2.6.11

No longer human - Osamu Dazai



O título deste livro do escritor japonês Osamu Dazai (1909-1948) poderia ser traduzido como "Fracasso como ser humano". Ele é escrito por um rapaz chamado Yozo sob a forma de um diário no qual ele relata a sucessão de fracassos e momentos humilhantes de sua vida. Tudo começa ainda na infância, filho de uma família abastada do nordeste do Japão, Yozo sempre procurou agradar as pessoas ao seu redor, foi assim que ele aprendeu a ser um "ator", a usar uma máscara da qual nunca mais conseguiu se livrar. Mais velho, ele vai para Tóquio estudar para se tornar um funcionário público, mas ao invés de ir para a faculdade, frequenta aulas de desenho, estas também logo são abandonadas quando ele conhece Horiki e passa a frequentar bares e prostitutas.

Yozo entra em um círculo vicioso do qual não consegue mais sair, vive da boa vontade das hostesses dos bares e mulheres que se sentem atraídas por ele e que procuram ajudá-lo. Seu discernimento sobre a hipocrisia da sociedade e sua incapacidade para se adequar às expectativas dos outros o desesperam. Ele se joga ao mar com uma hostess tentando se suicidar, mas apenas a mulher morre. Sua situação se degrada cada vez mais, ele se casa mas, mesmo vendo a mulher ser estuprada por outro homem, é incapaz de qualquer ação. Após uma nova tentativa de suicício e de se tornar um viciado em morfina, ele termina doente e desprezado por todos aos 27 anos de idade.

Vi em um documentário que este livro contém elementos autobiográficos do autor. Tais como as tentativas de suicídio (a última o matou antes de completar quarenta anos) e o abuso do álcool.

No longer human é um dos grandes livros da literatura japonesa e seu tradutor para o inglês, Donald Keene, é conhecido como um dos grandes estudiosos da mesma. É um livro para se ler em uma sentada. Ouvi dizer que os leitores japoneses voltaram a se interessar bastante pelas obras de Osamu Dazai, tenho a impressão de que o povo japonês está passando por um momento de questionamento de valores devido à crise que o país tem vivido nos últimos anos.


Trecho traduzido:


"Sociedade. Sentia que enfim começava a adquirir uma vaga noção do que isso significava. É a luta entre um indivíduo e outro, uma luta imediata na qual o triunfo é tudo. Seres humanos nunca se submetem a seres humanos. Mesmo escravos praticam suas retaliações mesquinhas. Seres humanos não conseguem imaginar nenhum meio de sobrevivência senão em termos de uma única e imediata competição. Eles falam sobre o dever perante o país e coisas do gênero, mas o objeto de seus esforços é invariavelmente o indivíduo e, mesmo depois que as necessidades individuais foram satisfeitas, lá está o indivíduo outra vez. A incompreensibilidade da sociedade é a incompreensibilidade do indivíduo. O oceano não é a sociedade, sãos os indivíduos. Foi assim que consegui obter um pouco de liberdade do meu terror diante da ilusão do oceano chamado mundo. Aprendi a me comportar de modo agressivo, sem a preocupação ansiosa e sem fim de antes, agindo conforme a necessidade do momento."


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2 comentários:

aline naomi disse...

Fiquei com vontade de ler. Vou anotar na lista!
Não sei se é impressão, mas os japoneses têm muito isso de querer agradar (principalmente os pais)...

Karen disse...

Acho que não é bem agradar, mas corresponder às expectativas dos outros...