16.12.11

Mochi com gergelim e mel

mochi grelhado com molho de shoyu, gergelim e mel


Coloquei um dos mochis que fiz em uma frigideira antiaderente sem gordura e deixei até que os dois lados ficassem levemente dourados e o interior ficasse macio e comi com um molho à base de shoyu, mel e sementes de gergelim trituradas. Como devolvi o suribachi (espécie de pilão japonês) que havia "emprestado" da minha mãe, usei um moedor elético de café que uso também para moer temperos para triturar grosseiramente o gergelim. Ficou gostoso, mas ainda prefiro a forma mais simples, apenas com shoyu e açúcar. São sabores da infância.

Os mochis também podem ser grelhados sobre carvão ou diretamente sobre a chama do fogão se você tiver uma daquelas telinhas de metal (não sei o nome) próprias para isso. Também é possível usar colocar o mochi na máquina de waffles e fazer "moffles". Há quem faça "sanduíches" com queijo e presunto assim.

Os acompanhamentos e molhinhos são limitados apenas pelas preferências e imaginação de cada um.


moffle com molho de shoyu e açúcar

15.12.11

Mochi de micro-ondas




Mochi (pronuncia-se "moti") é um bolinho de arroz japonês. Segundo a tradição, ele não pode faltar nas comemorações de Ano Novo para trazer boa sorte. (E, por isso mesmo, ele também é responsável por algumas mortes de final de ano no Japão, pois algumas pessoas, especialmente idosos, costumam engasgar com esse bolinho grudento).

Meu pai sempre comprava alguns pacotes de mochi já pronto nas lojas de produtos japoneses. Eles entravam na composição do zouni ou eram grelhados em uma frigideira sem óleo só para dar uma dourada dos lados e comidos com um pouco de shoyu e açúcar pela manhã, no lugar do pãozinho. Na época, não ligava muito, comia mais pela tradição, mas hoje sinto saudades do aroma dos mochis sendo grelhados e do próprio mochigome sendo cozido. Estou ficando velha mesmo.

Também lembro de algumas tentativas de fazer mochi em casa. Como estava fora de questão adquirir o aparato tradicional (kine e usu, aquela grande marreta e o pilão), uma vez meu pai resolveu comprar um moedor manual de café por onde minha mãe tinha que passar o arroz cozido. Foi uma lambança que deu mais ou menos certo, mas a experiência nunca mais foi repetida e voltamos a comprar nosso mochi. (O moedor enferrujou e foi jogado fora).




Este ano, fiquei com vontade de preparar meu próprio mochi, especialmente depois que minha mãe aprendeu a fazê-lo de uma forma menos trabalhosa e sofrida com a minha cunhada (que, por sua vez, aprendeu a receita com sua chefe). Ela me explicou o processo no ano passado, mas acabei não preparando porque eu não comeria muitos e o O. não comeria nada.

O preparo é bem simples, basta bater o mochigome (arroz glutinoso) no liquidificador com um pouco de água e depois levar a mistura para cozinhar no micro-ondas. Achei bem fácil, a parte mais chata é moldar a massa ainda quente. (Também preciso desenvolver uma técnica para moldar bolinhos mais bonitos).


Arroz japonês tradicional à esquerda e o mochigome à direita, mais branquinho. O mochigome é mais "grudento" do que o arroz japonês usado para fazer sushi. (Só agora vi que um grão de mochigome foi parar no outro monte de arroz, é que a garota aqui é muito cegueta!).


Passo a receita com uma série de observações feitas pela mãe minha ao telefone e também algumas conjecturas próprias. Fiz a quantidade abaixo, que é mínima e rende cerca de oito mochis de tamanho tradicional. Achei o resultado muito bom e tenho grandes planos para meus oito exemplares. Vou comer alguns grelhados e penso em congelar outros para fazer zouni no Ano Novo.

Espero que a receita seja útil para vocês. Raramente passo "receitas de festa" nesta época do ano porque, sinceramente, preferiria não ter que me preocupar com a cozinha no Natal e no Ano Novo e costumo me limitar a algo bem simples, mas este ano estou nostálgica e pretendo testar mais alguns pratos japoneses que comia quando morava na casa dos meus pais. Se derem certo, coloco aqui. :)




Mochi de micro-ondas


2 x de mochigome (*)  lavado, deixado de molho em água de um dia para o outro e depois escorrido (cerca de uma xícara e meia de mochigome seco rende mais ou menos essa quantidade depois de ficar de molho)
1 x de água
amido de milho para envolver os bolinhos

(*) arroz próprio para fazer mochi vendido nas lojas de produtos japoneses


Lave e deixe o mochigome de molho de um dia para outro. No dia seguinte, escorra sobre uma peneira e bata no liquidificador muito bem com a água. (A proporção passada pela minha mãe foi de 1 x de água para 2 x de mochigome deixado de molho e escorrido. Essa é uma quantidade boa para bater sem sobrecarregar o aparelho).

Coloque essa mistura em um  recipiente grande que possa ser levado ao micro-ondas, cubra com filme plástico e cozinhe por 12 minutos. (Vi uma receita na qual a mistura era cozida por dois minutos, retirada do micro-ondas, mexida e depois cozida por mais dois minutos, o processo era repetido até que a massa adquirisse uma consistência firme, mas elástica. Fiz de acordo com as instruções passadas pela minha mãe, mas ela costuma dobrar a receita que cozinha no micro-ondas. Tive a impressão de que poderia ter deixado menos tempo para a quantidade que fiz, achei que a massa ficou um pouco mais firme do que o ideal e que uns 7-8 minutos seriam suficientes, preciso fazer mais testes com o tempo de micro-ondas e com a proporção de água e mochigome).

Depois de cozinhar o arroz, retire o recipiente do micro-ondas e remova o filme plástico com cuidado para não se queimar com o vapor. Coloque o recipiente sobre um pano de prato ou uma superfície que não provoque choque térmico e possa quebrar o recipiente quente. Passe uma faca molhada pelas laterais para desgrudar a massa. Misture-a com um shamoji/colher ou espátula molhada para evitar que o arroz grude demais, mexa por alguns minutos, molhando a colher sempre que ficar difícil misturar. (Segundo minha mãe, isso torna o mochi mais grudento, característica desejável nessa iguaria. Também desconfio que seja uma forma de esfriar a massa um pouco antes de trabalhá-la). 

Despeje a mistura em uma assadeira ou superfície coberta com amido de milho, retire porções da massa ainda quente com as mãos envolvidas em amido, molde os bolinhos e passe-os também pelo amido para que não grudem uns nos outros. (Segundo minha mãe, a massa deve estar ainda quente pois ela endurece depois de fria e dificulta o trabalho).


shamoji para mexer o arroz e uma tigela com água
Se desejar, passe os mochis pelo kinako (soja torrada em pó) ou sementes de gergelim ao invés do amido. Você também pode recheá-los com anko (doce de feijão azuki). Enfim, há muitas possibilidades.


arroz depois de ir ao mircro-ondas


14.12.11

Cerco de penumbras - Oscar Cerruto



Oscar Cerruto (1912-1981) é o primeiro escritor boliviano que leio graças à generosidade de uma leitora do blog que mora em Santa Cruz de la Sierra. Cerco de Penumbras é uma coletânea de contos. Há muitos acontecimentos sobrenaturais neles. Angústia também. Alguém está sempre prestes a morrer ou algum acontecimento funesto paira no ar. Há alguns contos com assuntos mais prosaicos, cenas da cidade, como o do escroque que rouba no jogo de cartas com a ajuda de um menino deficiente, ou os encontros fortuitos de homens e mulheres, mas, em geral, achei todos meio lúgubres.

Os temas lembraram-me de alguns contos de "terror" japoneses, com um quê de pesadelos. Não é bem meu tipo de leitura, mas valeu por ter conhecido um autor diferente. Suas descrições são vívidas e ele demonstra ter muito cuidado na escolha das palavras.


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12.12.11

Mixidinho de vôngole



Vi a receita no no blog do Marcelo Katsuki, originalmente ela se chamava "mixidinho de lambreta", olhei para a foto e achei que a tal da "lambreta" (amêijoa, molusco encontrado nos mangues)  tinha muita cara de vôngole e foi o que acabei usando. Perdoem-me, lambretas!

Depois vi que a lambreta é um pouco maior, mas o prato ficou saboroso mesmo com meus vôngoles congelados. (A gente faz o que pode com o que tem).

Fiz metade da receita usando arroz integral. Meu mixidinho não ficou com tanto caldo como na foto do Katsuki, ficou parecido com um risoto. Um risoto gostoso e completo com vôngoles, feijão e queijo coalho derretido, diga-se de passagem.



Mixidinho de vôngole


500g de arroz cozido (usei integral)
250g de feijão fradinho cozido com água e sal
500g de lambreta (para metade da receita, usei metade de um pacote de 500g de vôngoles limpos congelados que deixei de molho em água pouco antes de cozinhar para que descongelassem, escorri e usei. A receita dá a entender que as lambretas devem estar com casca, mas não é o que parece na foto do Katsuki. Fica ao gosto do freguês, as casquinhas são bonitas, mas, a meu ver, são incômodas na hora de comer)
250g de queijo coalho padrão em cubinhos
2 colheres de sopa de extrato de tomate (não usei)
4 colheres de sopa de azeite de oliva
4 colheres de sopa de cachaça
1 cebola pequena picada
2 dentes de alho picados
1 tomate maduro picado sem sementes
3 pimentões pequenos (vermelho, amarelo e verde) picados em cubinhos (usei bem menos pimentão e só do vermelho)
Sal, pimenta e coentro a gosto


Em uma panela aqueça o azeite e refogue as lambretas até elas se abrirem.
Em seguida, coloque as 4 colheres de sopa de cachaça.
Deixe secar um pouco e acrescente a cebola, o extrato de tomate, alho, sal e pimenta do reino.
Refogue por mais seis minutos em fogo baixo. Coloque o queijo coalho e misture bem.
Em seguida, junte os pimentões, o arroz, o feijão, o tomate e, por último o coentro. Está pronto para servir. (Juntei o queijo no final e deixei os legumes refogarem um pouco).




10.12.11

Bolo de peras do Nigel Slater


Gosto muito do tipo de comida e do estilo de cozinha do Nigel Slater, tenho apenas uma livro dele, o Kitchen Diaries, mas foi o suficiente para que passasse a admirá-lo. O livro me faz pensar na vida em uma cidade pequena, arborizada, onde ainda é possível fazer uma pequena horta e na qual manteiga e ovos podem ser adquiridos em vendas ou diretamente do produtor. É uma comida improvisada com os ingredientes à disposição no momento, honesta, sem frescuras.

Este bolo é um exemplo disso. A base é praticamente uma receita de bolo quatro quartos, se você se sente um zero à esquerda para bolos, basta saber preparar essa massa. Ela é uma base muito boa, gostosa e amanteigada. Fundamentalmente, ela consiste em se pesar os ovos e em se utilizar a mesma medida para a farinha, a manteiga e o açúcar, adicionar um pouco de fermento ou bicarbonato de sódio e voilà!

A receita original levava uma porção de mirtilos além das peras, mas usei apenas estas últimas, afinal, mirtilos não são comuns por aqui. Fiz uma arranjo "artístico" com as peras que deveriam ser apenas espalhadas sobre a massa e não sei se foi uma ideia tão boa assim, pois a parte superior das frutas não envolvida pela massa ficou escura, talvez devesse ter usado um pouco de suco de limão para evitar isso, ou colocado alguns pedacinhos de manteiga sobre as frutas, fica a nota. Entretanto, o bolo ficou muito bom assim mesmo, pouco doce, ótimo com uma xícara de chá.



Bolo de peras do Nigel Slater


130g de manteiga à temperatura ambiente
130g de açúcar demerara (ou cristal orgânico)
2 peras maduras (usei mais uma metade), descascadas e cortadas em pedaços
2 ovos grandes à temperatura ambiente batidos
130g de farinha
1 c chá de fermento
um pouco de açúcar para polvilhar


Preaqueça o forno à 180C. Forre a base de uma forma de 21-22cm com um pedaço de papel manteiga (ou unte e enfarinhe uma forma equivalente).

Bata a manteiga com o açúcar até que a mistura fique pálida e leve. Adicione os ovos batidos aos poucos. Adicione a farinha e o fermento peneirados e mexa cuidadosamente até obter uma massa homogênea. Coloque-a na forma e espalhe as peras sobre ela. Polvilhe um pouco de açúcar e asse por cerca de 55 minutos.




8.12.11

Pão de cebola e aveia



Pão gostoso, macio, meio grudento para trabalhar, mas o resultado compensou. A receita original não levava aveia, adicionei um pouco, mas não é necessário.

A versão original é para se fazer na máquina, mas passo a minha adaptação feita à mão. Fiz metade da receita e reduzi a quantidade de fermento biológico pedida para a metade.





Pão de cebola com aveia

2 colheres de sopa de azeite para refogar as cebolas
2 cebolas médias, finamente picadas
1/4 x e mais 1 colher de chá de açúcar (usei demerara)
Sal q.b.
1 pacote de fermento biológico instantâneo seco (10g)
2 ovos grandes
4 colheres de sopa de manteiga derretida (usei azeite)
300ml de água morna
cerca de 500g de farinha de trigo
1 x de aveia em flocos (opcional)


Aqueça 2 colheres de azeite numa frigideira grande em fogo médio. Adicione a cebola bem picadinha, 1 colher de chá de açúcar e 1/2 colher de chá de sal e cozinhe, mexendo de vez em quando até dourar.

Misture a água com o fermento e 1/4 x de açúcar e deixe descansar por cerca de 10 minutos, ou até que o fermento suba e forme uma camada de espuma na superfície da mistura. Junte os ovos, 4 colheres de sopa de azeite e cerca de 1/4 chá de sal. Adicione a cebola refogada e junte farinha até formar uma massa que possa ser trabalhada com as mãos. Sove por cerca de 10-15 minutos. Coloque em uma tigela, cubra com um pano de prato e deixe crescer por cerca de 2 horas.

Depois desse tempo, retire o ar da massa e molde o pão no formato desejado, dois pães grandes ou vários pães menores (prefiro a segunda opção, pois posso congelar depois de assados e descongelar deixando alguns segundos no micro-ondas). Coloque sobre uma assadeira untada e enfarinhada e deixe dobrar de volume.

Pincele com manteiga derretida ou um ovo batido se quiser que fiquem mais bonitos e asse em forno preaquecido à 180C até que dourem.


5.12.11

Gelado rápido de manga, iogurte e mel


Vi o Jamie Oliver preparar várias versões desta sobremesa. O iogurte ideal é o iogurte grego, mais denso do que o iogurte natural que encontramos nos mercados, mas isso pode ser resolvido facilmente, basta forrar uma peneira com papel absorvente ou pano de prato, colocar o iogurte natural e deixar escorrer por algumas horas (se houver pressa) ou de uma dia para o outro. O líquido vai escorrer e o iogurte ficará espesso.

Para esta receita, usei dois potinhos de iogurte que deixei escorrer por duas horas. Basta bater o iogurte escorrido no liquidificador com pedaços congelados de uma manga média madura e mel a gosto para adoçar. (Certifique-se de que seu liquidificador consegue dar conta do recado). O creme pode ser comido assim ou deixado no congelador/freezer por cerca de uma hora. Ele não deve ficar duro, só cremoso e firme o suficiente para formar uma bolinha molenga.

A manga pode ser substituída por frutas vermelhas ou morangos (ou o que a sua imaginação mandar).



4.12.11

Dentro do ônibus xv

Não há muito acontecendo dentro dos ônibus ultimamente. Há épocas assim, entro, cartão magnético em punho, passo e procuro um lugar para me sentar ou me segurar. Sou invadida pelos odores (nem sempre agradáveis) que pairam no ar e observo, ou me abstraio.

Já notaram como a camaradagem dos motoristas e cobradores é divertida? Quando ambos fazem muitas linhas juntos, acabam parecendo um casal de longa data, as conversas têm direito a conselhos, fofocas e comentários variados, às vezes me pego rindo das bobagens que eles falam.

Outro dia vi uma mulher negra com um coque elegantíssimo, cheio de nós e tranças elaboradas, acho que não era feito com seus próprios fios de cabelo, mas era bonito assim mesmo. Também vi uma senhora com sapatilhas prateadas e pensei em como elas lhe iam bem. Pequenas coisas, pequenos cuidados que sempre acho encantadores. 


2.12.11

Pepino e gergelim


Uma de minhas combinações preferidas. Bonita e crocante. Use um descascador de legumes (ou faca) para retirar algumas tiras da casca de dois pepinos japoneses, corte em fatias não muito finas, coloque sobre uma peneira, adicione um pouco de sal, misture e deixe escorrer sobre uma tigela por uma ou duas horas.

Coloque em outro recipiente, tempere com algumas gotas de óleo de gergelim, adicione sementes de gergelim e corrija o sal caso necessário.

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29.11.11

Creme de abacate com tâmaras e mel


Vi uma sobremesa feita com abacate no blog da Luna e me lembrei de uma receita que costumava fazer há algum tempo. Na versão original, não havia mel, ela era adoçada apenas com tâmaras, muitas. Mas depois que queimei um liquidificador, não a preparei mais. As tâmaras vendidas por aqui não são muito suculentas, são mais secas e duras, o que exige um liquidificador mais poderoso, e o meu não era. Tentei no processador, mas também não deu muito certo. Mas quem mandou botar um monte de tâmaras inteiras no copo e esperar que o aparelho triturasse tudo, não mesmo? (Talvez picá-las e deixá-las de molho em água quente por algum tempo resolva esse problema, mas gosto mais da minha versão atual).

Adaptei a receita ao meu gosto e desisti de usar um montão de tâmaras, uso apenas umas 5 ou 6 tâmaras sem caroços já picadinhas que coloco no liquidificador (ou processador de alimentos) com a polpa de 1/2 abacate médio (ou um avocado, aqueles pequenos), cerca de 1 c sopa de suco de limão e mel a gosto. Bato apenas até que o abacate fique cremoso sem me preocupar mais em triturar tão bem as tâmaras. Fica bom, os pedacinhos de tâmara quebram a homogeneidade do creme.