Desenforme e sirva depois de frio.


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I can say that this cake is (kind of) my creation and i'm very proud of it. It turned out very moist and delicious.


Papaya, oats and nut cake

 
110g flour
100g oat bran
1/2 tsp salt
200g dark brown sugar
1 tsp baking soda
250ml (1 cup) mashed papaya
1/2 c canola oil
2 eggs
1/2 c chopped walnuts
1/4 tsp cinnamon
1/4 tsp ground nutmeg
1/4 tsp ground cloves (or allspice)

Sift all the dry ingredients into a bowl. In another bowl, combine the liquids and eggs. Add this mixture to the dry ingredients and stir well. Stir in the wanuts. Pour the mixture into a greased loaf pan. Bake 50-60 minutes until a straw poked in the very center of the loaf comes out clean. Let it cool before serving.




9.10.06

Meme Bizarro - Bizarre Meme


Vi este meme em francês e em inglês, agora, como a Tschoerda passou a bola para quem quisesse respondê-lo, achei que era uma boa hora de passá-lo para o português!

1. Pegue o primeiro livro que encontrar por perto, abra-o na página 18 e copie o que está escrito na quarta linha de cima para baixo.
É de um livro que li para minha pesquisa chamado O pensamento europeu no século XVIII:
Swift torna nossa própria existência odiosa. No país dos... (Swift nous rend odieuse notre existence même. Au pays des...)

2. Qual o último programa que você assitiu na TV?
Uma série nova chamada Night Stalker. (Por coincidência, lembra o Arquivo X)

3. Sem olhar, tente adivinhar que horas são:
13:10h?

4. Confira, agora são/é:
13:54h

5. Que barulho pode ouvir além daquele do seu computador?
Não sei dizer o que é, mas parece música de algum instrumento de ruído grave.

6. Quando você saiu pela última vez e o que fez?
Fui a aula de alemão no sábado de manhã.

7. O que você está vestindo agora?
Uma calça capri preta, uma blusa branca com listras vermelhas, havaianas azuis.

8. O que estava assistindo antes de começar este meme?
Humm, este meme tem um problema de memória! Vi Night Stalker.

9. Você sonhou esta noite?
Eu sonho bastante, mas não me lembro de nada sobre os sonhos desta noite.

10. Quando riu pela última vez?
Eu rio com frequência, meu marido gosta de falar bobagens!

11. O que há nas paredes da sala em que está?
Quadros, várias reproduções (entre elas a da pintura de Gustav Klimt, foto acima). Estantes com livros.

12. Viu algo estranho hoje?
Um filhote de lacraia enquanto lavava o box do banheiro.

13. O que acha deste meme?
Divertido.

14. Qual foi o último filme que assistiu?
Inteiro? Balzac e a Costureirinha chinesa.

15. Se você ficasse milionário de um dia para o outro, qual seria a primeira coisa que compraria?
Uma passagem (só de ida) para algum lugar na Europa.

16. Diga algo sobre você que a gente ainda não saiba
Acho que já disse quase tudo... Tenho várias pintinhas no rosto.

17. Se pudesse mudar algo no mundo, com exceção da culpabilidade e da política, o que seria?
Acabaria com o preconceito.

18. Gosta de dançar?
Eu gostaria de saber dançar, mas não sei e morro de vergonha disso!

19. Georges Bush?
Não vale a pena desperdiçar palavras com ele.

20. Que nome escolheria se tivesse uma filha?
Alena.

21. E se fosse um menino?
Não sei, talvez Ulisses, por causa do personagem de Homero, ou Fernando, por causa do Fernando Pessoa.

22. Já pensou em morar em outro país?
Quase todos os dias.

23. O que gostaria que deus lhe dissesse quando cruzasse as portas do paraíso?
"Você deveria ter tido fé!"

24. Quais são os 4 outros bloggers que deseja convidar a responder este meme?
Qualquer um que deseje responder!



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Ok. Tschoerda left an open invitation on her blog and i really thought that aswering this meme would be fun so...

take the first book that you find underhand, open it on page 18 and copy what’s written on the fourth line from the top:
From a book i read for my thesis "La pensée européene au XVIIe siècle":
Swift makes our own existence hateful to ourselves. In the land of... (Swift nous rend odieuse notre existence même. Au pays des...)

what was the last program you watched on tv?
The first episode of Night Stalker (it is pretty much like the X-Files)

without verifying, try to guess the time it is?
about 13:10?

check out. it is:
13:54

which noise can you hear apart from the one of your computer?
An odd noise, like a musical instrument.

when did you go out for the last time and what did you do?
I went to my German class last Saturday morning.

what are you wearing now?
Black pants, red and white blouse and blue slippers.

before you started this meme, what were you looking at?
This meme has a memory issue... I watched Night Stalker.

did you dream this night?
I use to dream a lot, but i don't remember dreaming anything today.

when did you laugh for the last time?
I laugh everytime, my husband is always making jokes!

what’s on the walls of the room in which you are?
Painting reproductions (like the one by Gustav Klimt above) and bookshelves.

did you see something strange today?
A small insect while i was cleaning the bathroom.

what do you think of this meme?
Fun!
which was the last film that you saw?
From beginning to end? Balzac and the little Chinese seamstress. Lovely!

if you became a multimillionaire overnight, what would be the first thing that you’d buy?
A ticket to Europe

tell us something about you that we don’t yet know
I've said almost everything... I have plenty of little moles on my face, the so called "grains de beauté"!

if you could change something in the world apart from culpability and politics, what would you change?
I would erase prejudice

do you like dancing?
I'd love to know how to dance, but i don't.

georges bush?
I won't waste words on him.

which name would you choose if you had a girl?
Alena

and if it was a boy?
Ulisses or Fernando

have you ever thought about living in a foreign country?
I think about that almost everyday.

what do you want god to tell you when you go through the doors of paradise?
"You should have had faith!"

which are the 4 other bloggers that you'd love to tag:
everyone who wants to do this meme is invited!

Muffins de centeio com banana e maçã

(Nota: Eu tinha escrito farinha de cevada, mas é farinha de CENTEIO, acho que escrevi certo só em um lugar, não sei onde estou com a cabeça!)

Fiquei procurando receitas para usar minha farinha de centeio e achei esta aqui em um suplemento do jornal "The Guardian", não conhecia o suplemente e gostei bastante, há receitas para todos os gostos divididos por chefs. Também gostei bastante do resultado da receita, eu fiz, como sempre, algumas modificações, tinha uma banana sobrando e acabei colocando junto com a maçã, cuja quantidade considerei mínima. Não usei manteiga, mas cerca de 60ml de óleo de canola e também não coloquei o golden syrup (pode ser substituído por mel, melado ou karo) e achei que não faltou doçura. A receita é para um bolo, mas assei em forminhas de muffins para poder congelar. Descobri que a banana extra tornou a massa um pouco mais úmida do que tinha imaginado e tive que tomar cuidado para desenformar os muffins, mas estavam deliciosos! A farinha de centeio também me surpreendeu, o sabor não é muito diferente da farinha integral.


Muffins de centeio com banana e maçã

1 maçã média (cerca de 125-150g) /(Coloquei uma banana extra)
canela para polvilhar
75g de amêndoas em lascas
150 g de farinha de centeio
2 c chá de fermento em pó
75g de manteiga sem sal (substituí por cerca de 60ml de óleo de canola)
50g de golden syrup (aqui pode ser substituído por mel, melado ou karo. Eu o suprimi.)
100g de açúcar mascavo
75ml de leite
1 ovo
açúcar demerara (opcional)

Unte uma forma de bolo inglês (cubra o fundo com papel manteiga para facilitar) e preaqueça o forno à 170C.
Descasque, retire as sementes e corte a maçã em pedaços de 1cm, polvilhe com canela e reserve.
Moa 50g das amêndoas (reserve o resto para polvilhar no final), junte à farinha e ao fermento.
Aqueça a manteiga, o golden syrup e o açúcar mascavo em uma panela em fogo baixo até que o açúcar dissolva (sem ferver ou aquecer demais, eu não fiz essa parte, pois não usei manteiga e não coloquei o golden syrup ou qualquer outro substituto). Retire do fogo, adicione os ovos batidos e misture aos ingredientes secos. Misture a massa às maçãs e derrame tudo no forno. Dê leves batidas na forma para que não ser formem bolhas na massa. Polvilhe com as lascas de amêndoas restantes e um pouco de açúcar demerara. Asse por 35-40min ou até que inserindo o palito, ele saía limpo. Corte depois de frio.



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I was looking for a recipe to use some rye flour I had left and found this one here. I liked the recipe, but changed it a little. I added a banana to it and substituted the butter for canola oil (about 60ml). The golden syrup was gone too and I think that the muscovado sugar gave it all the sweetness that it needed. I baked the cake in muffin tins because i wanted to freeze some of them. The muffins turned out great and the rye flour was just as good as whole wheat flour.

5.10.06

6 coisas sobre mim

A Dadivosa e a Fernanda responderam este meme eu decidi manter a bola rolando. Devo listar 6 coisas sobre mim (como se já não tivesse escrito o suficiente!)


1. Sou extremamente obsessiva, meio parecida com o Monk (personagem de uma série americana). Só consigo dormir depois de listar mentalmente se tranquei a porta da sala, da cozinha, o portão. Se não deixei o forno aceso após usá-lo e se a geladeira está bem fechada (ela deveria acionar um alarme quando é deixada aberta, mas se a fresta é pequena ela não faz isso!).

2. Fiz um curso de ufologia quando era adolescente junto com uma amiga. Era a época em que o Arquivo X era a sensação do momento e eu tinha (cof cof cof) um fraco por coisas "exóticas". Não me lembro onde foi que vi um anúncio do curso, ele era realizado todos os sábados à tarde nos fundos de uma lojinha de produtos naturais. As pessoas que participavam do curso eram no mínimo curiosas (para não dizer esquisitas!). O que aprendemos foi mais ou menos o seguinte: haveria uma confederação extraterrestre da qual a Terra estaria excluída. Haveria ETs bons e ETs maus, os maus seriam aqueles que abduziriam pessoas para fazer estudos e seriam baixinhos, escuros e teriam grandes olhos; os bonzinhos seriam altos, magros, com cabelos e olhos claros... Começamos a achar aquilo tudo muito doido e paramos de assistir o curso quando disseram que eles iam até uma serra local fazer contato com os ditos cujos. O bom senso do grupo foi nos dizer que também achava que deveríamos nos afastar porque éramos muito jovens e poderíamos ser influenciadas de forma negativa...

3. Odeio desorganização, planejo (quase) tudo o que faço.

4. Acredito em trabalhar e ser reconhecida por mérito próprio (devo ser idealista!).

5. Adoro assistir documentários sobre lugares e pessoas. Minha revista favorita é a National Geographic. Gravo o Thalassa (TV5), Gute Reise (DW) e Chiisaina Tabi (NHK) e vou assistindo durante a semana para treinar meu ouvido para as línguas. Acho que ao procurar compreender outras culturas, descobrimos muitas coisas sobre a nossa.

6. Não gosto de usar maquiagem, não consigo. Fiz até um curso de automaquiagem para que ninguém diga que eu não uso porque não sei aplicá-la. Aprendi e aposentei meus apetrechos. Eu me borro toda, passo os dedos nos olhos e enxugo os rosto. Não dá. Também não consigo manter os dedos manicurados por mais de um dia, nas raras vezes em que fui a uma manicure eu já sai com as unhas borradas por mexer na carteira ou esbarrar em algo. Cabelo também é um problema, odeio ir ao cabelereiro. Vou quando não tem mais jeito, na época em que usava franja eu me postava na frente do espelho do banheiro e a aparava (ficava bom).


(Espero não ter assustado ninguém!)


30.9.06

Meme Efeito Borboleta - Butterfly effect meme

Este meme foi criado por Dan do blog Saltshaker e a Paz, gentilmente, enviou-me um email perguntando se eu não gostaria de respondê-lo se tivesse um tempinho... Bem, acontece que ultimamente eu até tenho tido bastante tempo para preencher, terminei de escrever a tese e só estou esperando meu orientador terminar de lê-la e dizer se está tudo OK, e espero que ele diga que está tudo OK, pois não vou ter mais tempo de arrumar muita coisa! Enquanto isso, vou lendo aquilo que tenho vontade de ler: 2 volumes de história da literatura japonesa (estou no segundo), o segundo volume das Mil e uma noites (esse vai devagar e sempre) e um pouco de gramática da língua japonesa. (Tenho cozinhado pouco e sem grande inspiração... vergonha...)

O objetivo do Meme é descrever coisas/momentos/pessoas que tiveram alguma importância em nossa vida "gourmet", que provocaram algum tipo de revelação... (Não sei se vocês assistiram o filme com o mesmo nome, ele é bom apesar de não gostar muito do Ashton Kutcher).

1. Um ingrediente: coentro fresco. Durante muito tempo minha relação com o coentro não foi das melhores, eu odiava seu sabor e cheiro, em minhas lembranças, ele era aquele ingrediente que tornava a sopa da merenda escolar intragável (e olha que faltava pouco para isso!). Não sei em que momento minha opinião sobre esse tempero mudou, hoje não consigo ficar sem ele, especialmente quando preparo guacamole.

2. Um prato, uma receita: a receita de bacalhau a Gomes de Sá de minha sogra. É uma receita de família que minha sogra sempre prepara quando vamos almoçar em sua casa. Foi o melhor bacalhau que comi, pedi a receita e ela, não sem alguma relutância, disse como era preparado. Demorei para dominar todo o processo de dessalgar o bacalhau, mas cheguei à conclusão de que o tempo e os erros são os melhores mestres. Hoje, faço a receita sempre que tenho vontade.

3. Uma refeição (em uma casa, em um restaurante, qualquer outro lugar): quando era criança eu morava em um bairro afastado da cidade, as casas não tinham muros e a molecada se reunia para brincar na rua. Tínhamos um hábito que repetíamos com uma certa frequência, a garota mais velha do grupo (ela deveria ter uns 12 anos, eu tinha 8) pedia que cada criança trouxesse um ingrediente qualquer de casa (uma porção de arroz, macarrão, algum legume). No dia combinado cada um levava sua contribuição e ela acendia uma fogueira entre dois blocos de concreto, colocava uma panela em cima e fazia uma grande panelada de arroz com legumes e macarrão. Ficávamos todos sentados ao seu redor esperando a refeição ficar pronta, cada um recebia seu prato e comíamos como se não houvesse nada melhor no mundo! Até hoje acho que aquele arroz tinha um sabor muito especial.

4. Um livro de culinária ou outro trabalho escrito: Corta-me o coração saber que destruí os livros de culinária do açúcar União que minha mãe tinha guardado, mas ela não deveria tê-los mantido ao meu alcance quando eu era criança! Também me arrependo de não ter guardado um dos livrinhos de receitas que eu e meus irmãos tínhamos montado na escola como presente de dia das mães, havia muitas receitas simples e boas: bolo de banana, amendoim doce, torta salgada...
Atualmente, meu livro favorito é o Crazy Water, Pickled Lemons, porque ele foi um presente e porque ele é muito bom.

5. Uma personalidade do mundo culinário (chef, escritor, etc.): Gosto da Nigella Lawson, foi um dos primeiros programas de culinária que vi na tv. Ela é uma mulher muito bonita e parece muito forte e positiva, apesar de ter perdido um marido, uma irmã e a mãe para o câncer.

6. Uma outra pessoa em sua vida: Minha avó. Não posso dizer que ela tenha sido uma influência positiva em minha vida gourmet, mas eu achava um barato a maneira como ela resolvia o dilema do que fazer para as refeições. Ela morou sozinha durante algum tempo e, durante esse período, eu costumava ir quase todos os sábados visitá-la sozinha, eu tinha uns 10 anos, meu pai me deixava perto da oficina de eletrônica que tinha na época e eu pegava um ônibus até o apartamento de minha avó. Passava o tempo vendo-a costurar (ela costurava para lojas da cidade e sempre tinha pilhas de peças para montar), xeretando suas coisas e verificando a floração das plantinhas que ela mantinha no parapeito das janelas do apartamento. Não sei se ela me considerava uma visita indesejável, talvez sim, mas nunca demonstrou. No meio da manhã, íamos comprar frutas em um feirinha das proximidades e comíamos um pastel. Às vezes, almoçava com ela, o menu consistia em um grande "sopão" feito com misoshiru, somen (um macarrão japonês fininho), arroz e até feijão cozido que ela havia preparado no dia anterior e requentava até acabar. Naquela época, eu achava a idéia genial, pensava em como ela era prática e me imaginava fazendo o mesmo quando morasse sozinha. Após algum tempo, minha tia foi morar junto com ela e acho que ao menos seus hábitos alimentares melhoraram. Minha avó comprou seu apartamento com o dinheiro da costura e trabalha até hoje (com 84 anos). Ela é meu exemplo de força de vontade e energia.

Convido todos aqueles que desejarem responder este meme a fazê-lo!


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This meme was created by Dan from Saltshaker and Paz kindly sent me an email asking if i didn't want to answer it if i had time. Well, lately i've had plenty of time to fill, i've finished writing my thesis and now i'm here just waiting for a positive answer from my tutor (I don't know if that is the correct word to use), hope he says that everything is OK after reading it because i won't have much time left to correct anything. Meanwhile, i'm reading all the books i've postponed reading: two volumes on Japanese literature history, the Thousand and one nights and a book on Japanese Grammar. (I've not been cooking much though!)

In this particular Meme we are supposed to describe things/moments/people that had some influence on our "gourmet" lives... (Have you seen the movie with the same name? I'm not an Ashton Kutcher fan but it is good!).

1. An ingredient: fresh cilantro. During part of my life i hated its smell and flavor, it reminded me of a terrible soup which used to be served at school. At some point, my opinion about this herb changed and now i can't live without it, can you imagine guacamole without cilantro?

2. A dish, a recipe: my mother in law's Portuguese codfish recipe. It is a family recipe which my mother in law always cooks when we visit her. It is, honestly speaking, the best codfish i've ever eaten. I asked her for the recipe and she gave it to me, (a little reluctantly). It took me some time and patience to master the whole process (you have to soak the codfish in water and pour boiling water over it to remove the salt, but time and mistakes are great teachers!). Today i can prepare the dish whenever i want to.

3. A meal (in a restaurant, a home, elsewhere): when i was a kid, i lived in a very isolated neighborhood, the houses didn't have fences and the kids could play on the streets. My comrades and I had a habit we used to repeat frequently, the oldest girl among us (she was 12 years old, I was 8) asked each one of us to bring an ingredient (a bit of rice, noodles or a vegetable) from our houses. In the following day, she used some dry branches and wood to light a fire between two concrete blocks, put a big saucepan over it and cooked some rice with whatever ingredient we had brought her. All the kids sat around the saucepan, waiting for the meal. When it was done, each one of us received a plate and we ate with pleasure. That was the best meal i've ever had!

4. A cookbook or other written work: it breaks my heart to remember that i have torn all my mother's cookbooks to pieces, but she shouldn't have given them to me when i was young! Nowadays, my favorite cookbook is Crazy Water, Pickled Lemons, because it was a gift and because it is really good.

5. A food "personality" (chef, writer, etc): I like Nigella Lawson, hers was the first cooking program i've seen on tv. She is a beautiful woman and seems to be very strong and positive about life, even after having lost a husband, mother and sister to cancer.

6. Another person in your life: My grandmother. I can't probably say that she was a positive influence on my gourmet life, but i found her way of managing her cooking dilemmas really good. She lived alone for some time after my grandfather died, during that period, i used to pay her a visit almost every Saturday because i thought that she was too lonely, i was 10 years old, i took a bus near the place where my father worked at that time and went to my grandmother's little apartment. There, i spent my time watching her sew and looking at the vases of plants which she had in front of the windows. I don't know if she considered me an undesired intruder, maybe, but she never complained. In the middle of the morning, we went out to buy some fruits and vegetables in a nearby farmer's market, we ate something and returned to the apartment. Sometimes we had lunch together, her menu was always the same: a big saucepan of a "soup" she had cooked the day before with miso, somen (a sort of thin japanese noodle), rice and even beans. She ate that soup at every meal until it finishes. At that time i found her idea really amazing, it was practical and i could imagine myself doing the same in the future (i hated so much to cook!). After a while my aunt came to live with my grandmother and i believe that her nutritional habits improved. She is my model of willpower and strength, she worked her whole life (she is 84 now) and bought her apartment with her sewing money.


22.9.06

Birchermüsli

Não tenho cozinhado grande coisa desde que voltei de Fortaleza, os três dias sem pisar na cozinha parecem ter durado uma eternidade e arrefeceram meu entusiasmo pelas panelas. Acho que voltei para o estágio em que estava quando me casei, quando preferia estar fazendo outras coisas a cozinhar. Mas deve passar logo, tem que passar, afinal, a comida não se faz sozinha!

Contrariando meus hábitos, comprei um livro de culinária! Eu já o estava namorando há um ano, eu o vi pela primeira vez em uma livraria de SP, fomos a um lançamento de um livro no qual O tinha um artigo e, enquanto ele papeava com seus conhecidos, eu fiquei percorrendo as prateleiras. Ele se chama Fazenda Pinhal: Caderno de receitas e histórias de família. A autora, Helena Carvalhosa, é proprietária da Fazenda que, hoje, é um hotel-fazenda em São Carlos e faz parte da Associação Roteiros de Charme. Não conheço, mas parece um bom local para relaxar. As receitas são simples, foram contribuições de hóspedes, e são interessantes porque estão impressas da forma como cada um as escreveu no caderno de visitas.


Fiz esta aqui para comer no café da manhã, é bem gostosinha, deve fazer um bem danado para a saúde e para a beleza! rs


Birchermüsli (Do Caloca Fernandes)

1 c sopa de aveia em flocos
3 c sopa de água
1 maçã ralada com casca
2 c sopa de iogurte natural (ou 2 c sopa de leite evaporado)
1 c sopa de mel
1 c sopa de suco de limão

Na véspera, deixe a aveia de molho na água em uma tigela. Na manhã seguinte, adicione os demais ingredientes e misture. Se quiser, coma salpicado com frutas secas, como passas, damascos picados, amêndoas torradas....


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Sorry people, I haven't been cooking much lately. I've bought a cookbook and hope it'll inspire me. This is a simple breakfast dish, it is written that it can do wonders for your health if eaten everyday!

Birchermüsli (Caloca Fernandes recipe)
1 tbsp oats
3 tbsp water
1 small grated apple
2 tbsp natural yoghurt
1 tbsp honey
1 tbsp lemon juice

Soak oats in water in the night before. The following morning, stir in all the remaining ingredients. Serve sprinkled with raisins, apricots, berries, nuts....

20.9.06

Fortaleza 5 - Mercado Central

Interior do Mercado Central


Para alívio de todos aqueles que já devem estar cansados de ler sobre minhas andanças em Fortaleza, este é meu último post sobre a cidade (há outros no blog Nos quatro cantos do mundo). O Mercado Central fica perto do centro (como o nome diz) e é enorme, quatro andares (+ o estacionamento) ligados por escadas e rampas onde você encontra vários boxes vendendo de tudo. No primeiro andar concentram-se as lojinhas de itens da culinária local como castanhas de caju torradas, glaçadas, cruas, salgadas ou não; vidros de cachaça com cajus inteiros dentro da garrafa ou lagostas, rapadura, etc. Os preços variam, as castanhas de caju "tipo exportação" são as mais caras, mas são graúdas, nunca tinha visto castanhas tão bonitas e custando cerca de metade do preço do que pago em SP. Se você levar castanhas "machucadas", um pouco quebradinhas, irá pagar ainda menos pelos pacotes de 500g ou 1kg. As castanhas do Pará, apesar de não serem encontradas em todas as lojas, também são bem mais bonitas e baratas do que aqui no sudeste. 

Em nome da curiosidade, comprei uma garrafa de cajuína, uma bebida não alcóolica e não fermentada feita com caju, o vendedor disse que eu deveria bebê-la bem gelada. Deixei-a algumas horas no frigobar do hotel e experimentei. O aroma é forte e um pouco desagradável, mas o sabor é muito bom, suave e doce, apesar de não levar açúcar. A cajuína também não leva nenhum outro tipo de aditivo ou corante químico e se estivesse à venda por aqui eu a compraria sempre! Vi sorvetes de massa feitos com frutas da região e mesmo de tapioca em uma sorveteria lá dentro, mas não experimentei. Ainda no primeiro andar, você também encontra descansos de mesa feitos com palha (acho que é palha) de todos os tamanhos e artigos como colares de semente, brincos e bolsas.

No estacionamento, há barraquinhas que vendem enfeites de casca de coco e outros balangandãs.
Não resisti e comprei alguns colares e brincos de resina e sementes por R$5,00 e R$3,00.

Nos andares superiores, há lojas abarrotadas de roupas, toalhas e caminhos de mesa, panos de prato e os mais variados artigos de cama, mesa e banho bordados, feitos no tear ou de renda. Há lojas com artigos de couro (de jegue, segundo os vendedores me informaram) por preços bons e bolsas de palha muito bonitas.
Os preços não variam muito, mas é bom andar bastante para não fazer o que eu fiz, logo no primeiro andar, fiquei olhando uns caminhos de mesa, perguntei o preço para o vendedor e ele me disse um valor, fiquei em dúvida e ele o baixou um pouco mais, porque, dizia, ele já estava de saída e precisava fechar as contas... Acabei achando que era um bom negócio e fiz a compra, à medida que ia subindo para os andares superiores, descobri que o mesmo artigo custava menos em todas as lojas, faltou pouco para eu voltar e fulminar o espertalhão!

Não sei se os vendedores agem da mesma forma com todos, mas me sentia uma turista em um mercado árabe, todos procuravam mostrar seus produtos e me convencer a entrar em suas lojas, cansei de dizer "Não, obrigada!". Chegou uma hora em que eu já nem olhava para os lados. Como nos mercados árabes, quando perguntava por um preço e recusava a oferta, os vendedores faziam alguma proposta "irrecusável".
De qualquer forma, se for a Fortaleza, não deixe de ir ao Mercado Central, vale a pena! Vá ao Centro Cultural Dragão do Mar que também fica perto e, se ainda der tempo e não estiver cansado, passe pela ponte dos Ingleses. Da Avenida Beira Mar, é possível pegar o Circular e ver tudo andando um pouco ou fazendo visitas em etapas. Se tiver coragem, e eu não recomendo, vá de moto-táxi, é mais barato do que o táxi comum!


Cajuína



Castanha do Pará e de caju

19.9.06

Fortaleza 4 - Restaurantes

As escolhas de restaurantes em Fortaleza foram quase todas baseadas em sugestões de conhecidos e guias de viagem e acho que elas não foram de todo más. Tivemos várias boas surpresas.

No primeiro dia, após descobrirmos que a comida do hotel não era a melhor opção, decidimos nos aventurar por restaurantes próximos, pois não tínhamos tempo para ficar indo para locais mais afastados. À noite, a professora que nos ciceroneava pela cidade nos levou para jantar no restaurante La France. Você entra em um salão cheio de quadros nas paredes e se senta em uma das várias mesas de madeira. Pedimos um "peixe à belle meunière", ele veio bem temperado com limão e grelhado em uma mistura de ervas e manteiga, acompanhado de batatas cortadas bem fininhas e fritas até ficarem crocantes. Estava bom, apesar de achar que havia um pouco mais de óleo na refeição do que estou acostumada a comer. Nossa cicerone gosta muito desse restaurante e acho que é uma boa opção, ele está fora da rota dos turistas e os pratos servem duas pessoas por bom preço.


Outro restaurante que ficava próximo do hotel (apenas dois quarteirões) era o Cemoara, no Guia 4 Rodas de 2005, constava que ele era o melhor restaurante de pescados da cidade. Confiando nessa avaliação, liguei para o número do guia para saber qual o horário de funcionamento e o número foi parar em uma cantina com o mesmo nome, alguém me informou que o restaurante havia sido dividido em dois (cantina e pescados) e me passou o número do outro estabelecimento. Confirmei que o restaurante funcionava na hora do almoço e fomos lá. Ele fica no saguão do hotel Mercure e, apesar de não ser grande, é bem arrumadinho. Os garçons são super simpáticos e ficamos papeando um pouco, éramos praticamente os únicos comensais da casa. Pedimos um carpaccio de salmão como entrada (muito bom!), e continuamos com um Filé de beijupirá à Delícia (um peixe local grelhado e coberto com uma banana e bechámel, muito bom, se você entrar em outro restaurante e ler "peixe à Delícia", experimente!) e um salmão com molho de laranja. Ambos os pratos eram bem feitos, mas não sei se o restaurante merecia a estrela do Guia. A carta de vinhos é divertida, eles trazem um carrinho onde estão expostos todos os vinhos da casa com os respectivos preços, você escolhe e eles trazem uma garrafa da adega climatizada. O dono do restaurante é português e importa os vinhos diretamente de Portugal, havia muito pouca coisa da América do sul, uma pena. (Vi uma garrafa de Pera Manca por R$750,00!). Bebemos uma garrafa de Chardonnay chileno que estava mais em conta, mas bem esquecível (já nem lembro o nome), como não íamos beber tudo, perguntamos se eles poderiam guardar o que sobrasse para quando voltássemos ao restaurante e eles disseram que sim. Ah! O pessoal era tão atencioso! Acho que decidimos retornar por isso. Voltamos lá na noite seguinte para comer lagosta e terminar nossa garrafa! Li que ela era mais barata naquela região, mas eu não achei. O diferencial do restaurante, segundo o maître, era que a lagosta deles era grande, eles não compravam lagostas menores do que as especificadas por um determinado padrão. Você tinha a opção de pagar pelo peso (cada 100g) ou o valor do prato, escolhemos a primeira opção e dividimos o rabo de uma lagosta em dois pedaços, o de O virou uma "lagosta ao molho Thermidor" e o meu foi grelhado e servido com batatas coradas. Não era uma quantidade fenomenal, mas estava bom. (O não gostou muito do prato dele, achou salgado). Comemos crepes suzettes de sobremesa. Eles fazem a calda de laranja na hora, em um fogareiro no meio do restaurante, muito gostoso.


Para aliviar o nosso bolso e voltar à nossa dieta, almoçamos em um restaurante natureba por quilo chamado Gergelim (outra sugestão de nossa cicerone), ele fica meio escondido em uma avenida movimentada, você pode comer no salãozinho climatizado com mesas de granito bruto (a superfície delas é irregular, há uma certa dificuldade em manter os pratos e copos em uma posição estável) ou do lado de fora, no pequeno jardim arborizado dos fundos. Há opções de saladas e pratos quentes feitos com soja, peixe e frango. Gostei bastante do lugar, a lista de sucos é enorme e eles preparam a mistura que você quiser, O pediu um suco de aipo, cenouras e pepinos eu fiquei no de melancia. As sobremesas também são pagas por quilo, são quase todas light, há salames de chocolate, cheesecakes (não gostei), bolo de frutas e um tiramisú de tofu fantástico! Ele não tinha gosto nenhum de tofu e era melhor do que muitos tiramisús que já provei, fiquei tão impressionada!


O último restaurante da lista é o Pulcinella, onde jantamos em nosso último dia em Fortaleza, prometi a mim mesma que se voltasse algum dia (e pretendo voltar!), iria comer lá mais uma vez! Apesar do restaurante ser italiano, ele não tem nada de uma cantina, muito sofisticado, com uma decoração de bom gosto. Ar condicionado no salão e mesinhas, à noite, do lado de fora (e muitos seguranças ao redor do restaurante). Além de pratos de massa muito criativos, há opções igualmente interessantes de carne, aves (até avestruz!) e peixes. Como tínhamos comido um sanduíche à tarde, escolhemos pratos leves. Havia uma mesa com antepastos a quilo, mas ficamos em uns pasteizinhos de salmão de entrada e espaguete integral com brócolis, tomates secos e camarões. Os pasteizinhos eram redondinhos e massudos, (lembravam aquelas massas fritas feitas com pinga) bem crocantes e recheados com uma porção de salmão. Eu gostei, O esperava pasteizinhos com massa fina, de feira. O espaguete estava muito bom. Só o O leu a carta de vinhos e disse que ela precisava melhorar, só vi as garrafas nas prateleiras e aquelas que estavam expostas eram as de marcas mais populares.


Bem, não comi a famosa caranguejada! Fiquei na vontade, o maître do Cemoara nos disse que todas as quintas é dia de caranguejada na cidade e se você for até as barracas da Praia do Futuro à noite, vai ouvir o "toc, toc, toc" dos martelinhos quebrando as cascas dos bichos logo que chegar. Para não dizer que fui a Fortaleza e não passei pela praia do Futuro, eu peguei um táxi e pedi para ser levada até a barraca do "Chico do Caranguejo"! A praia fica meio afastada da cidade e, para quem estava esperando uma área tão urbanizada quanto a Avenida Beira Mar, foi uma surpresa e tanto ver uma praia cercada por terrenos quase vazios (a imaginação da gente prega peças!). As barracas são enormes e com boa infraestrutura. O taxista disse que não havia quase ninguém na praia naquele horário (16:00hs) e que o pessoal das barracas estava se preparando para receber gente para o forró da noite. Acabei pedindo para ele me levar de volta sem descer do táxi. Achei que era um programa meio furado ficar por ali sozinha. Se ainda tivesse alguém para me acompanhar, teria descido, andado pela praia e dividido alguns caranguejos. Também não tinha como avisar O sobre onde estava, o celular da Vivo não funciona em Fortaleza, vivíamos marcando nossos encontros pelo relógio. Para banhos de mar, fui informada, aquele é dos melhores locais e devo concordar


E assim, após nossas incursões gastronômicas, retornamos para casa falidos!