31.7.11

Pão doce com creme e maçãs


Outra receita da antiga Claudia Cozinha. A massa é boa para trabalhar, não cresceu nos trinta minutos pedidos, mas cresceu no forno. Só achei que ela poderia ser mais macia. Gostei mesmo foi do recheio, é um creme de confeiteiro bem honesto e combinou com as maçãs e as passas. 

Fiz metade da receita usando um ovo para o creme. O recheio vazou por uma das dobras que não fechei direito, mas foi bem pouco.



Pão doce com creme e maçãs

Massa:
4 x de farinha
3/4 x de leite quente
1/3 x de açúcar
1/3 x de manteiga
1/4x de água morna
1 c chá de sal
2 ovos
2 tabletes de fermento biológico (30g) ou 1 pacote de fermento biológico seco (10g)

Recheio:
2 x de leite
1/2 x de açúcar
1/2 x de passas pretas ou claras
4 c sopa de farinha
1 c chá de essência de baunilha
3 gemas
3 maçãs verdes sem casca e sem sementes em fatias finas (usei maçãs gala)

1/4 x de açúcar para polvilhar


Massa:

Dissolva o fermento na água. Misture a manteiga com o leite. Adicione o açúcar, o sal, os ovos e o fermento dissolvido. Junte a farinha aos poucos, amassando até obter uma massa lisa. Deixe descansar por 30 minutos. (Utilizei o fermento seco e segui a mesma ordem dos ingredientes, mas se estiver acostumado/a a fazer isso de outra forma, fique à vontade para alterá-la).

Recheio:

Cozinhe todos os ingredientes exceto a maçã e as passas, em fogo baixo, mexendo, até engrossar. Deixe esfriar. (Dissolva a farinha primeiro em um pouco de leite para facilitar).

Finalização:

Aqueça o forno em temperatura média. Divida a massa ao meio. Abra cada metade em um retângulo de cerca de 25x35 cm. Espalhe o creme sobre cada retângulo, deixando uma borda de 3 cm de cada lado. Por cima, distribua as maçãs e as passas.

Enrole como um rocambole, pelo lado mais comprido. Dobre as pontas para baixo do rocambole para que o recheio não escape. Com uma faca, faça cortes diagonais sobre a massa. Transfira para uma assadeira grande untada com manteiga, polvilhe os pães com açúcar e leve para assar por 30 minutos out até o pão ficar dourado na superfície.





29.7.11

Croquetes de mandioca e frango defumado



Sempre faço croquetes assim, uso batata ou mandioca cozida, dependendo do que tenho a mão. O recheio também varia, pode ser carne bovina ou alguma sobra de peixe ou frango. Basta picar/desfiar a carne e fazer um refogado mais sequinho com cebola picada, alho e cheiro verde, temperar com sal e pimenta, juntá-lo à mandioca ou batata amassada, moldar os croquetes (costumo fazê-los sempre achatados para dourar de forma mais uniforme), passar pelo ovo e farinha de rosca, colocar em uma assadeira generosamente untada com azeite (prefiro azeite, acho que dá um sabor melhor apesar de o óleo perder suas qualidades quando aquecido), levar para assar, esperar dourar de um lado, virar com uma espátula e deixar dourar do outro. 

Os da foto são de mandioca e restos de um frango defumado. Ficam ótimos com algumas gotas de tabasco.


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27.7.11

Falsa pizza


Outra receita do blog da Taís. É a segunda vez que a preparo, na primeira, acabei me entusiasmando com o molho e a cobertura e a massa não cresceu. Desta vez fiz metade da massa e não usei o molho (deu preguiça de preparar). Cobri com uma mistura de tomates, cebola, milho, orégano, sal e finalizei com os restos de queijo que tinha na geladeira. Ficou muito boa. Receita aberta a diversas variações.



Falsa pizza

1 lata de tomate pelados de 240g picados
1 cebola grande picada
2 colheres de sopa de salsa picada
1 colher de sopa de orégano
5 colheres de sopa de azeite
200ml de água quente
sal e pimenta a gosto

Massa:
4 ovos
3/4 de xícara de chá de óleo
2 1/2 xícaras de farinha de trigo
1 xícara de chá de leite
1 colher de sobremesa de sal
1 colher de sobremesa de orégano
1/2 xícara de chá de parmesão ralado
1 colher de sopa de fermento em pó

Recheio:
1 lata de milho verde
250g de mussarela ralada
3 pimentas dedo de moça picadas
orégano a gosto


Comece fazendo o molho. Leve a panela ao fogo, adicione o azeite, espere aquecer e coloque as cebolas para dourar. Após, adicione os demais ingredientes e deixe cozinhar em fogo baixo até o molho engrossar. Estando pronto, ligue o forno para pré aquecer e trabalhe na massa. Bata os ovos na batedeira por 5 minutos, aos poucos vá adicionando os demais ingredientes, deixando o parmesão e o fermento por último. Despeje esta massa em uma forma untada e enfarinhada, cubra com o molho já pronto, e cubra novamente, agora com o recheio. Deixe em forno médio por 30min e mais 5min em fogo alto para tostar um pouco.


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26.7.11

Um dia a casa cai

Outra mini arrumação na casa, tirar o carpete do escritório/batcaverna do O. e colocar um desses pisos de encaixe. Carpete velho de 20 anos no qual recentemente fizemos um recorte para averiguar a origem de manchas suspeitas. Se não tivéssemos feito o buraco, alíás, feito com muito gosto a tesouradas, provavelmente o carpete duraria ainda mais alguns anos. Cobri a estante para proteger os livros com lona preta, os instaladores vão ter que se virar para colocar o piso, ela é inamovível. 

(Ácaros procuram novo lar).


25.7.11

Frango assado com vinagre balsâmico


Outra receita da Giada di Laurentiis. O frango fica muito bom com essa marinada, macio e saboroso, não recuperei o caldo que sobrou na forma porque achei que ele estava gorduroso e queimou um pouco. Não polvilhei a salsinha e as raspas, mas ficou bom assim mesmo (claro que teria ficado mais perfumado e com apresentação mais bonita).



Frango assado com vinagre balsâmico

1/4 x de vinagre balsâmico
2 c sopa de mostarda tipo dijon
2 c sopa de suco de limão
2 dentes de alho picados
2 c sopa de azeite
sal e pimenta
um frango de cerca de 2 kg em pedaços (usei apenas sobrecoxas sem pele)
1/2 x de caldo de frango
1 c chá de raspas de casca de limão
1 c sopa de salsinha picada


Misture o vinagre, a mostarda, o suco de limão, o alho, o azeite, o sal e a pimenta. Envolva o frango com essa marinada e coloque dento de um ziplock ou em um recipiente fechado. Deixe na geladeira por no mínimo 2 horas ou de um dia para outro.

Preaqueça o forno a 200C. Coloque os pedaços de frango em uma assadeira untada com óleo e asse até que eles fiquem cozidos, cerca de 1 hora. Se o frango dourar muito rápido, cubra com um pedaço de papel alumínio.

Transfira o frango para uma travessa. Coloque a assadeira sobre o fogão, acenda o fogo em temperatura média, adicione o caldo de frango e recupere os líquidos do cozimento mexendo o fundo da assadeira com uma espátula. Derrame esse caldo sobre o frango. Polvilhe as raspas de limão e a salsinha. Sirva.

24.7.11

Farofa rica


Minha versão de farofa:

Refogue um pouco (ou muita) cebola fatiada na manteiga junto com um pouco de bacon picado (ou linguiça: calabresa, paio, portuguesa), adicione uma cenoura ralada, pimenta dedo de moça picada, azeitonas verdes ou pretas picadas, misture, adicione farinha de milho (daquela mais grossa, flocada) o quanto baste, mexa bem. Finalize com ovos cozidos picados e cheiro verde, caso deseje.

Coloque os ingredientes na proporção que desejar, a quantidade de manteiga/gordura é que dá a umidade e torna a farofa mais saborosa.

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22.7.11

Danilo Kis - The Encyclopedia of the Dead


Depois de Early Sorrows, li este livro do Danilo Kis (1935-89).

"A Enciclopédia dos mortos" é o título do conto que dá nome a esta coletânea. Todos os textos falam sobre a morte e as fatalidades da vida. Há o enterro  de uma prostituta que provoca uma grande comoção em um cemitério; o despertar de um longo sono e a morte definitiva de três homens considerados santos; um espelho misterioso que revela um acontecimento trágico; um livro cuja interpretação influencia gerações.  Danilo Kis costuma mencionar diferentes autores, personagens de outras obras e faz alusões a fatos históricos que nem sempre são muito conhecidos e que tornam algumas coisas um pouco "herméticas" (para mim), mas isso não reduz a aura de mistério e encanto dos textos. 

Meu conto preferido é mesmo aquele que dá o título ao livro. Ele narra o sonho de uma mulher cujo pai faleceu há pouco tempo e que ainda não se recuperou de sua perda. Em seu sonho, ela é conduzida até  o que parece ser uma grande biblioteca. Ela é dividida em várias salas, cada sala é dedicada a uma letra do alfabeto. A biblioteca, na verdade, contém apenas os volumes da "Enciclopédia dos mortos", obra que preserva a história das pessoas que morreram. A mulher se dirige para a sala de letra "M" e encontra o volume com a história de seu pai. Ela lê sobre seu nascimento, infância, casamento, cada mínimo detalhe de sua vida está encerrado naquelas páginas até o momento de sua morte. É um conto bonito.

Eis um trecho que achei particularmente belo, reflexões feitas pela mulher enquanto procura se lembrar do que leu na Enciclopédia:

"Não tentarei contar tudo de que me lembro, tudo da forma como é contado e descrito ali - a data e a maneira como foi realizado o noivado, o casamento tradicional para o qual o dinheiro não é problema, a gama de costumes pitorescos que fazem parte da vida: isso tudo pareceria insuficiente, fragmentário, comparado com o original. No entanto, não posso deixar de mencionar que o texto oferece uma lista das testemunhas e dos convidados, o nome do pastor que realizou a cerimônia, os brindes e as canções, os presentes e quem os deu, a comida e a bebida. Em seguida, cronologicamente, vem o período de cinco meses, entre novembro e maio, no qual os recém-casados se mudam para Belgrado, a Enciclopédia inclui o andar e a disposição dos móveis, o preço do fogão, da cama e do guarda-roupas, bem como certos detalhes íntimos que nesses casos são sempre tão parecidos e ao mesmo tempo tão diferentes. No final - e é isto que considero ser a principal mensagem do compilador - nada na história da humanidade se repete, coisas que, à primeira vista, parecem iguais não chegam nem mesmo a ser similares; cada indivíduo é um universo em si mesmo, tudo acontece sempre e jamais, tudo se repete ad infinitum e ainda assim é único. (É assim que os autores do majestoso monumento à diversidade que é A Enciclopédia dos Mortos sublinham o particular, é por isso que cada ser humano é sagrado para eles)."


21.7.11

Iogurte com passas, nozes e laranja


Uma forma de dar uma incrementada em iogurtes sem graça. Gostei da receita, o iogurte fica muito cremoso e rico depois de peneirado. Adicionei pouco suco para que continuasse mais firme e nenhuma raspa. Varie o suco e as frutas secas o quanto quiser.

Pena que renda pouco, usei dois potinhos de 180ml.




Iogurte com passas e laranja

250 g de iogurte natural desnatado
1/4 x de passas
1/4 x de nozes picadas
1 1/2 c chá de extrato de baunilha puro (melhor não usar caso tenha apenas a essência artificial)
1/4 x de mel (ou a gosto)
raspas de casca de laranja a gosto
1/2-1 x de suco de laranja


Forre uma peneira com um pano de prato limpo e suspenda-a sobre uma tigela. Coloque o iogurte e deixe escorrer, na geladeira por cerca de 3 horas ou de um dia para o outro.

Coloque o iogurte já engrossado em uma tigela e adicione as passas, as nozes, a baunilha, o mel e as raspas. Adicione suco de laranja até que adquira a consistência desejada. Enfeite com pedaços de laranja, raspas, passas, nozes, etc.


20.7.11

Torta de bacalhau da Ilza


Receita do Come-se. Testo todas as receitas com bacalhau que cruzam meu caminho. Esta versão é bem gostosa, o requeijão dá uma bela "arredondada" nos sabores, só que o meu requeijão não derreteu como na foto da Neide, ele ficou firme, forte e branco em cima de tudo. Talvez seja a marca, especulações? 

(O bacalhau pode ser substituído por frango desfiado, aí o oregáno entra no lugar do louro). 




Torta de bacalhau da Ilza

500 g de bacalhau em lascas lavado e deixado de molho da noite para o dia - troca-se a água duas neste período, escorre bem e aferventa em água limpa
1/2 xícara de azeite
5 dentes de alho amassados
6 tomates maduros bem picados e refogados em azeite com alho, cebola e sal
1/2 xícara de azeitonas pretas
2 folhas de louro
Purê de batatas feito com aproximadamente 1,2 Kg cozida, espremida e temperada com 1 colher (sopa) de manteiga, 1 colher (sopa) de leite em pó e sal a gosto
1 copo de requeijão cremoso

Escorra o bacalhau e desfie mais fino que conseguir. Numa frigideira grande, coloque o azeite e refogue o alho amassado até começar a dourar. Junte o bacalhau e mexa. Deixe aquecer bem e junte o tomate refogado, as azeitonas e as folhas de louro. Refogue até formar uma mistura cremosa. Prove o sal e corrija, se necessário. Numa forma refratária, coloque todo o purê de batatas. Por cima, distribua o bacalhau com tomate e, para finalizar, espalhe todo o requeijão cremoso. Leve ao forno bem quente para gratinar.

18.7.11

Salada toscana de pão


Outra receita do 30-minute meals do Jamie Oliver, até agora deu tudo certo mesmo sem que eu anotasse as medidas exatas. (Eu gravo o programa e, como não tenho paciência para ouvir a conversa toda do Jamie, aperto "fast forward". Faço uma leitura dinâmica das legendas, só "pauso" quando perco algo. Desculpe, Jamie!).

Nesta versão, o pão é previamente temperado e tostado no forno por alguns minutos antes de ser juntado aos outros ingredientes:

Pegue um pedaço de ciabatta (usei pão italiano), desfaça-o em pedaços com as mãos, coloque-os em uma assadeira ou refratário, tempere com sal, pimenta, alho picado, um pouco de sementes de erva-doce e um generoso fio de azeite, misture com as mãos e leve ao forno para dar uma leve tostada.

Em uma tigela, coloque tomates picados (o tipo que desejar, usei tomates cereja e tomates italianos), alcaparras picadas, alguns filés de anchova desfeitos, folhas de manjericão e tempere com azeite, sal, pimenta e um pouco de vinagre balsâmico. Misture e depois junte o pão tostado, mexa tudo mais uma vez e pronto.

Hesitei um pouco antes de adicionar as sementes de erva-doce ao pão, pois não sou grande fã delas, mas uma das coisas boas da vida é que podemos mudar de opinião, não é mesmo? Passei a dar várias "chances" aos alimentos de que não gostava quando era mais nova e tenho feito várias descobertas muito agradáveis. E este foi mais um caso. Gostei muito da combinação, as sementes de erva-doce dão um toque muito bom à salada, adicionei uma quantidade pequena e achei que um pouco mais não teria sido má ideia.  

Se tiver um belo maço de manjericão, seja generoso(a), eu só pude colocar algumas folhinhas porque meu pé fica muito mirrado nesta época do ano.

17.7.11

Coquetel de kiwi


Um de meus coquetéis preferidos: um ou dois kiwis picados e ligeiramente amassados dentro do copo, uma dose de vodka ou cachaça, muito gelo (água para diluir caso ache necessário) e mel a gosto. Se quiser, finalize com Curaçao Blue.


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16.7.11

Das amizades e do papel

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Sinto falta de escrever cartas. Cartas de verdade, em papel, escritas à mão. Escrevi muitas cartas na adolescência. Naquele tempo (e já faz algum tempo), tinha um penfriend indiano e um tailandês, as cartas demoravam quase um mês para chegar, eram esperadas com ansiedade e recebidas com prazer. Depois da leitura e da releitura, para confirmar se não perdi nada, eu me punha a respondê-las, escrevia um rascunho em uma folha, relia, corrigia, procurava palavras no dicionário, passava a limpo. Era um exercício de ortografia e gramática muito bom.

E sobre o que escrevíamos? Bem, escrevíamos sobre o cotidiano, os acontecimentos do mês, sobre nossos países, filmes, lugares. Coisas insignificantes. Trocávamos pequenos presentes, fotos, cartões postais. Nunca nos encontramos pessoalmente nem conversamos ao telefone, mas era algo muito mais íntimo e gratificante do que ter vários "amigos" nas redes sociais de hoje. Agora eu me comunico com muito mais gente, mas é isso, eu me comunico.

Também não tomo mais os mesmos cuidados quando leio ou respondo mensagens no micro. Até dou uma negligenciada, recebo uma mensagem, leio, recebo outras e, quando vejo, deixei de responder a várias delas. Não que não me importe com as pessoas que as enviaram, mas isso acontece. A gramática e a ortografia  também têm sofrido com isso. Mesmo com um corretor ortográfico à disposição, nem sempre o uso e confesso que não sou muito cuidadosa quando escrevo algum comentário às pressas por aí, também não leio as notícias ou artigos da internet com o mesmo grau de atenção que daria a algo escrito em papel. 

Isso tudo é ruim? Não sei, acho que só "diferente".


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14.7.11

Cuca caracol


Receita da tia da Taís do I miei limoni, um blog muito fofo do sul do país. Este é um tipo de pão doce gostoso para o café ou chá da tarde.

Eu susbtituí a nata, algo raro por aqui, por creme de leite fresco, aquele de garrafa, porque o de caixinha e de lata costumam talhar quando submetidos ao calor.  Depois descobri que a nata é um produto comum no sul do país e que, diferente do creme de leite fresco que encontramos por aqui, ela tem uma consistência mais para pastosa. (Alguém poderia confirmar se não estou dizendo bobagens?). O creme de leite fresco que usei era muito líquido e quando o juntei ao açúcar, obtive uma mistura igualmente líquida, acho que poderia ter reduzido a quantidade de creme pela metade ou até a um terço para facilitar na hora de enrolar a massa.

Outro efeito interessante da substituição foi que a mistura de creme de leite escorreu  pela forma, cozinhou e se transformou em "toffee", como talvez tenha assado um pouco mais do que o necessário, o fundo do refratário ficou com uma espécie de puxa-puxa. A base dos pães estava ligeiramente mais doce e crocante ao sair do forno, endurecendo no dia seguinte, o que lamentei um pouco.

Então, ficam as observações, o nosso creme de leite não é igual à nata encontrada no sul, use bem menos se quiser arriscar, mas acho que a nata faz mesmo falta. A massa é boa para trabalhar e, como a Taís disse, dá vontade de experimentar com outros tipos de recheio. (Ela mencionou doce de leite com nozes. Infelizmente parece que a combinação não foi aprovada com louvor). Fiz apenas 1/4 da receita para duas pessoas e rendeu bem.



Cuca caracol

Massa:
1 1/2 xícara de água morna
4 ovos
8 colheres de sopa de açúcar
1 pitada de sal
3 colheres de sopa bem cheias de fermento biológico seco (fermento de pão)
8 xícaras de farinha de trigo

Recheio e cobertura:
2 xícaras de açúcar
2 xícaras de nata
2 colheres de chá rasas de canela em pó


Misturar todos ingredientes da massa menos a farinha. Vá colocando a farinha aos poucos, misturando com o auxílio de um garfo e depois sovando por alguns minutos a massa com as mãos. Deixe-a descansar por aproximadamente 40min para crescer. Enquanto isso, misture os ingredientes do recheio e divida em duas porções. Massa crescida, abra-a com um rolo, como se fosse um disco de pizza, sobre uma superfície limpa e lisa. Pegue uma das porções de recheio e despeje sobre a massa, espalhe bem sobre toda ela. Agora enrole este disco como se fosse um rocambole. Rocambole feito, corte fatias grossas de aproximadamente 1,5cm. Distribua os pedaços em uma forma (não precisa untar), deixando uma certa folga entre eles pois irão crescer bastante e leve ao forno pré aquecido, baixo, por 45min. Passados estes 45min a cuca já deve estar quase pronta, já douradinha. É agora que entra a segunda porção, como cobertura. Despeje-a sobre a cuca e leve novamente ao forno por mais 15 minutos.


12.7.11

Elogio da sombra - Junichiro Tanizaki



Reli o "Elogio da Sombra" do Junichiro Tanizaki na semana passada, é um ensaio curto no qual o escritor compara a estética japonesa com a ocidental e procura demonstrar porque esta última não é adequada e não deveria ser imitada pelos japoneses. Ele compara a cor da pele, casas e vários outros elementos cotidianos, fazendo uma oposição entre as luzes do ocidente, associadas à busca pelo progresso, e as sombras do Japão tradicional.

Quando escreve sobre o estilo das casas japonesas, ele procura mostrar como seus painéis de papel de arroz projetam uma luz cálida e sombras reconfortantes em seu interior, diferente das casas ocidentais, onde tudo é  excessivamente iluminado. Nem o banheiro escapa, os mármores claros com metais reluzentes, valorizados pelo ocidente, desagradam-no. A austeridade e a simplicidade das casas japonesas antigas feitas de madeira e iluminadas por velas teriam um encanto que se perderia com luzes ofuscantes, acabando com as sombras dos móveis, dissolvendo a aura de mistério propícia à meditação.  Nem a comida é esquecida, traduzi um trecho da versão em inglês: 


"Sempre que me sento com uma tigela de misoshiro à minha frente, ouvindo o murmúrio que penetra como um chiado distante de um inseto, perdido na contemplação de sabores antecipados, sinto-me como se estivesse em transe. A experiência deve ser parecida com aquela de um mestre de chá que, ao ouvir o som do bule, esquece-se de si mesmo como se tivesse ouvido o suspiro do vento nos legendários pinheiros de Onoe.

Dizem que a comida japonesa é feita para ser observada mais do que saboreada. Iria mais longe e diria que ela deve ser meditada, um tipo de música silenciosa evocada pela combinação da laca e da luz de uma vela bruxuleando no escuro. Natsume Soseki, em Travesseiros de relva, elogia a cor do yokan (*), e realmente não é uma cor que conduz à meditação? A translucidez turva, semelhante àquela do jade, o brilho pálido e onírico que ele difunde como se tivesse sorvido a luz do sol até as suas entranhas, a complexidade e a profundidade da cor - não há nada semelhante nos doces ocidentais. Como chocolates recheados com creme parecem simples e insignificantes em comparação! E quando o yokan é servido sobre um prato de laca em cujos recessos sua cor mal pode ser distinguida, então ele é realmente um objeto de meditação. Você toma sua substância fresca e macia em sua boca e é como se a própria escuridão da sala estivesse se dissolvendo em sua língua, mesmo um yokan indistinto ganha um sabor misterioso.

Na cozinha de qualquer país, sem dúvida são feitos esforços para que a comida se harmonize com a louça e as paredes, mas com a comida japonesa, uma sala iluminada e louça brilhante cortam o apetite pela metade. O misoshiru escuro que tomamos todas as manhãs é um prato das casas parcamente iluminadas do passado. Uma vez fui convidado para uma cerimônia do chá  na qual o misoshiru foi servido, quando vi a cor turva, argilosa, quieta dentro de uma tigela de laca sob a luz pálida de uma vela, essa sopa que eu normalmente tomaria sem pensar duas vezes, parecia de alguma forma ter adquirido uma real profundidade e se tornado infinitamente mais apetitosa também. O mesmo poderia ser dito do molho de soja. Na região de Quioto e Osaka, uma variedade particularmente espessa de molho de soja é servida com peixe cru, conservas e vegetais, e como o brilho viscoso do líquido é rico em sombras, como ele se mistura divinamente com a escuridão! Comidas claras também - miso branco, tofu, o kamaboko (*), a carne branca do peixe - perdem muito de sua beleza em salas iluminadas. E além de tudo isso, há o arroz. Um recipiente de laca preta lustrosa colocado em um canto escuro é mais bonito de se ver e um forte estímulo para o apetite. A tampa é, então, retirada abruptamente e o arroz cozido de um branco puro e fresco, amontoado em seu recipiente negro, cada um dos grãos reluzindo como uma pérola, irradia vagas de vapor quente - essa é uma visão que não poderia deixar de comover um japonês. Nossa cozinha depende de sombras e é inseparável da escuridão."

(Depois da leitura eu me lembrei de uma sorveteria em Ubatuba que tinha as paredes todas cobertas com azulejo branco. Eu e alguns amigos de colégio passamos alguns dias na praia e íamos para a cidade à noite. A sorveteria estava sempre aberta e eu a achava intimidante, muito clara e branca, quando entrava ali parecia que estava dentro de um aquário, portanto, tenho que concordar com algumas coisas que o Tanizaki escreve. Claro que isso não justifica a mania de certos restaurantes servirem a comida na penumbra.)

(*) Yokan é um doce de feijão azuki e ágar-ágar.
(*) O kamaboko é uma espécie de pasta de peixe.

11.7.11

Torta de frango rápida


Outra receita do "30-minute meals" do Jamie Oliver. Como vocês sabem, não costumo fazer anotações enquanto assisto aos programas na tv, mas não há segredo: refogue alho e cebola em uma panela com um pouco de óleo, junte pedaços de peito de frango em cubos, deixe dourar um pouco, adicione os temperos que quiser (usei sal, pimenta e alecrim), um pouco de água ou caldo de frango, cogumelos (ou os vegetais que quiser, desta vez, usei palmito), polvilhe um pouco de farinha (uso mais ou menos 1/2-1 c sopa, isso depende da quantidade dos demais ingredientes, depois de fazer uma vez fica mais fácil acertar a consistência quando repetir a receita), para que não fique completamente líquido, e creme de leite.

Coloque a mistura em um refratário e cubra com massa folhada (é só cobrir mesmo, dobrando as sobras das laterais da forma mais artística que conseguir), leve ao forno para assar e espere dourar. O ideal é que o refogado de frango fique ligeiramente mais grosso, não totalmente líquido, pois ele continuará cozinhando no forno e pode acabar secando. Pense em um estrogonofe com uma quantidade razoável de caldo. Quando tirei a foto, a torta já estava meio fria e o caldo tinha dado uma boa engrossada (e uma boa evaporada). 

O frango cremoso e a cobertura crocante da massa fazem uma ótima combinação. Foi a segunda vez que preparei, usei uma massa folhada da arosa, mas gostei mais da marca massa leve que usei na primeira vez, achei que ela cresceu mais e dourou de forma mais uniforme.


8.7.11

Salmão com limão, alcaparras e alecrim


Ando procurando formas diferentes de preparar salmão e testei esta receita da Giada de Laurentiis. Ficou gostosa, é fácil, rápida e sem sujeira. A combinação de temperos é muito boa e o limão quebra um pouco da gordura e da monotonia do salmão. A versão original é feita com limão siciliano, mas usei o nosso taiti verdinho mesmo.



Salmão com limão, alcaparras e alecrim

4 filés ou postas de salmão
1/4 x de azeite extra-virgem
1/2 c chá de sal
(ou a gosto, eu sempre coloco a olho)
1/2 c chá de pimenta do reino
1 c sopa de folhas de alecrim picadas
8 fatias de limão (cerca de dois)
1/4 x de suco de limão (cerca de 1 limão)
1/2 x de vinho branco
4 c chá de alcaparras escorridas

4 pedaços de papel alumínio para embrulhar as postas de salmão



Pincele os filés de salmão com azeite e tempere com sal, pimenta e alecrim. Coloque cada um deles sobre um pedaço de papel alumínio grande o suficiente para que ele possa ser fechado e formar um embrulho com o salmão lá dentro. Coloque duas fatias de limão sobre cada posta e tempere cada uma delas com 1 c sopa de suco de limão, 2 c sopa de vinho branco e 1 c chá de alcaparras. Feche bem o embrulho, coloque-os sobre uma assadeira e leve ao forno preaquecido por cerca de 10-15 minutos. Geralmente está bom quando você ouvir o barulho de cozimento vindo de dentro dos embrulhos. (Você também pode usar o grill ou churrasqueira e o tempo de cozimento deve ser menor).

Sirva dentro do próprio papel alumínio. 


7.7.11

Dos cobertores lilás


Lembram-se deles? Pois é, os cobertores passearam por Porto Alegre e finalmente foram entregues. Levaram quase um mês para chegar aqui, custaram vários e-mails, ligações e mensagens no Reclame aqui. Me deram uma grande canseira.  Compraria novamente no Magazine da Casa? Minha opinião é dividida, eles têm bons preços e variedade de produtos, mas poderiam ter sido mais firmes para pressionar a transportadora, ou melhor ainda, poderiam ter enviado  o produto antes e pegado de volta o que se extraviou com a transportadora, a Total Express. Ações desse tipo fazem diferença. Também descobri que os cobertores são "made in China", portanto, o preço está explicado, imagino que boa parte do que é vendido no site da loja venha da China.

Lavei e começo a usar assim que secarem. Espero que sejam quentinhos, eles são bem leves e mais finos do que tinha imaginado.


6.7.11

Bolo de mel e passas


Mais um recorte da Claudia Cozinha. Bolo muito gostoso, doce na medida certa e cheio de coisas boníssimas. Usei açúcar demerara, se usar o açúcar mascavo, a massa provavelmente ficará mais escura. Como sempre, não resisti e diminuí a quantidade de manteiga.


Bolo de mel e passa

1 x (200g) de manteiga à temperatura ambiente (usei cerca de 120g e achei que ficou bom)
1/4 x açúcar mascavo (usei demerara)
1/3 x de mel
3 ovos
3 c sopa de conhaque
1 1/4 x de farinha
1 c chá de fermento
1 x de nozes picadas
1 x passas escuras
açúcar de confeiteiro para polvilhar (não usei)

Na batedeira, bata a manteiga até ficar cremosa. Adicione o açúcar e o mel e bata até ficar homogêneo. Acrescente os ovos um a um, batendo bem. Junte o conhaque e misture novamente até que o açúcar se dissolva. Misture a farinha com o fermento e acrescente à massa. Junte os ingredientes restsantes aos poucos.

Aqueça o forno em temperatura média. Coloque a massa em uma forma de bolo inglês untada, leve ao forno e asse por uma hora ou até que, enfiando um palito, ele saia limpo (caso doure muito na superfície, cubra com papel alumínio). Deixe amornar e desenforme. Deixe esfriar. Polvilhe com açúcar de confeiteiro e corte em fatias.

4.7.11

Frango com cachaça


Vi esta receita no caderno de comida da Folha de SP do começo do mês passado. Ela é muito boa, a cor ficou um pouco estranha porque usei cebola roxa e ela deu uma tingida no molho. A cachaça pode ser substituída por conhaque, whisky, vodka, etc. As ervas frescas são essenciais e podem ser usadas com generosidade.

Fiz metade. Finalizei com algumas castanhas que resolvi tostar e terminaram queimadas. (´~`;)



Frango com cachaça

1 kg de frango em pedaços (coxas e sobrecoxas), sem pele
1 dose de cachaça (meu dosador é de cerca de 40ml)
3 limões
2 garrafinhas (200ml) de leite de coco
1 cebola (usei roxa)
4 dentes de alho
1 alho-poró
cebolinha, coentro, manjericão
castanhas-de-caju
sal e pimenta


Limpe o frango com o suco de 1 limão e tempere-o com sal e pimenta. Pique a cebola, a parte branca da cebolinha e os alhos. Refogue no óleo ou no azeite. Quando estiver dourado, leve os pedaços de frango à panela e deixe que dourem também. Acrescente o limão espremido, a cachaça, e, quando estiver fervendo, o leite de coco. Deixe cozinhar bem até que a carne do frango esteja soltando do osso (pode levar aproximadamente 1 hora). Acrescente o coentro e o manjericão picados e a parte verde da cebolinha cortada em pedaços grandes
Instantes antes de servir, acrescente a castanha para que ela continue crocante.


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3.7.11

Early sorrows - Danilo Kis



Este foi o livro que quase terminei de ler no consultório outro dia. Eu o escolhi porque ele é fino e os capítulos são curtos, achei que seria uma leitura ideal para uma sala de espera.

Danilo Kis (1935-1989) nasceu em uma família de origem judia na antiga Iuguslávia perto da fronteira com a Hungria. Muitos de seus parentes morreram em campos de concentração e, segundo o autor, ele foi salvo porque seus pais o batizaram na igreja ortodoxa. Seus livros foram escritos em sérvio-croata e não há muita coisa traduzida para outras línguas, inclusive para o português.

Early sorrows é uma coletânea de reminiscências da infância de Danilo Kis, a vida pobre em um vilarejo, as dificuldades dos tempos da guerra, o desaparecimento do pai, a mãe que sustentava a família com sua habilidade em costura, o primeiro beijo, a morte de seu cão. São os relatos de suas experiências e descobertas infantis. Em um deles, que achei bem triste, ele encontra uma ninhada de gatos recém-nascidos cegos abandonados pela mãe e deixa um prato com leite para que eles se alimentem, na manhã seguinte, ele os encontra agonizantes e o leite está intocado, para diminuir o sofrimento dos gatinhos, ele acaba por matá-los e os enterra no quintal. Sua constatação é que "deus não existe".

Um livro com histórias simples, lembranças tristes e outras alegres contadas do ponto de vista de uma criança.


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1.7.11

Macarrão gratinado com couve-flor



Receita adaptada do 30-minute meals do Jamie Oliver. Não fiz anotações enquanto assistia o programa e não encontrei a receita no site, então, fiz minha própria versão baseada no que me lembrava. A ideia é começar cozinhando alguns buquês de couve-flor em água, juntar a quantidade de macarrão desejada, esmagar a couve-flor quando ela estiver macia, adicionar creme de leite, alho amassado, cheddar (ou outro queijo) ralado e temperar com sal e pimenta. Colocar essa mistura em um refratário antes que o macarrão fique molenga e polvilhar uma mistura feita com pão ralado/esfarelado, bacon crocante, sal, pimenta, azeite, parmesão e alecrim. Levar para gratinar e servir.

Antes de adicionar o creme de leite e demais ingredientes à panela com o macarrão e a couve-flor, veja se não há muita água, a ideia é que o macarrão termine de absorver o líquido no forno, mas é melhor que não haja água demais. Usei um macarrão parafuso integral e minha couve-flor foi com talo e tudo. Substitui o creme de leite por um resto de requeijão que estava vencendo na geladeira.

O Jamie deixou as fatias de bacon no forno até que elas ficassem crocantes e colocou-as no processador junto com fatias de pão amanhecido, azeite, alecrim e parmesão para fazer a farofa. Eu acabei picando o bacon em pedaços e fritanto um pouco em uma frigideira, depois juntei os demais ingredientes.

Fica muito bom.