Acabei de ler um livro de gramática alemã. Apesar de ter seguido um curso por quase seis anos, há várias lacunas em meu aprendizado e ainda não leio textos nessa língua com a fluência que desejaria. Seguir um curso por anos a fio não significa que você vai sair sabendo tudo ou falando tudo fluentemente. Como em qualquer curso, ele fornece a base, o resto é com você.
Meus professores de faculdade batiam sempre na tecla de que, sempre que possível, era melhor ler os autores na língua original e sou uma defensora dessa ideia. Um livro traduzido, por mais fiel que seja ao original, sempre é transformado de alguma forma. Escritores têm suas preferências de palavras e um estilo próprio. Tradutores, por mais que sejam fiéis ao original, também são pessoas com uma história e preferências que tomam decisões na hora de traduzir uma palavra e acrescentam algo de seu ao texto.
No fundo, acho que juntei o útil ao agradável, pois sempre gostei de estudar línguas e de ler. As duas atividades sempre me proporcionaram um imenso prazer e, cada vez que chego ao ponto de conseguir ler um livro inteiro em outra língua (nem que seja com o dicionário em punho), o sentimento de realização é imenso. É como escalar uma montanha após uma longa caminhada. E há o enriquecimento, com o aprendizado de uma língua, um universo deixou de ser absolutamente hermético para você.
Tenho um livro do Georg Büchner em alemão pedindo para ser lido e também quero reler Nietzsche, agora no original, um pensador pelo qual tenho um certo carinho, por ter sido o primeiro a cruzar meus passos. Acho que ele é mal compreendido e tomo a liberdade de abrir um parênteses para defendê-lo. Todo aquele negócio de superioridade, super-homem, etc., tornou-o antipático para muita gente. Para mim, suas ideias expressam mais uma afirmação da vida. Debaixo da linguagem provocativa, o que ele procura é mostrar como vivemos sujeitos a uma série de concepções morais que não permitem que desenvolvamos todas as nossas potencialidades, que nos reprimem, e, no final, acabam fazendo com que sigamos o "rebanho".
O dionisíaco é a arte, a autentcidade, a liberdade, em contraposição ao apolíneo, aos valores do decoro e do bom-comportamento. O super-homem, nada mais é do que uma mistura do filósofo com o artista, aquele que não reprime seu potencial, sua vitalidade. E quando alguém nos pergunta se desejamos viver nossa vida novamente sem mudar uma vírgula e somos capazes de dizer "sim!" todas as vezes, isso é a afirmação de que nossa existência não foi obra do acaso e das circumstâncias, mas foi forjada, desejada em cada detalhe, por nós.
O dionisíaco é a arte, a autentcidade, a liberdade, em contraposição ao apolíneo, aos valores do decoro e do bom-comportamento. O super-homem, nada mais é do que uma mistura do filósofo com o artista, aquele que não reprime seu potencial, sua vitalidade. E quando alguém nos pergunta se desejamos viver nossa vida novamente sem mudar uma vírgula e somos capazes de dizer "sim!" todas as vezes, isso é a afirmação de que nossa existência não foi obra do acaso e das circumstâncias, mas foi forjada, desejada em cada detalhe, por nós.
Faz muito tempo que li o autor, nunca o estudei muito a fundo, e é fácil torcer o pepino das palavras e fazer com que elas digam o que desejamos, mas é assim que vejo Nietzsche.