20.9.08

Clafoutis de banana

Receita Marmiton. Clafoutis é um tipo de "pudim" com alguma fruta, desta vez usei as bananas maduras da fruteira. Na receita original o rum entra no final, ele é espalhado sobre o clafoutis e flambado antes de ser servido, mas eu o adicionei às bananas depois de cortadas junto com um pouco de canela o que fez com que seu sabor desaparecesse. Vou experimentar flambar no final da próxima vez.

Clafoutis de bananas

2 c sopa bem cheias de farinha
7-8 c sopa de açúcar
3 ovos
50 g de manteiga em pedaços
2 x de leite
1 pitada de sal
4 bananas nanicas maduras em rodelas rum (cerca de 2 c sopa)
canela em pó

Bata (a mão ou no liquidificador) a farinha, o açúcar, os ovos (passe as gemas por uma peneira se quiser diminuir o aroma característico do ovo), o leite e o sal.
Unte um refratário com manteiga e espalhe aí as rodelas de banana (eu as salpiquei antes com canela). Derrame a massa sobre elas e finalize espalhando os pedaços de manteiga sobre a massa.
Asse em forno preaquecido à 220C por cerca de 40 min.
Polvilhe o clafoutis com açúcar e depois volte ao forno para caramelizar um pouco.
Deixe amornar, derrame o rum sobre a massa e flambe pouco antes de servir.
(Acho que o clafoutis morno é o ideal, se deixada na geladeira por algum tempo a massa fica meio dura).


17.9.08

Karê à moda japonesa

Esta receita é de um livro de culinária japonesa que trouxe da casa da minha mãe. Gosto muito desta receita de curry porque ela é mais adocicada, bem ao estilo japonês. Outra coisa que me agrada é o fato da carne ser temperada antes de ser adicionada aos outros ingredientes. Os japoneses chamam isso de "shita aji", é um "pré-tempero", algo de que às vezes sinto falta em algumas receitas que apenas pedem para ajustar o tempero ou adicionar o sal minutos antes da finalização do prato, acho que muitas vezes isso deixa a carne sem gosto e sem graça. De regra, sempre que, em uma receita, a carne é cozida por pouco tempo sem um molho já temperado, eu a tempero com ao menos um pouco de sal para que ela não fique insossa.
A receita original é feita com carne de boi, mas ela pode ser substituída por frango (como fiz) ou filé mignon de porco por exemplo.

Karê ao estilo japonês

Prepare a carne:
150 g de carne de sua preferência em fatias finas (filé de frango, algum corte macio de boi, ou filé mignon de porco)
1 c sopa de shoyu

1 c sopa de maisena

1 c sopa de óleo

1 c chá de açúcar


Tempere a carne com o shoyu, óleo, água, açúcar e polvilhe com a maisena. Misture e deixe marinar por alguns minutos.

Prepare o curry:
1 x de cebola fatiada
2 x de batatas descascadas e picadas
1/2 x de cenoura em rodelas
1 c sopa de curry em pó (ou de acordo com sua preferência)

2 c sopa de óleo

2 x de água
1 c chá de sal
1/2 c chá açúcar

Em uma panela, aqueça o óleo e refogue a cebola, abaixe o fogo, adicione o curry em pó e misture por alguns segundos. Junte a cenoura, a batata e, em seguida, a água. Tempere com 1 c chá de sal e 1/2 c chá de açúcar. Deixe cozinhar com a panela tampada até que os legumes fiquem macios. Assim que isso acontecer, adicione a carne, misture e deixe no fogo apenas o tempo suficiente para que a carne fique cozida e o molho engrosse. Retire de fogo e sirva com arroz.

13.9.08

Muffins de legumes com frango defumado

Simpática e gostosa receita publicada pela Ana há algum tempo. Adoros cakes e muffins salgados para acompanhar uma salada, como havia um pouco de frango defumado na geladeira, resolvi colocá-lo disfarçadamente na massa para que o marido o comesse sem reclamar (ele diz que não aguenta mais frango sob forma alguma!).

Muffins de legumes com frango defumado

1 x de farinha
1 x de fubá
1 c sopa de açúcar
2 c chá de fermento em pó
1/2 c chá de sal
1/4 x de queijo parmesão ralado
1 ovo
3/4 x de leite
1/4 x de óleo
2 c sopa de manteiga derretida
1/2 x de tomates sem pele e sem sementes picados
1/2 x de zucchini/abobrinha ralada
1/2 x de cenoura ralada
1/4 x de cebolinha picada

Preaqueça o forno à 200C. Misture a farinha, o fubá, o açúcar, o fermento em pó, o queijo parmesão e o sal. Em outro recipiente, combine o ovo, o leite, o óleo e a manteiga. Junte aos ingredientes secos e misture bem. Depois, adicione os legumes e misture muito bem. Coloque a massa em formas de muffim untadas. Asse por 20-25 min ou até dourarem. Sirva morno. Rende 12 muffins.

9.9.08

The sun also rises - Ernest Hemingway

O sol também se levanta, outro livro de Ernest Hemingway. Boa história, mas gostei mais das memórias de Paris. Deve ser porque eram de Paris, cidade que ainda vou conhecer. Ah, se vou!

Entretanto, a história começa em Paris onde Jake Barnes encontra seus amigos intelectuais da “geração perdida” em cafés e restaurantes. Ela é sobre boêmios que bebem álcool sob várias formas e nomes, vivem duros e quando têm algum dinheiro gastam-no com estilo.


Jake e seus conhecidos saem da França e vão até a Espanha pescar trutas nas montanhas e depois passam alguns dias em Pamplona para assistir à temporada de touradas. No grupo, há quatro homens e uma mulher, Brett, pela qual três deles são apaixonados. Ela é o elemento perturbador da paz geral e termina nos braços de um toureiro quinze anos mais moço.


Desculpem a simplificação. Acho que não gostei muito do livro. Vou ler Turgenev que Hemingway recomenda que todos leiam.

What I talk about when I talk about running - Haruki Murakami

Acabei de ler o último livro de Haruki Murakami traduzido para o inglês, What I talk about when I talk about running, a entrevista da Der Spiegel entregou boa parte do conteúdo da obra, ela é praticamente um diário das maratonas que o autor fez pelo mundo depois que começou a correr após os trinta anos, mais ou menos na mesma época em que ele decidiu fechar o bar que tinha em Tóquio para viver da escrita.
Murakami procura mostrar a relação entre a corrida e a vida de escritor e explica como ambas as atividades exigem disciplina, força de vontade e empenho. O livro também revela sua preocupação com a idade e os limites que o passar dos anos impõe ao corpo. Por meio deste livro, os fãs de Murakami podem dar uma espiada em outra faceta do autor, mas tive a impressão de que apesar de tratar-se de uma espécie de diário, Murakami não abre mão de uma certa reserva…




Bolo de iogurte e maçãs carameladas

Descasque, fatie algumas maçãs e distribua as fatias no fundo de uma forma untada com manteiga. Faça um caramelo (eu faço a olho, derreto açúcar, depois que ele derrete, despejo água quente e deixo cozinhar até que o açúcar caramelado se dissolva novamente e adquira a consistência que desejo, geralmente, não muito espesso) e derrame-o sobre as fatias de maçãs. Cubra com a massa de bolo de iogurte (ou outro bolo de sua preferência) e leve para assar.
Na hora de desenformar, algumas fatias de maçãs podem ficar grudadas no fundo da forma, mas basta recuperá-las e colocá-las de volta no bolo.

5.9.08

Mil-folhas de beterraba

Recebi a revista Cuisine et vins de France hoje e tive que testar esta receita. Para quem gosta da combinação agridoce (e de beterrabas), ela é perfeita. Não tinha o queijo de cabra, então usei queijo branco, quebrou o galho, mas a verdade é que o queijo de cabra tem um gostinho muito especial, preciso repetir a receita com ele algum dia.


Mil-folhas de beterraba

4 beterrabas médias cozidas/assadas inteiras
400g de queijo de cabra fresco (usei queijo branco, ricota também deve funcionar)

4 c sopa de mel (leve ao microondas por alguns segundos para que fique mais líquido)

2 c sopa de vinagre balsâmico
sal
pimenta

Descasque as beterrabas e corte-as em rodelas (você pode retalhar os pedaços se quiser que fiquem com tamanhos parecidos, mas acho desnecessário).
Amasse o queijo com um garfo e tempere com pimenta do reino. Faça camadas de rodelas de beterraba e queijo amassado em quatro pratos individuais, termine com uma rodela de beterraba.
Misture o vinagre balsâmico com o mel, tempere com sal e pimenta. Derrame um pouco desse molho sobre as torres de beterraba pouco antes de servir.

24.8.08

Creme (não) brûlée de café

Ainda estou usando os ingredientes do cheesecake que não fiz. Estava evitando fazer sobremesas, mas O. ameaçou um motim se eu não preparasse algo doce, então, peguei a garrafa de 500ml de creme de leite que ia vencer na próxima semana e a usei em uma mousse de chocolate (foto abaixo) e neste creme de café que acabou sem a crostinha de açúcar queimado porque não tenho o maçarico culinário para isso. Agora O. não pode reclamar e estamos todos felizes. Ele pode encher a cara de açúcar e eu usei todo o creme de leite e ainda aproveitei as gemas que sobraram da receita de mousse.
O creme é delicioso mesmo sem o açúcar queimado e também é muito fácil de fazer, eu me inspirei em uma receita em francês que encontrei aqui.

Creme brûlée de café

4 gemas passadas por uma peneira
1/3 de litro de creme de leite fresco (cerca de 330ml)
1 c sopa bem cheia de nescafé em pó
100g de açúcar demerara
30 g açúcar demerara

Bata as gemas com o açúcar até que a mistura fique esbranquiçada.
Ferva o creme de leite e adicione o nescafé, misture bem.
Junte a mistura de ovos com o creme de leite. Distribua o creme em quatro ramequins pequenos. Coloque os ramequins dentro de uma forma grande com água quente e asse em banho-maria por cerca de 50min, ou até que as bordas do creme estejam firmes, mas o meio ainda dê uma "tremida" quando o ramequin for tocado.
Deixe esfriar, coloque na geladeira e, pouco antes de servir, polvilhe com o açúcar demerara e queime com um maçarico.

A mousse de chocolate

4.8.08

Suflê de fubá e queijo

Receita da embalagem de fubá, parecia tão fácil e eu precisava de um acompanhamento para o almoço, então não deu outra, acabei preparando o suflê. Só não tinha o queijo branco pedido e, como sempre, usei restinhos de queijo que estavam na geladeira. Ficou gostoso, achei a massa pesada, mas até que ela cresceu enquanto assava. Muito prática. Fiz meia receita.

Suflê de fubá e queijo

 
2 x de leite
1 x de fubá
1 c chá de sal
4 c sopa de manteiga
4 ovos (claras e gemas separadas)
1/2 x de queijo minas cortado em cubinhos (ou outro de sua preferência)

Unte uma forma refratária própria para suflê (ou seis ramequins pequenos) e reserve.
Coloque o leite em uma panela, junte o fubá aos poucos e misture bem. Leve ao fogo, mexendo sem parar, para não empelotar, até obter uma mistura lisa e consistente. Tempere com sal e acrescente a manteiga, tire do fogo e misture. Deixe amornar. Em uma tigela, bata as gemas, junte o queijo e miture ao fubá quase frio. Bata as claras em neve firme, adicione à mistura e com uma espátula, misture delicadamente. Despeje na forma e leve ao forno moderado (170), pré-aquecido, por 35-40 min ou até que o suflê fique fofo e dourado na superfície. Sirva em seguida.


Bola de sebo e outros contos - Maupassant



Bons livros levam a outros livros, isso é inevitável. Após os elogios feitos por Nagai Kafu aos textos de Guy de Maupassant, não podia mais ignorar a existência deste último. Tinha um livro com alguns contos traduzidos e comecei a folheá-lo para conhecer o autor e gostei de tudo o que li. As histórias são muito bem contadas, muito boas mesmo. O autor mostra personagens bem humanos, com mais fraquezas e vícios do que virtudes, ardilosos e ignorantes.

Gostei muito de Bola de sebo, A pensão Tellier, Em família e Miss Harriet. Este último conto é muito bonito e delicado. Um dos últimos textos, Horla, é um conto fantástico muito interessante que talvez destoe um pouco do tema dos contos recolhidos no volume, pois a maioria trata de relacionamentos, mas é interessante observar como Maupassant constrói a história.

Acho essa descrição do Sr. Caravan, do conto Em família, muito bem feita:

“Estava velho agora, e não tinha sentido passar a vida, pois o colégio fora continuado pela repartição, e os bedéis, ante os quais ele tremia outrora, achavam-se hoje substituídos pelos chefes, a quem temia horrivelmente. A vista desses déspotas de gabinete o fazia estremecer dos pés à cabeça; e, desse contínuo terror, ficara-lhe uma maneira desajeitada de se apresentar, uma atitude humilde e uma espécie de gaguice nervosa.”

E este trecho de Monsieur Parent:

“Ele envelheceu entre o fumo dos cachimbos, perdeu os cabelos sob a chama do gás, considerou como acontecimentos o banho de cada semana, o corte de cabelo de cada quinzena, a compra de um traje novo ou de um chapéu. Quando chegava à sua cervejaria com um chapéu novo, contemplava-se longamente ao espelho antes de sentar-se, punha-o e tirava-o várias vezes seguidas, acomodava-o de diferentes modos, e perguntava enfim à sua amiga, a caixa do estabelecimento, que o olhava interessada: ‘Acha que me assenta bem?’
 Duas ou três vezes por ano ele ia ao teatro, e, no verão, passava algumas vezes as suas noites num café-concerto dos Campos Elíseos. De lá trazia na cabeça árias que cantavam no fundo de sua memória durante várias semanas e que ele chegava mesmo a cantarolar, batendo o compasso com o pé quando se achava sentado ante seu chope.
Os anos se sucediam, lentos, monótonos, e curtos porque eram vazios.”