5.10.12

Chile, vinícolas, dia 2

Nosso principal objetivo ao escolher o Chile era visitar algumas de suas vinícolas e, como seria impraticável beber e sair dirigindo um carro alugado pelas quebradas chilenas (onde a política em relação ao álcool e a direção é de tolerância zero), acabamos contratando um guia que organizou as visitas para nós. Foram dois dias bastante instrutivos e regados a vinho. No primeiro, fomos ao Vale de Colchagua, cerca de 2 horas ao sul de Santiago. Amanheceu chuviscando, com tempo fechado e muito frio nesse dia.

A estrada estava cheia devido ao horário (sim, existe congestionamento no Chile, mas ele é bem civilizado), depois de sairmos da região metropolitana, cruzamos alguns vilarejos e a paisagem começou a ser tomada por plantações de peras, ameixas e amêndoas. Chegamos na vinícola Montes por volta das 10h.



O tour começava com um passeio até um mirante de onde era possível ter uma visão panorâmica de toda a propriedade. Subimos na carreta de uma caminhonete aberta com bancos de madeira, eles estavam molhados e fomos chacoalhando em pé mesmo enquanto tentávamos ouvir as explicações da guia que falava baixinho. O frio era terrível e o movimento do veículo não ajudava em nada, um outro casal muito simpático de SP já estava lá quando chegamos e nos acompanhou nas outras visitas. Eles tinham alugado um carro e iam se hospedar no vale.


A vista era bonita, mas estava tão frio que não víamos a hora de ir para algum lugar mais abrigado.


As parreiras começavam a rebrotar e as frutas mesmo só viriam no outono. Espero retornar às regiões vinícolas nessa época.


O prédio da vinícola, como nos explicou a guia, foi construído de acordo com princípios do feng shui e as barricas com o vinho repousam em uma sala ao som de música gregoriana. Vários bonequinhos de anjos enfeitavam as mesas e a loja de vinho, mesmo o rótulo das garrafas traz um anjo, a guia disse que seriam representações do anjo da guarda de um dos proprietários.


A visita foi meio corrida porque um outro grupo de visitantes chegaria ao meio-dia e nós estávamos atrasados. Provamos alguns vinhos da linha Montes Alpha, mas não os achei tão bons quanto os que havia provado no Brasil. Eles não pareciam ter sido bem conservados após abertos. Vi um inseto, uma espécie de pequena abelha, dentro da primeira taça que iria provar e, discretamente, mostrei-o para a guia que fez uma troca. Isso se repetiu com a terceira taça, mas, àquela altura, acabei fazendo a degustação tomando o cuidado de não engolir o bichinho. 


Há um corredor lá dentro com as fotos dos maiores distribuídores dos vinhos da Montes nas paredes, o Ciro Lira, dono da Mistral está entre eles.


Saindo da Montes, fomos para a vinícola da Casa Lapostolle que produz o Clos Apalta, praticamente ao lado, as vinícolas ficam todas muito próximas umas das outras. Ela é da proprietária do licor Grand Marnier. O prédio é minimalista, funcional, artesanal e moderno ao mesmo tempo. Nosso guia disse que sua construção custou uma fortuna, pois ele foi feito sobre uma colina de granito que teve que ser dinamitada. E tudo para fazer um único vinho. As uvas são colhidas e cada bago é separado por mulheres antes de ir para os grandes tonéis abaixo.


O vinho depois é colocado em barricas menores que são levadas para salas em andares inferiores. Íamos descendo uma escada em caracol para ver cada uma das etapas. O guia da vinícola disse que eles perderam apenas duas garrafas na loja quando ocorreu o terremoto, sem nenhum dano estrutural, enquanto isso, a Montes ficou quase um ano sem receber visitas. (Desconfio que a tecnologia seja mais eficiente que o feng shui quando se trata de um terremoto).


Quando perguntamos o que era o objeto estranho com formato de ovo entre os tonéis, Fernando, o simpático guia da Clos Apalta explicou que aquele era um experimento. Um recipiente para deixar a uva fermentando feito com uma espécie de argila ou concreto. O resultado parecia ser um vinho mais mineral do que o dos tonéis de madeira.

 

Fizemos a degustação após descer dois lances de escada, cercados por barricas e sob uma abóboda iluminada por algumas poucas lâmpadas. A mesa de vidro no centro deixava ver a adega particular da proprietária no subsolo. Dois andares com várias garrafas de vinho cuidadosamente arrumadas. O que haveria lá dentro?


 As garrafas são abertas quando a proprietária aparece, ou pelo Michel Rolland, o enólogo da vinícola. Inveja.


Provamos dois vinhos da Casa Lapostolle antes de beber o Clos Apalta, o vinho da casa. Achei muito melhor do que o Almaviva e o Don Melchor que havia provado no dia anterior. Um vinho excepcional.


Fomos almoçar lá pelas 14h no restaurante da vinícola Viu Manent onde comemos e bebemos mais vinho. Pedi uma carne acompanhada de dois ovos fritos, cebolas caramelizadas e batatas assadas, tudo simples e muito gostoso. Depois de mandar dois ovos e metade da carne para dentro, estava cheia. Mas não tão cheia a ponto de dispensar a sobremesa. Pedi um flan (leche assada) e o O. pediu uma combinação de biscoitos com doce de leite e sorvete que me deixou babando. Como o outro casal nos acompanhou, fiquei com vergonha de ficar tirando fotos dos pratos. Passava das 16h quando terminamos e ainda tínhamos uma visita com degustação na vinícola, mas preferimos voltar para Santiago, não aguentávamos beber mais nada. A visita também começava com um passeio de charrete e o frio e o céu cinzento não nos animaram.

Nem jantamos à noite. Dormimos.





3 comentários:

Georgia Aegerter disse...

Karen, muito interessante este teu post e as imagens fascinantes.

Bjos

Anônimo disse...

Olá Karen. Amo seu blog. Visito-o com certa frequência depois que o achei.

Nas fotos da vinícola Montes, nas duas últimas fotos mais especificamente, veêm-se garrafas aparentemente embrulhadas em papel branco, é isso mesmo? Se for, pq estão embrulhadas? Tem alguma coisa a ver com o envelhcimento do vinho, qualidade, etc?

Agradeço

Juliana

Karen disse...

Obrigada, Georgia!

Juliana, não perguntei se havia alguma razão especial para as garrafas estarem embrulhadas, elas estavam à venda na loja, por onde passei rapidinho e saí correndo sem comprar nada. Pode ser um diferencial dependendo do vinho ou para deixar passar menos luz, se bem que a loja se encontra em um lugar fechado sem iluminação direta... É, fico devendo um explicação precisa. :(