29.5.12

Mistérios e fantasmas - Okamoto Kido


Continuo lendo textos curtos em japonês. Esses dias dei para gostar de histórias de mistério, com direito a fatos inexplicáveis e aparições fantasmagóricas, um estilo muito popular no Japão. Okamoto Kido é um autor de vários gêneros: peças de kabuki, contos de terror e, inspirado nos livros de Conan Doyle, criador do Sherlock Holmes, criou o personagem do inspetor Hanshichi que soluciona casos estranhos no Japão feudal. Li dois contos de terror e dois relatos de casos do inspetor Hanshichi. Sempre começava sem grandes expectativas, mas não conseguia parar de ler até saber qual era o final, os enredos dos contos de assombração não são lá muito arredondados, mas, convenhamos, histórias de fantasmas sempre deixam muitas pontas soltas.

Em "O demônio de cabelos brancos", um estudante de direito é assombrado pelo fantasma de uma mulher de cabelos brancos que aparece na sua frente sempre que ele presta o exame de ordem (um tipo de exame da OAB). Ele fracassa quatro vezes por causa disso. O fenômeno envolve eventos misteriosos e, no final, há uma sugestão de quem seria a mulher afinal de contas.

"Cem histórias de fantamas" tem o período de samurais como cenário. São cinco ou seis vigias que resolvem contar cem histórias de fantasmas para passar o tempo e também para comprovar se fantasmas e fenômenos estranhos realmente ocorrem neste mundo. Cada um deles deve contar cerca de três histórias de assombração por turno até completar o número de cem, depois de contar a sua quota, a pessoa deve ser levantar, atravessar vários salões escuros, apagar a mexa de uma lâmpada e retornar. É nesse percurso que algo estranho acontece...

Já nos casos do inspetor Hanshichi, os elementos sobrenaturais sempre acabam se provando bem mundanos. Em um dos relatos, ele se depara com o caso de uma senhora que diz ver o fantasma de uma mulher na cabeceira de sua cama todas as noites, enquanto em outro, a dona de uma loja morre em circunstâncias aparentemente inexplicáveis. 

Os textos foram escritos no começo do século XX e seus enredos são um pouco "inocentes" e simples para os tempos atuais, mas são divertidos.


26.5.12

Mostrando os meus


A Quéroul mostrou seu divertidíssimo all star bigodudo e eu mostro o meu "discreto" par laranja. Meu all star preto de dez anos tem furos e só o uso quando dou uma volta pela vizinhança. Tinha comprado um azul há algum tempo, mas caminhava por SP em um dia de chuva quando comecei a sentir meus pés molhados, voltei para o hotel e percebi que o solado estava soltando! Ele era bem novo e fiquei chateada com aquilo, deixei o par lá mesmo, no lixo do quarto, pois não via como ele poderia ser salvo. Devia ser um defeito de fabricação. Passei algum tempo longe da marca até que me deu uma nostalgia e comprei este par pela internet na semana passada.  (Passou a obsessão pelo preto e agora ando com uma tendência a comprar tudo roxo ou laranja).

Não acho o all star o calçado mais confortável do mundo, o amortecimento poderia ser melhor, depois que caminho como uma doida, como costumo caminhar, fico com bolhas na sola dos pés, mas gosto do seu design simples. Sempre tive um par e eles também me lembram de uma marca nacional que meu pai costumava usar quando eu era criança. Os tênis "Bamba". Ele sempre tinha um par branco que usava até que se desintegrasse. Um deles até foi roubado enquanto secava sobre o muro. Lembro do momento exato em que alguém passou pelo outro lado e pegou os tênis, eu tinha uns três anos e estava no quintal. Um vizinho correu atrás do ladrão, mas ele sumiu em um canavial. Eram tempos difíceis e o bairro era pobre. Estranho associar o all star a essa lembrança, mas a memória é assim.

Bem, vida longa ao meu novo par!

Talvez o excesso de pés de cosmos e a safra de mexericas esteja influenciando minha escoha de cores...



25.5.12

Bolinhos de quinoa, azeitonas, limão e salsinha


Bolinhos de quinoa bem temperados e com vários sabores que vi no blog Joy the baker (receita original da Heidi Swanson). Ficaram gostosinhos. O. não se entusiasmou muito, mas comeu. Atualmente ele come quase tudo o que preparo sem perguntar. Não sei se isso é bom ou mau, mas não posso reclamar.

Eles ficam meio ressecados se forem deixados de uma refeição para outra. Mas a Joy escreve que a mistura pode ser guardada na geladeira por algum tempo (não sei quanto) e usada só na hora da fritura.

(E não é que o piso destruído dá um efeito cenográfico interessante?)



Bolinhos de quinoa, azeitonas, limão e salsinha


Rende cerca de 2 dúzias
1 1/2 x de quinoa seca
2 1/4 x de água
1/2 c chá de sal
4 ovos grandes batidos
1 cebola média picada
4 dentes de alho picados
1/2 x de queijo parmesão ou gruyère ralado
1/3 x de azeitonas verdes picadas
1/3 x de salsinha picada
1 c sopa de raspas de limão
1 x de panko (ou 2/3 x de uma boa farinha de rosca ou pão amanhecido ralado)
1/2 c chá de sal
1/2 c chá de pimenta do reino ou pimenta calabresa (usei uma pimenta dedo-de-moça sem sementes picada)
1 c sopa de água
2 c sopa de azeite


Coloque as sementes de quinoa em uma peneira fina e lave debaixo da torneira por alguns minutos. Ela deve ser lavada para que não fique com gosto de sujeira (qualquer que seja o seu sabor).

Coloque a quinoa lavada em uma panela com a água e o sal. Leve ao fogo, espere começar a ferver, tampe e deixe cozinhar em fogo baixo por cerca de 25-30 minutos, até que as sementes fiquem macias. Desligue o fogo e deixe esfriar à temperatura ambiente. São necessárias 3 xícaras de quinoa para os bolinhos.

Bata os ovos em uma tigela e reserve.

Misture a cebola, o alho, o queijo, a salsinha, as azeitonas, as raspas de limão, o panko, o sal, a pimenta e a quinoa. Adicione os ovos batidos e misture bem. Junte a água e mexa para deixar a quinoa levemente umedecida, caso contrário, os bolinhos podem ficar ressecados. 

Retire duas colheres de sopa da mistura, molde os bolinhos com as mãos úmidas e frite com uma frigideira antiaderente com azeite. Frite 4-6 de cada vez dependendo do tamanho da frigideira. Doure de um lado e depois do outro.

24.5.12

Em obras


O quintal está de pernas pro ar. Piso velho out, piso novo in. Mas ainda estamos na fase "out" e o dia passa enquanto tento ler e escrever ao som da britadeira. A obra não tem nem uma semana, mas vou lá fora e fico perguntando para os pedreiros qual a previsão para terminar tudo, o que preciso comprar, se já preciso comprar, como cada coisa será feita, etc. Enfim, sou control freak total. O pedreiro-mor é paciente e dá a entender que tudo está sob controle. Mas fico sempre com um pé atrás, cada pedreiro tem seu jeito de fazer as coisas, mania de quebra-galhos e sempre falta algo na lista de itens a serem comprados, o que me enerva. Cresci vendo meu pai mandar construir, quebrar e refazer a casa onde morávamos e destesto esse tipo de coisa. Basta dizer que a laje da casa foi colocada enquanto estávamos lá dentro, os móveis iam sendo arrastados de cômodo em cômodo, parecia um acampamento. Por outro lado, acabei aprendendo o nome de instrumentos e a identificar etapas de uma construção. Também devo dizer que pedreiros e agricultores são dois profissionais que admiro. Quem cultiva o que como ou sabe erguer uma casa tem meu respeito. (E espero continuar a ter essa opinião sobre os pedreiros daqui a um mês, quando essa arrumação termina).

22.5.12

Dos clássicos


Atualmente as únicas coisas que assisto com alguma regularidade são episódios de No Reservations com o Anthony Bourdain, pois ele me diverte muito, e Game of Thrones, que logo será substituído por True Blood. Cinema? A última vez foi em outubro. Sinceramente, prefiro ver filmes em casa.

Tenho uma lista de clássicos para assistir. Para começar, quero terminar Berlin Alexanderplatz do Fassbinder. Comprei a coleção em DVD de presente para o O. há alguns anos, chegamos até o oitavo episódio (são 14) e paramos. Preciso só de um pouco de fôlego para terminar de assitir o resto sozinha, pois acho que o O. não vai se entusiasmar (notem que foi ele quem pediu a coleção de presente), minissérie cabeça, sabem como é...

Esses dias vi "Breakfast at Tiffany's", ou "Bonequinha de Luxo", como foi traduzido no Brasil. A abertura é genial, a Audrey Hepburn é linda e classuda, mas o enredo é bem bobinho. E há frases literárias do tipo "You can't love a wild thing, Doc". Se eu fosse homem e uma mulher me dissesse algo parecido, teria que conter uma gargalhada, mas, bem, trata-se de uma adaptação de um livro do Truman Capote e frases que funcionam no papel nem sempre soam genuínas na tela. Os tempos também eram outros (e eu estou ficando velha e insensível).

Na lista estão "Casablanca" e "Citizen Kane". Ela está aberta, se alguém tiver alguma sugestão, pode fazer! (Também aceito sugestões de boas bobagens!).

19.5.12

Frango na cerveja


Receita para aquele dia de preguiça absoluta. Não costumo usar muitos produtos industrializados, molhos de tomate prontos, cubos de tempero e coisas do gênero para cozinhar, mas sempre tenho algum pacote de sopa de cebola na despensa para preparar algumas receitas de que gosto e acho bastante práticas como este frango na cerveja. 

Basta pegar seus pedaços de frango (usei sobrecoxas sem pele), colocá-los em um refratário/assadeira com a pele voltada para cima (caso não a retire), polvilhar a mistura de sopa de cebola sobre eles, adicionar algumas batatas descascadas e cortadas ao meio, juntar o conteúdo de uma lata/garrafinha de cerveja tipo pilsen sobre tudo e levar para assar até que o líquido se reduza, encorpe e o frango fique macio. O tempero é da sopa, algumas pessoas usam praticamente o pacote inteiro, mas acho o preparado da sopa salgado e tudo depende da quantidade de frango, eu usei bem pouco, para as cinco sobrecoxas, não cheguei nem a usar metade, fui mais generosa com a cerveja, chegando a cobrir quase 2/3 do frango com ela. (A cerveja tinha vencido e não ia jogar o resto fora, apesar de tudo, ela ainda daria algum caldo, literalmente).

Sirva com arroz e uma salada.

18.5.12

Kajii Motojiro


Kajii Motojiro é um escritor japonês do começo do século XX, ele morreu muito novo de tuberculose e deixou alguns poucos contos. Li alguns esses dias em japonês, eles são curtos e bem simples, mas os temas são bem diferentões, "fushigi" seria o adjetivo ideal para descrevê-los, uma mistura de misterioso, estranho e curioso. O mais famoso  é "Remon", isso mesmo, "limão" em inglês. O protagonista do conto está deprimido, doente e passa os dias percorrendo as ruas sem ter o que fazer e sentindo-se ainda mais miserável até que um dia compra um limão em uma quitanda. O pequeno fruto produz uma mudança em seu espírito e o leva a um curioso gesto de insubordinação.

Outro conto conhecido (pelos japoneses) chama-se "Há corpos enterrados sob as cerejeiras" no qual o personagem explica como chegou à conclusão presente no título.

Em "Carícia", o protagonista, sempre um alter-ego do autor, conta sua curiosidade "mórbida" em relação aos gatos. Por exemplo, como sempre teve vontade de usar um furador de papel naquelas orelhas de textura flexível. E um dia ele acaba mordendo a orelha de seu gato para comprovar sua sensibilidade. Outra obsessão é descobrir se um gato sem garras continuaria sendo um gato, felizmente, ele não chega às vias de fato. O conto termina com um sonho excêntrico.

O meu preferido é "Acasalamento", no qual o autor observa os ritos de reprodução de gatos e sapos. Pode parecer estranho, mas a atmosfera evocada pelo texto e a forma como Kajii Motojiro descreve as cenas são muito particulares: dois gatos brancos imóveis em um abraço na rua deserta e o sapo macho que canta para sua companheira e depois nada em sua direção ainda coaxando "como uma criança em lágrimas vai em direção de sua mãe".

Talvez seja possível encontrar alguns contos traduzidos para o inglês ou francês, mas ele não é muito conhecido no Ocidente. Se você ler em japonês, pode encontrar seus textos para download na internet, pois eles já são de domínio público.


16.5.12

Bolinhos de grão-de-bico e atum


Bolinhos simples feitos com grão-de-bico cozido (usei uma xícara de grão seco que deixei de molho na véspera e cozinhei no dia seguinte, se quiser, use o conteúdo de uma lata escorrido) e amassado com um garfo, 1 lata de atum em óleo (usei o óleo para umedecer a massa, se preferir, use atum em água), cheiro-verde picado, cebola (picada e previamente refogada em um pouco de óleo), sal e pimenta a gosto. A massa é moldada, passada em ovo batido e farinha de rosca. Asse os bolinhos em uma forma untada com azeite, vire uma vez para dourar dos dois lados.


14.5.12

Tomates recheados com proteína de soja


Tentando incluir a proteína de soja no cardápio, algo que ainda não nos agrada muito, mas a receita ficou bem comível.

Sem medidas. Pegue alguns tomates grandes, retire as sementes e o miolo (reaproveite-os em algum outro prato), tempere o interior com sal e deixe com o corte voltado para baixo para que um pouco do líquido escorra. Faça um refogado com óleo, cebolas, alho, azeitonas verdes picadas e proteína de soja previamente hidratada e escorrida. Tempere com sal e pimenta. Ao final, adicione um pouco de cream cheese (ou requeijão, ou algum queijo). Misture bem e recheie os tomates com essa mistura. Coloque as "tampinhas" dos tomates de volta e leve para assar em um refratário untado com azeite, espere os tomates ficarem cozidos e sirva.


13.5.12

Ateliê do Café


Depois de um Dia das Mães friozinho, que tal um café quentinho?

O. leu sobre os cafés do Ateliê do Café na Folha um dia desses e decidiu experimentar. Escolhemos dois pacotes de café moído para expresso e uma caixa de sachês para a máquina. A ideia original era comprar o café em grão, mas o O. se enganou e marcou a opção já moída.

O pacote de "Orgânico Premium" já acabou e começamos o "Bourbon Collection", ambos são bons, mas achei o orgânico ótimo, encorpado, forte e bem pouco amargo. O bourbon é gostoso, mas sem tanta personalidade em comparação. O sachê, "sweet collection", também vale a pena. Os cafés são produzidos por uma fazenda do grupo Dpaschoal. Gostei do trabalho deles e por isso escrevi este post de consumidora, pois não entendo nada do assunto, só repito o que as minhas papilas me disseram. Fazia tempo que não encontrava um café que me agradasse. A moagem dos grãos também é perfeita, aqui em casa eu brigo com o moedor para acertar o ponto correto.

Há outras opções no site. O O. teve uma grande dor de cabeça quando fez a compra usando o cartão, pois, ao escolher essa opção, foi enviado para um site da Cielo que pedia informações de senha ou algo do gênero (não entendi direito) e a atendente do cartão achou melhor cancelá-lo por precaução. Resultado, dez dias até receber um cartão novo. Ele reclamou sobre isso, mas nem o pessoal do cartão nem o vendedor da loja souberam dizer se aquele era um procedimento normal. No final, a compra foi feita por boleto, opção que parece não existir mais. Sei que é possível fazer compras ligando para o Ateliê.

Update: A compra pelo site funciona, é um procedimento normal, o cartão foi cancelado à toa.





9.5.12

Molho versátil de couve-flor e tomates


É, eu sei, receitas tornaram-se raras por aqui. Esses dias não tenho pensado muito na hora de preparar algo, ando sem entusiasmo de testar receitas, medir ingredientes, etc. Olho para a despensa e faço o que me dá na telha. Algumas coisas ficam boas, outras, bem, é melhor nem falar.

Gostei deste molho feito de improviso com uma couve-flor que estava na geladeria. Ele pode ser servido com uma massa ou polenta:

Refogue cebola, alho e uma couve-flor média picados em um pouco de azeite. Junte azeitonas pretas picadas, meia xícara de vinho tinto e uma lata de tomates pelados desmanchados com um garfo. Tempere com sal, um pouco de pimenta calabresa (ou dedo-de-moça sem sementes picada a gosto), orégano e uma pitada de açúcar. Deixe a couve-flor ficar macia e o molho apurar. Sirva.

Nota: anchovas e alcaparras seriam boas adições.



7.5.12

Doce doce de leite


Quando fomos pagar o almoço na Venda do Chico, o caixa, talvez o próprio Chico, perguntou qual foi a sobremesa que pedimos - foi um singelo romeu e julieta - e ele disse que devíamos provar o doce de leite que ele vendia, esse aí em cima, pois ele era o ganhador de um concurso de laticínios e considerado o melhor doce de leite do Brasil. Ficamos curiosos, prometemos comprá-lo na volta e realmente paramos na Venda do outro lado da rodovia só para pegar uma latinha (ou latão, pois 800g de doce é bastante). Ela foi aberta esses dias e tenho que concordar que ele é muito bom. Não é muito doce, tem uma consistência legal e poderia concorrer com qualquer doce de leite que provamos na Argentina. Fiz uma pesquisa e descobri que ele é pentacampeão na categoria doce de leite pastoso. E eu nem sabia que tal concurso existia...


6.5.12

Thinking, fast and slow - Daniel Kahneman



Li Thinking, fast and slow há algum tempo e achei o tema bastante interessante. Ganhador de um Nobel em economia, Daniel Kahneman estudou psicologia e pesquisa a forma como tomamos decisões. O autor divide a mente em dois "sistemas", o sistema 1, que toma decisões imediatas, de forma intuitiva, e o "sistema 2", que analisa as informações recebidas mais demoradamente. São eles que nos auxiliam a processar informações e a fazer julgamentos. O primeiro é rápido e propenso a ser influenciado pelas emoções, o segundo costuma ser lento e preguiçoso.

O livro é constituído de vários capítulos curtos onde o autor apresenta o resultado de pesquisas que mostram os dois sistemas em ação e, em particular, apontam que permitir que o sistema 1 tome as rédeas pode nos conduzir a decisões nem sempre ideais, uma vez que ele é suscetível a influências externas e a ignorar uma série de informações para construir um quadro geral de uma situação onde todas as peças se encaixam. Por exemplo, devido ao sistema 1, juízes estão mais aptos a dar sentenças favoráveis logo após fazer uma refeição e a ser menos generosos quando estão com fome. Em suma, uma série de pequenas coisas podem alterar uma opinião: estar de bom humor, pensar em algo alegre ou mesmo forçar um sorriso enquanto respondemos a um questionário poderá mudar nossas respostas.

Em outro contexto, imagine se fôssemos empresários ou tomadores de decisão. Os planos feitos sempre parecem melhores quando nós os elaboramos, pois acreditamos, erroneamente, que somos melhores do que "a concorrência" e não cometeremos os mesmos erros dos outros. Tudo será feito em prazos curtos, as possibilidades de algo dar errado são mínimas. E a confiança nesse quadro é tão forte que ignoramos dados e estatísticas de situações semelhantes que dizem exatamente o contrário. Em suma, agir dessa forma é absolutamente irracional. É essa irracionalidade que o livro procura apontar. Como quando investidores vendem ações lucrativas ao invés de vender as ações que apenas dão prejuízo na esperança de que elas lhe deem lucro no futuro. Ou confiam em análises financeiras que, estatisticamente, não tem fundamento algum. Ele também aponta, baseado em estatísticas, como "os especialistas" chamados para fazer previsões em diversar áreas são propensos a errar, especialmente quando são famosos e, por isso mesmo, muito confiantes em seu "taco".

E qual o interesse de saber essas coisas aparentemente tão banais? A resposta é: porque há gente que se dedica a estudar o comportamento humano e a usar essas informações a seu favor. O marketing das empresas, por exemplo, usa os estudos para melhorar seus resultados. Quando você vai comprar um iogurte qual estaria mais inclinado a comprar? Um em que estivesse escrito "90% menos gordura" ou "10% de gordura"? De imediato, a primeira opção parece mais atraente, não é mesmo? Mas são duas formas de dizer a mesma coisa. E por que os sites colocam aquele quadrado já marcado escrito "Desejo receber mais informações dos produtos da empresa" ou "Desmarque esta opção caso não deseje receber mais os nossos e-mails" quando poderiam simplesmente escrever: "Marque esta opção caso deseje receber mais informações", isso ocorre porque as empresas sabem que somos preguiçosos, não lemos letras pequenas e agimos pela lei do menor esforço. Pouca gente iria marcar a opção de receber mais informações por vontade própria, assim como muitas pessoas acabam não desmarcando a opção de não receber informações por pura preguiça ou descuido. 

O conselho da autor é que devemos tentar sempre analisar as informações de que dispomos com cautela antes de tomar uma decisão, pois o primeiro impulso nem sempre é confiável. O livro procura apontar onde podem estar os alçapões nos quais podemos cair e, assim, evitá-los. É importante "despertar" o sistema 2 e analisar as informações recebidas. Bem, há vários exemplos e resultados de pesquisas muito interessantes no livro e só passei alguns de forma aleatória, mas espero ter dado uma ideia do tema de que ele trata.

(Creio que não há tradução para o português).
 

4.5.12

Ladeiras e ruelas de Ouro Preto

Voltei com as batatas das pernas doloridas de tanto subir e descer ladeiras (especialmente subir, mas descer também exigia algum cuidado). As moradoras da cidade devem ter pernas bem torneadas e bumbuns durinhos, e merecem, pois não é moleza ir de um canto a outro.

Igreja de N. S. da Conceição olhando para a Igreja de Santa Efigênia dos Pretos no alto do morro.

Subindo...

A senhora lá em cima ia fazendo breves paradas para respirar...
Beco do pilão


3.5.12

Mina da Passagem - Mariana - MG

O trolley e a entrada da mina lá embaixo

Pegamos um táxi no último dia para visistar a Mina da Passagem que fica na estrada para Mariana bem perto de Ouro Preto. Dá para pegar o ônibus que sai de meia em meia hora na cidade e avisar ao cobrador (ou trocador, como nos explicaram) que se vai descer na entrada da mina, mas íamos embora e o tempo era curto. Pagamos R$ 40,00 para que o taxista nos levasse e ficasse esperando. Demos uma pechinchada na preço, pois como não há taxímetro, os valores de uma corrida podem flutuar... 

A entrada custava R$ 24,00 por pessoa, achei salgado pela infraestrutura oferecida (ou falta dela), mas é uma experiência interessante e o guia que nos acompanhou, o Ícaro - o das asas de cera na mitologia grega - era muito simpático. A visita dura cerca de 30 minutos e consiste em descer 315 metros em um trolley e percorrer um trecho curto dentro de uma mina de ouro desativada. As galerias mais profundas se encheram de água e formaram um pequeno lago onde algumas pessoas costumam mergulhar. Éramos os primeiros visitantes do dia e descemos sozinhos.


Dentro da mina

Devo confessar que fiquei um pouco apreensiva quando vi o trolley puxado por um cabo de aço, mas até me senti segura lá embaixo. As galerias abertas à visitação são amplas. Havia algumas pichações e nomes rabiscados em algumas paredes e o Ícaro nos explicou que a coisa era meio complicada quando havia grupos de estudantes. Que coisa feia, né?

Imagine que é preciso triturar uma tonelada de rocha para obter cinco gramas de ouro, no caso dessa mina, a exploração só seria viável em escala industrial! Se há algo que me deixa perplexa, é pensar que tanta gente se sacrificou e ainda se sacrifica por esses ditos metais e pedras preciosas que, no final , viram coisas absolutamente supérfluas. O ser humano é estranho.


A temperatura lá dentro é bem fresca, a tinta vermelha na parede marca os veios de diferentes minérios.

2.5.12

Janelas e portas de Ouro Preto

Janela de uma das inúmeras repúblicas estudantis da cidade. Achei esse negócio das repúblicas muito divertido, elas ocupam várias casas antigas do centro histórico e cada uma delas tem um nome e às vezes algum tipo de símbolo.
O entregador passa de moto e deixa as sacolas com os pães na frente das casas pela manhã.

Janela enfeitada com kirigamis.

Gostei muito da pintura da janela.

Devagar... as janelas olham...

Há balcões de todas as cores
Janelas usadas como vitrine em uma loja

Bela combinação de cores


1.5.12

Para se ver em Ouro Preto - MG

Vista da cidade


Para começar, devo dizer que não entrei no Museu dos Inconfidentes. Ele abria após o meio-dia e combinei que iria entrar com o O. antes de irmos embora, mas aí decidimos adiantar a volta para evitar uma chuva que aparecia na previsão do tempo e também o trânsito do feriado e o Museu continuou desconhecido. Mas ele é o maior, difícil de não ser notado na Praça Tiradentes.


Casa dos Contos


Passei pela Casa dos Contos, um belo casarão que foi o prédio das arrecadações tributárias no século XVIII e também local onde alguns dos inconfidentes ficaram presos. Ele foi revitalizado e transformado em museu. A entrada é gratuita. Há instrumentos usados na época e utensílios domésticos expostos na antiga senzala, entrei e saí rápido, dá uma sensação ruim ficar vendo instrumentos de tortura...

Atrás do museu há um parque e caminhos que levam até a Praça Tiradentes e à rodoviária. É bem agradável e tranquilo caminhar por ali ou sentar em um dos bancos das paradas estratégicas para descansar um pouco antes de retomar a subida.

Entrada da Casa dos Contos

Em  uma das passagens pela R. Direita, a rua das lojinhas e de vários restaurantes, dei uma parada na Casa Museu Guignard dedicada ao pintor de mesmo nome. É um sobrado onde estão expostos alguns cartões desenhados por Guignard e alguns de seus quadros. Pena que haja tão pouca coisa, mas imagino que seria necessária uma verba muito grande para adquirir mais obras.

 Casa Guignard
Detalhe da janela

Esta é uma visão da cidade que se espalha pelos morros ao redor da parte histórica, várias casinhas coloridas e juntinhas