15.2.11

Dentro do ônibus IX

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Retornei para a minha "cidade dos gatos" após quase dez anos. Foram três ônibus e duas rodoviárias novas. 

O restaurante vegetariano continua na mesma esquina, com a mesma cara de pouco frequentado. As ruas pelas quais caminhava a esmo depois das aulas não foram redesenhadas. A cidade ainda é habitada por pessoas queridas e por muitas lembranças, mas também está mais vazia, pois várias pessoas que amei já a deixaram. Passei na frente do lugar onde nos sentávamos para falar sobre o futuro e me dei conta de que ainda espero por ele. (Fiquei com vontade de rir, mas chorar talvez fosse mais apropriado.)

Estava na hora de retomar uma parte da minha vida no ponto em que a deixei.




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4 comentários:

Luna disse...

Karen, você já leu Doutor Pasavento, do Enrique Vila-Matas? Tem uma passagem que eu lembrei lendo o teu texto: “Porque o resto, o que estava fora do caminho, era – continua sendo para mim – um espaço em branco, sem nenhum significado, algo assim como aquele espaço imaginado que desde sempre atraiu Arthur Rimbaud e que consistia numa rua que se estendia de umas paliçadas até a multicolorida zona portuária de uma cidade que tinha de ser ponta avançada de um deserto. [...] Um estranho panorama para depois dessa batalha perdida que é a infância. Envelhecer talvez tenha sua graça, mas também é certo que envelhecer serve para comprovar que mudamos e que o tempo caminhou conosco, serve para comprovar que avançamos por dunas movediças que na aparência nos conduziram ao término de um trajeto e nos situaram na ponta avançada de um deserto onde, ao voltar a vista para trás e tentar recuperar algo de nossa rua de Arthur, só podemos ver um velho caminho no qual o Tempo escreveu o fim abrupto de nosso mundo, do mundo. Sabemos que é o fim do mundo, se avançarmos. Sabemos que, se dermos um passo adiante, desapareceremos. E planejamos dá-lo, pois pensamos que é o melhor, recordamos que outros já deram esse passo antes, e esses outros sempre foram nossos exploradores favoritos, os que tanto admirávamos quando os víamos desvanecer-se nas tenazes sombras do vazio.”
Bj!

Karen disse...

Luna, não li, mas me deu uma baita vontade! rs

sonia disse...

Já retomei seu texto...rsrs queria apenas colocar uma frase cuja autoria se divide entre Nietzsche, Scorza e Baudelaire, portanto, fica sem "pai": " a verdadeira pátria do homem é a infância".
Eu sinto o mesmo que vc pela "cidade dos gatos" em relação a Santos. Ultimamente vivo pensando muito na vida que vivi por lá durante 23 anos. Quero ir matar um pouco as saudades nesse próximo fim de semana.

Karen disse...

Sonia, no meu caso, é a adolescência... :)

Desejo uma boa viagem caso vá até Santos!