30.1.11

Cobbler de peras e mirtilos


Cobbler é um parente distante do crumble e do bolo invertido. Você forra uma forma com frutas, espalha porções de massa sobre elas e leva para assar. Este foi o meu primeiro cobbler, receita daqui. Originalmente ela era feita só com peras, mas vi mirtilos frescos no supermercado e acabei comprando. Achei-os azedos para serem comidos in natura por isso eles acabaram no cobbler junto com as peras.

(Os habitantes do hemisfério norte chamam o abacaxi, as bananas, as mangas e os mamões de "frutas exóticas", para nós, ao contrário, os "blueberries", "gooseberries", "cranberries" e outros "berries" da vida é que soam exóticos e despertam suspiros, não é mesmo? O ser humano é um ser curioso, em todos os sentidos!)

Enfim, a receita é muito boa e os mirtilos combinaram com as peras, mas apenas com peras ou mesmo com maçãs ou outras frutas também deve ficar ótima. Eu fatiei as peras ao invés de deixá-las em metades. E atenção, polvilhe o açúcar antes de colocar a massa para que ele não fique dando bobeira sobre a massa ao invés de adoçar as frutas (como eu fiz).


Cobbler de peras e mirtilo


3 c sopa de manteiga derretida
6 peras maduras descascadas, sem sementes e cortadas ao meio no sentido do comprimento (eu cortei em fatias mais finas)
1 x de farinha
1 x açúcar
1 c chá de fermento
1/2 c chá de sal
1/4 x de leite
1/4 x de conhaque (ou outra bebida alcóolica)
2 c sopa de açúcar mascavo
2 c chá de raspas de casca de limão


Preaqueça o forno à 200 C.

Unte o fundo de um refratário (cerca de 33x22cm) com 1 1/2 c sopa de manteiga. Distribua as peras em 3 fileiras com o corte voltado para baixo. Misture a farinha, 1/2 x de açúcar, o fermento e o sal em uma tigela. Adicione a manteiga restante, o leite e o conhaque e misture tudo até ficar homogêno. Espalhe colheradas da massa ao redor das peras. Misture o açúcar restante com o açúcar mascavo e as raspas de limão e polvilhe essa mistura sobre as peras. (Recomendo polvilhar o açúcar antes de espalhar a massa). Asse por cerca de 30 até que comece a borbulhar.


29.1.11

Haruki Murakami - 1Q84 , 2 de 3


Terminei o segundo volume de 1Q84 do Haruki Murakami. Há mais ação aqui e algumas coisas que aconteceram no primeiro volume ficam mais claras. O leitor descobre que "nem tudo é o que parece" e que Tengo e Aomame são ligados por um episódio do passado que os marcou profundamente. Eles ainda não se reencontraram, isso provavelmente acontecerá no próximo volume. 

Os personagens masculinos do Murakami são todos muito parecidos, o mesmo tipo de cara que não sabe muito bem que rumo tomar, nem satisfeito, nem insatisfeito com a vida sem altos  e baixos que leva, mas que de repente vê sua existência ser sacudida por algum acontecimento imprevisto.

Escreverei mais depois que terminar o terceiro volume, o que vai demorar um pouco, pois, para cada livro que realmente desejo ler, há sempre uns três outros não tão interessantes para terminar.



28.1.11

Bolo com muitas bananas


Bolo para quem gosta muito de bananas ou para quem deseja acabar com no mínimo meia dúzia delas (2 xícaras e 1/3 de banana amassada é muita banana!). O bolo cresce, mas é bastante denso. Eu fiz de acordo com a receita, mas há quem adicione canela em pó, nozes, chocolate em pedaços ou passas.

Daqui.


Bolo com muitas bananas

2 x farinha
1 c cha de bicarbonato de sódio
1/4 c chá de sal
1/2 x manteiga à temperatura ambiente
3/4 x açúcar mascavo
2 ovos batidos
2 1/3 x de bananas amassadas


Preaqueça o forno à 175 C. Unte uma forma de bolo inglês.

Misture a farinha, o bicarbonado de sódio e o sal. Em outro recipiente, misture a manteiga e o açúcar mascavo. Adicione os ovos e as bananas até que tudo fique bem incorporado. Adicione essa mistura líquida aos ingredientes secos e mexa apenas o suficiente para obter uma massa úmida.

Asse por 60-65 minutos, até que um palito inserido no centro do bolo saia limpo. Deixe o bolo esfriar por 10 min antes de desenformar.


26.1.11

Peito de frango assado com tomates cereja e azeitonas


Receita fácil, basta juntar os ingredientes e colocar no forno. Apenas as azeitonas entram quase no final. Fiz metade.


Peito de frango assado com tomates cereja e azeitonas

4 peitos de frango desossados inteiros
250g de tomates cereja
4 c sopa de azeite
4 c sopa de alcaparras escorridas
2 c sopa de vinagre balsâmico
12 azeitonas pretas
sal e pimenta a gosto

Distribua os peitos de frango, os tomates e as alcaparras em um refratário ou assadeira. Tempere com sal, pimenta, azeite e vinagre balsâmico. Asse em forno preaquecido à 190C por cerca de 20 min ou até que a carne esteja cozida.. 

Adicione as azeitonas 5 minutos antes do final do tempo no forno.

25.1.11

Dentro do ônibus VIII

No livro do Haruki Murakami que estou lendo agora, 1Q84, um dos personagens principais lê um conto muito interessante, acho que o título é  "A cidade dos gatos" (ou algo do gênero). O enredo é sobre um rapaz que passa seu tempo viajando. Um dia ele toma um trem que para em uma estação onde ele é o único passageiro a descer. Não há ninguém na estação, nem na cidade. Tudo está absolutamente deserto.  Ele passa o dia perambulando pelas ruas e casas vazias. A noite se aproxima, de repente, ele ouve um ruído na floresta e vê centenas de gatos atravessando a ponte que conduz à cidade. Assustado, o rapaz se esconde e observa como os gatos começam a abrir as lojas, a cozinhar e a ocupar as mesas dos restaurantes,  enfim, a agir como se fossem seres humanos. De manhã, os gatos vão embora e a cidade volta a ficar deserta. Apesar do susto, ele decide ficar mais algum tempo ali para observar melhor tudo aquilo. O trem continua passando e parando na estação apesar de não haver passageiros então ele poderia deixar o lugar quando quisesse. O rapaz passa a segunda noite observando os gatos de seu esconderijo. Na terceira, os felinos sentem o odor de um ser humano e iniciam uma busca. Eles chegam a alguns metros do intruso, entretanto, estranhamente, eles não conseguem vê-lo. De manhã, o rapaz corre até a estação e espera pelo trem para fugir, mas, desta vez, o trem não para e o condutor ignora sua presença na plataforma. Ele descobre que não pode mais ir embora, pois, de certa forma, deixou de existir.

Fiquei pensando nesse conto enquanto passava perto de uma estação.

Ao redor de estações e rodoviárias sempre há pensões baratas e pessoas que parecem não ter para onde ir. Elas desembarcaram um dia, talvez tenham decidido ficar para ver o que a sorte lhes reservava e, depois de algum tempo, descobriram que já não tinham mais para onde ir ou como sair daquele lugar.  Como o rapaz do conto, elas descobriram que, de certa forma,  também tinham deixado de existir. Tinham passado tempo demais na cidade dos gatos.

23.1.11

Pão de centeio faixa azul


Receita da revista Taste of home. O pão tem esse nome porque a receita foi premiada em uma cidade dos EUA. Gostei bastante, o pão fica muito macio e levemente adocicado. 

Fiz metade e usei a máquina de pão para sovar a massa, mas passo as instruções para quem quiser prepará-lo à mão.



Pão de centeio faixa azul


7g de fermento biológico instantâneo
1 c sopa de açúcar
2 1/4 x de água morna
1/4 x de açúcar mascavo
1/4 x de melado (usei mel)
1/4 x de manteiga
1 c sopa de erva-doce (não usei)
1 c chá de sal
1 x de farinha de centeio
3 1/2 - 4 x de farinha

Dissolva o fermento na água morna junto com 1 c sopa de açúcar. Adicione o açúcar mascavo, o melado, a manteiga e a erva-doce. Misture a farinha de centeio e 1 3/4x de farinha. Mexa bem e adicione a farinha restante até obter uma massa lisa e elástica.

Coloque a massa sobre uma superfície enfarinhada e sove por cerca de 5-6 minutos. Forme uma bola e coloque-a em um recipiente untado com óleo. Vire-a uma vez para envolvê-la com o óleo. Cubra e deixe descansar até dobrar de volume. Cerca de 1 hora.

Retire o ar da massa, forme três pães, coloque-os em uma assadeira grande untada e deixe dobrar de volume. Asse em forno preaquecido à 200C por cerca de 20-25 min ou até dourar.

22.1.11

Canforando


Li na Folha outro dia que pedras de cânfora serviam para absorver a umidade de gavetas e sapateiros. Comprei algumas na farmácia ( R$ 0,25 cada) e vou testar, se não resolver, pelo menos as roupas ficarão com um cheirinho bom. Só queria saber se o odor pode causar alguma reação alérgica  em quem tem rinite/sinusite ou se há algum problema em dormir no mesmo ambiente em que elas forem colocadas. Alguém sabe?


.

21.1.11

Bolo de peras simples



Como já devem suspeitar, meus bolos raramente são fofinhos, tenho uma fixação por bolos mais "densos" desde criança. "Bolo com sabor de bolo" não faz muito a minha cabeça.

Esta versão pede uma grande quantidade de fruta e acaba ficando mais próxima de um clafoutis, um bolo "apudinzado", muito úmido. As peras podem ser substituidas por maçãs, pêssegos, bananas, etc. Se quiser também podem ser adicionadas especiarias.

Uma boa desculpa para comer frutas.

Adaptada daqui.



Bolo de peras simples


1kg de peras
100g de farinha
75g de açúcar
1/2 chá de fermento
3 c sopa de leite
2 ovos
90 g de manteiga



Misture a farinha, o açúcar e o fermento. Faça uma cavidade no meio dos ingredientes secos e adicione os ovos e o leite. Misture bem e adicione 75g da manteiga derretida. 

Descasque as peras e corte-as em fatias grossas, junte-as delicadamente à massa. Unte uma forma de cerca de 22cm de diâmetro com o restante da manteiga e derrame aí a mistura.

Asse em forno preaquecido à 230°C por cerca de 30-35 minutos.
Nota: comece preparando a massa e deixa-a descansar enquanto descasca e pica as peras. 


19.1.11

Conserva de pepino com wasabi




Receita do Izakaya Issa que vi no Comes e bebes . Achei a combinação de sabores deliciosa, adocicada, com uma leve sugestão de wasabi. Tornou-se uma de minhas formas preferidas de comer pepino. Minhas notas estão entre parênteses.


Conserva e pepino com wasabi


- Pique 1 kg de pepino japonês, coloque dentro de um saco plástico  tipo ziplock  (eu coloco dentro de um recipiente com tampa) e misture 1 colher (sopa) de wasabi em pó, outra colher de sal e 3/4 (copo americano) de açúcar. Opcional: 1 pimenta dedo de moça fatiada. 

- Sacuda o saquinho plástico e deixe descansar na geladeira por 1 hora. Escorra e sirva. (Acho que fica ainda melhor no dia seguinte).


18.1.11

Comédia da vida privada

Você está lá, cheia de sonhos juvenis, se imagina transformando o mundo e, quando adianta a fita, se vê querendo dar chutes na máquina de lavar porque ela pifou com os cestos cheios de roupas sujas ou correndo com os sacos de lixo para chegar no portão antes do lixeiro. 

17.1.11

Chunky applesauce


Vi este post no blog da Odete e fiquei com vontade de preparar applesauce, basicamente maçãs cozidas com especiarias. Como ela escreve, é uma receita muito versátil, geralmente servida sob a forma de purê que pode ser adicionado à massa de bolos para substituir alguns ovos. Eu gosto de preparar o applesauce com maçãs em cubos e servir com carnes mais suaves como peru ou lombo de porco. Também misturo com iogurte natural e granola. A ideia de servir quente com sorvete também é tentadora...

Enfim, uma receita versatilíssima. Fiz com pedaços grandes pela primeira vez e gostei. Usei maçãs gala, mas isso não é obrigatório, acho que fica melhor com maçãs que não se desfaçam  muito quando cozidas. (Também procuro não cozinhar demais). A quantidade de açúcar pode ser ajustada de acordo com as preferências de cada um, gosto de usar açúcar mascavo, acho que ressalta ainda mais o perfume das especiarias. E adiciono água o suficiente apenas para umedecer as maçãs, basta cozinhar em uma panela de fundo grosso tampada em fogo baixo e dar algumas chacoalhadass de vez em quando, assim, o próprio líquido das maçãs será suficiente para cozinhá-las. Deixar a panela tampada até esfriar ajuda a completar o cozimento. (Uso panelas de inox).

De qualquer forma, passo a receita da Odete para dar uma base, você pode variar muito.



Chunky applesauce

12 maçãs lavadas e descascadas - cortadas em gomos grandes
1 xic. de apple cider (suco de maçã com especiarias) ou água (eu coloco muito pouca água, leia comentários acima)
1/2 xic. de açúcar cristal amarelo
3 paus de canela
5 cravos-da-índia

Numa panela de fundo grosso, levar todos os ingredientes a ferver em fogo médio por mais ou menos 20 minutos. Desligar o fogo e manter a panela tampada até esfriar. Depois de frio manter refrigerado. Se quiser servir quente, basta aquecê-lo novamente.

*A Odete coloca as cascas retiradas das maçãs em um saquinho de tecido de algodão próprio para uso culinário e cozinha junto com os pedaços de maçã, espreme e retira no final do cozimento. Mas, segundo ela,  isso é absolutamente opcional.


15.1.11

Quibe assado libanês



Receita indicada pela Bell Rezende no Cybercook. Realmente uma das melhores receitas de quibe assado que já fiz. O segredo parece ser cobrir tudo com papel alumínio na hora de assar, o quibe mantém a umidade e fica muito saboroso. O recheio de cebolas também é ótimo, adocicado.


Quibe assado libanês
 

500g de carne moída (patinho ou coxão mole bem limpo)
250g de trigo para quibe
1 cebola grande ou 2 pequenas raladas (eu piquei bem)
folhas de 1 maço de hortelã bem picadinhas
5 dentes de alho bem picadinhos
sal a gosto
pimenta síria a gosto (usei pimenta do reino)
3 c sopa de margarina (usei uma quantidade menor de azeite no lugar da margarina)

4 cebolas grandes fatiadas e refogadas em azeite até dourarem.



Lavar o trigo para quibe e deixá-lo de molho em água por no mínimo 2 horas.

Depois desse tempo, coloque o trigo em uma vasilha maior, espremendo-o (não muito, ele deve ficar bem úmido). Junte a carne moída, a cebola, o alho, a hortelã, o sal e a pimenta.

Trabalhe a mistura muito bem com as mãos (segundo a Bell, quando mais, melhor). Experimente o sal e corrija o tempero caso necessário. Junte a margarina e amasse mais um pouco (adicionei um pouco de azeite no lugar da margarina).

Coloque metade dessa mistura de quibe em uma forma média e espalhe a cebola refogada. Cubra com a outra metade, alise a superfície e distribua pedacinhos de manteiga sobre o quibe (aqui também usei azeite).

Cubra a forma com papel alumínio e asse à temperatura média por cerca de 1 hora. Não retire o papel alumínio para que o quibe não resseque.


13.1.11

Pasta niçoise


Receita boa para o verão, um misto de salada com massa bem completa. Fiz metade para duas pessoas, mas as quantidades podem ser variadas de acordo com as preferências pessoais, você pode adiconar mais legumes se quiser ou substituir o atum por anchovas. Adaptada daqui.


Pasta Niçoise

200g de massa curta de sua preferência
3 ovos cozidos e cortados em pedaços
200g de vagens cozinhas rapidamente em água fervente
200g atum enlatado escorrido e desfeito
300g tomates cereja cortados ao meio
150g azeitonas pretas
1 cebola roxa fatiada
8 c sopa de vinagrete (eu temperei com mostarda tipo dijon, sal e azeite)
1 dente de alho picado
3 c sopa de salsinha picada

Cozinhe a massa de acordo com as instruções da embalagem. Escorra e coloque debaixo da torneira para esfriar. Escorra novamente, coloque em um recipiente grande e misture com os demais ingredientes. Tempere com o vinagrete, o alho e a salsinha.


12.1.11

Como falar dos livros que não lemos? - Pierre Bayard



"Comment parler des livres que l'on n'a pas lus?", livro de Pierre Bayard, fez muito sucesso quando foi publicado na França. E ninguém pode negar que o título é bem curioso. O autor é professor de literatura e a obra em questão reúne uma série de ensaios sobre o tema da "não leitura". Ele começa enumerando "formas de não se ler" que vão desde apenas folhear um livro a ter uma ideia do enredo por meio de terceiros.

Bayard também descreve as situações comuns na vida de um "não leitor" como ter que sustentar uma discussão sobre um livro não lido diante de outras pessoas ou mesmo do próprio autor. Situações delicadas, entretanto, ele diz que os "não leitores" não devem ficar paralisados diante de uma obra e exorta-os a serem criativos, a não terem medo de emitir suas opiniões baseados naquilo que ouviram falar sobre um livro ou mesmo a interpretá-lo de acordo com suas próprias experiências.

Os textos são divertidos e espirituosos, com vários exemplos e anedotas de "não leitura" e de "não leitores" tirados da literatura. A ideia geral é a de que há tantas maneiras de ser um "não leitor" quanto de ser um leitor. Quando escolhemos um livro, deixamos de ler vários outros, podemos ler e esquecer detalhes (ou uma obra inteira), além disso, cada livro se transforma a tal ponto a cada leitura e de acordo com cada leitor que é difícil falar no livro com "L" maiúsculo, o que coloca em questão a fidelidade dos comentários que fazemos ou ouvimos sobre ele.

O livro de Pierre Bayard é criativo. Apesar do autor dizer que apenas ouvir falar ou apenas folheou os livros que menciona, fica claro que ele os leu do começo ao fim e de que é um leitor ávido. No fundo, ele incita os leitores a deixarem suas inibições em relação a literatura.


Alguns trechos:

"A leitura é antes de mais nada a não leitura e, mesmo para os grandes leitores que lhe dedicam a existência, o gesto de tomar e abrir um livro esconde sempre um gesto inverso e simultâneo que escapa à sua atenção: aquele, involuntário, de abandonar e de cerrar todos os livros que, em uma diferente organização do mundo,  poderiam ter sido escolhidos no lugar do feliz eleito."

"A existência do livro interior é, juntamente com a não leitura, aquilo que torna o espaço da discussão sobre os livros algo fragmentado e heterogêneo. Aquilo que chamamos de livros lidos é um acúmulo heteróclito de fragmentos de textos reorganizados por nossa imaginaçõa e sem relação com os livros dos outros, mesmo que estes sejam materialmente idênticos àqueles que passaram por nossas mãos."

(Há uma tradução para o português).



11.1.11

Das urucubacas

Eu e os eletroeletrônicos andamos em má fase. Do mês passado para cá a máquina de lavar já encrencou, o botão do ipod está nas últimas, o relógio de parede cismou em não dar a hora certa e agora meu desktop resolveu ter apagões repentinos. Costumo usar as coisas até que elas acabem, mas não espero que façam isso ao mesmo tempo. Se eu sumir, já sabem o que aconteceu.

Lasanha de legumes, queijo e molho branco


Lasanhas recém-saídas do forno são muito pouco fotogênicas, mas garanto que esta aqui ficou muito boa. E foi feita para dar fim a vários ingredientes que estavam na geladeira. Assim, não há medidas exatas, é para servir de inspiração mesmo.

Fiz um refogado com 1 dente de alho picado, 1/2 cebola picada, 1 cenoura ralada e restos de miolo de abobrinhas que tinha usado em outra receita. Temperei com sal e pimenta. Reservei.

Preparei um molho branco em ponto de mingau meio ralo usando manteiga, farinha, cerca de 600ml de leite e temperei com sal e noz moscada. Ralei restos de vários queijos e montei a lasanha da seguinte forma: um pouco de molho branco no fundo da forma, folhas de lasanha (daquelas secas que são cozidas no forno), a mistura de legumes, queijo e molho branco. Repeti as camadas mais uma vez, cobri com papel alumínio e levei para assar por cerca de 20 min.

É uma boa forma de usar restos de legumes, também pode ser feita com cogumelos ou um refogado de espinafre. ("Abafe" o espinafre em uma panela tampada até que ele murche, esprema o líquido, pique e refogue em um pouco de azeite com alho e cebolas. Tempere com sal e pimenta. Empregue).

10.1.11

Dos preços

Esse negócio de cozinhar e comprar menos comestíveis fora me dá algumas surpresas. Comprei quatro pãezinhos integrais ontem e ia pegar umas duas moedas para pagá-los quando a moça da caixa me disse o preço, eram quase R$4,00. Quanto tempo faz que os pães não custam mais alguns centavos? Eram pães integrais, mas assim mesmo achei caro. E pensar que, no passado, arroz e farinha alvos é que eram artigos de luxo...

Fora os comestíveis, o preço do jornal de domingo me surpreendeu: R$5,00. O rapaz da banca mesmo disse que era um absurdo, aumentou R$1,00 de uma semana para a outra. Ainda bem que costumo ler tudo online.

Por falar em jornais, para não desperdiçá-los (já que custam dinheiro), aprendi um truque no canal japonês há algum tempo para diminuir o mau cheiro das latas de lixo. Ele consiste em dobrar uma ou duas folhas de jornal e forrar o fundo da lata de lixo com elas, depois, você coloca o saco de lixo e  bota mais uma folha dobrada dentro dele. O bom é que além de diminuir o odor, essa prática diminui as chances de você descobrir que o saco "vazou" pois os jornais absorvem o líquido. 



9.1.11

Pão de fermentação mais longa e bastante crosta


 
Eu e os pães de fermentação longa ainda não nos entendemos assim tão bem, os resultados são muito variados, mas nossa relação tem melhorado. A primeira vez que fiz esta receita não fui muito bem sucedida. A massa ficou molenga, grudou no pano de prato e a massa se espatifou  na assadeira, ficou parecendo uma focaccia. (É só ver a foto aqui embaixo para ter uma ideia). O sabor era ótimo, mas a aparência deixou a desejar. A mesma coisa ocorreu com o pão de alho caramelado que fiz há algum tempo e que não me deixou com a melhor das impressões apesar de ser muito gostoso.

Mas a prática leva à perfeição, não é mesmo? Tomei coragem e repeti esta receita para o natal e, desta vez, o pão saiu direito, a massa não ficou tão mole e consegui colocá-la na forma sem acidentes. O pão cresceu e apareceu. Pães de fermentação  mais longa são muito saborosos e, no caso desta receita, não é preciso sovar a massa, basta esticá-la e dobrá-la como uma trouxa algumas vezes. Leva algum tempo para que o pão fique pronto e alguma programação é necessária, mas se o resultado final for um pão perfeito, você nem liga.



 O pão é bem "cascudo" e crocante no primeiro dia. O miolo é bem aerado. Na primeira vez, assei  com uma forma com água dentro do forno para manter a umidade, mas não fiz isso desta vez e a crosta continuou crocante.

Receita daqui.



Minha primeira tentativa, gostoso, mas não tão bonito



Pão de fermentação mais longa e bastante crosta

450g de farinha
1 c chá de fermento biológico instantâneo em pó
1 c chá de sal
1 1⁄3 x de água

Na noite anterior, misture a farinha, o fermento, o sal e água o suficiente para formar uma massa macia com as mãos. A consistência poderá variar de acordo com o tipo de farinha que empregar. Cubra e deixe crescer à temperatura ambiente. Ao acordar, umedeça as mãos, coloque a massa sobre uma superfície úmida e estique e dobre a massa delicamente cerca de 2-4 vezes como nas fotos abaixo. (Estique com as duas mãos, dobre uma das abas e depois cubra com a aba do outro lado). Devolva a massa para o recipiente onde ela estava anteriormente, cubra e deixe crescer até dobrar de volume. Se a temperatura ambiente estiver fria, isso pode demorar um bom tempo.

Enquanto o pão está no segundo crescimento, forre uma tigela com capacidade para o dobro da quantidade massa com um pano de prato polvilhado com bastante farinha. Depois que a massa tiver crescido, coloque-a em uma superfície de trabalho e, com as mãos molhadas, estique e dobre a massa novamente mais 2-4 vezes até que massa forme uma bola.

Coloque essa bola de massa na tigela forrada com o pano de prato enfarinhado. Cubra e deixe crescer até que ela quase dobre de tamanho, 1-4 horas dependendo da temperatura ambiente.

Vire a massa sobre uma "pá de pizza" ou pedaço de papelão grosso enfarinhado e deslize-a sobre uma pedra para assar pães ou forma de biscoitos. (Eu usei uma assadeira normal grande). Asse em forno preaquecido à 250 C (o mais quente possível). Asse até que a crosta doure, cerca de 30-40 min. Deixe esfriar com a parte inferior voltada para cima e espere 2 horas antes de fatiar.

Nota: Adicionar umidade enquanto o pão assa melhora a qualidade da crosta. Para fazer isso, mantenha uma forma ou recipiente cheio de água dentro do forno ou asse o pão coberto com um recipiente apropriado para ir ao forno. (Nunca utilizei a última alternativa).


Instruções para "sovar" a massa:


Estique a massa com as mãos úmidas

Dobre uma das pontas


Dobre a outra ponta formando uma "trouxa"

.

7.1.11

Torta francesa de maçãs


Torta gostosa, ótima com uma bola de sorvete. A minha não ficou lá muito bonita, pois não sei distribuir artisticamente as fatias de maçãs, mas ninguém reclamou.

Forre muito bem o fundo da forma com papel manteiga para que ela não grude nas beiradas como ocorreu comigo.

Receita da Ina Garten.

Torta francesa de maçã

Masssa
2 x de farinha
1/2 c chá de sal
1 c sopa de açúcar
12 c sopa de manteiga sem sal gelada em cubos (cerca de 150 g)
1/2 x água gelada


Para a cobertura
4 maçãs grandes (usei fuji)
1/2 x de açúcar
4 c sopa de manteiga sem sal gelada em cubos
1/2 x de geleia de damasco ou pêssego (passe por uma peneira se houver pedaços de fruta)
2 c sopa de rum ou água (ou outra bebida alcóolica)


Coloque a farinha, o açúcar e o sal na tigela do processador com a lâmina instalada. Pulse por alguns segundos para misturar tudo. Adicione a manteiga e pulse por mais 10-12 segundos, até que os pedaços de manteiga fiquem do tamanho de ervilhas. Com o processador ligado, adicione a água gelada aos poucos através do tubo e pulse até que a massa comece a tomar forma. Coloque-a sobre uma superfície enfarinha e trabalhe-a rapidamente e forme uma bola. Embrulhe com filme plástico e deixe na geladeira por no mínimo 1 hora.

Preaqueça o forno à 200C e forre uma forma de cerca de 35x25 cm com uma folha de papel manteiga.

Abra a massa nas medidas da forma, corte os excessos e coloque-a sobre o papel manteiga dentro da forma. Conserve na geladeira enquanto prepara as maçãs.

Descasque as maçãs, corte-as ao meio e retire as sementes. Fatie na diagonal com cerca de 5 mm de espessura. Faça faixas sobrepondo as fatias de maçã sobre a massa começando no meio e na diagonal. Complete os outros dois lados fazendo a mesma coisa até que toda a superfície da massa esteja coberta pelas fatias. Polvilhe o açúcar e espalhe os pedaços de manteiga sobre as maçãs.

Asse por cerca de 45-60 min, até que a massa e as maçãs dourem. Gire a forma uma vez enquanto a torta assa. Se a massa inchar em algum ponto, faça um corte e deixe o ar sair. Quando a torta estiver assada, aqueça a geleia com o rum e pincele essa mistura sobre toda a superfície da torta. Solte a torta com uma espátula de metal para que ela não grude no papel. Sirva morna ou à temperatura ambiente.


6.1.11

Das coisas que acontecem quando se mora no mato


E o dia amanheceu assim, rua cheia de água, algumas casas alagadas e a estrada que vem para cá inundada. Ficamos ilhados, isso já se tornou algo comum na época das chuvas. No final da tarde a água baixou o suficiente para que os carros pudessem passar, mas precisamos ficar de olho na  (im)previsão do tempo. Nosso estilo de vida não exige que saiamos de casa todos os dias, então o problema não é tão terrível, mas sempre fico com medo de que a água suba muito. 

Ainda bem que resolvi o problema do gás ontem, não daria para alguém vir trocar o botijão e eu ficaria reduzida ao micro-ondas. Ah, as delícias da vida no campo!

Das coisas que aprendemos morando no mato

Esperava que o botijão de gás acabasse entre o Natal e o Ano Novo, provavelmente em algum momento crucial: com um bolo no forno ou um assado, mas ele acabou mesmo enquanto fazia panquecas para o jantar. Por sorte, ainda havia luz e a chuva tinha dado uma trégua. Deixei a panqueca meio cozida na frigideira e fui lá fora fazer o serviço.

Respirei fundo, abri a portinhola da casa de botijões, matei duas baratas e ignorei a perereca que saltitava de um lado para o outro. Retirei um botijão e coloquei o outro, só que ele estava com um vazamento que não parava. Ouvia até o barulho do gás saindo. Depois de algumas tentativas frustradas, liguei para a distribuidora e o rapaz que me atendeu disse que não dava para mandar alguém aqui para trocar meu botijão (era o último cheio para variar), mas me ensinou a resolver o problema sozinha.

Se o vazamento surge quando você gira a válvula para encaixá-la, geralmente é o aro de borracha preta que fica lá no fundo do buraco que está com algum problema, ele pediu que eu retirasse a borracha do botijão com vazamento e trocasse com a do botijão que acabou. Logo que identifiquei a tal borracha, vi que ela estava com um corte. Lá fui eu com uma chave de fenda pequena e uma faca pontuda trocar as borrachas e não é que resolveu? Fiquei com medo de provocar uma explosão ou coisa do gênero, mas desde que você não faça movimentos bruscos, não há grande perigo. Acho.

O jantar foi salvo antes que a noite e uma chuva forte caíssem e agora tenho um conhecimento novo (e relativamente útil, pois gás encanado é algo que não verei tão cedo por estas bandas).


 A origem do problema


5.1.11

Haruki Murakami, 1Q84 (1 de 3)



(Atenção: há muitos spoilers aqui, se você pretende ler a tradução em inglês que deve sair no final do ano, sugiro que não leia o que escrevi abaixo).

Terminei o primeiro dos três volumes do romance do Haruki Murakami. Ele é cheio de acontecimentos estranhos e lembra muito as histórias de mistério e suspense com toques sobrenaturais que os japoneses tanto apreciam.

Cada volume é composto de 24 capítulos que intercalam as histórias de Tengo e Aomame, os dois personagens principais, cujas vidas estão ligadas de várias formas (ainda não muito claras).

Aomame vai completar trinta anos e é professora de artes marciais. Ela também realiza um trabalho "extra" muito peculiar (e que não direi qual é) para uma senhora que abriga mulheres vítimas de abusos dos maridos. Esse trabalho a leva a investigar um grupo religioso sobre o qual ninguém sabe quase nada.

Tengo tem a mesma idade de Aomame, dá aulas de matemática em um cursinho e escreve no resto de seu tempo livre. Ele realiza trabalhos freelance para um editor, Komatsu, que acredita em seu talento, mas acha que ele ainda deve "polir" seu estilo. Uma das funções que lhe é delegada por Komatsu é a de ler alguns textos submetidos a um concurso literário e "filtrar" aqueles que têm mais chances de ganhar. Tengo gosta muito de uma obra, mas Komatsu acha que o texto ainda contém falhas de forma e estilo, mas a história é tão original e interessante que ele propõe que Tengo "corrija" o texto. A princípio, ele reluta, mas a ideia o seduz e ambos vão procurar a autora da obra que consente em levar aquele "golpe" adiante.

A autora do texto em questão é uma garota de dezessete anos muito misteriosa, Fukaeri, que foi criada em uma propriedade "comunista" fundada por seu pai e outros intelectuais dissidentes. Todos trabalham a terra juntos e produzem verduras e legumes orgânicos. Há uma série de incidentes envolvendo alguns de seus membros e, ao final, a propriedade se transforma em um tipo de comunidade religiosa muito fechada, a mesma que Aomame tenta investigar. Fukaeri de alguma forma parece ter fugido desse lugar e mora com um antigo amigo da sua família. Ela não conta por que fugiu ou o que aconteceu com seus pais, dos quais ninguém tem notícias. Tudo o que se sabe é que algo muito estranho está acontecendo na comunidade religiosa.

O texto de Fukaeri modificado por Tengo ganha o prêmio e vira um livro. No enredo, ela menciona seres estranhos chamados de "little people" que a ensinam a construir "crisálidas de ar" . Segundo ela, quando as crisálidas forem completadas, farão com que mais uma lua brilhe no céu. Ninguém sabe quem  ou o quê são esses tais de "little people", mas Fukaeri insiste que eles existem e que a comunidade se fechou depois que tiveram contato com tais seres.

O volume termina com Fukaeri desaparecendo depois que seu livro se transforma em best seller. Seu protetor notifica o desaparecimento, mas, na verdade, seu plano é provocar um alvoroço e fazer com que a polícia e os jornais investiguem a comunidade religiosa para descobrir o que aconteceu com os pais de Fukaeri.

A história se passa toda entre abril e dezembro de 1984. Daí o título do livro, "1Q84". Ele também faz referências a 1984, o livro de George Orwell (que eu não li). Como a letra "Q" é pronunciada da mesma forma que o número "9" em japonês há uma "brincadeirinha" também aí.

Além disso, "1Q84" é a maneira como Aomame se refere ao ano em que está vivendo, "Q" significaria "question mark", pois ela desconfia que algo ocorreu em algum momento e fez com que ela passasse para uma espécie de realidade pararela onde as coisas não são mais como no ano de 1984 que ela conhecia até então. Afinal, quando ela olha pela janela à noite, vê duas luas brilhando no céu...

Uma coisa eu tenho que admitir, o japonês do Murakami é muito simples,  assim como sua forma de narrar uma história. O segredo parece ser escrever as coisas mais doidas da forma mais lógica possível. Li várias traduções para o inglês dos livros do Murakami e acho que elas são bastante fiéis ao estilo do autor. Ele também facilita bastante a vida dos tradutores, pois seus textos lembram muito mais os textos  de autores ocidentais do que os dos autores japoneses que já li. Só fiquei pensando em como vão solucionar algumas "brincadeiras" e jogos de palavras que são possíveis apenas em japonês.

História longa, no fundo, não aconteceu muita coisa neste primeiro volume. Foi mais uma "preparação de terreno", no final, o leitor fica querendo saber quem são esses seres chamados de "little people", o que acontece dentro da comunidade religiosa, qual o passado de Fukaeri, quando Tengo e Aomame vão se encontrar, etc. Murakami também trata da violência doméstica e do abuso de crianças, temas pesados. Vamos ver como o enredo se desenvolve.

Próxima parada 1Q84 2 de 3.


4.1.11

Gratinado de batatas


Acompanhamento muito gostoso.

Fatiei as batatas à mão, mas se tiver dificuldade (ou preguiça), sugiro que use um fatiador, pois as batatas correm o risco de ficar duras se as fatias estiverem grossas. O creme de leite deve ser fresco, pois o de caixinha ou enlatado pode talhar quando aquecido.

Daqui.


Gratinado de batatas

1 1/2 x de creme de leite fresco
1 ramo de tomilho (usei um pouco de folhas secas)
2 dentes de alho picados
1/2 c chá de noz moscada
manteiga
1kg de batatas descascadas em fatias de cerca de 3mm de espessura 
sal e pimenta
1/2 x de parmesão ralado

Preaqueça o forno à 190C.

Aqueça o creme de leite, o tomilho, o alho e a noz moscada em uma panela.

Enquanto o creme aquece, unte um refratário com um pouco de manteiga. Forre o fundo com uma camada de fatias de batatas, sobrepondo-as um pouco, e tempere com sal e pimenta. Retire o creme do fogo e coloque 1/3 dele sobre as batatas. Polvilhe 1/3 do parmesão e repita o procedimento mais duas vezes. Asse, sem cobrir, por cerca de 45 min.


2.1.11

Coquetel de camarão


Nunca tinha feito coquetel de camarão na vida e a única versão que provei era acompanhado de um molho à base de maionese. Já este contém molho de pimenta e wasabi, ele é do tipo "come on baby, light my fire". Eu gostei, mas não é para todo mundo. No entanto, é fácil resolver o problema, pois você pode servir os camarões com os molhos de que gostar.

Não encontrei camarões de tamanho respeitável e eles já vieram limpos.

A receita do camarão e do molho são da Martha Stewart.


Coquetel de camarão

Para 6-8 pessoas
1 kg camarões grandes (uns 16-18)
1 litro de água
1 limão cortado ao meio
2 folhas de louro
1 c sopa de sal

Prepare o camarão:
Limpe cada camarao retirando a cabeça, as patas e a casca, mas conservando os rabos. Retire a veiazinha passando uma faca com cuidado pelas costas do camarão para expô-la e puxe-a com um palito de dentes.

Encha uma panela com a água, coloque aí o limão, as folhas de louro e o sal. Leve para ferver, reduza a temperatura e deixe cozinhar por cerca de 10 min. Aumente o fogo, deixe ferver novamente e adicione o camarão. Cozinhe até que ele fique opaco, cerca de 1 minuto e 45 segundos.

Retire-os com uma escumadeira e coloque sobre uma peneira, cubra com gelo e deixe esfriar por cerca de 5 min. Para armazenar por um dia, coloque os camarões em um ziplock e conserve-os no meio de uma tigela com gelo (reponha o gelo quando necessário).

Disponha os camarões na borda de uma tigela cheia de gelo (eu dispensei) acompanhado por fatias de limão e molho.


Molho:

Rende 1 xícara
3/4 x de ketchup
2 1/2 c. sopa de wasabi já preparado
2 c sopa de suco de limão
1/2 c chá de sal
1/4 c chá de molho de pimenta

Misture todos os ingredientes e sirva. Pode ser conservado na geladeira por três dias..



1.1.11

De Réveillons passados

Na época do colégio, tinha amigos de que gostava muito e costumávamos comemorar a passagem de ano na casa de um deles. Cada um levava um prato, apesar de não ligarmos muito para a comida. Ouvíamos música, jogávamos RPG, conversávamos. Dormíamos em colchões espalhados pela sala e, meio sonolentos, pegávamos o ônibus pela manhã para voltar para nossas casas.

Éramos daqueles amigos que faziam juras eternas de amizade. Mas, assim como em muitos casamentos, o ardor arrefeceu com o passar do tempo. Fomos para faculdades diferentes, fizemos outras amizades e novas descobertas. Quando nos encontrávamos, já não tínhamos mais assuntos em comum. Os finais de ano  juntos foram perdendo o encanto, até acabarem.

Era natural que um dia nos separássemos. Juntos, reunimos forças, mas, no final, cada um tinha que exorcizar seus demônios sozinho.