10.10.11

Colonia del Sacramento

 

Aproveitamos o fato de que íamos passar mais tempo em Buenos Aires para encaixar um day tour em Colonia del Sacramento, no Uruguai. Trata-se de uma cidade fundada por portugueses no século XVII, ela era considerada um ponto estratégico pela sua posição na margem oposta a Buenos Aires no rio de la Plata e passou das mãos dos portugueses para as dos espanhóis várias vezes até a criação do Uruguai. Seu centro histórico é considerado patrimônio da humanidade pela Unesco.  

Comprei as passagens do Buquebus, um ferry-boat que liga Buenos Aires a Colonia no dia anterior à viagem. É possível comprá-las pela internet, mas como queria me certificar de que o tempo estaria bom, resolvi ir até a agência Buquebus próxima do hotel. (A Colonia Express e a Seacat também fazem o trajeto). Passei por lá pela manhã, mas como estava sem o número de algum documento do O. comigo, tive que voltar na parte da tarde. Falei meu nome para a recepcionista e fiquei esperando, havia bastante gente aguardando, pois a agência funciona como agência de turismo normal. Comprei apenas as passagens com ida às 8:45h e retorno às 16:30h no buque rápido que leva uma hora para fazer a travessia. (Há um buque lento de três horas mais barato).

Recomenda-se que se chegue uma hora antes do embarque para o check-in e a imigração. Chegamos um pouco depois disso e pegamos uma fila grande e depois subimos para fazer a imigração. Na mesma cabine, o fiscal argentino carimba a sua saída no passaporte (caso o use) e um fiscal uruguaio carimba a entrada, o mesmo ocorre na volta em ordem contrária. 

Quando entramos, havia assentos vazios apenas perto dos banheiros no segundo andar, em uma área sem janelas e foi onde ficamos. Se você viajar em família e quiser um bom lugar (com vista) recomendo que chegue mais cedo, pois os assentos não são numerados e cada um se senta onde quer. Achei isso meio chato. Nem todos os buques têm a mesma disposição de assentos e, na volta, só havia lugares isolados e os membros das famílias tinham que se sentar longe uns dos outros. Há uma primeira classe que fica quase vazia, mas o preço não deve compensar o tempo curto de travessia. Muita gente fica circulando no interior do buque para comprar algo na lanchonete ou no free shop. Eu não ligo para isso, mas há quem goste.

Não há muito o que ver durante a viagem. Só o rio de la Plata de todos os lados, mas como ainda estava com o Maldita Guerra, do Francisco Doratioto, fresco na minha memória, não consegui deixar de pensar que estava cruzando um rio onde muita coisa já aconteceu, o que não deixa de ter a sua emoção.

O engraçado foi a chegada. A mensagem que ouvimos foi: "Informamos que os passageiros devem permanecer sentados até que o desembarque seja autorizado". Ok. Ficamos sentados esperando até que começamos a achar que a espera estava demorando muito, olhei para os bancos detrás e não havia mais ninguém além de uns estrangeiros com cara de que não estavam entendendo nada. Nós nos levantamos e quase todo mundo já tinha saído. Passamos pelos estrangeiros que nos seguiram.  Enfim, alguém se esqueceu de avisar que já podíamos descer e, como estávamos longe da saída, ficamos bestamente mofando lá dentro. (Na volta, estávamos sentados perto da saída e vimos como todos respeitam o "permaneçam sentados").



Como só peguei o day tour sem o "tour" propriamente dito, acabamos alugando um carro na locadora do terminal e esse foi o grande dissabor de nosso passeio. A ideia inicial era alugar um tipo de carrinho de golfe para passear pela cidade durante algumas horas (também é possível alugar bicicletas e motos), mas como estava ventando e havia sol, O. preferiu ficar com o carro porque o achou mais confortável. Os preços eram em dólares bem inflacionados e, como garantia, deixamos o carbono do cartão de crédito. 

Colonia é uma cidade pequena, a área turistica, o centro histórico propriamente dito, fica um pouco afastada do terminal e é interessante alugar algum meio de transporte para ir até lá, ou mesmo pegar um táxi, especialmente se houver crianças ou pessoas idosas. Fora passear pelas suas ruas de pedra, ver as construções e comer algo em uma mesa ao ar livre, não há muito o que fazer. Com exceção dos estabelecimentos comerciais, as casas do centro histórico não parecem ser habitadas, elas estavam todas com portas e janelas fechadas, o que achei uma pena. Há alguns museus, mas acabamos não entrando em nenhum deles.

Pagamos 4 pesos argentinos para subir as escadas estreitas do farol e vimos a cidade lá de cima. (A maioria dos estabelecimentos aceita pesos uruguaio, argentino, dólares e mesmo reais, pergunte antes). Recomendação: não suba com uma saia curta se não quiser mostrar mais do que deseja ou se tiver problemas de claustrofobia, use sapatos confortáveis.



Vista do centro histórico do farol, terminal do buquebus ao fundo.



A Calle de los suspiros é famosa por ter sido a antiga "rua da luz vermelha" local, se não fosse por isso, passaria despercebida, mas como todos tiram fotos dela (e particularmente desta casa) eu segui a tradição.




Almoçamos no centro histórico e fomos de carro até uma feira de artesanato marcada no mapa que recebemos na locadora e até o shopping local. A feira era bem sem graça, algumas barracas com objetos de couro, pano, lã, etc., e o shopping é bem pequeno, mas bom para quem quiser usar o wifi gratuito. 



 Uma espécie de praia na margem do rio. Colonia é um lugar tranquilo, com ar nostálgico...



... onde os cães dormem sossegados. (Eles mereciam uma foto, não mereciam?).



Depois de nossa experiência na ida, resolvemos chegar mais cedo para embarcar na volta. Antes disso, paramos em um posto para encher o tanque do carro como era o combinado com a locadora e a bomba já ultrapassava os 5 litros quando o O. pediu para o frentista parar, rodamos cerca de 25km e tínhamos recebido o tanque teoricamente cheio, mas obviamente aquilo não era verdadeiro, a menos que o nosso carro chinês "econômico" fosse um inveterado bebedor de combustível. 

O. tentou explicar a "ilógica" daquilo para o atendente da locadora, pois, primeiro, o tanque obviamente não estava cheio quando retiramos o carro, segundo, como eles apenas checam se as seis barras do mostrador de combustível estão iluminadas, uma pessoa pode perfeitamente entregar o carro sem colocar uma gota de combustível e a pessoa que pegar o carro depois poderá ter que colocar muito mais combustível do que efetivamente usou. Não esperávamos que o dinheiro fosse devolvido (na conversão para pesos do posto, pagamos quase R$5,00/litro), apenas que reconhecessem que aquilo não funcionava muito bem. Depois de uma discussão inicial onde ninguém se entendeu, o atendente disse que ia cobrar uma diária a mais porque tínhamos chegado duas horas depois do horário de fechamento, isso porque pegamos o carro por volta das 10:00h e voltamos às 15:00h do mesmo dia. Tivemos que explicar isso também. Pagamos a locação em dólares e ele devolveu o carbono com o número do cartão de crédito.

Acho que é mais tranquilo (e bem mais barato) alugar um carrinho de golfe ou veículos menores e pagar pela hora. Também há uma outra locadora do lado de fora do terminal, após a portaria. No fim, eu ficaria só com o táxi para ir e voltar do centro histórico. Ou compraria o pacote de buque + tour.

Apesar disso, foi um passeio gostoso.



 O buque da ida no terminal de Colonia


O interior do buque da volta

5 comentários:

Quéroul disse...

eeeeeeeeeeeee, que lindo. ontem mesmo eu quase voltei uma terceira vez na outra postagem pra pedir a postagem sobre Sacramento (mas eu sabia que você ia fazer, eeeeee).

eu quero ir lá, achei tão bonitas as fotos que eu vi uma vez, e as suas agora.

tirando seus contratempos, tava bonito, né? olha o céu!!!
adorei.

;)

Akemi disse...

Morri de rir com a situação do aviso de esperar! Mas o lugar é mesmo lindo e tão limpo! E os doguinhos dormindo são uma graça, o segundo até lembra minha Laikinha! Estou adorando sua viagem! :)
Bjss

Karen disse...

Quéroul, Colonia é um lugar bem tranquilo, bom para um passeio descontraído.

E é verdade, pegamos um tempo ótimo!


Akemi, pois é, acho que não teria sido diferente se fosse no Brasil, mas ficamos lá, esperando. O bom é que já não havia quase ninguém para desembarcar. rs

Os cães estavam tão à vontade! Muito fofos!

Rodolfo Junger Rodolfo disse...

Quais são as exigências para alugar o carrinho de golfe? Tenho 19 anos e tenho carteira de motorista.

Karen disse...

Rodolfo, acho que isso já é suficiente, é como alugar um carro.