30.6.11

Da paciência feminina

Esses dias, quase terminei de ler um livro de mais ou menos cem páginas esperando uma consulta médica. Cheguei quarenta minutos mais cedo, a secretária já avisou que havia um grande atraso, saí para almoçar porque não tive tempo de fazer isso em casa e ainda esperei mais duas horas. Acho que mulheres se submetem mais a esse tipo de coisa, quer dizer, a ficar esperando horas em consultórios. Um homem já teria ido embora depois de, no máximo, quarenta minutos. O O. tem um limite de trinta minutos, depois disso ele diz tchau e procura alguém que atenda no horário. Como sou eu quem marca as consultas dele, sempre pergunto se o médico é pontual e devo admitir que há médicos que atendem no horário e até antes, mas é preciso procurar e eu ainda não fiz isso com os meus (não que tenha muitos). 

Também parece ser uma característica das mulheres perdoar o chá de cadeira porque o médico é "bonzinho" ou "simpático", critérios que um homem não adotaria.

Conheço o médico em questão desde a época em que ele atendia em um consultório apertado em um prédio e não em um casarão com máquina de expresso e grão moído na hora. Tenho que marcar a consulta com meses de antecedência e sempre sei que vou esperar, mas respiro fundo e digo que é apenas uma vez por ano e que, enfim, "ele é tão bonzinho!".

29.6.11

Antepasto de beringela


Um bom antepasto, um bom pão, um pouco de vinho e eis uma boa refeição. 

Receita da Letrícia. Acho que cozinhei os legumes um tiquinho demais, mas nada que comprometesse o sabor. E não tinha o pimentão.



Antepasto de beringelas

1 cebola grande picadinha
2 beringelas grandes picadas em cubos de 1 cm
2 abobrinhas grandes picadas em cubos de 1 cm
1 1/2 pimentão vermelho em cubinhos (não usei)
12 azeitonas picadas
4 dentes de alho picadinhos
1 pimenta dedo-de-moça picadinha
2 colheres (sopa) de vinagre balsâmico
3 colheres (sopa) de azeite
1 colher (sobremesa) de orégano seco
Um punhado de passas sem sementes, se você gostar
Água, para acrescentar aos pouquinhos, sempre que achar necessário


Comece refogando cebola, alho, pimentão e pimenta dedo-de-moça no azeite. Quando a cebola estiver translúcida, acrescente a beringela. Misture bem e deixe cozinhar por alguns minutos, até que a beringela murche um pouco. Adicione então a abobrinha, misturando bem. Acrescente o vinagre balsâmico, o orégano, uma pitada de sal e 1/3 de xícara de água. Tampe a panela e deixe cozinhar por uns 15 minutos.

Passado esse tempo, acrescente as passas e as azeitonas e deixe cozinhar por mais 5 minutos. Prove o tempero, acerte o que for necessário (mais sal, mais vinagre e, eventualmente, um pouco de açúcar), misture bem e deixe cozinhar destampado por uns minutinhos, só para os sabores se conhecerem melhor.

Sirva o antepasto morno ou frio, com uma dose extra de azeite.

Observação final:

Os tempos de cozimento dessa receita são estimativas, vá conferindo o seu antepasto, provando e acertando o que precisar. Só tome cuidado para não deixar que os vegetais cozinhem demais e fiquem molengas.


28.6.11

Do corpo

Tirei os últimos meses para ir a médicos, primeiro foram os oftalmologistas, depois do problema de adaptação com os óculos novos, voltei a usar os antigos e passei quase um mês tendo que me readaptar a eles. Via embaçado e as luzes me incomodavam. Queria um tira-teima para ver se estava tudo certo comigo. No fim, concluí que foi o psicológico que pesou mais do que o físico. Estou tentando usar os óculos novos com lentes refeitas e acho que estou melhorando. Apesar de sentir uma certa diferença em relação aos óculos antigos, ela não é tão brutal quanto com as primeiras lentes. Acho que realmente havia algo errado com elas, aí tive azar mesmo. Outro dia li que depois de umas três ou quatro semanas o cérebro se adapta, então, estou esperando que ele se toque.

O último especialista foi um médico vascular, desta vez, por insistência do O. que fica consternado com minhas mãos e pés gelados nesta época do ano. E realmente é algo chocante. Nas noites mais frias, meu pés ficam gelados e roxos por horas e acordo várias vezes até que eles se aqueçam completamente. (Agora vocês entendem minha necessidade de cobertores, que, aliás, ainda não foram entregues). Sem falar que qualquer queda de temperatura, mesmo um ar condicionado, faz com que meus dedos mudem de cor, o que me faz usar sandálias apenas em dias muito quentes. Pois bem, a médica fez uma avaliação geral, inclusive de umas veias aparentes que chamo de varizes, mas que ela disse que não eram nada. (Sabem como é, as mulheres têm o hábito de transformar "defeitinhos" em coisas enormes...). O que chamou sua atenção foi mesmo a mudança de cor dos meus dedos, ela disse que nunca tinha visto todos os dedos mudarem de cor de uma vez e até chamou o colega do consultório vizinho para confirmar o diagnóstico: Raynaud.

Não é algo sério, é até comum, eu já imaginava que esse era o meu problema há muito tempo, mas não há um tratamento específico. O sistema nervoso faz com que os vasos se contraiam e o sangue não flua direito para as extremidades. O melhor a fazer é me aquecer. Óbvio. A médica pediu alguns exames de sangue para excluir qualquer doença autoimune, mas não deve ser nada, preciso conviver com essa chateação como tenho feito (e, pelo visto, nem pensar em ir para lugares gélidos).

Então, se um dia nós nos cumprimentarmos, não se assustem com a temperatura das minhas mãos.


27.6.11

Hambúrguer de atum com tapenade



Ainda gosto mais do atum enlatado do que do peixe propriamente dito, mas esta receita é muito boa. O  hambúrguer sozinho é gostoso e esta versão de tapenade com maionese dá um ótimo complemento. Ele foi servido assim mesmo, mas você pode servi-lo em um pãozinho esperto com alface/rúcula, tomate, etc....



Hambúrguer de atum com tapenade

para o hambúrguer
cerca de 700g de filé de atum fresco bem picado
2 c sopa de mostarda tipo dijon
1 c sopa de molho de pimenta chipotle (ou outro tipo)
3 c sopa de óleo
1 c sopa de mel
2 cebolinhas picadas
sal e pimenta a gosto

para a tapenade:
1/4 x de azeitonas pretas sem caroço picadas
2 c sopa de alcaparras escorridas
2 dentes de alho picados grosseiramente
raspas da casca de 1 limão
suco de 1/2 limão
1/2 x de maionese
sal e pimenta a gosto 



Preparo do hambúrguer

Misture o atum, a mostarda, o molho de pimenta, o óleo, o mel e a cebolinha em um recipiente grande. Tempere com sal e pimenta. Modele oito hambúrgueres e deixe-os descansar na geladeira por 30 minutos. (Eles devem estar bem frios para manterem a forma enquanto cozinham.)

Grelhe os hambúrgueres por 3 minutos de cada lado, ou até que fiquem com o cozimento desejado. (Eu dourei a superfície dos hambúrgueres em uma frigideira antiaderente e terminei o cozimento no forno).


Preparo da tapenade

Bata a azeitona, as alcaparras, o alho, as raspas de limão e o suco em um processador de alimentos até que fiquem grosseiramente picados. Adicione a maionese e processe até que fique homogêneo, tempere com sal e pimenta. Cubra e deixe na geladeira por no mínimo 30 minutos antes de servir. (Eu piquei bem os ingredientes sólidos com uma faca e misturei à maionese).


25.6.11

Dos cobertores



Pedi para o O. comprar dois cobertores no site do Magazine da Casa esses dias e agora faz duas semanas que esperamos por eles. E o prazo de entrega era de três dias úteis. Acho que o negócio já começou mal quando deixei a escolha da cor para o O. Enviei o link com o site e o tipo de cobertor que achei mais adequado para nos aquecer e ele deveria realizar a compra porque estou sem cartão. Ele não teve dúvidas, clicou direto na primeira cor que apareceu na tela. Conclusão, esperamos dois cobertores lilás.

A atendente da loja disse que o problema era da transportadora, a transportadora diz que não tem nada com isso. E tudo o que sei é o que a atendente me falou ao telefone após muita insistência: os cobertores foram entregues para outra pessoa e devem chegar aqui até a próxima quarta.

Espero que eles cheguem antes da próxima frente fria.

(Update: a frente fria chegou antes e finalmente consegui falar com alguém da transportadora que admitiu que o erro tinha sido dela. Meus cobertores estão em Porto Alegre e só devem ser entregues mesmo lá pela sexta. Ninguém aí recebeu dois cobertores lilás?).



24.6.11

Bruschetta de pimentões assados


Lave e coloque alguns pimentões (usei amarelo e vermelho) sobre uma assadeira e leve ao forno virando de vez em quando até que eles fiquem macios e seja fácil retirar sua casca. Corte os pimentões em fatias, junte salsinha picada, alguns filés de anchovas despedaçados e tempere com azeite e sal a gosto.

Toste ligeiramente algumas fatias de um bom pão no forno, esfregue a superfície com um dente de alho e cubra com a mistura de pimentão. Regue com mais azeite se quiser e sirva. Simples e gostoso.

22.6.11

Dos estados de espírito

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Há dias em que chegamos em casa e a velha sensação de segurança e familiaridade é bem-vinda após uma série de atribulações. A toalha de mesa ainda com algumas migalhas do pão comido às pressas pela manhã, a louça por lavar, tudo isso é reconfortante. Resta tomar um banho para apagar os vestígios do mundo lá fora, beliscar alguma coisa e assistir televisão.

Também há aqueles dias em que chegamos em casa e as migalhas de pão sobre a mesa e a louça por lavar são uma afronta. Todas as pequenas coisas familiares nos irritam mais do que reconfortam, nada está certo, parece haver apenas defeitos em nosso mundo.

Há dias assim.

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21.6.11

No knead bread (pão sem sova ou pão de panela)


Finalmente preparei o famoso "no knead bread" do  New York Times que fez muito sucesso entre os foodbloggers. A ideia é fazer um pão "pro" em casa com poucos ingredientes e pouco trabalho. Na verdade, o que ele exige é planejamento, misturar os ingredientes no dia anterior e assar no dia seguinte. O meu problema com esse pão era a parte do forno, pois ele deve ser assado dentro de uma panela ou refratário com tampa. Depois de pesquisar um pouco, li que algumas pessoas haviam usado panelas de inox e tomei coragem.

A panela é aquecida por meia hora no forno e você deve colocar a massa lá dentro com ela bem quente, fiquei em dúvida sobre minha habilidade para fazer isso e com razão, vivi meu momento Jerry Lewis bem nessa hora. Retirei a panela quente do forno, coloquei-a sobre o fogão, retirei a tampa e coloquei-a sobre a pia. Joguei a massa da melhor forma possível dentro da panela tentando segurar o pano de prato para que a farinha não voasse para todos os lados. Estava tão concentrada nisso que peguei a tampa com a mão nua, queimei alguns dedos e derrubei-a no chão, sorte que ela não caiu sobre meu pé, pois aí teria sido um pastelão completo.

Mas no final o pão saiu direito. A base ficou mais crocante do que o resto da casca, mas o miolo é mais denso e úmido do que a dos pães que fiz sem a panela. Enfim, recomendo o pão, mesmo depois das queimaduras.

(Ah, como já devem ter notado, também sou péssima fatiadora de pães).





 No knead bread (pão sem sova)



3 x de farinha de trigo + um pouco para polvilhar
1/4 c chá de fermento biológico instantâneo seco
1 1/4 c chá de sal
1 1/3 x de água


Misture a farinha, o fermento e o sal em um recipiente grande. Adicione a água e mexa bem para incorporar, a massa será grudenta e bem rústica. Cubra o recipiente com um filme plástico e deixe a massa descansar por no mínimo 12 horas, de preferência cerca de 18, à temperatura ambiente.

A massa estará pronta quando a superfície estiver com bolhas. Enfarinhe uma superfície de trabalho e derrube a massa sobre ela. Molhe as mãos com um pouco de água e puxe as bordas da massa para o seu centro formando uma bola. Coloque essa massa com a parte com as dobras voltada para baixo dentro de um recipiente fundo e não muito largo (usei  a cuba da batedeira)  forrado com um pano de prato polvilhado com farinha. Polvilhe mais farinha sobre a massa, cubra com um pano de prato e deixe crescer por de 2 horas. (Este trecho é um pouco diferente da receita original, segui as dicas deste blog).

Meia hora antes do tempo de crescimento da massa, aqueça o forno à 230C e coloque uma panela com tampa (aço inox, cerâmica, ferro, pirex, etc) lá dentro. Quando a massa estiver pronta, retire a panela do forno com cuidado, coloque suas mãos por baixo do pano de prato e vire a massa dentro da panela com a parte das dobras voltada para cima, não se preocupe com a bagunça, o importante é que a massa pouse lá dentro. Tampe e asse por 30 minutos. Retire a tampa depois desse tempo e asse por mais 15-30 minutos, até que o pão fique dourado. Deixe esfriar.

19.6.11

Galette de legumes


Vi esta receita em uma revista no consultório da dentista do O. Ele acordou com dor de dente um dia desses e descobriu que precisava fazer um canal. Como ele é um pouco medroso (cof, cof, cof!), fui junto para dar um apoio moral. Esperei quase uma hora e já tinha folheado tudo o que havia na sala de espera quando ele finalmente saiu com a boca anestesiada e uma cara infeliz.

Copiei só os ingredientes no envelope da conta de telefone que estava na minha bolsa. Depois de preparar a galette, dei uma fuçada na internet e achei a receita completa. Descobri que alterei a ordem de colocação dos ingredientes do recheio e acho que, nesse caso, a ordem dos fatores alterou o produto. Coloquei o queijo por último quando deveria vir primeiro e lembrei das ervilhas só no fim, conclusão, elas ficaram duras. Mas é uma bela receita, a massa é boa e os legumes podem ser variados, acho que uma abobrinha e uma cebola dariam samba... 

Como sempre, minha galette ficou com cara de torta com falta de massa, ela ficou alta porque ao invés de abrir a massa, colocar o recheio e fechar os lados, eu a espalhei em uma forma, coloquei o recheio e dobrei as sobras das laterais. Acho mais fácil fazer assim.



Galette de legumes

massa:
3 colheres de sopa de iogurte natural
1/3 de xícara de água gelada
11/4 xícaras de farinha de trigo
1/4 de xícara de fubá
1 colher de sopa de açucar
1/2 colher de chá de sal
7 colheres de sopa de manteiga gelada e picada (usei um pouco menos)


recheio:
1 xícara de ricota fresca passada na peneira
1 dente de alho amassado
3/4 de xícara de queijo parmesão ralado
350 gramas de buquezinho de couve-flor
1/2 xícara de ervilha congelada
2 tomates médios, sem sementes, cortados em pedaços
sal a gosto
1 colher de sopa de azeite


Em uma tigela, misture o iogurte com a água. Em outra tigela, junte a farinha, o fubá, o açúcar e o sal e misture a manteiga com a ponta dos dedos até obter uma farofa. Faça uma depressão e adicione o iogurte, mexendo com um garfo. Amasse rapidamente até formar uma massa homogênea. Leve para gelar, embrulhada em filme plástico, por 15 minutos.

Preparo do recheio: Em uma tigela, junte a ricota, o alho e o parmesão. Em uma superfície, polvilhada com farinha, abra a massa, até obter um disco de 30 cm. Sobre ele, distribua a ricota, deixando uma borda de 5 cm. Por cima, arrume a couve-flor, a ervilha e o tomate. Polvilhe com sal e regue com o azeite. Dobre as bordas sobre o recheio, deixando o centro aberto. Leve ao forno quente  preaquecido a 200 graus por 45 minutos ou até a massa dourar e sirva.


17.6.11

Frango indiano aromático


Mais uma receita que recortei de uma revista Claudia Cozinha da qual vou me desfazer. Descobri que assim eu realmente acabo preparando as receitas, enquanto se as revistas ficarem empilhadas na estante, eu nem me movo.

Prato gostoso, bem temperado e perfumado. Acabei diminuindo as quantidades de sal, cominho e coentro em pó para que ficasse mais ao meu gosto.


Frango indiano aromático

1kg de filé de frango em cubos grandes
1 1/2 c chá de sal
1 pitada de pimenta do reino
2 cebolas médias em pedaços
5 dentes de alho
1 pedaço de gengibre (2 cm) descascado
2 tomates médios sem casca e sem sementes
3 c sopa de manteiga
1/2 c chá de cardamomo em pó (ou 4 vagens de cardamomo ligeiramente amassadas)
1 pedaço de canela em pau
2 folha de louro
4 cravos da índia
2 c sopa de coentro em pó
1 c sopa de cominho em pó
1 pitada de pimenta calabresa
1 1/2 x de água

para finalizar:
1/4 x de cebolinha picada
1/4 x de coentro picado
1/4 x de salsa picada

Tempere o frango com uma colher de chá do sal e a pimenta do reino. Reserve. Em um processador ou liquidificador, bata bem a cebola. Transfira para uma tigela. Bata também o alho com o gengibre (usei um ralador pequeno). Reserve em outra tigela. Por fim, bata o tomate até obter um purê.

Em uma frigideira grande, aqueça a manteiga em fogo médio. Adicione a cebola batida e refogue por 15 minutos até dourar (se necessário, junte três colheres de sopa de água). Junte a mistura de alho e gengibre e refogue por 5 minutos. Adicione as especiarias e refogue por três minutos. 

Ponha o purê de tomate e cozinhe por mais dez minutos. Acrescente o frango e misture. Tampe a frigideira e cozinhe por 20 minutos em fogo baixo, acrescentando a água aos poucos até o frango ficar macio. Corrija o sal caso necessário. Na hora de servir, polvilhe com as ervas picadas e sirva com arroz branco.



15.6.11

Tinguensai com alho e gengibre


Receita simples com tinguensai ou bok choy que a Mariana me passou. Há até um video que mostra o preparo passo a passo. A única modificação que fiz foi adicinar um pouco de amido de milho dissolvido em um pouco de água para deixar o caldo mais espesso porque o tinguensai soltou muito líquido. Uma wok bem quente talvez tivesse evitado isso.


Tinguensai com alho e gengibre

3 tinguensais
2 dentes de alho picados
1 c sopa de gengibre ralado
1 pitada de pimenta calabresa (ou 1/2 pimenta dedo de moça picada)
2 c sopa de shoyu
1 c sopa de óleo
algumas gotas de óleo de gergelim

Separe as folhas de cada tinguensai, lave bem e separe a parte branca e mais espessa da parte escura da folha. Corte a parte branca em pedaços e as folhas ao meio caso sejam grandes. Aqueça o óleo e refogue a parte branca do tinguensai, mexa e adicione o alho, o gengibre e a pimenta calabresa. Quando a parte branca começar a ficar macia, adicione a parte verde das folhas, tempere com shoyu. Espere as folhas murcharem e finalize com o óleo de gergelim.


13.6.11

Batatas assadas ao parmesão


Agora tem batata toda semana por aqui!

Esta é uma forma diferente de prepará-la, não usei o manjericão e nem a cebola em pó (que não encontrei à venda). Ao contrário do que imaginei, as batatas não ficaram crocantes, ficaram macias. O parmesão tem gordura e acaba ajudando no cozimento.




Batatas assadas ao parmesão

4 batatas (cerca de 1kg)
2 c sopa de óleo
1/2 x de parmesão ralada
1 c chá de manjericão seco (usei ervas finas)
1 c chá de sal
1/4 c chá de cebola em pó (não usei)
1/4 c chá de alho em pó
1/4 c chá de pimenta do reino

Corte cada batata ao meio no sentido do comprimento e depois cada metade em três pedaços. Em uma grande tigela, envolva as batatas no óleo. Misture os ingredientes do tempero e polvilhe sobre as batatas. Misture bem para envolvê-las no tempero.

Arrume as batatas em uma só camada em uma assadeira untada com óleo. Polvilhe o tempero que sobrar na tigela e asse à  180C por cerca de 45-55 minutos ou até que as batatas dourem e fiquem macias.


12.6.11

Um blog pós-tsunami

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Este é um blog sobre as histórias e a recuperação da região nordeste do Japão, onde mora a Valéria, do blog Papos de Anjo.



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11.6.11

Dentro do ônibus xiii

Queria escrever sobre coisas alegres, sobre os passarinhos tomando banho de areia ou uma bela manhã de sol, mas ultimamente sempre que saio de casa e pego o ônibus, sou acometida por pensamentos melancólicos. E eles são inevitáveis em dias cinzentos como os desta semana. Ainda há galhos e fios caídos nas calçadas por causa da última ventania.

Faz algum tempo que não vejo gente rindo dentro dos ônibus, conversando sobre algo que não gire em torno de problemas. Ouço muitas discussões ao celular, brigas de uma proprietária com os inquilinos de uma casa, namoradas e mulheres com os respectivos companheiros, mulheres com outros membros da família com  direito a lágrimas de frustração. As pessoas brigavam menos, ou as brigas eram menos públicas antes do celulares. Por outro lado, também estamos ficando meio japoneses, todos ficam com cara de paisagem lá dentro, cada um no seu espaço, as discussões mais esdrúxulas correndo soltas do seu lado e aquilo parece ser a coisa mais normal do mundo. Ah, as contradições!

Outro dia estava na calçada esperando o sinal mudar para ir até o ponto. Uma mulher negra estava ao meu lado e assim que o sinal ficou verde, ela se voltou para mim e falou "Vamos?" com um sorriso e tanta energia que não pude deixar de sorrir de volta. Só aquilo bastou para me aquecer por dentro. Enfim, a mudança de estação está me fazendo sentir falta de calor, em todos os sentidos.



10.6.11

Brownie com castanha de caju


De um recorte da Claudia Cozinha. Não sou grande especialista nem grande comedora de brownies e afins, acho enjoativo (diz isso quem comeu os quatro últimos pedaços), mas ficaram bem decentes e as castanhas de caju podem dar lugar a outros tipos de nozes.

Fiz metade porque a receita inteira é enorme e rendeu bem, diminui um pouco o açúcar (220g ao invés de 300g, lembrando que fiz metade).


Brownie com castanha de caju

1 1/3 x de manteiga (cerca de 300g)
360g de chocolate meio amargo
6 ovos ligeiramente batidos
2 1/4 x farinha de trigo (270g)
3 1/3 x de açúcar (600g)
150g de castanha de caju picada grosseiramente

Assadeira de 22x32cm untada com manteiga e polvilhada com farinha (ou forrada com papel manteiga).

Numa panela, derreta a manteiga com o chocolate em fogo baixo (ou aqueça por alguns segundos no micro-ondas). Retire do fogo, mexa e adicione os ovos. Misture bem.

Aqueça o forno em temperatura média. Junte a farinha e o açúcar à mistura de chocolate e mexa com uma espátula até incorporar. Acrescente as castanhas picadas e misture cuidadosamente. Transfira a massa para a assadeira preparada e alise a superfície com uma espátula. Leve ao forno por 45 minutos ou até a superfície ficar firme. Retire do forno e deixe amornar. Corte em pedaços.

8.6.11

Lulas com alho e bacon


Maneira simples de preparar uns anéis de lula congelados que tinha em casa. Só acho que o ideal seria usar uma panela tipo wok em fogo alto para que a lula cozinhe mais rápido e não solte tanto liquido.

O segredo é não cozinhar demais para que a lula não fique borrachuda. Se quiser, misture com espaguete ou outra massa cozida, polvilhe parmesão e terá um prato completo.

Daqui.



Lulas com alho e bacon


cerca de 200g de bacon picado
6 dentes de alho picados
2 c sopa de azeite
1 kg de lula em anéis
sal e pimenta do reino
3 c sopa de salsinha picada
1 c sopa de tomilho fresco picado (não usei)


Frite o bacon até que ele doure e a gordura derreta. Aumente o fogo e adicione o alho, o azeite e a lula. Tempere com sal e pimenta a gosto. Cozinhe por 2-3 minutos ou até que a lula esteja cozida. Adicione as ervas e sirva.


6.6.11

Salada de lentilhas, nozes e passas


Lentilhas são versáteis e saborosas, além de muito nutritivas. Basta cozinhá-las e usá-las como se fossem um ingrediente qualquer em saladas com os temperos que desejar.

Não usei medidas exatas, inspirei-me em outras receitas que vi na internet. Lavei e cozinhei cerca de 1 xícara de lentilhas até que elas ficassem macias sem que se desfizessem, escorri, passei por água fria, escorri outra vez e coloquei em um recipiente com 1/2 cebola roxa picada, um punhado de nozes picadas, um punhado de passas claras picadas, uma colher de sopa de alcaparras picadas e 2 c sopa de salsinha picada. Temperei generosamente com azeite, 1/2 c sopa de mel, 1 c sopa de vinagre balsâmico, 1 c chá de mostarda tipo dijon, sal e pimenta a gosto. No entanto, você pode ajustar as medidas do tempero de acordo com as quantidades de ingredientes usados e juntar as especiarias que quiser: canela, cominho, cravo, coentro, etc. A beleza desse tipo de salada é que cada um pode prepará-la do jeito que tiver vontade. É para ser algo prático e gostoso.

Gostei desta versão de salada de lentilha, há o adocidado das passas e do mel, o toque ácido do vinagre balsâmico e o crocante da cebola e das nozes.


3.6.11

Batatinhas com alecrim e alho




A aparência não engana, trata-se de uma versão de batatas aos murros. Esta foi inspírada em um dos programas do Jamie Oliver que vi esses dias. Você cozinha as batatinhas com pouca água e vários dentes de alho com casca, espera que fiquem macias, escorre e coloca em uma panela/frigideira antiaderente já no fogo, dá uma achatada com um amassador de batatas, adiciona azeite, pimenta e folhas de alecrim fresco. Remove alguns dentes de alho, amassa com um garfo para transformar em uma pasta e devolve para a panela/frigideira, isso serve para impregnar mais as batatas com o sabor do alho. Dá umas chacoalhadas para que dourem por igual e serve como acompanhamento.

2.6.11

No longer human - Osamu Dazai



O título deste livro do escritor japonês Osamu Dazai (1909-1948) poderia ser traduzido como "Fracasso como ser humano". Ele é escrito por um rapaz chamado Yozo sob a forma de um diário no qual ele relata a sucessão de fracassos e momentos humilhantes de sua vida. Tudo começa ainda na infância, filho de uma família abastada do nordeste do Japão, Yozo sempre procurou agradar as pessoas ao seu redor, foi assim que ele aprendeu a ser um "ator", a usar uma máscara da qual nunca mais conseguiu se livrar. Mais velho, ele vai para Tóquio estudar para se tornar um funcionário público, mas ao invés de ir para a faculdade, frequenta aulas de desenho, estas também logo são abandonadas quando ele conhece Horiki e passa a frequentar bares e prostitutas.

Yozo entra em um círculo vicioso do qual não consegue mais sair, vive da boa vontade das hostesses dos bares e mulheres que se sentem atraídas por ele e que procuram ajudá-lo. Seu discernimento sobre a hipocrisia da sociedade e sua incapacidade para se adequar às expectativas dos outros o desesperam. Ele se joga ao mar com uma hostess tentando se suicidar, mas apenas a mulher morre. Sua situação se degrada cada vez mais, ele se casa mas, mesmo vendo a mulher ser estuprada por outro homem, é incapaz de qualquer ação. Após uma nova tentativa de suicício e de se tornar um viciado em morfina, ele termina doente e desprezado por todos aos 27 anos de idade.

Vi em um documentário que este livro contém elementos autobiográficos do autor. Tais como as tentativas de suicídio (a última o matou antes de completar quarenta anos) e o abuso do álcool.

No longer human é um dos grandes livros da literatura japonesa e seu tradutor para o inglês, Donald Keene, é conhecido como um dos grandes estudiosos da mesma. É um livro para se ler em uma sentada. Ouvi dizer que os leitores japoneses voltaram a se interessar bastante pelas obras de Osamu Dazai, tenho a impressão de que o povo japonês está passando por um momento de questionamento de valores devido à crise que o país tem vivido nos últimos anos.


Trecho traduzido:


"Sociedade. Sentia que enfim começava a adquirir uma vaga noção do que isso significava. É a luta entre um indivíduo e outro, uma luta imediata na qual o triunfo é tudo. Seres humanos nunca se submetem a seres humanos. Mesmo escravos praticam suas retaliações mesquinhas. Seres humanos não conseguem imaginar nenhum meio de sobrevivência senão em termos de uma única e imediata competição. Eles falam sobre o dever perante o país e coisas do gênero, mas o objeto de seus esforços é invariavelmente o indivíduo e, mesmo depois que as necessidades individuais foram satisfeitas, lá está o indivíduo outra vez. A incompreensibilidade da sociedade é a incompreensibilidade do indivíduo. O oceano não é a sociedade, sãos os indivíduos. Foi assim que consegui obter um pouco de liberdade do meu terror diante da ilusão do oceano chamado mundo. Aprendi a me comportar de modo agressivo, sem a preocupação ansiosa e sem fim de antes, agindo conforme a necessidade do momento."


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